26/02/2020

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?








25/02/2020

NUNC COEPI

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Quaresma


Quaresma 

Sobre o Exame pessoal 1

Observo-me, escrevo sobre mim mas, algumas vezes parece que estou como que a fazer uma “prédica” a terceiras pessoas.

É a minha forma de ser sei-o bem.
Dificilmente me atrevo a fazer um exame profundo do meu procedimento.

Qual a razão?

Porque sei muito bem que tenho uma explicação, uma desculpa para tudo de forma que nunca encontro nada absolutamente errado mas, tão só, pequenas falhas sem grande relevo.

Então, quer dizer, não faço exame porque fico pior que se o não Fizesse?

Não!

É pura e simples cobardia e auto-convencimento da bondade da minha forma de proceder.

Eu é que sei! Poderia afirmar.

Que falta de vergonha, que pobreza de critério!
A continuar assim onde irei parar?

Ajuda-me Senhor pois bem vês que não sou capaz.

(AMA, reflexões, 2018)

A única medida é amar sem medida


Cumpres um plano de vida exigente: madrugas, fazes oração, frequentas os Sacramentos, trabalhas ou estudas muito, és sóbrio, mortificas-te..., mas notas que te falta alguma coisa! Leva ao teu diálogo com Deus esta consideração: como a santidade (a luta por atingi-la) é a plenitude da caridade, tens de rever o teu amor a Deus e, por Ele, aos outros. Talvez descubras então, escondidos na tua alma, grandes defeitos contra os quais nem sequer lutavas: não és bom filho, bom irmão, bom companheiro, bom amigo, bom colega; e, como amas desordenadamente "a tua santidade", és invejoso. "Sacrificas-te" em muitos pormenores "pessoais"; e por isso estás apegado ao teu eu, à tua pessoa e, no fundo, não vives para Deus nem para os outros; só para ti. (Sulco, 739)

A todos os que estamos dispostos a abrir-lhe os ouvidos da alma, Jesus Cristo ensina no Sermão da Montanha o mandato divino da caridade. E, ao terminar, como resumo, explica: amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai sem esperardes nada em troca, e será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom, mesmo com os ingratos e os maus. Sede, pois, misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso.

A misericórdia não se limita a uma simples atitude de compaixão; a misericórdia identifica-se com a superabundância da caridade que, ao mesmo tempo, traz consigo a superabundância da justiça. Misericórdia significa manter o coração em carne viva, humana e divinamente repassado por um amor rijo, sacrificado e generoso. Assim glosa S. Paulo a caridade no seu canto a esta virtude: A caridade é paciente, é benéfica; a caridade não é invejosa, não actua precipitadamente; não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não pensa mal dos outros, não folga com a injustiça, mas compraz-se na verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. (Amigos de Deus, 232)


THALITA KUM 112


THALITA KUM 112

(Cfr. Lc 8, 49-56)


Diversas passagens da Sagrada Escritura revelam os tesouros do amor divino. Ainda no Antigo testamento, o profeta Isaías nos fala das fontes que jorram e sa-ciam qualquer sede: “Vós tirareis com alegria água das fontes da salvação” [1].

O tema da sede é muito profundo na Bíblia, um tema que realmente nos leva a reflectir sobre o dom do Amor de Deus e a sede que esse Amor faz sentir no nosso íntimo, pois esse dom manifesta-se em plenitude através do Coração de Cristo.

Ele mesmo convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba[2]... e promete, conforme palavras Suas à samaritana:

Aquele que bebe desta água terá sede novamente; mas quem beber da água que eu Lhe der, nunca mais terá sede. Pois a água que eu Lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água, jorrando para a vida eterna”. [3]

Sede de quê?

Todos temos sede do infinito. Nada é capaz de nos saciar nesta vida. “Até os dias mais bonitos, têm o seu ocaso”, dizia Santa Teresinha. Tudo o que se relaciona à realidade material, por mais belo que seja, tem o seu termo, o seu esgotamento... e o seu custo. Por isso, a sede não se estingue. É uma sede de valores perenes, que possam alimentar a paz e a alegria verdadeiras, dentro e fora de nós. Todos ansiamos por isso e, muitas vezes, não encontramos saciedade.

