21/04/2015

2015.04.21








O que pode ver hoje em NUNC COEPI





Penitência é atender os que sofrem - São Josemaria – Textos

Temas para meditar - 424 - Oração de petição, Santo Agostinho

Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão) - A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 6 30-35, Ernesto Juliá Diaz

Bento VXI – Pensamentos espirituais 47 - Bento XVI - Pensamentos espirituais

Tratado do verbo encarnado 148 - Suma Teológica - Tratado do Verbo Encarnado - Quest 25 - Art 2, São Tomás de Aquino


Pequena agenda do cristão - Agenda Terça-Feira

Penitência é atender os que sofrem

Esta é a receita para o teu caminho de cristão: oração, penitência, trabalho sem descanso, com um cumprimento amoroso do dever. (Forja, 65)

E se agora não te ocorre como responder concretamente aos apelos divinos que se fazem ouvir no teu coração, ouve-me bem.

Penitência é o cumprimento exacto do horário que te fixaste, mesmo que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se com sonhos quiméricos. Penitência é levantares-te pontualmente. E também, não deixar para mais tarde, sem motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou custosa.


A penitência está em saber compaginar as tuas obrigações relativas a Deus, aos outros e a ti próprio, exigindo-te, de modo que consigas encontrar o tempo necessário para cada coisa. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares cansado, sem vontade ou frio. (Amigos de Deus, 138)

Temas para meditar - 424

Oração de petição 




Bem olha por ti quem não te dá, quando lho pedes, o que não te convém.






(santo agostinho, Sermão 126)

Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão)


Semana III da Páscoa


Evangelho: Jo 6 30-35

30 Mas eles disseram-Lhe: «Que milagre fazes Tu, para que o vejamos e acreditemos em Ti? Que fazes Tu? 31 Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo está escrito: “Deu-lhes a comer o pão do céu”». 32 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu, mas Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33 Porque o Pão de Deus é Aquele que desceu do céu e dá a vida ao mundo». 34 Então disseram-Lhe: «Senhor, dá-nos sempre desse pão». 35 Jesus respondeu-lhes: «Eu sou o pão da vida; aquele que vem a Mim não terá jamais fome, e aquele que crê em Mim não terá jamais sede.

Comentário:

Vejo-me tal como sou: nada, absolutamente. E tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
Eu, António, este pobre homem com pés de barro e vontade frágil, estou aqui na expectativa do momento sublime em que Te receberei meu Deus e Senhor.
Tenho o meu coração palpitando de alegria, confiança e amor.
Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes.
Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno!
Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse.
Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim. Amém.

(ama, preparação para a comunhão, 1987)

Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE

O QUE É SER CRISTÃO?

I.            Relações que Deus estabelece com o homem.

…/8

V. o pecado

        Que aconteceu no coração de Adão, para desobedecer ao mandato de Deus? «O homem, tentado pelo diabo, deixou morrer no seu coração a confiança para com o seu criador”.[i]

        Deus, além de criar Adão e Eva, à sua imagem e semelhança e adoptá-los como filhos, situou-os no paraíso, submeteu-lhe o resto da criação, como já vimos, fez um gesto que deveria ter aberto o coração de Adão e Eva ao amor de Deus.

        O Criador manifestou-lhes a sua proximidade e a confiança que depositava neles, como fica patente na afirmação recolhida no Génesis quando, depois do pecado, os primeiros pais «ouviram os passos do Senhor Deus, que passeava pelo jardim à brisa da tarde”[ii].

        Esse passeio de Deus ao entardecer no dia da queda não parece ter sido um facto isolado. Como entender e explicar que, depois dessas conversas inefáveis com o seu criador e não obstante os dons recebidos, e a proximidade amorosa que Deus lhe manifestava, Adão desconfiasse de Deus, duvidasse dos planos de Deus sobre eles e lhe desobedecesse?

        A desconfiança e a desobediência supõem em Adão uma rejeição da sua condição de criatura, ao mesmo tempo que um obscurecimento da consciência do seu ser filho de Deus.
Ao desconfiar do amor com que Deus os tinha criado, Adão e Eva já não vêm o seu próprio bem nos limites de criatura da sua pessoa e não apreciam, portanto, a grandeza de ser filhos de Deus.

