24/08/2020

Leitura espiritual 24 Agosto

Cartas de São Paulo

1ª Gálatas - 1

INTRODUÇÃO


Apresentação e saudação –
1 Paulo, apóstolo - não da parte dos homens, nem por meio de homem algum, mas por meio de Jesus Cristo e de Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos – 2 e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia: 3Graça e paz a vós, da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo, 4 que a si mesmo se entregou pelos nossos pecados, para nos libertar deste mundo mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai. 5 A Ele a glória pelos séculos dos séculos! Ámen.

Repreensão aos gálatas –
6 Estou admirado de que tão depressa vos afasteis daquele que vos chamou pela graça de Cristo, para seguirdes outro Evangelho. 7 Que outro não há; o que há é certa gente que vos perturba e quer perverter o Evangelho de Cristo. 8 Mas, até mesmo se nós ou um anjo do céu vos anunciar como Evangelho o contrário daquilo que vos anunciámos, seja anátema. 9 Como anteriormente dissemos, digo agora mais uma vez: se alguém vos anuncia como Evangelho o contrário daquilo que recebestes, seja anátema. 10 Estarei eu agora a tentar persuadir homens ou a Deus? Ou será que estou a procurar agradar aos homens? Se ainda pretendesse agradar aos homens, não seria servo de Cristo.

I. ORIGEM DIVINA DO EVANGELHO
(1,11-2,21)

Revelação divina do Evangelho
11 Com efeito, faço-vos saber, irmãos, que o Evangelho por mim anunciado, não o conheci à maneira humana; 12 pois eu não o recebi nem aprendi de homem algum, mas por uma revelação de Jesus Cristo. 13 Ouvistes falar do meu procedimento outrora no judaísmo: com que excesso perseguia a Igreja de Deus e procurava devastá-la; 14 e no judaísmo ultrapassava a muitos dos compatriotas da minha idade, tão zeloso eu era das tradições dos meus pais. 15 Mas, quando aprouve a Deus - que me escolheu desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça - 16 revelar o seu Filho em mim, para que o anuncie como Evangelho entre os gentios, não fui logo consultar criatura humana alguma, 17 nem subi a Jerusalém para ir ter com os que se tornaram Apóstolos antes de mim. Parti, sim, para a Arábia e voltei outra vez a Damasco. 18 A seguir, passados três anos, subi a Jerusalém, para conhecer a Cefas, e fiquei com ele durante quinze dias. 19 Mas não vi nenhum outro Apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. 20 O que vos escrevo, digo-o diante de Deus: não estou a mentir. 21 Seguidamente, fui para as regiões da Síria e da Cilícia. 22 Mas não era pessoalmente conhecido das igrejas de Cristo que estão na Judeia. 23 Apenas tinham ouvido dizer: «Aquele que nos perseguia outrora, anuncia agora, como Evangelho, a fé que então devastava.» 24 E, por causa de mim, glorificavam a Deus.

Amigos de Deus

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Pode-se dizer que Nosso Senhor, perante a missão recebida do Pai, vive o dia-a-dia, tal como aconselhava num dos ensinamentos mais sugestivos que saíram da sua boca divina: não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir, pois a vida é mais que o alimento e o corpo mais que o vestuário. Reparai nos corvos: não semeiam nem colhem, não têm despensa nem celeiro, e Deus sustenta-os. Quanto mais valeis vós do que as aves!... Reparai nos lírios, como crescem! Não trabalham nem fiam. Pois eu digo-vos: nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?

Se vivêssemos mais confiados na Providência divina, seguros - com fé firme - desta protecção diária que nunca nos falta, quantas preocupações ou inquietações pouparíamos a nós próprios. Desapareceriam muitos desassossegos que, segundo palavras de Jesus, são próprios dos pagãos, dos homens do mundo, das pessoas que carecem de sentido sobrenatural. Quereria, em confidência de amigo, de sacerdote, de pai, trazer-vos à memória em cada circunstância, que nós, pela misericórdia de Deus, somos filhos desse Pai Nosso, todo-poderoso, que está nos Céus e, ao mesmo tempo, na intimidade dos nossos corações. Quereria gravar a fogo nas vossas mentes que temos todos os motivos para caminhar com optimismo nesta terra, com a alma bem desprendida dessas coisas que parecem imprescindíveis, pois bem sabe o vosso Pai que tendes necessidade delas. E Ele providenciará. Crede que só assim nos portaremos como senhores da Criação e evitaremos a triste escravidão em que tantos caem, porque esquecem a sua condição de filhos de Deus, preocupados com um amanhã ou um depois que talvez nem sequer cheguem a ver.

