09/12/2016

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





08/12/2016

Canta diante de Maria Imaculada

Deus Omnipotente, Todo-Poderoso, Sapientíssimo tinha que escolher a sua Mãe. – Tu, que terias feito, se tivesses tido de escolhê-la? Penso que tu e eu teríamos escolhido a que temos, enchendo-a de todas as graças. Isso fez Deus. Portanto, depois da Santíssima Trindade, está Maria. Os teólogos estabelecem um raciocínio lógico desse cúmulo de graças, desse não poder estar sujeita a satanás: convinha, Deus podia fazê-lo, logo fê-lo. É a grande prova. A prova mais clara de que Deus rodeou a sua Mãe de todos os privilégios, desde o primeiro instante. E assim é: formosa e pura e limpa, em alma e corpo! (Forja, 482)

És toda formosa e não há mancha em ti. – És horto cerrado, minha irmã, Esposa, horto cerrado, fonte selada. – Veni: coronaberis. – Vem: serás coroada (Cant. IV, 7, 12 e 8).

Se tu e eu tivéssemos tido poder, tê-la-íamos feito também Rainha e Senhora de toda a criação.

Um grande sinal apareceu no céu uma mulher com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. – O vestido de sol. – A lua a seus pés (Apoc. XII, 1). Maria, Virgem sem mancha, reparou a queda de Eva; e esmagou, com o seu pé imaculado, a cabeça do dragão infernal. Filha de Deus, Mãe de Deus, Esposa de Deus.

O Pai, o Filho e o Espírito Santo coroaram-na como Imperatriz que é do Universo.


E rendem-lhe preito de vassalagem os Anjos..., e os patriarcas e os profetas e os Apóstolos..., e os mártires e os confessores e as virgens e todos os santos..., e todos os pecadores e tu e eu. (Santo Rosário, 5º mistério glorioso)

Temas para meditar - 674

Santíssima Virgem

Deus tinha-a despojado dos seus sonhos, tinha-a feito conhecer a pobreza mais absoluta, ver-se privada até das coisas indispensáveis que a mais pobre das mães tem; tinha-a feito passar pela humilhação de mendigar um tecto, para se ver cortês e superficialmente despedida, provavelmente com boas palavras. 

Ninguém a tinha escutado, ninguém se tinha interessado pelo seu problema pessoal. 

(federico suarez,  A Virgem Nossa Senhora Éfeso 4ª Ed. Nr. 190)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Imaculada Conceição da Virgem Maria

Evangelho: Lc 1, 26-38

26 Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Gali­leia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. 28 Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». 29 Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. 30 O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; 31 eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. 32 Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; 33 reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim».34 Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?» .35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; 37 porque a Deus nada é impossivel». 38 Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Comentário:

Páginas e páginas foram escritas ao longo dos séculos sobre os acon­tecimentos aqui relatados. Algumas de grande beleza e elevação, outras de profunda meditação.

Nunca serão, no entanto, bastantes e suficientes, trata-se nada mais que o princípio do cumprimento das promessas divinas para a salva­ção da humanidade.

Tudo depende de uma simples e humilde jovem de Nazaré que embora escolhida por Deus desde ou principio dos tempos tem de dar o seu consentimento pessoal para aceitar cumprir esses menos desígnios divinos.

Deus respeita sumamente a liberdade humana como aqui fica comprovado e nem por conhecer o passado, o presente e o futuro passará por cima dessa liberdade individual que Ele próprio concedeu ao homem.

(ama, comentário sobre Lc 1, 26-38, 2016.04.04)






Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


PRIMEIRA PARTE


A PESSOA DE JESUS CRISTO


Capítulo II


A VINDA DO FILHO DE DEUS NA ECONOMIA DIVINA DA SALVAÇÃO

4. Anúncio da vinda do salvador, o Messias esperado


Como ninguém podia salvar-se depois do pecado original Senão Jesus Cristo, Deus anunciou a sua vinda repetidas vezes e preparou-a de muitas formas desde o princípio do mundo. O próprio Deus se encarregou de manter e reforçar essa esperança do salvador através da história d humanidade, ao mesmo tempo que ia revelando e precisando diferentes aspectos da figura e da vida do Messias prometido.


a) Promessas do Redentor


O proto-evangelho.


