22/12/2020

Reflexão

 



Sofrimento

Recorrentemente, há pessoas que me escrevem a contar suas desgraças. Contam que já não têm mais forças. Os motivos podem ter várias origens: umas sentem-se cada vez oprimidas pelas dívidas. Outras sofrem pelo facto de os filhos seguirem caminhos diferentes ou por terem sido afastados do caminho certo, devido à doença ou à depressão. Muitas asseguram que rezam constantemente, mas que, apesar de todas as orações, a situação simplesmente não melhora. Muitas vezes, estas pessoas perguntam-me se terão rezado de forma errada ou feito qualquer coisa mal, porque nada se altera. Isso indicia um entendimento muito peculiar da oração. Pensam que é apenas necessário rezar a Deus, rezar constante, para que Ele as ajude. E, quando não ajuda, duvidam Deus ou das suas orações. Acham que tiveram pouca fé e procuram então apoio junto de outros.

Se Deus quer a liberdade dos seres humanos, surge também necessariamente a necessidade do sofrimento.

 

(Gisbert Greshake, Der Preis der Liebe, Bestnnung uber das Leid, Freiburg, 1978, p. 29.)

 

Pequena agenda do cristão

 


TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)




Doutrina

 


Culto das imagens: católicos e protestantes

O CULTO DE VENERAÇAO OU DULÍA

 

Este Culto está dirigido aos Santos, aos Mártires em Cristo e aos Anjos, tem as sus raízes na Sagrada Escritura especificamente nos Actos dos Apóstolos e no Apocalipse.

 

Depois disto, olhei e vi uma grande multidão de todas as nações, raças, línguas e povos. Estavam em pé diante do trono e diante do Cordeiro, e eram tantos que ninguém podia conta-los. Iam vestidos de branco e levavam palmas das mãos. Todos gritavam com forte voz! A salvação deve-se ao nosso Deus que está sentado no trono do Cordeiro! e todos os anjos estavam em pé à volta do trono e dos anciãos e dos quatro seres viventes, e inclinaram-se diante do trono até tocar o solo com o rosto e adoraram a Deus [i].

 

Este Culto de Veneração aos Santos é testemunhado com certeza desde a primeira metade do século II, portanto é antiquíssimo.

Uma compreensão adequada da doutrina de a Igreja sobre os Santos só é possível de entender dentro do âmbito de os artigos da fé relacionados com esta doutrina.

 

A Comunhão dos Santos, está conformada por a Igreja que está no Céu, a que se purifica no estado chamado Purgatório e a que peregrina em a terra, as três estão na comunhão constante na própria caridade de Deus e o próximo, de facto, todos os que somos de Cristo, a ter o Seu Espírito formamos uma só Igreja e estamos unidos nele.

A doutrina da única mediação de Cristo não exclui outras mediações subordinadas, as quais se realizam e exercem dentro da absoluta mediação de Cristo[ii].

 

A doutrina da Igreja Católica propõe os Santos que contemplam já claramente a Deus Uno e Trino como testemunhas históricas da vocação universal à santidade, eles, fruto eminente da redenção de Cristo, são prova e testemunho de que Deus, em todos os tempos, em todos os povos, nas mais variadas condições sócio-culturais e nos diversos estados de vida, chama os seus filhos a alcançar a plenitude da maturidade em Cristo, todos estamos chamados à Santidade mas para tal temos que renunciar ao que este oferece mundo em prazeres efémeros, temos que ser fortes ante as tentações do demónio as quais são tão variadas e subliminares e da mesma forma lutar com inteireza ante a concupiscência da carne.

 

Nós anunciamos Cristo, aconselhando e ensinando todos em toda a sabedoria para nos apresenta-mos perfeitos a Cristo. Para isto trabalho e luto com toda a força e o poder que Cristo me dá [iii].

 

Os Santos foram homens e mulheres que no seu tempo viveram a sua própria vida como qualquer de nós, com angústias, limitações, desencantos, frustrações, incompreensões e vexames, mas com a diferença de que souberam ser fieis ao Senhor ante toda a circunstancia, não lhe voltaram as costas, não o negaram e deixaram tudo por Ele, foram discípulos insignes do Senhor e portanto modelos de vida evangélica. Nos diferentes processos de canonização a Igreja reconhece a heroicidade das suas virtudes e portanto propõe-os como modelos a imitar.