Frequentemente, estamos cercados por tanta tristeza, que ela parece, até, contagiar-nos.
Corremos o risco de ficar abatidos e transtornados pela tristeza dos outros, quando nos reconhecemos carentes das palavras e da força para consolá-los. Entretanto, sempre podemos, e devemos, conduzi-los a olharem para o Coração trespassado do Senhor. Esta é a fonte da qual podemos aurir tudo o que supra as nossas carências e socorra as nossas misérias.
O texto fundamental, para compreendermos como o Coração de Jesus cuida de nós, é a passagem do Evangelho de São Mateus:

 Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas”. [4]

O Cristo apresenta-se como Mestre em várias oportunidades, mas aqui Ele ensina a partir da Sua própria realidade interior, que se evidencia como modelo perfeito para nós:

«Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração».

Quer dizer, o Seu Coração, a Sua identidade, a Sua personalidade sensível sintoniza, numa profunda empatia, com todos os que sofrem, os que se encontram em situação lastimável de desânimo e de cansaço, em perspectiva de derrota diante dos desafios da vida.

«O Meu Coração é manso e humilde», isto é, coloca-se ao rés-do-chão, nivelando-se a nós. Por isso, aquele que se aproxima de Cristo Jesus, com confiança, vai colher desse encontro a mansidão, a doçura, a ternura que brotam do Seu Coração, transpondo-as para a própria vida e a vida dos outros. Ficará mais aliviado, porque não se pode chegar perto de Cristo sem experimentar a libertação dos jugos que sobrecarregam e escravizam. Sentirá a leveza, o descanso, a serenidade, que são características do próprio Mestre divino.

Por bondade infinita, Jesus aplica-nos os efeitos vivificantes do amor que brota do Seu Coração.


(AMA, reflexões).



[1] Is 12,3
[2] Jo 7, 37
[3] Jo 4,13-14
[4] Mt 11,28-29

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


Evangelho: Mc 9, 30-37

30 Partindo dali, atravessaram a Galileia, e Jesus não queria que ninguém o soubesse, 31 porque ia instruindo os seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens que o hão-de matar; mas, três dias depois de ser morto, ressuscitará.» 32 Mas eles não entendiam esta linguagem e tinham receio de o interrogar. 33 Chegaram a Cafarnaúm e, quando estavam em casa, Jesus perguntou: «Que discutíeis pelo caminho?» 34 Ficaram em silêncio porque, no caminho, tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. 35 Sentando-se, chamou os Doze e disse-lhes: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos.» 36 E, tomando um menino, colocou-o no meio deles, abraçou-o e disse-lhes: 37 «Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe; e quem me receber, não me recebe a mim mas àquele que me enviou.»

Comentário:

Quase sem darmos por isso a nossa tendência vai sempre no sentido de nos considerarmos "especiais".

Temos uma relação com Deus muito particular - de certa forma um Deus ao nosso serviço e dispor - e usamos e abusamos dessa relação.

Não é de todo mau, desde que se considerem duas coisas muito importantes:

Relação de filho para Pai; de criatura para com o Criador.

Intimidade?

Sim, claro, um filho deve ter intimidade com o seu Pai, mas com respeito e contenção.

Um Pai preocupa-se com o seu filho, mas não está "ao seu serviço", mas, sim, disposto - sempre - a ajudar e a suprir o que possa faltar.

O Nosso Deus é um Pai comum de todos os homens - não nos esqueçamos disso - e não podemos nem devemos tentar como que pô-Lo ao nosso "serviço exclusivo", porque, de facto, faz chover ou fazer sol sobre todas as criaturas.

Agradecer o que nos dá, que é sempre muito mais que o que merecemos e pedir-lhe que nos ensine a pedir o que na verdade nos convém, muito mais que aquilo que desejamos.

