07/06/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XV

CAPÍTULO VI

Doenças de que, como pena de pecado, sofrem mesmo os cidadãos da Cidade de Deus durante a peregrinação desta vida, e das quais Deus os cura.

Com efeito, esta doença, ou esta desobediência de que falámos no livro décimo quarto, é o castigo da primeira desobediência — e, portanto, não é uma natureza, mas um vício dela. Por isso é que se diz aos bons que avançam e vivem da fé nesta peregrinação:

Transportai mutuamente os vossos fardos e cumprireis assim a lei de Cristo [i];

e da mesma forma noutro lugar:

Corrigi os espíritos inquietos, consolai os pusilânimes, sustentai os débeis, sede pacientes para com todos, olhai que ninguém pague o mal com o mal [ii];

de igual modo noutro passo:

Se algum homem for surpreendido em falta, vós, que sois espirituais, recuperai-o com espírito de doçura. Mas acautela-te não sejas tu tentado [iii];

e noutro lugar:

Que o Sol se não esconda sobre a vossa cólera [iv];

e no Evangelho:

Se o teu irmão contra ti pecar, repreende-o a sós tu e ele [v] ·

e da mesma maneira, a propósito dos pecados em que é de recear o escândalo de muitos, diz o Apóstolo:

Repreende os que pecam na presença de todos para que todos tenham receio [vi].

Por isso é que, acerca do perdão mútuo, existem muitas prescrições e se exige cuidado especial para se manter a paz sem a qual ninguém poderá ver a Deus. Daí esse terror que inspira a condenação do servo a pagar os dez mil talentos que já lhe tinham sido perdoados, porque ele mesmo não quis perdoar um a dívida de cem dinheiros a um seu companheiro. Depois de ter contado esta parábola, Jesus acrescentou:

Assim fará vosso Pai celeste para convosco, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão com todo o coração [vii].

Deste modo são curados os cidadãos da Cidade de Deus que peregrinam nesta Terra e suspiram pela paz da pátria do Alto. É, porém, o Espírito Santo que opera por dentro para tornar eficaz o remédio aplicado de fora.

Demais, embora o próprio Deus, valendo-se da criatura que lhe está sujeita, se dirija sob uma aparência humana aos sentidos humanos, quer aos do corpo, quer aos que tem os semelhantes, nos sonos, se não reger a inteligência e não actuar sobre ela por uma graça interior, de nada servirá ao homem toda a pregação da verdade. E o que Ele faz separando os «Vasos da Cólera» dos «Vasos da Misericórdia», por um a distribuição muito oculta, mas justíssima, que só Ele conhece. Sem dúvida que Deus nos ajuda de modos admiráveis e escondidos. Quando o pecado que habita nos nossos membros (ou antes a pena
do pecado) já não reina no nosso corpo mortal para o sujeitar aos seus desejos, nem nós apresentamos os nossos membros com o armas de iniquidade, conforme o preceito do Apóstolo — o homem, sob a direcção de Deus volta-se para o seu espírito que, por sua vez, deixa de se com prazer em si para o m al, se manterá no sereno domínio de si mesmo e reinará sem pecado algum na paz eterna, na saúde e na imortalidade perfeitas.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Gál., VI, 2.
[ii] I Tess., V. 14-15.
[iii] Gál., VI. 1.
[iv] Ef„ IV, 26.
[v] Mt., XVIII, 15.
[vi] I Tim., V, 20.
[vii] Mt., XVIII, 35.

SANTA JOANA D'ARC

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As chamas envolvem-te
enquanto sobes ao Céu!

É tanta a dor,
causada pelas chamas que te consomem,
que Deus vem em teu auxílio,
e transforma todo esse sofrimento,
no mais profundo amor.

Abre-se nos teus lábios,
um sorriso,
porque Ele,
a quem tu te deste inteiramente,
vem ao teu encontro de braços abertos,
recebe-te,
aperta-te junto a Si,
limpa-te as feridas,
põe nas queimaduras o unguento,
que é a Sua paz,
o Seu amor,
a Sua alegria,
e pede ao Espírito Santo,
que sopre,
como delicado vento,
afastando o calor,
que te envolve no momento.

Apenas uma prece,
aflora ao teu coração,
naquele momento de dor:
“Perdoa-lhes,
Senhor,
porque não sabem o que fazem,
pois não conhecem a Tua alegria,
não conhecem o Teu amor!”



Monte Real, 30 de Maio de 2017
Joaquim Mexia Alves
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Hoy el reto del amor es llegar 5 minutos antes a la Eucaristía.

