07/05/2017

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Celine Dion



Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.

Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.





Ensina-me a relacionar-me com o teu Filho!

Se não procuras a intimidade com Cristo na oração e no Pão, como podes dá-Lo a conhecer? (Caminho, 105)

Procura Deus no fundo do teu coração limpo, puro; no fundo da tua alma, quando lhe és fiel, e não percas nunca essa intimidade!


E se, alguma vez, não souberes como falar-lhe nem que dizer-lhe, ou não te atreveres a procurar Jesus dentro de ti, recorre a Maria, "tota pulchra", toda pura, maravilhosa, para lhe confiares: - Senhora, nossa Mãe, Nosso Senhor quis que fosses Tu, com as tuas mãos, quem cuidasse de Deus; ensina-me - ensina-nos a todos - a relacionar-nos com o teu Filho! (Forja, 84)

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa


Evangelho: Jo 10, 1-10

1 «Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador. 2 Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3 A esse o porteiro abre-a e as ovelhas escutam a sua voz. E ele chama as suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes e fá-las sair. 4 Depois de tirar todas as que são suas, vai à frente delas, e as ovelhas seguem-no, porque reconhecem a sua voz. 5 Mas, a um estranho, jamais o seguiriam; pelo contrário, fugiriam dele, porque não reconhecem a voz dos estranhos.» 6 Jesus propôs-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia. 7 Então, Jesus retomou a palavra: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não lhes prestaram atenção. 9 Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem. 10 O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

Comentário:

A porta serve fundamentalmente para franquear a passagem e, também, para ga­rantir que só entra ou sai quem a ela tem acesso.

Jesus Cristo dá a Si próprio esta imagem da porta que se abre a quem 0 seguir ou, melhor, a quem desejar percorrer o caminho da salvação que é Ele próprio.

«Eu sou o caminho, e não há outro que conduza ao Pai

Ele vai à nossa frente como guia e pastor e o Seu passo é igual ao nosso porque não tem pressa e, frequentemente, quando por qualquer motivo paramos, espera com infinita paciência que retomemos a marcha sem desfalecimentos
.

(ama, comentário sobre Jo 10, 1-10 2016-04-18)


Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XIII

CAPÍTULO X

À vida dos mortais mais se lhe deve chamar morte do que vida.

Desde o momento em que cada um começa a viver neste corpo destinado a morrer, nenhum acto pratica que o não encaminhe para a morte. Efectivamente, a sua mobilidade durante todo o tempo de vida (se é que se lhe pode chamar vida), mais não é que caminhar para a morte. Ninguém existe que não esteja, após um ano, mais próximo dela do que o estava um ano antes, que não esteja amanhã mais perto do que está hoje, hoje mais do que ontem, daqui a pouco mais do que agora e agora mais do que há pouco. Porque o tempo que se vive é tirado da duração da vida e, como o que resta diminui de dia para dia, o tempo desta vida outra coisa não é senão uma corrida para a morte: durante esta corrida a ninguém é permitido parar um instante que seja nem retardar por pouco que seja a sua marcha — mas todos são impelidos pelo mesmo movimento, nenhum avança a passo desigual. Realmente, nem aquele cuja vida foi mais curta passou o seu dia mais rapidamente do que aquele cuja vida foi mais longa; mas, ao passo que tempos iguais eram tirados de forma igual a ambos, um tinha um fim mais próximo e o outro um mais afastado, sem que a sua corrida diferisse de velocidade. É que um a coisa é percorrer mais caminho e outra caminhar mais devagar. Para o que leva mais tempo a chegar à morte a marcha não é mais lenta: o caminho é mais comprido. De resto, se cada um começa a morrer, isto é, a estar na morte, desde que a morte, ou seja, a supressão da vida, começa a realizar-se nele (porque uma vez suprimida a vida, já se estará depois da morte e não na morte), segue-se que está na morte desde que começa a estar neste corpo. Que outra coisa se passa em cada dia, em cada hora, em cada momento até que a morte, que se estava processando, seja dada por concluída e se inicie o «tempo depois da morte» o qual, enquanto a vida se ia esvaindo, pertencia ao âmbito da morte? Nunca, portanto, o homem está na vida desde que está neste corpo — que mais morre do que vive — se não pode estar ao mesmo tempo na vida e na morte. Ou antes, não está ele ao mesmo tempo na vida e na morte: na vida porque goza dela até toda ela ser suprimida, na morte porque já se está morto quando a vida se esvai? Se já não está na vida, que é que lhe é tirado até que seja completa a sua supressão? Se não está na morte, que é então a supressão da vida? Quando a vida toda abandonar o corpo, não haverá, realmente, outra razão para dizer que este já está «depois da morte» senão esta: é que já a morte existe quando a vida abandona o corpo. Com efeito, se depois da supressão da vida se não está «na morte» mas «depois da morte» — quando é que se estará então «na morte» senão no momento da supressão?