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Permiti que, mais uma vez, vos manifeste uma pequena parte da minha experiência pessoal. Abro-vos a minha alma na presença de Deus, com a certeza mais absoluta de que não sou modelo de nada, de que sou um farrapo, um pobre instrumento - surdo e inapto - que o Senhor utilizou para que se comprove, com mais evidência, que Ele escreve perfeitamente com a perna de uma mesa. Portanto, ao falar-vos de mim, não me passa pela cabeça, nem de longe, o pensamento de que na minha actuação haja algum mérito meu; e muito menos pretendo impor-vos o caminho por onde o Senhor me levou, até porque pode suceder muito bem que o Mestre não vos peça o que tanto me ajudou a trabalhar sem impedimento nesta Obra de Deus a que dediquei toda a minha existência.

Asseguro-vos - toquei-o com as minhas mãos, contemplei-o com os meus olhos - que, se confiardes na divina Providência, se vos abandonardes nos seus braços omnipotentes, nunca vos faltarão os meios para servir a Deus, à Santa Igreja, às almas, sem descuidar nenhum dos vossos deveres. E, além disso, gozareis de uma alegria e de uma paz que mundus dare non potest, que a posse de todos os bens da terra não pode dar.

Desde os começos do Opus Dei, em 1928, além de que não contava com nenhum recurso humano, nunca utilizei pessoalmente um cêntimo sequer. Tão-pouco intervim directamente nos assuntos económicos que logicamente surgem ao realizar qualquer tarefa em que participam criaturas - homens de carne e osso, e não anjos - que precisam de instrumentos materiais para desenvolver eficazmente o seu trabalho apostólico.

O Opus Dei precisou e penso que precisará sempre, até ao fim dos tempos, da colaboração generosa de muitos para sustentar as obras apostólicas: por um lado, porque essas actividades nunca são rentáveis; por outro, porque ainda que aumentem o número dos que cooperam e o trabalho dos meus filhos, se há amor de Deus, o apostolado desenvolve-se e as necessidades multiplicam-se. Por isso, em mais de uma ocasião, fiz rir os meus filhos, pois enquanto os impulsionava com fortaleza a corresponderem fielmente à graça de Deus, animava-os a dirigirem-se descaradamente ao Senhor, pedindo-lhe mais graça e o dinheiro, de contado, que nos faltava.

Nos primeiros anos, faltava-nos até o mais indispensável. Atraídos pelo fogo de Deus, vinham ter comigo operários, mecânicos, universitários... que ignoravam o aperto e a indigência em que nos encontrávamos, porque no Opus Dei, com o auxílio do Céu, sempre procurámos trabalhar de maneira que o sacrifício e a oração fossem abundantes e escondidos. Ao rememorar agora aquela época, brota do coração uma acção de graças rendida. Que segurança havia nas nossas almas! Sabíamos que, procurando o reino de Deus e a sua justiça, o resto ser-nos-ia concedido por acréscimo . E posso garantir-vos que não deixou de realizar-se nenhuma iniciativa apostólica por falta de recursos materiais. No momento preciso, de uma forma ou doutra, o nosso Pai Deus com a sua Providência ordinária facilitava-nos o que era necessário, para que víssemos que Ele é sempre bom pagador.

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Se quereis actuar sempre como senhores de vós próprios, aconselho-vos a pordes um empenho muito grande em estar desprendidos de tudo, sem medo, sem temores nem receios. Depois, ao cuidar de cumprir as vossas obrigações pessoais, familiares..., empregai os meios terrenos honestos com rectidão, pensando no serviço a Deus, à Igreja, aos vossos, ao vosso trabalho profissional, ao vosso país, à humanidade inteira. Reparai que o importante não se concretiza na materialidade de possuir isto ou de carecer daquilo, mas sim em nos conduzirmos de acordo com a verdade que a nossa fé cristã nos ensina: os bens criados são apenas meios. Portanto, afastai a ilusão de considerá-los como algo definitivo: não acumuleis tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os corroem e os ladrões os desenterram e furtam. Acumulai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os corroem e onde os ladrões não os descobrem nem furtam. Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Quando alguém centra a sua felicidade exclusivamente nas coisas terrenas - fui testemunha de verdadeiras tragédias - perverte o seu uso razoável e destrói a ordem sabiamente disposta pelo Criador. O coração fica então triste e insatisfeito; mete-se por caminhos de um eterno descontentamento e acaba escravizado já na terra, vítima desses mesmos bens, que talvez tenham sido conseguidos à custa de renúncias e esforços sem conta. Mas, sobretudo, recomendo-vos que não esqueçais que Deus não cabe, não habita num coração enlameado por um amor desordenado, grosseiro, vão. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Prendamos, pois, o coração no amor capaz de nos fazer felizes... Desejemos os tesouros do céu.

