- Fátima:Centenário - Oração diária
- Os filhos de Deus têm de ser contemplativos
- Reflectindo - 226
- Evangelho e comentário
- Leitura espiritual
- La Iglesia ucraniana compara la ideología de géner...
- Pequena agenda do cristão
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
14/02/2017
NUNC COEPI: Publicações em 14.02.2017
Fátima:Centenário - Oração diária
Senhora de Fátima:
Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.
Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.
Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.
Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:
“Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.
Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.
AMA, Fevereiro, 2017
Os filhos de Deus têm de ser contemplativos
Nunca compartilharei a opinião – ainda
que a respeite – dos que separam a oração da vida activa, como se fossem
incompatíveis. Os filhos de Deus têm de ser contemplativos: pessoas que, no
meio do fragor da multidão, sabem encontrar o silêncio da alma em colóquio
permanente com Nosso Senhor: e olhá-lo como se olha um Pai, como se olha um
Amigo, a quem se quer com loucura. (Forja, 738)
Não duvideis, meus filhos: qualquer
forma de evasão das honestas realidades diárias é, para vós, homens e mulheres
do mundo, coisa oposta à vontade de Deus.
Pelo contrário, deveis compreender agora
– com uma nova clareza – que Deus vos chama a servi-Lo em e a partir das
ocupações civis, materiais, seculares da vida humana: Deus espera-nos todos os
dias no laboratório, no bloco operatório, no quartel, na cátedra universitária,
na fábrica, na oficina, no campo, no lar e em todo o imenso panorama do
trabalho. Ficai a saber: escondido nas situações mais comuns há um quê de
santo, de divino, que toca a cada um de vós descobrir.
Eu costumava dizer àqueles
universitários e àqueles operários que vinham ter comigo por volta de 1930 que
tinham que saber materializar a vida espiritual. Queria afastá-los assim da
tentação, tão frequente então como agora, de viver uma vida dupla: a vida
interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e por outro, diferente e
separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades
terrenas.
Não, meus filhos! Não pode haver uma
vida dupla; se queremos ser cristãos, não podemos ser esquizofrénicos. Há uma
única vida, feita de carne e espírito, e essa é que tem de ser – na alma e no
corpo – santa e cheia de Deus, deste Deus invisível que encontramos nas coisas
mais visíveis e materiais.
Não há outro caminho, meus filhos: ou
sabemos encontrar Nosso Senhor na nossa vida corrente ou nunca O encontraremos
Por isso posso dizer-vos que a nossa época precisa de restituir à matéria e às
situações que parecem mais vulgares o seu sentido nobre e original, colocá-las
ao serviço do Reino de Deus, espiritualizá-las, fazendo delas o meio e a
ocasião do nosso encontro permanente com Jesus Cristo. (Temas
Actuais do Cristianismo, n. 114)
Reflectindo - 226
Na presença da
do Senhor, na Hóstia Consagrada em exposição permanente aqui no Convento das
Clarissas em Monte Real, fico-me extasiado pela simplicidade grandiosa de tal
sacramento.
Simplicidade
grandiosa, digo, porque na imensidão da Sua misericórdia e do Seu amor, o Senhor
como que se "aninha" num pedaço de pão branco que de pão só tem a
aparência já que a substância é o Seu verdadeiro corpo tão real como está no
céu, com todas as suas propriedades, alma corpo e divindade.
E não se percebe
nem entende como é possível, exactamente porque de tão extraordinário e sublime
se torna quase inacreditável.
E, no entanto,
é verdade e eu pobre homem que não sei nada, não sou nada, acredito que assim
é.
Perante a minha
pequenez e pouca coisa, confesso que me assusta pensar como posso eu ser
testemunha viva de tal.
Só por uns
escassos minutos diante da santíssima Eucaristia penso que vale a pena ter
nascido.
Ao mesmo tempo
penso no que tenho de retribuir por tão grandes graças e benefícios.
Deus sabe muito
bem o que sou e como sou:
Coração grande
nos desejos vontade pequena nos actos.
Ajuda me a
merecer, ajuda-me a agradecer, ajuda-me a viver como queres que viva.
AMA, reflexões, Monte Real,
Convento, 2016.10.30
Evangelho e comentário
Evangelho:
Lc 10, 1-9
1 Depois disto, o Senhor escolheu outros
setenta e dois, e mandou-os dois a dois à Sua frente por todas as cidades e
lugares onde havia de ir. 2 Disse-lhes: «Grande é na verdade a
messe, mas os operários poucos. Rogai, pois, ao dono da messe que mande
operários para a Sua messe. 3 Ide; eis que Eu vos envio como
cordeiros entre lobos. 4 Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado,
e não saudeis ninguém pelo caminho.5 Na casa em que entrardes, dizei
primeiro: A paz seja nesta casa.6 Se ali houver algum filho da paz,
repousará sobre ele a vossa paz; senão, tornará para vós.7
Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que tiverem, porque o operário é
digno da sua recompensa. Não andeis de casa em casa. 8 Em qualquer
cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que vos puserem diante; 9
curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: Está próximo de vós o reino de
Deus.
Comentário:
É verdade, Ele
próprio afirma que os campos já estão prontos para a ceifa e que não se deve
esperar mais.
Também cresceu
joio no meio das searas e há que evitar que acabe por dominar o trigo.
Ceifeiros
competentes que façam bem o seu trabalho, com extrema dedicação e entrega;
ceifeiros disponíveis para trabalhar sem descanso para que não se perca uma só
espiga.
(ama,
comentário sobre Lc 10. 1-9, 2010.10.18)
Leitura espiritual
Vol. 1
LIVRO
VI
CAPÍTULO XI
O que Séneca pensava dos
Judeus.
