14/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 14 de Maio


São Josemaria – Textos

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 15 9-17, Ernesto Juliá Diaz

AMA - Meditações de Maio – 2015


Agenda Quinta-Feira

Senhor, se quiseres podes curar-me

Não tenhas dúvidas: o coração foi criado para amar. Metamos, pois, Nosso Senhor Jesus Cristo em todos os nossos amores. Senão, o coração vazio vinga-se, e enche-se das baixezas mais desprezíveis. (Sulco, 800)

Como poderemos dirigir-nos a Ele, como falar-Lhe, como comportar-nos?

A vida cristã não está feita de normas rígidas, porque o Espírito Santo não dirige as almas massivamente, mas infundindo em cada uma delas propósitos, inspirações e afectos que ajudarão a captar e a cumprir a vontade do Pai. Penso, no entanto, que em muitas ocasiões o nervo do nosso diálogo com Cristo, na acção de graças depois da Santa Missa, pode ser a consideração de que o Senhor é para nós, Rei, Médico, Mestre e Amigo.. (...)


É Médico e cura o nosso egoísmo, se deixarmos que a sua graça penetre até ao fundo da nossa alma. Jesus disse-nos que a pior doença é a hipocrisia, o orgulho que nos faz dissimular os nossos pecados. Com o Médico, é imprescindível, pela nossa parte, uma sinceridade absoluta, explicar-lhe toda a verdade e dizer: Domine, si vis, potes me mundare, Senhor, se quiseres – e Tu queres sempre – podes curar-me. Tu conheces as minhas fraquezas, tenho estes sintomas e estas debilidades. Mostramos-lhe também com toda a simplicidade as chagas e o pus, no caso de haver pus. Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz com que, ao ter-Te no meu peito ou ao contemplar-Te no Sacrário, Te reconheça como Médico divino. (Cristo que passa, nn. 92–93)

Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)


Semana VI da Páscoa


São Matias – Apóstolo

Evangelho: Jo 15 9-17

9 Como o Pai Me amou, assim Eu vos amei. Permanecei no Meu amor. 10 Se observardes os Meus preceitos, permanecereis no Meu amor, como Eu observei os preceitos de Meu Pai e permaneço no Seu amor. 11 Disse-vos estas coisas, para que a Minha alegria esteja em vós e para que a vossa alegria seja completa. 12 «O Meu preceito é este: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei. 13 Não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos. 14 Vós sois Meus amigos se fizerdes o que vos mando. 15 Não mais vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de Meu Pai. 16 Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi, e vos destinei para que vades e deis fruto, e para que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo o que pedirdes a Meu Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda. 17 Isto vos mando: Amai-vos uns aos outros.

Comentário:

Podemos considerar duas passagens importantes contidas neste trecho do Evangelho de São João.

A primeira será muito consoladora já que o Senhor afirma que foi Ele Quem nos escolheu.
Assim de nos assaltar a dúvida dos merecimentos que possamos ter ou não para nos considerarmos como fazendo parte do Seu rebanho com todas as implicações que tal significa, o sabermos que Ele nos escolheu sabendo das nossas imperfeições e misérias é porque nos quer verdadeiramente tal como somos.

A segunda teremos uma vez mais a importância do amor a Deus - que é a plenitude do Amor - e o amor ao próximo, espelho e reflexo do Criador.

(ama, comentário sobre Jo  15, 9-17 2014,05.14)


Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE


XIII os mandamentos da lei de deus

…/4

o amor a deus na vida social

                Todavia o ser humano não é chamado a viver plenamente no âmbito da família.
Deus criou o homem em família e estabeleceu uma série de vínculos entre os homens que os levam a viver em comunidade, em relação vital.
Nenhum ser humano é uma ilha.
Tampouco uma família.
Nenhum ser humano nem nenhuma família nem sequer um grupo de famílias é completamente independente e autónomo em referência aos outros seres humanos.
        E essa vida social que permite o desenvolvimento do homem em todas as facetas do seu ser é a que normal e fecundo a que estão chamados a proteger o sétimo e o oitavo mandamentos: Não roubar, não mentir.
Não só a proteger mas também a tornar possível que se viva em amor e confiança mútuas de forma a garantir um desenvolvimento normal e fecundo em serviço de todos.
        Com efeito o não roubar os bens alheios, sejam eles quais forem: materiais, intelectuais, espirituais, familiares, sociais etc., assegura que cada ser humano possa cooperar na convivência familiar, social e política com o que lhe é próprio, além de empregar esses bens para a sua perfeição humana, natural e sobrenatural, para a glória de Deus.

