25/02/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.

No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.

Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.
Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Fazer da tua vida diária um testemunho de Fé

Fazer da tua vida diária um testemunho de Fé

Muitas realidades materiais, técnicas, económicas, sociais, políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou nas mãos de quem carece da luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos formidáveis à vida sobrenatural: formam como que um couto cerrado e hostil à Igreja. Tu, por seres cristão – investigador, literato, cientista, político, trabalhador... –, tens o dever de santificar essas realidades. Lembra-te de que o universo inteiro – escreve o Apóstolo – está a gemer como que em dores de parto... esperando a libertação dos filhos de Deus. (Sulco, 311)


Já falámos muito deste tema noutras ocasiões, mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na simplicidade da vida de S. José, que não se distinguia da dos seus vizinhos nem levantava barreiras desnecessárias.

Por isso, ainda que possa ser conveniente nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não gosto de falar de operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos católicos, etc., como se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se os católicos formassem um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação de que existe um fosso entre os cristãos e o resto da humanidade. Respeito a opinião oposta, mas penso que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de católicos que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos que são engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão intelectual, técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos outros, com os mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar, com o mesmo empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar a solução.

O católico, assumindo tudo isto, saberá fazer da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de Caridade; testemunho simples, normal, sem necessidade de manifestações aparatosas, pondo de manifesto – com a coerência da sua vida – a presença constante da Igreja no mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois são membros, com pleno direito, do único Povo de Deus. (Cristo que passa, 53)


Hoy el reto del amor es ser espejo

ESCABROSO DESPERTAR

El despertador sonó tan escandaloso y desagradable como todas las mañanas. Le respondí con el habitual bostezo a modo de "buenos días". Sin embargo, el "Uaaaaaaah..." se transformo en un dolorido "¡Aaaaagh!".

Con el frío de la noche se me habían resecado los labios y, al bostezar, ¡se me partió el labio inferior!

Con la lengua me toqué la herida. "Uy, esta vez me la he hecho gorda", pensé. ¡Era enorme!

Fui al baño en busca de un espejo. Encontré uno chiquitín... y reconozco que tuve que mirar varias veces: lo que parecía una herida del tamaño de un elefante, en realidad era una minúscula marca prácticamente imperceptible. ¡Era diminuta!

De pronto me di cuenta de que... ¡esto es lo que el Señor quiere que nos pase! Cuando compartí mi herida con el espejo, ¡descubrí que no era tan terrible como parecía!

Cristo nos ha puesto un montón de hermanos en el camino. Él sabe que muchas veces nos agobiamos, nos hacemos heridas, y todo parece una montaña insuperable. ¡Pero las cosas se ven de otra manera en cuanto las compartes!

Cristo permanece a tu lado, y no quiere que camines en solitario. Abre los ojos y descubrirás personas con las que Cristo te ha regalado una unión espiritual. Además, son como los espejos de dos caras: hacen ver lo malo en su justa medida... ¡y aumentan lo bueno, haciendo que lo disfrutes aún más!

Hoy el reto del amor es ser espejo. Te invito a que hoy le pidas al Señor el don de la escucha. Dale la mano a Cristo y, cuando alguien venga a hablarte, ¡regálale esos minutos! Si es un problema, pide ayuda al Señor para poder iluminarlo. Y, si es una alegría... ¡deja que Cristo ensanche tu corazón para gozar de la felicidad de quien está a tu lado! ¡Feliz día!


VIVE DE CRISTO

Epístolas de São Paulo - 3

Carta aos Romanos – 3 

MOTIVO DA CARTA

Só com os cristãos de Roma unidos poderá Paulo contar com o apoio, em meios e pessoas, para a evangelização da Espanha. É sobretudo por esta razão que quer visitá-los e é a preparar a visita que lhes escreve (1,8-17; 15,22-24).

Fá-lo, baseando-se na sua condição de Apóstolo dos gentios (1,1.5; 15,15-16) e com os direitos e deveres que isso lhe dá sobre os cristãos de Roma, cuja maioria é proveniente do paganismo (1,6.13.15); mas reconhece, ao mesmo tempo, que não tem sobre eles a mesma autoridade que teria, se fossem uma comunidade por ele fundada (15,14-21).

Assim, antes de lhes comunicar abertamente o objectivo da visita em 15,24, expõe-lhes longamente o Evangelho de que se tornou Apóstolo e que anuncia (1,18-11,36), procurando esclarecer os pontos mais polémicos.