Depois do pecado dos nossos primeiros pais, Deus não abandonou os homens, antes imediatamente os levou à esperança da salvação. Com efeito Deus dirigiu à serpente estas palavras: «Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua linhagem e a sua linhagem; ele te pisará a cabeça, enquanto tu mordes o seu calcanhar» [i]. A este versículo do Génesis chama-se «proto-evangelho», precisamente porque constitui o primeiro anúncio e promessa da salvação.

O descendente da mulher que vencerá o demónio é o Redentor, Jesus Cristo. A mulher de que se fala é Eva no seu sentido imediato, e Maria em sentido pleno.


A promessa a Abraão.


Deus fez uma aliança com Abraão e fez-lhe a promessa de lhe dar não só uma terra, como fazê-lo pai de um grande povo, e que pela sua descendência seriam benditas todas as nações da terra [ii].


Deus renovou várias vezes a Abraão estas promessas [iii], que representam um anúncio da salvação universal por meio de um descendente seu, que será Jesus.


Confirmação e renovação da promessa.


Deus renovou a Aliança e a promessa com diferentes eleitos e foi concretizando a ascendência do Messias: não só será descendente de Abraão, como mais concretamente um descendente de Jacob [iv], e mais especificamente da tribo de Judá [v], e mais concretamente ainda da família de David [vi].


b) Profecias sobre o Messias rei


O filho de David.


O profeta Natán, em nome de Deus, promete a David que o Messias esperado desde os tempos mais antigos será seu descendente. E reinará para sempre, não só sobre Israel, mas sobre todos os povos [vii].


Na Bíblia aplica-se frequentemente a David o título de «ungido do senhor»; ele será o tipo por excelência de rei ungido no qual se cumprirá plenamente a promessa divina: o Messias, que será filho de David e rei de Israel, cujo reino não terá fim.


São muitas as profecias do Antigo Testamento sobre o Messias-rei, filho de David. Destaquemos só dois pelos aspectos particulares que assinalam:


Especial Filiação Divina do Messias: Salmo 2.


Este salmo messiânico descreve a rebelião das nações contra Deus e contra o seu Messias. Deus, pelo contrário, ri-se dos seus inimigos e anuncia que constituiu o Messias rei sobre Sião. Este Messias-rei promulga o decreto de Yahwé que encerra uma declaração de uma especial Filiação Divina: «Tu és o meu filho, eu hoje te gerei. Pede-me e dar-te-ei as gentes por herança, e as tuas possessões até aos confins da terra».


O Emanuel nascido de uma virgem.

Isaías transmite-nos uma série de profecias entre os capítulos 7 e 11 do seu livro, que se conhecem como o livro do Emanuel.


Ali se diz que o Messias-rei nascerá de uma virgem e se chamará Emanuel [viii], que significa «Deus connosco». Será grande e terá de modo eminente as virtudes de todas as grandes personagens da sua linhagem. Chamar-se-á também Deus Forte e Príncipe da paz [ix]. Este descendente de David estará cheio do espírito de Deus e fará com que reine entre os homens a justiça [x]. No Novo testamento é manifesto que se trata de Jesus que nascerá de Maria Virgem [xi].


5. Outras profecias acerca de Jesus


Há muitas outras profecias que se referem à pessoa e à obra de Cristo. Tendo só em conta ao Antigo Testamento tornar-se-ia difícil interpretar só algumas delas como referidas claramente ao Messias, mas à luz do Novo Testamento é transparente o seu significado messiânico. Vejamos só algumas delas.


a) Profecias sobre o Messias rei e profeta


Moisés sempre foi como que tipo e a figura de todos os profetas: ele falava com deus «face a face» [xii] e transmitia ao seu povo as palavras e os mandamentos de Yahwé. Pois bem, já desde antigamente se anunciou que Deus enviaria «outro profeta» como Moisés que ensinará e guiará o seu povo com as palavras de Deus [xiii].