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Não te estou a induzir a um abandono no cumprimento dos teus deveres ou na exigência dos teus direitos. Pelo contrário, para cada um de nós, habitualmente, uma retirada nessa frente equivale a desertarmos cobardemente da luta para sermos santos, à qual Deus nos chamou. Por isso, com segurança de consciência, hás-de pôr empenho - especialmente no teu trabalho - para que nem a ti nem aos teus falte o conveniente para viver com dignidade cristã. Se em algum momento, experimentares na tua carne o peso da indigência, não te entristeças nem te revoltes; mas, insisto, procura empregar todos os recursos nobres para superar essa situação, porque actuar de outra maneira seria tentar a Deus. E enquanto lutas, lembra-te de que omnia in bonum!, tudo - também a escassez, a pobreza - coopera para o bem dos que amam o Senhor. Habitua-te, desde já, a enfrentar com alegria as pequenas limitações, as incomodidades, o frio, o calor, a privação de algo que consideras imprescindível, o facto de não poderes descansar quando e como queres, a fome, a solidão, a ingratidão, a incompreensão, a desonra...


Reflexão - Inspirações


O que são inspirações? 1

É difícil e – ao mesmo tempo – fácil, responder.
Inspirações são aquelas moções interiores que se insinuam na nossa mente – na nossa alma – por vezes de forma tão clara que não é possível ignorá-las.
Essas “moções” requerem um exame desapaixonado e isento de temores ou emotividade que, em qualquer caso, podem desfigurar o que se nos apresenta.
Evidentemente que me refiro aos casos – digamos – “espirituais” que poderão ocorrer, por exemplo, quando estamos “mergulhados” em oração profunda e contemplativa.
O Espírito Santo, o Anjo da nossa Guarda, a Santíssima Virgem… enfim os nossos protectores e guardas a quem recorremos com maior assiduidade, poderão ser, conforme os casos, os “responsáveis” por essas “moções”.

(AMA, reflexões, 2020)

Reflexão - Santo Rosário

(Segundo a sua etimologia) o Rosário é uma coroa de rosas, costume encantador que em todos os povos representa uma oferta de amor e um símbolo de alegria.



(São Pio XIIAlocução, 16.10.1940)






Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


23/08/2020

Traz sobre o peito o santo escapulário


Traz sobre o peito o santo escapulário do Carmo. – Poucas devoções (há muitas, e muito boas devoções marianas) estão tão arraigadas entre os fiéis e têm tantas bênçãos dos Pontífices. – Além disso, é tão maternal este privilégio sabatino! (Caminho, 500)

Quando te perguntaram que imagem da Virgem te dava mais devoção, e respondeste – como quem já fez bem a experiência – "todas", compreendi que eras um bom filho; por isso te parecem bem (enamoram-me, disseste) todos os retratos da tua Mãe. (Caminho, 501)

Maria, Mestra da oração.
– Olha como pede a seu Filho em Caná. E como insiste, sem desanimar, com perseverança. – E como consegue.
– Aprende. (Caminho, 502)

Se queres ser fiel, sê muito mariano. A Nossa Mãe, desde a embaixada do Anjo até à sua agonia ao pé da Cruz, não teve outro coração nem outra vida que a de Jesus.
Recorre a Maria, com terna devoção de filho, e Ela alcançar-te-á essa lealdade e abnegação que desejas. (Via Sacra, Est. XIII, n.4)


Leitura espiritual 23 Agosto

Cartas de São Paulo

1ª Coríntios - 16

EPÍLOGO


A colecta para Jerusalém
1 Quanto à colecta em favor dos santos, fazei vós também o que ordenei às igrejas da Galácia. 2 No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em sua casa, o que tiver conseguido poupar, para que, à minha chegada, não se tenha ainda de fazer a colecta. 3 Quando aí chegar, enviarei, munidos de cartas, aqueles que tiverdes escolhido para levar a vossa oferta a Jerusalém. 4 E, se convier que eu vá também, farão a viagem comigo.

Projectos e notícias –
5 Irei ter convosco depois de passar pela Macedónia, pois a Macedónia, só a pretendo atravessar. 6 É possível que me demore entre vós ou até passe aí o Inverno, para que me acompanheis aonde eu tenho de ir. 7 Não vos quero ver só de passagem, mas espero permanecer algum tempo convosco, se o Senhor o permitir. 8 Entretanto, ficarei em Éfeso até ao Pentecostes, 9 pois abriu-se ali uma porta larga e propícia, embora os adversários sejam muitos. 10 Se Timóteo aí chegar, velai para que esteja convosco sem receios, porque ele trabalha, como eu, na obra do Senhor. 11 Que ninguém o despreze. E preparai-lhe a viagem para voltar em paz para junto de mim, pois estou à sua espera, com os irmãos. 12 Quanto ao nosso irmão Apolo, pedi-lhe muito que fosse visitar-vos, com os irmãos, mas ele, de modo algum, quis ir agora; irá quando tiver oportunidade.