(cont)

Jesus Cristo e a Igreja – 147

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos


V. FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DA DISCIPLINA DO CELIBATO

…/5

De uma forma ainda mais intensa, tem-se ocupado do sacerdócio e do ministério dos sacerdotes, desde o início do seu pontificado, o actual pontífice, João Paulo II. Desde 1979, nas Quintas-Feiras Santas de cada ano, dirige uma mensagem aos sacerdotes. Em repetidas vezes utiliza ocasiões especialmente adequadas – audiências, discursos e, especialmente, as frequentes ordenações sacerdotais – para posicionar na sua justa luz teológica e pastoral actual, a natureza e a essência do sacerdócio católico, bem como a aprofundar o seu significado.

O mais importante acto oficial do Papa, com referência ao sacerdócio foi, sem dúvida, a convocação e a realização do Oitavo Sínodo dos Bispos, que teve por objectivo a formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais. Um dos pontos centrais das discussões dos Padres sinodais foi a noção justa da identidade sacerdotal, vistas as coisas no mundo de hoje e no meio da grave crise em que se encontra o sacerdócio católico. Síntese e coroação dos trabalhos sinodais foi a Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, publicada em 25 de Março de 1992, dedicada precisamente à formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais.

(cont)


(revisão da versão portuguesa por ama)

Leitura espiritual


A CIDADE DE DEUS 

Vol. 1

LIVRO VIII

CAPÍTULO VII

Os platónicos devem ser considerados muito superiores aos outros filósofos em lógica ou filosofia racional.



Quanto à doutrina tratada na segunda parte, a que chamam lógica, isto é, racional, longe de mim a ideia de lhes serem comparáveis aqueles que puseram nos sentidos corporais o discernimento da verdade e pretenderam medir pelas suas regras inseguras e falazes tudo o que ao pensamento respeita. É o caso de Epicuro e quejandos; e até os próprios estóicos que possuídos de um ardente amor por esta habilidade na discussão que se chama dialéctica, julgaram que ela devia ser deduzida das sensações do corpo. É a partir daí, afirmam eles, que o espírito concebe as noções [i] das coisas que se explicam por meio de definições; é a partir daí que se desenvolvem e se encadeiam todas as regras da arte de aprender e de ensinar. [ii]

Costumo admirar-me muito sempre que os ouço afirmar que só os sábios são belos. Com que sentidos do corpo terão visto essa beleza? Mas aqueles que merecidamente colocamos acima dos outros, distinguiram o que o espírito contempla daquilo que os sentidos atingem, sem nada tirarem aos sentidos das suas aptidões, sem nada lhes concederem além delas. A luz dos espíritos, para todo o conhecimento a adquirir, é, disseram eles, este mesmo Deus por quem todas as coisas foram feitas.

CAPÍTULO VIII

Também na filosofia moral os platónicos têm a primazia.

Resta a parte moral, a Ética que trata do Bem supremo: a ele referimos tudo o que fazemos; apetecemo-lo não por outro, mas por si mesmo, pela sua posse termina toda a busca posterior de felicidade. E por isso que também se chama fim porque é para ele que queremos os outros bens, mas àquele queremo-lo por si mesmo.

Este bem beatífico, uns dizem que vem ao homem do corpo, outros da alma e outros dos dois conjuntamente. Como viam que o homem é formado de corpo e alma, julgavam que quer o corpo, quer a alma, quer os dois conjuntamente é que podiam ser a origem do seu bem, dum bem definitivo, princípio da felicidade ao qual se reportava tudo o que faziam — e não tiveram que buscar outra coisa a que referi-lo.

Aqueles, pois, que, diz-se, acrescentaram uma terceira categoria de bens chamados extrínsecos, como a honra, a glória, o dinheiro e outros que tais, não se propunham de forma alguma fazer deles um bem final, isto é, desejável por si próprio, mas sim um bem desejado na mira de outro; e assim este género de bens seria bom para os bons e mau para os maus. Desta forma este bem do homem que uns exigem da alma, outros do corpo, outros do corpo e da alma, todos eles pensaram que haveria que procurá-lo unicamente no homem. Os que o esperavam do corpo, esperavam-no da parte menos nobre; os que o esperavam da alma, esperavam-no da parte melhor; os que o esperavam do corpo e alma conjuntamente, esperavam-no do homem todo. Mas quer seja duma parte ou do todo, é apenas do homem que o esperam. Estas diferenças, embora sejam três, não deram origem a três, mas a muitos sistemas ou seitas filosóficas — porque acerca do bem do corpo, acerca do bem da alma, acerca do bem dos dois conjuntamente, diversos filósofos emitiram diversas opiniões.