Assim em algumas ocasiões anuncia-se um Messias que será rei e profeta simultaneamente, à semelhança de David, que teve ambas prerrogativas: o Messias será rei descendente de David e será ungido por Deus com o espírito dos profetas para anunciar a salvação aos homens [xiv]. Este é Jesus [xv], [xvi]

b) Profecias sobre o Messias rei e sacerdote

     Salmo 110/109,1-4). Neste salmo anuncia-se um Messias superior ao próprio David; o salvador será rei que dominará todos os inimigos e, ao mesmo tempo, será sacerdote do Altíssimo. Esta unidade de rei e sacerdote tem como que um protótipo em Melquisedec, rei de Salem, misterioso contemporâneo de Abraão (cf. Gen 14,18-19). O Messias será rei e sacerdote, mas o seu sacerdócio não é levítico, antes se trata de um diferente, misterioso e superior (cf. Heb 6,20-7,28).

c) Profecias sobre o sacrifício de Cristo

    Cantos sobre o Servo de Yahwé. No livro do profeta Isaías encontram-se quatro cantos sobre a missão redentora do Messias, que é chamado «Servo de Yahwé»[1]


O Servo é um eleito de Deus e objecto da sua complacência. Ele vai ser rei de justiça, e o seu reinado será universal. Será luz dos gentios e reconciliador dos povos. Deus elegeu-o desde o seio materno para fazer voltar os filhos de Israel e para levar a salvação até aos confins da terra. O Servo de Yahwé sofrerá a oposição e perseguição por parte do seu próprio povo, ainda que sendo inocente. Isaías narra o sofrimento e a morte do Servo, oferecido como sacrifício pela redenção de todos, de tal forma que reflecte de modo exacto e impressionante a Paixão e Morte de Jesus [xvii].


Salmo 22/21.

Começa com: «Deus meu, Deus meu, porque me abandonas-te?» que o Senhor recitou na cruz. E narra como o justo, perseguido por muitos inimigos e no meio de um grande sofrimento, recorre cheio de confiança a Deus. Não se trata do grito de angústia de um desesperado, mas da oração confiada do que se abandona nas mãos de Deus, e é escutado. Termina com a vinda do reino de Deus ao mundo, a salvação universal, como fruto dos sofrimentos do justo que pede que voltem a Yahwé todas as famílias das nações. Este salmo messiânico narra por antecipação muitos episódios concretos da Paixão de Cristo.


d) A figura do Filho do homem


O título «Filho do homem» procede do Antigo Testamento, em concreto do livro do profeta Daniel. Designa uma pessoa misteriosa e gloriosa que supera a condição humana e restaura definitivamente o reino messiânico [xviii].

Todavia. Convém notar que a expressão «filho de homem» (ben-adam) na época de Jesus indicava simplesmente «homem». Por isso Jesus, ao referir-se a si mesmo como Filho do homem, tentava esconder por detrás do véu do significado comum a acepção messiânica que essa locução tinha na profecia de Daniel. E ao mesmo tempo, quis corrigir uma concepção exclusivamente gloriosa do Messias, muito arreigada no pensamento hebreu, ao uni-la à sua condição humana e passível, pois anunciava que esse «Filho do homem» tem de padecer e dar a sua vida como resgate por todos [xix].


Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)



[1][1] Son: Is 42,1-9; 49,1-7; 50,4-9; 52,13-53,12.



