06/06/2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XV

CAPÍTULO IV

Das lutas ou da paz na Cidade Terrestre.

A cidade terrestre, que não será eterna (pois, uma vez condenada ao suplício final, já não será cidade), é cá na Terra que tem o seu bem, tomando parte na alegria que estas coisas podem proporcionar. E com o não há bem que não cause apreensão aos que o amam, esta cidade acha-se, a maior parte das vezes, dividida contra si própria com litígios, guerras, lutas, em busca de vitórias mortíferas ou mesmo mortais. A verdade é que, qualquer parte dela que provoque a guerra contra a outra, o que procura é ser senhora dos povos, quando afinal é ela que fica cativa dos vícios; e se, quando sai vencedora, se exalta na sua soberba, a sua vitória é-lhe mortífera. Mas se, reflectindo sobre a sua condição e as vicissitudes comuns, se sente mais atormentada pela adversidade que lhe pode surgir do que envaidecida pela prosperidade — a sua vitória é então apenas mortal, porque lhe será impossível manter o seu domínio sobre os que pôde subjugar com tal vitória. Mas não se pode dizer correctamente que as coisas, que esta cidade ambiciona, não são verdadeiramente boas, sendo certo que mesmo ela, dentro do seu género humano, ainda é melhor. Procura certa paz terrena em vez destas coisas ínfimas — e é para a obter que ela faz guerra. Se vencer e não houver quem lhe resista — será a Paz que as partes adversas não tinham quando se batiam por bens que na sua desgraçada indigência não podiam possuir em conjunto. Esta é a paz procurada por guerras laboriosas — a paz que um a vitória, que se julga gloriosa, e consegue! Quando são vencedores os que lutam por uma causa mais justa, quem duvidará de que seja louvável uma tal vitória e desejável a paz que dela resulta? São bens e, não há dúvida, dons de Deus. Mas se, com desprezo dos bens melhores que pertencem à Cidade do Alto em que a vitória se firmará numa paz eterna, soberana e segura, se desejam esses bens até se considerarem como os únicos
bens verdadeiros e se preferem aos bens considerados melhores — necessariamente que se seguirá a miséria agravando a que já havia.

CAPÍTULO V


Do primeiro fundador da Cidade Terrestre, o fratricida — a que corresponde na impiedade o fundador de Roma, assassino de seu irmão.

O primeiro fundador da cidade terrestre foi um fratricida; vencido pela inveja, matou seu irmão, cidadão da cidade eterna e peregrino nesta Terra. Não é, pois, de admirar que, muito mais tarde, quando da fundação da cidade que viria a ser a cabeça desta cidade terrestre de que falamos e a reinar sobre tantos povos, se tenha produzido uma imagem deste primeiro exemplo, deste arquétipo. Porque também lá, por um crime que um dos seus poetas recorda,

os primeiros muros encharcaram-se com o sangue fraterno [i];

Roma foi, na verdade, fundada no dia em que Remo foi morto por seu irmão Rómulo, como o atesta a história romana; mas, no caso, ambos eles eram cidadãos da cidade terrestre, ambos procuravam a glória fundando o Estado Romano, mas não podiam ambos ter tanta glória como teriam se fosse só um. O que a queria encontrar no poder, menos poder teria se o partilhasse com seu irmão vivo. Para, portanto, deter todo o poder sozinho, suprimiu o seu companheiro — e cresceu, com o crime, para pior, o que, com a inocência, teria sido um bem melhor, embora menor.

Os irmãos Caim e Abel não tinham ambos, pelos bens terrenos, uma paixão idêntica. Nem um teve do outro inveja com receio de ver diminuído o seu poder se ambos dominassem (porque Abel não procurava dominar na cidade fundada pelo irmão), mas foi dominado por aquela diabólica inveja que leva os maus a invejarem os bons por nenhuma outra causa senão porque estes são bons e eles são maus. A posse da bondade de maneira nenhuma se apouca com a chegada ou a permanência de um companheiro; pelo contrário — a posse da bondade dilata-se tanto mais, quanto mais, em união de corações, a domina o amor de cada um que a possui. Enfim — ninguém terá esta posse se se recusar a possuí-la em comum: encontrar-se-á um a posse tanto maior quanto mais se amar aquele que dela partilha.