ARGUMENTACIÓN CONTUNDENTE

A Jubi le encanta jugar. Especialmente le gusta que la persigan, pero, claro, no tenemos tanto aguante como ella... 

Nuestra perrita se presenta estés donde estés, y comienza a dar brincos alrededor, como diciendo "¿Jugamos?". Y, cuando no consigue la respuesta que quiere, cambia de argumentos: te roba algo y sale corriendo. "¿A que ahora sí que me persigues?", parece decir.

Lo impresionante es su capacidad para analizar qué robar exactamente. Si estás trabajando en la huerta, se lleva los guantes. Si estás tendiendo, engancha las pinzas. Y, si estás encendiendo la gloria... ¡hace desaparecer el mechero! Y, ¿quién no la persigue, si se lleva justo lo que necesitas?

Esto me ha recordado un anuncio de flores cuyo eslogan era más o menos: "Ofrécele algo que no sea capaz de rechazar".

Dándole vueltas a esto, he descubierto... ¡que es lo que le hacemos nosotros al Señor!

Pero, ¿qué podríamos ofrecer nosotros, simples criaturas, a Dios Todopoderoso? La respuesta me la dio una oración de la Eucaristía: "Te ofrecemos lo que tú mismo nos has entregado: tu Hijo, Jesucristo".

Nuestro Padre nos ama tanto, que ha puesto en nuestras manos lo que aceptará siempre: ¡su propio Hijo!

Como nos narran los Evangelios, Jesús oraba: «Te doy gracias, Padre, porque sé que tú siempre me escuchas...» Tal vez tú también lo sientas así, o tal vez no, pero, al ofrecer a Cristo en la Eucaristía, ¡tenemos la certeza de que el Padre nos escucha!

Cristo mismo te invita a dejar sobre el altar todo lo que llevas en tu corazón: lo que te pesa, lo que te alegra, preocupaciones, sueños... En la Misa vamos al Padre de la mano de Jesús: ¡sabemos que no puede resistirse! Esto sí que es argumentación contundente...

Hoy el reto del amor es llegar 5 minutos antes a la Eucaristía. Siéntate lo más cerca del Señor que puedas y aprovecha para poner sobre el altar todo lo que llevas en tu corazón, todo sobre lo que necesitas sentir la mirada amorosa del Padre. Te aseguro que hoy no será "una Eucaristía"... ¡hoy es "tu Eucaristía"! ¡Feliz domingo!


VIVE DE CRISTO

Doutrina – 323

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

102. Quais foram as preparações para os Mistérios de Jesus?


Antes de mais, houve uma longa preparação de muitos séculos, que nós revivemos na celebração litúrgica do tempo do Advento.

Para além da obscura expectativa que colocou no coração dos pagãos, Deus preparou a vinda do seu Filho através da Antiga Aliança, até João Baptista que é o último e o maior dos profetas.

Epístolas de São Paulo – 95

Carta aos Hebreus - cap 2

Exortação

- 1Por isso, é necessário prestarmos maior atenção ao que ouvimos, para que não nos transviemos. 2Se, de facto, uma palavra pronunciada pelos anjos permaneceu válida e toda a transgressão e desobediência receberam a justa retribuição, 3como escaparemos nós, se desprezarmos tão grande salvação? Tendo sido primeiro proclamada pelo Senhor, essa salvação foi-nos confirmada pelos que a escutaram 4e foi testemunhada por Deus, por meio de sinais e prodígios, por diversas manifestações de poder e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo a sua vontade.

Cristo, irmão dos homens


- 5Deus não submeteu aos anjos o mundo futuro de que falamos. 6Mas alguém, em certo lugar, atesta, dizendo: Que é o homem, para que te recordes dele, ou o filho do homem para que cuides dele? 7Fizeste-o por um pouco inferior aos anjos, coroaste-o de honra e de glória, 8submeteste tudo aos seus pés. Ora, ao submeter-lhe tudo, nada deixou que não lhe estivesse sujeito. Contudo, ainda não vemos que tudo lhe esteja sujeito. 8Vemos, porém, Jesus, que foi feito por um pouco inferior aos anjos, coroado de glória e de honra, por causa da morte que sofreu, a fim de que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em favor de todos. 10Convinha, com efeito, que aquele por quem e para quem existem todas as coisas, querendo levar muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio dos sofrimentos, o autor da sua salvação. 11De facto, tanto o que santifica, como os que são santificados, provêm todos de um só; razão pela qual não se envergonha de lhes chamar irmãos, 12dizendo: Anunciarei o teu nome aos meus irmãos, no meio da assembleia te louvarei; 13e ainda: Eu porei nele a minha confiança; e de novo: Eis-me, a mim e aos filhos que Deus me deu. 14Pois, tal como os filhos têm em comum a carne e o sangue, também Ele partilhou a condição deles, a fim de destruir, pela sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo, 15e libertar aqueles que, por medo da morte, passavam toda a vida dominados pela escravidão. 16Ele, de facto, não veio em auxílio dos anjos, mas veio em auxílio da descendência de Abraão. 17Por isso, Ele teve de assemelhar-se em tudo aos seus irmãos, para se tornar um Sumo Sacerdote misericordioso e fiel em relação a Deus, a fim de expiar os pecados do povo. 18É precisamente porque Ele mesmo sofreu e foi posto à prova, que pode socorrer os que são postos à prova.