Entre
as superstições da teologia civil, Séneca criticava também os ritos sagrados
dos Judeus. Sobretudo, o sabbat. Diz
ele que era uma prática inútil, porque, repetindo- -se de sete em sete dias,
faz perder na ociosidade quase um sétimo da vida, além de que muitas tarefas
urgentes são prejudicadas com esta folga. Quanto aos cristãos, já então
inimigos declarados dos Judeus, não ousou falar deles em qualquer sentido, nem
para os louvar contrariamente aos velhos hábitos da sua pátria, nem para os
maldizer contrariamente talvez ao seu modo de sentir. Acerca dos Judeus, eis o
que ele diz:
Os
costumes desta gente perversa adquiriram tal poder que já se impuseram em todas
as regiões: os vencidos impuseram as suas leis aos vencedores [i]
Dizendo
isto, mostrava a sua admiração; mas, ignorando os planos divinos, acrescenta
esta observação em que bem se revela o que sentia acerca da significação dos
seus ritos sagrados:
Eles
sabem quais as origens dos seus ritos; mas a maior parte do povo pratica-os sem
saber o que faz [ii].
Mas
estes ritos sagrados — porque e em que medida foram instituídos pela autoridade
divina, como é que posteriormente esta mesma autoridade divina os retirou, em
ocasião oportuna, ao povo de Deus, ao qual foi revelado o mistério da vida
eterna, — já o expusemos em outra parte, sobretudo nos tratados contra os
maniqueus, e é assunto de que voltaremos a tratar, em momento mais oportuno,
nesta obra.
CAPÍTULO XII
Verificada a inutilidade dos
deuses gentílicos, que nem à vida temporal conseguem prestar ajuda, é
indubitável que eles a ninguém são capazes de conceder a vida eterna.
Até
agora, tratámos das três teologias que os Gregos denominam mítica, física e
política e que, em latim, se podem chamar fabulosa, natural e civil, e
demonstrámos que a vida eterna nem da fabulosa — que é abertamente reprovada
pelos próprios adeptos da multidão dos falsos deuses — nem da civil — a qual
mais não é que uma parte em tudo àquela semelhante, se não mais detestável
ainda, — se pode esperar. Se se achar insuficiente o que neste livro ficou
dito, pois acrescentem-se-lhe os numerosos desenvolvimentos dos livros
precedentes, sobretudo do quarto, acerca de Deus dispensador da felicidade. De
facto, se a felicidade fosse uma deusa, a quem deveriam os homens consagrar-se,
tendo em mira a vida eterna, senão à felicidade? Mas como ela é, não uma deusa
mas favor divino, a que deus nos havemos de consagrar senão ao Deus que concede
a felicidade, nós que com caridosa piedade amamos a vida eterna, onde se
encontra a felicidade plena e verdadeira? Ora, todos esses deuses que se adoram
de uma forma tão vergonhosa e que se irritam ainda mais vergonhosamente, quando
se lhes recusam tais adorações, confessando assim que são espíritos imundos,
são incapazes de conceder a felicidade. Depois de tudo isto, ninguém,
parece-me, pode pôr em dúvida o que fica dito. Enfim, como pode conceder a vida
eterna quem não pode conceder a felicidade? Realmente, nós chamamos vida eterna
àquela em que a felicidade não tem fim. Se a alma vive, com efeito, nas penas
eternas que torturam igualmente os espíritos imundos, existe para ela mais uma
morte eterna do que uma vida. Não há pior nem mais completa morte do que aquela
em que a morte não morre! Mas, como a natureza da alma, criada imortal, não
poderá ser privada de toda a vida, a sua morte suprema consiste em ser separada
da vida de Deus numa eternidade de suplício. Por conseguinte, a vida eterna,
isto é, que não tem fim, só a pode conceder aquele que concede a verdadeira
felicidade.
Ora
esses deuses, que a teologia civil venera, não podem concedê-la, como se
provou. Não temos, pois, que os venerar, quer na mira dos bens temporais e
terrenos, como já demonstrámos nos cinco livros precedentes, quer
principalmente na da vida eterna, aquela que se segue à morte, como já
mostrámos neste e também nos livros anteriores.
Mas,
como o hábito inveterado cria raízes bem profundas, se alguém julgar que não
expus suficientemente a necessidade de rejeitar e pôr de parte a teologia
civil, pois então leia-se atentamente o livro que se segue, destinado a
completar, se Deus me ajudar, o presente.
LIVRO VII
Principais
deuses da teologia civil: Jano, Júpiter, Saturno e outros por cujo culto se não
alcança a felicidade da vida eterna.
PREFÁCIO
Pois
que tentei com a maior diligência arrancar e extirpar as velhas e perniciosas
doutrinas, inimigas do verdadeiro sentimento religioso, que um inveterado erro
do género humano inculcou poderosa e profundamente nos espíritos tenebrosos, e,
de acordo com as minhas débeis forças e fortalecido com a ajuda divina,
cooperei com a graça d’Aquele que, como verdadeiro Deus que é, tem o poder de a
dar, — queiram os mais prontos e mais bem dotados, aos quais bastam os livros
anteriores para seu esclarecimento, ter para comigo paciência e calma e não
julguem supérfluo para os outros o que para si próprios não julgam necessário!
É que se trata de um assunto muito importante — este de mostrar que a
verdadeira e verdadeiramente santa Divindade, embora seja dela que nos vêm
também todos os socorros necessários à fragilidade de que somos portadores,
deve ser procurada e honrada, não por causa desta vida mortal, que não passa de
transitório fumo, mas sim por causa da vida bem-aventurada que outra não é
senão a vida eterna.
CAPÍTULO I
Não se encontra, como
demonstrámos, a característica de deidade
na teologia civil.
Será que a poderemos achar
nos deuses selectos?
