13/11/2022

Publicações em Novembro 13

 


(Nota: Seguindo a recomendação de São Josemaria Escrivá procurarei viver o Evangelho como um personagem mais. Para tal seguirei fielmente os textos pronto a fazer as considerações que me ocorrerem.)

 

Dentro do Evangelho – Lc 

 

Absolutamente por acaso caminhava por uma movimentada rua.

Como se verificava então, inúmeras pessoas estavam sentadas na borda, pedindo ajuda a quem passava, algumas ostentando chagas, deficiências físicas, males de toda a ordem.

Uma destas pessoas era bem conhecida por quase todos os habitantes da cidade. Chamava-se Bartimeu e era completamente cego e dependente da generosidade de outros.

Naquele dia, tinha no trapo imundo a seu lado umas duas ou três moedas de escasso valor.

Começou a ouvir um burburinho inusitado e perguntou-me a mim, que tinha colocado uma moedinha no trapo, o que se passava e, eu respondi que era Jesus de Nazareth que aí vinha seguido, como sempre, por uma multidão.

Como resposta, Bartimeu rompeu aos gritos:«Jesus, Filho de David tem piedade de mim».

Não havia quem o calasse, nem eu que resolvi afastar-me um pouco sempre com o receio que tenho, de me acharem conivente com algum "arranjo". Mas... Jesus parou e depois de informado pelos mais próximos, mandou chamar Bartimeu.

Quando lho disseram, Bartimeu levantou-se de um salto e ficou em frente de Jesus que, simplesmente lhe perguntou o que queria. Bartimeu respondeu: Senhor, quero ver... se Tu quiseres...

A resposta de Jesus foi a que todos conhecemos:

- «Quero... vê!»

" E, Bartimeu viu, pela primeira vez na sua vida os seus olhos conseguiam enxergar o ambiente e, a primeiríssima coisa que viu foi a Face amável de Jesus que lhe sorria.

Fiquei-me a pensar que quando se pede algo a Jesus não são necessários discursos nem explicações mas, tão só, dizer o que se quer. Ele decidirá sempre como for melhor para nós.

Estar dentro do Evangelho é estar dentro da vida.

Esta afirmação tem toda a razão de ser se considero que o Evangelho é a Palavra da Vida que é Jesus Cristo. Ele Próprio o afirmou: «Eu Sou a Vida». Portanto tenho como absolutamente certo que ao introduzir-me no Evangelho estou a viver de facto.

A vida não pára de nos apresentar a cada momento coisas novas. Nenhum novo dia é igual aos que já passaram.

Assim no Evangelho, cada vez que me detenho concentradamente numa passagem do Evangelho, qual for, encontro sempre algo novo e surpreendente.

É verdade... posso conhecer o Evangelho quase de intimamente e, por isso, na leitura diária, ser levado a como que limitar-me a ler, talvez apressadamente, o texto que se me apresenta.

Valor? Sim... terá algum, mas não colho quanto poderia colher.

Ninguém lê uma história que lhe foi insistentemente recomendado que lesse, apressadamente sem preocupação de compreender plenamente o que o autor escreve.

Pois bem... o Evangelho é, de facto uma história mas, além de ser verdadeira e absolutamente credível, é uma história escrita por homens mas inspirada pelo Espírito Santo. É, nem mais, que a HISTÓRIA DA SALVAÇÃO HUMANA, da minha salvação.

Ao considerar tal, como não me limitar a ler mas a considerar, viver, sentir-me por dentro?

Uma história Cujo Autor É Deus!

Como não considerá-la como a história mais importante para a minha vida?

Quero saber, desejo conhecer em detalhe porquê e como fui salvo e, mais, que posso e devo desejar fazer para merecer tão extraordinário benefício e, a verdade é que no Evangelho vou encontrando, sempre, as respostas ás minhas perguntas.

Não tenho "estatuto" nem categoria para dar conselhos, mas posso, com a liberdade que Deus me deu, fazer sugestões e, por isso sugiro aos que têm como múnus aconselhar que dêm este conselho aos que os procuram: 'Lê diariamente o Evangelho, vivendo e meditando o que lês. Da meditação hás-de extraír conclusões e  destas, propósitos. Aconselho-te portanto que antes de começares te ponhas na presença de Deus e peças ao Divino Espírito Santo que te assista e guie. Assim colherás o que te faz falta'.