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 12, 18-27

18Vieram ter com Ele os saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-no: 19«Mestre, Moisés prescreveu-nos que se morrer o irmão de alguém, deixando a mulher e não deixando filhos, seu irmão terá de casar com a viúva para dar descendência ao irmão. 20Ora havia sete irmãos, e o primeiro casou e morreu sem deixar filhos. 21O segundo casou com a viúva e morreu também sem deixar descendência, e o mesmo aconteceu ao terceiro; 22e todos os sete morreram sem deixar descendência. Finalmente, morreu a mulher. 23Na ressurreição, de qual deles será ela mulher? Porque os sete a tiveram por mulher.» 24Disse Jesus: «Não andareis enganados por desconhecer as Escrituras e o poder de Deus? 25Quando ressuscitarem de entre os mortos, nem eles se casarão, nem elas serão dadas em casamento, mas serão como anjos no Céu. 26E acerca de os mortos ressuscitarem, não lestes no livro de Moisés, no episódio da sarça, como Deus lhe falou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob? 27Não é um Deus de mortos, mas de vivos. Andais muito enganados.»

Comentário:

É mais frequente que o que possamos julgar haver pessoas que negam a existência de Deus, ou se declaram ateus, emitirem opiniões sobre a Igreja, a Fé, a Doutrina.

Como é possível discorrer sobre algo que se nega?

Estamos perante verdadeiros casos de desonestidade intelectual que só encontram raiz na visão sectária e absolutamente despropositada.

Como acontece com a pergunta dos Saduceus – patética, trocista, sem nenhum sentido – tais situações não devem preocupar-nos e nem devemos sequer, perder tempo com elas.

Livros que sabemos abordam assuntos que os autores desconhecem em profundidade, que apenas têm como motivo levantar suspeitas, troçar e, evidentemente, o lucro económico.

Mas, dir-me-ão: como posso discutir sobre – por exemplo – um determinado livro se não o ler primeiro?

Não discutindo, sendo claro e incisivo e corajoso:

‘Sobre esse livro não sei absolutamente nada!’


(AMA, comentário sobre Mc 12, 18-27, 01.02.2017)

Senhor, não sei fazer oração!

Escreveste-me: "Orar é falar com Deus. Mas de quê?". De quê?! D'Ele e de ti; alegrias, tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias..., fraquezas; e acções de graças e pedidos; e Amor e desagravo. Em duas palavras: conhecê-Lo e conhecer-te – ganhar intimidade! (Caminho, 91)

Como fazer oração? Atrevo-me a assegurar, sem temor de me enganar, que há muitas, infinitas maneiras de orar. Mas eu preferia para todos nós a autêntica oração dos filhos de Deus, não o palavreado dos hipócritas que hão-de ouvir de Jesus: nem todo o que me diz, Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus.
Os que são movidos pela hipocrisia podem talvez conseguir o ruído da oração – escrevia Santo Agostinho – mas não a sua voz, porque aí falta vida e há ausência de afã por cumprir a Vontade do Pai. Que o nosso clamor – Senhor! – vá unido ao desejo eficaz de converter em realidade essas moções interiores, que o Espírito Santo desperta na nossa alma. (...).

Nunca me cansei e, com a graça de Deus, nunca me cansarei de falar de oração. Por volta de 1930, quando se aproximavam de mim, sacerdote jovem, pessoas de todas as condições – universitários, operários, sãos e doentes, ricos e pobres, sacerdotes e leigos – que procuravam acompanhar mais de perto o Senhor, aconselhava-os sempre: rezai. E se algum me respondia: "não sei sequer como começar", recomendava-lhe que se pusesse na presença do Senhor e lhe manifestasse a sua inquietação, a sua dificuldade, com essa mesma queixa: "Senhor, não sei!" E muitas vezes, naquelas humildes confidências, concretizava-se a intimidade com Cristo, um convívio assíduo com Ele. (Amigos de Deus, nn. 243–244).