Cedam, portanto, todos estes filósofos que disseram que feliz não é o homem que goza do seu corpo, que feliz não é o que goza da sua alma, mas feliz é o que goza de Deus — não como o espírito goza do seu corpo ou de si próprio, nem como um amigo goza de um amigo, mas como o olhar goza da luz (se é que entre estas coisas alguma semelhança pode existir): qual seja a sua natureza, ver-se-á em outro lugar na medida em que, com a ajuda de Deus, nos for possível. Basta por agora recordar que, segundo Platão, o bem supremo consiste em viver conforme a virtude — o que só pode ser alcançado por quem tem o conhecimento de Deus e procura imitá-lo: não há outra causa que possa tomá-lo feliz. Também não hesita em dizer que filosofar é amar a Deus, cuja natureza é incorpórea. Donde se segue que o desejoso de sabedoria (que o mesmo é que dizer: o filósofo) só se toma feliz quando começa a gozar de Deus. Certamente que se não é feliz pelo simples facto de que se goza do que se ama, (muitos de facto são infelizes por amarem o que não deviam amar e mais infelizes ainda por dele gozarem). Todavia ninguém é feliz se não goza do que ama. Mesmo aqueles que amam o que não deve ser amado não se julgam felizes por amarem, mas por gozarem. Portanto, quem goza daquele que ama e ama o verdadeiro e supremo bem — quem senão o mais desgraçado negará que esse é feliz? A esse verdadeiro e supremo bem dá Platão o nome de Deus. Por isso é que diz que filósofo é o que ama a Deus; e porque a filosofia tende para a vida feliz, é gozando de Deus que quem o ama é feliz.

CAPÍTULO IX

Da filosofia que mais se aproxima da verdade da fé cristã.

Portanto, quaisquer que sejam eles, os filósofos que reconhecem no verdadeiro Deus Supremo o autor das coisas criadas, a luz dos nossos conhecimentos, o bem para que tendem as nossas acções, aquele que é para nós o princípio da natureza, a verdade da doutrina, a felicidade da vida:

quer se chamem mais exactamente platónicos ou se dê não importa que nome à sua escola,

quer se pense que os mais notáveis mestres da escola jónica, como Platão e os que bem o compreenderam, foram os únicos a pensar assim,

quer se encontre esta doutrina na escola itálica devido a Pitágoras, aos pitagóricos, talvez a outros mestres da mesma região que partilharam as suas ideias, quer sejam quaisquer outros havidos por sábios e filósofos, de outros povos (líbios do Atlântico, egípcios, indianos, persas, caldeus, citas, gauleses, hispanos e outros mais) que tenham aprendido e ensinado estas doutrinas,

— a todos colocamos acima dos outros e reconhecemos que estão mais próximo de nós.

CAPÍTULO X

Excelência da religião Cristã entre as disciplinas religiosas.

Um cristão instruído apenas nas letras eclesiásticas, talvez ignore o nome dos platónicos e não saiba que em língua grega houve duas correntes filosóficas — a jónica e a itálica. Não é, porém, tão surdo para as coisas humanas que desconheça que os filósofos se dedicam ao estudo e à prática da sabedoria. Todavia acautela-se dos que filosofam em conformidade com os elementos deste mundo, e não em conformidade com Deus por quem o mundo foi feito. É que ele está avisado pelo preceito apostólico a que presta atenção com fé:

Acautelai-vos, não vos deixeis enganar pelas vãs sedu­ções duma filosofia conforme aos elementos do mundo [iii].

Mas para que não se pense que todos são assim, ouve também o que de alguns diz o Apóstolo:

Porque o que de Deus se pode conhecer está patente. O próprio Deus o manifestou. Desde que o Mundo existe, as suas perfeições invisíveis tomaram-se visíveis ao espírito por meio das suas obras, bem como o seu eterno poder e a sua divindade [iv].

Dirigindo-se aos atenienses, depois de ter dito de Deus aquela extraordinária palavra que por bem poucos pode ser compreendida,

é nele que vivemos, nos movemos e somos [v],
acrescenta:
Como o disseram alguns dos vossos [vi].
Com certeza que o cristão também sabe que deles se deve acautelar em assuntos em que se enganam. Efectivamente, onde está referido que

Por meio das coisas criadas Deus revelou as suas perfeições invisíveis, acessíveis à inteligência [vii],
também está referido que não prestaram ao próprio Deus o seu legítimo culto, rendendo a outros seres que não o mereciam as honras divinas que só a Ele são devidas:

Realmente, embora tenham conhecido Deus, não o glorificaram como Deus e não lhe deram graças, mas perderam-se nos seus pensamentos e o seu coração insensato se obnubilou. Apelidando-se a si próprios de sábios tomaram-se loucos e substituíram a glória de Deus incorruptível por imagens de homens corruptíveis, aves, quadrúpedes e répteis.
Alude neste passo aos romanos, gregos e egípcios que se gloriam com o nome de sábios. Mais tarde com eles discutiremos acerca deste assunto. Mas se se trata do Deus único, autor desta universalidade, d’Aquele que, pela sua incorporeidade não só está acima de todos os corpos, mas também, pela sua incorruptibilidade, está acima de todas as almas — ele, nosso princípio, nossa luz, nosso bem, — na medida em que connosco estão de acordo sobre estes pontos preferimo-los aos demais.