[i] (Gen 3,15)
[ii] (cf. Gen 12,3)
[iii] Cf. Gen 13,14-17; 17,1-9; 18,17-19; 22,13-18.
[iv] (cf. Gen 28,12-14)
[v] (cf. Gen 49,9-11)
[vi] (cf. Sam 7,8-16); Sal 89/88,20-38)
[vii] (cf. 2 Sam 7,12-16)
[viii] (Is 7,14)
[ix] (cf. Is 9,5-6)
[x] (cf. Is 11,1 ss.)
[xi] (cf. Mt 1,23)
[xii] (Ex 33,11)
[xiii] (cf. Dt 18,15-19)
[xiv] (cf. Is 61,1-2)
[xv] (cf. Lc 4,18-21)
[xvi] Todavia, muitos judeus não entenderam a união rei-profeta e esperavam esse «profeta» excepcional e o Messias, como duas pessoas diferentes (cf. Jo 1,20-21; 7,40-41).
[xvii] (cf. Act 8,32-33)
[xviii] (cf. Dan 7,13-14)
[xix] (cf. Mt 17,12;20,28)

Los «cristeros» cubanos

Los «cristeros» cubanos, «una historia de héroes y mártires» bajo la larga dictadura de Fidel Castro


Pequena agenda do cristão



Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






07/12/2016

A nossa fortaleza é emprestada

Não sejas frouxo, mole. – Já é tempo de repelires essa estranha compaixão que sentes por ti mesmo. (Caminho, 193)

Falávamos antes de luta. Mas a luta exige treino, uma alimentação adequada, uma terapêutica urgente em caso de doença, de contusões, de feridas. Os Sacramentos, medicina principal da Igreja, não são supérfluos: quando se abandonam voluntariamente, não é possível dar um passo no caminho por onde se segue Cristo. Necessitamos deles como da respiração, como da circulação do sangue, como da luz, para poder apreciar em qualquer instante o que o Senhor quer de nós.


A ascética do cristão exige fortaleza; e essa fortaleza encontra-a no Criador. Nós somos a obscuridade e Ele é resplendor claríssimo; somos a doença e Ele a saudável robustez; somos a escassez e Ele a infinita riqueza; somos a debilidade e Ele sustenta-nos, quia tu es, Deus, fortitudo mea, porque és sempre, ó meu Deus, a nossa fortaleza. Nada há nesta terra capaz de se opor ao brotar impaciente do Sangue redentor de Cristo. Mas a pequenez humana pode velar os olhos de modo a que não descortinem a grandeza divina. Daí a responsabilidade de todos os fiéis e especialmente dos que têm o ofício de dirigir – de servir – espiritualmente o Povo de Deus, de não fecharem as fontes da graça, de não se envergonharem da Cruz de Cristo. (Cristo que passa, 80)

Reflectindo - 213 (a)

Filme

Chega este momento da noite, a hora de jantar - que tanto pode ser às 18.30 como às 21.00 - e aqui estou eu, sozinho, com esta estranha sensação de estar a assistir a um filme que vi milhares de vezes e conheço de cor e salteado.

Não tenho remédio nem solução: vejo o filme uma vez mais!

Há, no entanto, algo muito bom!

Posso parar a bobina quando quero e retomar quando me der na gana.

Não sou nem director de cena nem actor ou pelo menos tento não ser, mas – de há dois anos para cá - simples espectador.

Basta-me.

Penso em tantos que na mesma situação que eu, não têm nenhum filme para ver, ou não vêem porque é filme de terror.

O meu não!

É um filme de amor.



(ama, reflexões, 2016.12.01)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Santo Ambrósio – Doutor da Igreja

Evangelho: Mt 11, 28-30

Naquele tempo, Jesus exclamou: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».

Comentário:

Quer queiramos quer não, aceitemos ou repudiamos, Deus é o nosso Senhor.

Criou-nos, mantém a nossa vida, pertence-lhe a decisão do momento da nossa morte.

Ignorar estas verdades é andar pela vida de olhos fechados e ouvidos moucos comparando-nos aos irracionais que não pensam nem domi­nam a vontade.

Para alguns, tal, é limitar a sua liberdade que tanto estimam e defen­dem, mas estão errados porque o Senhor apenas convida não impõe.