(AMA, comentário sobre Mc 9, 30-37, 06.02.2018)


Leitura espiritual

Novo Testamento

Cartas Católicas

Carta de Tiago

A Carta de Tiago foi raramente comentada ao longo dos séculos, talvez pelo seu carácter de exortação moral e pelo seu sabor judaico: só duas vezes cita o nome de Jesus (1,1; 2,1) e propõe como modelos apenas figuras do Antigo Testamento: Abraão, Job, Raab, Elias. Mas nos nossos dias veio a merecer um interesse especial dos estudiosos, pois apresenta uma exposição viva e espontânea da mensagem no ambiente das primitivas comunidades cristãs de origem judaica e revela uma série de contrastes que despertam a atenção.

Só se percebe que é uma Carta pelo primeiro versículo, pois tem todo o aspecto de uma homilia. Mostra uma grande afinidade com os livros do AT, mormente os Sapienciais (Pr, Sb e Sir) e Proféticos (Is, Jr e Ml), e com os escritos judaicos (Pirqê Abot, Testamento dos 12 Patriarcas, etc.); mas está impregnada do espírito cristão. Nela, podem contar-se 29 dependências do Sermão da Montanha (Mt 5-7), duas alusões ao Baptismo (1,21; 2,7) e à lei da liberdade (1,25; 2,12), um desenvolvimento da relação entre a fé e as obras, problema candente no cristianismo (2,14-26), a única referência expressa do Novo Testamento à Unção dos Enfermos (5,14-15) e a insistência na perfeição (1,4.17.25; 2,22; 3,2), como em Mateus.

ESTILO E LINGUAGEM

O texto contém muitos hebraísmos: construções hebraicas (1,22; 2,12; 4,11), paralelismo, parataxe, genitivo de qualidade (1,25; 5,15). O autor exprime-se num grego de alto nível, apenas comparável ao de Hebreus; de facto, tem um vocabulário rico (63 palavras não aparecem no resto do NT, 45 encontram-se nos Setenta e 4 estão ausentes do grego helenístico) e utiliza os recursos retóricos da diatribe cínico-estóica, pequenos diálogos com um interlocutor imaginário (2,14-26), perguntas retóricas (2,4.5b.14.16; 3,11-12; 4,4-5) e interpelações incisivas (1,16.19; 4,13; 5,1), imperativos (mais de 60), paradoxos e contrastes (1,26; 2,13.26; 3,15; 4,12), bem como frequentes exemplos e comparações. Tudo isto dá à Carta uma grande vivacidade e faz pensar em escritores como Epicteto ou Séneca.

AUTOR

A teoria de esta Carta ser um escrito judaico retocado por cristãos é destituída de base sólida; toda a Carta tem um cunho cristão. A Tradição da Igreja é unânime em atribuí-la a um Apóstolo do Senhor, de nome Tiago; e, se a perfeição do grego utilizado não condiz com um Tiago palestino, isto poderia dever-se à redacção cuidada de um secretário judeo-cristão muito culto ligado àquele Apóstolo.

A hipótese de um escrito posterior pseudo-epigráfico também não oferece probabilidade, pois um estranho que se quisesse servir de um nome notável não deixaria de apelar para os títulos tão importantes de “Apóstolo” ou “Irmão do Senhor”, coisa que o autor não faz, limitando-se a apresentar-se modestamente como «servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo» (1,1).

Mas o autor também não deve ser Tiago Maior, o Apóstolo irmão de João, pois foi martirizado muito cedo (em 42 ou 44). E alguns pensam que tão-pouco é o outro Apóstolo do mesmo nome, o filho de Alfeu (ver Mc 3,18 par.), mas um terceiro Tiago, «o irmão do Senhor», homem de grande prestígio, ligado aos Apóstolos e chefe da comunidade de Jerusalém (Act 12,17; 15,13-21; 21,18-25; Gl 1,19; 2,9.12), o qual, após a Ressurreição, passou a crer em Jesus. A identificação habitual destes dois Tiagos (o Menor, «filho de Alfeu» e «o Irmão do Senhor») só se teria dado no correr dos séculos, a partir do que se diz em Gl 1,19: «Não vi nenhum outro Apóstolo, excepto Tiago, irmão do Senhor.» Trata-se de uma questão discutida, pois este texto de Gálatas pode entender-se de outra maneira, traduzindo, em vez de «excepto Tiago»: «mas somente Tiago».

