17/04/2023

POR DENTRO DOS EVANGELHOS Abril 17


 

COMENTANDO OS EVANGELHOS

 

Re Mt XVII

 

1 Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João, e levou-os, só a eles, a um alto monte. 2 Transfigurou-se diante deles: o seu rosto resplandeceu como o Sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. 3 Nisto, apareceram Moisés e Elias a conversar com Ele. 4 Tomando a palavra, Pedro disse a Jesus: «Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» 5 Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra, e uma voz dizia da nuvem: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o.» 6 Ao ouvirem isto, os discípulos caíram com a face por terra, muito assustados. 7 Aproximando-se deles, Jesus tocou-lhes, dizendo: «Levantai-vos e não tenhais medo.» 8 Erguendo os olhos, os discípulos apenas viram Jesus e mais ninguém. 9 Enquanto desciam do monte, Jesus ordenou-lhes: «Não conteis a ninguém o que acabastes de ver, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.» 10 Os discípulos fizeram a Jesus esta pergunta: «Então, porque é que os doutores da Lei dizem que Elias há-de vir primeiro?» 11 Ele respondeu: «Sim, Elias há-de vir e restabelecerá todas as coisas. 12 Eu, porém, digo-vos: Elias já veio, e não o reconheceram; trataram-no como quiseram. Também assim hão-de fazer sofrer o Filho do Homem.» 13 Então, os discípulos compreenderam que se referia a João Baptista. 14 Quando eles chegaram perto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se a seus pés e 15 disse-lhe: «Senhor, tem piedade do meu filho. Ele tem ataques e está muito mal. Cai frequentemente no fogo e muitas vezes na água. 16 Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo.» 17 Disse Jesus: «Geração descrente e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.» 18 Jesus falou severamente ao demónio, e este saiu do jovem que, a partir desse momento, ficou curado. 19 Então, os discípulos aproximaram- se de Jesus e perguntaram-lhe em particular: «Porque é que nós não fomos capazes de expulsá-lo?» 20 Disse-lhes Ele: «Pela vossa pouca fé. Em verdade vos digo: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: ‘Muda-te daqui para acolá’, e ele há-de mudar-se; e nada vos será impossível. 21 Esta espécie de demónios não se expulsa senão à força de oração e de jejum.» 22 Estando reunidos na Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem tem de ser entregue nas mãos dos homens, 23 que o matarão; mas, ao terceiro dia, ressuscitará.» E eles ficaram profundamente consternados. 24 Entrando em Cafarnaúm, aproximaram-se de Pedro os cobradores do imposto do templo e disseram-lhe: «O vosso Mestre não paga o imposto?» 25 Ele respondeu: «Paga, sim». Quando chegou a casa, Jesus antecipou-se, dizendo: «Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos e contribuições? Dos seus filhos, ou dos estranhos?» 26 E como ele respondesse: «Dos estranhos», Jesus disse-lhe: «Então, os filhos estão isentos. 27 No entanto, para não os escandalizarmos, vai ao mar, deita o anzol, apanha o primeiro peixe que nele cair, abre-lhe a boca e encontrarás lá um estáter. Toma-o e dá-lho por mim e por ti.»

 

Comentários:

 

O tema deste trecho de São Mateus repete-se noutros evangelistas e, seguramente, tal acontece pela importância da figura e da missão de João Baptista. Pelo seu exemplo, a sua conduta, a forma de se apresentar em público, o Percursor arrastou multidões e tinha numerosos seguidores atraídos por uma mensagem absolutamente nova. O apelo à conversão e revisão de vida, o Baptismo para remissão dos pecados, são o prelúdio absolutamente necessário para receber Aquele que está para chegar. A sua humilíssima figura de homem austero e de vida frugal tem tudo menos a de um “pregador” de palavra inflamada e gestos grandiloquentes. Considera-se indigno de desatar as correias das sandálias do Salvador, ou seja, indigno de um trabalho reservado aos escravos e, no entanto, a sua palavra tem tal autoridade e convicção que arrasta e atrai muitos que procuram uma vida nova, um rumo diferente, uma esperança renascida. Jesus Cristo, irá, assim, encontrar muitas almas predispostas a ouvir a Sua doutrina e a segui-L’o no Seu caminho.

Para os doutores e escribas, Elias era um profeta de referência destacada no Antigo Testamento. Toda a sua vida e actos extraordinários marcaram uma vida excepcional de um homem de quem Deus de serviu para comunicar com o Seu povo. O facto de ter sido arrebatado ao Céu num carro de fogo, mais adensa essa crença do seu regresso à terra antes do Messias, exactamente para O indicar ao povo. Por isso mesmo, Jesus Cristo refere que Elias já teria vindo na pessoa da João Baptista cuja missão era precisamente essa: Preparar a vinda do Salvador da Humanidade.