Últimas recomendações e saudações –
13 Estai vigilantes, permanecei firmes na fé, sede corajosos e fortes. 14 Que, entre vós, tudo se faça com amor. 15 Mais uma recomendação, irmãos: conheceis os da família de Estéfanes, que são as primícias da Acaia e todos se consagraram ao serviço dos santos. 16 Sede serviçais para pessoas como eles e para com todos os que trabalham e sofrem com eles. 17 Sinto-me feliz com a chegada de Estéfanes, Fortunato e Arcaico, pois eles supriram a vossa ausência. 18 Trouxeram a tranquilidade ao meu espírito e ao vosso. Tende, pois, apreço por tais pessoas. 19 Saúdam-vos as igrejas da Ásia. Áquila e Priscila, juntamente com a assembleia que se reúne em sua casa, enviam-vos muitas saudações no Senhor. 20 Saúdam-vos todos os irmãos. Saudai-vos uns aos outros com um ósculo santo. 21 A saudação é do meu próprio punho: Paulo. 22 Se alguém não ama o Senhor, seja anátema! «Vem, Senhor!» 23 A graça do Senhor Jesus esteja convosco! 24 Eu amo-vos a todos em Cristo Jesus.



Amigos de Deus

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Não sei se vos terão contado, na vossa infância, a fábula daquele camponês a quem ofereceram um faisão dourado. Após o primeiro momento de alegria e de surpresa por tal oferta, o novo dono começou a pensar onde poderia guardá-lo. Ao fim de várias horas, depois de muitas dúvidas e diversos planos, decidiu metê-lo no galinheiro. As galinhas, admiradas com a beleza do recém-chegado, giravam à sua volta com o assombro de quem descobre um semi-deus. No meio de tanto alvoroço, chegou a hora da comida e, mal o dono lançou os primeiros punhados de farelo, o faisão, esfomeado pela espera, lançou-se com avidez a tirar a barriga de misérias. Ante um espectáculo tão vulgar - aquele prodígio de formosura comia com o mesmo apetite que o animal mais corrente - as desencantadas companheiras de capoeira lançaram-se às bicadas contra o ídolo caído, até lhe arrancarem toda a plumagem. É assim triste a derrocada do ególatra; tanto mais desastrosa, quanto mais ele se elevou sobre as suas próprias forças, presunçosamente confiado na sua capacidade pessoal.

Tirai consequências práticas para a vossa vida diária, sentindo-vos depositários de alguns talentos - sobrenaturais e humanos - que deveis aproveitar rectamente. Afastai o ridículo engano de que algo vos pertence, como se fosse fruto só do vosso esforço. Lembrai-vos de que há uma parcela - Deus - de que ninguém pode prescindir.

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Com esta perspectiva, convencei-vos de que, se desejamos deveras seguir o Senhor de perto e prestar um serviço autêntico a Deus e a toda a humanidade, temos de estar seriamente desprendidos de nós próprios: dos dons da inteligência, da saúde, da honra, das ambições nobres, dos triunfos, dos êxitos.

Refiro-me também - porque até aí deve chegar a tua decisão - a esses afãs limpos com que procuramos exclusivamente dar toda a glória a Deus e louvá-lo, ajustando a nossa vontade a esta norma clara e precisa: Senhor, quero isto ou aquilo só se te agrada a Ti, porque se não, a mim, que me interessa? Assestamos assim um golpe mortal no egoísmo e na vaidade que serpenteiam em todas as consciências. E conseguimos também a verdadeira paz para as nossas almas com um desprendimento que nos leva a possuir Deus, de forma cada vez mais íntima e mais intensa.

Para imitar Jesus, o coração tem de estar inteiramente livre de apegos. Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, encontrá-la-á. Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se depois perde a sua alma? E comenta S. Gregório: não nos bastaria viver desprendidos das coisas, se não renunciássemos também a nós próprios. Mas... aonde iremos fora de nós? Quem é o que renuncia, se a si mesmo se deixa?

Sabei que é diferente a nossa situação enquanto caídos pelo pecado e enquanto formados por Deus. Fomos criados de uma forma e encontramo-nos noutra diferente por causa de nós mesmos. Renunciemos a nós próprios, naquilo em que nos convertemos pelo pecado e mantenhamo-nos como fomos constituídos pela graça. Assim, se o que foi soberbo, convertendo-se a Cristo, se torna humilde, já renunciou a si mesmo; se um luxurioso se converte a uma vida continente, também renunciou a si próprio naquilo que era antes; se um avarento deixa de o ser e, em vez de se apoderar do alheio, começa a ser generoso com o que lhe pertence, certamente se negou a si próprio.

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Senhorio do cristão

Corações generosos, com desprendimento verdadeiro, pede o Senhor. Consegui-lo-emos, se soltarmos com valentia as amarras ou os fios subtis que nos prendem ao nosso eu. Não vos escondo que esta determinação exige uma luta constante, uma sobreposição ao entendimento e à vontade própria, em poucas palavras, uma renúncia mais árdua que o abandono dos bens materiais mais desejados.