Tenho absolutamente como garantido que para qualquer cristão a leitura diária, concentrada e meditada, do Evangelho é fundamental e imperiosa.

Talvez, se possível, nos primeiros momentos de cada dia porque ficaremos com como que um "guião" para enfrentar e resolver qualquer situação que ocorra.

 

Reflectindo

 

Nas grandes superfícies comerciais é costume haver campanhas de benefícios especiais na aquisição a partir de um montante mínimo de determinados produtos. Penso que se aplicar esta "técnica" comercial à minha oração pessoal é muito possível que venha a colher o mesmo resultado.

Acredito que a oração tem sempre um mérito e, sendo assim quanto mais oração... mais mérito.

Eu preciso de acumular méritos para ir equilibrando o saldo do "deve-haver" nas contas que terei de prestar quando for presente ao Julgamento logo após a minha morte, daí que considere importante e muitíssimo conveniente rezar mais e mais e melhor.

Interesseiro?

Sem dúvida que sim, mas tenho uma justificação: o que mais me interessa e convém é a minha salvação eterna e não sei de outra forma de o conseguir que não seja rezando por ela.

'Mas... diz-me o tentador... já rezas tanto... são as "Orações Diárias" que tens no Plano de Vida, são as invocações permanentes, um Pai-Nosso por alguém de quem te lembras pelo que for, até por alguém que passa na rua e nem sequer conheces... não te parece bastante?'

Por norma e conselho de quem sabe muito mais que eu, não dialogo com o tentador e, portanto... fico-me na convicção que se a ele o incomoda é porque procedo bem.

Assim... o que faço logo após acordar de manhã é pedir aos meus Protectores, em especial à minha Mãe do Céu, que me ajudem na oferta que faço do dia que vai começar ao meu Criador e Senhor praticando e vivendo quanto Ele legítimamente espera que eu faça.

Fico tranquilo, a Sua assistência não me faltará.

 

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12/11/2022

Publicações em Novembro 12

 


(Nota: Seguindo a recomendação de São Josemaria Escrivá procurarei viver o Evangelho como um personagem mais. Para tal seguirei fielmente os textos pronto a fazer as considerações que me ocorrerem.)

 

Dentro do Evangelho – Lc 

 

Jesus disse aos Seus discípulos que eram o "sal da terra", o que, no contexto, entendo como o elemento essencial para "temperar" as atitudes, pensamentos e acções com algo tão importante como o fermento de facto é para que se possa ter uma massa que levede correctamente e sirva para fabricar o pão, alimento fundamental do ser humano. Ser esse pequenino "quase nada" que os os cristãos têm de se esforçar por ser, que leve outros a transformarem-se por dentro de "massa anónima e vulgar" em verdadeiro bem para alimentar tantos e tantos irmãos nossos com fome.

Não refiro a fome autêntica que corrói muitos que carecem de alimento para o corpo, é algo terrível e que deveria ser considerado como a primeira prioridade dos responsáveis e governantes deste mundo em que vivemos. Pergunto-me quando surgirá alguém com a coragem de propor uma determinação: "Nenhum ser humano poderá deixar de ter acesso ao alimento essencial!"

Sinceramente, pesando bem as palavras que escrevo, considero que essa determinação será extremamente difícil de surgir. Haverá sempre quem diga, por exemplo "não posso deixar de concordar mas... quem, ou como se financiará tal determinação?" Sim, é tristemente verdade... por detrás de qualquer opção de carácter social, estará sempre um "autêntico exército" dos que querem tudo "preto no branco", dispostos os meios para o fazer, nomear intermináveis comissões de fiscalização dos actos, ponderar as prioridades, por exemplo... aqui, ao pé da minha porta ou numa localidade remota da Ásia, Oceania... onde for.

Não sejamos hipócritas... se eu não assisto alguém que à porta da minha casa me pede ajuda, será que vou andando rua fora em busca de um qualquer que possa ajudar?

Já sabemos... há autênticos "profissionais do pedir", mas, esses, penso que qualquer um consegue identificar e, portanto, evitar colaborar num autêntico abuso da solidariedade dos outros.

