16/01/2021

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 16

 

Evangelho

 

Mt XXVI 1 - 29

 

Jesus prediz a Sua Morte

1 Tendo acabado todos estes discursos, Jesus disse aos discípulos: 2 «Como sabeis, a Páscoa é daqui a dois dias, e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.»

 Reunião do Sinédrio

3 Então, os sumos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no palácio do Sumo Sacerdote, que se chamava Caifás, 4 e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo. 5 Diziam, porém: «Que não seja durante a festa, para não haver alvoroço entre o povo.»

Refeição em Betânia

6 Jesus encontrava-se em Betânia, em casa de Simão, o leproso. 7 Enquanto estava à mesa, aproximou-se dele uma mulher, que trazia um frasco de alabastro com um perfume de alto preço e derramou-lho sobre a cabeça. 8 Ao verem isto, os discípulos ficaram indignados e disseram: «Para quê este desperdício? 9 Podia vender-se por bom preço e dar-se o dinheiro aos pobres.» 10 Jesus apercebeu-se de tudo e disse: «Porque afligis esta mulher? Ela praticou uma boa acção para comigo. 11 Pobres, sempre os tereis convosco; mas a mim nem sempre me tereis. 12 Derramando este perfume sobre o meu corpo, ela preparou a minha sepultura. 13 Em verdade vos digo: Em qualquer parte do mundo onde este Evangelho for anunciado, há-de também narrar-se, em sua memória, o que ela acaba de fazer.»

Judas vende Jesus

14 Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 e disse-lhes: «Quanto me dareis, se eu vo-lo entregar?» Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. 16 E, a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

Jesus manda preparar a Última Ceia

 17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 18 Ele respondeu: «Ide à cidade, a casa de um certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.’» 19 Os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa.

Jesus indica o traidor

20 Ao cair da tarde, sentou-se à mesa com os Doze. 21 Enquanto comiam, disse: «Em verdade vos digo: Um de vós me há-de entregar.» 22 Profundamente entristecidos, começaram a perguntar-lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?» 23 Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará. 24 O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor para esse homem não ter nascido!» 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: «Porventura serei eu, Mestre?» «Tu o disseste» - respondeu Jesus.

Instituição da Eucaristia

26 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo.» 27 Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos. 28 Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados. 29 Eu vos digo: Não beberei mais deste produto da videira, até ao dia em que beber o vinho novo convosco no Reino de meu Pai.»

 


Desejo de melhoria e bem comum (cont)

  O carácter é, chamemos-lhe assim, o disco formatado da nossa estrutura humana.

  É o conjunto de capacidades, virtudes, defeitos, desejos, anseios de cada um e a estrutura combinada destes mesmos atributos que nos leva a eleger a prática desta ou aquela acção, a aceitar ou repudiar este ou aquele sentimento.

  É o que os psicólogos chamam:

 Personalidade

   Sabemos que houve a tentativa de separar as duas definições como sendo, o carácter o conjunto que a pessoa tem desde que nasce, ao passo que, a personalidade seria a súmula dos conhecimentos adquiridos ao longo da vida.

  Não se deve concordar com esta articulação, principalmente porque, tal equivaleria dizer que o carácter se atém a uma imutabilidade inicial e, a personalidade, dependeria de uma variação constante, o que, não se pode considerar como possível.

  A personalidade forma-se, de facto, como o carácter, na sucessão de acontecimentos ao longo da vida mas, até um certo ponto, quer dizer, há um momento a partir do qual o carácter (a personalidade) estão definidos e assentes e já não mudam substancialmente na sua estrutura.

Esse momento é aquilo a que chamamos a “idade madura” ([1]) ou seja, quando a pessoa sabe, definitivamente o que quer e o que lhe convém e, também, o que não deve querer nem lhe deve interessar para a sua vida.

 Quando?

  Esse momento surge em cada um em tempo e de forma diferente e, claro dependendo do que recebeu, e quanto recebeu, nos primeiros anos de vida.

Daqui, repete-se, o contributo fundamental dos Pais, em primeiríssimo lugar, os professores e demais formadores depois.

  Mas não frisemos apenas o contributo fundamental, mas a obrigação inalienável, o dever grave, de cada um dos actores mencionados cumprir com rigor o seu papel.