        A rejeição dos dons de Deus destaca-se com as tentativas de justificação do pecado, que o próprio Adão apresenta a Deus. «A mulher que me deste por companheira deu-me da árvores e eu comi”[iii].

Acaso não há nesta frase de Adão uma certa tentativa de atribuir a Deus a sua própria culpa, por lhe ter dado uma mulher que lhe transmitiu a tentação do diabo?

        A rejeição da condição de criatura e o obscurecimento da consciência de ser filhos de Deus, que se esconde no gesto rebelde de Adão, tem consigo, realmente, uma certa rejeição da sua grandeza natural, que ficou ferida no seu próprio ser e se torna opaca aos seus próprios olhos.
        O pecado pessoal de Adão e Eva «afecta a natureza humana (...) é um pecado que será transmitido por propagação a toda a humanidade (…). Por isso o pecado original é chamado «pecado” de forma análoga: é um pecado «contraído”, «não cometido”, um estado e não um acto”[iv].

        Por conseguinte, as consequências do pecado voltam-se não só contra a pessoas de Adão e Eva, mas também afectam os planos do existir criacional que Deus tinha estabelecido para a sua criatura amada, tanto por parte de Deus como por parte da criatura.
E estas consequências, logicamente, incidem sobre o núcleo da pessoa humana e, assim, ficam perturbadas a acção e as possibilidades criaturais do homem nos três planos da sua existência”:
        - No plano «natural-biológico”; antes da queda tinham recebido o mandato de crescei e multiplicai-vos” e «estavam nus e não se envergonhavam”.

A inteligência dos primeiros pais apreciava nesse mandato de Deus a ordem recta do uso das faculdades recebidas, desde a inteligência até à sexualidade, para seguir os planos de Deus com a criatura.

E assim como filhos, ao contemplar o criado, «viu que era muito bom”, eles participavam desse gozo de Deus vivendo segundo as suas palavras.
        Depois do pecado e conscientes do poder de quebrar os planos de Deus e de introduzir-se eles próprios dentro da ordem do criado e mudá-lo a seu gosto, envergonham-se da sua nudez, e Eva, ao dar à luz com dor, sentirá a consciência do pecado.

        - No plano «natural-espiritual”, antes do pecado, Adão tinha recebido o mandato de «cultivar e guardar” o paraíso; e nesse mandato continha-se um pedido de Deus para que Adão e Eva participassem no gozo de cuidar da criação, de colaborar com o Criador na própria obra da criação.

        Depois de desconfiar e de desobedecer a Deus, perdem também a possibilidade de gozar em ver crescer a criação segundo a sua ordem, e é dito a Adão que «comerá o pão com o suor do seu rosto”.

O homem trabalhará a terra, tratará de submeter o mundo, exercerá o poder sobre a natureza com domínio, em serviço próprio, e sem procurara glória de Deus.

Daí que em tantas ocasiões a natureza se lhe manifeste hostil e lhe será muito mais difícil gozar da criação e do esforço do trabalho vivido em serviço e por amor.

        - No «plano sobrenatural”, o homem vê Deus com temor, sem confiança, como fez Adão, o qual, depois do pecado, se quis esconder do olhar de Deus. E, ao mesmo temo, a morte entra no mundo, «voltará ao pó de foi feito”[v], e São Paulo afirma: «A morte faz a sua entrada na história da humanidade”[vi].

        E com a morte, a obscuridade da inteligência, a debilidade da memória, o desvio profundo da caridade, como que fica confirmada pela morte de Abel às mãos da inveja de Caim.

        A desordem do pecado provocou um vazio não só no interior do homem, mas em toda a criação; um vazio que só pode ser preenchido com «a manifestação dos filhos de Deus”, que acontecerá na Redenção, quando os homens poderão ser, pela graça, adoptados por Deus Pai como seus filhos no seu Filho Único Jesus Cristo.

* * *

        O projecto de Deus sobre o homem é irrealizável apenas com as forças humanas, porque, depois do pecado, o homem viu-se despojado da graça da santidade original.[vii]

Deus tinha preparado a inteligência do homem, a sua memória, a sua vontade e o seu coração, para que levasse a cabo a obra de Deus nele.
        Todavia, pela tentação, e por esse hiato que existe e existirá sempre no mistério entre Deus e o homem, entre o homem e Deus, e que só a liberdade amorosa do homem está em condições de ultrapassar; o homem rejeita o primeiro vínculo que Deus estabeleceu com ele.

