26/07/2023

Publicações em Julho 26

   


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt Lc Mc Jo…)

 

Confesso que, hoje, no final do dia, eu estava derreado, tantas coisas tinham acontecido logo desde manhã cedo, com gentes a acorrer a Jesus com pedidos de ajuda, curas para os seus males, num corropio incessante. Jesus não deixava ninguém ir-se embora sem resposta... «Vai... o teu filho está curado»... «Vai... recobra a vista»... «Vai... pega a tua enxerga e vai para casa», «Vai... os teus pecados estão perdoados»... e tantos... e tantos «VAI» como se dissesse: Eu faço o que me pediste, tu, faz o que te mando".

"VAI", esta ordem clara terminante,  indica-me exactamente o que tenho de fazer: ir!

Não me ficar, talvez esmagado pelas minhas misérias pessoais mas, levantar-me decidido a seguir em frente, rumo à que deve ser a minha única esperança: Encontrar-me com Ele e dizer-lhe:

MandasTe-me ir e, eu obedeci, fui e aqui estou... e... agora, Senhor, que mais mandas que faça?

Da quod iubes et iube quod vis! (Manda o que quiseres e dá-me o que mandares).

 

Neste preciso momento sou alguém muito feliz!

Estou vivo!

Não por mim que "não posso acrescentar um côvado à minha estatura" ou "tornar branco ou preto um simples cabelo da minha cabeça", mas porque O Senhor da Vida quer que seja assim.

 

Talvez valha a pena considerar que sinto como que "um desejo atávico”, de partilhar momentos difíceis, dolorosos com outros.

Porquê?

Porque sou tão restrictivo em fazê-lo com os momentos bons, gratificantes?

Ah! Porque quero, desejo que tenham pena de mim, quando, o que deveria fazer seria levar outros a juntarem-se ás muitas acções de graças que tenho de dar, se o fizer não poderia estar mais tranquilo!

 

 

Nenhum dia é exactamente igual ao que o antecedeu, é um facto, por isso mesmo o Plano de Vida é importante. Haverá muitas coisas que serão constantes, sem dúvida, como as Orações Diárias, mas nem por isso devem de ser descartadas.

 

O "meu tempo", isto é... o tempo que julgo ter como meu, na verdade não me pertence pelo simples e inegável facto de que não lhe posso acrescentar ou diminuir um átimo.

O tempo, longo ou breve, pertence a Quem o criou por Sua Soberana Vontade.

Sendo o Dono Absoluto de quanto eziste, Deus pode fazer o que entender, inclusive criar o tempo.

Sendo Intemporal, Eterno, Permanente, para que precisará Deus do Tempo?

Não sei responder a esta questão porque o meu raciocínio é simplesmente humano e, portanto incapaz de entender o Divino.

Contudo, posso ter uma certeza, Deus não me criou para outra coisa que não seja amá-Lo com todas as forças da minha alma, todas as veras do meu coração porque só assim alcançarei a felicidade que Ele deseja para mim, o que é lógico, porque sou fruto do Seu Amor; porém, como me criou livre de vontade sabe muito bem o quanto esta é fraca e, daí que precise de tempo para se fortalecer.

É esse tempo que Ele me concede, nem mais nem menos que o absolutamente justo.

Depende de mim aproveitá-lo.

 

Sinto que não posso e não devo reprimir as memórias que guardo do Amor da Minha Vida.

Como poderia "apagar" todos os segundos que vivemos juntos ao longo de mais de 49 Anos?!?

Vivemos juntos tantos segundos e, curiosamente, só me lembro dos felizes, incrivelmente felizes que vivemos.

Caldeados nas dificuldades e zurzidos por momentos agrestes, ultrapassámos tudo, o nosso amor resistia a tudo, a nossa total confiança era permanente, talvez porque não desconhecíamos as fraquezas de cada um.

Um amor assim vale por si só a felicidade completa.

Meu Amor.

 

 

Memórias

Uma pessoa "normal" tenta organizar as suas memorias de forma mais ou menos esquemáctica, por datas, assuntos e outras referências.

Concluo que, eu, não devo ser uma pessoa "normal" porque as minhas memórias estão como que amalgamadas num bolo mostruoso do qual não consigo isolar uma fatia.

Isto é uma maçada enormíssima porque fico sempre cheio de fome.

Lembro-me de algo que aconteceu há um ror de tempo ou há dois anos... anteontem… e, aquilo tudo vem como uma mostruosidade indecifrável... sei lá... o Zé: o meu Querido Irmão, o Zé da loja da esquina... os  "Zés" todos que fui topando ao longo da vida; a mochila, sim... aquela que levava ás costas quando ia acampar com os Escuteiros... mas também a outra que o meu colega exangue nos matos de Angola me pediu que levasse para o Quartel.