Esta
divindade ou, como melhor direi, esta deidade (pois já não nos repugna empregar
estas palavras para traduzirmos com maior precisão o termo grego) esta
divindade ou esta deidade é característica não referida na teologia a que Marco
Varrão dá o nome de civil e se encontra exposta em dezasseis livros. Quer dizer
— honrando os deuses tais como as cidades os instituíram e da maneira como são
honrados, não se pode alcançar a felicidade da vida eterna. Acerca deste
assunto, o leitor a quem o livro sexto não chegou a convencer, ao ler este nada
mais terá a desejar.
O
que pode efectivamente acontecer é que se julgue que, pelo menos os deuses
escolhidos principais, estudados por Varrão no seu último livro de que pouco
temos falado, devem ser venerados na mira da vida feliz, que outra não pode ser
senão a eterna. A este propósito, não pegarei na expressão de Tertuliano,
talvez mais faceta do que exacta:
Se
se escolhem os deuses como as cebolas, tudo o que não é escolhido é,
seguramente, considerado refugo [iii].
Não
digo isso. Vejo que mesmo entre os escolhidos há outra escolha de alguns para
desempenharem funções mais altas e mais importantes. Assim, no exército, depois
de uma escolha entre os recrutas, opera-se uma selecção no mesmo grupo, com
vista a um mais árduo trabalho das armas; também na Igreja, quando se escolhem
homens para a dirigirem, nem por isso os outros fiéis passam a ser rebotalho,
porque todos os verdadeiros crentes são justamente considerados eleitos; da
mesma forma nos edifícios se escolhem as pedras angulares sem que com isso se
rejeitem as outras que são destinadas às outras partes do edifício; assim,
escolhem-se uvas para comer, sem se considerarem refugo as que ficam para a
bebida. Não há necessidade de insistirmos: isto é bem claro. Por isso, só
porque se escolheram certos deuses dentre muitos, não merecem desprezo nem quem
acerca deles escreveu, nem os seus adoradores, nem os próprios deuses. Deve-se
antes averiguar quais são esses deuses e para que fim parece que foram
escolhidos.
CAPÍTULO II
Quais são os deuses escolhidos e se estes se devem
considerar libertos das funções dos deuses inferiores.
Os
deuses escolhidos, que Varrão aponta no decurso de um só livro, são os seguintes:
Jano, Júpiter, Saturno, Génio, Mercúrio, Apoio, Marte, Vulcano, Neptuno, Sol,
Orco, Líbero-pai, Télure, Ceres, Juno, Lua, Diana, Minerva, Vénus, Vesta —
vinte ao todo, sendo doze deuses e oito deusas.
Chamam-se
escolhidas estas divindades em razão da maior importância das suas funções no
mundo, por causa da sua maior autoridade entre os povos, ou devido à maior
importância do culto que lhes é prestado?
Se
é por causa da importância das suas tarefas no governo do mundo, não deveríamos
encontrá-las no meio dessa multidão de divindades a bem dizer plebeias, afectas
a papéis insignificantes. Com efeito, para principiar, é o próprio Jano quem,
no acto da concepção, onde têm origem todos os empregos miúdos distribuídos aos
deuses miúdos, abre o acesso à recepção do sémen; mas também ali está Saturno
pela mesma causa do sémen; está lá também Libero, que alivia o macho também
pela efusão do sémen; está lá ainda Libera, que se identifica com Vénus, para
prestar à mulher o mesmo serviço, aliviando-a, a ela também, pela emissão do
sémen. Todos estes deuses são dos que se chamam escolhidos. Mas também lá está
a deusa Mena, que preside ao fluxo menstrual, apesar de não ser nobre, embora
seja filha de Júpiter. Aliás, Varrão, no seu livro acerca dos deuses escolhidos,
assinala este domínio das menstruações à própria Juno, a rainha dos deuses
escolhidos; e, sob o nome de Juno Lucina, ela prória preside ao fluxo
sanguíneo com a dita Mena, sua nora. Estão lá, ainda, dois deuses, não sei
quais, muito obscuros — um Vituno e um Sentino, que conferem ao feto, o
primeiro a vida e o segundo a sensibilidade. É extraordinário! Apesar de mais
obscuros, concedem muito mais que tantos deuses eminentes e escolhidos.
Realmente, em que se toma tudo o que a mulher traz no seu seio, se for
desprovido de vida e de sensibilidade, senão em não sei que mais abjecto,
comparável à lama e ao pó?
(cont)
(Revisão da versão portuguesa por ama)
La Iglesia ucraniana compara la ideología de género con las ideologías totalitarias del siglo XX
El arzobispo de Kiev, Sviatoslav Shevchuk, alerta contra
el designio perverso de la ideología de género de romper el plan de Dios para
la humanidad.
La Iglesia católica en Ucrania sufrió una brutal
persecución física durante el régimen soviético y tuvo que sortear durante
décadas la imposición del comunismo en la sociedad a todos los niveles. Su
denuncia de la ideología de género, señalándola como un nuevo tipo de dictadura
ideológica, adquiere pues un valor especial, y así lo refleja el reportaje de
Raffaele Dicembrino en La Croce:
Los obispos greco-católicos ucranianos, mediante una
encíclica, han tomado una posición firme contra la ideología de género. Antes
estaba el régimen soviético, que imponía una visión "atea" del mundo,
presentada como "la única científica" y que "privaba a los
hombres del derecho a profesar libremente su fe religiosa". Hoy, los
desafíos son similares, "modos ideológicos de destruir la fe
católica" poniendo en discusión de manera solapada "la fe y la
moralidad cristianas"; entre estos desafíos tiene un lugar relevante la
ideología de género.
Los obispos greco-católicos de Ucrania dan nombre y
apellido a una de las causas de los problemas del mundo, englobando todos los
desafíos bajo la ideología de género en una "carta encíclica" firmada
en nombre del sínodo por el arzobispo mayor Sviatoslav Shevchuk y dirigida a
todos, sacerdotes y fieles, para que comprendan el alcance de dicho desafío.
