Evangelho, comentário L. Esp.
(A beleza de ser cristão) - A beleza de ser cristão
(Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho
Jo 6 41-45, Ernesto Juliá Diaz
Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
23/04/2015
Os frutos saborosos da alma mortificada
Estes são os saborosos frutos da alma mortificada: compreensão e
transigência para as misérias alheias; intransigência para as próprias. (Caminho 198)
Penitência é tratar sempre os outros com a maior caridade, começando
pelos teus. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes e os que
padecem. É responder com paciência aos maçadores e inoportunos. É interromper
ou modificar os nossos programas, quando as circunstâncias – sobretudo os
interesses bons e justos dos outros – assim o requerem.
A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas
contrariedades do dia; em não abandonar o trabalho, mesmo que no momento te
tenha passado o entusiasmo com que o começaste; em comer com agradecimento o
que nos servem, sem caprichos importunos. (Amigos de Deus, 138)
Pequena agenda do cristão
Quinta-Feira
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para meditar - 426
Reflectindo - 74
Uma das virtudes associadas à humildade, a modéstia é ao contrário do que possa pensar-se, muito difícil de conseguir.
Alguns consideram a modéstia como algo
parecido com apoucamento ou medo de dar mas vistas talvez até de vergonha.
Na realidade não tem nada a ver com isto
já que o modesto não tem qualquer receio de se expor em caso de necessidade
mas, sim, não procura a notoriedade por si mesma, quer dizer, para sua
autossatisfação ou engreijamento.
A modéstia é uma atitude, uma forma de
estar na vida sabendo o que se é e o papel que lhe cabe desempenhar na
sociedade fazendo-o o melhor que pode e sabe sem pretender ir além dos seus
próprios limites.
(ama,
reflexões, 2013.01.2014)
Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão)
Semana III da Páscoa
Evangelho:
Jo 6 41-51
41 Murmuravam então d'Ele os judeus, porque dissera:
«Eu sou o pão que desceu do céu».42 Diziam: «Porventura não é este aquele
Jesus, filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz Ele: Desci
do céu?». 43 Jesus, replicando, disse-lhes: «Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a Mim se o Pai que
Me enviou não o atrair; e Eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos
profetas: “E serão todos ensinados por Deus”. Portanto, todo aquele que ouve e
aprende do Pai, vem a Mim. 46 Não porque alguém tenha visto o Pai, excepto
Aquele que vem de Deus; Esse viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo: O
que crê em Mim tem a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Vossos pais
comeram o maná no deserto e morreram. 50 Este é o pão que desceu do céu para
que aquele que dele comer não morra. 51 Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem
comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu darei é a Minha carne para a
salvação do mundo».
Comentário:
Compreende-se a insistência da
liturgia na Eucaristia, na sua instituição por Jesus Cristo e as repetidas
vezes que fala do “Pão do Céu”.
O Sacramento Eucarístico é o maior e
mais valioso legado de Cristo: ficar presente de forma real na nossa vida,
sempre à nossa disposição para servir-nos de alimento, conforto e coragem no
caminho para a vida eterna
(ama,
comentário sobre Jo 6, 44-51, 2014.05.08)
Leitura espiritual
a beleza de
ser cristão
PRIMEIRA PARTE
O QUE É SER CRISTÃO?
I.
Relações que Deus estabelece com o homem.
…/9
VI . a redenção
Depois
de ter visto os planos de Deus na criação e na oposição d homem ao querer de
Deus manifestada no pecado, é agora a altura de considerar a reacção de Deus
ante o pecado do homem. Esta resposta de Deus ao pecado do homem constitui o
que denominámos segunda relação de Deus com os homens: a Redenção.
Deus
não permite que a obra da criação que Ele iniciou no Amor fique destroçada pelo
pecado do homem.
Depois da queda no paraíso, Deus não
rejeita o homem nem o abandona à sua sorte, como aconteceu com os anjos
rebeldes.
A natureza do homem é mais frágil que a do
anjo, e a visão da grandeza e da majestade de Deus de que o ser humano goza, é
mais débil e imprecisa.
A
liberdade do anjo, pela clareza da sua visão de Deus, levava consigo uma
responsabilidade maior na sua decisão.
