15/02/2021

Leitura espiritual

 


Novo Testamento


Evangelho


Mc XII, 13-34

 

O tributo a César

13 Em seguida, enviaram-lhe alguns fariseus e partidários de Herodes, a fim de o apanharem em alguma palavra. 14 Aproximando-se, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero, que não te deixas influenciar por ninguém, porque não olhas à condição das pessoas, mas ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade. Diz-nos, pois: é lícito ou não pagar tributo a César? Devemos pagar ou não?» 15 Jesus, conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu: «Porque me tentais? Trazei-me um denário para Eu ver.» 16 Trouxeram-lho e Ele perguntou: «De quem é esta imagem e a inscrição?» Responderam: «De César.» 17 Jesus disse: «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» E ficaram admirados com Ele.

 

Os saduceus e a ressurreição

18 Vieram ter com Ele os saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-no: 19 «Mestre, Moisés prescreveu-nos que se morrer o irmão de alguém, deixando a mulher e não deixando filhos, seu irmão terá de casar com a viúva para dar descendência ao irmão. 20 Ora havia sete irmãos, e o primeiro casou e morreu sem deixar filhos. 21 O segundo casou com a viúva e morreu também sem deixar descendência, e o mesmo aconteceu ao terceiro; 22 e todos os sete morreram sem deixar descendência. Finalmente, morreu a mulher. 23 Na ressurreição, de qual deles será ela mulher? Porque os sete a tiveram por mulher.» 24 Disse Jesus: «Não andareis enganados por desconhecer as Escrituras e o poder de Deus? 25 Quando ressuscitarem de entre os mortos, nem eles se casarão, nem elas serão dadas em casamento, mas serão como anjos no Céu. 26 E acerca de os mortos ressuscitarem, não lestes no livro de Moisés, no episódio da sarça, como Deus lhe falou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob? 27 Não é um Deus de mortos, mas de vivos. Andais muito enganados.»

 

O primeiro mandamento

28 Aproximou-se dele um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» 29 Jesus respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; 30 amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. 31 O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.» 32 O escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; 33 e amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.» 34 Vendo que ele respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E ninguém mais ousava interrogá-L’o.

 

Textos:



Omnia in bonum! (Tudo é bem)

 

  Não poucas vezes se arrisca a pôr em causa o bom nome das pessoas - a que qualquer pessoa tem direito - só porque se repete o que se ouviu, ou se leu e não se teve a preocupação em esclarecer.

Pode parecer exagero mas muita gente parece não ter outra coisa que fazer.

Daqui surgem um sem fim de ditos e mexericos, meias verdades e invenções, que vão construindo uma história sem bases nem consistência, e chega um momento em que já nem se sabe onde começa a verdade e acaba a mentira.

  Constroem-se, assim, histórias fabulosas, autênticos argumentos para filmes ou peças de teatro só que o que está em causa não são histórias sobre personagens saídas da imaginação de um prolífico autor teatral, mas sim invenções sobre pessoas reais, concretas, que têm família, usam um nome e convivem.

  Passados tantos dias e uns milhares de palavras voltamos onde começamos:

 

  Julgar os outros!

 

  Parece que nesta vida pouco importa tanto como os outros: o que fazem, como vivem, com quem se relacionam, o que dizem, que projectos têm.

  Poucos, muitíssimo poucos, escrevem sobre si próprios: eu fiz aquilo, eu penso assim, eu vivo desta forma, desejo aquilo, gosto daquele...

  Porquê?

Acham que as suas pessoas não interessam?

Que os outros não querem saber?

  Mas afinal, pode concluir-se: se cada um falasse de si, escrevesse sobre a sua vida desejos, frustrações, projectos, afinidades... não restaria matéria para falar àqueles outros todos que não fazem outra coisa que perscrutar a vida alheia.

  Parece uma ideia tonta e, provavelmente será, mas seria interessante fazer a experiência.

  Ninguém se contenta ou satisfaz com a realidade por mais evidente, célere e lógica que possa apresentar-se; precisa de umas cores extra, uns detalhes menos conhecidos, contornos mais alargados, digamos que a normalidade não interessa tanto como a comédia, o drama e, sobretudo, a tragédia.