Os Santos são cidadãos da Jerusalém do Céu que cantam sem cessar a glória e a misericórdia de Deus, cumpriu-se neles a passagem pascal deste mundo para o Pai.

Tudo isto a Igreja o confessa quando com agradecimento a Deus Pai proclama: Ofereces-nos o exemplo da sua vida, a ajuda da sua intercessão e a participação no seu destino.

Finalmente é preciso recordar que o objectivo primordial da Veneração aos Santos consiste em glorificar a Deus e a santificação do homem, mediante uma vida plenamente conforme a vontade divina e a imitação das virtudes de aqueles que foram discípulos eminentes do Senhor.

Em termos gerais o Culto de Veneração ou Dulia está reservado aos Anjos, aos Mártires em Cristo e aos Santos, no caso dos Anjos considerando as suas diferentes hierarquias, no caso dos Santos aos que foram canonizados pela Igreja.

A Igreja Católica nunca exigiu a Veneração aos Santos, sempre alertou sobre o que se deve fazer, tratando com tal orientar, a intercessão dos Santos é real e a que eles pelos seus próprios méritos logrados na terra vivem a glória de estar com Jesus no céu.

A Igreja Católica honra e venera os Santos, não os adoramos, como ocorre por exemplo com o Culto que realiza o culto das imagens onde se adoram as deidades africanas camufladas com o nome dos Santos católicos, tudo isto para confundir, enganar e conseguir adeptos, é por isso que o culto das imagens em África é uma religião, a religião dos Ioruba ou Locuris, e fora de África é um Sincretismo religioso, que mistura a religião Ioruba com a religião Católica,  um culto que aplica a ameaça aos seus adeptos para infundir temor, um Culto pertencente às artes obscuras proibido por Deus

Ter esculturas ou imagens em hora dos Santos não pode considerar-se uma idolatria é como ter fotografias de seres queridos. Para poder entender tudo isto, repito é necessário vê-lo, analisá-lo e estudá-lo sob a fé católica, de contrário, estaremos interpretando a Sagrada Escritura erroneamente como o fazem os irmãos separados e isso permitir-nos-á tirar conclusões que estão fora de ordem.

 



[i] (Apocalipse 7: 9-11)

[ii] (1 Timóteo 2: 1-7)

[iii] (Colossenses 1: 28-29)

21/12/2020

Natal

Príncipe da Paz

A escassos dias do Natal  é notória uma mudança ou alteração no comportamento das pessoas.

Há mais rostos sorridentes, troca de cumprimentos, afabilidade no trato.
Sobretudo, parece-me haver mais condescendência e menos juízos críticos com os outros.

Neste momento sociedades inteiras, a portuguesa também, atravessam  momentos de confronto, de irredutibilidade nas opiniões e conceitos,  extremando reivindicações e tentando por todos os meios fazer valer o que acham de  seu direito.
Esquecem todos os outros que são afectados por vezes gravemente nas suas vidas.

Vem aí o Príncipe da Paz!

Como precisamos d'Ele!

A paz não é só a ausência de conflitos armados mas, principalmente a paz nas Almas e nos corações das pessoas.

Ah!
Mas está só é possível se houver paz interior no coração de cada um.


(AMA, reflexão, Dez 2018)




Não deixes de rezar, eu escuto-te

 


Os santos, anormais?... Chegou a hora de acabar com esse preconceito! Havemos de ensinar, com a naturalidade sobrenatural da ascética cristã, que nem sequer os fenómenos místicos são anormais; têm a naturalidade própria desses fenómenos, tal como outros processos psíquicos ou fisiológicos têm a sua. (Sulco, 559)

 