Esse desprendimento que o Mestre pregou e que espera de todos os cristãos implica também necessariamente manifestações externas. Jesus Cristo coepit facere et docere: antes de anunciar a Sua doutrina com a palavra, anunciou-a com as obras. Vemo-Lo nascer num estábulo, na carência mais absoluta, e dormir os Seus primeiros sonos na terra deitado sobre as palhas de uma manjedoura Depois, durante os anos das Suas andanças apostólicas, entre muitos outros exemplos, recordamos a Sua clara advertência a um dos que se ofereceram para O acompanhar como discípulo: «as raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. »E não deixemos de contemplar aquela cena que o Evangelho recolhe, em que os apóstolos, para matar a fome, num sábado, arrancam pelo caminho umas espigas de trigo.

Reflexão - Amor

 
Amar é, evidentemente, condição indispensável para conhecer a um Deus que é Amor.

Não se pode conhecer o amor senão desde o amor e participando do amor.


(Javier Echevarría, Itinerários de Vida Cristiana, Planeta, 2001, pg. 40)




El reto del amor

Pequena agenda do cristão

DOMINGO

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)























[i] AMA orações pessoais
[ii] AMA orações pessoais
[iii] AMA orações pessoais
[iv] AMA orações pessoais
[v] AMA orações pessoais
[vi] Santa Teresa de Jesus

22/08/2020

Santíssima Virgem Rainha e Senhora do universo

A coroação de Nossa Senhora como Rainha e Senhora do universo é a última pedra dos privilégios concedidos a Santa Maria. Era sobrenaturalmente lógico que a Mãe de Deus, uma vez subida, em corpo e alma, à glória do Céu, fosse glorificada pela Santíssima Trindade acima dos coros dos anjos e de toda a hierarquia dos santos. Mais do que Tu, só Deus, exclama o povo cristão.

Um salmo de especial relevo messiânico canta a glória do rei e, unida a Ele, a glória da Rainha. És o mais formoso dos filhos de Adão, nos teus lábios se derramou a graça, pois Deus abençoou-te para sempre (...). O teu trono, oh Deus! é para sempre, sem fim; ceptro de rectidão é o ceptro do teu reino (Sal 44 3-7). A seguir o salmista dirige-se à Rainha. Ouve filha, inclina o ouvido, esquece teu povo e a casa de teu pai, e o rei se alegrará com a tua beleza; ele é o teu Senhor, inclina-te para Ele (...). Entra com todo o esplendor a filha do rei, tecido de ouro é o seu vestido; é apresentada ao rei com preciosos bordados, com ela as damas de honor a ti são conduzidas; guiadas em alegria e exultação, entram juntas no palácio real (Ibid., 11-16).

A liturgia aplica este salmo a Cristo e a Maria na glória celestial. Esta interpretação tem o seu fundamento nalguns textos do Evangelho que se referem explicitamente a Nossa Senhora. Na Anunciação, São Gabriel revela-lhe que o seu Filho reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o Seu reino não terá fim (Lc 1, 33). Vai ser mãe de um filho que, no mesmo instante da sua concepção como homem, é Rei e Senhor de todas as coisas; Ela, que O dará à luz, participa da Sua realeza. O mesmo afirma Santa Isabel, que, iluminada pelo Espírito Santo, confessa em voz alta: «De onde me é dado tanto bem, que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor»? (Lc 1, 43). Também São João evangelista, numa grande visão do Apocalipse, descreve "uma mulher vestida de sol, a lua a seus pés, e sobre a sua cabeça uma coroa de doze estrelas" (Ap 12, 1). De acordo com a liturgia e a tradição da Igreja, essa mulher é Maria, vencedora com Cristo sobre o dragão infernal e entronizada como Rainha do universo.

A REALEZA DE MARIA É UMA VERDADE CONSOLADORA PARA TODOS OS HOMENS, ESPECIALMENTE QUANDO NOS SENTIMOS MERECEDORES DO CASTIGO DIVINO, COMO JUSTA PENA DOS PECADOS
O povo cristão confessou sempre esta suprema glória de Maria, participante da realeza de Cristo. Como Ele, tem-na por nascimento (é a mãe do Rei) e por direito de conquista (é Sua fiel companheira na Redenção). Nas suas mãos o Senhor pôs os méritos sobre-abundantes que ganhou com a Sua morte na Cruz, para que os distribua conforme a Vontade de Deus.

A realeza de Maria é uma verdade consoladora para todos os homens, especialmente quando nos sentimos merecedores do castigo divino, como justa pena dos pecados. A Igreja convida a recorrer a Ela, nossa Mãe e nossa Rainha, em todas as nossas necessidades. Ser Mãe de Deus e Mãe dos homens é o fundamento sólido da filial confiança na sua intercessão poderosa, que nos conforta e nos impulsiona a levantar-nos das nossas quedas.

Ao terminar estas meditações, invocamo-la com as palavras de uma antiga oração: "Salve, Regina, Mater misericordiæ; vita, dulcedo, spes nostra, salve! Salvé Rainha, Mãe de misericórdia... Ad te clamamus, exsules filii Evæ. Ad te suspiramus, gementes et flentes..." Pomos nela toda a nossa confiança, porque uma mãe escuta sempre as súplicas dos seus filhos. "Recordare, Virgo Mater Dei — dizemos-lhe — dum steteris in conspectu Domini, ut loquaris pro nobis bona" (cfr. Jr 18, 20). Ela fala sempre bem de nós diante do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e consegue do Senhor as coisas boas de que necessitamos. Sobretudo, a graça da perseverança final, que nos abrirá as portas do Céu: "Rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Ámen".


