16/03/2021

Leitura Espiritual Mar 16

 


Novo Testamento

 

Evangelho


Lc IX, 1-22


 

Missão dos Apóstolos

1 Tendo convocado os Doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios e para curarem doenças. 2 Depois, enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os doentes, 3 e disse-lhes: «Nada leveis para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas. 4 Em qualquer casa em que entrardes, ficai lá até ao vosso regresso. 5 Quanto aos que vos não receberem, saí dessa cidade e sacudi o pó dos vossos pés, para servir de testemunho contra eles.» 6 Eles puseram-se a caminho e foram de aldeia em aldeia, anunciando a Boa-Nova e realizando curas por toda a parte.

 

Jesus e Herodes

7 O tetrarca Herodes ouviu dizer tudo o que se passava; e andava perplexo, pois alguns diziam que João ressuscitara dos mortos; outros, 8 que Elias aparecera, e outros, que um dos antigos profetas ressuscitara. 9 Herodes disse: «A João mandei-o eu decapitar, mas quem é este de quem oiço dizer semelhantes coisas?» E procurava vê-lo.

 

Regresso dos Apóstolos

10 Ao regressarem, os Apóstolos contaram-lhes tudo o que tinham feito. Tomando-os consigo, Jesus retirou-se para um lugar afastado na direcção de uma cidade chamada Betsaida. 11Mas as multidões, que tal souberam, seguiram-no. Jesus acolheu-as e pôs-se a falar-lhes do Reino de Deus, curando os que necessitavam.

 

Primeira multiplicação dos pães

12 Ora, o dia começava a declinar. Os Doze aproximaram-se e disseram-lhe: «Despede a multidão, para que, indo pelas aldeias e campos em redor, encontre alimento e onde pernoitar, pois aqui estamos num lugar deserto.» 13 Disse-lhes Ele: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Retorquiram: «Só temos cinco pães e dois peixes; a não ser que vamos nós mesmos comprar comida para todo este povo!» 14 Eram cerca de cinco mil homens. Jesus disse aos discípulos: «Mandai-os sentar por grupos de cinquenta.» 15 Assim procederam e mandaram-nos sentar a todos. 16 Tomando, então, os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, abençoou-os, partiu-os e deu-os aos discípulos, para que os distribuíssem à multidão. 17 Todos comeram e ficaram saciados; e, do que lhes tinha sobrado, ainda recolheram doze cestos cheios.

 

Confissão de Pedro e profecia da Paixão

18 Um dia, quando orava em particular, estando com Ele apenas os discípulos, perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?» 19 Responderam-lhe: «João Baptista; outros, Elias; outros, um dos antigos profetas ressuscitado.» 20 Disse-lhes Ele: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Pedro tomou a palavra e respondeu: «O Messias de Deus.» 21 Ele proibiu-lhes formalmente de o dizerem fosse a quem fosse; 22 acrescentou: «O Filho do Homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos doutores da Lei, tem de ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.»

 

Texto

 


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1981

 

 

Amados irmãos e irmãs:

 

A Quaresma é um tempo de verdade.

 

O cristão, de facto, chamado pela Igreja à oração, à penitência e ao jejum, ao despojamento de si mesmo, interior e exterior, ao pôr-se diante de Deus, reconhece-se e redescobre-se a si próprio.

 

«Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás-de voltar». (Quarta-Feira de Cinzas: cerimónia da imposição das cinzas). Lembra-te, homem, de que foste chamado para alguma coisa diferente destes bens terrenos e materiais, que comportam o risco de te afastar daquilo que é essencial. Lembra-te, homem, da tua vocação primária: tu provéns de Deus; e tu voltas para Deus caminhando no sentido da Ressurreição, que é a via traçada por Cristo. «Quem não carrega a sua cruz e me segue não pode ser meu discípulo» (Lc 14, 27).

 

Tempo de verdade profunda, que converte, restitui esperança e, levando a repôr tudo no seu lugar, traz serenidade e faz nascer o optimismo.