  Quem não recebe esta formação em devido tempo terá muito maior dificuldade em afirmar-se na vida como ser individual e independente, com uma capacidade de opção e liberdade de escolha a que tem direito como qualquer ser humano.

Pode vir a colmatar esta lacuna no futuro, é evidente, mas, voltamos a mencionar, não existindo a formatação inicial, levá-lo-á a vaguear por conta própria por diversos caminhos que, se não o conduzirem a más soluções, pelo menos, o farão perder um tempo precioso porque, sempre, escasso.

  Chegado o momento das opções sérias que podem mudar de forma mais ou menos radical a própria vida, a pessoa deficientemente formada não tem capacidade de eleição e, até talvez, lhe passe despercebido esse chamamento íntimo, que normalmente se denomina como vocação própria.

  O que vou fazer da minha vida?

  Esta a questão fundamental com a qual, mais tarde ou mais cedo, o homem se depara.



[1] ‘Tenho que admitir que o termo maturidade (maturité, maturity reife), aplicado à personalidade é um tópico comum e de ampla circulação, cujo uso coloquial está muito espalhado entre os habitantes das mais diversas comunidades. Mas tenho de advertir que resisti durante muito tempo a empregá-lo – e quando o usei, fi-lo contra a minha vontade e com certa repugnância – devido à sua ambiguidade, indefinição, polisemia e anfibiologia. Compreendo, todavia, que quando alguém me fala de maturidade da personalidade” ou de uma pessoa “madura”, consigo entender, apesar do que acabo de afirmar, o que o meu interlocutor quer significar. Na realidade, o que acontece, na minha opinião, é que não dispomos de uma definição rigorosa e operativa para expressar de forma inconfundível, e de uma vez por todas, o que queremos significar com o termo maturidade.’  aquilino polaino-lorente, MATURIDADE PESSOAL E AMOR CONJUGAL, Factores psicológicos e psicopatlógicos, Quinta Edição, documentos do instituo de ciências para a família.

Reflexão

 

Há uma relação muito precisa entre a capacidade de amar e a capacidade de sofrer. Quem não é capaz de sofrer não é capaz de amar. Se os santos desejaram profundamente o sofrimento, é porque o seu amor por Cristo os levava a padecer com Ele. 

Se nós não desejamos o sofrimento, ou procuramos escapar-Lhe, é porque ainda nos amamos excessivamente. E talvez fosse muito útil examinarmos, de vez em quando, o estado do nosso amor à Cruz, para podermos apreciar o grau de amor de Deus encerrado nas nossas almas.

 

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 274)

FILOSOFIA E RELIGIÃO

 

MATRIMÓNIO

A verdade é que o casamento, como instituição natural, tem, por Vontade do Criador, como fim primeiro e fundamental, não o aperfeiçoamento pessoal dos esposos, mas a procriação e educação dos filhos (...). Aos esposos que usam o matrimónio, como acto específico do seu estado, impõem a natureza e o Criador a função de prover á conservação do género humano.

 

Pio XII, alocução ás parteiras, Roma, Outubro 1951

Pequena agenda do cristão

 


SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

15/01/2021

Reflexão

 

Esse espaço de tempo que se ganha com a dilação (na resposta) deixa ampla margem à acção das forças obscuras do pecado, que podem pesar decisivamente na vitória da natureza sobre a graça e afogar ao nascer o fiat que ia decidir sobre a sorte futura da pessoa no sentido planeado por Deus.

 

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 65)

Devemos santificar todas as realidades

A tua tarefa de apóstolo é grande e formosa. Estás no ponto de confluência da graça com a liberdade das almas; e assistes ao momento soleníssimo da vida de alguns homens: o seu encontro com Cristo. (Sulco, 219)