Pessoalmente posso, talvez convenha, referir uma circunstância pessoal. Com frequência sou abordado à porta de casa por um homem que me pede ajuda. Ao longo dos anos fui conhecendo a pessoa e adequando a minha postura. O homem é, para sintetizar, um desgraçado sem eira nem beira, sem recursos de qualquer natureza. Claro que fui "descobrindo" que é um aldrabão, a mãe já morreu umas três ou quatro vezes, a última vez que comeu uma refeição decente já nem se lembra, um irmão continua a ser sujeito a mais uma intervenção cirúrgica urgente, ... enfim toda uma panóplia de desgraças, necessidades terríveis, urgentíssimas que inventa para "amolecer o coração" de quem aborda. Eu, durante muito tempo deixei-me como que "embalar" nestas "histórias" e lá ia "contribuindo" com uma moeda ou duas. Passado bastante tempo, uma vez mais estava à minha espera à porta de casa, de mão estendida, o olhar suplicante, uma atitude de "causar dó". Agarrei-lhe num braço, puxeio-o para dentro do portão, sentei-o nas escadas e disse-lhe:

- Acabou-se! A partir de hoje a tua Mãe não morre mais vez nenhuma nem o teu irmão, se é o que o tens, vai ser operado a coisissíma. Não te quero julgar nem avaliar, podes fazer qualquer coisa para alguém e receberes a paga por isso. A mim, por exemplo, nunca me perguntaste se queria que cortasses a relva do jardim. Eu, embora não compreenda, tenho de admitir que te estás a dar bem com o teu estilo de vida. Não me compete nem quero ser nem juíz nem conselheiro, é a tua vida que escolheste viver e pronto. Mas, no que diz respeito á nossa relação de tantos anos vai passar a ser assim: Não te dês ao trabalho de estar à minha espera com uma história das tuas. Quando precisares de alguma coisa eu continuo aqui e estou disponível para ajudar. Mas... com uma condição: não me mintas! Se queres um par de Euros para beber um copo é isso que tens de me dizer!...

O resultado desta "entente" é que, agora, com este "profissional da pedinchisse" não chego a gastar Dez Euros mensais!

Estava, como sempre tenho estado, anónimo do meio de uma enorme multidão. Alguns diziam que só homens seriam uns cinco mil e, isto sem contar mulheres e crianças que na época pouco ou nada contavam. Eu, no entanto, não me escuso de comentar que seriam, pelo menos, o dobro dos homens. Vinte mil pessoas para a época era de facto uma multidão considerável.

Jesus falava e o que mais uma vez me surpreendia é que todos O ouviam perfeitamente estivessem à distância que estivessem... hoje seria fácil com instalações de som... mas na altura!!! e isto era já por si um milagre. O que Jesus dizia era, como sempre, uma "novidade" para muitos dos que ali estavam, carregados de problemas, condições de vida lamentáveis... enfim... dizia Ele que eram Bem-aventurados, os que choravam, os que sofriam, os desenganados da vida.

Bem-aventurados!? Sim... foi o que Ele afirmou várias vezes. Percebi então, hoje entendo melhor, que para Jesus os Seus irmãos os homens estão sempre em primeiro lugar nas Suas "preocupações", atento ao que possa fazer-lhes falta, pronto a dar solução aos problemas pessoais de cada um. Julgo ter entendido duas coisas: uma que Jesus não actua como que multitudinariamente, fazendo, por exemplo que todos os que O escutavam que ficassem sem fome. Poderia faźê-lo? Claro que podia... Jesus pode absolutamente tudo,  mas... não, quer que quem precisa o que for vá ter com Ele e Lhe diga o que deseja, sem precisar de se explicar porque Ele conhece muito bem as razões que estão  na origem dos pedidos. Julgo perceber que Jesus gosta, realmente gosta, de ser instado, solicitado a actuar, a conceder, a satisfazer, e, claro que também percebo que a perseverança nos pedidos, a constância da petição é fundamental para realmente não pedirmos por pedir mas porque estamos firmemente convictos que, se for para nosso bem Ele o concederá. Quando um filho pequeno pede a seu pai que o deixe conduzir o automóvel o pai pondera que satisfazer o desejo do filho pode ser contraproducente e, por isso, diz Não! Aprofundando, podemos concluir que o pai agiu com prudência. O Senhor é sumamente Prudente e portanto podemos confiar que só satisfará os nossos desejos se estes forem convenientes e para nosso bem.

Posto isto, volto à Cena Evangélica: As pessoas estavam eufóricas, olhavam-se umas ás outras dizendo: Eu... Tu... somos Bem-aventurados!?! Uma alegria incontível como que se apoderou de todos, romperam em cânticos, hossanas... gritos de júbilo.