 

Tempo que nos leva a reflectir sobre as nossas relações com o «nosso Pai», e restabelece a ordem que deve reinar entre irmãos e irmãs; tempo que nos torna co-responsáveis uns em relação aos outros; ele nos desapega dos nossos egoísmos, das nossas pusilanimidades, das nossas mesquinhez as e do nosso orgulho; tempo, enfim, que nos esclarece e nos leva a compreender melhor que devemos, à imitação de Cristo, empenhar-nos em servir.

 

«Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros» (Jo 13, 34). «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29).

 

Tempo de verdade que, como o bom Samaritano, nos faz parar no caminho, reconhecer o nosso irmão e pôr o nosso tempo e os nossos bens ao seu serviço, numa partilha quotidiana. O bom Samaritano é a Igreja! O bom Samaritano é cada um de nós! Por vocação! Por dever! e o bom Samaritano vive a caridade.

 

São Paulo diz: «Somos embaixadores ao serviço de Cristo» (2 Cor 5,20). Está nisto a nossa responsabilidade! Nós somos enviados ao encontro dos outros, ao encontro dos nossos irmãos. Correspondamos generosamente a esta confiança que Cristo depositou em nós.

 

Sim, a Quaresma é um tempo de verdade! Examinemo-nos com sinceridade, franqueza e simplicidade! Os nossos irmãos estão ao nosso lado, na pessoa dos pobres, dos doentes, dos «marginalizados» e dos velhinhos. A que ponto estamos com o nosso amor? E com a nossa verdade?

 

Por ocasião da Quaresma, por toda a parte – nas vossas dioceses, nas vossas paróquias, nas vossas comunidades – vai ser feito um apelo a esta Verdade que está em vós e à Caridade que há-de ser a sua comprovação.

 

Procurai, pois, abrir o vosso entendimento para reparar bem à vossa volta, abrir o vosso coração para compreender e vos compadecer, abrir as vossas mãos para socorrer. As necessidades são enormes, vós bem o sabeis; exorto-vos, portanto, a participar com generosidade nesta partilha fraterna; e dou-vos a certeza das minhas orações por vós, com a minha Bênção Apostólica.

 

 IOANNES PAULUS PP. II

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

 

Reflexão na Quaresma

 


É somente na oração, na intimidade do diálogo imediato e pessoal com Deus, que abre os corações e as inteligências (cf. Act 16. o4), onde o homem de fé pode aprofundar na compreensão da vontade divina no que respeita à sua vida.

 

(São Teófilo de Antioquia, Livro I, 2,7)

Pequena agenda do cristão

   Pequena agenda do cristão - Terça-Feira

 

TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)

15/03/2021

Leitura Espiritual Mar 15

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc VIII, 40-56


 

A filha de Jairo e a hemorroísa

40 Quando regressou, Jesus foi recebido pela multidão, pois todos estavam à sua espera. 41 Veio ao seu encontro um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga. Caindo aos pés de Jesus, suplicava-lhe que entrasse em sua casa, 42 porque tinha uma filha única, de uns doze anos, que estava a morrer. E, quando Ele se dirigia para lá, a multidão apertava-o, a ponto de o sufocar. 43 Ora, certa mulher, que sofria de um fluxo de sangue havia doze anos, e que, tendo gasto com os médicos todos os seus haveres, não pudera ser curada por nenhum, 44 aproximou-se por detrás e tocou-lhe na orla do seu manto; e, naquele mesmo instante, o fluxo de sangue parou. 45 Jesus perguntou: Quem me tocou? Como todos o negassem, Pedro e os que estavam com Ele disseram: ‘Mestre, é a multidão que te aperta e empurra.’ 46 Jesus insistiu: Alguém me tocou, pois senti que saiu de mim uma força. 47 Vendo que não tinha passado despercebida, a mulher aproximou-se, a tremer; e, lançando-se aos pés de Jesus, contou diante de todo o povo por que motivo lhe tinha tocado e como ficara imediatamente curada. 48 Disse-lhe Jesus: Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz. 49 Ainda Ele estava a falar, quando alguém da casa do chefe da sinagoga veio dizer: ‘A tua filha morreu; não continues a incomodar o Mestre.’ 50 Mas Jesus, que tinha ouvido tudo, respondeu: Não tenhas receio; crê somente e ela será salva. 51 Ao chegar a casa, não deixou entrar ninguém com Ele, a não ser Pedro, João e Tiago, assim como o pai e a mãe da menina. 52 Todos a choravam e pranteavam. Jesus disse: Não choreis, porque ela não está morta, mas dorme. 53 E, por saberem que ela tinha morrido, troçavam de Jesus. 54 Mas Ele, tomando-a pela mão, chamou-a, dizendo em voz alta: Menina, levanta-te! 55 O espírito voltou-lhe, e imediatamente se levantou. Jesus mandou que lhe dessem de comer. 56 Os pais ficaram estupefactos, e Ele ordenou-lhes que não dissessem a ninguém o que tinha acontecido.