CAPÍTULO XI

Poderá alguém estar ao mesmo tempo vivo e morto?

Se é absurdo dizer que o homem antes de chegar à morte já lá está (como é que dela se irá aproximando durante a vida se já lá estava?), sobretudo porque é muito estranho considerá-lo ao mesmo tempo vivo e a morrer, sendo certo que não se pode simultaneamente dormir e estar acordado, — põe-se a questão: quando é que está a morrer? É que, na verdade, antes de a morte chegar, não se está a morrer, mas a viver; depois de a morte ter chegado, o homem estará morto e não a morrer. Num caso está ainda «antes» da morte, no outro caso está «depois» da morte. Então quando é que se está «na» morte? E quando se diz que se está a morrer; pois a estes três momentos — «antes», «em» e «depois» — correspondem estes três estados: vivo, a morrer e morto. Quando estará, pois, o homem a morrer ou na morte — de maneira que não esteja nem vivo, isto é, «antes da morte», nem morto, isto é, «depois da morte», mas a morrer, isto é, «na morte»? Realmente, o homem, formado de corpo e de alma, está, sem a menor dúvida, vivo: está ainda «antes de morto» e não «na morte». Mas quando a alma se separar, retirando ao corpo toda a sensibilidade, o homem estará «depois da morte» e dir-se-á que está morto. Perece, pois, entre o momento em que está a morrer e o momento de «estar na morte» — porque, se vive ainda, está «antes da morte»; se deixou de viver, está já «depois da morte»; nunca, portanto, se está a morrer, isto é, «na morte».

Da mesma forma, no decorrer do tempo procura-se o presente sem que seja possível encontrá-lo, porque a passagem do futuro ao passado é sem duração.
[i] Não parece que, depois deste raciocínio, se tem de negar a morte corporal? Se há morte — onde é que ela está que em ninguém pode ela estar e ninguém nela pode estar? Se se vive — ela ainda lá não está; se se está antes da morte, não se está na morte; se se deixou de viver — já lá não está porque se está «depois da morte» e não «na morte». Mas se não há morte nem «antes» nem «depois», a que propósito dizer «antes da morte» e «depois da morte»? Se não há morte, tudo o que se está a dizer é falho de sentido. Oxalá tivéssemos vivido bem no Paraíso para que morte não houvesse realmente! Mas no presente não som ente ela existe mas até é ela tão penosa que ninguém a pode explicar com palavras nem com raciocínio algum se pode evitar!

Tem os, portanto, de falar com o é costume falar-se (não podemos fazê-lo de outra m aneira) e digamos «antes da morte» no sentido de «antes que a morte aconteça», como está escrito:

Não louves ninguém antes da sua morte.[ii]

Digamos também, quando ela aparecer: «Depois da morte deste ou daquele, aconteceu isto ou aquilo». Falemos também do tempo presente com o nos for possível, por exemplo: «Este moribundo fez o seu testamento», «o moribundo deixou isto ou aquilo a este ou àquele», se bem que não o poderia fazer sem estar vivo e o fez «antes» e não «na» morte. Falemos ainda como fala a Sagrada Escritura que não hesita em declarar que os mortos, também eles, não estão «depois» mas «na» morte. Daí o seguinte:

Porque não há ninguém na morte que se recorde de ti.[iii]

De facto, até que revivam, com razão se diz que estão na morte, com o se diz que se está no sono até que se acorde. Embora chamem os adormecidos aos que estão no sono, não podemos, porém, chamar moribundos aos que já estão mortos. Não estão, claro está, a morrer (da morte corporal, que é da que estamos a tratar) os que já estão separados dos corpos. Mas é isso, com o já se disse, que nenhuma linguagem pode explicar: como é que se pode dizer que os moribundos vivem ou os que estão já mortos, «depois» da morte estão «na» morte? Efectivamente, com o é que eles estão «depois» da morte se
estão «na» na morte? Sobretudo não podendo chamar-se-lhes moribundos com o chamam os adormecidos aos que estão no sono e enfermos aos que estão na enfermidade, doridos aos que estão na dor, vivos aos que estão na vida. Mas dizemos que os mortos antes da ressurreição estão na morte, sem, todavia, lhes chamamos moribundos.

Julgo que surgiu com oportuna conveniência (e não devido a habilidade humana, mas a disposição divina) a impossibilidade em que se vêem os gramáticos de conjugarem em latim o verbo morior (morro) conforme as regras por que se conjugam outros que tais. Assim, da palavra oritur (nasce) vem o pretérito ortus est (nasceu), e todos os verbos semelhantes se conjugam da mesma maneira com particípios pretéritos. Mas a respeito de moritur (morre), se se perguntar pelo pretérito, é costume responder-se mortuus (morreu), dobrando o u. E diz-se mortuus (morto), como se diz fatuus (fátuo), arduus, (árduo), conspicuus (conspíquo) e outras palavras semelhantes que não indicam tempo passado, mas, como nomes que são, se declinam sem indicarem tempo. Mas, no caso presente, para conjugar, digamos assim, o que se não pode conjugar, usa-se de um nome como particípio pretérito. Bom é que se não possa conjugar este verbo tal com o também não pode conjugar-se a acção que ele significa. Todavia, ajudados pela graça do nosso Redentor, podemos, no que respeita à segunda morte, pelo menos decliná-la. Mais temível que a primeira, é ela o pior de todos os males porque não consiste na separação da alma e do corpo, mas antes na união de ambos para a pena eterna. Aí, pelo contrário, os homens não estarão nem «antes» nem «depois» da morte, mas sempre «na» morte — e isto nunca «a viver», nunca já mortos, mas sempre «a morrer». Nunca, na verdade, haverá para o homem pior desgraça na morte do que chegar onde a própria morte não será morte!

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Confissões, LXI, Cap. XVI, 18-20.
[ii] Ecles., XI, 30.

Doutrina – 292

Doutrina
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

O homem

 71. Que relação Deus estabeleceu entre o homem e a mulher?

O homem e a mulher foram criados por Deus com uma igual dignidade enquanto pessoas humanas e, ao mesmo tempo, numa complementaridade recíproca enquanto masculino e feminino.
Deus quis que fossem um para o outro, para uma comunhão de pessoas.
Juntos são também chamados a transmitir a vida humana, formando no matrimónio «uma só carne» [i], e a dominar a terra como «administradores» de Deus.




[i] Gn 2, 24

Epístolas de São Paulo – 68

1ª Carta aos Tessalonicenses - cap 1

Endereço e saudação

- 1Paulo, Silvano e Timóteo à igreja de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo, que está em Tessalónica. A vós, graça e paz.