E, «desde o primeiro pecado, uma verdadeira invasão de pecado inunda o mundo”[viii].

        Na sua profunda fragilidade, o homem desconfia de Deus e, se consegue superar a desconfiança, apenas se consegue temê-lo um pouco e a tremer ante Ele: naturalmente, com as suas próprias forças, não o amará muito.

        Depois do pecado, Adão e Eva são talvez mais conscientes da magnitude da empresa a que foram chamados, apreciam com maior clarividência a grandeza de ser criatura de Deus, filhos de Deus e, na consciência da sua debilidade, tremem ao ver-se ante Deus.

        Aí tem início a deformação da visão do Criador que acompanhou o homem desde a saída do paraíso até à Encarnação do Filho de Deus, e que pode ser apreciada, entre outras manifestações, nos «deuses« tão variados e contraditórios que ao longo da sua história os homens adoraram.

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] Catecismo Catecismo n. 397
[ii] 3, 8
[iii] Gn 3, 12
[iv] Catecismo n. 404
[v] Gn 3, 19
[vi] cfr. Rom 5, 12
[vii] cfr. Rm 3, 23
[viii] Catecismo n. 401

Bento VXI – Pensamentos espirituais 47

O empenho humano



À promessa e ao dom de Deus, que nada têm de mágico, devemos responder com a adesão fiel e empenhada num diálogo em que se entrecruzam duas liberdades: a divina e a humana.


Catequese da audiência geral (21.Set.05)

Pequena agenda do cristão

TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Tratado do verbo encarnado 148

Questão 25: Da adoração de Cristo

Art. 2 — Se a humanidade de Cristo deve ser adorada por adoração de Iatria.

O segundo discute-se assim. — Parece que a humanidade de Cristo não deve ser adorada por adoração de latria.

1. — Pois aquilo da Escritura: Adorai o escabelo de seus pés porque ele é santo – diz a Glosa: A carne assumida pelo Verbo de Deus nós a adoramos sem nenhuma impiedade; pois, ninguém lhe come espiritualmente a carne, antes de adorá-la; mas não me refiro à adoração de latria, devida só ao Criador. Ora, a carne de Cristo é parte da sua humanidade. Logo, a humanidade de Cristo não deve ser adorada com adoração de latria.

2. Demais. — O culto de latria a nenhuma criatura é devido; pois, os Gentios foram reprovados porque adoraram e serviram a criatura, no dizer do Apóstolo. Ora, a humanidade de Cristo é uma criatura. Logo, não deve ser adorada com adoração de latria

3. Demais. — A adoração de latria é devida a Deus como reconhecimento do seu domínio máximo, segundo a Escritura: Adorarás ao Senhor teu Deus e só a ele servirás. Ora, Cristo enquanto homem é menor que o Pai. Logo, a sua humanidade não deve ser adorada com adoração de latria.

Mas, em contrário, Damasceno diz: É adorada a carne de Cristo, depois de encarnado o Verbo de Deus, não em si mesma, mas pelo Verbo de Deus a ela hipostaticamente unido. E a Escritura — Adorai o escabelo de seus pés — diz a Glosa: Quem adora o corpo de Cristo não olha para a terra, mas antes aquele de quem é o escabelo, em honra do qual adora o escabelo. Ora, o Verbo encarnado é adorado por adoração de latria. Logo, também o seu corpo ou a sua humanidade.