Svetioslav Shevchuk advierte de la rebelión contra Dios
implícita en la ideología de género.
Se trata de once páginas de palabras contundentes y
claras, destinadas a la Iglesia greco-católica ucraniana. La ideología de
género -se lee en la carta- "intenta destruir la percepción de la
sexualidad humana como don de Dios naturalmente vinculado a las diferencias
biológicas entre hombre y mujer" y, al mismo tiempo, "introducir un
peligroso desorden en las relaciones humanas".
El don divino de ser hombre o mujer
El peligro para la sociedad ucraniana es "aceptar
como verdad, sin pensar, teorías de impronta atea cuyo fundamento es afirmar la
dignidad humana, alcanzar la igualdad entre las personas y defender el derecho
humano a la libertad".
En la encíclica se recuerda cómo el plan de Dios delinea
la dignidad humana, poniendo en evidencia los pasajes de la Biblia que subrayan
y valorizan las diferencias entre lo masculino y lo femenino y recordando que
la sexualidad "como don de ser hombre y mujer" cubre de "manera
íntegra todas las dimensiones de la existencia de la persona humana: cuerpo,
alma y espíritu". La encíclica subraya también que la persona humana,
creada a imagen de Dios, "está llamada a la eterna comunión con el Creador"
e insiste en que la "libre
voluntad" -término ampliamente esgrimido por quienes fomentan la ideología
de género- permite al hombre elegir tanto el bien como el mal.
Si la sexualidad humana es "un don natural de
Dios", mediante el cual el hombre "descubre la alegría de ser
co-creador", es también verdad que es precisamente este aspecto, junto a
la familia, el que es puesto siempre en discusión. Se trata de un legado de la
"constante tentación de violar los estatutos de Dios en este ámbito"
y que viene de la "caída de nuestros progenitores". A partir del
pecado original, el hombre "abusa de la posibilidad de una libre elección
cuando intenta liberarse de los valores tradicionales en el área de la
sexualidad y de la vida matrimonial, a los que trata falsamente como un arcaísmo
y un obstáculo a la igualdad, la dignidad y la libertad". La
"diferencia entre los sexos" es definida como "una condición
previa para la violencia sexual en la familia y fuera de ella", mientras
que, en realidad, la causa de estos problemas "no es la sexualidad, sino
precisamente su percepción distorsionada".
Contra la fe, contra la ciencia, contra la ley natural
El documento subraya que durante milenios los seres
humanos se han definido siempre en base a dos sexos biológicos, varón y mujer,
y que sólo recientemente "puntos de vista del mundo contrarios a la fe
cristiana, a la realidad científica objetiva y a la ley natural han pasado a
ser difundidos e influyentes", haciendo que la identidad de género
"ya no sea un don de Dios", sino una "elección individual de la
persona", haciendo que la persona, de este modo, "no comprenda su
profunda llamada al amor eterno", sino que más bien la considere [la
identidad de género] "una diversión temporal de la existencia".
¿Cómo ha cambiado el concepto de género en el curso de
los años? Primero se "construía en oposición al sexo biológico";
ahora se reclama "que no sólo el sexo biológico no influye sobre la
elección del rol social, sino que el rol público del hombre y de la mujer ya no
es necesario. La persona humana es considerada una especie de 'libertad
incorpórea' de la que es creador y a partir de la cual construye la identidad.
Y así todos pueden elegir el sexo que quieran, porque a la persona 'se le
ofrece la posibilidad de no limitar el propio sexo biológico al concepto de
hombre o mujer, o al papel social de hombre o mujer, sino más bien elegir el
propio género de entre una pluralidad de posibilidades'. Uno ya no está
determinado 'por ser algo', sino más bien por 'actuar en el rol de
alguien'".
Imposición agresiva
El problema no está sólo en la teoría, escribe la
encíclica. El problema está en que estas teorías son "impuestas de manera
agresiva a la opinión pública, son introducidas gradualmente en la legislación,
forzando -y aumentado- su visibilidad en ámbitos distintos de la vida humana,
sobre todo en la educación y en el crecimiento".
Así, "las ideologías de género empiezan a adquirir
las características de una ideología totalitaria y son similares a las
ideologías utópicas que en el siglo XX no sólo prometieron crear el paraíso en
la tierra, sino que buscaron al mismo tiempo introducir mediante la fuerza su
modo de pensar, erradicando cualquier otro punto de vista alternativo".
"Al apoyar la ideología de género, la persona está
rechazando la idea de que su género sexual ha sido creado por Dios y, por
consiguiente, pone en duda el hecho de que Dios ha creado al hombre varón y
mujer". Al reclamar la igualdad, lo que hacen los sistemas de género es
llevar a la uniformidad cuando, en realidad, "la diversidad es la base de
la igualdad, mientras que la uniformidad es la base para la formación de trazos
y signos naturales únicos y específicos que son atrayentes para los
sexos".
Con la ideología de género se niega "la existencia
de un creador" y se niega "la verdad de los hombres hechos a su
imagen", poniendo en discusión la complementariedad de los hombres y las
mujeres y la institución del matrimonio; además, la ideología de género
"no corresponde ni siquiera a datos científicos objetivos", sino que
se basa más bien en "hipótesis subjetivas y declaraciones
pseudo-científicas hechas por las partes interesadas", además de fomentar
muchas formas de "identidad sexual o comportamiento que no corresponden
del todo a la naturaleza humana" y que llevan más bien "a la
promiscuidad y a la progresiva de-moralización de la sociedad".
Se subraya que las teorías de género "destruyen el
concepto de familia como comunidad hecha de padre y madre en la que los niños
nacen y crecen", porque ésta es presentada sólo como "una posible
forma de familia", mientras se sugiere definir las uniones de personas de
sexo diferente como uniones en las que "ser progenitor significa solamente
tener un cierto rol, equivalente a los de la familia tradicional".
