17/04/2019

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?









Leitura espiritual


Cruzando o umbral da esperança

CHAMAM-NA
«HISTÓRIA DA SALVAÇÃO»

Pergunta:

Aproveitando a cordial liberdade que quis conceder-me, permita-me continuar expondo-lhe perguntas que ainda que possa parecer-lhe peculiares, talvez exponho, como Vossa Santidade mesmo observou, em nome de não pouco dos nossos contemporâneos, os quais, ante o anúncio evangélico proposto pela Igreja, parecem perguntar-se:
Porquê esta «história da salvação», como os cristãos a chamam, se apresenta de uma forma tão complicada? Para nos perdoar, para nos salvar, um Deus-Pai tinha verdadeiramente necessidade do sacrifício cruento do Seu próprio Filho?

Resposta:

A sua pergunta respeitante à história da salvação toca o que é o significado mais profundo da salvação redentora. Comecemos lançando um olhar à história do pensamento europeu depois de Descartes.
Porque ponho também aqui Descartes em primeiro plano? Não só porque ele marca o início de uma nova época na história do pensamento europeu, mas também porque este filósofo, que certamente esta entre os maiores que a França deu ao mundo, inaugura a grande mudança antropocêntrica na filosofia. «Penso, logo existo», como antes recordamos, é o tema do racionalismo moderno.

Todo o racionalismo dos últimos tempos – tanto na sua expressão anglo-saxónica como na continental com o kantismo, o hegelianismo e a filosofia alemã dos séculos IX e XX até Husserl e Heidegger pode considerar-se uma continuação e um desenvolvimento das posições cartesianas O autor de Meditações de prima filosofia, com a sua prova ontológica, afastou-nos da filosofia da existência, e também das vias tradicionais de São Tomás. Tais vias levam a Deus, «existência autónoma», Ipsum esse subsistens («o próprio Ser subsistente»). Descartes, com a absolutização da consciência subjectiva, conduz antes para a pura consciência do Absoluto, que é o puro pensar; um tal Absoluto que não é a existência autónoma, mas de certo modo o pensar autónomo: somente faz sentido o que se refere ao pensamento humano; não importa tanto a verdade objectiva deste pensamento como próprio facto de que algo esteja presente no conhecimento humano.

Encontramo-nos no umbral do imanentismo e do subjectivismo modernos. Descartes representa o início do desenvolvimento tanto das ciências exactas e naturais como das ciências humanas segundo esta nova expressão. Com tal voltam-se as costas à metafísica e centra-se o foco de interesse na filosofia do conhecimento. Kant é o maior representante desta corrente.

Se não é possível atribuir ao pai do racionalismo moderno o afastamento do cristianismo, é difícil não reconhecer que ele criou o clima, no qual, na época moderna, tal afastamento pode realizar-se. Não se realizou de modo imediato, mas sim gradualmente.

Com efeito, uns cento e cinquenta anos depois de Descartes, comprovamos como o que era essencialmente cristão na tradição do pensamento europeu, já se colocou entre parêntesis. Estamos nos tempos em que em França o protagonista é o iluminismo uma doutrina com a qual se leva a cabo a afirmação definitiva do racionalismo puro. A Revolução francesa durante o Terror, derrubou os altares dedicados a Cristo, derrubou os crucifixos dos caminhos, e no seu lugar introduziu a deusa Razão, sob cuja base foram proclamadas a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Deste modo, o património espiritual, e em concreto o moral, do cristianismo foi arrancado do seu fundamento evangélico, ao qual é necessário devolvê-lo para que se reencontre a sua plena vitalidade.

Todavia, o processo do afastamento do Deus dos Padres, do Deus de Jesus Cristo, do Evangelho e da Eucaristia não trouxe consigo a ruptura com um Deus existente mais para além do mundo. De facto, o Deus dos deístas esteve sempre presente nos enciclopedistas franceses, nas obras de Voltaire e Jean Jacques Rousseau, e mais ainda nos Philosophiae naturalis prinsipia mathematica de Isaac Newton, que marcam o o início da física moderna.