I. ACÇÃO DE GRAÇAS E SEUS MOTIVOS (1,2-3,13)

Eleição e resposta


- 2Damos continuamente graças a Deus por todos vós, recordando-vos sem cessar nas nossas orações; 3a vosso respeito, guardamos na memória a actividade da fé, o esforço da caridade e a constância da esperança, que vêm de Nosso Senhor Jesus Cristo, diante de Deus e nosso Pai, 4conhecendo bem, irmãos amados de Deus, a vossa eleição, 5pois o nosso Evangelho não se apresentou a vós apenas como uma simples palavra, mas também com poder e com muito êxito pela acção do Espírito Santo; vós sabeis como estivemos entre vós para vosso bem. 6Vós fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra em plena tribulação, com a alegria do Espírito Santo, 7tendo-vos, assim, tornado um modelo para todos os crentes na Macedónia e na Acaia. 8Na verdade, partindo de vós, a palavra do Senhor não só ecoou na Macedónia e na Acaia, mas por toda a parte se propagou a fama da vossa fé em Deus, de tal modo que não temos necessidade de falar disso. 9De facto, são eles próprios que contam o acolhimento que vós nos fizestes e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro 10e para aguardardes do Céu o seu Filho, que Ele ressuscitou de entre os mortos, Jesus, que nos livra da ira que está para vir.

Tratado da vida de Cristo 159

Questão 53: Da ressurreição de Cristo

Art. 3 — Se Cristo foi o primeiro que ressuscitou.

O terceiro discute-se assim. — Parece que Cristo não foi o primeiro que ressuscitou.

1. — Pois, lemos no Antigo Testamento que Elias e Eliseu fizeram ressurgir alguns, como o diz o Apóstolo: As mulheres recobraram os seus filhos mortos por meio de ressurreição. Semelhantemente Cristo, antes da sua Paixão, ressuscitou três mortos. Logo, Cristo não foi o primeiro dos ressuscitados.

2. Demais. — O Evangelho, entre os outros milagres que se deram na Paixão de Cristo, narra que se abriram as sepulturas e muitos corpos de santos, que estavam mortos, ressuscitaram. Logo, Cristo não foi o primeiro dos ressuscitados.

3. Demais. — Assim como Cristo, pela sua ressurreição é a causa da nossa, assim pela sua graça é a causa da nossa graça, segundo o Evangelho: Todos nós participamos da sua plenitude. Ora, outros, como todos os Patriarcas do Antigo Testamento, tiveram a graça antes de Cristo. Logo, tiveram também a ressurreição do corpo, antes de Cristo.

Mas, em contrário, o Apóstolo: Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Ao que diz a Glosa: Porque ressuscitou antes, no tempo, e em dignidade.