¿Qué hacer?
¿Qué pueden y deben hacer los fieles para combatir esta
catástrofe? El último párrafo de la encíclica pide sobre todo educación y
estudio, porque la sociedad "no conoce en profundidad las cuestiones de
género" y es necesario, en cambio, no sucumbir a la presión social y trabajar
"juntos para defender la dignidad de cada persona, reafirmando las
características propias naturales donadas por Dios y protegiendo con firmeza el
desarrollo de la comunidad de la familia como fundamento de la revelación
divina".
Es necesario informarse y comprender "el verdadero
objetivo de algunas propuestas o llamamientos", porque "el ser humano
no puede traicionar su vocación y destruir la dignidad humana en favor de
dudosos proyectos políticos y sociales, aunque estos proyectos sean presentados
como un signo de progreso y modernidad".
Por esto, el llamamiento de los obispos greco-católicos
está dirigido no sólo a la educación de los hijos, sino también a quienes
trabajan en la información y en los currículos educativos, como también a los
científicos, para que proporcionen una
información real y completa sobre la esencia misma del ser humano.
La posición del Papa Francisco
A este propósito es importante recordar las palabras
claras, e instrumentalizadas, del Papa Francisco sobre la ideología de género:
"Hoy hay una guerra mundial para destruir el matrimonio", no con las
armas, sino "con las ideas" y el "gran enemigo" del
matrimonio es la ideología de género, declaró el Pontífice en Tbilisi, en
Georgia, durante el encuentro con sacerdotes, religiosos y religiosas.
"El matrimonio -dijo- es lo más bello que Dios ha
creado. La Biblia nos dice que Dios ha creado el hombre y la mujer, los ha
creado a su imagen. Es decir, el hombre y la mujer que se hacen una sola carne
son imagen de Dios".
En el matrimonio hay dificultades, incomprensiones,
tentaciones. A menudo se quieren resolver estas dificultades con el divorcio.
Pero, "¿quién paga los costes del divorcio? Dos personas, pagan" y
"otros más".
"Paga Dios, porque cuando se divide una sola carne
se ensucia la imagen de Dios. Y pagan los niños, los hijos. Vosotros no sabéis,
queridos hermanos y hermanas, no sabéis cuanto sufren los niños, los hijos
pequeños, cuando ven las disputas y la separación de los padres. Se debe hacer
de todo para salvar el matrimonio. Pero ¿es normal que se discuta en el
matrimonio? Sí, es normal. Sucede. A veces vuelan los platos. Pero si el amor
es verdadero, entonces se hace enseguida la paz. Yo aconsejo a los esposos:
discutid todo que queráis, pero no terminéis la jornada sin hacer las paces.
¿Sabéis por qué? Porque la guerra fría del día siguiente es
peligrosísima".
"¡Cuántos matrimonios -continuó- se salvan si tienen
el valor al final del día, no de hacer un discurso, sino una caricia, y la paz
está hecha! Pero es verdad que hay situaciones más complejas, cuando el diablo
se entromete y pone ante el hombre una mujer que le parece más bella que la
suya, o cuando presenta a una mujer un hombre que le parece mejor que el suyo.
Pedid ayuda inmediatamente. Cuando viene esta tentación, pedid ayuda enseguida.
»Y, ¿cómo se ayuda a las parejas? Se las ayuda con la
acogida, la cercanía, el acompañamiento, el discernimiento y la integración en
el cuerpo de la Iglesia. Acoger, acompañar, discernir e integrar. En la
comunidad católica se debe ayudar a salvar los matrimonios”.
ReL29 enero 2017
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Aplicação no trabalho.
Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.
Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.
Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
13/02/2017
Fátima: Centenário
Senhora de Fátima:
Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.
Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.
Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.
Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:
“Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.
Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.
AMA, Fevereiro, 2017
Maria, Rainha da Paz
Maria, Regina pacis, Rainha da Paz, porque tiveste fé e acreditaste que se
cumpriria o anúncio do Anjo, ajuda-nos a aumentar a Fé, a sermos firmes na
Esperança, a aprofundar o Amor. Porque é isso que quer hoje de nós o teu Filho,
ao mostrar-nos o seu Sacratíssimo Coração. (Cristo que passa, 170).
Característica evidente de um homem de
Deus, de uma mulher de Deus, é a paz na alma: tem "a paz" e dá
"a paz" às pessoas com quem convive. (Forja, 649).
Não é lícito escudar-se em razões
aparentemente piedosas para espoliar os outros do que lhes pertence: Se alguém
diz: "Eu amo a Deus" mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Mas também
se engana a si mesmo quem regateia ao Senhor o amor e a reverência – a adoração
– que lhe são devidos como Criador e nosso Pai; a quem se nega a obedecer aos
seus mandamentos com a falsa desculpa de que algum deles é incompatível com o
serviço dos homens claramente adverte S. João que nisto conhecemos que amamos
os filhos de Deus: Se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Porque o
amor de Deus consiste em guardar os seus mandamentos; e os seus mandamentos não
são pesados. (Amigos de Deus, n. 166)
Evangelho e comentário
Evangelho:
Mc 8, 11-13
11 Apareceram
os fariseus, e começaram a discutir com Ele, pedindo-Lhe, para O tentarem, um
sinal do céu. 12 Porém, Jesus, suspirando profundamente, disse:
«Porque pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não
será dado sinal algum». 13 Depois, deixando-os, entrou novamente na
barca e passou à outra margem.
Comentário:
Um sinal do céu?
Mas o que é um sinal do céu?
Não será o o próprio céu e tudo quanto nele e sob ele
existe?
Não vemos a obra de Deus a Criação extraordinária de
beleza, ordem, complexidade magistral?