Estamos no Natal. Acodem-nos à memória os diversos factos e circunstâncias que rodearam o nascimento do Filho de Deus e o olhar detém-se na gruta de Belém, no lar de Nazaré. Maria, José, Jesus Menino ocupam de modo muito especial o centro do nosso coração. Que diz, que nos ensina a vida, simples e admirável ao mesmo tempo, dessa Sagrada Família? Entre as muitas considerações que poderíamos fazer, agora quero escolher sobretudo uma., Como refere a Escritura, o nascimento de Jesus significa o início da plenitude dos tempos, o momento escolhido por Deus para manifestar plenamente o seu amor aos homens, entregando-nos o seu próprio Filho. Essa vontade divina realiza-se no meio das circunstâncias mais normais e correntes: uma mulher que dá à luz, uma família, uma casa. A omnipotência divina, o esplendor de Deus passam através das coisas humanas, unem-se às coisas humanas. Desde esse momento, nós, os cristãos, sabemos que, com a graça do Senhor, podemos e devemos santificar todas as realidades sãs da nossa vida. Não há situação terrena, por mais pequena e vulgar que pareça, que não possa ser a ocasião de um encontro com Cristo e uma etapa da nossa caminhada para o Reino dos Céus. Por isso, não é de estranhar que a Igreja se alegre, que rejubile, contemplando a modesta morada de Jesus, Maria e José. (Cristo que passa, 22)

São José CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE 9

 

CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE

DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA

 

«Levanta-te, toma o menino e sua mãe» (Mt 2, 13): diz o anjo da parte de Deus a são José.

 

O objetivo desta carta apostólica é aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo.

 

Com efeito, a missão específica dos Santos não é apenas a de conceder milagres e graças, mas de interceder por nós diante de Deus, como fizeram Abraão (Cf. Génesis 18, 23-32)  e Moisés, (Cf. Êxodo17, 8-13; 32, 30-35.) como faz Jesus, «único mediador» (1 Tm 2, 5), que junto de Deus Pai é o nosso «advogado» (1 Jo 2, 1), «vivo para sempre, a fim de interceder por [nós]» (Heb 7, 25; cf. Rm 8, 34).

 

Os Santos ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado». (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 42). A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho.

 

À semelhança de Jesus que disse: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: «Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores» (1 Cor 4, 16). (Cf. I Coríntios 11, 1; Filipenses 3, 17; I Tessalonicenses 1, 6). O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloquente.

 

Estimulado com o exemplo de tantos Santos e Santas diante dos olhos, Santo Agostinho interrogava-se: «Então não poderás fazer o que estes e estas fizeram?» E, assim, chegou à conversão definitiva exclamando: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!» (Confissões, 8,11,17; 10,27,38: PL 32, 761; 795).

 

Só nos resta implorar, de São José, a graça das graças: a nossa conversão.

 

Dirijamos-lhe a nossa oração:

Salve, guardião do Redentor

e esposo da Virgem Maria!

A vós, Deus confiou o seu Filho;

em vós, Maria depositou a sua confiança;

convosco, Cristo tornou-Se homem.

 

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós

e guiai-nos no caminho da vida.

Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,

e defendei-nos de todo o mal. Amen.

 

Roma, em São João de Latrão, na Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, 8 de dezembro do ano de 2020, oitavo do meu pontificado.

 

Francisco

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

 

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 15

 

Evangelho

 

Mt XXV 31 - 46

 

 

O Juízo Final

 

31 «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. 32 Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33 À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos. 34 O Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35 Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, 36 estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’ 37 Então, os justos vão responder-lhe: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38 Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? 39 E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ 40 E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’ 41 Em seguida dirá aos da esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! 42 Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, 43 era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.’ 44 Por sua vez, eles perguntarão: ‘Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?’ 45 Ele responderá, então: ‘Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’ 46 Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»

 


Desejo de melhoria e bem comum

 

  A grande “chaga” dos tempos modernos, o capitalismo não passa da aplicação de uma visão cega e deformada do bem-estar da sociedade

  ‘A experiência mostra-nos, como regra geral, que um método deixa de ser qualquer coisa de puramente objectivo e inofensivo, e que necessariamente acaba por impor um carácter, uma determinada mentalidade a quem o utiliza: leva o homem a pensar como age. O exemplo mais claro a tal respeito é o do capitalismo. O capitalismo – se bem que inspirado na ideologia liberal – nunca se definiu como uma filosofia ou como um humanismo doutrinal, mas apenas como um método para produzir mais e melhor, um método cheio de boas intenções e promessas – porque, tornará ricos e felizes os homens – e que todos possam usar, independentemente da sua religião ou das suas ideologias. Todavia a história demonstrou, dolorosamente, até que ponto o uso deste simples meio de produção conseguiu impor a milhões de pessoas – digam-se elas teoricamente cristãs ou não – uma mesma mentalidade capitalista, ateia, anti-humana e manipuladora do homem e da sociedade, ao serviço do capital. Exactamente na mesma situação se encontram, em nosso parecer, aqueles que utilizam o método marxista de interpretação e acção histórica; isto é, encontram-se em sério perigo de chegar na prática – independentemente do que sugere a sua filosofia e o seu humanismo teórico – a uma visão igualmente economicista do homem e à consequente atitude manipuladora de quanto desta visão – queira-se ou não – deriva. [1]