A ressurreição consiste em um morto retornar à vida. Ora, de dois modos pode alguém ser retomado à morte: ou de uma morte actual, como quando recomeça simplesmente a viver, depois de ter morrido; ou quando fica livre não só da morte, mas também da necessidade, e o que é mais, da possibilidade de morrer. E esta é a verdadeira e perfeita ressurreição. Porque, enquanto vivemos sujeitos à necessidade de morrer, de certo modo a morte nos domina, segundo o Apóstolo: O corpo verdadeiramente está morto pelo pecado. Ora, o que existe como possível existe de certo modo, isto é, potencialmente. Donde é claro, que a ressurreição pela qual alguém é retomado somente à uma morte actual é uma ressurreição imperfeita. — Assim, pois, falando-se da ressurreição perfeita, Cristo foi o primeiro que ressuscitou, porque ele foi o primeiro que, ressuscitando, chegou à vida perfeitamente imortal, segundo o Apóstolo: Tendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre. Mas, por uma ressurreição imperfeita alguns outros ressuscitaram, antes de Cristo, para serem uma como indicação prévia da ressurreição do mesmo.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Pois também os que ressuscitaram como o narra o Antigo Testamento, e os ressuscitados por Cristo, voltaram à vida, mas ficando sujeitos a morrerem de novo.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Há dupla opinião referente aos que ressuscitaram com Cristo. Assim, uns afirmam que, voltando à vida, ficaram livres de tornar a morrer; pois, o morrerem de novo ser-lhes-ia maior tormento que não terem ressuscitado. E tal é o sentido que se deve dar, segundo Jerónimo, àquele lugar: Não ressuscitaram antes de o Senhor ter ressuscitado. E por isso diz o evangelista: Saindo das sepulturas depois da ressurreição de Jesus, vieram à cidade santa e apareceram a muitos. Mas Agostinho, referindo essa opinião, diz: Sei que há alguns de opinião, que os justos, ressuscitados na ocasião da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, se encontraram desde logo em todas as condições da ressurreição última. Mas se não depuseram o novo corpo, para reentrarem no sono do túmulo, pergunto como se entende o dito que Cristo é o primogénito dentre os mortos, se tantos outros ressuscitaram antes dele. Responderão que o evangelista antecipou, falando do segundo facto, de modo que devamos entender o lugar citado no sentido que os túmulos se abriram por ocasião do tremor de terra, quando Cristo expirou na cruz, mas que os justos, de que se trata, só depois de ter Cristo ressuscitado é que ressuscitaram. Mas, então, resta outra dificuldade: como S. Pedro, querendo provar aos judeus, que não a David, mas a Cristo, era referente a predição que a sua carne não veria a corrupção, faz-lhes observar que o túmulo desse rei se via ainda entre eles? Pois, não podia convencê-los com essa razão, se o corpo de Davi já não estava no túmulo. Porque, ainda mesmo que David tivesse ressuscitado pouco tempo depois da sua morte, e que o seu corpo não tivesse sofrido a corrupção, poderia, contudo, ainda existir o seu túmulo. Entretanto, supondo que esses justos ressuscitando alcançaram uma vida imortal, é duro pensar que David não foi do número deles, apesar de considerarmos como um título de glória para Cristo o ter nascido da raça de David. E também será difícil entender-se o que o Apóstolo diz aos Hebreus, dos justos do Velho Testamento — Para que eles, sem nós não fossem consumados - se já por efeito dessa ressurreição foram constituídos no estado de incorruptibilidade, que nos é prometido no fim dos tempos, como nossa perfeição. Donde, Agostinho é de opinião que ressuscitaram, mas para morrer de novo. Com o que também concorda o dito de Jerónimo: Assim como Lázaro ressuscitou, assim também muitos corpos de santos, para mostrarem que o Senhor deveras ressuscitou. Embora, num Sermão, deixe o assunto duvidoso. As razões de Agostinho, porém, parecem muito mais concludentes.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Assim como o que precedeu o advento de Cristo foi preparatório da sua vinda, assim a graça é uma disposição para a glória. Donde, o que pertence à glória, tanto quanto à alma - tal o perfeito gozo de Deus - como quanto ao corpo — e tal é a ressurreição gloriosa, tudo isso Cristo devia tê-la com anterioridade no tempo, como sendo o autor da glória. No concernente à graça, convinha existisse ela primeiro nos que para Cristo se ordenavam. 


Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Pequena agenda do cristão


DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

06/05/2017

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Angel Voices 





Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.

Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.





Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa


Evangelho: Jo 6, 60-69

60 Depois de o ouvirem, muitos dos seus discípulos disseram: «Que palavras insuportáveis! Quem pode entender isto?» 61 Mas Jesus, sabendo no seu íntimo que os seus discípulos murmuravam a respeito disto, disse-lhes: «Isto escandaliza-vos? 62 E se virdes o Filho do Homem subir para onde estava antes? 63 É o Espírito quem dá a vida; a carne não serve de nada: as palavras que vos disse são espírito e são vida. 64 Mas há alguns de vós que não crêem.» De facto, Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam e também quem era aquele que o havia de entregar. 65 E dizia: «Por isso é que Eu vos declarei que ninguém pode vir a mim, se isso não lhe for concedido pelo Pai.» 66 A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram para trás e já não andavam com Ele. 67 Então, Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?» 68 Respondeu-lhe Simão Pedro: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! 69 Por isso nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus.»

Comentário:

Filipe é o discípulo que faz as perguntas cruciais quando não entende pergunta.

E os outros?
Entenderiam tudo?
Não teriam dúvidas?

Seguramente que sim só que não mostram a sua necessidade de esclarecimento.

Filipe demonstra além disso que de facto ouve quanto o Mestre diz com extrema atenção não perdendo, por assim dizer, nada dos discursos - por vezes longos - de Jesus.

Tem a intuição que quanto ouve lhe será necessário sobretudo no futuro quando tiver de transmitir a outros ã palavras de Cristo.

É no fim e ao cabo, aprender a Doutrina de modo consciente e seguro.