  E não nos damos conta que a vida normal e corrente contém tudo isso:

Pedaços de drama, dias de alegria, tempos duros de tragédia, desgostos e relações destruidoras, tudo isso com entusiasmantes dias de felicidade, sólidas relações de amizade e trabalho produtivo e compensador.

  O que se passa é que, geralmente, não estamos atentos a essas coisas.

Habituamo-nos a reagir apenas ao aparato, ao choque, ao ruído e as coisas simples, discretas e pacíficas passam-nos ao lado.

 

  Onde temos o coração?

  Não é verdade que vamos construindo uma muralha à nossa volta, criando um espaço deserto de onde nem nós saímos nem outros entram?

  Onde temos o coração?

  Não é verdade que nos fechamos numa redoma onde, se quiserem, os outros nos podem ver e admirar sem que tenhamos que lhes retribuir coisa nenhuma?

  Sim... onde temos o coração?

  Bem trancado no peito ou, assim, nas palmas das mãos abertas aos outros, ao mundo?

  Não é verdade que, às vezes, talvez muitas vezes, não sabemos onde temos o coração?

Temos esta tendência de sermos o centro de tudo o que gira à nossa volta, nem nos passando pela cabeça que, ao invés, somos meros satélites orbitando gravitacionalmente em volta de algo mais forte, poderoso e atractivo, ou alguém mais sábio, prudente ou galvanizante?

  E porquê?

  Porque somos “especiais”, quer dizer, tão salientes que todos os outros como que se reduzem, à nossa volta?

  Tantas interrogações às quais, mais tarde ou mais cedo, temos de dar respostas.

  Estamos em constante evolução mas não devemos consentir nesta, sem ter esclarecido, muito bem, o que antecedeu.

  O ‘depois vê-se’ não é uma atitude nem séria nem correcta.

  Uma medida inteligente é não tomar como certo que existirá um “depois” que de facto, pode não haver e, então, lá ficaram uma quantidade de coisas por ver, de respostas que não foram dadas.

  O nosso depois é agora, exactamente, este preciso momento, e o que è necessário fazer agora não poderá, em caso nenhum, ser feito depois.

  Esta realidade tão saliente da condição humana, se for ignorada, pode originar graves distúrbios no comportamento.

Adiar, constantemente ou com ligeireza, o que se tem de fazer, produz como que uma acumulação de incumprimentos, insatisfações, faltas que acabarão por submergir a pessoa num mar revolto de correntes opostas e ventos contrários, onde será muito difícil manter um rumo conveniente.

 

 

 

 

São José

 


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA

REDEMPTORIS CUSTOS

DO SUMO PONTÍFICE

JOÃO PAULO II

SOBRE A FIGURA E A MISSÃO

DE SÃO JOSÉ

NA VIDA DE CRISTO E DA IGREJA

 

O CONTEXTO EVANGÉLICO

 

III

 

O HOMEM JUSTO - O ESPOSO

 

19. Nas palavras da «anunciação» nocturna, José escuta não apenas a verdade divina acerca da inefável vocação da sua esposa, mas ouve novamente também a verdade acerca da própria vocação. Este homem «justo», que, segundo o espírito das mais nobres tradições do povo eleito, amava a Virgem de Nazaré e a ela se encontrava ligado por amor esponsal, é novamente chamado por Deus para este amor.

 

«José fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu consigo a sua esposa»; o que se gerou nela «é obra do Espírito Santo». Ora, de tais expressões, não se imporá porventura deduzir que também o seu amor de homem tinha sido regenerado pelo Espírito Santo? Não se imporá porventura pensar que o amor de Deus, que foi derramado no coração humano pelo Espírito Santo (cf. Rom 5, 5), forma do modo mais perfeito todo o amor humano? Ele forma também — e de maneira absolutamente singular — o amor esponsal dos cônjuges, nele dando profundidade a tudo aquilo que seja humanamente digno e belo e tenha as marcas da exclusiva entrega, da aliança das pessoas e da comunhão autêntica, a exemplo de Mistério trinitário.