De facto, o mal realizado pelos anjos é
irreparável.
Não
é assim no caso do homem.
Deus, depois de o por ante o seu pecado,
não o amaldiçoa.
Amaldiçoa, ao invés, Satanás e prepara a
recuperação do homem. Podemos dizer que o plano original da criação do ser
humano e a sua finalidade na criação - «que o homem conhecesse, amasse e
servisse a Deus nesta terra e o gozasse para sempre no céu” - não sofrem
nenhuma mutação pelo pecado. Muda, todavia, o modo de ser levada a cabo, e
mudam e enriquecem-se os caminhos de que o homem vai dispor para a sua
realização.[i]
Uma
vez mais, Deus toma a iniciativa e recria o homem - «nova criatura” -
introduzindo nele uma perspectiva que não se esgota no gozo do paraíso e o seu
cuidado.
Parece como se o Criador quisesse
«corrigir” o que poderíamos chamar um erro de cálculo na primeira criação.
Houve realmente um erro de cálculo que
tenha propiciado o pecado do homem?
Deus sonhou demasiado com o homem?
A criatura humana era demasiado frágil
para a grandeza que Deus depositou nela?
O coração do homem podia realmente
suportar e gozar na imensidade do amor de Deus?
Sou
consciente de que estas perguntas são uma ousadia diante de Deus e que as
repostas elaboradas somente com a inteligência humana seriam Sim, excepto a
última, que exigiria um Não, se as outras são, efectivamente, Sim.
Mas
talvez seja necessário fazê-las se queremos alguma vez descobrir, ou pelo menos
vislumbrar, o amor com o qual Deus criou o mundo, o homem; amor que fica tão
escondido e tão difícil de apreciar, ante as misérias, as dores, as penas que
afloram à superfície de qualquer vida humana, também, as dos santos.
Deus
introduziu uma determinada correcção na segunda criação.
Viu que não era suficiente dotar Adão de
uma série de dons e com eles conceder-lhe uma certa plenitude natural.
Já desde o princípio decidiu levar a cabo
o plano inicial de adoptar o homem como seu filho.
Agora melhora a adopção, fazendo-o filho
no seu próprio Filho Unigénito.
Desta
forma, o homem não só se aproxima mais intimamente de Deus, como recebe, de
certo modo, uma participação na própria natureza divina.
E isto comportou a Encarnação do Filho de
Deus.
Esta
participação é o que nós cristãos chamamos Graça, e
que estudaremos mais adiante.
O
ser humano, na sua condição de criatura, goza, sim, de uma pré-disposição
natural para receber a luz de Deus, fruto do seu ser «imagem e semelhança” de
Deus e seu filho.
Essa recepção da luz, todavia, nem sempre
tem consigo o fazer germinar imediatamente, nem por si, nenhum fruto no seu
espírito.
O homem há-de aprender, e ser ajudado na
sua aprendizagem, a exercitar a sua liberdade, a ser livre, para livremente
procurar Deus e amá-lo livremente.
A
experiência criatural de Adão foi muito significativa e permite-nos melhor a
nossa situação, consequência não só da fragilidade própria da natureza humana,
mas também da acção do pecado na nossa alma.
Adão,
antes do pecado e na plenitude e na integridade da sua condição de criatura,
desconfia da palavra de Deus, não obstante ter passeado com Ele, ao entardecer,
no paraíso.
Usou mal a sua liberdade e amou pouco,
porque ninguém desconfia da pessoa amada nem desobedece às suas indicações.
Depois do pecado, pretende ocultar-se do
olhar de Deus, como se procurasse na sombra, no anonimato, na obscuridade, o
estar seguro face a Deus e a salvo de um possível castigo.
Porque
temeu Adão que Deus o castigasse?
O ter comido
do fruto proibido da árvore da ciência do bem e do mal era motivo suficiente
para o homem enfrentar Deus?
Acaso não se
tinha enfrentado já antes de o comer, com o simples desejo de o desejar?
O pecado de
Adão é anterior a comer o fruto; e isso quer dizer que já tinha nele a ciência
do bem e do mal.
Talvez
não seja demasiada ousadia pensar que o primeiro pecado do homem, com a
desconfiança para com Deus seguida da desobediência, tenha consistido na
rebelião de não aceitar os limites da sua condução de criatura.