A exclamação de Jesus é como que um grito da Sua alma dorida pela falta de fé, mesmo daqueles que O seguem mais de perto. E explica no versículo 20 o que é a verdadeira Fé. A que move montanhas! Como se chega a “esta fé”, perguntamo-nos inquietos porque, bem sabemos como, a que temos, é imperfeita. Pedindo, perseverantemente, que o Senhor nos aumente, consolide a fé, para podermos compreender, em primeiro lugar e, depois para podermos fazer tudo – sempre em Seu Nome – o que for necessário fazer para bem das almas e glória de Deus.

Jesus Cristo deseja, quer que nós tenhamos fé. Não diz uma fé inamovível, firme como rocha, capaz de arrostar contra todas as dúvidas e erros. Não! Basta ter uma fé do tamanho de um “grão de mostarda”, aparentemente pequena e insignificante mas, como sabemos, capaz de produzir uma árvore de grandes proporções sob cujos ramos muitos de poderão acolher. Evidentemente que, na nossa oração diária, é conveniente dizermos: ‘Senhor, eu creio mas aumenta a minha fé’ Porquê? Porque, está claro, quanto maior for a nossa fé, mais robusta e eficaz se torna e, sobretudo, mais fácil de conservar.

Façamos umas contas: Didracma = a mais ou menos 7, 2 grms de prata, ou seja, um pouco menos do salário de um dia de trabalho que seria igual a 4 grm de prata; Estáter = 14, 4 grms de prata = a mais ou menos o salário de um dia e meio de trabalho. Ou seja, o Senhor não possui, sequer, o correspondente a dia e meio de salário! Mas, nem por isso deixa de assistir ao Seu amigo Pedro que, obviamente, também não possui essa pequena quantia. A resposta de Pedro à Sua pergunta declara-o isento do imposto, mas, não obstante, deseja pagar o que supostamente deve. Compreende-se que Jesus nos dá uma razão para o fazer: se não O reconhecem como Filho de Deus não quer causar escândalo eximindo-se ao imposto, mas, fá-lo de forma que demonstra de forma claríssima a Sua Divindade, o Seu Poder.

Ler esta passagem do Evangelho com “olhos estreitos” pode levar-nos a considerar que, pagar os impostos assim é fácil… Mas, o cristão, não tem os “olhos estreitos”, antes procura nos detalhes quanto basta para o esclarecer sobre as intenções e os motivos das acções de Jesus. Fica dito que em primeiro lugar, observa a Lei escrupulosamente, sendo Filho de Deus está isento de pagar o imposto e, o mesmo em relação a Pedro. Depois fica bem claro a total ausência de bens pessoais tanto de um como de outro, mesmo os de escassa importância como seria um estáter. Logo, para evitar escândalo é necessário um milagre. Mas, o dinheiro não surge do nada, é preciso algum trabalho e cooperação – neste caso Pedro tem de ir pescar – a sua profissão – e assim fica claro que um milagre não é um “passe de magia” mas, algo dependente da Absoluta Vontade de Deus.

Transfigurar-me em Ti, Senhor, ser como Tu, outro Cristo, Ipse Crhistus, é o meu desejo, a minha meta. E, é também a Tua Vontade que seja santo como o Pai é Santo! Mas Tu mesmo disseste que 'sem Ti nada podemos fazer' e, então, sendo assim como de facto é, tens de dar-me o que me falta e embora seja muito - muitíssimo - sei que, para Ti, é possível.

Este episódio da Transfiguração de Jesus Cristo, podemos interpretá-lo como uma “benesse” aos três Apóstolos, pedras angulares a Igreja que iria fundar. Esta “visão”, como O próprio Senhor lhe chama, deve ter sido de tal forma “esmagadora” que o próprio evangelista relata que «os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito». Naturalmente que, a partir deste momento passaram a ver a Pessoa de Cristo com outros olhos e, seguramente, a prestarem muito mais atenção às Suas palavras e às Suas obras. De certa forma, podemos dizer que o Senhor lhes antecipou a visão beatífica que os esperaria no Reino de Deus, na Vida Eterna.

Vultum tuum requiram, é a minha ambição e desejo, quando quiseres, como quiseres! Será sem dúvida a aspiração de qualquer cristão: ter a dita de contemplar a Face do Senhor tal qual É. O inefável prémio - que só encontra justificação no Teu Amor pelos homens - será de tal forma grandioso e extraordinário que nem conseguimos ter uma pálida ideia. Por isso só, valerá a pena toda a luta, todo o esforço, o começar e recomeçar com perseverança constante.

 

 

 

 

16/04/2023

COMENTANDO OS EVANGELHOS

 


POR DENTRO DOS EVANGELHOS

 

Re. Mc XII

 

Voltamos ao início, a caminho do porto do nosso destino que não sabemos muito bem qual seja, mas como vamos na Sua companhia, podemos ter a certeza que, se deixarmos que nos guie, havemos de chegar, sãos e salvos. E o caminho é difícil, cheio de obstáculos, rondando, por vezes, precipícios, à nossa vista, inultrapassáveis?