Este Deus, todavia, é decididamente um Deus fora do mundo. Um Deus presente no mundo aparecia como inútil para o conhecimento moderno, para a moderna ciência do homem, do que examina os seus mecanismos conscientes e subconscientes. O racionalismo iluminista pôs entre parêntesis o verdadeiro Deus e, em particular, o Deus Redentor.

Isto que consequências trouxe? Que o homem tinha que viver deixando-se guiar exclusivamente pela razão própria, como se Deus não existisse. Não só tinha de prescindir de Deus no conhecimento objectivo do mundo – devido a que a premissa da existência do Criador ou da Providência não tinha qualquer utilidade para a ciência, mas que tinha, de actuar como se Deus não existisse, quer dizer, como se Deus não se interessasse pelo mundo. O racionalismo iluminista podia aceitar um Deus fora do mundo, sobretudo porque esta era uma hipótese não comprovável. Era imprescindível, todavia, que esse Deus se colocasse fora do mundo.




(Cfr entrevista de Vittorio Messori a São João Paulo II, CRUZANDO EL UMBRAL DE LA ESPERANZA, Outubro de 1994)
(Tradução do castelhano por AMA)


16/04/2019

Temas para reflectir e meditar

Fidelidade

No castelo de Deus trataremos de aceitar qualquer posto: cozinheiros ou serventes de cozinha, empregados de quarto, moços de cavalos, padeiros. 

Se ao Rei lhe agradar chamar-nos para o seu Conselho privado, ali iremos, mas sem nos entusiasmar-mos demasiado, sabendo que a recompensa não depende do posto, mas da fidelidade com sirvamos.


(a. lucianni, (joão paulo i) Ilustrísimos señores, p 128, trad ama)

Evangelho e comentário


TEMPO DA QUARESMA
Semana Santa




Evangelho: Jo 13, 21-33. 36-38 

21 Tendo dito isto, Jesus perturbou-se interiormente e declarou: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há-de entregar!» 22 Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem a quem se referia. 23 Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa reclinado no seu peito. 24 Simão Pedro fez-lhe sinal para que lhe perguntasse a quem se referia. 25 Então ele, apoiando-se naturalmente sobre o peito de Jesus, perguntou: «Senhor, quem é?» 26 Jesus respondeu: «É aquele a quem Eu der o bocado de pão ensopado.» E molhando o bocado de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. 27 E, logo após o bocado, entrou nele Satanás. Jesus disse-lhe, então: «O que tens a fazer fá-lo depressa.» 28 Nenhum dos que estavam com Ele à mesa entendeu, porém, com que fim lho dissera. 29 Alguns pensavam que, como Judas tinha a bolsa, Jesus lhe tinha dito: ‘Compra o que precisamos para a Festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. 30 Tendo tomado o bocado de pão, saiu logo. Fazia-se noite. 31 Depois de Judas ter saído, Jesus disse: «Agora é que se revela a glória do Filho do Homem e assim se revela nele a glória de Deus. 32 E, se Deus revela nele a sua glória, também o próprio Deus revelará a glória do Filho do Homem, e há-de revelá-la muito em breve.» 33 «Filhinhos, já pouco tempo vou estar convosco. Haveis de me procurar, e, assim como Eu disse aos judeus: ‘Para onde Eu for vós não podereis ir’, também agora o digo a vós.
36 Disse-lhe Simão Pedro: «Senhor, para onde vais?» Jesus respondeu-lhe: «Para onde Eu vou, tu não me podes seguir por agora; hás-de seguir-me mais tarde.» 37 Disse-lhe Pedro: «Senhor, porque não posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti!» 38 Replicou Jesus: «Darias a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo, antes de me teres negado três vezes!»
Comentário:

O Evangelista conta-nos a tragédia da traição com uma economia de palavras que dá que pensar.

O que aconteceu deve ter sido tão chocante e surpreendente que quando mais tarde vier a conhecer o que realmente aconteceu prefere dar o assunto como que encerrado.

