07/07/2022

Publicações em Julho 07

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt XXXVII…)

 

 

Uma vez mais considero o papel relevante da mulher na história da Salvação humana.

 

Movidas pelo amor entranhado que sentem por Jesus, depois do fragor da Paixão, mal o dia desponta, acorrem ao Sepulcro para completar a sepultura de Jesus que, na tarde anterior tinha decorrido a toda a pressa.

 

Precisam ver com os seus olhos se tudo está em ordem, se o Corpo do Senhor se encontra dignamente disposto, se falta algum pormenor.

 

Não sabem se os guardas as deixarão fazer o que se propõem e, muito menos, como hão-de remover a pesada pedra que tapa a entrada mas, essas dificuldades não as detém fazem desistir do seu intento.

 

O verdadeiro amor é assim: determinado, consistente, corajoso, não olha a meios para conseguir o que pretende.

 

O meu amor tem de ser assim!

 

Reflexão

Esta "pressão" que sinto: tenho de escrever qualquer coisa... o que for, é isso mesmo: "uma pressão".

É, presumo, parte integrante da minha idiossincrasia, daí que, penso, tenho duas hipóteses:

- Primeira

Deixo-me ir e escrevo.

- Segunda

Resisto e tento "construir" a escrita na minha cabeça.

Acho que, talvez possa utilizar as duas, se uma for o fruto de uma inspiração genuína, pode ser que valha a pena; se a outra for apenas uma "ideia" a necessitar de elaboração... também pode ser que valha a pena... daí que, talvez o melhor seja... escrever e prontos!

Seja qual for a decisão que bem ou mal irreversíveis virão ao mundo? Tombar-se-á? Alteram-se as órbitas celestes?

"Senhor, diz-me o que hei-de dizer, o que hei-de escrever, para Tua Glória, Bem das almas, da minha Salvação Eterna".

Isto escrevia São Tomé de Aquino...

 

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06/07/2022

Publicações em Julho 06

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt X…)

 

Há dias a Santa Igreja celebrou a festa do Apóstolo São Tomé.

Confesso... apaixona-me este homem, a sua inteireza de carácter, o dizer desassobradamente o que pensa sem olhar a "conveniências" nem falsos "pruridos" e, sobretudo,  reconhecer humildemente os seus enganos revelam bem que é uma pessoa exemplar.

"Se não vir as marcas dos cravos e meter nelas os meus dedos, se não mergulhar a minha mão na Chaga do Seu Peito... não acreditarei!"

Que honestidade, que desassombro!

Compreendo que Tomé, perante o que lhe diziam os Onze acerca da Ressurreição de Jesus, intuisse que tal coisa era por demais importante e "séria" para se confinar a palavras de outros, não que duvidasse deles, mas porque em assunto de tal importância era imprescindível ter uma certeza absoluta.

Jesus Cristo faz-lhe a vontade e mostra-lhe as Mãos e o Peito e convida-o a fazer o que acha necessário para acreditar.

Tomé dá a resposta mais humilde e definitiva: "Meu Senhor e meu Deus!".

A vida deste Apóstolo é, ainda hoje, alvo de pesquizas, estudos, sabe-se que terá andado pelas Índias evangelizando os povos, dificilmente posso imaginar as dificuldades e obstáculos que terá enfrentado por parte de gentes com inúmeros "deuses" e crenças mas, Tomé vai em frente, não desiste e o facto é que, "deixou marca... rasto", a partir de então nesses territórios passou a haver mais um Deus: o Único Deus!.

 

Reflexão

Quando se tem uma idade avançada, as memórias do passado surgem mais nítidas que as dos acontecimentos recentes.

Quando, como é o meu caso, se tem uma "memória fotográfica", tal constitui uma amálgama de sofrimento causado pelas saudades difícil de suportar.

Eu... penso que "descobri" um "remédio" eficaz: Recorro a São Filipe de Néri e, como que por encanto, a paz e tranquilidade voltam.