Não importa. Ele dá-nos o Seu braço, apoiamo-nos no Seu ombro cuja robustez suportou a Cruz, iluminando com a claridade do Seu olhar amabilíssimo os dias mais escuros quando a tristeza, a preocupação, a dúvida, nos assaltam.

Sabemos isto tão bem e, não poucas vezes, desprezamos auxílio tão excelente!

Pelo caminho, contemos-Lhe o que se passa connosco, digamos-Lhe o que nos acontece, com pormenor humilde e confiado, não nos fiquemos por generalidades, com toda a franqueza e sinceridade, abramos o coração sem medo que Ele não nos compreenda ou que, aquilo que Lhe revelamos, seja um disparate, se o que desejamos parece inacessível, se o que pensamos que nos falta não é na verdade necessário.

Ele sabe, conhece, entende e… compreende.

Cumprir a Vontade de Deus é o caminho para a nossa salvação, não duvidamos disto. Perante a “enormidade” da tarefa, pensemos simplesmente que, afinal, fazê-lo se resume a caminhar com Jesus.

Não duvidamos porque Ele é a Verdade. Temos a certeza porque Ele é o Caminho. Salvar-nos-emos porque Ele é a Vida.

«Acompanhava-o grande multidão, que o apertava».

A multidão segue, sem hesitar, Jesus que caminha. Há à Sua volta como que um ar de mistério, algo grande, extraordinário, fora do comum. As pessoas estão ansiosas, não obtêm respostas para as suas preocupações, não só o futuro, mas também o imediato é difícil, problemático.

A ocupação romana é um peso insuportável e a cada momento surgem paladinos mais ou menos exaltados que procuram nas multidões a força que lhes falta. Uns têm carisma e conseguem arrastar durante algum tempo alguns seguidores, outros, nem isso, são apenas uns ladinos em busca de apoios e sustento. Destes todos, nenhum se enfrenta com os Fariseus ou os Príncipes dos Sacerdotes que, supostamente, estarão do seu lado. Vituperam contra o povo que os domina e explora e, que, na sua exaltada apreciação, representa todo o mal sobre a terra. E, a verdade é que o conquistador romano os deixa bastante à vontade. Não se preocupa com as suas disputas estéreis sobre problemas duma religião que, de resto, não entende. As coisas parecem-lhe muito complicadas, com leis contraditórias que, numa grande parte, apenas servem para sobrecarregar ainda mais o povo anónimo com regras e mais regras muitas das quais tocam o ridículo e absurdo.

De vez em quando, se a agitação for maior e houver sedição, atiram para os calabouços com dois ou três dos mais notórios, castigam-nos para “dar exemplo” e, depois, devolvem-nos às ruas.

Mas as gentes continuam a seguir estas luminárias, sempre na esperança de algo melhor. Há séculos que lhes dizem que há-de vir um Salvador, alguém que, empunhando um facho de luz irresistível, guiará o povo rompendo as trevas do cativeiro, devolvendo a honra, o orgulho, a alegria à população espezinhada.

Com o passar dos séculos, este personagem anunciado pelos profetas foi-se transformando num ser fantástico, mítico, com poderes e capacidades extraordinárias, um guerreiro imbatível capaz de levar de vencida o maior e mais poderoso império da terra. Foram-se desvanecendo os sinais anunciados como prenúncio da chegada deste salvador, esqueceram-se a maior parte das profecias que falavam de morte, sacrifício, imolação.

O Salvador será um vencedor, um atleta, um líder de atracção irresistível.

Com Jesus é diferente. Não fala de vitórias, nem de batalhas, nem de guerras e, muito menos de vinganças, de desforra.

A Sua voz serena e grave, tem um tom de suave reconvenção, de apaziguamento. Não faz acepção de pessoas, não nega a atenção a ninguém. Move-o o sofrimento, a dor, a angústia dos que d’Ele se acercam. Emociona-Se quando contempla as praças das cidades pejadas de estropiados, coxos, cegos, destroços humanos na mais gritante miséria.

Fala em Seu nome. Diz sempre: «Eu digo-vos»!

E, não obstante a serenidade da Sua voz, este «Eu digo-vos»! tem uma força, um poder que convence, arrasta, entusiasma.

Muitos têm assistido a coisas extraordinárias: cura de doentes graves, leprosos que ficam limpos, cegos que passam a ver, possessos tranquilizados e em paz, tempestades que se convertem em bonança, vagas alterosas que se abatem em ligeira ondulação e uns milhares de pessoas saciadas com uns poucos de peixes e de pães. E, não menos estranho, é que todos O ouvem quando fala, não importa a distância a que esteja e, mais estranho ainda, todos O entendem como se falasse nas suas próprias línguas.