Então?
(ama, comentário sobre Mc 8, 11-13, 20159.02.16)
Leitura espiritual
Vol. 1
LIVRO
VI
CAPÍTULO IX
Atribuições de cada um dos
deuses.
Quê?
Estas atribuições dos deuses, repartidas de maneira tão mesquinha e tão
minuciosa, por ser preciso invocar cada um deles conforme a tarefa que lhe é própria,
e acerca das quais já falámos bastante sem, porém, termos esgotado o assunto, —
não estarão mais de harmonia com as palhaçadas dos histriões do que com a
majestade dos deuses? Se alguém desse, duas amas a uma criança, uma encarregada
de apenas a fazer comer e a outra apenas de a fazer beber, tal como se atribui
às deusas Éduca e Pótina, seria certamente tido por um louco a brincar às
comédias em sua casa. Pretende-se que o nome de Libero está relacionado com liberamentum (livramento), porque com a ajuda
dele são os machos, na cópula, libertados do sémen emitido, e o mesmo faz
Libera, a quem chamam também Vénus, às mulheres, porque também elas, conforme
pretendem, expulsam o seu sémen. E por isso que nos seus templos se oferecem a
Libero os órgãos sexuais do homem e a Libera os da mulher. A isto acrescentam
que a Libero são consagradas as mulheres e o vinho, porque provocam a volúpia.
Era assim que eram celebradas as Bacanais, num arrebatamento de loucura. O
próprio Varrão confessa que, se não estivessem possuídas de delírio, as
bacantes não seriam capazes de se entregarem a tais excessos. Mais tarde,
porém, estas coisas desagradaram ao Senado, que, mais judicioso, as mandou
suprimir. Talvez então se tenha acabado por reconhecer quanto podem sobre a alma
humana esses espíritos imundos quando são tomados por deuses. Com certeza que
estas coisas não se passariam nos teatros: nestes, as pessoas divertem-se, mas
não deliram, se bem que ter deuses que se deleitam com semelhantes diversões se
assemelha ao delírio.
Entre
o homem religioso e o homem supersticioso descobre Varrão esta diferença: o
supersticioso tem medo dos deuses, ao passo que o religioso, os venera como
pais e não os teme como inimigos, pois que, na sua opinião, todos os deuses são
tão bons que se sentem mais inclinados a perdoar os culpados do que a
prejudicar os inocentes. Mas também nos recorda que à mulher que dá à luz se
destinam três deuses à sua guarda, para impedir que o deus Silvano venha
atormentá-la durante a noite; e como símbolo destes guardiões, três homens
fazem rondas nocturnas à volta da casa, batendo nos umbrais, primeiro com um
machado e depois com um pilão, acabando por limpá-la com uma vassoura —
tríplice símbolo da agricultura, destinado a vedar ao deus Silvano qualquer acesso.
Mas que é que com isto se quer dizer? A explicação é que nem as árvores se
cortam e se podam sem o ferro, nem a farinha se prepara sem o pilão, e sem a
vassoura não se juntam os grãos num monte. Foi destes três objectos que três
deuses tomaram o nome: Intercidona, do gume do machado (intercisio), Pilumnum, do pilão (pilum), Deverra, da vassoura (deverro
= varrer). É com estes deuses custódios que se defende a prole das investidas
do deus Silvano. Com certeza que de nada valeria contra a crueldade de um deus
nocivo a custódia dos bons, se não se juntassem muitos contra um e se a este
deus rústico, terrífico e inculto (pois que é da selva) não se opusessem os
emblemas da cultura que lhe são contrários. É então esta a inocência dos
deuses? E esta a concórdia dos deuses? Isto é que são as divindades protectoras
da cidade, mais dignas de troça do que as palhaçadas dos teatros?
Que
o deus Jugatino intervenha na união do homem com a mulher — vá que não vá! Mas
é preciso levar a noiva a casa — e lá temos o deus Domiducus; para lá a
instalar, está o deus Domitius; para a fazer estar com o seu marido, junta-se a
deusa Mantuma. Para quê buscar mais? Tenha-se em consideração o pudor humano!
Seja a concupiscência da carne e do sangue a levar a cabo o resto no recato do
pudor. Para quê encher o quarto com uma caterva de deuses quando se retiram os
paraninfos? [i] E
enchem o quarto, não para que o conhecimento da sua presença constitua uma
garantia maior do pudor, mas para que a mulher, débil em razão do sexo,
aterrada pela novidade, graças ao concurso deles perca a virgindade sem
dificuldade: realmente, lá estão presentes a deusa Virginense, o deus-pai
Súbigo, a deusa-mãe Prema, a deusa Pertunda e ainda Vénus e Priapo! Que vem a
ser isto? Se era absolutamente necessário que os deuses ajudassem o varão em
apuros, não bastaria um ou uma? Não bastaria apenas Vénus, pois que, diz-se,
ela assim se chama porque sem violência (vis)
nunca a mulher poderá deixar de ser virgem? Se nos homens há pudor que falta
aos deuses, os esposos que acreditam na presença de tantos deuses de ambos os
sexos, todos atentos ao acto conjugal, — não se sentirão possuídos de tal
vergonha que o ardor do acto se vai apagando e vai aumentando a resistência da
vergonha? Se, para desatar o cinto da donzela, lá está a deusa Virginense; se
lá está o deus Súbigo para a submeter ao varão; se, para a obrigar, uma vez
entregue, a deixar-se desflorar sem resistência, está lá a deusa Prema — que
faz lá a deusa Pertunda? Que tenha vergonha! que se vá embora! que deixe ao
marido alguma coisa para fazer! É altamente indecoroso que seja outro a cumprir
uma tarefa que, como o seu nome indica, só a ele pertence. Talvez seja tolerada
por se tratar de uma deusa e não de um deus. Porque, se visse que se tratava de
um deus masculino, que se chamaria então Pertundo, o marido, para salvar a
honra da mulher, contra ele chamaria por mais socorros do que a parturiente
contra Silvano. Mas que estava para aqui a dizer, se há um outro bem macho —
Priapo — sobre cujo enormíssimo e tão repugnante membro obrigam os
recém-casados a sentarem-se, conforme é costume honestíssimo e religiosíssimo
das matronas?