Um cristão pode desconhecer as obras literárias desses filósofos; pode não saber usar, nas suas discussões, de termos que não aprendeu; pode não saber chamar: natural com os latinos, ou física, com os gregos, a esta parte da filosofia que trata do estudo da natureza; racional ou lógica à outra em que se procura a maneira de atingir a verdade; moral ou ética àquela em que se trata dos costumes, dos fins bons a atingir, dos fins maus a evitar. Mas o que este Cristão não ignora é que é do único, verdadeiro e perfeito Deus que recebemos a natureza, pela qual fomos feitos à sua imagem; doutrina, pela qual o conhecemos a Ele e nos conhecemos a nós; e a graça, pela qual nos tornamos felizes, unindo-nos a Ele.

É esta a razão pela qual os preferimos aos demais — porque, ao passo que os outros gastaram o seu talento e os seus esforços na busca das causas das coisas, dos métodos do conhecimento e das regras da vida, estes, uma vez conhecido Deus, ficaram a saber onde encontrar a causa realizadora do universo, a luz para descobrir a verdade, a fonte onde se bebe a verdade. Os que estão de acordo connosco são os que têm semelhante concepção de Deus, quer eles sejam platónicos, quer eles sejam quaisquer outros filósofos de qualquer nação. Mas pareceu-nos preferível tratar destas questões com os platónicos porque as suas obras são mais conhecidas. Realmente os gregos, cuja língua sobressai entre os povos, fizeram delas os maiores encómios, e os latinos, movidos pela sua excelência e glória, aprenderam-nas mais gostosamente e traduziram-nas para a nossa língua, assegurando-lhes assim maior brilho e fama.




(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Segundo os estóicos as chamadas noções comuns ou inatas, tais como Bem, Justo, Belo, têm a sua origem nos sentidos e não em origem diferente dos sentidos. Resultam tais noções de raciocínios espontâneos a partir da percepção das coisas concretas. Assim a noção de Bem resulta da comparação, feita pela razão, das coisas percebidas imediatamente como boas.
[ii] Cícero, De Finitibus, III, X , 33.
[iii] Col., II, 8.
[iv] Rom., I, 19 e segs..
[v] Act. Apost., XVII, 28.
[vi] Rom., I, 21 e segs.
[vii] Rom., I, 21 e segs..

Evangelho e comentário

Tempo comum


Evangelho: Mc 10, 13-16

13 Apresentavam-Lhe umas criancinhas para que as tocasse mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam.14 Vendo isto, Jesus ficou muito desgostoso e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as crianças, não as estorveis, porque dos que são como elas é o reino de Deus.15 Em verdade vos digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». 16 Depois, abraçou-as e, impondo-lhes as mãos, as abençoava.

Comentário:

Ser como criança pequena… quem me dera, Senhor!
Inocência, ausência de preconceitos, simplicidade, naturalidade, confiança filial, eis algumas das características da criança que gostaria de ser.

Inocência nos pensamentos, nos desejos e nas obras. Pensar só no que acontece a cada momento, sem preocupações de futuro, com as referências das memórias breves das coisas boas.

Ausência de preconceitos em relação às pessoas que me rodeiam, àquilo que julgo que são, sem fazer juízos de valor, aceitando-as como elas são, sem me preocupar muito com os motivos ou razões que possam ter para actuar como actuam, porque, o seu íntimo, é do conhecimento de Deus e, isso, me basta.

Simplicidade em toda a minha vida, sem grandes voos ou complicadas arquitecturas de sonhos e quimeras, na aceitação das verdades que, sei, são fundamentais para a minha vida.

Naturalidade no meu relacionamento com os demais, sem “inventar esquemas” nem mascarar os meus defeitos para me tornar mais “atraente”.

Confiança filial porque sei que o meu maior bem, a minha mais excelente condição é ser, de facto, filho de Deus, que é a maior honra e segurança a que posso aspirar.