  Na vida profissional de cada um, tem de existir o desejo de melhoria sob pena de que, o que se faz, não satisfaça nem o próprio nem os outros que têm direito a que faça o melhor que sabe.

  E, como fará o melhor que sabe se, o que sabe, é pouco e desactualizado?

  E se não estuda, não se interessa por conhecer o que há de novo na sua profissão, como pode aspirar a um melhor desempenho da mesma?

  O conhecimento não seria possível se não houvesse esta atitude de procura constante do ser humano, orientado para a descoberta de novos métodos, meios e soluções para os variados problemas e situações da vida corrente.

  Nada surge por acaso, alguém teve de o descobrir, trabalhando, dedicando a suas capacidades à descoberta do novo.

  O primeiro computador era um monstro que ocupava vários andares de um prédio, de uma complexidade tal que só os seus criadores e muito poucas outras pessoas sabiam manejá-lo.

Hoje em dia, as crianças dedilham, com frenesim eficaz, pequenos aparelhos com muito mais potência e incontáveis capacidades que aquele primeiro, que consumiu décadas a ser imaginado e construído.

Mas, é evidente, se não tivesse sido descoberto o princípio “base” do computador seria impossível ter, hoje em dia, essas crianças – e adultos – usufruindo de máquinas que de tão vulgarizadas que estão já quase não passamos em elas.

  Que tem isto a ver com o carácter?

  Tem tudo a ver porque, uma vez mais, tem de se ter a noção de que tudo quanto hoje fazemos, terá um efeito no futuro, próximo ou longínquo, e que muitas pessoas – nunca saberemos quantas – serão beneficiadas com essa nossa preocupação em evoluir.

Também, é verdade, temos de ter a certeza que, se não fizermos o que nos compete, ninguém o fará por nós, prejudicando assim a sociedade inteira talvez hipotecando o futuro próximo por causa de um alheamento actual.

  Esta noção de que cada ser humano é individual e irrepetível tem de levar-nos a uma constante preocupação por ocupar o nosso lugar da forma correcta, cumprindo o nosso papel, desenvolvendo a nossa actividade com as capacidades e potências que temos e vamos desenvolvendo ao longo da vida, desde que nascemos até ao último momento.

 Como “ninguém nasce ensinado”, a formação do carácter assume uma importância fundamental no normal desenvolvimento da pessoa humana.

  Os Pais, em primeiríssimo lugar, os professores e demais formadores têm aqui um papel crucial a levar a cabo junto dos jovens que começam a dar os primeiros passos na vida consciente.

Tal como na história dos computadores, a criança que não recebeu desde o início as noções, por primárias e incipientes que sejam, de como caminhar na vida, dificilmente se adaptará à mesma vida.

Descobrirá, inevitavelmente, muitas coisas por si mesma, mas não saberá formatá-las como necessita porque lhe falta o “disco” original que não recebeu em tempo.

 

 



[1] episcopado chilenoEvangelho, Política e Socialismo, nr. 47, in Maestre della fede, nr. 43, Torino-Leuman, LDC, 1973

 

Perguntas e respostas

HOMOSSEXUALIDADE

C. PREGUNTAS FREQUENTES

1. São comparáveis a homossexualidade e o alcoolismo?

 

Em Espanha há uma pessoa que propõe esta comparação que só é válida em alguns aspectos: Tanto alcoólicos como homossexuais são seres humanos e merecem o respeito correspondente. Isto não significa que as bebedeiras e as relações homossexuais sejam corretas. Deve haver compreensão para com as pessoas, mas nem todas as ações humanas são boas.