O pensar «ser como deuses” é uma tentação
que parece estar fora do alcance da compreensão de Adão.
Não está, todavia, o anseio de se libertar
dos seus limites e o sonho de poder consegui-lo, com as suas forças e com a
ajuda da «serpente”.
«Yavé
Deus fez para o homem e a sua mulher túnicas de pele e vestiu-os. E disse: Heis
aqui que o homem veio a ser como um de nós, no que respeita a conhecer o bem e
o mal! Agora, pois, não estenda a sua mão e tome também da árvore da vida e
comendo dela viva para sempre”.[ii]
Estas
palavras de Deus ao preparar a expulsão de Adão e Eva do paraíso aparecem na
Escritura depois do anúncio do Redentor e, mais que cheias de um sentido
irónico que alguns querem ver, podemos considerá-las como a descoberta do mal
que o homem fez a si próprio que Deus nos descobre; mal que Deus vai pretender
sanar e curar, restaurando no homem na sua verdadeira condição com o novo
vínculo oculto nas palavra da promessa já anunciada: a Redenção.
Se
o homem «veio a ser como um de nós», e o Senhor consciente que o homem não está
em condições d suportar essa «nova condição», porque nunca se poderá converter
em juiz último do bem e do mal, Deus decide
fazer-se «uma das suas criaturas», para na verdade abrir ao homem o sentido da
árvore da vida.
Jesus Cristo manifestou-no-lo sem peias ao
afirmara de sei próprio: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”[iii].
E
com essas palavras descobre-nos o pleno sentido do desígnio original de Deus ao
criara o homem.
Desígnio que, insistimos, Deus não
suprimiu nem rebaixou por causa do pecado original, mas que, mantendo-o intacto,
o elevou ao modo, ao caminho, para o levar a cabo; o homem contará com a
própria vida de Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem.
“Fomos
constituídos filhos de Deus. Com esta livre decisão divina, a dignidade natural
do homem elevou-se incomparavelmente e, se o pecado destrui-o este prodígio, a
Redenção reconstrui-o de modo ainda mais admirável; levando-nos todavia a
participar mais estreitamente da filiação divina”.[iv]
Deus
tinha criado o ser humano “à sua imagem e semelhança” para o adoptar como
filho. Depois do pecado quer redimi-lo, convertendo-o em «seu filho” em seu
Filho, Jesus Cristo.
E
no mesmo instante da sua queda, anuncia a chegada de um redentor. «Ponho
inimizade perpétua entre ti e a mulher e entre a tua linhagem e a sua; esta te
esmagará a cabeça e tu mordê-la-ás no calcanhar.[v]
O
Redentor é Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim podemos dizer, sem deixar de sempre
considerar que Deus é Uno e Trino e que o homem se relaciona sempre coma
Santíssima Trindade, que, se a criação é o vínculo do homem com Deus Pai, a
Redenção é o vínculo do homem com Deus Filho. O ser «imagem e semelhança e
filho adoptivo” converte-se em “ser filho de Deus na Graça de Cristo”, na
riqueza definitiva da criatura: a «filiação divina”, pela Graça, sem por isso
deixar de ser ”filho adoptivo”.
Para
melhor entender o verdadeiro alcance desta relação da Redenção e chegar a
vislumbrar os planos de Deus com os homens, parece oportuno pararmos a
reflectir sobre os motivos que acompanharam o amor da Segunda Pessoa da
Santíssima Trindade que, na sua vinda à terra, se «diminui-o a si mesmo tomando
condição de servo, tornando-se semelhante aos homens».[vi]
Assim poderemos compreender um pouco melhor o alcance do amor que Deus Pai,
Filho e Espírito Santo tem ao ser humano.