(AMA, comentário sobre Jo 6, 60-69, Malta, 2016.04.16)






Reflectindo - O amor pode doer?

O amor pode doer?

Mas, o amor não é algo bom, agradável?

Como pode doer?

Responderia que há, pelo menos, uma situação em que realmente pode doer... e muito!

Quando não é correspondido!

Porque o amor tem sempre um destinatário (se não é amor próprio, o que é péssimo).

Se Deus nos ama imensa e permanentemente como não corresponder amando-o como Ele nos ama?

Oh! isso, é impossível porque o Amor de Deus é divino e, o nosso é humano.

Mas o Senhor sabe isso muito bem, logo, o que Ele espera de nós é o nosso amor de criaturas humanas, talvez com uma condição:

quer todo o amor que sejamos capazes de dar, quere-o sempre, constante, vivo, concreto.

Em Fátima o Anjo de Portugal trouxe essa mesma mensagem aos Pastorinhos, mensagem confirmada pela Senhora repetidas vezes.

Sem o Amor de Deus não viveríamos esta vida terrena, sem correspondência da nossa parte não viveremos a vida eterna que almejamos:

na presença de Deus, dos Seus Anjos e dos Seus Santos.


AMA, reflexões, 2016.10.24


Participaremos na sua maternidade espiritual

Recorre constantemente à Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da humanidade: e Ela atrairá, com suavidade de Mãe, ao amor de Deus as almas com quem fazes apostolado, para que se decidam a ser – no seu trabalho corrente, na sua profissão – testemunhas de Jesus Cristo. (Forja, 911)


Se nos identificarmos com Maria, se imitarmos as suas virtudes, poderemos conseguir que Cristo nasça, pela graça, na alma de muitos que se identificarão com Ele pela acção do Espírito Santo. Se imitarmos Maria, participaremos de algum modo na sua maternidade espiritual: em silêncio, como Nossa Senhora, sem que se note, quase sem palavras, com o testemunho íntegro e coerente de uma conduta cristã, com a generosidade de repetir sem cessar um fiat que se renova como algo íntimo entre Deus e nós. (Amigos de Deus, 281)

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XIII

CAPÍTULO VII

Da morte que alguns, ainda não regenerados pelo baptismo, aceitam por confessarem a Cristo.

De facto, para aqueles que, mesmo sem terem recebido ainda o banho da regeneração, morrem por confessarem a Cristo, a sua morte tem tanto poder para lhes remir os pecados como se fossem lavados pela fonte sagrada do baptismo. Realmente, aquele que disse:

Ninguém entrará no reino dos céus se não renascer da
água e do Espírito.
[i]

abre uma excepção por este preceito não menos genérico:

Aquele que me confessar perante os homens, confessá-lo-ei eu também perante meu Pai que está nos céus;[ii]

e em outra passagem:

O que por mim perder a sua alma, encontrá-la-á. [iii]

E por isso que está escrito:

A morte dos santos é preciosa aos olhos do Senhor.[iv]

Haverá, efectivamente, algo de mais precioso do que uma morte pela qual todos os pecados são perdoados e os méritos são elevados ao máximo? Na verdade, os que, por não poderem protelar a morte, recebem o baptismo e partem desta vida com todos os seus pecados apagados, não têm mais méritos do que os que, podendo fazê-lo, não protelaram a morte porque preferiram acabar com a vida confessando a Cristo a chegarem ao baptismo depois de O terem renegado. Se tivessem renegado a Cristo por medo da morte, teriam encontrado a remissão neste banho salutar no qual foram lavados de tão monstruoso crime os que entregaram Cristo à morte. Mas, sem a abundância da graça daquele Espírito que sopra onde quer, com o poderiam amar a Cristo até ao ponto de não O poderem renegar em perigo tão iminente da sua vida e com um a tão grande esperança de perdão? Por conseguinte, é preciosa a morte dos santos, a quem a morte de Cristo precedeu e enriqueceu com tal abundância de graça que eles não hesitaram em dar a sua vida para d’Ele gozarem. Essa morte demonstrou que, o que tinha sido anteriormente estabelecido como pena do pecado, se tornara fonte de um fruto mais abundante de justiça. A morte não deve, portanto, ser encarada com o um bem porque é o favor divino, e não a sua própria virtude, que lhe granjeou tão grande utilidade. Outrora apresentada como coisa que devia ser temida para nos desviar do pecado, deve agora ser aceite para não cometermos o pecado, para apagarmos o pecado que tenhamos cometido, para oferecermos à justiça a devida palma de tamanha vitória.