Tanto o alcoolismo como a homossexualidade são tendências que devem ser dominadas.

Em ambos os casos, se alguém se deixar levar pela sua inclinação, é mais difícil controlar-se noutras ocasiões.

Pequena agenda do cristão

                          Sexta-Feira


Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

14/01/2021

Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós

Devoção de Natal. – Não sorrio quando te vejo fazer as montanhas de musgo do Presépio e dispor as ingénuas figuras de barro em volta da gruta. – Nunca me pareceste mais homem do que agora, que pareces uma criança. (Caminho, 557)

Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus. Essas figuras que nos mostram o Senhor tão apoucado, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente Se quis apresentar desvalido, quis necessitar dos homens. Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria.

Não conseguiremos jamais o verdadeiro bom humor se não imitarmos deveras Jesus, se não formos humildes como Ele. Insistirei de novo: vedes onde se oculta a grandeza de Deus? Num presépio, nuns paninhos, numa gruta. A eficácia redentora das nossas vidas só se pode dar com humildade, deixando de pensar em nós mesmos e sentindo a responsabilidade de ajudar os outros. É corrente, às vezes até entre almas boas, criar conflitos íntimos, que chegam a produzir sérias preocupações, mas que carecem de qualquer base objectiva. A sua origem está na falta de conhecimento próprio, que conduz à soberba: o desejo de se tornarem o centro da atenção e da estima de todos, a preocupação de não ficarem mal, de não se resignarem a fazer o bem e desaparecerem, a ânsia da segurança pessoal... E assim, muitas almas que poderiam gozar de uma paz extraordinária, que poderiam saborear um imenso júbilo, por orgulho e presunção tornam-se desgraçadas e infecundas! Cristo foi humilde de coração. Ao longo da sua vida, não quis para Si nenhuma coisa especial, nenhum privilégio. (Cristo que passa, 18)

 

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 14

 

Evangelho

 

Mt XXV 14 - 30

 

Parábola dos talentos

 

14 «Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu. 16 Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. 17 Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. 18 Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19 Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. 20 Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.’ 21 O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ 22 Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: ‘Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.’ 23 O senhor disse-lhe: ‘Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.’ 24 Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: ‘Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. 25 Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.’ 26 O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. 27 Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.’ 28 ‘Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. 29 Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.’»

 


Melhoria pessoal (cont)

  O que é natural, é que o carácter evolua acompanhando o progresso da vida, que se desenvolva e actue cada vez mais de forma consciente e constante de forma a acompanhá-la de maneira capaz e consequente.

  Esta conduta é absolutamente normal e não tem que ver com ambição que é uma coisa diferente.

  Ambicionar é normalmente um desejo exagerado de obter algo que se tem como ideal para a felicidade própria e que só se satisfaz quando se obtém.

  Desde este ponto de vista, a ambição é naturalmente má porque deforma os objectivos concretos nascidos de um desejo de melhoria em algo nascido da imaginação ou de simples impulsos pouco elaborados.

Querer possuir um automóvel melhor e mais confortável parece absolutamente legítimo e normal; querer que esse automóvel seja de uma determinada marca, cor, potência e outras especificidades não parece ser um objectivo sério porque, neste caso, talvez se jogue a “felicidade”, ou aquilo que se possa considerar como tal, nesse bem concreto.

  Posso considerar-me feliz por ter um bem que satisfaz as minhas necessidades e corresponda ao meu gosto, mas não é bom que só possa ser feliz, se esse mesmo bem for aquele que imaginei já que o mesmo não acrescentará nada à minha satisfação mas, talvez unicamente, ao meu ego.

  Igualmente desejar ter meios económicos bastantes para levar uma vida confortável e proporcionar aos outros, à família, condições estáveis de vida e possível futuro, não é o mesmo que querer ter muito mais meios de fortuna que permitam qualquer devaneio, a compra seja do que for, mesmo que não seja necessário.

  À primeira poderíamos chamar “paz económica” à segunda “ambição financeira”.

  Parece óbvio existirem grandes diferenças entre as duas – mesmo sem considerar o aspecto da legitimidade -, a primeira revela equilíbrio e razoabilidade, a segunda mero desejo que se expressa em algo que se pretende obter; a primeira satisfaz de forma permanente, a segunda, uma vez obtida, tende a conduzir a uma satisfação incompleta porque, entretanto, surgiu uma outra coisa que se deseja ainda mais.