O que surgiu entre Remo e Rómulo m ostra, pois, até que ponto a cidade da Terra se divide contra si mesma; mas o que surgiu entre Caim e Abel demonstra as inimizades entre as duas cidades — a de Deus e a dos homens. Lutam entre si os maus com os maus; da mesma forma lutam entre si os maus e os bons; mas os bons, se são, na verdade, perfeitos, não podem lutar entre si. Os que progridem, mas sem serem ainda perfeitos, podem fazê-lo, mas da maneira por que todo o homem bom está em luta consigo mesmo — porque em cada homem

a carne luta com as suas apetèncias contra o espírito e o espírito contra a came [ii].

Pode, portanto, o desejo espiritual de alguém travar combate contra os desejos carnais de outrem, os desejos carnais de alguém podem travar com bate contra os desejos espirituais de outrem, com o podem travar com bate entre si os bons e os maus; podem até os próprios desejos carnais de dois bons, mas ainda não perfeitos, travar combate entre si com o entre si travam com bate os bons e os maus, até que a saúde dos que estão em recuperação chegue a vitória final.




(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Lucano, Farsália I, 95.
[ii] Gál., V, 17.

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

“Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Doutrina – 322 0

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

101. Em que sentido toda a vida de Cristo é Mistério?


Toda a vida de Cristo é acontecimento de revelação: o que é visível na vida terrena de Jesus conduz ao seu Mistério invisível, sobretudo ao Mistério da sua filiação divina: «quem me vê, vê o Pai» [i].
Além disso, embora a salvação provenha plenamente da cruz e da ressurreição, toda a vida de Cristo é Mistério de salvação, porque tudo o que Jesus fez, disse e sofreu tinha como objectivo salvar o homem caído e restabelece-lo na sua vocação de filho de Deus.




[i] Jo 14, 19

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 12, 13-17

13Em seguida, enviaram-lhe alguns fariseus e partidários de Herodes, a fim de o apanharem em alguma palavra. 14Aproximando-se, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero, que não te deixas influenciar por ninguém, porque não olhas à condição das pessoas, mas ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade. Diz-nos, pois: é lícito ou não pagar tributo a César? Devemos pagar ou não?» 15Jesus, conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu: «Porque me tentais? Trazei-me um denário para Eu ver.» 16Trouxeram-lho e Ele perguntou: «De quem é esta imagem e a inscrição?» Responderam: «De César.» 17Jesus disse: «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» E ficaram admirados com Ele.

Comentário:

Para sempre ficou esta resposta de Jesus.
Revela uma sabedoria tal que nos espanta pela simplicidade lógica e irrefutável.

A lição a tirar é bem clara: sabermos exactamente o que fazer – o que devemos fazer e como – em relação às nossas obrigações e deveres como membros da sociedade humana.

Falamos muito dos nossos direitos, dos valores que dizemos nos são absolutamente próprios e indiscutíveis, mas, talvez, em muitos casos nos esquecemos o que da nossa parte temos de fazer para merecer esses mesmos direitos.

Como poderemos exigir o que nos é devido quando nos eximimos a cumprir o que devemos?


(AMA, comentário sobre Mc 12, 13-17, 01.02.2017)

Temas para meditar 715

Fidelidade


Fidelidade é o devotamento voluntário prático e completo de uma pessoa a uma causa.