 

«José ... recebeu consigo a sua esposa, a qual, sem que ele a conhecesse, deu à luz um filho» (Mt 1, 24-25). Estas palavras indicam ainda outra proximidade esponsal. A profundeza desta proximidade, a intensidade espiritual da união e do contacto entre pessoas — do homem e da mulher — provêm em última análise do Espírito que dá a vida (cf. Jo 6, 63). José, obediente ao Espírito, encontra precisamente nele a fonte do amor, do seu amor esponsal de homem; e este amor foi maior do que aquele «homem justo» poderia esperar, segundo a medida do próprio coração humano.

Pequena agenda do cristão - Segunda-Feira

    

 

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

14/02/2021

Leitura espiritual Fev 14

 


Novo Testamento


Evangelho


Mc XI, 27-33; Mc XII, 1-12

 

A autoridade de Jesus

27 Regressaram a Jerusalém e, andando Jesus pelo templo, os sumos sacerdotes, os doutores da Lei e os anciãos aproximaram-se dele 28 e perguntaram-lhe: «Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu autoridade para as fazeres?» 29 Jesus respondeu: «Também Eu vos farei uma pergunta; respondei-me e dir-vos-ei, então, com que autoridade faço estas coisas: 30 O baptismo de João era do Céu, ou dos homens? Respondei-me.» 31 Começaram a discorrer entre si, dizendo: «Se dissermos ‘do Céu’, dirá: ‘Então porque não acreditastes nele?’ 32 Se, porém, dissermos ‘dos homens’, tememos a multidão.» Porque todos consideravam João um verdadeiro profeta. 33 Por fim, responderam a Jesus: «Não sabemos.» E Jesus disse-lhes: «Nem Eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.»

 

Parábola dos vinhateiros homicidas

XII 1 Jesus começou a falar-lhes em parábolas: «Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e construiu uma torre. Depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. 2 A seu tempo enviou aos vinhateiros um servo, para receber deles parte do fruto da vinha. 3 Eles, porém, prenderam-no, bateram-lhe e mandaram-no embora de mãos vazias. 4 Enviou-lhes, novamente, outro servo. Também a este partiram a cabeça e cobriram de vexames. 5 Enviou outro, e a este mataram-no; mandou ainda muitos outros, e bateram nuns e mataram outros. 6 Já só lhe restava um filho muito amado. Enviou-o por último, pensando: ‘Hão-de respeitar o meu filho’. 7 Mas aqueles vinhateiros disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa’. 8 Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha. 9 Que fará o dono da vinha? Regressará e exterminará os vinhateiros e entregará a vinha a outros. 10 Não lestes esta passagem da Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. 11 Tudo isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?» 12 Eles procuravam prendê-lo, mas temiam a multidão; tinham percebido bem que a parábola era para eles. E deixando-o, retiraram-se.

 

Texto



CARTA APOSTÓLICA

AMANTISSIMA PROVIDENTIA

DO SUMO PONTÍFICE

PAPA JOÃO PAULO II

AOS BISPOS, SACERDOTES E FIÉIS DA ITÁLIA

NO SÉTIMO CENTENÁRIO DA MORTE

DE SANTA CATARINA DE SENA,

VIRGEM E DOUTORA DA IGREJA

 

 

 

Veneráveis Irmãos e Dilectos Filhos, Saúde e Bênção Apostólica

 

INTRODUÇÃO

  A amável Providência Divina em vários modos se manifesta protagonista da história, acendendo sempre novas luzes no caminho do homem. Muitas vezes escolhe pessoas aparentemente inaptas e de tal modo lhes eleva as faculdades naturais que as torna capazes de acções absolutamente superiores ao próprio alcance. E fá-lo não tanto para confundir a sabedoria dos sábios (1), quanto para colocar em relevo a Sua obra, que não precisa de apoios humanos, e para indicar mais claramente aos homens a que dignidade os eleva a Sua graça e a que grandezas maiores ainda pode e quer conduzi-los a Sua guia.

  É isto especialmente evidente na vida e nas obras de Santa Catarina de Sena, de que este ano celebramos o 6° centenário da piedosa morte. É o motivo porque tenho o gosto de apontá-la novamente ao exemplo dos fiéis, não só da Itália mas do mundo inteiro. Nela, de facto, o Divino Espírito fez resplandecer maravilhosos dons de graça e de humanidade, por meio dos dons de sabedoria, de inteligência e de ciência, com os quais a mente humana se torna extremamente sensível às divinas inspirações, "no conhecimento das coisas divinas e das humanas" (2).