J. A. Loarte

Meter Cristo entre os pobres


Pelo "caminho do justo descontentamento" têm ido e estão a ir-se embora as massas. Dói... Quantos ressentidos temos fabricado entre os que estão espiritual ou materialmente necessitados! É preciso voltar a meter Cristo entre os pobres e entre os humildes: precisamente entre esses é que Ele se sente melhor. (Sulco, 228)

"Os pobres – dizia aquele amigo nosso – são o meu melhor livro espiritual e o motivo principal das minhas orações. Dói-me a sua dor, e dói-me o sofrimento de Cristo neles. E, porque me dói, compreendo que O amo e que os amo". (Sulco, 827)

Jesus Nosso Senhor amou tanto os homens, que encarnou, tomou a nossa natureza e viveu em contacto diário com pobres e ricos, com justos e pecadores, com novos e velhos, com gentios e judeus.
Dialogou constantemente com todos: com os que gostavam dele e com os que só procuravam a maneira de retorcer as suas palavras, para o condenar.
– Procura comportar-te como Nosso Senhor. (Forja, 558)

– Não ficas contente por sentir tão de perto a pobreza de Jesus?... Que bonito carecer até do necessário! Mas como Ele: oculta e silenciosamente. (Forja, 732)

Extraterrestres



No hay extraterrestres: qué aporta el dogma católico a los ovnis y las señales interestelares.

Leitura espiritual 22 Agosto

Cartas de São Paulo

1ª Coríntios - 15

VI. A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS


Cristo ressuscitou –
1 Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei, que vós recebestes, no qual permaneceis firmes 2 e pelo qual sereis salvos, se o guardardes tal como eu vo-lo anunciei; de outro modo, teríeis acreditado em vão. 3 Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; 4 foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; 5 apareceu a Cefas e depois aos Doze. 6 Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive, enquanto alguns já morreram. 7 Depois apareceu a Tiago e, a seguir, a todos os Apóstolos. 8 Em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto. 9 É que eu sou o menor dos apóstolos, nem sou digno de ser chamado Apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10 Mas, pela graça de Deus, sou o que sou e a graça que me foi concedida, não foi estéril. Pelo contrário, tenho trabalhado mais do que todos eles: não eu, mas a graça de Deus que está comigo. 11 Portanto, tanto eu como eles, assim é que pregamos e assim também acreditastes.

Os mortos também ressuscitam –
12 Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? 13 Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. 14 Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. 15 E resulta até que acabamos por ser falsas testemunhas de Deus, porque daríamos testemunho contra Deus, afirmando que Ele ressuscitou a Cristo, quando não o teria ressuscitado, se é que, na verdade, os mortos não ressuscitam. 16 Pois, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e permaneceis ainda nos vossos pecados. 18 Por conseguinte, aqueles que morreram em Cristo, perderam-se. 19 E se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. 20 Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21 Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem vem a ressurreição dos mortos. 22 E, como todos morrem em Adão, assim em Cristo todos voltarão a receber a vida. 23 Mas cada um na sua própria ordem: primeiro, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24 Depois, será o fim: quando Ele entregar o reino a Deus e Pai, depois de ter destruído todo o principado, toda a dominação e poder. 25 Pois é necessário que Ele reine até que tenha colocado todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26 O último inimigo a ser destruído será a morte, 27 pois Deus tudo submeteu debaixo dos pés dele. Mas quando diz: «Tudo foi submetido», é claro que se exclui aquele que lhe submeteu tudo. 28 E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, a fim de que Deus seja tudo em todos. 29 Se assim não fosse, que procurariam os que se fazem baptizar pelos mortos? Se, de facto, os mortos não ressuscitam, porque motivo se fazem baptizar por eles? 30 E nós também, porque nos expomos aos perigos a todo o momento? 31 Todos os dias, arrisco-me à morte, tão certo, irmãos, quanto sois vós a minha glória em Jesus Cristo nosso Senhor. 32 Se fosse apenas por motivos humanos, de que me adiantaria ter combatido contra as feras em Éfeso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos porque amanhã morreremos. 33 Não vos iludais: «As más companhias corrompem os bons costumes.» 34 Sede sóbrios, como convém, e não continueis a pecar! Pois alguns de vós mostram que não conhecem a Deus: para vossa vergonha o digo.