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







06/06/2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XV

CAPÍTULO IV

Das lutas ou da paz na Cidade Terrestre.

A cidade terrestre, que não será eterna (pois, uma vez condenada ao suplício final, já não será cidade), é cá na Terra que tem o seu bem, tomando parte na alegria que estas coisas podem proporcionar. E com o não há bem que não cause apreensão aos que o amam, esta cidade acha-se, a maior parte das vezes, dividida contra si própria com litígios, guerras, lutas, em busca de vitórias mortíferas ou mesmo mortais. A verdade é que, qualquer parte dela que provoque a guerra contra a outra, o que procura é ser senhora dos povos, quando afinal é ela que fica cativa dos vícios; e se, quando sai vencedora, se exalta na sua soberba, a sua vitória é-lhe mortífera. Mas se, reflectindo sobre a sua condição e as vicissitudes comuns, se sente mais atormentada pela adversidade que lhe pode surgir do que envaidecida pela prosperidade — a sua vitória é então apenas mortal, porque lhe será impossível manter o seu domínio sobre os que pôde subjugar com tal vitória. Mas não se pode dizer correctamente que as coisas, que esta cidade ambiciona, não são verdadeiramente boas, sendo certo que mesmo ela, dentro do seu género humano, ainda é melhor. Procura certa paz terrena em vez destas coisas ínfimas — e é para a obter que ela faz guerra. Se vencer e não houver quem lhe resista — será a Paz que as partes adversas não tinham quando se batiam por bens que na sua desgraçada indigência não podiam possuir em conjunto. Esta é a paz procurada por guerras laboriosas — a paz que um a vitória, que se julga gloriosa, e consegue! Quando são vencedores os que lutam por uma causa mais justa, quem duvidará de que seja louvável uma tal vitória e desejável a paz que dela resulta? São bens e, não há dúvida, dons de Deus. Mas se, com desprezo dos bens melhores que pertencem à Cidade do Alto em que a vitória se firmará numa paz eterna, soberana e segura, se desejam esses bens até se considerarem como os únicos
bens verdadeiros e se preferem aos bens considerados melhores — necessariamente que se seguirá a miséria agravando a que já havia.

CAPÍTULO V


Do primeiro fundador da Cidade Terrestre, o fratricida — a que corresponde na impiedade o fundador de Roma, assassino de seu irmão.

O primeiro fundador da cidade terrestre foi um fratricida; vencido pela inveja, matou seu irmão, cidadão da cidade eterna e peregrino nesta Terra. Não é, pois, de admirar que, muito mais tarde, quando da fundação da cidade que viria a ser a cabeça desta cidade terrestre de que falamos e a reinar sobre tantos povos, se tenha produzido uma imagem deste primeiro exemplo, deste arquétipo. Porque também lá, por um crime que um dos seus poetas recorda,

os primeiros muros encharcaram-se com o sangue fraterno [i];

Roma foi, na verdade, fundada no dia em que Remo foi morto por seu irmão Rómulo, como o atesta a história romana; mas, no caso, ambos eles eram cidadãos da cidade terrestre, ambos procuravam a glória fundando o Estado Romano, mas não podiam ambos ter tanta glória como teriam se fosse só um. O que a queria encontrar no poder, menos poder teria se o partilhasse com seu irmão vivo. Para, portanto, deter todo o poder sozinho, suprimiu o seu companheiro — e cresceu, com o crime, para pior, o que, com a inocência, teria sido um bem melhor, embora menor.

Os irmãos Caim e Abel não tinham ambos, pelos bens terrenos, uma paixão idêntica. Nem um teve do outro inveja com receio de ver diminuído o seu poder se ambos dominassem (porque Abel não procurava dominar na cidade fundada pelo irmão), mas foi dominado por aquela diabólica inveja que leva os maus a invejarem os bons por nenhuma outra causa senão porque estes são bons e eles são maus. A posse da bondade de maneira nenhuma se apouca com a chegada ou a permanência de um companheiro; pelo contrário — a posse da bondade dilata-se tanto mais, quanto mais, em união de corações, a domina o amor de cada um que a possui. Enfim — ninguém terá esta posse se se recusar a possuí-la em comum: encontrar-se-á um a posse tanto maior quanto mais se amar aquele que dela partilha.