Como dissemos, a honra da adoração propriamente é devida à hipóstase subsistente; contudo a razão da honra pode ser o que não é subsistente, por causa do que é honrado o seu sujeito. E assim de dois modos podemos entender a adoração da humanidade de Cristo. Primeiro, que lhe pertença, como ao ser adorado. E portanto, adorar a carne de Cristo não é senão adorar o Verbo de Deus encarnado; assim como adorar a veste do rei não é senão adorar o rei vestido. E, desse modo, a adoração da humanidade de Cristo é uma adoração de Iatria. - Em segundo lugar, podemos entender a adoração da humanidade de Cristo, que lhe é tributada em razão de ela ser perfeita, por todos os dons da graça. E então a adoração da humanidade de Cristo não é uma adoração de latria; mas de dulia; de modo que a mesma pessoa una de Cristo seja adorada por adoração de latria, por causa da sua divindade; e por adoração de dulia por causa da perfeição da sua humanidade. Nem há nisso incongruência, porque a Deus Padre é devida a honra de latria por causa da divindade, e a honra de dulia por causa do domínio com que governa a criatura. Por isso, sobre a Escritura — Senhor Deus meu, em ti esperei — diz a Glosa — Deus de todos, pelo poder, a quem é por isso devida a dulia; Deus de todos pela criação, a quem é devida então a latria.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — A Glosa citada não devemos entendê-la como significando, que deva a carne de Cristo ser adorada separadamente da sua divindade; pois, isso seria possível somente se não fosse uma mesma a hipóstase de Deus e do homem. Mas como diz Damasceno, se separamos, com penetração de inteligência, o que é visto, do que é compreendido, não deve ser adorado como criatura, isto é, com adoração de latria. E então, assim entendida, como separada do Verbo de Deus, é lhe devida a adoração de dulia; não qualquer, por exemplo, a prestada às outras criaturas; mas uma de mais excelência, chamada hiperdulia.

Donde também se deduz a RESPOSTA À SEGUNDA E À TERCEIRA OBJECÇÕES. — Porque a adoração de latria não é prestada à humanidade de Cristo em razão dela mesma, mas em razão da divindade, a que está unidade, pela qual Cristo não é menor que o Pai.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


20/04/2015

2015.04.20








O que pode ver hoje em NUNC COEPI





Quero entregar-me a Ti sem reservas! - São Josemaria – Textos

Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão) - A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 6 22-29, Ernesto Juliá Diaz



Pequena agenda do cristão - Agenda Segunda-Feira

Quero entregar-me a Ti sem reservas!

Pedro diz-Lhe: "Senhor, Tu lavares-me os pés, a mim?!". Responde Jesus: "O que Eu faço, não o compreendes agora; entendê-lo-ás depois". Insiste Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!". Replicou Jesus: "Se Eu não te lavar, não terás parte coMigo". Simão Pedro rende-se: "Senhor, não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!". Ao chamamento a uma entrega total, completa, sem vacilações, muitas vezes opomos uma falsa modéstia como a de Pedro... Oxalá fôssemos também homens de coração, como o Apóstolo! Pedro não admite que ninguém ame Jesus mais do que ele. Esse amor leva-o a reagir assim: – Aqui estou! Lava-me as mãos, a cabeça, os pés! Purifica-me de todo, que eu quero entregar-me a Ti sem reservas! (Sulco, 266)

– Está completo o tempo, e aproxima-se o Reino de Deus; fazei penitência, e crede no Evangelho (Mc 1, 15).

– E vinha a Ele todo o povo, e ensinava-o (Mc 2, 13).

Jesus vê aquelas barcas na margem, e sobe para uma delas. Com que naturalidade se mete Jesus na barca de cada um de nós!

Quando te aproximares do Senhor, lembra-te de que Ele está sempre muito perto de ti, dentro de ti: Regnum Dei intra vos est (Lc 17, 21). No teu coração O encontrarás.

Cristo deve reinar, em primeiro lugar, na nossa alma. Para que Ele reine em mim, preciso da sua graça abundante, pois só assim é que o mais imperceptível pulsar do meu coração, a menor respiração, o olhar menos intenso, a palavra mais corrente, a sensação mais elementar se traduzirão num hossana ao meu Cristo Rei.

Duc in altum – Ao largo! – Repele o pessimismo que te torna cobarde. Et laxate retia vestra in capturam – e lança as redes para pescar.

Devemos, confiar nessas palavras do Senhor: meter-se na barca, pegar nos remos, içar as velas e lançar-nos a esse mar do mundo que Cristo nos deixa em herança.

Et regni ejus non erit finis. – O Seu Reino não terá fim!


Não te dá alegria trabalhar por um reinado assim? (Santo Rosário, mistérios Luminosos: ‘O anúncio do Reino de Deus’).

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira
  

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Temas para meditar - 423


Ordem (definição) 




Confia, razoavelmente, nas suas próprias possibilidades e na ajuda que lhe podem prestar os outros e confia nas possibilidades dos outros de tal modo que, em qualquer situação, distingue em primeiro lugar o que é positivo.

Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão)


Semana III da Páscoa

Evangelho: Jo 6 22-29

22 No dia seguinte, a multidão, que tinha ficado do outro lado do mar, advertiu que não havia ali mais que uma barca e que Jesus não tinha entrado nela com os Seus discípulos, mas que os Seus discípulos tinham partido sós. 23 Entretanto, arribaram de Tiberíades outras barcas perto do lugar onde haviam comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças. 24 Tendo, pois, a multidão visto que lá não estava nem Jesus nem os Seus discípulos, entrou naquelas barcas e foi a Cafarnaum em busca de Jesus. 25 Tendo-O encontrado do outro lado do mar, disseram-lhe: «Mestre, quando chegaste aqui?». 26 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Vós buscais-Me não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados. 27 Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até à vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Porque n'Ele imprimiu Deus Pai o Seu selo». 28 Eles, então, disseram-Lhe: «Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?». 29 Jesus respondeu: «A obra de Deus é esta: Que acrediteis n'Aquele que Ele enviou».

Comentário:

S. João escreve no seu Evangelho detalhes surpreendentes que reflectem bem a preocupação do Evangelista e Apóstolo em que se perceba a Divindade, real, concreta, verdadeira de Jesus Cristo. Assim o deixa antever, por exemplo, neste trecho em que relata a pergunta da multidão que procurava Jesus.
Realmente se tinham constatado, tal como relata, que Jesus não utilizara nenhum barco para fazer a travessia, como explicar que já ali - em Cafarnaum - se encontrasse?

Humanamente era impossível vencer a distância por terra em menos tempo que atravessando o mar!
Por isso se admiram!

Evidentemente que, Cristo, não fez este milagre por acaso - nada faz “por acaso” - e podemos pensar que logo a seguir ao portentoso milagre da multiplicação dos pães e dos peixes quisesse que aquela gente vinda de tão diferentes lugares e que se juntara à multidão - dos quais homens eram uns cinco mil - que comera dos pães e dos peixes, também tivesse como que uma oportunidade de constatar algo que Ele fizera e que não podia ser humanamente explicável.
Como se quisesse confirmar a Sua divindade.

(ama, comentário sobre Jo 6, 22-29, 2012.04.23)

Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE

O QUE É SER CRISTÃO?

I.            Relações que Deus estabelece com o homem.

…/6

IV. o ser humano, criado à «imagem e semelhança” de Deus e «filho de deus”

filhos de deus. a filiação divina

 O Catecismo da Igreja Católica recolhe esta realidade do homem em vários textos, entre outros, os dois números que agora assinalamos:

        «O que crê em Cristo é feito filho de Deus. Esta adopção filial transforma-o dando-lhe a possibilidade de seguir o exemplo de Cristo. Torna-o capaz de actuar rectamente e de praticar o bem. Na união com o seu salvador, o discípulo alcança a perfeição na caridade, a santidade. A vida moral, amadurecida na graça, culmina na vida eterna, na glória do céu”.[i]

        «A graça é uma participação na vida de Deus. Introduz-nos na intimidade da vida trinitária: pelo Baptismo, o cristão participa da graça de Cristo, Cabeça do seu corpo. Como «filho adoptivo” agora pode chamar «Pai” a Deus, em união com o único Filho. Recebe a vida do Espírito que lhe infunde a caridade e que forma a Igreja”.[ii]

        Teremos ocasião de considerar as diversas implicações que o ser «filhos de Deus em Cristo Jesus” comporta na vida pessoal cristã. Na realidade, podemos adiantar que a vida pessoal cristã é o desenvolvimento dessa condição de «filhos de Deus em Cristo Jesus”.
Sublinharemos agora a grandeza dos planos de Deus com estas palavras de São Josemaria Escrivá: «Esta é a grande ousadia da fé cristã: proclamar o valor da dignidade da natureza humana, e afirmar que mediante a graça nos eleva à ordem sobrenatural, fomos criados para alcançar a dignidade dos filhos de Deus. Ousadia certamente incrível, se não estivesse baseada no decreto salvador de Deus Pai e não tivesse sido confirmada pelo sangue de Cristo e reafirmada e tornada possível pela acção constante do Espírito Santo”[iii].

