Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
14/03/2021
Pequena agenda do cristão - Domingo
13/03/2021
São Josemaria - Textos
Saber-se nada diante de Deus
Grande coisa é saber-se nada diante de Deus, porque é assim mesmo.
(Sulco, 260)
Deixa-me que te recorde, entre outros, alguns sinais evidentes de
falta de humildade:
– pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou mais bem
dito do que o que os outros fazem ou dizem;
– querer levar sempre a tua avante;
– discutir sem razão ou, quando a tens, insistir com teimosia e de
maus modos;
– dar a tua opinião sem ta pedirem ou sem a caridade o exigir;
– desprezar o ponto de vista dos outros;
– não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;
– não reconhecer que és indigno de toda a honra e estima,
inclusive da terra que pisas e das coisas que possuis;
– citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;
– falar mal de ti mesmo, para fazerem bom juízo de ti ou te
contradizerem;
– desculpar-te quando te repreendem;
– ocultar ao Director algumas faltas humilhantes, para que não
perca o conceito que faz de ti;
– ouvir com complacência quem te louva, ou alegrar-te por terem
falado bem de ti;
– doer-te que outros sejam mais estimados do que tu;
– negar-te a desempenhar ofícios inferiores;
– procurar ou desejar singularizar-te;
– insinuar na conversa palavras de louvor próprio, ou que dão a
entender a tua honradez, o teu engenho ou destreza, o teu prestígio
profissional...;
– envergonhar-te por careceres de certos bens... (Sulco, 263)
Leitura Espiritual Mar 13
Novo Testamento
Lc VIII, 1-21
Jesus é servido por piedosas
mulheres
1 Em seguida, Jesus ia de cidade em
cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a Boa-Nova do Reino de
Deus. Acompanhavam-no os Doze 2 e algumas mulheres, que tinham sido curadas de
espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham
saído sete demónios; 3 Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana
e muitas outras, que os serviam com os seus bens.
Parábola do semeador
4 Como estivesse reunida uma grande
multidão, e de todas as cidades viessem ter com Ele, disse esta parábola: 5
Saiu o semeador para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte da
semente caiu à beira do caminho, foi pisada e as aves do céu comeram-na. 6
Outra caiu sobre a rocha e, depois de ter germinado, secou por falta de
humidade. 7 Outra caiu no meio de espinhos, e os espinhos, crescendo com ela,
sufocaram-na. 8 Uma outra caiu em boa terra e, uma vez nascida, deu fruto
centuplicado. Dizendo isto, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, oiça! 9 Os
discípulos perguntaram-lhe o significado desta parábola. 10 Disse-lhes: A vós
foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus; mas aos outros fala-se-lhes em
parábolas, a fim de que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam. 11 O
significado da parábola é este: a semente é a Palavra de Deus. 12 Os que estão
à beira do caminho são aqueles que ouvem, mas em seguida vem o diabo e
tira-lhes a palavra do coração, para não se salvarem, acreditando. 13 Os que
estão sobre a rocha são os que, ao ouvirem, recebem a palavra com alegria; mas,
como não têm raiz, acreditam por algum tempo e afastam-se na hora da provação.
14 A que caiu entre espinhos são aqueles que ouviram, mas, indo pelo seu
caminho, são sufocados pelos cuidados, pela riqueza, pelos prazeres da vida e
não chegam a dar fruto. 15 E a que caiu em terra boa são aqueles que, tendo
ouvido a palavra, com um coração bom e virtuoso, conservam-na e dão fruto com a
sua perseverança.
Parábola da lâmpada
16
Ninguém acende uma candeia para a cobrir com um vaso ou para a esconder debaixo
da cama; mas coloca-a no candelabro, para que vejam a luz aqueles que entram.
17 Porque não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que
não se saiba e venha à luz. 18 Vede, pois, como ouvis, porque àquele que tiver,
ser-lhe-á dado; mas àquele que não tiver, ser-lhe-á tirado mesmo o que julga
possuir.
A mãe e os parentes de Jesus
19
Sua mãe e seus irmãos vieram ter com Ele, mas não podiam aproximar-se por causa
da multidão. 20 Anunciaram-lhe: ‘Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e querem
ver-te.’ 21 Mas Ele respondeu-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que
ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.