Só Deus pode retirar os talentos que Ele próprio concedeu ao ser humano ainda que por vezes o homem se aproprie indevidamente dessa capacidade e, de certo modo, se roube a si próprio e roube a sociedade algo que lhe era devido.

        Tal acontece quando o homem se fecha no egoísmo, deixa de considerar o mandamento como um caminho para viver no amor face a Deus e aos homens, em serviço e para glória de Deus e em serviço dos homens e refere qualquer riqueza de qualquer tipo que tenha à sua disposição única e exclusivamente a si próprio, para a sua própria satisfação e prazer, quebrando assim a ordem estabelecida por Deus.

        O oitavo Mandamento, não mentir, é dirigido a que permaneça sempre a confiança entre os homens, a que essa confiança que torna possível a boa ordem do viver social, não se perca nem diminua.
A Desconfiança em Deus originou o primeiro pecado de Adão, e a desconfiança nos «filhos de Deus» destroça os vínculos indispensáveis que tornam possível aos homens conviver entre eles e com Deus.
        O mentir pressupõe sempre a persistência do pecado do paraíso e por isso se diz com propriedade que o diabo é é «o pai da mentira».

Vencido o pecado e vivendo já na ordem da redenção, o cristão é chamado a ser testemunho vivo da verdade do homem e da verdade de Deus.
Como os outros Mandamentos o seu enunciado negativo absoluto pressupõe uma clara afirmação positiva.
Um convite a que a linguagem esteja ao serviço dos planos amorosos de Deus sobre o mundo.

        Daí que a maior mentira que um discípulo de Cristo poe expressar, mais que nas suas palavras está por vezes na sua vida quando os seus actos não reflectem a Fé, a Esperança e a Caridade que a Graça deveria fazer crescer no seu espírito.
Assim no lo recorda São João:
«Se dizemos que estamos em comunhão com Ele e caminhamos nas trevas, mentimos e não actuamos conforme a verdade»[1].

os mandamentos contra os inimigos da caridade

Talvez pareça mais difícil de compreender a relação directa com a fé, com a esperança e com a caridade que os últimos preceitos do decálogo possam guardar.
E todavia, esses mandamentos, o nono e o décimo – não desejarás a mulher do teu próximo, não cobiçarás os bens alheios – previnem o homem contra os grandes inimigos da caridade e da esperança e por conseguinte, também da fé.

        È comum sublinhar tudo quanto no nono Mandamento tem uma relação mais directa com o que foi estabelecido no sexto, a propósito da pureza da carne e do espírito para manter e engrandecer a pureza de espírito com respeito à caridade, à sexualidade e à verdade.
Este aspecto do Mandamento reflecte-o o Catecismo com estas palavras:
«Os corações limpos designam o que a sua inteligência e a sua vontade ajustaram às exigências da santidade de Deus principalmente nos três domínios: a caridade, a castidade ou rectidão sexual, o amor à verdade à ortodoxia na fé»[2].

        Depois destas afirmações, também podemos concentrar a nossa atenção uma particularidade deste Mandamento que talvez fique mais a descoberto se se lê a versão que o Êxodo recolhe e que diz assim:
«Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu burro nem nada que seja do teu próximo»[3].

        Não parece muito ousado pensar que Deus está fazendo o homem considerar que não deve permitir que a inveja deite raízes na sua alma.
A cobiça e o desejo dos bens alheios supõem criticar Deus ter sido injusto ao criar-nos por ter feito uma má distribuição dos dons e fechar o coração do homem a viver o agradecimento pelo recebido.
Não aceitar, em suma, a ordem da criação constituída.

        O acusar Deus de injustiça e a falta de agradecimento que o acompanha são acções que originam directamente a inveja e são, portanto, contrárias à caridade e impedem que o amor faça crescer no homem a fé em Deus.
A inveja impede o homem de conseguir alcançar a «purificação do coração».