JOSIAH ROYCE, Filosofía de la Fidelidad, Hacerte Buenos Aires 1949 nr. 34 trad AMA)


Reflectindo - 257

Insatisfação

Uma aparente insatisfação de não fazer o que devia fazer, como e quando. Sinto esta ânsia de perfeição pessoal que a cada momento parece estar ao meu alcance para logo se afastar para bem longe.
Queria um julgamento agora, que o Senhor me dissesse claramente:

‘Não posso prosseguir sem que primeiro aproveites todas as oportunidades que te dou continuamente.
Choras?
Mas choras por Mim ou por ti?

Porque não alcanças o que desejas ou porque não te esforças o suficiente?

Choras porque és pouca coisa e gostavas de ser mais ou choras porque nem mesmo o pouco que és consegues fazer o que deves?

Falta-te a vontade e sobra-te o desejo.

Choras porque não passas das intenções, das belas palavras, dos propósitos bem estruturados e não segues em frente como deves com o que tens, tudo o que tens e é muito porque fui Eu Quem to deu e bem sabes como sou generoso.

Sim, António, o que tens é o bastante, suficiente para me dares o que te exijo: que sejas bom, puro e santo’.



(ama, Malta, 20 de Maio 2016)

Saber-se nada diante de Deus

Grande coisa é saber-se nada diante de Deus, porque é assim mesmo. (Sulco, 260)

Deixa-me que te recorde, entre outros, alguns sinais evidentes de falta de humildade:

– pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou mais bem dito do que o que os outros fazem ou dizem;

– querer levar sempre a tua avante;

– discutir sem razão ou, quando a tens, insistir com teimosia e de maus modos;

– dar a tua opinião sem ta pedirem ou sem a caridade o exigir;

– desprezar o ponto de vista dos outros;

– não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;

– não reconhecer que és indigno de toda a honra e estima, inclusive da terra que pisas e das coisas que possuis;

– citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;

– falar mal de ti mesmo, para fazerem bom juízo de ti ou te contradizerem;

– desculpar-te quando te repreendem;

– ocultar ao Director algumas faltas humilhantes, para que não perca o conceito que faz de ti;

– ouvir com complacência quem te louva, ou alegrar-te por terem falado bem de ti;

– doer-te que outros sejam mais estimados do que tu;

– negar-te a desempenhar ofícios inferiores;

– procurar ou desejar singularizar-te;

– insinuar na conversa palavras de louvor próprio, ou que dão a entender a tua honradez, o teu engenho ou destreza, o teu prestígio profissional...;


– envergonhar-te por careceres de certos bens... (Sulco, 263)

Fátima: Centenário - Poemas


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

POEMAS




MÃE PURISSIMA

Maria, ó Virgem Santa, ó Mãe Celeste,
por dom divino ao mundo Tu vieste,
obra-prima das mãos do Criador,
modelo de virtudes e de amor.

Neste vale de pranto tão agreste,
onde de todos é partilha a dor,
o teu materno Coração nos deste,
tal como a aurora o orvalho à flor.

Mãe toda pura, atrai com doce encanto
teus filhos sob as asas do teu manto,
mais vasto e belo do que a terra e o Céu.

Vela por eles, livra-os da desgraça,
dá-lhes de Deus o amor e, à luz da Graça,
corpo e alma lhes guarda sem labéu!

Visconde de Montelo, Paráfrase da Ladainha Lauretana, 1956 [i]