  A ela podem, por conseguinte, aplicar-se as palavras do Salmista: "Alargastes o caminho dos meus passos, para que não resvalassem os meus pés (3). E ainda: "Correrei pelo caminho dos vossos mandamentos, logo que me dilateis o coração" (4).

 

I.

A EXPERIÊNCIA HUMANA E DIVINA

  As condições da Itália e da Europa não eram prósperas, quando veio à luz em Sena, em 1347, a pequena Catarina. Já se apresentava no horizonte a tristemente famosa "peste negra", que no ano seguinte assolou todas as regiões e semeou desolação e morte em todos os lugares e quase em cada família.

  Outros males afligiram a sociedade civil, como as guerras, particularmente a dos cem anos entre a França e a Inglaterra, e as incursões dos bandos mercenários. No mundo religioso, o principal acontecimento foi a estadia dos Papas em Avinhão e depois o grande cisma do Ocidente, que se prolongou até 1417. A história da Virgem de Sena insere-se profundamente nestas circunstâncias, nas quais teve mesmo o papel de protagonista.

  Filha de um tintoreiro, penúltima de 25 filhos, Catarina tomou muito depressa consciência das necessidades do mundo e, atraída pelo ideal apostólico dominicano, quis entrar na ordem terceira ou, como então se dizia em Sena nas Mantelatas. Apesar de não serem religiosas nem viverem em comunidade, usavam o hábito branco e o manto preto dos Frades Pregadores. Novíssima, já se distinguia pela caridade para com os pobres e os doentes, pela paciência em suportar as maledicências dos homens e pelas batalhas interiores com o demónio, pela sabedoria e humildade das atitudes e dos pensamentos.

  Entretanto ia-se exercitando num corajoso programa ascético, baseado em critérios eficientes, que mais tarde inculcaria aos próprios discípulos: "Não tolerar os movimentos (da natureza desordenada) que não sejam correctos" (5).

  Andava à sua volta um grupo variado de discípulos de todas as condições, atraídos pela fé pura e pela clara proposição da palavra de Deus, sem meios termos nem compromissos. Eram leigos, mantelatas e religiosos de várias ordens, alguns conquistados por factos prodigiosos. Todos recebiam dela uma singular promessa, cujo valor muitas vezes experimentavam: a de os acompanhar onde quer que estivessem e pagar até pelos erros que cometessem (6).

  O Senhor instruía-a, como um mestre a sua aluna, e descobria-lhe pouco a pouco "aquelas coisas que lhe fossem úteis à alma" (7).

  O progresso espiritual atingiu o auge com as núpcias espirituais na fé, que podiam parecer o selo de uma vida consagrada ao isolamento e à contemplação. Pelo contrário, ao dar-lhe o anel invisível, pretendia uni-la a Si nas empresas do Seu reino (8). A moça do povo de vinte anos via isto como sinal de separação entre ela e o Esposo celestial, mas Este pelo contrário assegurou-lhe que pretendia uni-la mais a Si "por meio da caridade com o próximo" (9), isto é, ao mesmo tempo no plano da mística interior e no da acção exterior ou da mística social, como foi dito (10).

  Foi como que um impulso para espaços mais altos, que se lhe abriam diante da mente e da iniciativa. Passou da conversão de pecadores isolados à reconciliação entre pessoas ou famílias adversárias; e à pacificação entre cidades e repúblicas. Não receou passar entre facções armadas nem se deteve perante o alargar-se dos horizontes, o que no princípio a tinha aterrado até a fazer chorar. O impulso do Mestre divino manifestou nela como que uma humanidade de acréscimo. Para ela, filha de artesãos e mulher sem letras, isto é, sem escola nem instrução, a vista do mundo e seus problemas ultrapassou enormemente os limites do seu bairro, até lhe projectar a acção para espaços mundiais. Para a ousadia dela já não havia limites, nem para a sua ansiedade pela salvação dos homens. Um dia, conta ela mesma, o Senhor pôs-lhe "a cruz às costas e uma oliveira na mão", para as levar a um e outro povo, o cristão e o infiel, como se Cristo a erguesse às próprias dimensões universais da salvação (11).