 

Texto

 


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1980

 

Todos os anos, ao iniciar a Quaresma, o Papa costuma dirigir-se aos fiéis de toda a Igreja e incitá-los a viverem bem este tempo, que nos é proporcionado a fim de nos prepararmos para uma verdadeira libertação.

 

O espírito de penitência e a sua prática levam-nos a desapegar-nos de tudo o que possuímos de supérfluo e, algumas vezes, mesmo do necessário, que nos impede de «ser» verdadeiramente aquilo que Deus quer que sejamos: «Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração». Estará o nosso coração, porventura, apegado às riquezas materiais, ao poder sobre os outros, ou às subtilezas egoístas de dominação? Então, nesse caso, temos necessidade da Páscoa de Cristo Libertador, o qual, se nós quisermos, nos pode desembaraçar das ligaduras do pecado que nos tolhem os movimentos.

 

Preparemo-nos para nos deixar enriquecer com a graça da Ressurreição, desfazendo-nos de todos os falsos tesouros: os bens materiais que nos não são necessários, muitas vezes são as próprias condições de sobrevivência para milhões de seres humanos. E, para além do mínimo para a subsistência, há centenas de milhões de homens que esperam de nós que os ajudemos a chegarem a ter os meios necessários para a sua própria promoção humana integral, bem como para o desenvolvimento económico e cultural dos seus respectivos países.

 

Entretanto, as declarações de intenção ou um simples donativo não bastam para modificar o coração do homem; para isso, é necessária aquela conversão do espírito que nos leve, no encontro dos corações, a partilhar os bens com os menos favorecidos das nossas sociedades, com aqueles que são desapossados de tudo - por vezes, mesmo da sua dignidade de homens e de mulheres, de jovens e de crianças - e com todos os refugiados do mundo, que não podem continuar a viver na terra dos seus antepassados e que têm de abandonar a própria pátria. É então que nós encontraremos e viveremos mais intimamente o mistério da paixão e morte redentoras do Senhor Jesus. A verdadeira partilha de bens, que é encontro com os outros, ajuda-nos a libertar-nos daqueles vínculos que nos tornam escravos; e porque ela nos faz ver nos outros irmãos e irmãs, leva-nos a redescobrir que somos filhos de um mesmo Pai, «herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo» (Rom 8, 17), do qual nós retemos as riquezas incorruptíveis.

 

Eu quero exortar-vos, portanto, a corresponder generosamente aos apelos que vos irão fazer, durante a Quaresma, os vossos Bispos pessoalmente, ou então através de outros responsáveis pelas campanhas de compartilha de bens. Vós sereis os primeiros a beneficiar com isso, porque vos poreis assim no caminho da única verdadeira libertação. Os vossos esforços juntamente com os de todos os baptizados testemunharão a Caridade de Cristo e estarão a construir desse modo aquela «civilização do Amor» que, conscientemente ou não, no fundo deseja o nosso mundo, penalizado pelos conflitos e pelas injustiças, e desiludido porque já não encontra verdadeiras testemunhas do Amor de Deus.