O modo da ressurreição –
35 Mas dir-se-á: Como ressuscitam os mortos? Com que corpo regressam? 36 Insensato! O que semeias não volta à vida, se primeiro não morrer. 37 E o que semeias não é o corpo que há-de vir, mas um simples grão, por exemplo, de trigo ou de qualquer outra espécie. 38 É Deus que lhe dá o corpo, como lhe apraz; dá a cada uma das sementes o corpo que lhe corresponde. 39 Nem toda a carne é a mesma carne, mas uma é a dos homens, outra a dos animais, outra a dos pássaros, outra a dos peixes. 40 Há corpos celestes e corpos terrestres, mas um é o esplendor dos celestes e outro o dos terrestres. 41 Um é o esplendor do Sol, outro o da Lua e outro o das estrelas, e até uma estrela difere da outra em esplendor. 42 Assim também acontece com a ressurreição dos mortos: semeado corruptível, o corpo é ressuscitado incorruptível; 43 semeado na desonra, é ressuscitado na glória; semeado na fraqueza, é ressuscitado cheio de força; 44 semeado corpo terreno, é ressuscitado corpo espiritual. Se há um corpo terreno, também há um corpo espiritual. 45 Assim está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito um ser vivente e o último Adão, um espírito que vivifica. 46 Mas o primeiro não foi o espiritual, mas o terreno; o espiritual vem depois. 47 O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo vem do céu. 48 Tal como era o terrestre, assim são também os terrestres; tal como era o celeste, assim são também os celestes. 49 E assim como trouxemos a imagem do homem da terra, assim levaremos também a imagem do homem celeste. 50 Digo-vos, irmãos: o homem terreno não pode herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdará a incorruptibilidade. 51 Vou revelar-vos um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados; 52 num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final - pois a trombeta soará - os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. 53 É, de facto, necessário que este ser corruptível se revista de incorruptibilidade e que este ser mortal se revista de imortalidade. 54 E, quando este corpo corruptível se tiver revestido de incorruptibilidade e este corpo mortal se tiver revestido de imortalidade, então cumprir-se-á a palavra da Escritura: A morte foi tragada pela vitória. 55 Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? 56 O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. 57 Mas sejam dadas graças a Deus que nos dá a vitória por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo. 58 Assim, meus queridos irmãos, sede firmes, inabaláveis, e progredi sempre na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é inútil no Senhor.



Amigos de Deus

107         
Humildade e alegria

Livra-me de tudo o que há de mau e perverso no homem. De novo o texto da Missa nos fala do bom endeusamento: faz ressaltar diante dos nossos olhos o mau barro de que somos feitos, com todas as suas malvadas inclinações. E depois suplica emittte lucem tuam, envia a tua luz e a tua verdade, que me guiaram e trouxeram ao teu monte santo. Não me importo de vos contar que me emocionei ao recitar estas palavras do Gradual.

Como é que nos temos de comportar para adquirir esse eudeusamento bom? No evangelho, lemos que Jesus não queria ir à Judeia, porque os judeus o queriam matar. Ele, que com um desejo da sua vontade poderia eliminar os seus inimigos, empregava também os meios humanos. Ele, que era Deus e a quem bastava uma decisão sua para mudar as circunstâncias, deixou-nos uma lição encantadora: não foi à Judeia. Disseram-lhe, pois, seus parentes: Sai daqui e vai para a Judeia, a fim de que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Queriam que Ele desse espectáculo. Vedes? Vedes o que é uma lição de endeusamento bom e de endeusamento mau?

Endeusamento bomesperem em Ti - canta o Ofertório - todos os que conhecem o teu nome, Senhor, porque nunca abandonas os que Te procuram. E vem o regozijo deste barro cheio de gatos, porque não se esqueceu das orações dos pobres, dos humildes.

108         
Não deis o mínimo crédito aos que apresentam a virtude da humildade como um amesquinhamento humano ou como uma condenação perpétua à tristeza. Sentir-se barro, recomposto com gatos, é fonte contínua de alegria; significa reconhecer-se pouca coisa diante de Deus: criança, filho. E haverá maior alegria do que a daquele que, sabendo-se pobre e débil, se sabe também filho de Deus? Porque é que nós, homens, nos entristecemos? Porque a vida na terra, não se passa como nós, pessoalmente, esperávamos e porque surgem obstáculos que impedem ou dificultam a satisfação do que pretendemos.

Nada disto acontece quando a alma vive essa realidade sobrenatural da sua filiação divina. Se Deus é por nós, quem será contra nós. Que estejam tristes os que se empenham em não se reconhecerem filhos de Deus, tenho eu repetido sempre.

Para terminar, descobrimos na liturgia de hoje duas petições que hão-de sair como setas, da nossa boca e do nosso coração: concede-nos, Senhor todo-poderoso, que realizando sempre os divinos mistérios mereçamos abeirar-nos dos dons celestiais. E, pedimos-Te, Senhor, que nos deixes servir-Te constantemente segundo a tua vontade. Servir, servir, filhos meus, é o que é próprio de nós. Sermos criados de todos, para que nos nossos dias o povo fiel aumente em mérito e número.