        E, em linha com essa “ousadia”, poderíamos dizer que o «ser como criança”, se manifesta em saber-se «filhos de Deus”, queridos e amados por Deus e com a capacidade de ser verdadeiramente livres, «na liberdade da glória dos filhos de Deus”; e nessa liberdade, amar a Deus na plenitude e no abandono que só as «crianças” podem amar.

        Feitas estas afirmações, a «imagem e semelhança” de Deus no homem compreendem-se com mais clareza e no seu mais rico e profundo conteúdo, se consideramos que a origem e a plenitude tanto da «imagem” como da «semelhança” estão no facto de que o homem é «filho de Deus”, em que Deus criou todos os seres humanos adoptando-os como filhos, na esperança de ver realizada essa adopção pela correspondência voluntária e amorosa de cada homem.

        Na esperança de que cada ser humano, pela graça, chegue a viver «na liberdade da glória dos filhos de Deus”, segundo a exortação de São Paulo: «sede imitadores de Deus, como seus filhos muito queridos”,[iv] depois de recordar a todos os homens os desígnios paternais de Deus, desígnios que se tornam realizáveis ao receber o Espírito Santo: «Pois não recebestes um espírito de escravos para cair de novo no temor; antes recebestes um espírito de filhos adoptivos que nos faz exclamar: Abba, Pai!”.[v]

        Todos os homens são verdadeiramente filhos de Deus; e Deus cria-os na esperança de que consigam realizar o que são. E isto, desde a própria origem da criação; sem que o pecado original de Adão e Eva tenha afectado este plano original de Deus.

        Juan Miguel Garrigues assim o expressa de forma muito clara: «Deus não suprimiu, por culpa do pecado original, o seu desígnio original, mas levou-o a cabo implicando o seu Filho como sujeito da nossa Redenção, em Quem já tinha criado o homem e em Quem nos tinha adoptado desde o começo. Mas a Redenção não eleva o desígnio de Deus na sua finalidade. É uma manifestação do amor de Deus, superior no meio que emprega, mas não na finalidade que se propõe, e que não é mais que a nossa adopção, querida por Deus desde as origens no seu desígnio criador”.[vi]


V. o pecado

       Vimos nas páginas anteriores a realidade natural e sobrenatural que se origina do facto de a criação do homem: Deus é o ponto de referência que Ele próprio pôs no núcleo central da pessoa humana; centralidade que não é nenhum obstáculo para a plenitude da pessoa, e para que a pessoa viva a autonomia que lhe permite ser consciente do absoluto sentido que tem de si próprio.

        A criatura não se explica por si mesma a sua existência; e ao mesmo tempo tem consciência do absoluto do seu existir em relação consigo própria e com tudo o que a rodeia.
Nada do que o ser humano tem ao seu alcance lhe é de todo estranho ou alheio.
A criatura vive plenamente a sua existência.
A liberdade é a garantia da condição de que a pessoa humana goza desse modo de ser «absoluto”.
Deus, num acto de supremo amor, quis pôr a liberdade nas mãos do homem; com o fim de que o homem decida conscientemente sobre a sua própria existência.

        Aí, no centro do espírito do homem, encontramos não só a vida que Deus nos doou, mas também as qualidades que nos concedeu para que possamos conhecê-lo, amá-lo e servi-lo: memória, entendimento e vontade; e tudo, em liberdade, porque Deus que contar com o nosso amor.

        A natureza do homem, já o assinalámos, é relacional. O ser humano não é um ser isolado. Todo o seu viver é uma constante relação com Deus, com os demais homens e mulheres sobre a terra, além de uma reflexão sobre si próprio.

        Essa natureza relacional permite-lhe levar a cabo os planos de Deus sobre ele.
Porque, assim como Deus começa por amor a história com o homem, quer também que o homem viva por amor a sua história com Deus.
E que, em liberdade, reafirme esse amor em todas as relações com Ele.

        A única coisa que Deus nos concede sem contar com a nossa liberdade é o viver; o facto da existência e as qualidades para desenvolver a nossa personalidade.
Ninguém se cria a si mesmo nem se concede umas qualidades que lhe são desconhecidas antes de se encontrar com elas, como a própria vida é desconhecida.
Desenvolvê-las-á depois em liberdade, e no desenvolvimento descobrirá o amor de Deus.