[i] Cónego Manuel Nunes Formigão
1883 - Manuel Nunes Formigão nasce em Tomar, a 1 de Janeiro. 1908 - É ordenado presbítero a 4 de Abril em Roma. 1909 - É laureado em Teologia e Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma. 1909 - No Santuário de Lourdes, compromete-se a divulgar a devoção mariana em Portugal. 1917 - Nossa Senhora aceita o seu compromisso e ele entrega-se à causa de Fátima. 1917 / 1919 - Interroga, acompanha e apoia com carinho os Pastorinhos. - Jacinta deixa-lhe uma mensagem de Nossa senhora, ao morrer. 1921 - Escreve o livro: "Os Episódios Maravilhosos de Fátima". 1922 - Integra a comissão do processo canónico de investigação às aparições. 1922 - Colabora e põe de pé o periódico "Voz de Fátima". 1924 - A sua experiência de servita de Nossa Senhora em Lurdes, leva-o a implementar idêntica actividade em Fátima. 1928 - Escreve a obra mais importante: "As Grandes Maravilhas de Fátima". 1928 - Assiste à primeira profissão religiosa da Irmã Lúcia, em Tuy. Ela comunica-lhe a devoção dos primeiros sábados e pede-lhe que a divulgue. 1930 - Escreve "Fátima, o Paraíso na Terra". 1931 - Escreve "A Pérola de Portugal". 1936 - Escreve " Fé e Pátria". 1937 - Funda a revista "Stella". 1940 - Funda o jornal "Mensageiro de Bragança". 1943 - Funda o Almanaque de Nossa Senhora de Fátima. 1954 – Muda-se para Fátima a pedido do bispo de Leiria-Fátima 1956 - Escreve sonetos compilados na "Ladainha Lauretana". 1958 – Morre em Fátima. 06/01/1926 - Funda a congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima. 11/04/1949 – A congregação por ele fundada é reconhecida por direito diocesano. 22/08/1949 – Primeiras profissões canónicas das Religiosas. 16/11/2000 - A Conferência Episcopal Portuguesa concede a anuência por unanimidade, para a introdução da causa de beatificação e canonização deste apóstolo de Fátima. 15/09/2001 - Festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira da congregação - É oficialmente aberto o processo de canonização do padre Formigão. 16/04/2005 – É oficialmente encerrado e lacrado o processso de canonização do padre Formigão.
Fátima, 28 Jan 2017 (Ecclesia) – Decorreu hoje a cerimónia de trasladação dos restos mortais do padre Manuel Nunes Formigão, conhecido como 'o apóstolo de Fátima, do cemitério local para um mausoléu construído na Casa de Nossa Senhora das Dores.
A celebração de trasladação deste sacerdote e servo de Deus começou com uma concentração, rua Francisco Marto, 203, com centenas de pessoas, seguida de saída para o cemitério da Freguesia de Fátima.
Na eucaristia inserida neste evento, na Basílica da Santíssima Trindade, do Santuário de Fátima, D. António Marto destacou uma figura que "se rendeu ao mistério e à revelação do amor de Deus, da beleza da sua santidade tal como brilhou aos pastorinhos de Fátima".
O bispo de Leiria-Fátima recordou ainda o padre Manuel Formigão como alguém que "captou de uma maneira admirável para o seu tempo, a dimensão reparadora da vivência da fé tão sublinhada na mensagem de Fátima".

Nota de AMA:
Este livro de Sonetos foi por sua expressa vontade, depois da sua morte, devidamente autografado, entregue a meu Pai. Guardo o exemplar como autêntica relíquia.

Pequena agenda do cristão




TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





05/06/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

“Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XV

CAPÍTULO II

Os filhos da carne e os filhos da promessa.

Uma sombra certamente, uma certa imagem profé­tica desta cidade, mais sinal do que representação, viveu como escrava na Terra, no tempo em que era preciso que se manifestasse. E também ela se chamou Cidade Santa pelo facto de ser im agem significativa e não por ser a expressão verdadeira da futura cidade. Desta imagem escrava e da cidade livre de que é a imagem, fala o Apóstolo nestes termos na epístola aos Gálatas:

Dizei-me: vós que vos quereis submeter à lei, não ouvistes a lei? Está, de facto, escrito que Abraão teve dois filhos — um da escrava e outro da mulher livre. Mas o da escrava nasceu segundo a came — e o da mulher livre segundo a promessa. Isto é uma alegoria. Representam elas as duas alianças: uma, vinda do Monte Sinai, gera para a servidão — é Agar, pois o Sinai é uma montanha da Arábia. Corresponde à Jerusalém actual que é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém do Alto é livre — é a nossa mãe. Está na verdade escrito «alegra-te estéril, tu que não tens filhos. Clama em gritos de alegria, tu que não conheces as dores do parto — porque os filhos da abandonada são muito mais do que os da que tem marido». Mas, nós, irmãos, somos, como Isaac, filhos da promessa. Mas, assim como então o que nasceu segundo as leis da came perseguiu o que nasceu segundo o espírito, — assim também agora. Mas que diz a Escritura? «Expulsa a escrava e o filho — pois o filho da escrava não herdará com o filho da mulher livre». Mas nós, irmãos, nós não somos filhos da escrava, mas da mulher livre. Para que sejamos livres nos libertou Cristo [i].

Esta maneira de interpretar, fundada na autoridade apostólica, abre-nos o caminho da autêntica compreensão dos dois Testamentos de que fala a Escritura — o Antigo e o Novo Testamento. Na verdade, uma parte da cidade terrestre tornou-se a imagem da cidade celeste, sem ser sinal de si própria, mas da outra — e por isso é que ela é escrava.
Pois não foi ela a razão da sua fundação, mas sim a de significar a outra — embora também a mesma cidade que prefigura tenha sido prefigurada por uma imagem anterior. Agar, a escrava de Sara, e seu filho são, com efeito, uma espécie de imagem desta imagem. E como as sombras se deviam dissipar ao surgir a luz, Sara — a livre, que significava a cidade livre, e de quem Agar, essa sombra, era a escrava para a significar de uma outra maneira — disse:

Expulsa a escrava e seu filho— porque o filho da escrava não herdará com meu filho Isaac [ii]

ou, como diz o Apóstolo,

Com o filho da mulher livre [iii].

Encontramos, portanto, duas partes na cidade terrestre: uma parte mostra-nos a sua própria presença e a outra presta o seu serviço de escrava para significar com a sua presença a cidade celeste.

A natureza viciada pelo pecado gera cidadãos da cidade terrestre — mas a graça, que liberta a natureza do pecado, gera cidadãos da cidade celeste. Donde se conclui que os primeiros se chamam «vasos de cólera» e os últimos «vasos de misericórdia». É ainda o que está significado nos dois filhos de Abraão: um, o da escrava chamada Agar, nascido de modo natural (secundum camem natus), é Ismael; o outro, o de Sara, mulher livre, nascido devido a uma promessa (secundum repromissionem natus), é Isaac. Ambos são, sem dúvida, da semente de Abraão: mas a um gerou-o ele segundo o modo habitual da natureza, e o outro resultou da promessa que significa a graça. Naquele mostra-se a maneira humana — e neste evidencia-se o benefício divino.


CAPÍTULO III

Esterilidade de Sara que, pela graça de Deus, se tom ou fecunda.

Sara era estéril e já sem esperança de descendência; mas desejava ter, pelo menos da sua escrava, o que via não poder ter de si mesma — pelo que a entregou a seu marido de quem queria gerar, mas não pudera. Por isso exigiu dele o dever conjugal (debitum) usando do seu direito em ventre alheio. Nasceu, pois, Ismael, como nascem os homens, da união de dois sexos, conforme a lei geral da natureza. Por isso se disse:

segundo a carne [iv].

Não é que estes benefícios não sejam benefícios de Deus ou que não seja Deus, cuja Sabedoria é activa, quem os realiza, como está escrito:

Alcança com vigor de um extremo ao outro e governa o Universo com suavidade [v],

— mas, para significar o dom gratuito de Deus e de modo nenhum devido aos homens, foi preciso conceder um filho fora do curso ordinário da natureza. A natureza, de facto, nega filhos à união do homem e da mulher como a que podia haver entre Abraão e Sara já naquela idade — mas também quando a mulher é estéril e não pode gerar quando lhe falta, não idade para a fecundidade, mas fecundidade para a idade. O facto de se não dever à natureza, em tais circunstâncias, o fruto da posteridade, simboliza a natureza humana viciada pelo pecado, por ele justamente condenada a não merecer para o futuro felicidade alguma.