DESTINATÁRIOS

Os destinatários desta Carta são «as doze tribos da Dispersão» (1,1), mas não seriam nem os judeus da emigração fora da Palestina (a Diáspora em sentido próprio; há quem pense mesmo em judeus helenizados de tendência essénia), nem os cristãos em geral, dispersos pelo mundo (a “Diáspora” em sentido figurado). Seriam os judeo-cristãos da Diáspora, embora sem excluir outros cristãos em contacto com Tiago.

DATA

A maioria dos estudiosos adopta uma das posições seguintes: trata-se do primeiro escrito cristão, dos fins da década de 40, pois tem um aspecto muito primitivo, como se vê ao chamar à comunidade cristã «sinagoga» (aqui traduzido por «assembleia»: 2,2) e parece ignorar a crise judaizante e a conversão dos pagãos. Outros pensam que foi escrita por volta do ano 60, pouco antes da morte de Tiago, irmão do Senhor, que se deu pelo ano 62, pois pensam que Tg 2,14-26 pressupõe as Cartas de Paulo aos Romanos e Gálatas, que alguns deturpavam para justificarem uma vida fácil.

Não parece ter base suficientemente sólida classificá-la como um escrito tardio: a ausência de elementos do primeiro anúncio (kerigma) não serve para estabelecer a data, mas a natureza do documento; e as semelhanças com Mateus não exigem uma redacção posterior.

CONTEÚDO TEOLÓGICO

Como escrito tipicamente didáctico e moral, a Carta não obedece a um plano doutrinal previamente elaborado. Os temas sucedem-se ao correr da pena, sempre com a preocupação dominante de apelar a que os fiéis vivam o espírito cristão em todas as circunstâncias de um modo coerente com a fé, em perfeita unidade de vida: o comportamento dos cristãos tem de ser um reflexo da sua fé. Sublinhamos os temas das principais exortações:

A atitude cristã perante as provações: 1,2-18;
Pôr em prática a Palavra: 1,19-27;
Caridade para com todos: 2,1-13;
Fé com obras: 2,14-26;
Domínio da língua: 3,1-12;
Verdadeira sabedoria: 3,13-18;
Origem das discórdias: 4,1-12;
Evitar a presunção: 4,13-17;
Advertências aos ricos: 5,1-6;
Exortações finais: 5,7-20.

Como foi dito, esta Carta é o único escrito do NT a referir expressamente o Sacramento da Unção dos Doentes (5,13-15), que não aparece como um piedoso costume, mas como um dos Sacramentos instituídos por Cristo. De facto, a unção é feita apenas pelos presbíteros da Igreja, em nome do Senhor e obtém efeitos sobrenaturais, como o perdão dos pecados.

Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




24/02/2020

NUNC COEPI

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Querer a todos, compreender, desculpar


O amor às almas, por Deus, faz-nos querer a todos, compreender, desculpar, perdoar... Devemos ter um amor que cubra a multidão das deficiências das misérias humanas. Devemos ter uma caridade maravilhosa, "veritatem facientes in caritate", defendendo a verdade, sem ferir. (Forja, 559)

Se vos examinardes com valentia na presença de Deus, vós, tal como eu, sentir-vos-eis diariamente carregados de muitos erros. Quando lutamos por arrancá-los com a ajuda divina, carecem de verdadeira importância e podem ser superados, embora pareça que nunca conseguimos desarraigá-los totalmente. Além disso, independentemente dessas fraquezas, tu contribuirás para remediar as grandes deficiências dos outros, sempre que te empenhares em corresponder à graça de Deus. Reconhecendo-te tão fraco como eles – capaz de todos os erros e de todos os horrores – serás mais compreensivo, mais delicado e, ao mesmo tempo, mais exigente, para que todos nos decidamos a amar a Deus com o coração inteiro.