  Para a tornar mais conforme ao Seu mistério de redenção e prepará-la para um incansável apostolado, o Senhor concedeu a Catarina o dom dos Estigmas. Foi o que sucedeu na igreja de Santa Cristina, em Pisa, no 1° de Abril de 1375.

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

Notas

 

(1) 1 Cor 1, 19.

(2) S. Th., Ia. IIae, q. 68, a. 5 ad 1.

(3) Sl 17 (18), 37.

(4) Sl 118 (119), 32.

(5) Diálogo, c. 73 (ed. Cavallini, p. 161. Cfr. c. 60 e Cartas, passim.

(6) Cfr. Carta 99 sec. Tommaseo; ed. Dupré-Theseider, VII.

(7) Raimundo de Cápua, Legenda maior, in Acta Sanctorum, Abril (trad. it. Tinagli, ed. 3 e 4; 1969-1978), par. 84.

(8) Legenda maior, 115.

(9) Ibidem.

(10) Leclerq J., La mystique de 1'apostolat, 1922-1947.

(11) Carta 219, ou LXV.

 

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Reflexão

 

Muitos sucumbem perante o sofri­mento porque não estão preparados para deixar cair as suas próprias representações da vida e, perante a dor, agarram-se à imagem que têm de si mesmos e à imagem que fazem de Deus.

 

(Anselm Grun, A incompreensível existência de Deus, Paulinas, p. 43)

Sacramentos

 


O Matrimónio

 

4. A paternidade responsável

 

«Pela sua própria natureza, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação dos filhos, que constituem o ponto alto da sua missão e a sua coroa. Os filhos são, sem dúvida, o mais excelente dom do matrimónio e contribuem muitíssimo para o bem dos próprios pais. O mesmo Deus que disse: "não é bom que o homem esteja só" (Gn 2, 18) e que "desde o princípio fez o homem varão e mulher" (Mt 19, 4), querendo comunicar-lhe uma participação especial na sua obra criadora, abençoou o homem e a mulher dizendo: "Sede fecundos e multiplicai-vos" (Gn 1, 28). Por isso, o culto autêntico do amor conjugal e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do Matrimónio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do Criador e do Salvador, que, por meio deles, aumenta continuamente e enriquece a sua família» (Catecismo , 1652) «No dever de transmitir e educar a vida humana - dever que deve ser considerado como a sua missão específica - eles são os cooperadores do amor de Deus criador e como que os seus intérpretes (…),os esposos cristãos, confiados na divina Providência e cultivando o espírito de sacrifício, dão glória ao Criador e caminham para a perfeição em Cristo quando se desempenham do seu dever de procriar com responsabilidade generosa, humana e cristã» (Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 50). Por isso, entre «os esposos que deste modo satisfazem à missão que Deus lhes confiou, devem ser especialmente lembrados aqueles que, de comum acordo e com prudência, aceitam com grandeza de ânimo educar uma prole numerosa» (Ibidem).

Pequena agenda do cristão

  


DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)





























13/02/2021

A verdade de Cristo no coração

 

Os que temos a verdade de Cristo no coração, temos de meter esta verdade no coração, na cabeça e na vida dos outros. O contrário seria comodismo, táctica falsa.

Pensa de novo: Cristo pediu-te licença, a ti, para se meter na tua alma? Deixou-te a liberdade de o seguir, mas procurou-te Ele, porque quis. (Forja, 946)

Com obras de serviço, podemos preparar a Nosso Senhor um triunfo maior que o da sua entrada em Jerusalém... Porque não se repetirão as cenas de Judas, nem a do Jardim das Oliveiras, nem aquela noite cerrada... Conseguiremos que o mundo arda nas chamas do fogo que veio trazer à terra!... E a luz da verdade – o nosso Jesus – iluminará as inteligências num dia sem fim. (Forja, 947)

Leitura espiritual

         


      Novo Testamento ()

Evangelho


Mc XI, 1-26


 