(cont)
ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)
Pequena agenda do cristão
Quinta-Feira
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
22/04/2015
2015.04.22
Temas para meditar - 425 - Hom (São João Damasceno), Santíssima Virgem., São João Damasceno
Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão) - A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 6 35-40, Ernesto Juliá Diaz
Quer que sejamos muito humano e muito divinos
Há muitos anos já que vi com clareza meridiana um critério que
será sempre válido: o ambiente da sociedade, com o seu afastamento da fé e da
moral cristãs, necessita de uma nova forma de viver e de propagar a verdade
eterna do Evangelho. No próprio cerne da sociedade, do mundo, os filhos de Deus
hão-de brilhar pelas suas virtudes como lanternas na escuridão, "quasi
lucernae lucentes in caliginoso loco". (Sulco, 318)
Se aceitarmos a nossa responsabilidade de filhos de Deus,
saberemos que Ele quer que sejamos muito humanos. A cabeça pode tocar o céu,
mas os pés assentam na terra, com segurança. O preço de se viver cristãmente
não é nem deixar de ser homem nem abdicar do esforço por adquirir essas
virtudes que alguns têm, mesmo sem conhecerem Cristo. O preço de todo o cristão
é o Sangue redentor de Nosso Senhor, que nos quer – insisto – muito humanos e
muito divinos, com o empenho diário de O imitar, pois é perfectus Deus, perfectus
homo.
Talvez não seja capaz de dizer qual é a principal virtude humana.
Depende muito do ponto de vista de que se parta. Além disso, a questão torna-se
ociosa, porque não se trata de praticar uma ou várias virtudes. É preciso lutar
por adquiri-las e praticá-las todas. Cada uma de per si entrelaça-se com as
outras e, assim, o esforço por sermos sinceros, por exemplo, torna-nos justos,
alegres, prudentes, serenos.
Precisamos, ao mesmo tempo, de considerar que a decisão e a responsabilidade
residem na liberdade pessoal de cada um e, por isso, as virtudes são também
radicalmente pessoais, da pessoa. No entanto, nessa batalha de amor ninguém
luta sozinho – ninguém é um verso solto, costumo repetir –: de certo modo, ou
nos ajudamos ou nos prejudicamos. Todos somos elos de uma mesma cadeia. Pede agora
comigo a Deus Nosso Senhor, que essa cadeia, nos prenda ao seu Coração, até
chegar o dia de O contemplar face a face, no Céu, para sempre. (Amigos de Deus, 75–76)
Temas para meditar - 425
Virgem Santíssima
Nossa Senhora é descanso para os que trabalham, consolo para os que choram, remédio para os doentes, porta para os que a tempestade mal trata, perdão para os pecadores, doce alívio dos tristes, socorro do que lhe imploram.
(são joão damasceno, Homília no Adormecimento da Santíssima Virgem Maria)
Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão)
Semana III da Páscoa
Evangelho:
Jo 6 35-40
35
Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida; aquele que vem a Mim não terá
jamais fome, e aquele que crê em Mim não terá jamais sede. 36 Porém, já vos
disse que vós Me vistes e que não credes. 37 Tudo o que o Pai Me dá virá a Mim;
e aquele que vem a Mim não o lançarei fora. 38 Porque desci do céu não para
fazer a Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou. 39 Ora a vontade
d'Aquele que Me enviou é que Eu não perca nada do que Me deu, mas que o
ressuscite no último dia. 40 A vontade de Meu Pai que Me enviou é que todo o
que vê o Filho e crê n'Ele tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último
dia».
Comentário:
São João continua o
discurso de Jesus sobre a Sua missão aquela que O Pai O encarregou de levar a
cabo.
Quer deixar bem claro que
Jesus é o Salvador e Redentor da humanidade e a forma como esta terá de agir e
o caminho que terá de percorrer para conseguir essa meta
Assim, Jesus quer deixar
bem clara e inequívoca a realidade da união intima entre O Pai e O Filho de tal
forma que afirmará claramente:
O Pai e Eu somos Um!
(ama, comentário sobre Jo 6, 35-40, 2014.35.07)
Leitura espiritual
a beleza de
ser cristão
PRIMEIRA PARTE
O QUE É SER CRISTÃO?
I.
Relações que Deus estabelece com o homem.
…/9
VI. a redenção
Depois
de ter visto os planos de Deus na criação e na oposição d homem ao querer de
Deus manifestada no pecado, é agora a altura de considerar a reacção de Deus
ante o pecado do homem. Esta resposta de Deus ao pecado do homem constitui o
que denominámos segunda relação de Deus com os homens: a Redenção.
Deus
não permite que a obra da criação que Ele iniciou no Amor fique destroçada pelo
pecado do homem.