(AMA, Meditação, MC 10,13-16, Porto, Maio, 2008)


Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





24/02/2017

Hoy el reto del Amor es no tener miedo a dar lo mejor de ti.

SU MIRADA CONFIGURA TU VIDA

Seguro que has tenido la experiencia de querer imprimir algo y que la impresora te la juegue de mil maneras: que si imprime mal, que si justo se le acaba el tóner o cartucho, que si no hay manera de que me saque el papel... Estas situaciones nosotras las vivimos muy a menudo.

Hace unos días desempolvamos una impresora con la intención de terminar de gastar los tóneres. Pero, al poco tiempo...

-¡¡Lety!! Ya me acuerdo por qué dejamos de utilizar esta impresora...

-¿Por qué?

-Porque cada vez que le damos a imprimir algo, lo hace mal, mancha el folio, y al final siempre nos hartábamos de ella...

-¡Es verdad!

Ya no sabíamos qué hacer... hasta que se nos ocurrió configurar la impresión como si se tratase de una fotografía en lugar de una impresión para papel normal, intentando que se esforzase un poco más en sacar bien el color.

Y, sorprendentemente, ¡así lo hizo bien! De pronto, lo que antes imprimía distorsionado, manchado y descolorido... ahora se parecía mucho más al diseño que veíamos en la pantalla del ordenador.

El Señor me regaló comprender que esto es lo mismo que Él hace con nosotros. Sus sueños sobre nosotros van mucho más lejos de lo que alcanzamos a imaginar. Él nos ha configurado estimándonos mucho más alto de lo que muchas veces creemos.

Es verdad, cuando en tu pequeñez te acercas al Señor, Él te muestra cómo te ama precisamente ahí, en tu pobreza: cuando algo te ha salido mal, o en tus frustraciones, o en esa incapacidad de amar... Pero Cristo no se conforma sólo con mostrarte su Amor, sino que va más allá. Él, que te ha creado, sabe hasta donde podrá ir ensanchando tu corazón. Estando ahí, a sus Pies, su Amor sube nuestra buena estima para que estemos dispuestos a dar todo de nosotros, a no quedarnos caídos, sino a dejar que Él abra un nuevo horizonte lleno de oportunidades en las que entregarse.

Hoy el reto del Amor es no tener miedo a dar lo mejor de ti. No veas exigencia, ve Amor. El Señor hoy va a sacar de ti algo bueno. No lo veas desde el no, sino di sí hoy a esa situación que piensas que no va contigo. Deja a Cristo que hoy imprima a todo color.


VIVE DE CRISTO

Epístolas de São Paulo - 2

Carta aos Romanos – 2 

DESTINATÁRIOS

Possivelmente, essas dúvidas eram conhecidas dos cristãos de Roma. Também aí o cristianismo, levado talvez por comerciantes vindos do Oriente, se iniciara nas sinagogas judaicas. Pelo menos foi nelas que se gerou o conflito entre judeus e cristãos, que fez com que o imperador Cláudio, no ano 49, os expulsasse da capital (Act 18,2). Os poucos que ficaram tiveram que separar-se da sinagoga e assim sobreviver, o que era difícil, uma vez que ainda não podiam contar com o apoio de uma estrutura eclesial organizada.

Por este facto, não admira que muitos deles se tenham apoiado em tradições e práticas judaicas para a santificação do dia-a-dia, como as referentes a alimentos e à guarda do sábado. Paulo fala disso nos cap. 14-15.

É que, entretanto, tinha crescido o número dos que consideravam secundárias tais normas; e a minoria dos que as seguiam era mesmo olhada com desprezo.

Além disso, segundo dá a entender no cap. 16, os cristãos estavam divididos por várias comunidades, reunidas em diferentes casas, como aliás já acontecia com as sinagogas. Paulo dirige-se a todos na mesma Carta e, com isso, já está a tentar levá-los à reconciliação e à unidade.


(cont)

Leitura espiritual


A CIDADE DE DEUS



Vol. 1

LIVRO VIII

CAPÍTULO IV

Platão, que foi o principal discípulo de Sócrates, dividiu a filosofia em três partes.