Texto
CARTA
APOSTÓLICA
SANCTORUM
ALTRIX
DO
SUMO PONTÍFICE
JOÃO
PAULO II
NO
XV CENTENÁRIO
DO
NASCIMENTO DE SÃO BENTO
PATRONO
DA EUROPA, MENSAGEIRO DA PAZ
III
No tempo de S. Bento a comunidade eclesial e
a sociedade humana mostravam muitas semelhanças com as condições da vida humana
que existem hoje. As perturbações do Estado e a incerteza do futuro, estando
iminente a guerra ou tendo já rebentado, originavam males que aterravam os
ânimos. Por isto aconteceu que a vida foi julgada desprovida de todo o
significado certo e definido.
Dentro da Igreja acalmara-se finalmente a
prolongada luta, com que se investigavam apaixonadamente os mistérios de Deus,
sobretudo a imperscrutável verdade da divindade do Filho e da Sua autêntica
humanidade. Todas estas matérias ressoavam como eco nas palavras, dignas de
eterna memória, de Leão Magno, sucessor de S. Pedro e bispo de Roma.
S. Bento, reconhecendo este estado de coisas,
pediu a Deus e à tradição viva da Igreja a luz e o caminho que devia seguir. A determinação
por ele tomada pode considerar-se como paradigma do dever cristão nas várias
alternativas desta peregrinação terrena, embora não existisse um método de vida
certo e definido.
Jesus Cristo é o centro vital, absolutamente
necessário, a que todas as coisas devem referir-se, para que a estas possa ser
dado sentido e elas possam harmonizar-se solidamente. Apelando para a afirmação
de S. Cipriano, Bispo de Cartago, Bento afirma com energia e gravidade que
absolutamente "nada pode ser anteposto ao amor de Cristo" [19].
Nos homens, porém, e nas coisas, há força e
importância na medida em que tudo está ligado com Cristo; portanto a esta luz
tudo deve ser considerado e estimado. Todos os que estão no mosteiro — do
superior (que é o pai, o abade) até ao hóspede desconhecido e pobre, do doente
ao último dos irmãos — significam a presença viva de Cristo. Também as coisas
são sinais do amor de Deus para com as criaturas, ou do amor com que o homem é
levado para Deus, e até mesmo um instrumento e uma ferramenta para se fazer um
trabalho "sejam considerados como vasos sagrados do altar" [20].
S. Bento não propõe alguma vazia consideração
teológica, mas partindo da verdade das coisas, segundo o uso, inculca nas almas
um modo de pensar e de agir, segundo o qual a teologia é transferida para a
prática da vida. Não tem tanto a peito falar das verdades sobre Cristo quanto,
partindo do mistério de Cristo e do "Cristocentrismo" dele derivado,
viver uma vida bem autêntica.
É necessário que o primeiro lugar, que é atribuído
ao modo sobrenatural de sentir as vicissitudes quotidianas, concorde com a
verdade da Encarnação: porque, ao homem fiel a Deus, não é lícito esquecer-se
do que é humano, deve ser fiel também ao homem. Por isso, o dever para cumprir,
de modo vertical como dizem, que se manifesta sobretudo na vida de oração, está
devidamente equilibrado se se harmoniza devidamente com o que requer o modo
"horizontal", de que a parte mais importante é o trabalho.
Na convivência monástica, portanto, sob a
guia daquele que "se crê fazer as vezes de Cristo" [21], S.
Bento mostra o caminho que há-de percorrer-se, o qual se distingue por grande
uniformidade. Este caminho, que está entre a solidão e a convivência, entre a
oração e o trabalho, é necessário que também o leigo do nosso tempo o percorra
— ainda que sejam diversos os pesos para atribuir a estas coisas — a fim de
poder realizar perfeitamente a sua vocação.
IV
O amor verdadeiro e absoluto a Cristo
manifesta-se de modo significativo na oração; que é por assim dizer o eixo à
volta do qual rodam a convivência quotidiana e toda a vida beneditina.