Nós, os cristãos, os filhos de Deus, temos de prestar assistência aos outros, pondo em prática honradamente o que aqueles hipócritas retorcidamente elogiavam ao Mestre: Não olhas à condição das pessoas. Isto é, havemos de rejeitar por completo a acepção de pessoas – interessam-nos todas as almas! – embora, logicamente, devamos começar por ocupar-nos daquelas que, por esta ou aquela circunstância, e até só por motivos aparentemente humanos, Deus colocou ao nosso lado. (Amigos de Deus, 162)


THALITA KUM 111


THALITA KUM 111

(Cfr. Lc 8, 49-56)


Coração Amantíssimo de Jesus


Chamá-lo de “amantíssimo” é até uma redundância, porque, em se tratando de Jesus, o Coração é, evidentemente, pleno de amor, de misericórdia e de bondade. Estas inesgotáveis riquezas, conforme a expressão de São Paulo [1], como que transbordam, jorram sobre toda a humanidade. Este é o tema da nossa reflexão.
Ao considerarmos o Coração de Cristo, não estamos a referir-nos ao órgão físico, embora ele o tenha também, enquanto integrante de sua natureza humana. A propósito, considero melhores as imagens que não retractam esse Coração saliente sobre o peito, mas só o insinuam, através do Lado perfurado pela lança. Aqui, tomamos o coração como centro explicativo da pessoa. Quando se diz que uma pessoa “tem bom coração”, isto traduz a essência do que ela é. Portanto, aprofundar o conhecimento sobre o Coração de Jesus significa adentrar a sua própria “personalidade”.
É interessante notar que essa devoção nasce no momento em que o Coração de Jesus é trespassado, no alto do Calvário, segundo nos narra o evangelista São João. [2]
Mais tarde, chega às primitivas comunidades, é aprofundada pelos antigos Santos Padres e estende-se ao longo da Idade Média. Quando os Cruzados foram à Terra Santa, onde tiveram maior contacto com a humanidade de Cristo e com os detalhes da Sua vida, aproximaram-se mais directamente ao Seu Coração. Sobre Ele deixaram-nos reflexões lindas e profundas, tanto teológicas, quanto exegéticas e espirituais.
Nos séculos posteriores, foram surgindo Congregações, Associações e Movimentos inspirados, exactamente, no mistério central do amor de Cristo, que é o Seu Coração. Além disso, centenas e centenas de obras sociais pautaram as suas iniciativas, segundo o modelo da misericórdia que emana desse Coração.

(AMA, reflexões).






[1] Cfr. Ef 3, 8
[2] Cfr. Jo 19,34-35

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM


Evangelho: Mc 9, 14-29

14 Ia ter com os seus discípulos, quando viu em torno deles uma grande multidão e uns doutores da Lei a discutirem com eles. 15 Assim que viu Jesus, toda a multidão ficou surpreendida e acorreu a saudá-lo. 16 Ele perguntou: «Que estais a discutir uns com os outros?» 17 Alguém de entre a multidão disse-lhe: «Mestre, trouxe-te o meu filho que tem um espírito mudo. 18 Quando se apodera dele, atira-o ao chão, e ele põe-se a espumar, a ranger os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram.» 19 Disse Jesus: «Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá.» 20 E levaram-lho. Ao ver Jesus, logo o espírito sacudiu violentamente o jovem, e este, caindo por terra, começou a estrebuchar, deitando espuma pela boca. 21 Jesus perguntou ao pai: «Há quanto tempo lhe sucede isto?» Respondeu: «Desde a infância; 22 e muitas vezes o tem lançado ao fogo e à água, para o matar. Mas, se podes alguma coisa, socorre-nos, tem compaixão de nós.» 23 «Se podes...! Tudo é possível a quem crê», disse-lhe Jesus. 24 Imediatamente o pai do jovem disse em altos brados: «Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!» 25 Vendo, Jesus, que acorria muita gente, ameaçou o espírito maligno, dizendo: «Espírito mudo e surdo, ordeno-te: sai do jovem e não voltes a entrar nele.» 26 Dando um grande grito e sacudindo-o violentamente, saiu. O jovem ficou como morto, a ponto de a maioria dizer que tinha morrido. 27 Mas, tomando-o pela mão, Jesus levantou-o, e ele pôs-se de pé. 28 Quando Jesus entrou em casa, os discípulos perguntaram-lhe em particular: «Porque é que nós não pudemos expulsá-lo?» 29 Respondeu: «Esta casta de espíritos só pode ser expulsa à força de oração.»

