23/03/2022

Quaresma Semana 3 Quarta F 23

 


 

A virtude da Simplicidade dá aos que a possuem uma visão clara do que os rodeia.

O estar despido de roupagens excessivas, com a preocupação desmedida com si próprio, torna-o mais apto e ágil para seguir o melhor caminho.

O meu exemplo pessoal, talvez preferido, é São Filipe de Néri, aliás um dos Padroeiros deste blogue; a sua figura atravessa uma época conturbada da Igreja como uma luz irresistível que espelha à sua volta desejos de o seguir.

O resultado da acção do Apóstolo de Roma, foi tão profundo que o próprio Papa como que se ”rendeu” e outorgou estatuto oficial, com o nome de ORATóRIO, á comunidade que o seguia.

Esta comunidade estendeu-se um pouco por todo o mundo e, ainda hoje, mantém muitos milhares de pessosas unidadas na Fé, na vida simples, na Caridade, na Oração.

 

Reflectindo na Quaresma

 

Olhar ao longe

 

Realmente, caminhar olhando para o chão pode ser uma medida preventiva de, por exemplo, não tropeçar nos obstáculos.

Mas, na verdade, se o olhar se dirigir em frente veremos na mesma os obstáculos mas com a vantagem de ter tempo de os evitar.

Convém pois, olhar em frente para se ter uma perspectiva mais completa e real do caminho que se percorre e, também, para não perder de vista o vulto de Cristo que nos guia.

 

Poesia na Quaresma

 

O tempo agreste

O Céu cinzento

Tudo me conduz

(Ah... como destesto)

Ao Sofrimento

Da Cruz.

Falta-me o alento

Talvez... a vontade

De Te contemplar

Talvez com medo da verdade

Que que manifesto:

Ali, prestes a morrer

No último estertor

Depois de tanto sofrer,

Esgotado de Amor

Por todos, por mim

Não! Não posso ver-Te assim

Meu Senhor

Meu Salvador!

 

22.03.2022

 

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Reflexão pessoal

 

Eu não posso e, muito menos devo, julgar seja quem for.

Não posso porque não sou Juiz, não devo porque não me compete.

Há, porém, algo que devo fazer: ponderar se o que está em causa não se poderia aplicar a mim próprio.

 

 

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22/03/2022

Quaresma Semana 3 Terça F

 


(Re Mt XVIII, 21-35)

 

Neste texto, São Mateus oferece-nos considerações sobre o perdão.

A pergunta de Pedro, tem razão de ser; naquele tempo os chefes do povo não falavam de perdão, antes vincavam bem a chamada Lei de Talião.

E a resposta de Jesus é muito clara: não há limites para o perdão e, para melhor a vincar, acrescenta uma parábola.

Esta parábola espelha de modo cru e nu o que, infelizmente, se passa na sociedade dos homens em que alguns parece terem no lugar do coração um pedaço de gelo que nem o maior gesto de perdão, solidariedade, compaixão consegue derreter.

O egoísmo cega completamente a razão impedindo não só reconhecer o bem que se recebe como o desejo de proceder de igual modo.

 

Reflectindo na Quaresma

 

Olhar ao longe

 

Realmente, caminhar olhando para o chão pode ser uma medida preventiva de, por exemplo, não tropeçar nos obstáculos.

Mas, na verdade, se o olhar se dirigir em frente veremos na mesma os obstáculos mas com a vantagem de ter tempo de os evitar.

Convém pois, olhar em frente para se ter uma perspectiva mais completa e real do caminho que se percorre e, também, para não perder de vista o vulto de Cristo que nos guia.

 

Referência pessoal na Quaresma

 

Tenho uma vaga memória de, há uns anos, ter contado esta história; não interessa, conto-a porque por ser absolutamente verdadeira a lembro amiúde.

Eu estava na cama 1 de uma enfermaria de um hospital, em plena recuperação de uma cirurgia à próstata.

As outras sete camas foram ficando livres à medida que os operados iam tendo "alta", até que restei eu e o da cama oito.

Tratava-se de um pobre homem que não obstante os cuidados do pessoal de enfermagem, mantinha um aspecto hisurto, uma cara carrancuda.