Mas o fundamento da oração, em conformidade
com uma sentença de S. Bento, está em que alguém ouça a palavra; porque o Verbo
encarnado — aqui, hoje, a cada homem na condição presente que não se repete —
fala através das Escrituras e do ministério eclesial; coisa que no mosteiro se
realiza também por meio das palavras do pai e dos irmãos da comunidade.
Em tal obediência de fé, a palavra de Deus é
recebida com humildade e alegria, derivando esta de se reconhecer uma perene
novidade, que o tempo não diminui, pelo contrário torna mais viva e de dia para
dia mais atraente. E esta palavra torna-se fonte inexausta de oração, porque
"o próprio Deus fala à alma, sugerindo-lhe as respostas, que o Seu coração
espera. Esta oração é dividida pelos vários períodos do dia e, como veia de
água subterrânea, alimenta o trabalho quotidiano" [22].
E pela meditação tranquila e saborosa — que é
verdadeira ruminação espiritual — a palavra de Deus excita nas almas dadas à
oração aqueles agudos raios de luz, que iluminam o decurso do dia inteiro. Na
verdade, esta é a "oração do coração", aquela "breve e pura
oração" [23], por meio da qual aos divinos impulsos
respondemos, e ao mesmo tempo pedimos ao Senhor que nos conceda o inexaurível
dom da sua misericórdia.
Portanto a palavra de Deus, que encerra o
profundo mistério da salvação, todos os dias é ouvida amorosamente pela alma e
é meditada com solicitude; isto faz-se por certo empenho vital, que se
explicita não por ciência humana mas pela sabedoria, que traz em si alguma
coisa de divino; isto é, não para que saibamos mais, mas para que, se é lícito
assim falar, para que sejamos mais: para falarmos com Deus, para a Ele
dirigirmos a Sua mesma palavra, para pensarmos o que Ele pensa, numa palavra,
para vivermos a Sua mesma vida.
O fiel, ouvindo a palavra de Deus, é levado a
entender o curso das coisas múltiplas e várias como também dos tempos, que o
Senhor providente decidiu acontecessem na família humana, de maneira que à alma
crente fosse apresentado mais amplo espectáculo da munificência salvífica. Por
isso do mesmo modo acontece que as maravilhas de Deus sejam captadas pela fé de
olhos abertos e com os ouvidos atentos [24]. A
luz deífica da contemplação acende a centelha e quer o silêncio, junto à
admiração; e o cântico de exultação e a pronta acção de graças dão àquela
oração índole particular, mediante a qual os monges celebram cantando os
louvores do Senhor cada dia. Então a oração torna-se quase a voz da criação
inteira e toma o lugar do excelso canto da Jerusalém celeste. A palavra de Deus
nesta peregrinação terrena faz que toda a vida seja sentida como aberta a Deus
que olha, e na oração ao Pai vem a ser dada voz àqueles que agora já não a têm:
as alegrias e as ansiedades, os êxitos favoráveis e as esperanças desiludidas,
e as expectativas de acontecimento propício ressoam nela de algum modo.
S. Bento é principalmente levado por esta
palavra de Deus na sagrada liturgia, não procurando contudo que se torne a
comunidade somente uma reunião para celebrar os mistérios divinos com ardor,
mas que declare harmoniosamente a comum experiência recebida no Espírito com o
canto coral; de facto, tem muito a peito que as disposições íntimas correspondam
à palavra de Deus pronunciada e cantada: "a mente esteja de acordo com a
palavra" [25]. A Sagrada Escritura, conhecida e
apreciada deste modo vital, é lida com gosto, quando ao mesmo tempo há
aplicação intensa à oração. Por impulso de amor, a alma recolhe-se muitas vezes
diante de Deus; nada é preferido à Obra de Deus [26]; a
oração, feita na liturgia, transfere-se para a vida, e a vida mesma torna-se
oração. A oração, logo que termina a liturgia, levada como de círculos pequenos
a outros maiores, amplifica-se e propaga-se no estado de alma recolhido e
silencioso, e por isso acontece que alguém de modo especial ore consigo mesmo e
que o hábito da oração penetre as acções e os momentos do dia.