Os Evangelhos nunca o referem expressamente, mas é evidente, numa multidão de uns milhares de pessoas alguns ficarão a uma distância considerável do orador, ou quando vêm gentes de tantos lugares e países, é mais que provável que muitos não falem ou entendam aramaico. Quando penso nisto, considero que, de facto, hoje se passa exactamente a mesma coisa. E, tal, não se deve às tecnologias modernas.

Não! Jesus fala comigo, sempre, particularmente, esteja eu onde estiver e, ao mesmo tempo, fala com quem está do outro lado do mundo. Entende a minha língua, entende todas as línguas. Penso que isto acontece, porque este Jesus não é meu, é de toda a humanidade.

 

15/04/2023

Mt V


 

COMENTANDO OS EVANGELHOS

SÃO MATEUS

 

Cap V

2 –

 

Pelas palavras de Jesus podemos concluir que, na Vida Eterna, não haverá como que uma “nivelação” de todos.

Haverá “grandes” e “pequenos”, o Senhor afirma-o.

Isto tem importância?

Penso que sim, embora considere que, na Vida Eterna, o Supremo Bem é a visão beatífica da Face de Deus.

Tem a ver, sim, com a obrigação de fazermos o melhor que pudermos e não nos contentarmos com os “mínimos”, como que “ir andando”, não fazendo muitos disparates, não pecando com gravidade e… pronto!

Quem assim procede corre um perigo enorme, porque quanto mais baixo se voa maior é a possibilidade de chocar com um obstáculo que trave o “voo” e, a queda, pode ser grave.

Deve ser terrível a responsabilidade de alguém que propositadamente ensina, propaga o erro, a falsa doutrina

Quanto mais grave, quanto maior a inocência e fragilidade de quem é objecto de tal procedimento mais “apertadas” serão as contas que terá de prestar.

Poderá alguém ter dúvidas sobre como alcançar a Vida Eterna?

Pelas palavras de Jesus podemos ver claramente o caminho e a obrigação.

Cumprir a Lei não basta é necessário levar outros a fazer o mesmo.

Este trecho do Evangelho pode considerar-se um autêntico e definitivo aviso de Jesus Cristo sobre o comportamento de qualquer ser humano.

Não há meias palavras nem tergiversações, mas tão só afirmações muito concretas e reais sobre o procedimento a ter como norma de vida.

Pagar o que se deve, ter atenção ao próximo e às suas necessidades, viver, em suma, com inteireza e verdade nos actos como nas acções concretas.

Estas é que têm valor, não as intenções nem os desejos.

Como posso estar "bem" com Deus quando estou "mal" com o meu próximo?

Acaso o Senhor poderia aceitar tal coisa?

Infelizmente há alguns cristãos que vão pela vida fora como actores.

Sim… não exagero!

Frequentam com assiduidade a Igreja e os Sacramentos, usam grandiloquência sobre assuntos da religião, mas, privadamente, mantêm uma lista de agravos e reivindicações que aguardam ocasião para cobrar e fazer.

Ofensas antigas, más interpretações, juízos precipitados e malévolos e coisas do mesmo género de que se sentem credores quando, na maior parte das vezes, são eles mesmos os devedores.

Há que pôr as coisas em ordem e agir com critério em toda e qualquer circunstância que o cristão é-o sempre e não apenas quando é conveniente.

Vem Jesus Cristo, neste texto de São Mateus, como que a "preparar o terreno" para o que será o Mandamento Novo.

O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus ou, por outras palavras, não é possível amar a Deus sem amar o próximo.

Este mandamento é - se se me permite a expressão - absolutamente lógico porque sendo os homens TODOS filhos de Deus, pertencendo à Família Divina, não se concebe que não se amem entre si.

Do amor nasce a união e o Senhor quer que sejamos «Um como Ele e o Pai são UM!»

Mais uma vez o Senhor deixa bem claro que os dois primeiros mandamentos - amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos - são inseparáveis e não pode conceber-se um sem o outro.

O Senhor tem a prioridade mas esta não existirá sem a segunda.

Talvez que nunca nos demos conta que amar o próximo pode tornar-se muito mais difícil que amar a Deus.

Não nos atrevemos a "julgar" Deus ou pôr em causa se O devemos amar ou não.

Já quanto ao próximo muitas vezes guardamos ressentimentos, avaliamos a sua conduta, fazemos o papel de juízes e críticos.

E, tal excede em muito o que não podemos nem devemos fazer.

Há uma “declaração” de Jesus neste trecho de São Mateus que, forçosamente, nos fará pensar detidamente: «todo aquele que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração»

Aqui se vê a importância da “guarda da vista” porque ver é algo muito diferente de reparar.