(ama, comentário sobre Mt 11, 28-30, 14.07.2016)






Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


PRIMEIRA PARTE


A PESSOA DE JESUS CRISTO


Capítulo II


A VINDA DO FILHO DE DEUS NA ECONOMIA DIVINA DA SALVAÇÃO


1. Para que veio o Filho de Deus ao mundo?


Para que quis Deus a Encarnação do seu Filho? A que o destinou? Que finalidade tem? Para responder a estas perguntas não temos outro caminho que acudir ao que o próprio Deus nos manifestou sobre os desígnios da sua vontade soberana. Portanto, vejamos o que nos diz a revelação.


a)   O Filho de Deus veio a mundo para salvar os homens.

O fim da Encarnação é a salvação dos homens. Assim o manifesta com clareza a Sagrada Escritura: o Filho de Deus veio «para que o mundo se salve por Ele» [i], «para ser salvador do mundo» [ii].


Isto é o que a Igreja confessa no Credo Niceno-Constatinopolitano: o Filho de Deus «por nós homens e pela nossa salvação baixou do céu, e por obra do Espírito Santo encarnou de Maria a Virgem e se fez homem».

Assim, pois, este é o amoroso desígnio divino: Deus, que «quer que todos os homens se salvem» [iii], decidiu que o seu Filho encarnasse para que, feito homem, fosse a causa da nossa salvação [iv].


Para entender um pouco mais este desígnio divino, convém recordar que depois do pecado original a natureza humana estava privada da vida divina e muito maltratada na sua condição; era preciso curá-la, repará-la, e comunicar-lhe a vida de Deus que tinha perdido. O homem precisava de ser salvo.

A salvação do homem, a libertação do mal, segundo o desígnio divino, compreende dois aspectos unidos: a libertação do pecado e a comunicação da vida divina. Estes dois aspectos são igualmente assinalados pela revelação e pela Tradição da Igreja como fins da vinda do Filho de Deus ao mundo. Vejamo-lo:


O Filho de Deus encarnou para nos livrar do pecado.

Assim o afirma a Sagrada Escritura: «Deus amou-nos e enviou-nos o seu Filho como propiciação dos nossos pecados» [v]; ou ainda, «Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores» [vi]; ou ainda, «O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido» [vii].


De qualquer forma a Tradição e o Magistério da Igreja ensinam que o Verbo se fez homem para «libertar o homem do pecado mediante os mistérios da sua carne»» [viii]


O filho de Deus encarnou-se para nos conseguir a vida eterna.


Assim o expressa a revelação: Deus enviou o seu Filho ao mundo para que este «não pereça, mas que tenha a vida eterna» [ix]. Ou, com outras formas equivalentes: «para fazer-nos partícipes da natureza divina» [x], ou «para que recebêssemos a adopção de filhos» [xi].

E a Tradição afirma: «Tal é a razão pela qual o Verbo se fez homem; e o Filho de Deus, Filho do homem: para que o homem ao entrar em comunhão com o Verbo e ao receber assim a Filiação Divina, se convertesse em filho de Deus» [xii]. O Verbo encarnou para nos conseguir a vida eterna, plenamente no céu e agora já pela graça.


b) Há outras razões para a sua vinda ao mundo, mas todas elas estão compreendidas na salvação dos homens ou a ela se ordenam.


Deus Pai, segundo a sua imensa benevolência, quis, além disso, facultar-nos através da Encarnação do seu Filho todos os meios para que melhor e mais convenientemente pudéssemos alcançar a salvação. Por isso à vinda do Filho de Deus ao mundo se lhe podem atribuir muitos outros bens ou fins que estão compreendidos nessa finalidade principal, ou a ela se ordenam [xiii]. POR exemplo:

O Verbo divino veio comunicar-nos pessoalmente a verdade, revelar-nos em si mesmo a Deus.


Ele diz-nos: «Vim a este mundo para dar testemunho da verdade» [xiv]. Ele é o Mediador e a plenitude da revelação divina: é o Mestre que nos revela Deus, e Ele é a própria Verdade [xv].