S. Bento, amante da palavra de Deus, lê-a não
só na Bíblia sagrada mas também no grande livro que é a natureza. O homem,
contemplando a beleza da criatura, comove-se nos recessos mais íntimos do
espírito, e é levado a recordar Aquele que é sua fonte e origem; ao mesmo tempo
é levado a comportar-se com reverência para com a natureza, a pôr-lhe em
evidência a beleza, respeitando-lhe a verdade.
"Onde sopra o silêncio, fala a
oração" [27]: na solidão, de facto, a oração aumenta
por certa riqueza pessoal; o que deve referir-se não só ao vale inculto do
Aniene, onde S. Bento na solidão falava a sós com Deus, mas também à cidade
repleta de progressos técnicos mas distractiva para os espíritos, onde o homem
da nossa época se vê muitas vezes segregado e entregue a si mesmo. Mas é
necessário que a alma se exercite nalgum deserto, a fim de poder levar vida
autenticamente espiritual; porque ele previne contra as palavras vazias e torna
mais fácil o trato que é necessário ter com Deus, com os homens e com as
coisas. No silêncio do deserto, os motivos que se interpõem entre uns e outros,
ficam reduzidos àquilo que é principal e primário, acrescentando-se-lhe certa
austeridade, enquanto se purifica o coração, enquanto se descobre de novo o
hábito da oração quotidiana, que do íntimo do coração se eleva a Deus. Oração
que verdadeiramente não é feita com Ele na abundância das palavras mas na
pureza do coração inflamado e na compunção das lágrimas [28].
IOANNES PAULUS II
Notas:
[19] Cf. Regra de S. Bento,
4, 21; 72, 11.
[20] Cf. Regra de S. Bento,
31, 10.
[21] Regra de S. Bento, 63,
13; cf. ibid. 2, 2.
[22] Cf. Aloc. de Paulo VI
às Superioras Beneditinas, 29.9.1976: Insegnamenti di Paolo VI, XIV 1976, p.
771.
[23] Cf. Regra de S. Bento,
20, 4.
[24] Cf. Regra de S. Bento,
Prólog.. 9.
[25] Regra de S. Bento, 19,
7.
[26] Cf. Regra de S. Bento,
4, 55; 4, 56; 43, 3.
[27] Cf. Aloc. de Paulo VI
aos monges beneditinos, 8.9.1971: AAS 63 (1971), p. 746.
[28] Cf. Regra de S. Bento,
20, 3; 52, 4.
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Editrice Vaticana
Filosofia e Religião, Vida Humana
Democracia
Condições e bases da
democracia
Condição fundamental para a autêntica
democracia é certo grau de maturidade cultural e cívica. A experiência prova
que nas sociedades subdesenvolvidas a democracia se torna uma utopia. A própria
inclusão extemporânea dos processos demecráticosegenera facilmente em anarquia,
que por sua vez abrirá caminho necessário a qualquer das formas de ditadura. A
maturidade de que se fala revela-se por uma certa capacidade de discernimento,
opinião justa e equilibrada, expressão dos próprios sentimentos, objectividade,
harmonia e conveniência com o bem comum.
A verdadeira democracia respeita os direitos
da família, da educação, livre opinião, opção e responsabilidade nos próprios
destinos. Reclama um alto sentido de serviço tanto para governantes como para
governados.
A liberdade religiosa é um direito que o
homem tem, a partir da sua condição de criatura. Mesmo os agnósticos e ateus
têm a obrigação, pelo menos, de respeitar a liberdade de consciência e as
convicções de cada um.
Por direito natural é à família que compete
educar.A educação é o prolongamento e o exercício continuado daquele amor
inicial que deu origem ao acto da vida.A própria natureza dotou os pais daquela
força de inclinação e instinto que os capacita para tão alta tarefa. Por isso,é
à família que compete o direito de escolher as escolas dos seus filhos
(A
Ferraz, Cristãos e liberdades democráticas, BROTÈRIA, Vol. 99, 1974)
Reflexão na Quaresma
Humildade
O
Senhor ensina-nos que devemos ser humildes e que devemos procurar conforto nos
outros quando estivermos tristes, ainda que o que tenta consolar-nos seja mais
ignorante do que nós.