Comentário:

O demónio não tem maior temor que da oração.

Percebe-se porquê.
A oração põe o homem em contacto estreito com Deus e quanto mais intensa e profunda mais forte é esse contacto.
O diálogo que se estabelece entre o orante e Deus torna-se assim íntimo e o demónio não ousa interferir nem o Senhor lho permite.

O Senhor aconselha a oração persistente e perseverante não para Sua satisfação mas exactamente para que a nossa relação com Ele se fortaleça cada vez mais e a união se torne real, constante, inquebrantável.

(ama, comentário sobre Mc 9, 14-29, Malta, 16.05.2016



Leitura espiritual


Novo Testamento

Cartas Católicas

Há um grupo de sete escritos do Novo Testamento que tem este título muito antigo: Cartas Católicas. A partir do séc. IV, esta designação genérica foi reservada para as sete Cartas canónicas: Tiago, 1.ª e 2.ª de Pedro, 1.ª, 2.ª e 3.ª de João e Judas.

“Católico” significa universal, e tal deve ser a origem do nome destas Cartas: eram dirigidas a toda a Igreja, e não a comunidades ou pessoas concretas (excepto 2 e 3 Jo, anexas a 1 Jo). Mas nem todas estas Cartas foram, desde os primeiros tempos, universalmente reconhecidas como escritos inspirados; por isso, o historiador Eusébio colocou as Cartas de Tiago, 2.ª de Pedro, 2.ª e 3.ª de João e Judas (assim como o Apocalipse) entre os “livros discutidos, embora admitidos pela maioria”, aos quais chamamos Deuterocanónicos.

O acordo universal só se deu no Ocidente pelos fins do séc. IV e no Oriente nos séc. VI-VII. Nem os autores, nem os destinatários, nem os temas tratados ou a sua forma literária justificam que estas Cartas formem um conjunto. Agruparam-se pelo simples facto de não serem escritos paulinos. Mas não têm um destinatário concreto, como acontece com as Cartas de Paulo.

Nos manuscritos antigos do Oriente apareciam depois de Actos e antes das Cartas de Paulo, pela ordem em que hoje as temos, o que deixa ver o grande valor em que já eram tidas; nos códices, liam-se no lugar que agora ocupam no conjunto dos livros do Novo Testamento, depois da Carta aos Hebreus e antes do Apocalipse de João.

CONTEÚDO

O que estas Cartas têm de comum é a temática:

1. Cuidados a ter com os falsos mestres: 2 Pe 2,1-3.10-22; 2 Pe 3,3-4.16-17; 1 Jo 2,18-23.26; 1 Jo 4,1-6; 2 Jo 7-11; Jd 4-19.

2. Necessidade de guardar a integridade da fé: Tg 2,14-26; Tg 3,13; Tg 4,3-12; Tg 5,7-11; 1 Pe 2,11-12.13-17; 1 Pe 4,1-4; 2 Pe 3,1-7.14-18; 1 Jo 2,18-29; 1 Jo 4,1-6; 2 Jo 7-11.

3. Exortação à fidelidade na perseguição: Tg 1,2-4.12; Tg 4,7; 1 Pe 1,6-7; 1 Pe 2,11-17; 1 Pe 3,13-17; 1 Pe 4,12-19; 1 Pe 5,6-10; 1 Jo 2,24-28.

4. Proximidade do fim dos tempos: Tg 5,3.7-9; 1 Pe 1,5; 1 Pe 4,7; 2 Pe 3,3-4.8-10; 1 Jo 2,18-19; Jd 18.

Tal temática denuncia uma época relativamente tardia, em que esses problemas eram os mais prementes, devido ao aparecimento das primeiras heresias cristológicas e a algumas perseguições. Mas estas podem ter vindo do poder político exterior ou do interior da própria comunidade – ou seja, dos falsos mestres.

Cartas Católicas
Carta de Tiago
1ª Carta de Pedro
2ª Carta de Pedro
1ª Carta de João
2ª Carta de João
3ª Carta de João
Carta de Judas

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?