 

Dou-vos a bênção em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

 

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

 

Ano de São José

 


A figura de São José no Evangelho

Tanto São Mateus como São Lucas falam-nos de São José como varão descendente de uma estirpe ilustre: a de David e de Salomão, reis de Israel. Historicamente, os pormenores dessa descendência são algo confusos. Não sabemos qual das duas genealogias que os evangelistas trazem corresponde a Maria - Mãe de Jesus, segundo a carne - e qual a São José, que era seu Pai segundo a lei judaica. Nem sabemos se a cidade natal de José era Belém, onde se dirigiu para se recensear, ou Nazaré, onde vivia e trabalhava. Sabemos, no entanto, que não era uma pessoa rica; era um trabalhador como milhões de homens no mundo. Exercia o ofício fatigante e humilde que Deus escolheu também para Si quando tomou a nossa carne e viveu trinta anos como uma pessoa mais entre nós. (São Josemaria, Cristo que passa, 40)

Reflexão na Quaresma

 


Egoísmo... Traição

Quaisquer que sejam as nossas condições humanas – ainda que ingenuamente nos pareçam superiores ás dos Apóstolos -, se não se põe por cima todo o amor a Deus e ao próximo, desemboca-se no egoísmo e, finalmente, na traição.

 

(Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Pg. 270)

Pequena agenda do cristão

 

 

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

14/03/2021

São Josemaria - Textos

 


Dar é próprio dos apaixonados

O teu talento, a tua simpatia, as tuas condições... perdem-se; não te deixam aproveitá-las. – Pensas bem nestas palavras de um autor espiritual: "Não se perde o incenso que se oferece a Deus. – Mais se honra o Senhor com o abatimento dos teus talentos do que com o seu uso vão". (Caminho, 684)

E, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra. Detenhamo-nos um pouco para entender este passo do Santo Evangelho. Como é possível que nós, que nada somos e nada valemos, ofereçamos alguma coisa a Deus? Diz a Escritura: toda a dádiva e todo o dom perfeito vem do alto. O homem não consegue descobrir plenamente a profundidade e a beleza dos dons do Senhor: se tu conhecesses o dom de Deus... – responde Jesus à mulher samaritana. Jesus Cristo ensinou-nos a esperar tudo do Pai, a procurar antes de mais o Reino de Deus e a sua justiça, porque tudo o resto se nos dará por acréscimo e Ele conhece bem as nossas necessidades. Na economia da salvação, o nosso Pai cuida de cada alma com amor e delicadeza: cada um recebeu de Deus o seu próprio dom; uns de um modo, outros de outro. Portanto, podia parecer inútil cansarmo-nos, tentando apresentar ao Senhor algo de que Ele precise; dada a nossa situação de devedores que não têm com que saldar as dívidas, as nossas ofertas assemelhar-se-iam às da Antiga Lei, que Deus já não aceita: Tu não quiseste os sacrifícios, as oblações e os holocaustos pelo pecado, nem te são agradáveis as coisas que se oferecem segundo a Lei. Mas o Senhor sabe que o dar é próprio dos apaixonados e Ele próprio nos diz o que deseja de nós. Não lhe interessam riquezas, nem frutos, nem animais da terra, do mar ou do ar, porque tudo isso lhe pertence. Quer algo de íntimo, que havemos de lhe entregar com liberdade: dá-me, meu filho, o teu coração. Vedes? Se compartilha, não fica satisfeito: quer tudo para si. Repito: não pretende o que é nosso; quer-nos a nós mesmos. Daí – e só daí – advêm todas as outras ofertas que podemos fazer ao Senhor. (Cristo que passa, 35)

Leitura Espiritual Mar 14

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc VIII, 22-39

 

Jesus acalma uma tempestade

22 Certo dia, Jesus subiu com os seus discípulos para um barco e disse-lhes: Passemos à outra margem do lago. E fizeram-se ao largo. 23 Enquanto navegavam, adormeceu. Um turbilhão de vento caiu sobre o lago, e eles ficaram inundados e em perigo. 24 Aproximaram-se dele e, despertando-o, disseram: ‘Mestre, Mestre, estamos perdidos!’ E Ele, levantando-se, ameaçou o vento e as águas, que se acalmaram; e veio a bonança. 25 Disse-lhes depois: Onde está a vossa fé? Cheios de medo e admirados, diziam entre eles: ‘Quem é este homem, que até manda nos ventos e nas águas, e eles obedecem-lhe?’