Ao pensar que também eu posso ser Bem-aventurado!!!

 

Reflectindo

"Vamos a ver"... esta é uma resposta muito comum a uma solicitação qualquer que nos é feita.

De facto não é uma resposta mas uma evasiva, uma habilidosa forma de postergar para um futuro qualquer que não se indica essa mesma resposta.

A mim parece-me algo como ou desinteresse ou cobardia. Seja o que for para ser honesto tem de se dar, imediatamente, uma resposta: 'Não sei!... Neste momento não posso responder mas vou ponderar e dentro de x dias responderei...?

Desta forma, quem nos pôs a questão ficará satisfeito ao invés de pensar... ‘não vale a pena perguntar o que for a este sujeito'.

Constato esta realidade: Não sei que hei-de fazer para ocupar todo o tempo que diariamente tenho.

Sim, é verdade, depois de cumprir "as obrigações diárias", encontro-me com horas e horas sem ter o que fazer.

Não é um drama mas é uma "sujeição", fazer... o quê???

Compreendo que ao conceder-me todo este tempo o Senhor quer que eu viva. Eu, sinceramente, digo-Lhe: Senhor... mas para quê? E parece-me ouvir a Sua resposta:'Porque Eu quero'.

Então, não me ocorre mais que dizer-Lhe: 'Senhor, está bem, vivo até quando Tu quiseres, mas ajuda-me a viver como Tu queres que viva'.

Com esta conclusão fico sem mais nenhum "argumento" para continuar a "conversa", e, portanto...

 

 

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11/11/2022

Publicações em Novembro 11

 


(Nota: Seguindo a recomendação de São Josemaria Escrivá procurarei viver o Evangelho como um personagem mais. Para tal seguirei fielmente os textos pronto a fazer as considerações que me ocorrerem.)

 

Dentro do Evangelho – Lc 

 

Estava ali assistindo a mais uma das intervenções de Jesus.

Aquela pareceu-me muito "especial", na minha forma de dizer e, por isso prestei particular atenção decidido a não perder palavra do que fosse dito.

Jesus dizia a Simão, um judeu proeminente na sociedade que O tinha convidado para uma refeição em sua casa: «Quando cheguei não me deste o ósculo, água para lavar os pés, não me ungiste com óleo».

Simão ficou calado, como que sem palavras para responder.

Eu pensei que talvez Simão não tivesse convidado Jesus para O honrar, distinguir mas, talvez, para mostrar aos convivas quem era Aquele Jesus de Quem todos falavam.

Desdenhou as "normas" respeitantes a um convidado, talvez, pensando que, dada a sua posição social conviria não se "comprometer" mas tratá-Lo como um qualquer dos que frequentemente convidava.

Eu, que tenho a graça de saber muito mais que Simão, não posso deixar de lamentar que tenha perdido tão excelente oportunidade de ter recebido com esmero redobrado Tal Convidado!

Não pude deixar de reparar que Jesus reagiu de forma absolutamente clara a esta falta de atenção.

Compreendo que os convites que façamos a outras pessoas para algum tipo de convivência têm que ser sinceros, isto é, têm de partir do coração e não de uma secreta vontade, ou curiosidade, de mostrar a outros que não queremos como que "ficar atrás" de muitos outros que manifestam interesse em conviver com "alguém de quem se fala".

Aqui reside a verdadeira honestidade pessoal: Fazer o que for porque queremos e pensamos que será um bem e não para como que para "cumprir" algo que talvez seja conveniente ou de nosso interesse. Não deve ser, portanto, uma "conveniência" mas uma decisão devidamente ponderada.

Mas... isso não será imitar outros?

Talvez... mas imitar outros no que fazem de bem considerando o que de alguma forma obtiveram com a sua acção será, seguramente, algo bom e recomendável.

Tal como outros observam e avaliam o que fazemos ou manifestamos, também eu o devo fazer, não com espírito crítico mas com o desejo de descobrir o que de bom possa existir.

O exemplo é algo muito sério e que merece constante avaliação. Poderei falar muito bem, escrever ainda melhor mas  isso de pouco valerá se o que faço não estiver de acordo.

Primeiro fazer... depois dizer! Esta deve ser como uma "máxima" que deve estar sempre presente.