Quantos pecados – por vezes bem sórdidos – têm a sua origem na vista?

Aliás, todo o pecado, por assim dizer, é sórdido, mau, aberrante, mas, e no caso vertente, ninguém ignora que o nosso pensamento e imaginação nos levam por vezes por caminhos de incrível perversidade.

Basta um segundo, um fugaz pensamento, um desejo mal expresso e, todavia, deixámo-nos corromper.

Tenhamos bem presente o seguinte: Ao demónio não lhe interessa nada que nos concentremos na oração, que, inclusive, nos preparemos com todo o amor e compunção para receber a Comunhão Eucarística e, assim, não raramente nos assedia com pensamentos ou desejos torpes precisamente nesses momentos.

Eu diria que “a força da tentação” estará em relação directa com a intensidade da nossa união com Deus.

Está claríssimo: para haver pecado é preciso intenção e, mais, mesmo se não se pecar em acto, se houver intenção peca-se em pensamento.

É evidente que o pecado é um acto livre da vontade expressa e - nunca - algo fortuito e inocente.

É fundamental ter uma consciência bem formada e as ideias bem claras: é impossível pecar sem querer!

Porque as circunstâncias, o ambiente, o estado de ânimo... não! Nada disso tem a ver com o pecado ou pode constituir desculpa; por isso mesmo é importante a Confissão frequente porque além de recebermos orientações preciosas sobre o nosso comportamento colhemos força e ânimo para melhor resistir às tentações.

Volto a insistir: o matrimónio não é possível subsistir sem respeito.

Respeito por si mesmo como pessoa, como cristão e respeito pelo outro também como pessoa e como filho de Deus.

Quem não se respeita a si próprio na sua dignidade humana dificilmente respeitará o outro e, com tal é impossível subsistir o amor cuja base assenta na confiança absoluta que deve existir entre os cônjuges.

Cristo afirma, uma vez mais, que a Missão que O trouxe ao mundo encarnado no seio puríssimo da Santíssima Virgem, não foi para instituir uma Nova Lei mas sim para aperfeiçoar e tornar sólida e decisiva a Lei dada por Moisés no monte Sinai.

Toda a Sua pregação confirma este propósito: o Reino de Deus está no meio dos homens – todos os homens – sem distinção nem condições.

Dependerá do homem aceitá-lo e cumprir a Lei e, só assim terá garantida a salvação eterna.

Deus, contudo, é Absolutamente Justo e, por isso mesmo, não impõe mas convida.

 

14/04/2023

Lc IX

 

POR DE 


PO

Dentro do Evangelho


Como o medo e a cobardia podem ter consequências tão diferentes.

Aproximava-se a Páscoa e Jesus sabe que essa será a Sua última Páscoa.

Em Jerusalém irá sofrer todo o martírio da Paixão e Morte. Tudo o que irá acontecer nesses dias derradeiros, está bem patente no Seu espírito.

A Sua natureza divina conhece em pormenor os incríveis sofrimentos, o desprezo, os ultrajes, as mentiras, a violência, o abandono mais completo.

A Sua natureza humana “força-se” a empreender o caminho que O levará a Jerusalém para cumprir o plano salvífico.

Temos de admitir que teve de fazer um esforço enorme, inaudito, para tomar essa firme resolução, como nos diz S. Lucas. Cfr. Lc 9, 51

Também nós nos enfrentamos, muitas vezes, com situações de grande tensão.

Temos pela frente um quadro negro e carregado de problemas, de dificuldades, de grande sofrimento. Sabemos que é inevitável enfrentar a situação e temos de nos dispor a fazer o que tem de ser feito. E, a nossa humanidade revolta-se firmemente contra isto, porque o sofrimento, é contrário à condição humana, porque Deus nos criou para sermos felizes.

 

«Bem-aventurado significa «feliz», «ditoso», e em cada uma das Bem-aventuranças Jesus começa prometendo a felicidade e assinalando os meios para a conseguir. Porque começará Nosso Senhor falando da felicidade? Porque em todos os homens existe uma tendência irresistível para ser felizes; este é o fim que todos os seus actos propõem; mas muitas vezes procuram a felicidade onde não se encontra, onde não acharão senão miséria.» Cfr. j. garrigou lagrange, Las tres edades de la vida interior, Vol I, 188.

 

Só que, a felicidade, pelo menos a felicidade autêntica, duradoura, não está na consolação e no bem-estar, na vida tranquila e sem incidentes.

A verdadeira felicidade está no cumprimento da Vontade de Deus, custe o que custar, doa o que doer.

«A Vontade de Deus é a bússola que em todo o momento nos indica o caminho que nos leva a Ele; é, ao mesmo tempo, o caminho da nossa própria felicidade. O cumprimento do querer divino dá-nos também uma grande fortaleza para superar os obstáculos.» Cfr. francisco fernández carvajal, Hablar com Dios, Advento, 1ª  Sem., 5ª F.