Comia sofregamente as refeições como se "não houvesse mais", permanecia calado o dia inteiro e, ás minhas tentativas de "meter conversa" respondia com um grunhido.

Hoje pelo meio-dia, depois da habitual visita do médico chefe, começou uma  "cantilena": 'Estou Fodido!... Estou F...!"

Perguntei-me porque o meu colega da cama oito achava que estava F... e interroguei uma enfermeira.

Esta elucidou-me: ‘está aqui há quase mês e meio, um amigo touxe-o, meio morto, no atrelado de uma motoreta, foi operado, encontra-se bem;  soubemos que vive, se se pode dizer, num barraco miserável sem um mínimo de condições, enfim... um desgraçado, temos pena dele e fomos mantendo-o aqui, pelo menos tem uma cama, refeições a horas certas, de vez em quando toma banho; a única visita que tem é o tal amigo que de vez enquanto o vem ver mas, o novo Director do Serviço não quiz saber e, hoje, comunicou-lhe que iria ter "alta".

‘Mas, perguntei eu, e a Segurança Social... não faz nada’!?

‘Parece que não! Este homem não existe, não tem BI, nem se sabe o nome’.

Fiquei aturdido acordado toda a noite a rezar pelo meu colega da cama oito.

No dia seguinte, de manhãzinha, lá apareceu o amigo para o levar de regresso,  não já para o miserável tugúrio mas para um Lar onde a cotização generosa do pessoal de enfermagem, e não só, assegurara o seu ingresso.

 

Senti-me tão "pequenino", previligiado e credor de tantos amigos que nunca mais me esqueci.

 

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21/03/2022

Quaresma Semana 3 Segunda F

 


 

(Re Lc IV, 24-30)

 

Neste episódio que São Lucas narra a minha atenção detém-se particularmente num detalhe: «Jesus, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho».

Jesus só Se deixa ver por aqueles que quer, ou, melhor, só pelos que realmente O querem ver e ouvir, os que estão interessados em escutar o que diz em ver quanto faz; todos os outros que O seguem adrede, por curiosidade, sem verdadeiro desejo de aprender algo novo, de facto, não O vêm mas tão só um homem que passa dizendo umas palavras, transmitindo uma mensagem que não escutam e, portanto, não entendem.

Eu, Senhor, quero de facto, ver-Te com os olhos do meu coração porque a Tua Figura me atrai irresistívelmente e ouvir-Te com os ouvidos da minha alma porque Tu tens Palvras de Vida Eterna.

 

Reflectindo na Quaresma

 

Há dias, na Igreja da Lapa, enquanto esperava pela Santa Missa, depois da meia hora de preparação (do costume), olhava a grande Cruz com O Crucificado que, sempre na Quaresma, está no lado direito do altar.

Aos poucos senti a comoção de estar a contemplar uma realidade: o meu Deus e Senhor, pendente do madeiro onde me redimiu e salvou!

Ouvi uma pergunta interior, mas absolutamente clara:

‘Tu amas-me?’

Não sou tonto, nem tenho visões, mas olhei em volta, desnecessariamente, aliás porque sabia muito bem de onde vinha a pergunta.

E, respondi, claro: ‘Senhor, eu amo-Te’.

Provavelmente não respondi bem porque a pergunta surgiu novamente:

- ‘Tu, amas-me?’

Fiquei um pouco admirado, estaria o Senhor enganado, não me chamo Pedro!

Mas, de facto, como muito bem sei, Ele nunca Se engana porque, logo a seguir:

- Está bem, amas-me... Mas, amas-me, por Mim ou por ti? Amas-me sempre ou quando te é mais conveniente? Amas-me com AMOR, ou com respeito’.

Demorei um pouco na resposta, queria pensar bem na pergunta.

- ‘Olha, Senhor, eu amo-te porque sou muito "interesseiro", por outras palavras, sinto que é o melhor "negócio" que posso fazer.

Já vês, eu amo-Te como quem sou, um pobre homem cheio de mazelas é defeitos e, Tu, em troca, amas-me com o Teu Amor que é divino e sem medida!

Então? Não achas que faço bem?

Acabou aqui a "conversa", a Santa Missa ia começar.  

 

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