(Luís
de Palma, A Paixão do Senhor, Éfeso, 1991, pg. 81-82)
Pequena agenda do cristão - Sábado
12/03/2021
Consideração nas Sextas-Feira da Quaresma
No tempo de Quaresma que
estamos a viver, o cristão é convidado a preparar-se para a Páscoa da
Ressurreição de Jesus Cristo, vivendo de forma algo diferente do habitual nomeadamente
na contenção dos divertimentos e exageros, fazendo alguns actos de mortificação
voluntária que ajudarão a melhor corresponder a esse convite procurando imitar
o Salvador ao retirar-se para o deserto durante quarenta dias.
Para concretizar, NUNC COEPI
sugere que, pelo menos nos dias de Sexta-Feira, se abstenha ou, pelo menos
modere o visionamento da televisão.
Leitura Espiritual Mar 12
Novo Testamento
Evangelho
Lc VII, 24-50
Elogio do Precursor
24 Depois de os mensageiros de João se
terem retirado, Jesus começou a dizer à multidão acerca dele: «Que fostes ver
ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 25 Que fostes ver, então? Um homem
vestido com roupas finas? Os que usam trajes sumptuosos vivem regaladamente e
estão nos palácios dos reis. 26 Que fostes ver, então? Um profeta? Sim, Eu
vo-lo digo, e mais do que um profeta. 27 É aquele de quem está escrito: ‘Vou
mandar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de ti.’ 28
Digo-vos: Entre os nascidos de mulher não há profeta maior do que João; mas, o
mais pequeno do Reino de Deus é maior do que ele.» 29 E todo o povo que o
escutou, bem como os cobradores de impostos, reconheceram a justiça de Deus,
recebendo o baptismo de João. 30 Mas, não se deixando baptizar por ele, os
fariseus e os doutores da Lei anularam os desígnios de Deus a seu respeito.
Jesus censura a incredulidade
dos judeus
31 «A quem, pois, compararei os homens
desta geração? A quem são semelhantes?
32 Assemelham-se a crianças que, sentadas na praça, se interpelam umas
às outras, dizendo: ‘Tocámos flauta para vós, e não dançastes! Entoámos
lamentações, e não chorastes!’ 33 Veio João Baptista, que não come pão nem bebe
vinho, e dizeis: ‘Está possesso do demónio!’ 34 Veio o Filho do Homem, que come
e bebe, e dizeis: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de
impostos e de pecadores!’ 35 Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus
filhos.»
A pecadora aos pés de Jesus
36 Um fariseu convidou-o para comer
consigo. Entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa. 37 Ora certa mulher,
conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa em casa
do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. 38 Colocando-se por
detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os
com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. 39 Vendo isto, o fariseu
que o convidara disse para consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia quem
é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!» 40
Então, Jesus disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa para te dizer.» «Fala, Mestre»
- respondeu ele. 41 «Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe
quinhentos denários e o outro cinquenta. 42 Não tendo eles com que pagar,
perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?» 43 Simão respondeu: «Aquele a quem
perdoou mais, creio eu.» Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.» 44 E, voltando-se
para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me
deste água para os pés; ela, porém, banhou-me os pés com as suas lágrimas e
enxugou-os com os seus cabelos. 45 Não me deste um ósculo; mas ela, desde que
entrou, não deixou de beijar-me os pés. 46 Não me ungiste a cabeça com óleo, e
ela ungiu-me os pés com perfume. 47 Por isso, digo-te que lhe são perdoados os
seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco
ama.» 48 Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.» 49
Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os
pecados?» 50 E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.»
Texto
CARTA
APOSTÓLICA
AMANTISSIMA
PROVIDENTIA
DO
SUMO PONTÍFICE
PAPA
JOÃO PAULO II
AOS
BISPOS, SACERDOTES E FIÉIS DA ITÁLIA
NO
SÉTIMO CENTENÁRIO DA MORTE
DE
SANTA CATARINA DE SENA,
VIRGEM
E DOUTORA DA IGREJA
A insistência no princípio de solidariedade
serve também para demonstrar a raiz profunda da fraternidade humana que nos foi
ensinada por Cristo. Os homens vivem esta realidade: cada um é quase
completamente dos outros. A Providência criou-os dotando-os de qualidades
físicas e morais diferenciadas de indivíduo para indivíduo, de maneira que tem
cada um necessidade dos outros, "para que assim, por força, tenhais
matéria para usar a caridade uns com os outros" (39), e
fiquem todos ligados pela necessidade do auxilio mútuo, como os membros do
corpo entre si (40).