109         
Olhai para Maria. Nunca criatura alguma se entregou com mais humildade aos desígnios de Deus. A humildade da ancilla Domini, da escrava do Senhor, é a razão que nos leva a invocá-la como causa nostrae laetitiae, causa da nossa alegria. Eva, depois de pecar por querer, na sua loucura, igualar-se a Deus, escondia-se do Senhor e envergonhava-se: estava triste. Maria, ao confessar-se escrava do Senhor, é feita Mãe do Verbo divino e enche-se de alegria. Que este seu júbilo de boa Mãe se nos pegue a todos nós; que saiamos nisto a Ela - a Santa Maria - e assim nos pareceremos mais com Cristo.

110         
Este início da Semana Santa, já tão próximo do momento em que se consumou no Calvário a Redenção de toda a humanidade, parece-me um tempo particularmente apropriado para tu e eu considerarmos por que caminhos nos salvou Jesus, Nosso Senhor; para contemplarmos esse seu amor, verdadeiramente inefável, por umas pobres criaturas formadas com barro da terra.

Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris, lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás-de tornar, advertia-nos a Igreja, Nossa Mãe, no início da Quaresma, a fim de nunca esquecermos que somos muito pouca coisa, que um dia qualquer o nosso corpo - agora tão cheio de vida - se desfará como a ligeira nuvem de pó que os nossos pés levantam ao caminhar; dissipar-se-á como a névoa afugentada pelos raios do sol.

Exemplo de Cristo

Mas, depois de recordar tão cruamente a nossa insignificância pessoal, eu queria encarecer ante os vossos olhos outra estupenda realidade: a magnificência divina que nos sustenta e nos endeusa. Escutai as palavras do Apóstolo: Conheceis a liberalidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico se fez pobre por vós, a fim de que vós fôsseis ricos pela sua pobreza.

Reparai com calma no exemplo do Mestre e compreendereis rapidamente que dispomos de tema abundante para meditar durante toda a vida, para concretizar propósitos sinceros de maior generosidade. Porque, não percais de vista esta meta que temos de alcançar, cada um de nós deve identificar-se com Cristo, que - já o ouvistes - se fez pobre por ti, por mim, e padeceu dando-nos exemplo para que sigamos os seus passos.

111         
Nunca perguntaste a ti próprio, movido por uma santa curiosidade, de que modo levou Jesus a cabo este excesso de amor? É, de novo, São Paulo quem nos responde: tendo a natureza de Deus (...), não obstante, aniquilou-se a si mesmo tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens e reduzido à condição de homem. Meus filhos, pasmai agradecidos ante este mistério e aprendei: todo o poder, toda a formosura, toda a majestade, toda a harmonia infinita de Deus, com as suas grandes e incomensuráveis riquezas - todo um Deus - ficou escondido na Humanidade de Cristo para nos servir. O Omnipotente apresenta-se decidido a ocultar por algum tempo a sua glória, para facilitar o encontro redentor com as suas criaturas.

Escreve o evangelista São João: ninguém jamais viu Deuso Filho Unigénito que está no seio do Pai é que o deu a conhecer, comparecendo ante o olhar atónito dos homens: primeiro, como um recém-nascido, em Belém; depois, como um menino igual aos outros; mais tarde, no Templo, como um adolescente, inteligente e vivo; e, por fim, com aquela figura amável e atraente do Mestre que movia os corações das multidões que o acompanhavam entusiasmadas.

112         
Bastam algumas provas do Amor de Deus que se encarna para que a sua generosidade nos toque a alma, nos incendeie, nos mova com suavidade a uma dor contrita pelo nosso comportamento, em tantas ocasiões mesquinho e egoísta. Jesus não tem inconveniente em rebaixar-se, para nos elevar da miséria à dignidade de filhos de Deus, de irmãos seus. Pelo contrário, tu e eu muitas vezes enchemo-nos nesciamente de orgulho pelos dons e talentos recebidos, até ao ponto de os converter em pedestal para nos impormos aos outros, como se o mérito de algumas acções, acabadas com relativa perfeição, dependesse exclusivamente de nós: Que possuis tu que não tenhas recebido de Deus? E se o recebeste, porque te glorias como se o não tivesses recebido?.

Ao considerar a entrega de Deus e o seu aniquilamento - falo para que o meditemos, pensando cada um em si mesmo-, a vanglória, a presunção do soberbo revela-se um pecado horrendo, precisamente porque coloca a pessoa no extremo oposto ao modelo que Jesus nos assinalou com a sua conduta. Pensai nisto devagar: Ele humilhou-se, sendo Deus. O homem, cheio do seu próprio eu, pretende enaltecer-se a todo o custo, sem reconhecer que está feito de barro e barro de má qualidade.


Reflexão - Eucaristia

Cristo instituiu o Santíssimo Sacramento como memorial perene da Sua Paixão, como o cumprimento das antigas figuras e a mais maravilhosa das Suas obras; e deixou-o aos Seus como consolo singular nas tristezas da Sua ausência.


(São Tomás de AquinoSermão para a festa do Corpus Christi)