        Algo semelhante, ainda que de outro género, acontece com o estabelecido no décimo Mandamento.
O enunciado do preceito é bem claro e sem lugar a dúvidas:
«Não cobiçarás os bens alheios».
E a indicação dirige-se directamente contra a avareza.
«O décimo Mandamento proíbe a avareza e o desejo de uma apropriação imoderada dos bens terrenos»[4].

        Quando o homem centra os eus principais interesses nso bens terenos é lógico que descuide a perspectiva da vida eterna.
E , então, é natural que as raízes da esperança cristã murchem.
O verdadeiro sentido da criação e da vida, que não acaba aqui na terra, mas está completamente aberta à vida eterna, perde os seus contornos e os seus horizontes e o homem, em suma, abandona a vida da graça e com ela os planos de Deus sobre ele.
O avarento pensa só na terra, o seu olhar nunca alcança a vida eterna.

        A Fé, a Esperança e a Caridade crescem no homem quando a sua vida transcorre pelos caminhos assinalados nos Mandamentos do Decálogo.
Ao mesmo tempo, estes preceitos tornam possível que o homem se mantenha nessa manifestação de verdadeiro amor a Deus e à ordem estabelecida por Deus no mundo.

Ao viver os preceitos divinos que os Mandamentos encerram como caminhos da sua vida cristã, o homem descobre o amor com que Deus o ama e saboreia a verdade das palavras de Cristo:

        «Se me amais guardareis os meus mandamentos»[5].

       
(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[1] 1 Jo 1, 6
[2] Catecismo, n. 2518
[3] Êx 20, 27
[4] Catecismo, n. 2536
[5] Jo 14, 15

Meditações de Maio 14

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, Vida e doçura, Esperança nossa, A vós bradamos, Degredados filhos de Eva, A vós suspiramos, Gemendo e chorando, Neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, E depois deste desterro, Mostrai-nos Jesus,

Bendito fruto do vosso ventre,

O vosso ventre puríssimo deu a vida humana ao Filho de Deus.

Bênção do Céu, magnificência de Deus Uno e Trino que quis dar-nos a suprema honra de, por Ele, ser-mos convertidos em Seus filhos.


(ama, meditações de Maio, Salve Rainha, 2015)

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

13/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 13 de Maio

São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mt 12 46-50, Ernesto Juliá

JMA (diálogos com o meu eu)


Agenda Quarta-Feira

Cuidar das pequenas coisas

Cuidar das pequenas coisas constitui uma mortificação constante, caminho para tornar a vida mais agradável aos outros. (Sulco, 991)

Pensando naqueles que, à medida que o tempo passa, ainda se dedicam a sonhar –em sonhos vãos e pueris, como Tartarin de Tarascon com caçar leões nos corredores de casa, onde se calhar só há ratos e pouco mais, pensando neles, insisto, lembro a grandeza de actuar com espírito divino no cumprimento fiel das obrigações habituais de cada dia, com essas lutas que enchem Nosso Senhor de alegria e que só Ele e cada um de nós conhece.

Convençam-se de que normalmente não vão encontrar ocasiões para grandes façanhas, entre outros motivos porque não é habitual que surjam essas oportunidades. Pelo contrário, não faltam ocasiões de demonstrar o amor a Jesus Cristo, através do que é pequeno, do normal. (...)


Portanto, tu e eu vamos aproveitar até as oportunidades mais banais que se apresentarem à nossa volta, para santificá-las, para nos santificarmos e para santificar os que compartilham connosco os mesmos afãs quotidianos, sentindo nas nossas vidas o peso doce e sugestivo da co-redenção. (Amigos de Deus, nn. 8–9)

Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VI da Páscoa


Nossa Senhora de Fátima




Evangelho: Mt 12 46-50

46 Estando Ele ainda a falar ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos se achavam fora, desejando falar-Lhe. 47 Alguém disse-Lhe: «Tua mãe e Teus irmãos estão ali fora e desejam falar-Te». 48 Ele, porém, respondeu ao que falava: «Quem é a Minha mãe e quem são os Meus irmãos?» 49 E, estendendo a mão para os Seus discípulos, disse: «Eis Minha mãe e Meus irmãos. 50 Porque todo aquele que fizer a vontade de Meu Pai que está nos céus, esse é Meu irmão e Minha irmã e Minha mãe».