Veio fortalecer a nossa esperança e a mover-nos ao amor de Deus, pois a própria Encarnação manifesta o imenso amor que Deus nos tem.


«Nisto se manifestou o amor que Deus nos tem: em que Deus enviou ao mundo o seu Filho único para que vivamos por meio d’Ele» [xvi].


Veio para que de modo visível tenhamos n’Ele exemplo de vida e modelo de santidade.

O próprio Jesus nos diz: «Aprendei de mim» [xvii]. «Ele é, com efeito, o modelo das bem-aventuranças e a norma da nova lei» [xviii]


2. A salvação é obra da misericórdia divina e dom de Deus.


a) O homem, só com as suas forças naturais, não pode alcançar a salvação.


A revelação diz-nos que, depois do pecado original, todos os homens, judeus e gentios, tinham ficado privados da glória de Deus [xix], da amizade de Deus, e escravos do pecado [xx]. E ninguém podia ser justificado senão pela graça de Jesus Cristo.


«O que a revelação divina nos diz coincide com a experiência. O homem, com efeito, quando examina o seu coração comprova a sua inclinação para o mal e sente-se inundado por muitos males (…) Toda a vida humana, a individual e a colectiva, apresenta-se como uma luta, e por certo dramática, entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. Mas todavia, o homem sente-se incapaz de dominar com eficácia por si só os ataques do mal, até ao ponto de se sentir como que aferrolhado entre cadeias» [xxi]


E «ninguém, por si mesmo e com as suas próprias forças, consegue libertar-se do pecado e elevar-se ao alto; ninguém se livra totalmente da sua debilidade, (…) da sua escravidão» [xxii]


Podemos entender melhor esta realidade se nos damos conta que o pecado traz consigo a privação da graça sobrenatural juntamente com o afastamento e oposição da vontade humana no quem respeita a Deus. E unicamente Deus pode conceder de novo a graça que tira o pecado do homem [xxiii], convertendo o coração humano ao amor divino e voltando a dar-lhe a vida sobrenatural da graça.


b) A Encarnação é obra do amor e da misericórdia de Deus


Já sabemos que a única causa ou motivo do querer divino é a sua bondade. Assim, pois, Deus Pai, movido pelo seu amor benevolente e a sua infinita misericórdia, decidiu salvar o homem mediante o envio do seu Filho ao mundo: «Quando se manifestou a vontade de Deus nosso Salvador e o seu amor aos homens, salvou-nos, não por obras de justiça que nós tivéssemos feito, mas sim pela sua misericórdia (…) por meio de Jesus Cristo nosso salvador, para que, justificados pela sua graça, fossemos constituídos herdeiros da vida eterna que esperamos» [xxiv].

A Encarnação do Filho de Deus é fruto da misericórdia divina, isto é, de um amor de Deus que é maior que os nossos pecados e que procura remediar a miséria da humanidade, que se encontrava num estado muito penoso e desgraçado. Deus, que é clemente e compassivo [xxv] e «rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, ainda que estivéssemos mortos por causa dos nossos pecados, deu-nos a vida em Cristo» [xxvi]. «A Encarnação do Verbo é a demonstração por excelência da misericórdia de Deus para com os homen[xxvii].


Assim, pois, neste desígnio divino tudo é dom, tudo é dádiva, tudo é gratuito. A iniciativa é de Deus Pai; e, seguindo a compassiva disposição do Pai, o Filho de Deus rebaixa-se e vem a este mundo para curar a nossa doença, para iluminar a nossa cegueira, para nos libertar da escravidão, para nos dar a vida.


c) Liberdade divina na Encarnação


Deus, movido pelo seu amor misericordioso para connosco, quis salvar-nos e determinou o modo de o fazer: mediante a Encarnação do seu Filho. Esta decisão do beneplácito da vontade divina é absolutamente livre e gratuita, não é exigida por nada, pois Deus é sempre Senhor de tudo e não pode ter nenhum tipo de necessidade ou de condicionamento no seu actuar.