Que
tentem ainda, com toda a subtileza de que são capazes, distinguir a teologia
civil da teologia fabulosa, as cidades do teatro, os templos da cena, os ritos
dos pontífices dos cantos dos poetas, como se distingue o honesto do torpe, o
verdadeiro do falso, o grave do frívolo, o sério do jocoso, o apetecível do
desprezível! Compreendemos como se comportam: sabem que a teologia do teatro e
da fábula provém da teologia civil e que esta se reflecte nos cantos dos poetas
como num espelho. Por isso, depois da exposição desta, que não se atrevem a
condenar, censuram e recriminam a sua imagem com mais liberdade para que os
leitores mais esclarecidos desprezem, ao mesmo tempo, o rosto e a imagem.
Todavia, os próprios deuses, vendo-se nesta imagem como se se vissem num
espelho, amam-se de tal forma que é no espelho e na imagem que melhor se vê
quem são e o que são eles. Por isso obrigam também os seus adoradores, com
ordens terríveis, a dedicarem-lhes as imundícias da teologia fabulosa, a
concederem-lhes um lugar nas solenidades e a terem-nos por coisas divinas. E
assim se declaram, com maior evidência, como os mais imundos dos espíritos; e
fizeram com que esta teologia do teatro, abjecta e reprovada, se tomasse parte
constitutiva da selecta e recomendável teologia urbana. Desta forma, todo este
conjunto é torpe e enganoso, cheio de deuses imaginários, achando-se uma das
suas partes nos livros dos sacerdotes e a outra no canto dos poetas. Se contém
ainda outras partes, isso é outra questão. Por agora, parece-me que deixei
suficientemente demonstrado que, seguindo a divisão de Varrão, a teologia da
cidade e a do teatro se reduzem à mesma teologia civil. Consequentemente, como
ambas rivalizam em vilania, absurdo, indignidade, falsidade — longe esteja do
homem religioso esperar a vida eterna quer duma quer doutra.
Finalmente,
o próprio Varrão começa a sua recensão e enumeração dos deuses a partir da concepção
do homem, pondo Jano à frente da série; prossegue a série até à morte do homem
decrépito; e fecha a lista dos deuses, afectos ao homem, com a deusa Nénia, que
se canta nas exéquias dos velhos.
Começa
depois a mostrar os outros deuses, afectos, já não ao homem, mas às coisas que
este utiliza, tais como o alimento, o vestuário e tudo o que a esta vida é
necessário, acabando por revelar qual é a tarefa de cada um e o que é que a
cada um se pode pedir. Em toda esta diligente enumeração, não apresentou nem
nomeou deus algum a quem se possa pedir a vida eterna, única por causa da qual
somos cristãos.
Quem
será tão tacanho, que não compreenda que, — expondo e explicando com tanto
cuidado a teologia civil, mostrando a sua semelhança com a indigna e infame
teologia fabulosa, ensinando com bastante clareza que esta teologia fabulosa
mais não é que uma parte da outra, este homem se propôs infiltrar nos espíritos
humanos apenas a teologia natural que diz provir dos filósofos? Com tal
subtileza reprova a teologia fabulosa, sem se atrever a criticar a civil,
embora esta se mostre repreensível com a sua simples apresentação, e afasta,
desta maneira, duma e doutra, o juízo dos atilados, que não resta senão a
escolha da natural.
Disto
tratarei mais demoradamente, na ocasião oportuna, com a ajuda de Deus.
CAPÍTULO X
Da liberdade de espirito de
Séneca, que critica a teologia civil com mais veemência do que Varrão criticou
a teologia fabulosa.
A
liberdade que a Varrão faltou para criticar a teologia civil tão abertamente
como a cénica, apesar de tão semelhantes, não faltou, pelo menos em parte, a
Aneu Séneca, que, segundo certos indícios, brilhou nos tempos dos Apóstolos:
mas, se a teve nos seus escritos, faltou-lhe, porém, na vida.
No
seu livro contra as superstições (De
superstitione), atacou esta teologia urbana muito mais ampla e
vigorosamente do que Varrão a dos teatros e das fábulas. Efectivamente, quando
se refere aos ídolos, diz:
Presta-se
culto a seres sagrados, imortais, invioláveis, representados na mais vil e
inerte matéria; dá-se-lhes a forma de homens, de feras, de peixes, algumas
vezes um duplo sexo e com diversos corpos; chamam deuses a estes entes que, se
se tomassem vivos e nos aparecessem de surpresa, seriam tomados por monstros [ii].
Um
pouco mais à frente, ao elogiar a teologia natural, depois de ter classificado
as opiniões de alguns filósofos, põe a si mesmo a seguinte questão:
Alguém
me dirá ao chegar a este ponto: tenho que acreditar que o Céu e a Terra são
deuses, que uns habitam acima e outros abaixo da lua? Poderei eu estar de
acordo com Platão ou com o peripatético Estratão, dos quais um concebe deus sem
corpo e o outro concebe-o sem alma?
E
responde:
Então,
quais te parecem mais verdadeiros — os sonhos de T. Tácio ou os de Rómulo ou os
de Tulo Hostílio? Tácio fez de Chacina uma deusa, Rómulo tomou Pico e o
Tiberino em deuses, Hostílio transformou em deuses o Pavor e o Palor — as mais
sombrias afecções do homem, das quais uma resulta de um abalo do espírito
atemorizado e a outra de um abalo do corpo — não uma enfermidade, mas uma falta
de cor. Será que vais acreditar nestas divindades e pô-las no céu?