 

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05/07/2022

Publicações em Julho 05

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Jo XXI; Lc XXIV; Mc XV, Mt XVII)

Os Quatro Evangelistas terminam os "seus" Evangelhos de forma algo diferente; mesmo os "sinópticos".

Penso que em Jo XXI encontro uma explicação: Não caberiam no mundo os livros que seria preciso escrever para contar quanto Jesus Cristo disse e fez!

Quem, como João, desde o primeiro instante, esteve ao lado de Jesus, inclusive vivendo em Sua casa, com a Sua Santíssima Mãe que, depois, suspenso da Cruz, Cristo lhe daria como Mãe e, nele a todos nós homens que a consideramos como Tal, sabe bem do que fala.

Quero crer que este Apóstolo, íntimo do Senhor, como todos os Doze bem sabiam, mais que amigo... confidente como constatamos na Última Ceia, no momento quando Pedro, vendo-o no momento seriíssimo do anúncio da traição reclinado sobre o peito de Jesus, lhe diz: "Pergunta-Lhe a quem se refere".

João é um jovem que aprendeu a considerar os mais velhos e, portanto obedece a Pedro, tanto mais porque guarda as palavras que Jesus Cristo lhe dirigiu: "Apascenta as Minhas ovelhas"... "Tu és a pedra sobre a qual edificarei a Minha Igreja".

João sofreu perseguições e violências inauditas tendo, inclusive, sido mergulhado num caldeirão de azeite a ferver. Jesus salvou-o sempre dessas provações.

João, creio bem, escreveu o Evangelho porque o Divino Espírito Santo assim "obrigou", o seu desejo era viver o seu isolamento na Ilha de Pathmos, esperando na sua velhice o momento de se juntar definitivamente ao Amor da Sua Vida.

Ler e reler o Evangelho escrito por São João, é como consultar um "diário" sério, credível da vida de Jesus.

Mais tarde, escreve o Apocalipse que qualquer um por mais pragmático ou incrédulo que possa ser, reconhece a "mão" que segurou a pena e efectivamente escreveu... o Divino Espírito Santo.

Não posso, não devo, não quero ter um Evangelista "preferido" mas, São João faz-me mergulhar fundo para, logo a seguir me levantar a alturas insuspeitadas.

Reflexão

Para ter paz de espírito é fundamental controlar a memória, sobretudo, os que têm, como é o meu caso, uma idade avançada.

A minha memória é um arquivo de monumentais proporções e, se lhe acrescento o grafismo que a caracteriza, é como que folhear um album de recordações com imagens e detalhes que me arrastam para passados distantes.

O AMOR DA MINHA VIDA costumava dizer-me: 'António... desliga o computador que tens na cabeça'.

É o que amiúde lhe peço.

                               

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04/07/2022

Publicações em Julho 04

  


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Lc XXX…)

 

Penso que se os Apóstolos que tinham acompanhado Jesus durante os quase três anos da Sua pregação por Israel, ouvido as Suas palavras, presenciado os Seus milagres, precisaram que Jesus lhes aparecesse como Ressuscitado para que acreditassem, definitivamente n’Ele, quanto mais eu, pobre homem, não precisarei!

De facto, pensando melhor, sou mais afortunado que os Apóstolos foram porque eles para acreditarem dependiam só de si próprios ao passo que eu tenho esses dois mil anos de testemunhos, muitos deles regados com o próprio sangue, que me consolidam a fé n’Ele. Sim, serei mais afortunado mas, sobretudo mais responsável por, aproveitando esses exemplos, pôr em prática uma vida coerente, séria, contida, sem excessos nem claudicações, ultrapassando os obstáculos que possam deparar-se-me, obstáculos muitas vezes levantados por mim próprio.

Eu sei que Cristo Ressuscitou e que com a Sua Ressurreição me ganhou definitivamente a Vida Eterna onde me aguarda para partilhar com Ele a ventura queme tem reservada.