O que surgiu entre Remo e Rómulo m ostra, pois, até que ponto a cidade da Terra se divide contra si mesma; mas o que surgiu entre Caim e Abel demonstra as inimizades entre as duas cidades — a de Deus e a dos homens. Lutam entre si os maus com os maus; da mesma forma lutam entre si os maus e os bons; mas os bons, se são, na verdade, perfeitos, não podem lutar entre si. Os que progridem, mas sem serem ainda perfeitos, podem fazê-lo, mas da maneira por que todo o homem bom está em luta consigo mesmo — porque em cada homem

a carne luta com as suas apetèncias contra o espírito e o espírito contra a came [ii].

Pode, portanto, o desejo espiritual de alguém travar combate contra os desejos carnais de outrem, os desejos carnais de alguém podem travar com bate contra os desejos espirituais de outrem, com o podem travar com bate entre si os bons e os maus; podem até os próprios desejos carnais de dois bons, mas ainda não perfeitos, travar combate entre si com o entre si travam com bate os bons e os maus, até que a saúde dos que estão em recuperação chegue a vitória final.




(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Lucano, Farsália I, 95.
[ii] Gál., V, 17.

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Doutrina – 322 0

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

101. Em que sentido toda a vida de Cristo é Mistério?


Toda a vida de Cristo é acontecimento de revelação: o que é visível na vida terrena de Jesus conduz ao seu Mistério invisível, sobretudo ao Mistério da sua filiação divina: «quem me vê, vê o Pai» [i].
Além disso, embora a salvação provenha plenamente da cruz e da ressurreição, toda a vida de Cristo é Mistério de salvação, porque tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha como objectivo salvar o homem caído e restabelece-lo na sua vocação de filho de Deus.




[i] Jo 14, 19

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 12, 13-17

13Em seguida, enviaram-lhe alguns fariseus e partidários de Herodes, a fim de o apanharem em alguma palavra. 14Aproximando-se, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero, que não te deixas influenciar por ninguém, porque não olhas à condição das pessoas, mas ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade. Diz-nos, pois: é lícito ou não pagar tributo a César? Devemos pagar ou não?» 15Jesus, conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu: «Porque me tentais? Trazei-me um denário para Eu ver.» 16Trouxeram-lho e Ele perguntou: «De quem é esta imagem e a inscrição?» Responderam: «De César.» 17Jesus disse: «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» E ficaram admirados com Ele.

Comentário:

Para sempre ficou esta resposta de Jesus.
Revela uma sabedoria tal que nos espanta pela simplicidade lógica e irrefutável.

A lição a tirar é bem clara: sabermos exactamente o que fazer – o que devemos fazer e como – em relação às nossas obrigações e deveres como membros da sociedade humana.

Falamos muito dos nossos direitos, dos valores que dizemos nos são absolutamente próprios e indiscutíveis, mas, talvez, em muitos casos nos esquecemos o que da nossa parte temos de fazer para merecer esses mesmos direitos.

Como poderemos exigir o que nos é devido quando nos eximimos a cumprir o que devemos?


(AMA, comentário sobre Mc 12, 13-17, 01.02.2017)

Temas para meditar 715

Fidelidade


Fidelidade é o devotamento voluntário prático e completo de uma pessoa a uma causa.

JOSIAH ROYCE, Filosofía de la Fidelidad, Hacerte Buenos Aires 1949 nr. 34 trad AMA)


Reflectindo - 257

Insatisfação

Uma aparente insatisfação de não fazer o que devia fazer, como e quando. Sinto esta ânsia de perfeição pessoal que a cada momento parece estar ao meu alcance para logo se afastar para bem longe.
Queria um julgamento agora, que o Senhor me dissesse claramente:

‘Não posso prosseguir sem que primeiro aproveites todas as oportunidades que te dou continuamente.
Choras?
Mas choras por Mim ou por ti?

Porque não alcanças o que desejas ou porque não te esforças o suficiente?

Choras porque és pouca coisa e gostavas de ser mais ou choras porque nem mesmo o pouco que és consegues fazer o que deves?

Falta-te a vontade e sobra-te o desejo.

Choras porque não passas das intenções, das belas palavras, dos propósitos bem estruturados e não segues em frente como deves com o que tens, tudo o que tens e é muito porque fui Eu Quem to deu e bem sabes como sou generoso.

Sim, António, o que tens é o bastante, suficiente para me dares o que te exijo: que sejas bom, puro e santo’.



(ama, Malta, 20 de Maio 2016)