  A formação do carácter é fundamental neste aspecto pois leva a pessoa a considerar o que é razoável e o que o não é, aquilo que tem sentido numa vida normal e corrente e aquilo que não passa de um devaneio, mais ou menos vago, da imaginação.

  A pessoa pode querer dizer: ‘se eu tivesse esta coisa e aquela faria isto e aquilo!’

Às vezes mascara-se esta atitude acrescentando: ‘distribuiria desta e daquela maneira, faria esta ou aquela obra de beneficência, promoveria auxílio a muita gente.’

A pessoa que pensa assim, normalmente, passa em claro esses objectivos, isto é, não distribui nada do que tem, nem se preocupa em contribuir para o que lhe solicitam, porque considera que não alcançou aquela tal situação que, erradamente, considera ideal para o fazer.

Provavelmente passará toda a sua vida assim, egoistamente centrado num sonho que nunca se concretizará.

Como não o consegue, sente-se dispensado de fazer o bem porque se satisfaz com a ideia de que o faria se o conseguisse.

  Vem à memória, inevitavelmente, a cena evangélica da viúva pobre e das duas moedas que deitou no cofre do Templo.

Sabia que era pobre, tinha a noção que as duas moedas lhe fariam falta para a sua vida corrente e, no entanto, deu-as sem hesitar porque terá pensado, talvez, que Deus haveria de retribuir o óbolo, recompensar o sacrifício com largueza e magnanimidade.

De facto o bem que se faz diariamente pelo mundo fora é constituído, na sua maior parte, por muitas dádivas de “duas moedas”, de actos de generosidade de escasso valor mas que, somados formam um rio caudaloso que alimenta e torna mais felizes os muitos necessitados que vivem com terríveis carências e que dependem dessas duas moedas para viver.

  O carácter desta viúva era riquíssimo, não vivia isolada e conformada com a sua pobreza e a escassez de bens, ao contrário, via uma nesga de felicidade em poder “fazer bem sem saber a quem”, tinha uma visão de conjunto da vida, própria e alheia, sabia-se fazendo parte de uma sociedade em que, não obstante ocupar uma posição discretíssima, tinha um papel a cumprir e que, só ela, o podia fazer.

  Talvez seja interessante falar sobre moedas (dinheiro) para referir algo singular:

Uma moeda tem sempre duas faces, sendo que, numa delas, se inscreve o emissor da moeda, ou seja, o responsável pelo seu valor e que é, em suma, o seu primeiro e último proprietário.

A sociedade apenas usa as moedas como meio garantido de receber ou dar algo.

Com elas paga o trabalho e, o trabalhador que as recebe, com elas paga as suas despesas.

Não cabe que qualquer pessoa emita a sua própria moeda, embora, em tempos de crise aguda, como se viveu em Portugal poucos anos após a implantação da República, houvesse quem recorresse a este sistema – principalmente estabelecimentos comerciais - para garantir que os seus clientes pudessem adquirir os bens que vendiam.

Isto aconteceu, exactamente, porque a moeda emitida pelo Estado não tinha qualquer valor, dada a profundíssima degradação da economia.

  Aliás, hoje em dia, é ao que assistimos com os chamados cartões de desconto, que, na realidade, não concedem desconto nenhum porque utilizam a totalidade do preço pago pelo adquirente, durante algum tempo, o que acaba por gerar mais-valia suficiente para amortizar o tal desconto apregoado.

É passível de penalidade mais ou menos séria, quem se atreva a fabricar moeda.

A moeda, propriamente dita, não é falsa, mas sim o valor que representa porque não existe.

  Mas, se estamos a falar deste assunto, não é porque nos interesse ou caiba aqui uma discussão sobre processos de venda e compra, de negócios, mas tão só para frisar que, as tais moedas, que representam um bem, não são pertença de ninguém em particular, mas apenas uma detenção, por algum tempo e, portanto, não cabe aduzir que está garantida a fortuna de quem as tem em quantidade.

 

Oração pelos Sacerdotes

                                          

                                           



Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus.

(AMA, 2009)


Com autorização eclesiástica