 

Expulsão de demónio em Gerasa

26 Chegaram à região dos gerasenos, situada defronte da Galileia. 27 Quando desceu para terra, veio-lhes ao encontro um homem da cidade, possesso de vários demónios que, desde há muito, não se vestia nem vivia em casa, mas nos túmulos. 28 Ao ver Jesus, prostrou-se diante dele, gritando em alta voz: ‘Que tens que ver comigo, Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes!’ 29 Jesus, efectivamente, ordenava ao espírito maligno que saísse do homem, pois apoderava-se dele com frequência. Prendiam-no com correntes e grilhões para o manterem em segurança, mas ele partia as cadeias e o demónio impelia-o para os desertos. 30 Jesus perguntou-lhe: Qual é o teu nome? ‘Legião, - respondeu. Porque muitos demónios tinham entrado nele 31 e suplicavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo. 32 Ora, andava ali uma grande vara de porcos a pastar no monte. Os demónios suplicaram a Jesus que os deixasse entrar neles. Ele permitiu. 33 Saíram, pois, do homem, entraram nos porcos e a vara lançou-se do alto do precipício ao lago, e afogou-se. 34 Ao verem o que se tinha passado, os guardas fugiram e levaram a notícia à cidade e aos campos. 35 As pessoas saíram para ver o que tinha acontecido. Vieram ter com Jesus e encontraram o homem, de quem tinham saído os demónios, sentado a seus pés, vestido e em perfeito juízo. 36 Os que tinham visto contaram-lhes como o possesso tinha sido salvo; 37 e toda a população da região dos gerasenos pediu a Jesus que se afastasse deles, pois estavam possuídos de grande temor. Jesus subiu para o barco e afastou-se dali. 38 O homem, de quem os demónios tinham saído, pediu-lhe para ficar com Ele. 39 Mas Jesus despediu-o, dizendo: Volta para a tua casa e conta o que Deus fez por ti. E ele foi anunciando por toda a cidade tudo o que Jesus lhe fizera.

 

Texto

 


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1979

 

Vós pondes-vos a pergunta: «o que é que se tornou a Quaresma?». A privação bastante relativa de alimentos, pensais vós, não é que signifique muito, quando tão grande número de irmãos e irmãs nossos, vítimas de guerras ou de catástrofes, tanto sofrem, física e moralmente.

 

O jejum está em relação com a ascese pessoal, sempre necessária; mas a Igreja exige aos baptizados que assinalem com alguma coisa de diverso este Tempo litúrgico. A Quaresma, de facto, tem um significado para nós: ela há-de tornar patente aos olhos do mundo que todo o Povo de Deus, porque pecador, se prepara com a Penitência para reviver liturgicamente a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Cristo. Um tal testemunho público e colectivo tem a sua base no espírito de Penitência de cada um de nós e, por outro lado, há-de levar-nos a aprofundar interiormente este modo de comportar-nos e a motivá-lo cada vez melhor.

 

Privar-se de alguma coisa não é apenas dar do que porventura para nós é supérfluo, mas sim dar também algumas vezes daquilo que nos é necessário, à imitação da viúva do Evangelho, a qual sabia bem que o seu óbolo era já um dom recebido de Deus. Privar-se de algo é libertar-se das servidões de uma civilização que nos incita a um conforto e consumo cada vez maiores, sem ter sequer o cuidado da preservação do nosso ambiente, património comum da humanidade.

 

As vossas Comunidades eclesiais irão convidar-vos a participar em «Campanhas da Quaresma»; irão, por certo, ajudar-vos também a orientar o exercício do vosso espírito de Penitência compartilhando aquilo que possuís com aqueles que têm menos ou nada têm.