De modo semelhante, na Igreja universal há
solidariedade entre sector e sector. O que é figurado na alegoria das três
vinhas: a pessoal, a do próximo, e a universal do povo de Deus. As primeiras
duas estão de tal maneira unidas "que nenhum pode fazer bem a si sem o
fazer ao próximo, nem mal sem que o faça a ele" (41).
Mas na solidariedade com a terceira vinha está o sentido catariniano do
equilíbrio e da ordem.
É na vinha universal que está plantada a
única vide verdadeira, Jesus Cristo, sobre a qual todas as outras devem estar
enxertadas para d'Ele receberem a vida (42).
Nela o principal trabalhador é o Papa, "Cristo na terra, que nos deve
servir o sangue d'Ele" (43); do Papa todo o outro
trabalhador depende, por obediência e porque ele "tem as chaves do sangue
do humilde Cordeiro" (44). Imagens estas
transparentes do primado de Pedro — primado de magistério e de governo
estabelecido pela "primeira doce Verdade" (45) —
que une o carisma e a instituição em Cristo, fonte única, que é a fonte única
de ambos.
Nesta lógica se inspirou, em favor do
pontificado romano, toda a actividade de Catarina, anjo tutelar da Igreja.
CONCLUSÃO
O papel excepcional desempenhado por Catarina
de Sena, segundo os planos misericordiosos da Providência divina na história da
salvação, não terminou com o seu feliz trânsito para a pátria celeste. Ela, na
verdade, continuou a influir salutarmente na Igreja, tanto pelos luminosos
exemplos de virtude como devido aos admiráveis escritos. Por isso os Sumos
Pontífices meus Predecessores lhe exaltaram concordemente a perene actualidade,
propondo-a continuamente à admiração e imitação dos fiéis.
O Sumo Pontífice Pio II, na Bula de
Canonização, chamou-lhe com palavras quase proféticas "illustris et
indelebilis memoriae virginem" (46).
Pio IX proclamou-a, em 1866, segunda padroeira de Roma. São Pio X propô-la como
modelo às Mulheres da Acção Católica, nomeando-a padroeira delas. Pio XII
proclamou São Francisco de Assis e Santa Catarina de Sena padroeiros primários
da Itália, com a Carta Apostólica Licet commissa de 18 de Junho de 1939; e, no
memorável discurso em honra dos dois Santos, pronunciado na igreja de
"Santa Maria sopra Minerva" a 5 de Maio de 1940, este Papa tributou à
Santa de Sena o seguinte esplêndido elogio: "Neste serviço da Igreja, vós
bem compreendeis, dilectos filhos, como Catarina se antecipa aos nossos tempos,
com uma acção que dilata a alma católica e a põe ao lado dos ministros da fé;
sujeita sim, mas também cooperadora na difusão e defesa da verdade e da
restauração moral e social da convivência humana" (47).
Nem menos palpitantes de actualidade foram os repetidos louvores que à figura e
actividade apostólica de Catarina tributou o Sumo Pontífice Paulo VI, por ocasião
da festa anual da Santa. Parecem-me, entre outras, altamente significativas
para os nossos tempos as seguintes palavras do meu venerado Predecessor.
"Santa Catarina, disse ele a 30 de Abril de 1969, amou a Igreja na sua
realidade que, bem sabemos, tem aspecto duplo: um místico, espiritual e
invisível, o essencial e fundido com Cristo Redentor glorioso, que não cessa de
derramar o Seu sangue (quem falou tanto do sangue de Cristo como Catarina?)
sobre o mundo por meio da Sua Igreja; o outro, humano, histórico, institucional
e concreto, mas nunca separado do divino. Vale a pena perguntarmos se os nossos
modernos críticos do aspecto institucional da Igreja são capazes de compreender
esta simultaneidade." (48). Mas Paulo VI testemunhou,
com autoridade maior ainda, a sua estima pelo valor perene da doutrina ascética
e mística de Santa Catarina, quando a elevou, juntamente com Santa Teresa de
Ávila, à dignidade de Doutoras da Igreja e lhes celebrou a sobre-humana
sabedoria na Basílica de São Pedro a 4 de Outubro de 1970 (49).