Entre os discípulos de Sócrates, o que brilhou com mais deslumbrante e merecida glória, ao ponto de eclipsar totalmente todos os outros, foi Platão. Ateniense nascido de ilustre família, em muito ultrapassou os seus condiscípulos pelo seu maravilhoso engenho. Pensando que, para aperfeiçoar a filosofia, nem em si próprio nem nas lições de Sócrates encontrava o bastante, viajou durante muito tempo e por tão longe quanto lhe foi possível, por onde quer que o atraísse o renome de uma doutrina célebre digna de ser recolhida. Assim, no Egipto aprendeu todas as doutrinas reputadas que lá se professavam. De lá passou às regiões de Itália onde os pitagóricos gozaram de grande fama e, seguindo as lições dos mais eminentes mestres, assimilou com toda a facilidade tudo o que então florescia na filosofia itálica. Devido a particular estima que dedicava a seu mestre Sócrates, fez-lhe dizer em quase todos os seus diálogos quer o que tinha aprendido de outros mestres quer o que por si mesmo tinha podido compreender, tudo harmonizando com o encanto e as preocupações morais do seu mestre.

Como o estudo da sabedoria tem por objecto a acção e a contemplação, pode portanto chamar-se activa a uma parte e contemplativa à outra. A parte activa trata da forma de nos conduzirmos na vida, isto é, respeita aos costumes que devem ser seguidos, e a contemplativa ao exame das causas da natureza e da pura verdade. Consta que Sócrates sobressaiu na activa; Pitágoras ligou-se mais, com todas as forças da sua inteligência, à contemplativa. Atribui-se a Platão a glória de ter unido uma à outra, levando a filosofia à sua perfeição. Dividiu-a ele em três partes: a moral, que trata da acção; a natural que se confina à contemplação; a racional que distingue o verdadeiro do falso. Embora esta seja indispensável às outras duas, isto é, à acção e à contemplação, é, todavia, principalmente a contemplação que reivindica para si o aprofundado conhecimento da verdade. Esta divisão tripartida, aliás, não é incompatível com a que partilha todo o estudo da sabedoria em acção e contemplação.

Mas qual terá sido, nestas três partes ou em cada uma delas, o pensamento pessoal de Platão — e onde terá ele colocado, quer por sua ciência quer por sua fé, o fim de todas as acções, a causa de todas as naturezas, a luz de todas as razões — são questões que levariam muito tempo a expor com exactidão, julgo eu, e penso também que a tal respeito se não deve afirmar temerariamente seja o que for. Efectivamente, nas suas obras apresenta o seu mestre Sócrates como dirigindo a discussão, afecta seguir o costume muito conhecido de dissimular a sua ciência ou a sua opinião porque tal método também lhe agradava a ele: donde resulta tomar-se difícil distinguir as suas ideias pró­prias acerca das grandes questões.

Todavia, de entre os pensamentos que nele se lêem, dos que ele próprio exprimiu ou dos que outros formularam e ele expõe e transcreve, parecendo aprová-los, julgamos necessário mencionar e inserir alguns nesta obra, quer ele testemunhe neles a favor da verdadeira religião que a nossa fé adopta e defende, quer pareça contradizê-la na questão do Deus único e dos múltiplos deuses, a propósito precisamente da vida verdadeiramente feliz que virá depois da morte.

Talvez, de facto, aqueles que com mais agudeza e verdade compreenderam Platão, filósofo tão acima de todos os dos gentios, e adquiriram uma maior fama ao tomarem-se seus discípulos, tenham de Deus esta concep­ção: é n’Ele que se encontra a causa da existência, a razão da inteligência e a regra da vida — três aspectos que se relacionam: o primeiro com a parte natural da filosofia, o segundo com a parte racional e o terceiro com a parte moral. Realmente se o homem foi criado para atingir, por meio do que nele há de superior, o Ser Superior a todos os seres, isto é, o Deus único, verdadeiro e perfeito, sem o qual nenhuma natureza subsiste, nenhuma doutrina nos instrui, nenhuma conduta é útil — pois então que seja a Ele que se busque, pois que, para nós, é Ele a origem de todas as coisas; seja a Ele que se contemple, pois que para nós, é n’Ele que está toda a certeza; seja a Ele que se ame, pois que, para nós, é n’Ele que está toda a rectidão.


CAPÍTULO V

Em matéria de teologia é de preferência com os platónicos que se deve discutir, pois as suas opiniões são melhores do que as dos outros filósofos.

Se, pois, para Platão, sábio é o que imita, o que conhece, o que ama a este Deus e encontra a sua felicidade em participar da sua vida, que necessidade haverá de examinar os demais? Nenhum deles estará mais próximo de nós que os platónicos. Ceda-lhes, portanto, não só essa teologia fabulosa que diverte os espíritos dos ímpios com os crimes dos deuses, mas ceda-lhes também essa teologia civil — em que impuros demónios, seduzindo, com o nome de deuses, os povos entregues aos prazeres terrestres, acharam por bem considerar os erros humanos como honras divinas; em que esses demónios, despertando nos seus adoradores imundas paixões, os provocam, sob o pretexto de se fazerem honrar, a assistirem às representações dos seus crimes, entregando-se eles próprios aos olhares dos espectadores como à mais agradável das representa­ções; em que, finalmente, o que pode restar de honestidade no templo, sendo manchado pelo seu compromisso com as torpezas do teatro, tudo o que de infame se comete no teatro merece louvor em comparação das vilanias do templo.