Jesus tranquiliza os seus discípulos apavorados ao vê-lo caminhar sobre as águas: «Sou Eu, não temais» Cfr. Mt 14, 22-36.

Este medo, contudo, não é cobardia, é temor genuíno perante o desconhecido, o insólito, o inexplicável.

O Senhor mantém-se nesta atitude permanente: «Sou Eu, não temais».

A cada passo diz-nos que, n’Ele, encontramos refúgio, segurança tranquilidade.

     

«Não conseguia deter a corrente. Caudaloso, o rio, levava-me no seu seio numa viagem rápida, vertiginosa para um destino que, pensava eu, só poderia ser o mar. Mal podia manter a cabeça fora de água e, quando o conseguia, quase sufocava com as golfadas que me entravam pela boca, pelo nariz... O que seria de mim se não conseguisse aproximar-me da margem, encontrar algo a que pudesse agarrar-me e sair daquele torvelinho?

O que seria de mim se fosse assim, não sei por quanto tempo, até ao mar?De profundis clamavit a Te Domine! Cfr. Slm 129. Da profundidade da minha aflição, clamei por Ti, meu Deus!

Ne timeas! Ouvi-te, claramente.

Senhor, eu confio em Ti, sei, tenho a certeza que tudo é para bem, mas ajuda a minha debilidade, a minha pouca fé, a minha confiança que vacila.» AMA, memórias do Hospital, Synesthesia,

O medo de não sermos ouvidos nas nossas preces é consequência da nossa pouca fé.

Sabemos o que somos e como somos e, essa constatação leva-nos, por vezes, a duvidar que Deus nos oiça quando Lhe pedimos algo. A oração é sempre petição.

Esquecemo-nos que Ele nos conhece intimamente, melhor, muitíssimo melhor, que nós próprios nos conhecemos e, não obstante, tem para connosco carinho e solicitude de Pai extremoso que só quer o nosso bem.

É fundamental que a nossa oração não seja anónima, desgarrada, sem convicção, mas sim, uma oração confiada de filhos.

 

«Ser Teu filho Senhor! Esta certeza é cada vez mais uma presença dominante no meu espírito e desejo sinceramente que assim continue, aumente e cresça até tomar conta total de mim. De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti». AMA, orações pessoais

 

«Lembro-me que houve muitos dias em que não conseguia rezar de uma forma consistente. Os pensamentos entrechocavam-se e resultavam numa confusão sem sentido. Entreguei-me com decidida persistência às orações vocais: Ave-Marias, Pai-nossos, Mistérios do Rosário, as orações simples que rezo desde criança.

Aprendi agora que não me aconteceu nada de estranho, nem fui o primeiro – nem serei seguramente o último – a passar por tal transe.» AMA, memórias do Hospital

 

«Para que a oração desenvolva força purificadora, deve, por um lado, ser muito pessoal, um confronto do meu eu com Deus, com o Deus vivo; mas, por outro, deve ser incessantemente guiada e iluminada pelas grandes orações da Igreja e dos santos, pela oração litúrgica, na qual o Senhor nos ensina continuamente a rezar de modo justo.

O cardeal Nyugen Van Thuan contou no seu livro de Exercícios Espirituais, como na sua vida tinha havido longos períodos de incapacidade para rezar, e como ele se tinha agarrado às palavras de oração da Igreja: ao Pai-nosso, à Ave-Maria e às orações da Liturgia. (Testimoni della speranza, Città Nuova, 2000, 156 ss.)

 

Na oração, deve haver sempre este entrelaçamento de oração pública e oração pessoal, Assim podemos falar a Deus, assim Deus nos fala a nós»  Bento XVI, Encíclica, Salvos na Esperança, 34.

De facto, nada é novo, não somos os primeiros em nada, antes de nós, já alguém pensou, fez ou desejou algo semelhante.

Esta é, sem dúvida, a tendência que todos - mais ou menos -, temos para nos considerarmos únicos, peculiares, especiais. Na verdade, só somos particulares aos olhos de Deus, que nos conhece pelo nosso nome, pelo qual nos chamou mesmo antes do início do mundo.

Se acreditarmos nisto, que é essencial para a nossa fé, facilmente concluiremos que, o nosso caminho se cruza, definitivamente, com o caminho do Jesus que passa, na nossa vida, sempre tão perto de nós.

 

«E foi com ele».

 

Jesus não se detém mais tempo.

Provavelmente dando o braço a Jairo, numa atitude de confiança, de tranquila certeza, diz-lhe que indique o caminho para sua casa. Como deve tranquilizar-nos esta atitude do Mestre: caminhando confiadamente connosco, deixando que O levemos onde queremos ir, ao encontro da nossa necessidade.