 

Acaso ireis vós ficar inactivos ainda na praça pública porque ninguém apareceu a convidar-vos para trabalhar? Olhai: o campo da Caridade cristã carece de trabalhadores; e a Igreja faz-vos um apelo para aí trabalhardes. Não espereis que seja demasiado tarde para socorrer Cristo que se acha encarcerado ou sem ter que vestir, Cristo que é perseguido ou refugiado, Cristo, enfim, que tem fome e se encontra sem alojamento. Ajudai os nossos irmãos e irmãs que carecem do mínimo necessário para saírem de condições inumanas e poderem ter acesso a uma verdadeira promoção humana.

 

A todos vós, os que estais decididos a dar este testemunho evangélico de penitência e de compartilha, eu vos abençoo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

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Sacramentos

 


O Matrimónio

 

5. Matrimónio e família

 

«Segundo o desígnio de Deus, o matrimónio é o fundamento da mais ampla comunidade da família, pois que o próprio instituto do matrimónio e o amor conjugal se ordenam à procriação e educação da prole, na qual encontram a sua coroação» [19].

 

«Pois que o Criador de todas as coisas constituiu o matrimónio princípio e fundamento da sociedade humana», a família tornou-se a «célula primeira e vital da sociedade» [20]. Esta específica e exclusiva dimensão pública do matrimónio exige a sua defesa e a promoção perla autoridade civil [21]. As leis que não reconhecem as propriedades essenciais do matrimónio – o divórcio – ou as equiparam a outras formas de união não matrimoniais – uniões de facto ou uniões entre pessoas do mesmo sexo – são injustas: lesam gravemente o fundamento da própria sociedade que o Estado está obrigado a proteger e a fomentar [22].

 

Na Igreja, a família é chamada Igreja doméstica, porque a comunhão específica dos seus membros está chamada «a fazer a experiência de uma comunhão nova e original, que confirma e aperfeiçoa a comunhão natural e humana» [23]. «Na família, como numa igreja doméstica, devem os pais, pela palavra e pelo exemplo, ser para os filhos os primeiros arautos da fé e favorecer a vocação própria de cada um, especialmente a vocação sagrada» [24]. «É aqui que se exerce, de modo privilegiado, o sacerdócio baptismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, “na recepção dos sacramentos, na oração e acção de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade efectiva” (LG, 10). O lar é, assim, a primeira escola de vida cristã e “uma escola de enriquecimento humano” (GS, 52) (184). É aqui que se aprende a tenacidade e a alegria no trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e sempre renovado, e, sobretudo, o culto divino, pela oração e pelo oferecimento da própria vida» ( Catecismo, 1657).

 

Rafael Díaz

 

Bibliografia básica

 

Catecismo da Igreja Católica , 1601-1666, 2331-2400.

Concilio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes , 47-52 .

João Paulo II, Ex. ap. Familiaris Consortio , 11-16.

 

Leituras recomendadas

 

S. Josemaria Escrivá, Temas Actuais do Cristianismo , 87-112.

S. Josemaria Escrivá, «O Matrimónio, Vocação Cristã», Cristo que Passa, 22-30.

 

J. Miras; J.I. Bañares, Matrimónio y Família, Rialp, Madrid 2006.

J. M. Ibañez Langlois, Sexualidad, Amor, Santa Pureza , Ediciones Universidad Católica de Chile, Santiago de Chile 2006

 

Notas

 

[9] Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes , 48.

[19] Ibidem , 14

[20] Ibidem , 42.

[21] «A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção da sociedade e do Estado» (ONU, Declaração dos Direitos do Homem , 10-XII-1948, artº 16.)

[22] Cf. Conselho Pontifício para a Família, Família, matrimónio e uniões de facto , Vaticano 2000; Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações acerca dos projectos de reconhecimento legal das uniões de facto entre pessoas homossexuais , Vaticano 2003.

[23] João Paulo II, Ex. ap. Familiaris Consortio , 21.

[24] Concílio Vaticano II, Const. Lúmen Gentium, 11.

Reflexão na Quaresma

 


Esmola

Quem distribui esmolas faça-o com despreocupação e alegria, já que, quanto menos se reserve para si, maior será o ganho que obterá.

 

(São Leão Magno, Sermão 10º sobre a Quaresma)