Entrada triunfal em Jerusalém

1 Estando próximos de Jerusalém, perto de Betfagé e de Betânia, junto ao Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos 2 e disse-lhes: «Ide à povoação que está em frente de vós e, logo que nela entrardes, encontrareis um jumentinho preso, que ainda ninguém montou. Soltai-o e trazei-o. 3 E se alguém vos perguntar: ‘Porque fazeis isso?’ respondei: ‘O Senhor precisa dele;’ e logo o mandará de volta.» 4 Partiram e encontraram um jumentinho preso junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e soltaram-no. 5 Alguns que ali se encontravam disseram-lhes: «Que é isso de soltar o jumentinho?» 6 Responderam como Jesus tinha dito e eles deixaram-nos ir. 7 Levaram o jumentinho a Jesus, lançaram-lhe por cima as capas e Jesus montou nele. 8 Muitos estenderam as capas pelo caminho; outros, ramos de verdura que tinham cortado nos campos. 9 E tanto os que iam à frente como os que vinham atrás gritavam: Hossana! Bendito seja o que vem em nome do Senhor! 10 Bendito o Reino do nosso pai David que está a chegar. Hossana nas alturas! 11  Chegou a Jerusalém e entrou no templo. Depois de ter examinado tudo em seu redor, como a hora já ia adiantada, saiu para Betânia com os Doze.

 

A figueira amaldiçoada

12 Na manhã seguinte, ao deixarem Betânia, Jesus sentiu fome. 13 Vendo ao longe uma figueira com folhas, foi ver se nela encontraria alguma coisa; mas, ao chegar junto dela, não encontrou senão folhas, pois não era tempo de figos. 14 Disse então: «Nunca mais ninguém coma fruto de ti.» E os discípulos ouviram isto.

 

Os profanadores do Templo

15 Chegaram a Jerusalém; e, entrando no templo, Jesus começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; deitou por terra as mesas dos cambistas e os bancos dos vendedores de pombas, 16 e não permitia que se transportasse qualquer objecto através do templo. 17 E ensinava-os, dizendo: «Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos? Mas vós fizestes dela um covil de ladrões.» 18 Os sacerdotes e os doutores da Lei ouviram isto e procuravam maneira de o matar, mas temiam-no, pois toda a multidão estava maravilhada com o seu ensinamento. 19 Quando se fez tarde, saíram para fora da cidade.

 

A confiança em Deus

20 Ao passarem na manhã seguinte, viram a figueira seca até às raízes. 21 Pedro, recordando-se, disse a Jesus: «Olha, Mestre, a figueira que amaldiçoaste secou!» 22 Jesus disse-lhes: «Tende fé em Deus. 23 Em verdade vos digo, se alguém disser a este monte: ‘Tira-te daí e lança-te ao mar’, e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz se vai realizar, assim acontecerá. 24 Por isso, vos digo: tudo quanto pedirdes na oração crede que já o recebestes e haveis de obtê-lo. Quando vos levantais para orar, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe primeiro, 25 para que o vosso Pai que está no céu vos perdoe também as vossas ofensas. 26 Porque, se não perdoardes, também o vosso Pai que está no Céu não perdoará as vossas ofensas.»


Texto:



  Ao atribuir a designação de amor ao simples acto sexual independentemente das circunstâncias ou especificidades envolvidas, comete-se um abuso inaceitável porque se implica que se faz um acto divino ou, por outras palavras, que Deus está pessoalmente envolvido no acto.

  À força de repetir uma mentira esta acaba por se tornar verdade; este foi um dos corolários repetido até à exaustão por Lenine e com que funestos resultados!

  Uma das regras mais repetidamente impostas nesses negros anos do início do comunismo soviético, foi o banimento liminar do conceito da palavra, amor.

  Com razão, deve convir-se, porque são dois conceitos, ou filosofias completamente antagónicas.

  Comunismo e amor situam-se em polos diferentes, aliás, tão diferentes quanto o podem ser duas coisas em si distintas desde a raiz.

  O comunismo - ou marxismo - é uma invenção humana enquanto o amor é uma centelha divina.

Esta é a realidade do sentimento mais nobre que o homem pode cultivar, aquele é a afirmação do mais baixo sentimento de domínio de pessoas, sociedades inteiras, para conseguir fins de controlo e hegemonia sem outra finalidade que a exclusão de todos e tudo que não haja - ou sequer pense - da mesma forma recorrendo se necessário - e quase sempre o foi e continua a ser - à força física, à coacção mais brutal e aviltante.