Depois da queda no paraíso, Deus não
rejeita o homem nem o abandona à sua sorte, como aconteceu com os anjos
rebeldes.
A natureza do homem é mais frágil que a do
anjo, e a visão da grandeza e da majestade de Deus de que o ser humano goza, é
mais débil e imprecisa.
A
liberdade do anjo, pela clareza da sua visão de Deus, levava consigo uma
responsabilidade maior na sua decisão.
De facto, o mal realizado pelos anjos é
irreparável.
Não
é assim no caso do homem.
Deus, depois de o por ante o seu pecado,
não o amaldiçoa.
Amaldiçoa, ao invés, Satanás e prepara a
recuperação do homem. Podemos dizer que o plano original da criação do ser
humano e a sua finalidade na criação - «que o homem conhecesse, amasse e
servisse a Deus nesta terra e o gozasse para sempre no céu” - não sofrem
nenhuma mutação pelo pecado. Muda, todavia, o modo de ser levada a cabo, e
mudam e enriquecem-se os caminhos de que o homem vai dispor para a sua
realização.[i]
Uma
vez mais, Deus toma a iniciativa e recria o homem - «nova criatura” -
introduzindo nele uma perspectiva que não se esgota no gozo do paraíso e o seu
cuidado.
Parece como se o Criador quisesse
«corrigir” o que poderíamos chamar um erro de cálculo na primeira criação.
Houve realmente um erro de cálculo que
tenha propiciado o pecado do homem?
Deus sonhou demasiado com o homem?
A criatura humana era demasiado frágil
para a grandeza que Deus depositou nela?
O coração do homem podia realmente
suportar e gozar na imensidade do amor de Deus?
Sou
consciente de que estas perguntas são uma ousadia diante de Deus e que as
repostas elaboradas somente com a inteligência humana seriam Sim, excepto a
última, que exigiria um Não, se as outras são, efectivamente, Sim.
Mas
talvez seja necessário fazê-las se queremos alguma vez descobrir, ou pelo menos
vislumbrar, o amor com o qual Deus criou o mundo, o homem; amor que fica tão
escondido e tão difícil de apreciar, ante as misérias, as dores, as penas que
afloram à superfície de qualquer vida humana, também, as dos santos.
Deus
introduziu uma determinada correcção na segunda criação.
Viu que não era suficiente dotar Adão de
uma série de dons e com eles conceder-lhe uma certa plenitude natural.
Já desde o princípio decidiu levar a cabo
o plano inicial de adoptar o homem como seu filho.
Agora melhora a adopção, fazendo-o filho
no seu próprio Filho Unigénito.
Desta
forma, o homem não só se aproxima mais intimamente de Deus, como recebe, de
certo modo, uma participação na própria natureza divina.
E isto comportou a Encarnação do Filho de
Deus.
Esta
participação é o que nós cristãos chamamos Graça, e
que estudaremos mais adiante.
O
ser humano, na sua condição de criatura, goza, sim, de uma pré-disposição
natural para receber a luz de Deus, fruto do seu ser «imagem e semelhança” de
Deus e seu filho.
Essa recepção da luz, todavia, nem sempre
tem consigo o fazer germinar imediatamente, nem por si, nenhum fruto no seu
espírito.
O homem há-de aprender, e ser ajudado na
sua aprendizagem, a exercitar a sua liberdade, a ser livre, para livremente
procurar Deus e amá-lo livremente.
A
experiência criatural de Adão foi muito significativa e permite-nos melhor a
nossa situação, consequência não só da fragilidade própria da natureza humana,
mas também da acção do pecado na nossa alma.
Adão,
antes do pecado e na plenitude e na integridade da sua condição de criatura,
desconfia da palavra de Deus, não obstante ter passeado com Ele, ao entardecer,
no paraíso.
Usou mal a sua liberdade e amou pouco,
porque ninguém desconfia da pessoa amada nem desobedece às suas indicações.
Depois do pecado, pretende ocultar-se do
olhar de Deus, como se procurasse na sombra, no anonimato, na obscuridade, o
estar seguro face a Deus e a salvo de um possível castigo.
Porque
temeu Adão que Deus o castigasse?