Eu falo da vida interior de cristãos normais e correntes, que habitualmente se encontram em plena rua, ao ar livre; e que na rua, no trabalho, na família e nos momentos de diversão estão unidos a Jesus todo o dia. E o que é isto senão vida de oração contínua? Não é verdade que compreendeste a necessidade de ser alma de oração, numa intimidade com Deus que te leva a endeusar-te? (...) A princípio custará. É preciso esforçarmo-nos por nos dirigir ao Senhor, por lhe agradecermos a sua piedade paternal e concreta para connosco. A pouco e pouco o amor de Deus torna-se palpável - embora isto não seja coisa de sentimentos - como uma estocada na alma. É Cristo que nos persegue amorosamente: Eis que estou à porta e chamo. Como anda a tua vida de oração? Não sentes às vezes, durante o dia, desejos de falar mais devagar com Ele? Não Lhe dizes: logo vou contar-te isto e aquilo; logo vou conversar sobre isso contigo? Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência - ajudada pela graça - enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo - com o empenho dos bons desportistas - nesta luta cristã de amor e de paz. A oração torna-se contínua como o bater do coração, como as pulsações. Sem essa presença de Deus não há vida contemplativa. E sem vida contemplativa de pouco vale trabalhar por Cristo, porque em vão se esforçam os que constroem se Deus não sustenta a casa. (Cristo que passa, 8)

LEITURA ESPIRITUAL Dez 21

 

Evangelho

 

Mt XIII, 24 – 43

 

O joio

 

24 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. 25 Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. 26 Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. 27 Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’ 28 ‘Foi algum inimigo meu que fez isto’ - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ 29 Ele respondeu: ‘Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 30 Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’»

 

O grão de mostarda

 

 31 Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. 32 É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.»

 

O fermento

 

33 Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» 34 Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. 35 Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

 

Explicação da parábola do joio

 

36 Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» 37 Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; 38 o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; 39 o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. 40 Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: 41 o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, 42 e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!»




 

JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

 

Iniciação à Cristologia

 

Capítulo VI

 

OUTRAS CARACTERÍSTICAS QUE COMPLETAM A FIGURA DE JESUS CRISTO ENQUANTO HOMEM

 

    O concílio III de Constantinopla (ano 681). Quando mudou a situação politico-religiosa do império convocou-se um concílio ecuménico. Este concílio, sexto ecuménico y III de Constantinopla, condenou o monotelismo e o monoergismo, e definiu solenemente que se «dão n’Ele (Cristo) duas vontades naturais e duas operações naturais, sem divisão, sem mudança, sem separação, sem confusão»[1]

    Em Constantinopla ficou claro que não é suficiente a confissão da integridade da natureza humana de Cristo se se a considerar só como elemento passivo e inerte nas mãos do Verbo, como uma simples fachada humana do Filho de Deus.

    Este concílio também ensinou que essas duas vontades e operações de Cristo não se contrapõem, mas que se dão unidas: o humano está sujeito e segue o divino.

 

Vicente Ferrer Barriendos

 

(Tradução do castelhano por ama)

 

 



[1] CONC. III DE CONSTANTINOPLA, DS 556.

Reflexão

 


Paz

 

A paz não é um pacifismo mole, nem um egoísmo gozador, nem indiferença ou desinteresse perante as necessidades de outrem. É o fruto de um        esforço concreto, contínuo e unânime para a construção de uma comunidade local e universal, funda na solidariedade humana e na busca do bem comum.  (…)

Os esforços consagrados ao armamento deveriam aplicar-se aos países em vias de desenvolvimento e à melhoria das condições no mundo do trabalho.

A lógica do ateísmo conduz à guerra total; a lógica da fé, à paz.

 

(Diálogos com São Paulo VI, Jean Guiton)

Pequena agenda do cristão

 

 SeGUNDa-Feira



Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

20/12/2020

Implora a misericórdia divina

 


Realmente, a cada um de nós, como a Lázaro, foi um "veni foras", sai para fora, que nos pôs em movimento. Que pena dão aqueles que ainda estão mortos, e não conhecem o poder da misericórdia de Deus! Renova a tua alegria santa porque, face ao homem que se desintegra sem Cristo, se levanta o homem que ressuscitou com Ele. (Forja, 476)

 

É bom que tenhamos considerado as insídias destes inimigos da alma: a desordem da sensualidade e a leviandade; o desatino da razão que se opõe ao Senhor; a presunção altaneira, esterilizadora do amor a Deus e às criaturas.

Todas estas disposições de ânimo são obstáculos certos e o seu poder perturbador é grande. Por isso a liturgia faz-nos implorar a misericórdia divina: a ti elevo a minha alma, Senhor, meu Deus. E em ti confio; não seja eu confundido! Não riam de mim os meus inimigos, rezamos no intróito. E na antífona do ofertório iremos repetir: espero em ti,; que eu não seja confundido!