Cedam-lhes também as interpretações de Varrão para quem estes ritos sagrados se referem ao Céu e à Terra, às sementes e às operações dos seres mortais (porque estes ritos não têm a significação que ele procura dar-lhes: também a verdade escapa ao seu esforço; e mesmo que esta significação fosse verdadeira, a alma racional não deveria honrar, em vez do seu Deus, os seres que a ordem da natureza estabeleceu abaixo dela, nem por cima dela, como deuses, seres aos quais o verdadeiro Deus a preferiu).

Cedam-lhes ainda as escrituras, de certo referentes aos mesmos ritos, que Numa Pompílio teve o cuidado de esconder fazendo-as sepultar consigo, mas que o arado desenterrou e o Senado fez queimar! (Do mesmo género são também — para que algo de favorável a Numa se diga — as revelações que Alexandre da Macedónia, ao escrever a sua mãe, diz ter recebido de um certo Leão, Grão-Sacerdote da religião egípcia. Segundo tais revela­ções, não foram divinizados apenas Pico, Fauno, Eneias e Rómulo e ainda Hércules e Esculápio, Líbio filho de Sémele e os irmãos Tindáridas e todos os outros mortais; foram divinizados também os próprios deuses das grandes nações que Cícero, sem os nomear, parece designar nas suas Tusculanas: Júpiter, Juno, Saturno, Vulcano, Vesta e tantos outros que Varrão procura relacionar com as partes do mundo ou com os elementos, são representados como tendo sido homens. Também este Grão-Sacerdote, por recear uma eventual revelação dos mistérios, suplicou insistentemente a Alexandre que, depois de ter escrito a sua mãe, lhe peça que lance a carta ao fogo).

Cedam pois estas duas teologias — a fabulosa e a civil — aos filósofos platónicos que reconhecem o verdadeiro Deus como autor das coisas, fonte luminosa da verdade, dispensador da felicidade eterna. Cedam ainda a tão grandes pensadores que chegaram a conhecer um Deus tão grande, esses outros filósofos cujo pensamento, escravo do corpo, não admite para a natureza senão origens corpó­reas: a água, segundo Tales; o ar, segundo Anaxímenes; o fogo, segundo os estóicos; segundo Epicuro, os átomos, isto é, corpúsculos, pequeníssimos, indivisíveis e imperceptíveis; e tantos outros que não vale a pena citar, para quem os corpos, simples ou compostos, inanimados ou vivos mas, todavia, corpos, são causas e princípios das coisas. Realmente, alguns deles, tais como os epicuristas, acreditaram que as coisas vivas podiam ser produzidas por coisas não vivas; outros pensaram que é do vivo que provêm os vivos e os não vivos, mas que todo o corpo provém de outro corpo. Quanto aos estóicos, consideraram o fogo, um dos quatro elementos que constituem o mundo visível, como dotado de vida e de sabedoria e consideraram-no como tendo fabricado o Mundo, de maneira que, segundo eles, era realmente um deus.

Estes e outros que tais não conseguiram elevar o seu pensamento acima dos fantasmas que os seus corações, submetidos aos sentidos carnais, imaginaram. Realmente, tinham dentro de si o que não viam e imaginavam que viam fora de si o que não viam, embora, na realidade, não o vissem, mas apenas o imaginassem. E isto, realmente, à vista do pensamento, já não é corpo: é antes a imagem do corpo. E a faculdade que vê na alma a imagem dum corpo não é nem esse corpo nem a imagem desse corpo: e ela que vê e julga se essa imagem é bela ou disforme, é, sem a menor dúvida, melhor do que a imagem julgada. Esta faculdade é a inteligência do homem, a natureza da alma racional que, sem dúvida, não é um corpo, pois que esta imagem do corpo quando é percebida e apreciada no acto do pensamento, já não é ela mesma um corpo. Ela não é, portanto, nem terra, nem água, nem ar, nem fogo; não é nenhum destes quatro corpos chamados os quatro elementos de que vemos ser composto o mundo corpóreo. Ora se a nossa alma não é um corpo, como é que será um corpo Deus criador da alma?