Na vida e na actividade,
quer literária quer apostólica, de Santa Catarina de Sena, verificou-se na
realidade tudo o que tive ocasião de recordar a um grupo de Bispos em visita ad
limina: "O Espírito Santo está activo a iluminar as mentes dos fiéis com a
Sua verdade e a inflamar-lhes os corações com o amor. Mas estes conhecimentos
de fé e este sensus fidelium não são independentes do magistério da Igreja, que
é instrumento do mesmo Espírito Santo e assistido por Ele. E só quando os fiéis
são alimentados pela palavra de Deus, fielmente transmitida na sua pureza e
integridade, que os seus próprios carismas são plenamente activos e
frutuosos" (50).
Oxalá, dilectíssimos Irmãos e Filhos, o
exemplo de Santa Catarina de Sena — cuja vida foi tão admiravelmente activa e
fecunda para a pátria e para a igreja, porque dócil ao "instinctus"
do Espírito Santo e guiada pelo Magistério da Igreja — oxalá suscite em
muitíssimas almas admiração mais viva e desejo de imitação das heróicas
virtudes. Teremos assim nova confirmação de a sua morte ter sido
verdadeiramente — e continuar a sê-lo — "preciosa aos olhos do
Senhor", como é "a morte dos Seus santos" (51).
Depois de expressos estes sentimentos da
nossa alma, a Vós, veneráveis Irmãos e aos dilectos filhos da Itália, e também
a todos os que recordam piedosamente em todo o mundo este centenário da morte
de Santa Catarina de Sena, nomeadamente à Ordem dos Frades Pregadores e às
Monjas e Irmãs que vivem vida consagrada a Deus segundo as normas da mesma
Família religiosa, de todo o coração concedemos a Bênção Apostólica.
Dado em Roma, junto de São
Pedro, no dia 29 do mês de Abril, em memória de Santa Catarina de Sena, Virgem
e Doutora da Igreja, no ano de 1980, segundo do Nosso Pontificado.
IOANNES PAULUS PP. II
Notas
(22) Várias ediç. modernas
(Tommaseo, Misciattelli, Ferretti, Meattini) todas com a numer. de Tommaseo.
Edição critica (88 cartas) com numeração romana, preparada por Dupré-Theseider,
1940.
(23) Edição preparada por G.
Cavallini, Roma 1968.
(24) Underhill E., Mysticism, ed. Meridian Book, 1955, p. 467.
(25) Ediç. crítica preparada
por Cavallini G., Roma 1978.
(26) Diálogo, cc. 21-22;
Cartas 272.
(27) Diálogo, c. 11.
(28) Lumen gentium, c. V.
(29) Diálogo, c. 53.
(30) Diálogo, c. 26.
(13) Diálogo, cc. 56-77.
(32) Diálogo, cc. 87-96.
(33) Lumen gentium, c. V.
(34) Diálogo, c. 6.
(35) Cfr. DEMAN T., La parte del prossimo nella vita
spirituale secondo il Dialogo (in "Vita cristiana", 1947, n. 3, pp.
250-258).
(36) Diálogo, c. 7.
(37) Diálogo, cc. 7-8.
(38) Carta 263. Cfr.
Diálogo, cc. 7 e 64.
(39) Diálogo, c. 7.
(40) Diálogo, c. 148.
(41) Diálogo, c. 24.
(42) Ibidem.
(43) Cartas 313 e 321.
(44) Carta 339; cfr. Cartas
309 e 305.
(45) Carta 24, ou X.
(46) Bula Misericordias
Domini: Bull. Rom., vol. V,
1860, p. 165.
(47) Discorsi, vol. II, p. 100.
(48) Insegnamenti di Paolo
VI, VII, 1969, p. 941.
(49) Cfr. AAS 62, 1970, pp.
673-678.
(50) Cfr. Alocução a um
grupo de Bispos da Índia, 31.5.1979: AAS 71, 1979, p. 998.
(51) Sl 116, 15.
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