O ter comido
do fruto proibido da árvore da ciência do bem e do mal era motivo suficiente
para o homem enfrentar Deus?
Acaso não se
tinha enfrentado já antes de o comer, com o simples desejo de o desejar?
O pecado de
Adão é anterior a comer o fruto; e isso quer dizer que já tinha nele a ciência
do bem e do mal.
Talvez
não seja demasiada ousadia pensar que o primeiro pecado do homem, com a
desconfiança para com Deus seguida da desobediência, tenha consistido na
rebelião de não aceitar os limites da sua condução de criatura.
O pensar «ser como deuses” é uma tentação
que parece estar fora do alcance da compreensão de Adão.
Não está, todavia, o anseio de se libertar
dos seus limites e o sonho de poder consegui-lo, com as suas forças e com a
ajuda da «serpente”.
«Yavé
Deus fez para o homem e a sua mulher túnicas de pele e vestiu-os. E disse: Heis
aqui que o homem veio a ser como um de nós, no que respeita a conhecer o bem e
o mal! Agora, pois, não estenda a sua mão e tome também da árvore da vida e
comendo dela viva para sempre”.[ii]
Estas
palavras de Deus ao preparar a expulsão de Adão e Eva do paraíso aparecem na
Escritura depois do anúncio do Redentor e, mais que cheias de um sentido
irónico que alguns querem ver, podemos considerá-las como a descoberta do mal
que o homem fez a si próprio que Deus nos descobre; mal que Deus vai pretender
sanar e curar, restaurando no homem na sua verdadeira condição com o novo
vínculo oculto nas palavra da promessa já anunciada: a Redenção.
Se
o homem «veio a ser como um de nós», e o Senhor consciente que o homem não está
em condições d suportar essa «nova condição», porque nunca se poderá converter
em juiz último do bem e do mal, Deus decide
fazer-se «uma das suas criaturas», para na verdade abrir ao homem o sentido da
árvore da vida.
Jesus Cristo manifestou-no-lo sem peias ao
afirmara de sei próprio: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”[iii].
E
com essas palavras descobre-nos o pleno sentido do desígnio original de Deus ao
criara o homem.
Desígnio que, insistimos, Deus não
suprimiu nem rebaixou por causa do pecado original, mas que, mantendo-o intacto,
o elevou ao modo, ao caminho, para o levar a cabo; o homem contará com a
própria vida de Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem.
“Fomos
constituídos filhos de Deus. Com esta livre decisão divina, a dignidade natural
do homem elevou-se incomparavelmente e, se o pecado destrui-o este prodígio, a
Redenção reconstrui-o de modo ainda mais admirável; levando-nos todavia a
participar mais estreitamente da filiação divina”.[iv]
Deus
tinha criado o ser humano “à sua imagem e semelhança” para o adoptar como
filho. Depois do pecado quer redimi-lo, convertendo-o em «seu filho” em seu
Filho, Jesus Cristo.
E
no mesmo instante da sua queda, anuncia a chegada de um redentor. «Ponho
inimizade perpétua entre ti e a mulher e entre a tua linhagem e a sua; esta te
esmagará a cabeça e tu mordê-la-ás no calcanhar.[v]
O
Redentor é Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim podemos dizer, sem deixar de sempre
considerar que Deus é Uno e Trino e que o homem se relaciona sempre coma
Santíssima Trindade, que, se a criação é o vínculo do homem com Deus Pai, a
Redenção é o vínculo do homem com Deus Filho. O ser «imagem e semelhança e
filho adoptivo” converte-se em “ser filho de Deus na Graça de Cristo”, na
riqueza definitiva da criatura: a «filiação divina”, pela Graça, sem por isso
deixar de ser ”filho adoptivo”.
Para
melhor entender o verdadeiro alcance desta relação da Redenção e chegar a
vislumbrar os planos de Deus com os homens, parece oportuno pararmos a
reflectir sobre os motivos que acompanharam o amor da Segunda Pessoa da
Santíssima Trindade que, na sua vinda à terra, se «diminui-o a si mesmo tomando
condição de servo, tornando-se semelhante aos homens».[vi]
Assim poderemos compreender um pouco melhor o alcance do amor que Deus Pai,
Filho e Espírito Santo tem ao ser humano.
(cont)
ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)
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