É, pois, justificadamente que Isaac, filho da promessa, representa os filhos da graça, cidadãos da cidade livre, participantes da paz eterna em que reina, não o amor da vontade própria e, de certo modo, privada, mas o amor que goza de um mesmo bem comum e imutável e que, de um grande número faz um só coração, isto é, em que reinam em perfeito acordo a obediência e a caridade.



(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Gál., IV, 21-31.
[ii] Gén., XXI, 10.
[iii] Gal., IV, 30.
[iv] Gen., X V I, 1-3.
[v] Sabed. de Salomão, VIII, 1.

Hoy el reto del amor es soltar la razón

MIS RAZONES Y YO...

El otro día estaba yo metida en mis razones, intentando convencer a todo el mundo (al Señor incluido) de que yo tenía la razón. Además, no entendía nada que fuese contrario a lo que opinase yo. Cuando nos ponemos así, Lety siempre nos dice: "Puedes tener toda la razón del mundo, pero no tienes amor, no tienes a Cristo". Entonces me vino esta frase a la cabeza y fue como si el Señor me dijese: "Es que no tienes que entender todo ahora; lo entenderás, pero todo a su tiempo".

Hoy se te presentarán situaciones así en las que no entiendes cómo piensa la otra persona, por qué actúa de determinada manera o por qué dice las cosas que dice. Y ese querer justificarte hace que entres en juicios, y a la otra persona la matas en tu corazón, se te va la Paz, la alegría...

La verdad es que poco a poco me voy dando cuenta de que lo que nosotros pensamos, hacemos o decimos, no es siempre lo correcto. Y el Señor, a medida que pasa el tiempo, te va abriendo la mente para darte cuenta.

Hay veces que hay que dar un salto, confiar... Cristo es un misterio en sí, (y de cuántas cosas nos enteraremos en el Cielo), pero nuestra limitación humana no nos permite saber algunas cosas. Por eso, hoy deja que Cristo entre en tus razones y las calme, que en tu vida no domine la razón, sino la fe. Si te das cuenta, Cristo, en el Evangelio, nunca pide cosas lógicas: que si bañarse en una piscina, que si repartir 5 panes y 2 peces a miles de personas... Sin embargo, lo que sí que nos pide es fe. La fe es la que hace el milagro. Y es entonces, cuando ocurren las cosas más irracionales, cuando eres la persona más feliz del mundo y tienes paz en tu corazón.

Hoy el reto del amor es soltar la razón, dejar de dar vueltas a la cabeza y dar un salto de confianza. Cuando te vengan a la cabeza todas las razones para justificarte, páralas, y, en su lugar, reza un Ave María a la Virgen: que ella nos enseñe a confiar en el Señor y, aunque no entendamos, esperar en Él.


VIVE DE CRISTO

Doutrina – 321

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

100. De que modo é que a maternidade espiritual de Maria é universal?

Maria tem um único Filho, Jesus, mas, n’Ele, a sua maternidade espiritual estende-se a todos os homens que Ele veio salvar.
Obediente, ao lado do novo Adão, Jesus Cristo, a Virgem é a nova Eva, a verdadeira mãe dos vivos, que coopera com amor de mãe no seu nascimento e na sua formação na ordem da graça.

Virgem e Mãe, Maria é a figura da Igreja e a sua realização mais perfeita.

Fátima: Centenário - Poemas


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

POEMAS




MÃE DA DIVINA GRAÇA

Numa efusão de imensa caridade,
prodígio singular fez Deus no mundo:
uniu ao dom da nossa liberdade
o mistério da Graça tão profundo.

São asas a guiar a humanidade
no seu roteiro, ou árduo ou jucundo
que às plagas conduz da eternidade
num voo audaz, esplêndido e fecundo.