 

Reflexão

Quando cumpro o meu plano de orações diárias esforço-me por seguir em frente.

Tenho a percepção que, isto, não agrada ao tentador porque está constantemente a sugerir-me coisas novas, outras opções... daí que acho que estou procedendo bem.

 

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03/07/2022

Publicações em Julho 03

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Jo XIII)

 

Mantendo-me atento ás palavras de Jesus, hoje como que sobressaíu algo que me provocou algumas questões; refiro particularmente «o servo não é maior que o seu Senhor», isto não porque não aceite algo óbvio como seja o servo está num plano inferior ao do Senhor, mas porque guardo no coração as várias declarações de Jesus dizendo que vinha para salvar todos os homens sem distinção de categoria social e, enfantizando que, Ele Próprio tinha vindo ao mundo para servir, ou seja, ser o servo de todos, principalmente e em primeiro lugar os oprimidos, os sem esperança, os "restringidos" na sua intrínseca dignidade humana. Quero crer que, este discurso, naquela época em que os israelitas estavam como que estractificados em classes sociais - realmente apenas duas... o grupo dos Escribas  Anciãos e Fariseus e, depois... todos os outros que não "contavam", não tinham qualquer direito a manifestar-se, a emitir uma opinião, tenha causado grande preocupação nos Chefes do Povo porque viam a "atracção" que exerciam sobre ele. De facto, uns quantos eram os senhores, todos os outros estavam cometidos à condição de servos e, portanto, sem quaisquer direitos. Ora esta "gente" via e percebia que as atitudes e as palavras de Jesus alastravam como apelo irresistível por entre o povo que, ao escutá-Lo sentiam na alma uma irreprimível esperança. Postos de lado os exaltados dispostos a lutar com as armas disponíveis, ficam os pacíficos que antes de encetarem uma guerra se esforçam por conseguir a Paz. Estes "Pacíficos" que Jesus menciona no, chamado, "discurso das Bem-Aventuranças", estão destinados a "possuir a terra", ou seja, concluo, só a Paz vence qualquer conflito. É verdade, por vezes travar uma guerra pode ser justificável como a única solução para defender a Fé e a Igreja. Estarão neste caso, por exemplo, a batalha de Lepanto, ou o "princípio" que esteve na origem das Cruzadas.  Próprio Jesus disse: «Quem não tem uma espada que compre uma», o que, no meu entender, significa que as verdades da Fé devem ser defendidas até ao último reduto". Entendo pois,  que Jesus não deseja a guerra mas aconselha vivamente aos Seus seguidores que estejam preparados e dispostos a defender a sua Fé. De facto, concluo, é diferente lutar para impor o que seja, que lutar para resistir ao que outros lhe querem impor sobretudo se tal restringe a sua liberdade pessoal e, rematando, penso que é uma elementar noção de Justiça.

Reflexão

O que são, verdadeiramente, as "reservas" que tenho relativamente a alguém?

Pois penso que é tudo aquilo que tenho no "arquivo" da memória e que não passa de um julgamento imediato sobre essa pessoa.

E penso que a melhor forma de obviar este defeito pessoal será, quando seja porque for me lembrar de alguém a primeiríssima coisa que devo fazer é rezar um Pai-Nosso por esse alguém e, tenho a certeza, o resto desvanece-se.

 

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02/07/2022

Publicações em Julho 02

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mc V…)

 