  Sim, é verdade, caiu o muro que, em Berlim, dividia o mundo, símbolo dessa força, dessa ideologia imposta a milhares de seres humanos durante décadas.

  Mas como foi possível?

Que movimento foi o autor de tamanha convulsão?

  Na verdade, não houve nem força nem organização alguma mas, tão só o amor incomensurável de um homem extraordinário:

  O amor pelos homens - por todos os homens - de João Paulo II!

  Uma vez mais se cumpriu o famoso aviso, já citado, de Gamaliel: as obras dos homens são passageiras, podem combater-se e ser vencidas, as de Deus não há combate que as possa vencer.

  Nunca!

  A queda do muro de Berlim foi obra de Deus?

  Não parece haver grandes dúvidas já que todas as explicações que se possam aduzir para actos de inexplicável alcance e envergadura encontram sempre uma intransponível interrogação e desafio à lógica humana.

  Talvez o comunismo continue a existir em diferentes partes do mundo, tal como existem as perseguições que a intransigência das ideologias promovem, mas há uma evolução visível e mudanças significativas à medida que vão desaparecendo os mentores dessas ideologias e políticas.

  Mas o cristianismo não é uma ideologia nem sequer uma filosofia de vida proposta por homens, é um modo de encarar a vida, a criação, o mundo, as relações dos homens com os outros seres e com o meio ambiente e, este modo de encarar a vida foi proposto por Deus através da Segunda Pessoa, Jesus Cristo.

  Por isso, não há várias formas de viver mas apenas duas:

  Viver como Deus quer que o homem viva para alcançar o seu fim que é a vida eterna, ou viver de outra forma qualquer, não importa qual.

  Viver como Deus quer é a única forma que o homem tem de viver para ser possível alcançar o seu fim último.

Viver de outra forma pode ser agradável, compensador, terrível ou desastroso mas, no fim, não restará absolutamente nada e a alma, não podendo acolher-se junto do Criador, porque O rejeitou em vida, ficará banida para sempre de qualquer compensação ou gozo.

  É este o condicionamento do ser humano.

Um condicionamento real, concreto, positivo, do qual não pode fugir, a que não consegue eximir-se tente o que tentar, faça o que fizer.

  Note-se que se fala de condicionamento e não de dilema que, por definição filosófica, significa exactamente um problema que apresenta duas soluções, nenhuma das quais aceitável.

  Este condicionamento, de facto, tem duas soluções:

Uma é actuar como Deus quer; a outra, fazer o oposto.

  Está bem expresso na Lei Natural o modo de viver que Deus quer e qualquer um dos dez preceitos é fundamental e faz parte inalienável do todo.

O não cumprimento ou desprezo de um deles implica o não cumprimento da Lei no seu todo.

Parece simples de perceber que, por exemplo, o preceito de não furtar, se não for cumprido, arrasta consigo uma série de consequências que colidem com todo o resto:

  A confiança, a fidelidade, a justiça, a lealdade, o respeito, a honra, o amor a Deus e ao próximo.

  Por isso não faz sentido nenhum dizer que fulano é honesto como se fosse uma condição de excepcional virtude quando, simplesmente, se trata de uma obrigação moral de qualquer ser humano.

  O Beato João Paulo II foi o homem providencial de que Deus Se terá servido numa determinada época da história humana, para, de certa forma, ser o mentor da fractura com uma situação insuportável para milhões de Filhos Seus.

A sua frágil pessoa conseguiu aquilo que o poder das armas mais sofisticadas e potentes não conseguira até então.

Como?

Porque tinha razão e foi capaz de chamar à razão os que a não tinham.

  É sem dúvida notável que as suas primeiras palavras, após a sua eleição como Sumo-Pontífice, fossem:

  ‘Não tenhais medo!’

  Ele podia, da janela do Palácio Vaticano, dizer estas palavras ao mundo porque, ele próprio, não tinha medo absolutamente nenhum de nada.

 

Nem a consciência, que decerto tinha, da terrível carga que lhe tinha sido posta nos ombros o impediu de mostrar – urbi et orbi – a todos no mundo, que a sua confiança na providência divina era total e absoluta e que tudo, absolutamente tudo quanto pudesse vir a acontecer, seria para bem.

(1) Sequencial todos os dias do ano