Comentário:

A alguns pode parecer que há frieza ou distanciamento de Jesus nas relações com a Sua Mãe.
Nada mais errado!

Vejamos de outro ângulo: Jesus compara-nos, considera-nos como Sua família muito próxima, na realidade como a Sua própria Mãe, os Seus irmãos.
É na verdade o nosso estatuto quando, como eles, fazemos a vontade de Deus.

(ama, comentário sobre MT 12. 46-50 2014.05.13


Leitura espiritual


a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE


XIII os mandamentos da lei de deus

…/3

os mandamentos do amor á vida humana


Os mandamentos quarto, quinto e sexto recordam ao homem o plano divino respeitante ao mistério da vida e confiam-lhe a tarefa de o custodiar e lavá-lo a cabo no amor de Deus e movidos pelo amor de Deus.

«No princípio…, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, varão e fêmea os criou. E Deus abençou-os e disse-lhes: Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra e submtei-a, dominai os peixes do mar, as aves do céu e todo o animal que serpenteia sobre a terra»[i]

O mandamento sobre o amor que vincula os esposos entre si, aos pais com os filhos e os filhos com os seus pais e seus irmãos e depois, como que por extensão do vínculo familiar, a cada ser humano com os outros, está na origem da criação e também na origem do viver a redenção.

E está num sentido duplo.
Deus criou o mundo e o homem por amor e o seu desejo consiste em que também por amor o universo se desenvolva e cresça.
Um amor que torna possível que o homem percorra o seu amor na terra com o olhar no céu.

Para que isto tenha lugar se mantenha sempre vivo no mundo é preciso que o amor com que Deus criou o universo.
E a família originada no amor de um homem e de uma mulher recebe o encargo de ser o lar desse Deus escondido na criação, esse amor que «move o Sol e as outras estrelas».

Deus criou por amor e anseia que o ser humano – na união de varão e mulher – coopere com Ele para que o amor continue movendo o mundo.
No amor vivido entre a esposa e o esposo sustém-se o mandamento do «Crescei e multiplicai-vos» e assim os que são engendrados pelo amor dos seus pais «filhos do homem» serão por amor de Deus um dia constituídos em «filhos de Deus» e os que ao nascer viram com os seus olhos os seus pais na terra terão a capacidade de um dia ver no céu o seu Pai Deus.

É na família que o homem aprende a amar e prepara o seu espírito para entender que o amor é serviço, entrega, sacrifício, doação, generosidade, alegria de partilhar…
Só assim a criação continuará a ser movida pelo amor de Deus vivido do amor do homem na família.
Pa isto tende este Mandamento que torna possível que também as famílias sem filhos engendrem amor em serviço de toda a criação.

O facto de que o Senhor tenha querido nascer na terra no seio da família de Nazareth que tenha querido começar o seu ministério público com as bodas de Caná onde «Jesus deu começo aos seus sinais» e manifestou a sua glória e os seus discípulos acreditaram nele»[ii] sublinha a missão de renovar e e de originar o amor que Deus confiou à família e também no tornar possível a Redenção, ao longo do sáculos.

O quinto Mandamento apresenta a vida do homem na sua verdadeira dimensão ante Deus,

Desde o começo, ao pedir contas a Caim da morte do seu irmão Abel, o Senhor condena qualquer atentado contra a vida de cada ser humano.
E contra a vida vista na sua totalidade desde a concepção e incluídos todos os pormenores que tornam a vida humana inimitável, irrepetível, única.

Não têm lugar manipulações nem mutilações nem mudanças que modifiquem a própria unicidade e personalidade de cada ser humano, salveo, entenda-se, os que facilitam as melhoras, a cura, de detalhes que, na sua modificação, permitam à pessoa levar adiante com mais plenitude o desenvolvimento das riquezas de toda a ordem, corporais e espirituais, recebidas de Deus.

«Algumas tentativas de intervenção no património cromossómico e genético não são terapêuticos mas perseguem a produção de seres humanos seleccionados quanto ao sexo ou outras qualidades pre-fixadas.
Estas manipulações são contrárias à dignidade pessoal do ser humano, à sua integridade e à sua identidade»[iii]

A vida é o mistério original que relaciona Deus com o homem.
O homem não recebe a vida, não é um recipiente no qual Deus verte a vida
O homem é constituído em «ser vivente».
«Então, Yahvé Deus formou o homem com o pó da terra e insuflou-lhe alento e vida. E o homem troneou-se um ser vivente»[iv].