Depois vem aquele curso de água que me cortava o caminho. Sabia lá se era fundo ou não!

"Malta... há que atravessar...!!!"

E o pessoal avançava com água pelos peitos, as armas bem erguidas acima da cabeça, até chegarmos ao outro lado.

Um Zé qualquer, qualquer... não! O Zé da minha Secção, em Outubro de 1973, morreu afogado em dois metros de água!

Como dizer, contar tal coisa ao seu Pai, à sua Mãe, aos seus familiares?!

Mas... era a verdade nua e crua, o Zé caindo no curso de água espetara no peito a "faca de serviço", foi, evidentemente, sem querer mas... como explicar a quem seja?!?

 

Bom... é por isto "quid fuit demostratum" que as memórias têm, pelo menos para mim, uma como que corrente de aço cujos elos se entrelaçam inquebrantáveis.

Penso que tenho de rever a forma como me "entrego" ás memórias. Quero, se dúvida alguma, rever gráficamente tantos e tão belos momentos da minha vida, principalmente aqueles que ao longo de brevíssimos Quarenta e Nove anos partilhei com o Amor da Minha Vida. São alimento, alegria, paz, VIDA!

 

Confiança pode ser essa manifestação de intimidade que me leva a abrir a alma, o coração a alguém que me merece, além de respeito, a segurança razoável que saberá acolher, avaliar, compreender o que revelo e, se for caso disso, dar-me a sua opinião, responder com segurança.

É por isto mesmo que confio, serena e totalmente no Anjo da minha Guarda; ele tem a Graça e a missão de me guiar por onde me convém ir.

Anjo da minha Guarda! Confio plenamente em ti!

 

 

Não... não quero morrer... mas... também não desejo viver, sem me deter entre o desejo e o querer, procuro tenazmente solução.

Não quero morrer... porquê?

Não desejo viver... porquê?

Não quero morrer porque não me compete querer tal coisa.

Não desejo viver porque quero encontrar-me, definitivamente na Vida Eterna, com o Amor da Minha Vida.

Viver ou não, está nas mãos do Senhor da Vida; desejar viver ou não está fora da minha competência.

Compreendo que, no fundo, isto é uma tentação para me distrair e "apanhar em falso"; distraído e em falso, fico vulnerável ao que o tentador apresenta a seguir: "Justiça Divina?

Ora bolas... Deus quer lá saber de ti, homem! Um "justiceiro brincalhão" que se diverte a atormentar-te! Segue os meus alvitres e vais ver que serás feliz".

Eu sei muitíssimo bem que, quando a tentação "aperta", há duas coisas que nunca devo fazer... a primeira consentir no diálogo com o tentador, a segunda entregar - imediatamente - o assunto nas mãos do Anjo da Minha Guarda; ele saberá como resolver e, eu, ficarei tranquilo e em paz.

 

 

Talvez que algumas vezes me "entretenha" a reflectir e a escrever sobre coisas sem relevo, no entanto, penso, tentando desculpar-me, que, se não reflicto ou escrevo sobre o que me acontece no dia a dia, sobre que hei-de reflectir ou escrever.

Depois... vem o tentador... "deixa lá isso... que interessa, só procuras a satisfazer-te, recrear-te a ti mesmo!".

Bom se o tentador reage é porque o incomoda... ou não?

Reajo e escrevo e... fico em paz.

 

 

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25/07/2023

Publicações em Julho 25

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc V)

 

Volto, ou melhor, continuo a dissertar sobre a PESCA.

Quando sinto essa inspiração de pescar, logo tento esquivar-me:

'Senhor... eu não sei pescar e, muito menos, sei onde, a minha barca está desconjuntada, entra água por fendas no casco, nas bordas, as velas estão cheias de buracos e os remendos não resolvem, o leme está deslocado, vou para onde não quero, as minhas redes estão esfarrapadas o peixe, quando apanho algum, escapa-se; Senhor... não me mandes pescar, eu não sei como, não tenho meios, eu não sou capaz!

Por momentos parece-me que Ele não ouviu nada do que Lhe disse porque respondeu:

- «Duc in altum», faz-te ao mar, vai pescar...

Fiquei bastante desiludido com o Senhor, Ele não quis saber dos meus argumentos e, mais uma vez...

- «Duc in altum», faz-te ao mar, vai pescar.

Percebi, então, claramente que Ele não desistiria e, portanto, nada me resta que obedecer e foi o que fiz.

Sem saber o e como fazer empurrei a barca para a água, saltei para dentro, icei a vela esfarrapada e deixei-me ir.