Agora que se aproxima o tempo da salvação, dá gosto ouvir dos lábios de São Paulo: “depois de Deus, Nosso Salvador, ter manifestado a Sua benignidade e o Seu amor para com os homens, libertou-nos, não pelas obras de justiça que tivéssemos feito, mas por Sua misericórdia”.

Se lerdes as Santas Escrituras, descobrireis constantemente a presença da misericórdia de Deus: enche a terra, estende-se a todos os seus filhos, super omnem carnem; cerca-nos, antecede-nos, multiplica-se para nos ajudar e foi continuamente confirmada. Deus tem-nos presente na sua misericórdia, ao ocupar-se de nós como Pai amoroso. É uma misericórdia suave, agradável, como a nuvem que se desfaz em chuva no tempo da seca.

Jesus Cristo resume e compendia toda a história da misericórdia divina: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. E, noutra ocasião: Sede pois misericordiosos como também vosso Pai é misericordioso». (Cristo que passa, 7)

 

LEITURA ESPIRITUAL Dez 20

 

Evangelho

 

Mt XIII, 1 – 23

 

Parábola do semeador

 

1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. 2 Reuniu-se a Ele uma tão grande multidão, que teve de subir para um barco, onde se sentou, enquanto toda a multidão se conservava na praia. 3 Jesus falou-lhes de muitas coisas em parábolas: «O semeador saiu para semear.  4 Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho: e vieram as aves e comeram-nas. 5 Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra: e logo brotaram, porque a terra era pouco profunda; 6 mas, logo que o sol se ergueu, foram queimadas e, como não tinham raízes, secaram. 7 Outras caíram entre espinhos: e os espinhos cresceram e sufocaram-nas. 8 Outras caíram em terra boa e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; e outras, trinta. 9 Aquele que tiver ouvidos, oiça!» 10 Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?» 11 Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. 12 Pois, àquele que tem, ser-lhe-á dado e terá em abundância; mas àquele que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado. 13 É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. 14 Cumpre-se neles a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. 15 Porque o coração deste povo tornou-se duro, e duros também os seus ouvidos; fecharam os olhos, não fossem ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, compreender com o coração, e converter-se, para Eu os curar. 16 Quanto a vós, ditosos os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. 17 Em verdade vos digo: Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram, e ouvir o que estais a ouvir, e não ouviram.» 18 «Escutai, pois, a parábola do semeador. 19 Quando um homem ouve a palavra do Reino e não compreende, chega o maligno e apodera-se do que foi semeado no seu coração. Este é o que recebeu a semente à beira do caminho. 20 Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos é o que ouve a palavra e a acolhe, de momento, com alegria; 21 mas não tem raiz em si mesmo, é inconstante: se vier a tribulação ou a perseguição, por causa da palavra, sucumbe logo. 22 Aquele que recebeu a semente entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza sufocam a palavra que, por isso, não produz fruto. 23 E aquele que recebeu a semente em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende: esse dá fruto e produz ora cem, ora sessenta, ora trinta.»

 

 

 

JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

 

Iniciação à Cristologia

 

Capítulo VI

 

OUTRAS CARACTERÍSTICAS QUE COMPLETAM A FIGURA DE JESUS CRISTO ENQUANTO HOMEM

 

    O monotelismo. O imperador Heraclito, que procurava a unidade religiosa para salvaguardar a já minada solidez do Império, deixou de falar do polémico monoergismo e passou a sustentar que havia uma só vontade em Cristo. E no ano 638, com um édito, impôs o monotelismo a toda a Igreja[1]

    Atribuía a Jesus uma única vontade pois, segundo ele, a sua vontade humana estaria movida por uma vontade divina sem que tivesse um querer humano próprio. Justificava a sua tese aduzindo que os Santos Padres ensinaram que em Cristo a natureza humana era instrumento da divindade; e como um instrumento não se move pela sua vontade mas pela vontade de quem o utiliza, concluía que Cristo não possuía uma vontade humana.

    Máximo o Confessor conseguiu que o papa Martinho I convocasse um concílio em Latrão (ano 681) que condenou os erros do monotelismo e do monoergismo[2]

 

Vicente Ferrer Barriendos

 

(Tradução do castelhano por ama)

 



[1] Em grego «thélema» significa vontade. O termo monotelismo  provem de «uma vontade».

[2] Cf. DS 500-515.