A
liberdade com que Séneca escreveu acerca de ritos tão cruamente obscenos! Diz
ele:
Um
amputa os seus próprios orgãos viris; outro corta os biceps dos braços. Como é
que temerão a cólera dos deuses os que assim os aplacam? Não se deve prestar
qualquer espécie de culto a deuses que querem uma coisa destas! Tão grande é a
loucura de uma alma perturbada e como que lançada fora de si, que ela pretende
aplacar os deuses comportando-se como o não fariam os homens mais temíveis e
cuja crueldade passou à história fabulosa. Tiranos houve que despedaçaram os
membros das suas vítimas, mas a ninguém ordenaram que despedaçassem os deles
próprios. Alguns desgraçados foram castrados para satisfazerem a vergonhosa
lascívia dos reis, mas ninguém se mutilou com as suas próprias mãos às ordens
do seu senhor para deixar de ser homem. Golpeiam-se nos templos, oferecem em
súplica as suas feridas e o seu sangue. Se a alguém fosse dada a oportunidade
de observar os que assim procedem e sofrem, veria coisas tão repugnantes para
as pessoas decentes, tão indignas dos homens livres, tão longe dos sãos
espíritos, que ninguém duvidaria de estar no meio de loucos se fossem poucos.
No caso, a multidão dos insensatos toma-se garantia da sua sanidade mental.
Quanto
ao que se passa no próprio Capitólio, que ele menciona a seguir e reprova (com
que coragem!) — quem poderia acreditar que essas cenas não são realizadas senão
por farsantes ou por loucos? Primeiro, põe a ridículo os mistérios do Egipto,
as lágrimas que derramam sobre Osíris perdido e a grande alegria que
manifestam, logo a seguir, ao encontrarem-no — quando, afinal, tanto a sua
perda como o seu encontro são puras ficções; todavia exprimem uma dor e uma
alegria sincera da parte daqueles que nada perderam nem acharam. Depois,
observa:
Porém
esta loucura tem uma duração limitada. Ser louco uma vez por ano suporta-se.
Mas sobe ao Capitólio: corarás de vergonha ao veres a generalizada demência que
frenesi toma como um dever. Um apresenta nomes a Júpiter, outro anuncia-lhe as
horas; um é o seu massagista (litor), outro é o seu perfumista que com o
ridículo movimento de braços imita a acção do perfumista. Há as que arranjam os
cabelos de Juno e de Minerva (mantendo-se de pé, afastadas do templo e do
ídolo, mexem os dedos como os cabeleireiros). H á as que seguram no espelho. Há
as que pedem o patrocínio dos deuses nos seus pleitos e há os que lhes
apresentam memoriais escritos e os informam das suas causas. Um hábil chefe de
histriões, velho já decrépito, representa todos os dias uma farsa no Capitólio,
como se os deuses sentissem prazer em contemplarem um actor a quem os homens já
não ligam importância. Ali cai toda a casta de artífices para trabalharem para
os deuses imortais.
E
um pouco mais à frente acrescenta:
Todavia,
estes (serviços prestados a um deus), por muito inúteis que sejam, não são
vergonhosos nem infames. Algumas, que se julgam amadas por Júpiter, instalam-se
no Capitólio — mas não ficam amedrontadas nem mesmo com o olhar de Juno o qual,
a crer nos poetas, é irritadíssimo.
Esta
liberdade não a teve Varrão; apenas se atreveu a criticar a teologia poética;
na teologia civil — que Séneca demoliu —, nem ousou tocar. Mas, verdade se
diga, os templos, onde estes factos se passam, são piores do que os teatros,
onde eles se simulam. Por isso, nas cerimónias da teologia civil, a parte que
Séneca reserva ao sábio não é a adesão dum coração sinceramente religioso, mas
a celebração exterior. Efectivamente, diz ele:
O
sábio tudo isto observará como coisa ordenada pela lá e não como coisa grata
aos deuses.
E,
um pouco à frente, acrescenta:
Que
significam esses casamentos que celebramos entre os deuses e até, com desprezo
da religião, entre irmãos e irmãs? Juntamos Pelona a Marte, Vénus a Vulcano,
Salácia a Neptuno. Todavia deixamos algumas solteiras, como se lhes faltasse
algum requesito; apesar de haver algumas viúvas como Papulónia ou Fúlgora e a
deusa Rumina. Não me admiro de que para elas tenha faltado pretendente. Toda
esta obscura turbamulta de deuses que uma longa superstição foi engrossando no
decurso de tão longos séculos, adoramo-la nós, lembrando-nos, porém, de que
este culto assenta mais no costume do que na verdade.
Por
conseguinte, nem as leis nem os costumes estabeleceram na teologia civil o que
é que seria agradável aos deuses ou interessaria a este assunto. Todavia, este
Séneca, libertado pela filosofia, como convinha a um ilustre por assim melhor
se lhe captar o sentido. senador do Povo Romano, honrava o que censurava,
praticava o que reprovava, adorava o que condenava. Quer dizer, a filosofia
tinha-lhe ensinado alguma coisa de grande: não ser supersticioso no mundo; mas
as leis da cidade e as tradições humanas obrigaram-no, sem descer ao papel de
histrião representando ficções no palco, a imitar esse papel no templo — pelo
que é tanto mais digno de censura quanto mais, praticando esses ritos sem
sinceridade, assim procedia para que o povo pensasse que era com sinceridade
que procedia; o próprio comediante, ao representar, pretende divertir e não
enganar com as suas mentiras.
(cont)
(Revisão da versão portuguesa por ama)
Subscrever:
Mensagens (Atom)