Passados uns côvados da margem lancei pela borda a rede e fiquei-me.

Passados momentos senti que a barca se inclinava porque a rede puxava para o fundo, febrilmente, recolhi-a com enorme esforço porque vinha repleta de peixes de todas as qualidades e tamanhos.

Fiquei atónito a olhar para aquela enorme quantidade de peixe que se debatia no chão da barca e... vi, com os Olhos fixos em mim, O Rosto Sorridente de Jesus sentado ao leme da minha barca.

Esmagado por algo tão simples mas grandioso, extraordinário mas real, não pude mais que render-me e dizer:

- Senhor, bem sabes o que sou, conheces muito melhor que eu as minhas fraquezas e limitações e, portanto, se me mandas fazer o que for, eu o farei porque tenho a certeza absoluta que Tu estarás sempre ao leme da barca da minha vida.

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24/07/2023

Publicações em Julho 24

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt XI…)

Não obstante os Doze já estarem habituados à minha presença, compreendia que tivessem alguma reserva em falar de coisas íntimas à minha frente.

As intimidades são próprias dos verdadeiros amigos que não se reservam segredos uns aos outros e, eu, ainda não tinha esse "estatuto".

Para se ser íntimo de alguém é preciso ter o coração absolutamente aberto, sem qualquer reserva ou receio de não ser aceite ou compreendido, bem ao contrário, esta partilha é uma manifestação de confiança que, muitas vezes, encerra um pedido de auxílio no que for.

O amigo ajuda o amigo, diz o povo, e está disponível para o fazer sempre que necessário; se não lhe for possível dar uma solução procurara-la-á junto de outros amigos, gerando assim como que uma autêntica cadeia de amizade com o único fim de servir, ser útil a outros.

É, deve ser, esta "cadeia" que encontramos na família onde cada um é amigo do outro, não por ser mais velho ou mais novo, ilustrado ou não, cheio de méritos e virtudes ou sem nenhuns aparentes. Gostamos dele, somos amigos dele só pelo facto, para nós bastante, de pertencer à nossa família.

Todos nós, seres humanos, pertencemos a uma mesma família e temos um Pai comum: Deus Nosso Senhor que nos concedeu a vida.

Daí que não posso deixar de considerar todos os homens como meus irmãos e, em particular os que são mais próximos... os baptizados em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A minha preocupação deverá ser que todos os meus irmãos, filhos do mesmo Pai Celeste, pertençam "aos mais próximos", aos baptizados e este "encargo" tenho de assumi-lo e fazer quanto possa para o levar a cabo; se o não fizer que contas terei de prestar!

 

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23/07/2023

Publicações em Julho 23

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XVIII)

 

Ouvi alguém que pedia a Jesus que interviesse numa disputa que tinha com um irmão sobre uma herança e, ouvi a resposta de Jesus que lhe respondeu dizendo que nãoera juíz de ninguém.

No tempo de Jesus a Justiça cabia à classe dos Juízes que constituiam como que uma casta da sociedade, quase omnipotentes, cujas decisões eram definitivas, gozando de bens incontáveis oriundos das "comissões e percentagens" dos assuntos que julgavam. Por isso, a Parábola do JUÍZ INÍQUO é, para mim, um paradigma da Justiça.

Vejamos bem: na Parábola diz-se que o Juíz "não temia a Deus nem respeitava os homens", e, mais adiante, se resolve a fazer justiça à pobre viúva para que "não venha contínuamente importunar-me".

Considero que esta pobre viúva da Parábola prefigura os muitos milhões de vozes suplicantes que tentam fazer-se ouvir na sua busca de justiça; uma multidão incontável de seres humanos sacrificados ainda no ventre materno por motivos e razões aberrantes e bestiais.

No Seu Sacratíssimo Coração, Jesus Cristo, deverá seguramente ter encontrado um local onde estes INOCENTES aguardam pelo Juízo Final. Aí, ouvir-se-á o seu clamor e todos os que tomaram posições concretas, legislando e aprovando leis iníquas escudando-se em falsas "obrigações do cargo", hão-de empalidecer ao contemplar a expressão de repúdio que o Supremo Juíz mostra na face.

E os outros todos que, embora não tendo participado activamente, decidiram ignorar o assunto.

O Rei Balduíno da Bélgica, agiu como a sua consciência de cristão lhe exigia e, para não ter de ractificar uma lei aprovada no Parlamento, lei essa que legislava sobre o aborto, pura e simplesmente resignou como Monarca dos Belgas.

O efeito desta atitude foi imediato, perante a reacção popular, o Parlamento retirou a proposta de Lei.

Na verdade!!!

Bom... Balduíno era Monarca mas era cristão e SANTO!!!

 

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