O Baptismo

Já se tinham passado uns Trinta e poucos anos depois daquele acontecimento memorável no estábulo de Belém. Fui tentando seguir os passos daquele Menino mas, na verdade, fora a Fuga para o Egipto, o desencontro e encontro com Ele no Templo, que pretendo reportar, e outros pequenos incidentes, a Sua vida era a mesma em tudo igual à dos rapazinhos da Sua idade. Mas, não desisti, mantive-me atento até que um dia, passados mais de trinta anos constatei a cena, talvez, mais importante... Jesus chega à margem do Jordão no local onde se encontrava o Seu Primo João, entra na água e pede-lhe que, tal como fazia a muitíssimos que a ele ocorriam, que O baptize. Eu posso, e sinto que devo confirmar, foi algo extraordinário, inesquecível; depois de, com alguma relutância, por assim dizer, o Baptista O ter erguido da água onde O mergulhara, eu e muitos ouvimos um fragor tempestuoso, vimos os Céus abrirem-se e uma pomba alvíssima pairar sobre Ele enquanto se fazia ouvir uma voz tronitruante que dizia; «Este É o Meu Filho muito amado sobre Quem derramo a Minha Complacência». Estava, assim, definitivamente instituído o Primeiro Sacramento; imprime carácter o que quer dizer, é eterno, nada nem ninguém o pode fazer desaparecer. A queda dos nossos primeiros Pais, Adão e Eva, trouxe consigo uma consequência terrível: estarmos sujeitos a ter de conseguir por nós mesmos a prover os nossas necessidades; até esse momento, Adão e Eva não conheciam tal, o Criador provia todas as suas necessidades que, de resto, não existiam: não tinham fome, nem frio, nem calor, o Sol ardente ou a Chuva copiosa eram indiferentes, não precisavam de nenhum resguardo ou protecção, na verdade, não tinham de fazer absolutamente nada mas, apenas, viver felizes no Edén Paradisíaco, era o que Deus queria e Se comprazia em contemplar: a Sua Obra Acabada, a criação de um Ser formado à Sua Imagem e Semelhança. Todo este "Estado de Graça" foi irremediavelmente perdido por uma falta que, simbólicamente, a Bíblia descreve como uma cedência ao desejo de serem superiores a Deus. De facto, penso eu, como foi possível que aquele Casal deitasse tudo a perder com uma desobediência tão inexplicável como, diria, patética, à única "condição" que o seu Criador lhes tinha imposto: o reconhecimento que Lhe pertenciam e que, portanto, deveriam confiadamente obedecer-Lhe. Com toda a Sua Magnânima Bondade o Criador deu-lhes, também, uma outra benesse: a liberdade de escolha e eleição e foi, diria eu, esta benesse que os perdeu.

Se me fosse possível, eu pediria ao Senhor que me libertasse da minha liberdade e, como escravo submisso, não pudesse eleger, fazer escolhas sobre os passos a dar, o que tenho de fazer, mas, bem sei, que uma herança, mesmo que "pesada", esmagadora, não se pode ignorar e, portanto não me rebelo, aceito-a e peço ao meu Criador que me ajude a suportá-la.

O Pecado Original esteve na origem de séculos de violências, lutas fratricidas que ceifaram milhões de seres humanos e continuam, hoje em dia, a verificar-se. O Criador, diria eu, como que fez uma "revisão" do que decidira e, por isso enviou ao mundo o Seu Filho Predilecto para, na Cruz, redimir definitivamente a Culpa Original. O Baptismo, lava, apaga a culpa herdada, o baptizado assume um carácter definitivo de Filho de Deus,, puro e santo, em tudo igual a Ele excepto no pecado.

Como poderá alguém, pela (falsa) razão que possa aduzir, retardar ou mesmo negar esta BENESSE a um filho!?!

 

Reflexão

Não tenho nada que fazer!

 

O ! significa uma afirmação.

 

Não aceito!

 

Substituo, quando muito, por: O que vou fazer agora?

 

Sim, agora, não mais tarde, daqui a pouco, logo quando me apetecer.

Tenho tanto que fazer, sim, é verdade, tenho imenso fazer. Talvez não tenha tempo para fazer quanto quero, mas essa constatação, lógica, absolutamente verdadeira, não pode impedir-me de fazer o que devo, quando devo.

 

Então, para não ter pruridos nem prioridades, que mais não são que formas de ir protelando, pergunto-lhe do fundo do meu mais íntimo: Domine, quid me vis facere? (Senhor, que queres que faça?)

 

E, a resposta vem sempre, nunca falha!

 

 

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