A vinda do Filho de Deus ao mundo não era necessária para a salvação do homem uma vez que Deus nos poderia ter salvado de muitas outras formas. Por exemplo, podia ter-nos libertado dos pecados infundindo directamente a sua graça nos homens sem que mediasse a Encarnação, pois a justiça divina não tem necessidade de exigir uma reparação do pecado para poder perdoar; nesse caso o perdão não seria injusto, pois a ninguém faria injúria, mas sim somente misericordioso [xxviii]


O caminho que Deus elegeu para nos salvar, a Encarnação do Verbo, é na verdade muito conveniente para o homem, como vimos ao falar dos bens que nos consegue, e é coerente com a sabedoria e o amor divinos, mas não podemos dizer que fosse necessário para Deus.


3. O nome de «Jesus»


O nome quer dizer em hebreu «Deus salva» ou «Salvador». O próprio Deus o impôs ao seu Filho feito homem como nome próprio: assim o anunciou a Maria [xxix], e depois a José [xxx]. Este nome expressa ao mesmo tempo a sua identidade e a sua missão: Ele é Deus, E Ele «salvará o seu povo dos seus pecados» [xxxi].


Sabemos que o título de «salvador» se deu na antiguidade a deuses pagãos e a reis ou imperadores. Ao invés, na Bíblia atribui-se a Deus que salva o seu povo da escravidão do Egipto, liberta-o do cativeiro da Babilónia e de outros males.


Mas também temos de dizer que não era raro pôr o nome de Jesus aos israelitas, como vemos no caço de Josué, ou no caso de Jesus o filho de Sirah, que foi o compilador do livro da Sirácida (Eclesiástico), ou outros mais. Este nome, todavia, não possuiu nunca a plenitude de significado que teve em Jesus de Nazaré, pois Ele trouxe a liberdade definitiva do domínio do pecado e da morte, e a salvação eterna a todos os homens de todos os tempos.


Este é o nome que enche de esperança os homens de todos os tempos; que enche de doçura o pensamento e de alegria o coração de cada um dos mortais. «O nome de Jesus está no coração da prece cristã Todas as orações litúrgicas acabam com a fórmula ‘Per Dominum Nostrum Iesum Christum…’ (‘Por Nosso Senhor Jesus Cristo…’) (…) Numerosos cristãos morem, como santa Joana d’Arc, tendo nos seus lábios uma única palavra: ‘Jesus’» [xxxii].

Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)




[i] (Jo 3,17)
[ii] (1 Jo 3,17)
[iii] (1 Tim 2,5)
[iv] (cf. Heb 5,9)
[v] (1 Jo 4,10)
[vi] (1 Tim 1,15)
[vii] (Lc 19,10)
[viii] LG, 55; entre muitos outros testemunhos.
[ix] (Jo 3,16)
[x] (2 Pd 1,4)
[xi] (Gal 4,5)
[xii] S. IRENEU, Adversus haereses, 3,19,1. Cf. CCE, 460.
[xiii] C. S. TOMÁS DE AQUINO, Summa theologiae, (S. TH.) III,1,2.
[xiv] (Jo 18,37)
[xv] (cf. Jo 14,6)
[xvi] (1 Jo 4,9)
[xvii] (Mt 11,29)
[xviii] CCE, 459.
[xix] (cf. Rom 3,9.23)
[xx] (cf. Rom 6,20)
[xxi] GS 13.
[xxii] CONC. VATIXCANO II, Ad gentes, 8.
[xxiii] (cf. Mc 2,5-12)
[xxiv] (Tit 3,4-7)
[xxv] (cf. Sal 111/110,4)
[xxvi] (Ef 2,4)
[xxvii] (cf. Jo 3,16)
[xxviii] Cf. S. Th. III, 46,2 ad 3.
[xxix] (cf. Lc 1,31)
[xxx] (cf. Mt 12-21)
[xxxi] (Mt 1,21)
[xxxii] CCE, 435.