Campo de luz e sombras – onde impera,
qual sol de paz e amor, sublime esfera
que brilha sempre, enquanto tudo passa…

Esse astro lindo que JESUS encerra
e os bens celestes com que inunda terra
é MARIA, a MÃE DA DIVINA GRAÇA.

Visconde de Montelo, Paráfrase da Ladainha Lauretana, 1956 [i]




[i] Cónego Manuel Nunes Formigão
1883 - Manuel Nunes Formigão nasce em Tomar, a 1 de Janeiro. 1908 - É ordenado presbítero a 4 de Abril em Roma. 1909 - É laureado em Teologia e Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma. 1909 - No Santuário de Lourdes, compromete-se a divulgar a devoção mariana em Portugal. 1917 - Nossa Senhora aceita o seu compromisso e ele entrega-se à causa de Fátima. 1917 / 1919 - Interroga, acompanha e apoia com carinho os Pastorinhos. - Jacinta deixa-lhe uma mensagem de Nossa senhora, ao morrer. 1921 - Escreve o livro: "Os Episódios Maravilhosos de Fátima". 1922 - Integra a comissão do processo canónico de investigação às aparições. 1922 - Colabora e põe de pé o periódico "Voz de Fátima". 1924 - A sua experiência de servita de Nossa Senhora em Lurdes, leva-o a implementar idêntica actividade em Fátima. 1928 - Escreve a obra mais importante: "As Grandes Maravilhas de Fátima". 1928 - Assiste à primeira profissão religiosa da Irmã Lúcia, em Tuy. Ela comunica-lhe a devoção dos primeiros sábados e pede-lhe que a divulgue. 1930 - Escreve "Fátima, o Paraíso na Terra". 1931 - Escreve "A Pérola de Portugal". 1936 - Escreve " Fé e Pátria". 1937 - Funda a revista "Stella". 1940 - Funda o jornal "Mensageiro de Bragança". 1943 - Funda o Almanaque de Nossa Senhora de Fátima. 1954 – Muda-se para Fátima a pedido do bispo de Leiria-Fátima 1956 - Escreve sonetos compilados na "Ladainha Lauretana". 1958 – Morre em Fátima. 06/01/1926 - Funda a congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima. 11/04/1949 – A congregação por ele fundada é reconhecida por direito diocesano. 22/08/1949 – Primeiras profissões canónicas das Religiosas. 16/11/2000 - A Conferência Episcopal Portuguesa concede a anuência por unanimidade, para a introdução da causa de beatificação e canonização deste apóstolo de Fátima. 15/09/2001 - Festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira da congregação - É oficialmente aberto o processo de canonização do padre Formigão. 16/04/2005 – É oficialmente encerrado e lacrado o processso de canonização do padre Formigão.
Fátima, 28 Jan 2017 (Ecclesia) – Decorreu hoje a cerimónia de trasladação dos restos mortais do padre Manuel Nunes Formigão, conhecido como 'o apóstolo de Fátima, do cemitério local para um mausoléu construído na Casa de Nossa Senhora das Dores.
A celebração de trasladação deste sacerdote e servo de Deus começou com uma concentração, rua Francisco Marto, 203, com centenas de pessoas, seguida de saída para o cemitério da Freguesia de Fátima.
Na eucaristia inserida neste evento, na Basílica da Santíssima Trindade, do Santuário de Fátima, D. António Marto destacou uma figura que "se rendeu ao mistério e à revelação do amor de Deus, da beleza da sua santidade tal como brilhou aos pastorinhos de Fátima".
O bispo de Leiria-Fátima recordou ainda o padre Manuel Formigão como alguém que "captou de uma maneira admirável para o seu tempo, a dimensão reparadora da vivência da fé tão sublinhada na mensagem de Fátima".

Nota de AMA:
Este livro de Sonetos foi por sua expressa vontade, depois da sua morte, devidamente autografado, entregue a meu Pai. Guardo o exemplar como autêntica relíquia.