Certamente entabulou conversa com o Seu companheiro, informando-se da sua vida, do seu trabalho, a família. Tal como fará em muitas ocasiões, muito particularmente com dois, a caminho de Emaús.

Esses também vão para sua casa, procurando refúgio, recato, pondo-se ao abrigo de uma situação que os afligia em extremo. Tinha acontecido um desastre, algo que não conseguiam explicar. Nas suas mentes entrechocavam-se os pensamentos mais contraditórios, as dúvidas mais profundas.

Estão desorientados, sem saber que fazer ou pensar.

E, Jesus, junta-se-lhes no caminho e ouve-os, escuta as suas dúvidas, interroga-os com interesse. Quer saber, deseja inteirar-se. E, depois, esclarece, explica, tranquiliza.

Este Senhor que caminha ao nosso lado e cuja presença, tantas vezes, ignoramos, é o mesmo Jesus que caminha agora com Jairo, tranquilamente, conversando na Sua voz profunda, suave, segura, transmitindo paz, confiança, tranquilidade.

Como desejamos esta companhia tão excelente todos os dias da nossa vida, em todos os caminhos que temos de percorrer! Nunca estamos sozinhos, Jesus está sempre connosco e, por extraordinário que possa parecer, mesmo quando não O convidamos expressamente, ou nos esquecemos de Lhe pedir para nos acompanhar.

 

13/04/2023

Mt XXXIII

 

COMENTANDO OS EVANGELHOS

 

SÃO MATEUS

Cap XXIII

 

1-12 - Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado disseste Tu, Senhor. E, como foste Tu quem o disse, só pode ser verdade.

Quantas vezes não se verifica!

E, quanto a mim?

Que se passará?

Sim porque eu tenho esta prosápia permanente, esta sede de protagonismo e evidência – as minhas filactérias – sempre olhar para cima, pescoço bem esticado para ser visto e, naturalmente, admirado.

Aceita, Senhor, a minha declaração formal do que sou:

Nada, absolutamente, e trata-me assim: como nada!

 

Já se disse e repete-se: de nada interessam nem as palavras nem as "teorias" se não correspondem às obras.

O exemplo sim, arrasta, catequiza, convence.

Res non verba - obras e não palavras - este é o princípio, o axioma.

No trabalho de Deus e por Deus como é todo o apostolado que a nossa condição de cristãos nos obriga e urge, não pensemos tanto no que havemos de dizer, mas, antes, no que temos de fazer.

As nossas acções falarão por si mesmas e, mais, identificam-nos como pessoas credíveis e fiáveis.

 

O tema principal deste trecho de São Mateus é o “serviço”.

Não parece desajustado porque quem o propõe é o “Servidor” por excelência: o próprio Jesus Cristo.

Parecerá a alguns que servir não é “próprio” de criaturas livres e senhoras de si, mas antes, de outros que não têm outra capacidade senão obedecer.

Ponho as coisas de outro modo – talvez simplista – que me parece resolver de vez a questão:

Prefiro servir a minha pessoa, a minha vontade, os meus desejos e ambições ou servir a Deus Nosso Senhor?

A primeira opção é arriscada porque sou um simples homem limitado e em permanente evolução;

A segunda é seguríssima porque só pode ser para bem, porque Deus É, não evolui, não muda, sabe absolutamente tudo o que melhor convém.

 

Este trecho do Evangelho propõe-nos um exame sério, detalhado, profundo.

Somos que dizemos ser?

Fazemos o que dizemos que deve ser feito?

Julgamo-nos de alguma forma "superiores", "especiais", dignos de admiração?

Talvez que, depois desse exame, fiquemos surpreendidos com a conclusão.

Não deixemos que os nossos defeitos e fraquezas nos dominem ou condicionem, lutemos, antes, por ser sinceros, honestos no proceder e intelectualmente.

Esta "luta" terá de ser constante, sem descanso nem com medo dos fracassos.

Se pedirmos ajuda ao Senhor, Ele não nos faltará.

 

Este discurso de Jesus que o Evangelista relata, é, poderíamos dizer, recorrente. (1-12)

De facto, Jesus Cristo encontra-se quase que em permanente confronto com as classes dominantes do povo de Israel.

E, a causa, a raiz desse confronto – que da parte contrária chega a ser ridícula – é a falta de humildade, o desejo de protagonismo e evidência, a auto-consideração.

Deus – com palavras humanas – não sabe o que fazer com pessoas assim nem, aliás, elas se preocupam muito com isso já que como quase auto-satisfazem a si próprios e se acham acima de todos os outros.

Quem anda pela vida “olhando o próprio umbigo”, portando-se como se fosse o dono e senhor de toda a verdade, na realidade despreza os outros e, quem despreza o próximo, acaba sempre por desprezar o próprio Deus.