        Nessa finalidade de Deus ao criar o homem fundamenta-se a grandeza e a beleza do ser humano, criado à «imagem e semelhança” e filho de Deus; convertido depois do Baptismo em filho de Deus em Cristo.
O homem encontra-se sempre dotado da capacidade necessária para responder aos planos, aos sonhos de Deus, em plena liberdade.

        A acção de Deus e o acto de correspondência do homem doação divina hão-de estar unidos, para que o gozo de Deus no homem e o gozo do homem em Deus sejam completos.

        A grandeza que Deus conferiu ao homem pode ficar estéril e perder-se, portanto, se o homem não aceita o dom de Deus; se o homem não responde ao amor de Deus com a confiança de saber-se criatura.

        Deus deseja que essa aceitação tenha lugar em plena liberdade do homem e com amor.
E é neste plano de entendimento da liberdade e do amor de Deus, com a liberdade e o amor do homem, onde o pecado faz a sua aparição.

Com muita clareza e com profundidade teológica, Romano Guardini expressa-o assim: «O pecado, definitivamente, não é senão uma rebelião contra a santidade de Deus” [vii]
        Não é estranho ouvir afirmações negando a existência do pecado.
Não é o momento nem o lugar para analisar esse tema.
Penso que para a finalidade deste livro é suficiente, deixar claro que em todas as civilizações ao longo da sua história, o homem viveu a consciência de uma grande falta cometida na origem, e não «esqueceu” essa falta nas suas relações com Deus.

        O vínculo que Deus estabelece com o ser humano na criação rasga, de alguma forma, o homem com o pecado. Rasga-o, mas não o destrói; não o aniquila.

        Para entender a acção de Adão e Eva, sem pretender, por outro lado, descobrir todas as facetas do mistério do pecado - «mistério de iniquidade”, em palavras de São Paulo -, é necessário não esquecer a afirmação do Catecismo:
        «O relato da queda[viii] utiliza uma linguagem feita de imagens, mas afirma um acontecimento primordial, um facto que teve lugar no começo da história do homem[ix]. A Revelação dá-nos a certeza da fé de que toda a história humana está marcada pelo pecado original livremente cometido pelos nossos primeiros pais”[x].

        As relações entre Deus e o homem nunca adquirem carácter abstracto nem têm lugar fora do tempo: são pessoais e históricas, ainda que por vezes seja praticamente impossível expressá-las com exactidão. A narração do pecado original não é, pois, uma lenda, uma fábula, um mito, nem sequer uma simples exposição simbólica: é o relato de um facto realmente acontecido na história do homem, que se exprime numa linguagem repleta de imagens e, certamente, nenhum ser humano poderia ter inventado essas imagens para expressar a realidade daquele momento, sem uma intervenção, uma inspiração divina.
        Dois esclarecimentos prévios. O primeiro: antes do pecado, o homem já começou o seu caminhar sobre a terra. A história do homem começa desde o primeiro abrir de olhos de Adão, e já antes da queda, Adão e Eva recebem o convite, indicação, de Deus: «sede fecundos e multiplicai-vos e enchei a terra”, e o encargo de «submete-la; dominai nos peixes do mar; nas aves do céu e em todo o animal que serpenteia sobre a terra”.[xi]
        O segundo esclarecimento: o paraíso não é uma prova a que Deus submete homem.
O mandato de Deus: «Podeis comer de qualquer árvore do jardim, mas não comerás da árvore da ciência do bem e do mal, porque no dia em que dela comeres, morrerás sem remédio”,[xii] é uma ajuda ao homem para que, depois de ter posto à sua disposição o resto da criação, descubra com maior nitidez a grandeza da sua condição de criatura, na consciência não menos clara dos seus limites.

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] Catecismo n. 1709
[ii] Catecismo n. 1997
[iii] são josemaria escrivá, Cristo que passa, n. 133.
[iv] Ef 5, 1
[v] Rom 8, 15
[vi] juan miguel garrigues, Dios sin idea del mal, Eunsa, Pamplona, 2000, p. 88.
[vii] romano guardini, Introducción a la vida de oración, Palabra, Madrid 2002, II, p. 71.
[viii] Gn 3
[ix] cfr. Gaudium et spes, 13, 1
[x] Catecismo n. 390.
[xi] Gn 1, 28-29
[xii] Gn 2, 16