O dever de um cristão é anunciar a VERDADE, que É a Palavra de Deus, mas, também denunciar a mentira ou falsidade sobre a mesma. Daí que, não seja possível fazê-lo sem conhecer com profundidade a Palavra de Deus e, para tal, não há outra via que ler e meditar com frequência diária o Evangelho.

Muitos retiram do Evangelho palavras ou frases fora do contexto para com esta hábil perversão levarem outros, mais incautos, débeis ou ignorantes, por falsos caminhos. Estas pobres pessoas cheias de problemas pessoais e numa infrene procura de soluções estão muito permeáveis a promessas de soluções fáceis de conseguir. Deixam-se ir nas "pregações", convencer por "milagres" habilmente engendrados... enfim... toda a sorte de "truques" que os inimigos da Fé usam para conseguir os seus objectivos.

O Cristão, para arrastar outros para o Caminho, a Verdade e a Vida que É Jesus Cristo, não precisa nem de milagres nem de truques mas de simplesmente convencer pelo exemplo da sua conduta pessoal.

Na monotonia da tarde, o dia prestes a findar, estávamos envolvidos nos nossos mantos e capas, tentando encontrar repouso para recuperar um pouco da dureza da jornada.

Perdi a conta das pessoas que nos seguiram, das que a cada instante, pediam a Jesus que Se detivesse um pouco, Lhe faziam perguntas e pedidos de toda a ordem. Parecia-me que, a maior parte, não tinha um pedido concreto a fazer mas  talvez tentar obter uma resposta a questões e dúvidas que os assaltavam. Isto demorava imenso tempo mas, Jesus nem por isso deixava ninguém sem resposta.

Muitas vezes, a Sua resposta era um exemplo, uma parábola.

«Um homem tinha dois filhos», esta uma das respostas, das Parábolas que Lhe ouvi. Algo extraordinário, tanto... que ficou conhecida para sempre como a "Parábola do Filho Pródigo"!

Ficámos todos e eu, claro, abismados! Era tão real, verdadeira e concludente que me apercebi imediatamente que ficaria guardada para sempre nos escaninhos da História da raça humana.

Filho Pródigo!

Quem não sabe o que é?

Quem nunca ouviu falar?

Mas, detenho-me a pensar que, talvez haja quem não conheça, nunca tenha ouvido falar e, penso, que a minha obrigação é dá-la a conhecer sem reservas nem "escolhidos" mas a todos com quantos me cruze nos caminhos desta vida.

Hoje assisti a algo extraordinário!

Estava no Templo porque era Sábado quando saindo do lugar onde Se encontrava Jesus dirigiu-Se a uma mulher que caminhava pela coxia com evidente dificuldade. Estava completamente encurvada, no rosto traços visíveis de sofrimento.

Jesus disse-lhe simplesmente que se endireitasse. Foi o que aconteceu!

As manifestações de júbilo e graças mal abafavam os protestos de alguns fariseus presentes indignados. Uma cura feita num Sábado! E diziam, mais ou menos, que para curar alguém haveria de escolher outro dos seis dias da semana, nunca um Sábado.

Fiquei a pensar neste "retorcimento" da verdade: implicitamente reconhecem o poder de Jesus mas não querem que o exerça ao Sábado!

Como é possível tal teimosia endurecida e sem qualquer razão!

Sei perfeitamente que Jesus pode fazer o que quiser quando e como quiser e, por isso, do fundo do meu coração Lhe peço: Quando e como quiseres, Senhor, cura-me dos meus males.

 

Reflectindo

 

Algumas vezes, ao participar na Santa Missa, incomoda-me a leitura de textos do Antigo Testamento porque, não raro, são de tal forma violentos, quase aberrantes, que me levam a um sentimento de repulsa.

Penso melhor e vejo que o "objectivo" da Liturgia será exactamente esse: pôr a nu o verdeiro sugnificado da Missão de Cristo: «Não vim abolir a Lei mas actualizá-la»​​.

Uma Lei com mais de Sessenta mandamentos que ao longo do tempo os próceres de Israel tinham indo acrescentando, uma Lei que descrevia minuciosamente deveres e obrigações mas que esquecia o que Jesus veio lembrar: A Lei de Deus encerra-se em dois Mandamentos: «Amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo».

Uma, Lei de exclusão, outra uma Lei onde cabem todos os homens.

 

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