 

Talvez que o que mais me surpreende em Jesus Cristo é a Sua extraordinária paciência perante os “usurpadores” da verdade como são, de facto. os chefes do povo de Israel.

Não deixando, embora, passar sem referir os abusos e atropelos à Lei, tem uma atitude didáctica para com eles na medida em que procurando não pôr o povo contra eles quer, por outro lado, chamar a sua atenção para os múltiplos erros e abusos que cometem.

A Sua doutrina é positiva e não trava uma luta mas, doutrinando, ensina e ajuda os que, enganados, “andam como ovelhas sem pastor”.

 

Neste trecho de São Mateus, (Cfr. 13-22) Jesus dirige-se particularmente aos fariseus, mas,  em boa verdade, poderia repetir estas mesmas palavras a muitos cristãos que se "arvoram" em juízes e directores de outros,  expondo doutrina e princípios rigorosos que eles próprios não só não cumprem como desprezam.

São falsos e perigosos porque aproveitando-se (não poucas vezes em proveito próprio) de pessoas simples ou incautas, espalham o erro e abusam da boa-fé dos que os ouvem.

Normalmente são bem-falantes e prometem tudo quanto as pessoas desejam ter ou alcançar.

Cuidado, pois!

São as obras e não as palavras que revelam a verdade.

 

Neste trecho de São Mateus aparece-nos um Jesus Cristo um pouco “diferente” do habitual, como se “tivesse perdido a paciência” com os opositores do costume.

Talvez, de facto, a impaciência de Jesus se mostre clarissimamente, sem rodeios nem meias palavras e, isto, demonstra uma vez mais, que, O Senhor, só diz a verdade em qualquer circunstância.

A argumentos inconsistentes e sem qualquer critério há que responder “pondo as coisas o seu lugar”, principalmente porque é necessário que, os “pequeninos” saibam onde está a verdade e o caminho certo.

 

Jesus Cristo numa assaz longa palestra põe a nu, sem quaisquer reticências ou escolha de palavras, quanto no comportamento dos fariseus é reprovável e falso.

Fala à chamado “classe dominante” do povo, aqueles que se outorgam qualidades e direitos de guias e mentores, responsáveis pela aplicação da lei.

Não são, de facto, o que dizem ser e, ainda pior, praticam o contrário do que exigem aos outros.

O Senhor detesta a hipocrisia e a duplicidade e não pode aceitar sem se pronunciar vigorosamente contar tal gente.

 

Talvez que ao ler este trecho do Evangelho (Mt 23-26) tenhamos de considerar a necessidade de um exame ao nosso comportamento.

É verdade... consideramos o comportamento dos fariseus no tempo de Cristo repugnante ou pelo menos pouco recomendável, mas será que nós não teremos por vezes essa mesma tendência de nos agarrarmos às coisas menores, aos detalhes de escassa importância desprezando o que realmente interessa para cumprir-mos em tudo a Vontade de Deus?

       Justiça, Misericórdia e Fidelidade!

O mais importante da lei!

Justiça para contigo, Senhor, dando-te o que Te pertence que é tudo porque tudo criaste.

Nada do que julgamos ter é nosso.

Misericórdia que é compaixão que é amor.

Dando aos outros o que Tu esperas que nós demos: tudo o que estiver ao nosso alcance.

Fidelidade que é a constância e a perseverança no bom caminho, que, és Tu, Caminho, Verdade e vida.

 

O Senhor não se coíbe na sua apreciação do comportamento dos fariseus. (27-32)

Não serão todos evidentemente porque, como em todas as classes ou grupos sociais, há pessoas correctas e com são critério.

Mas infelizmente e sobretudo naquele tempo, o serem uma classe dominante perverteu a sua "missão" de chefes do povo preocupando-se mais com as aparências que com o exemplo que deveriam dar.

Assim, desviando a verdadeiras questões e iludindo os problemas concretos, contribuíram fortemente para que o povo anónimo fosse considerado por Cristo como «ovelhas perdidas sem pastor».

 

São Mateus continua a relatar o discurso de Jesus dirigido directamente aos fariseus e doutores da lei

É um longo discurso em que nada fica por dizer, vícios por pontar, procedimentos incorrectos por revelar.

É necessário que o faça porque ninguém tem nem a coragem nem a determinação de Cristo por revelar a verdade.

O povo, anónimo e submisso, era como o Senhor o apelidará: «Como ovelhas sem pastor», e, Ele, veio ao mundo para ser o seu Pastor, fiel e seguro que o conduzirá por caminhos de salvação.

Talvez que, hoje em dia, faltem pastores autênticos e dedicados ao rebanho que o Senhor lhes confiou.

O Papa não se cansa de chamar a atenção para o primeiro e mais urgente ministério da Igreja:

Guiar os fiéis, instruindo e ensinando, mas, sobretudo, dando exemplo claro e iniludível que atraia e conduza o povo de Deus para Ele.