CAPÍTULO VIII

Nos santos a aceitação da primeira morte pela verdade constitui a abolição da segunda morte.

Se bem repararmos, até mesmo aquele que fiel e louvavelmente morre pela verdade toma as suas cautelas perante a morte. Com efeito, aceita um a parte dela para não ter que a sofrer por inteiro, sobretudo a segunda que jamais acabará. Aceita-se, na realidade, a separação da alma e do corpo com receio de que Deus se separe da alma e de que o homem todo, após a primeira morte, caia na segunda, que é eterna. A morte que, como disse, faz sofrer os moribundos e lhes tira a vida para ninguém é boa, mas é louvável suportá-la para se conseguir ou adquirir um bem. Para aqueles que já estão mortos não é absurdo dizer que ela é má para os maus e boa para os bons. Realmente, separadas dos seus corpos, as almas dos justos ficam no repouso, mas as dos ímpios expiam as suas penas até que revivam os corpos de uns para a vida eterna e os dos outros para a eterna morte, também chamada
segunda morte.

CAPÍTULO IX

Deve-se dizer que o momento da morte, em que desaparece o sentimento da vida, se verifica num moribundo ou num morto?

Que é que se deve dizer do momento em que as almas se separam dos corpos, tanto nos bons como nos maus — ele verifica-se após a morte ou na morte? Se se verifica após a morte, então da morte, que já se verificou e já passou, não se pode dizer que é boa ou má, mas que será boa ou má a vida da alma depois da morte. A morte era um mal quando estava presente, isto é, quando os moribundos a suportavam, pois experimentavam então pesadas e dolorosas sensações; e deste mal fazem bom uso os bons. Mas, terminada ela, com o pode a morte ser boa ou má se já não existe? Se prestarmos melhor atenção veremos que não é morte aquela pesada e dolorosa sensação que dissemos verificar-se nos moribundos. Efectivamente, enquanto sentem ainda vivem; e se ainda vivem deve-se antes afirmar que estão perante a morte em vez de se afirmar que estão na morte: realmente, a sua presença apaga todas as sensações do corpo, as quais só são dolorosas quando a morte se aproxima. Por isso é que é difícil explicar como é que chamamos moribundos aos que ainda não estão mortos, mas apenas se debatem na suprema angústia da morte iminente — embora correctamente se lhes possa chamar moribundos porque, quando a morte próxima se torna presente, na realidade, já lhes não chamamos moribundos, mas mortos. Ninguém, portanto, está a morrer senão quem vive; realmente, se se encontram em extremo tal da vida com o aquele em que estão os que dissemos que entregam a alma, mas dela ainda não estão privados, é porque vivem. E assim, a mesma pessoa está ao mesmo tempo a viver, a morrer, a aproximar-se da morte, a afastar-se da vida — mas sempre na vida, pois a alma ainda está presente no corpo, e não na morte porque a alma não abandonou o corpo. Com o, quando ela o tiver abandonado, já se não estará então na morte, mas depois da morte, — quando será então que se estará na morte? Quem o dirá? De facto, ninguém estará a morrer se não estiver ao mesmo tempo moribundo e vivo, porque, enquanto a alma estiver presente, não se pode negar que se vive. O u então, se tem que se chamar moribundo àquele que já sente no seu corpo a acção da morte — não podendo ninguém ser ao mesmo tempo vivo e moribundo — não sei quando se pode dizer que alguém está vivo.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Jo III, 5.
[ii] Mt X, 32,
[iii] Mt XVI, 25.
[iv] Salmo CXV, 15.