A riqueza deste mistério fica sempre guardada entre Deus e o homem.

«A vida humana é sagrada porque desde o seu início é fruto da acção criadora de Deus e permanece sempre numa relação especial com Criador, seu único fim.
Só Deus é Senhor da vida desde o seu começo até ao seu termo: ninguém em nenhuma circunstância pode atribuir-se o direito de matar de modo directo um ser humano inocente»[v].

Este mandamento de salvaguardar a vida desde a sua concepção – não matar, não abortar – até ao seu fim natural também se dirige a cada ser humano no que respeita a si próprio, à sua própria vida e consequentemente exclui a eutanásia e o suicídio.

E dentro da indicação do Senhor de guardar o mundo e de levar por diante o plano da criação, encontramos o Sexto Mandamento do Decálogo tantas vezes entendido e explicado num sentido marcadamente reductor como se houvesse algo menos claro e límpido na sexualidade do ser humano ou que a sexualidade fosse um obstáculo para desenvolver a vida divina da Graça que o mesmo Senhor a todos oferece e convida a viver.

O sexto mandamento, pelo contrário, é em primeiro lugar um convite a viver as relações dos seres humanos quando se encontram como homem e mulher em plena harmonia com o amor de Deus e o amor que hão-de ter uns aos outros.

O encontro será diferente segundo o estado de cada um: virgens, casados e viúvos, sendo a castidade «a integração conseguida na sexualidade na pessoa e, portanto, na unidade interior do homem no seu ser corporal e espiritual»[vi].

Essa integração consegue-se logicamente de forma diferente na situação pessoal de cada ser humano como ceremos ao tratar dos Frutos do Espírito Santo.

Podemos sublinhar que o significado original da sexualidade traz consigo em primeiro lugar o convite de Deus ao homem para que chegue a mar em corpo e alma, humana e divinamente, a ordem que o próprio Deus estabeleceu no amor humano quando vivido por um homem e uma mulher no matrimónio se criaa família.

«Deus é amor e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor
Criando-a à sua imagem… Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação e por conseguinte a capacidade e responsabilidade do amor e da comunhão»[vii].

O Senhor estabeleceu uma mudança neste mandamento quando disse:
«Ouvistes que foi dito: “Não cometerás adultério”, pois eu digo-vos: Todo o que olha uma mulher desejando-a já cometeu adultério com ela no seu coração»[viii].
Esta mudança supõe, por um lado, o novo modo de viver a sexualidade segundo o Espírito Santo e, de outro, o reconhecimento que a sexualidade se refere à totalidade da pessoa e não somente ao corpo.

«A sexualidade abrange todos os aspectos da pessoa humana na unidade do seu corpo e da sua alma.
Respeita particularmente à afectividade, à capacidade de amar e de procriar e de forma mais geral à aptidão de estabelecer vínculos de comunhão com outro»[ix].

Parece também óbvio assinalar que a sexualidade vivida na ordem estabelecida por Deus para o ser humano, como homem e como cristão, se realiza de forma diferente no matrimónio e no celibato sem por isso deixar de se a viver plenamente em abos os estados e também na virgindade.

O ser humano nunca abando a sua condição de ser sexuado.

Em qualquer situação quando é a pessoa na sua totalidade que actua sexualmente, está vivendo a ordem profunda da virtude da Caridade porque está amando Deus e os seres humanos, por Deus e segundo a ordem de Deus.

Nesta perspectiva a sexualidade vivida no matrimónio manifestará sempre o profundo amor de duas pessoas, homem e mulher e no sue caso, estará sempre aberta a possibilidade de que esse amor engendre uma nova criatura.

O quarto, o quinto e o Sexto Mandamentos por conseguinte formam um conjunto aos erviço da vida do homem, um conjunto ao serviço dos planos de Deus sobre a vida de cada homem.


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] Gn 1, 27-28
[ii] Jo 2, 11
[iii] Donum vitae, Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé, 22-11-1987.
[iv] Gn 2, 7
[v] Catecismo, n. 2258
[vi] Catecismo n. 2337
[vii] Catecismo, 231
[viii] Mt 5, 27-28
[ix] Catecismo, n. 2332