Que estes filósofos cedam, portanto, aos platónicos. Cedam-lhes também os que se envergonharam de dizer que Deus é um corpo, mas nem por isso deixam de pretender que as nossas almas são de natureza idêntica à d ’Ele. Não se sentem chocados com a mobilidade tão grande da alma, que não se poderá atribuir, sem incorrer em impiedade, à natureza de Deus. Dirão: é pelo corpo que a natureza da alma está sujeita a mudanças; por si mesma ela é imutável. Poderiam dizer também: é pelo corpo que a alma é ferida porque esta por si mesma é invulnerável. Na verdade, o que não está sujeito a mudança, nada o pode mudar; por isso é que o que pode mudar por intermédio do corpo, alguma coisa o pode mudar e, então, já não pode em rigor chamar-se imutável.

CAPÍTULO VI

Pensamento de Platão acerca da chamada filosofia física.

Estes filósofos que, pela sua fama e glória, vemos colocados merecidamente acima dos demais, compreenderam que Deus não é corpo e por isso é que, na busca de Deus, transcenderam todos os corpos. Compreenderam que em Deus Soberano nada é mutável, e por isso é que, na procura de Deus Soberano, transcenderam toda a alma e todo o espírito mutável. Compreenderam, além disso, que em todo o ser que muda, toda a forma que o faz ser o que é, qualquer que seja a sua natureza e os seus modos, não pode ela própria existir senão por Aquele que é verdadeiramente porque é imutavelmente. E daí que, quer seja o corpo do Mundo inteiro, a sua estrutura, as suas propriedades, o seu movimento regular, os seus elementos escalonados do Céu à Terra e todos os corpos que ele encerra;

quer seja toda a vida: a que sustenta e mantém o ser, como nas árvores; a que, além disso, possui sensibilidade, como nos animais; a que acrescenta a tudo isto a inteligência, como nos homens; ou a que, sem necessidade de mantimentos, se mantém, goza de sentimentos e de inteligência, como nos anjos,

não pode manter o seu ser senão d’Aquele que simplesmente é. Para Ele, efectivamente, ser não é uma coisa e viver outra, como se pudesse ser sem viver; para Ele viver não é uma coisa e compreender outra, como se pudesse viver sem inteligência; para Ele compreender não é uma coisa e ser feliz outra, como se pudesse ter inteligência sem a beatitude. Mas para Ele viver, compreender, ser feliz, tudo isso para Ele é ser.

Devido a esta imutabilidade e a esta simplicidade, os platónicos compreenderam que Deus fez todos os seres e por nenhum pôde ser feito. Realmente observaram que tudo o que existe é corpo ou vida, que a vida é coisa superior ao corpo, que a forma do corpo é sensível e a da vida é inteligível. Puseram, portanto, a forma inteligível acima da forma sensível. Ora nós chamamos sensível ao que pode ser percebido pela vista e pelo tacto do corpo; inteligível ao que pode ser captado pelo olhar do espírito. Não há efectivamente beleza corpórea quer na estrutura do corpo, nos seus traços por exemplo, quer num movimento, como é o canto, que não tenha o espírito por juiz. Mas este espírito não poderia ser juiz, se nele não houvesse essa beleza mais perfeita, sem o volume da massa, sem o ruído da voz, sem a extensão do lugar e do tempo. Quanto ao próprio espírito, se, também ele, não fosse mutável, um não seria melhor do que outro ao ajuizar acerca da beleza sensível: nem o mais vivaz, o mais esperto, o mais exercitado ajuizaria melhor do que o mais lento, o menos esperto, o menos exercitado — e até o próprio espírito, embora uno, ao evoluir ajuíza melhor depois do que antes de se desenvolver. Não há dúvida de que é mutável o que é capaz de mais e de menos. Daí facilmente concluírem homens engenhosos, doutos e experientes nestas matérias, que a primeira forma não se encontra nos seres em que ela se evidencia mutável. A seus olhos o corpo e a alma aparecem com mais ou menos forma, de maneira que se lhes chegasse a faltar toda a forma, deixariam totalmente de ser. Viram, pois, que existe um ser no qual reside a primeira forma, imutável e, consequentemente, incomparável; julgaram muito justamente que é aí que se encontra o princípio das coisas, o qual não poderá ter sido feito e pelo qual tudo terá sido feito.

Assim, é o próprio Deus que lhes desvenda o que de Deus pode ser conhecido, quando a inteligência deles perscruta, através das Escrituras, as suas perfeições invisí­veis, o seu eterno poder e a sua divindade (Rom. I, 19-20) — Ele por quem todos os seres, mesmo os visíveis e temporais, foram criados.

Fica exposto assim o que se refere à parte chamada física, isto é, a natural.




(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)