A traição choca e cai como um estigma sobre quantos a
testemunham.
Não esqueçamos que Judas era um dos Doze, durante quase três anos conviveram intimamente percorrendo a Palestina acompanhando Jesus.

Como compreender? Como aceitar?

Na verdade, parece que o exemplo vem do Senhor que não mais terá referido o que aconteceu.

Quase somos levados a considerar que o papel de Judas foi absolutamente necessário para que se cumprisse, como Jesus desejava, toda a história da Salvação.

(ama, comentário sobre Jo 13, 41-33. 34-35, Malta, 24.04.2016)

Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade


Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)


Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)

Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.
Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)

Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.
Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)

Leitura espiritual


Cruzando o umbral da esperança

SE EXISTE,
PORQUE SE ESCONDE

Pergunta:

Deus, ou seja, o Deus bíblico, existe. Mas então acaso seja compreensível o protesto de muitos, tanto de ontem como de hoje:
Porque não se manifesta mais claramente?
Porque não dá provas tangíveis a todos da Sua existência?
Porque a Sua misteriosa estratégia parece ser a de julgar esconder-se das Suas criaturas?

Resposta:

Penso que as perguntas que coloca – e que por outro lado são as de tantos outros – não se referem nem a São Tomás nem a Santo  Agostinho, nem a toda a tradição judaico-cristã. Parece-me que apontam mais para outro terreno, o puramente racionalista, que é próprio da filosofia moderna, cuja história se inicia com Descartes, que, por assim dizer, separou o pensar do existir e identificou-o com a própria razão: Cogito, ergo sum.

Que diferente é a postura de Sã Tomás, para quem não é o   a existência, mas sim a existência, o esse, o que decide o que pensar!
Penso do modo que penso porque sou o que sou – quer dizer -, uma criatura – e porque Ele é O que é, quer dizer, o absoluto Mistério incriado.
Se Ele não fosse Mistério, não haveria necessidade da Revelação, ou melhor, falando de modo mais rigoroso, da auto-revelação de Deus.

Se o homem, com o seu intelecto criado e com as limitações da própria subjectividade, pudesse superar a distância que separa a criação do Criador, o ser contingente e não necessário («o que não é – segundo a conhecida expressão dirigida por Cristo a Santa Catarina de Sena - [i] só então as suas perguntas teriam fundamento.

Os pensamentos que o inquietam, e que aparecem nos seus livros, estão formados por uma série de perguntas que não são realmente suas; o senhor quere erigir-se em porta-voz dos homens da nossa época, pondo-se a seu lado nos caminhos – às vezes difíceis e intrincados por vezes aparentemente saem saída – da procura de Deus.
(…)

Tentermos ser imparciais no nosso raciocínio:
Poderia Deus ir mais além na Sua condescendência na Sua aproximação ao homem, consoante as suas possibilidades cognitivas?
Verdadeiramente, parece que tenha sido tudo o mais longe possível.
Mais além não poderia ir.

Em certo sentido, Deus foi demasiado longe!
Acaso Cristo não foi escândalo para os judeus e engano para os pagãos? [ii]

Precisamente porque chamava Seu Pai a Deus, porque o manifestava tão abertamente em Si mesmo, não podia deixar de causar a impressão de que era demasiado…

O homem já não estava em condições de suportar  tal proximidade, e começaram os protestos.

Este grande protesto tem nomes concretos: primeiro chama-se Sinagoga, e depois Islão.
Nenhum dos dois pode aceitar um Deus assim humano.

«Isto não convém a Deus – protestam –
Deve permanecer absolutamente transcendente, deve permanecer como pura Majestade.
Supostamente, Majestade cheia de misericórdia mas não até ao ponto de pagar as culpas dos pecados da própria criatura.

Sob uma certa óptica é justo dizer que Deus se revelou ao homem inclusive demasiado no que tem de mais divino, no que é a Sua vida íntima; revelou-se no próprio Mistério.




(Cfr entrevista de Vittorio Messori a São João Paulo II, CRUZANDO EL UMBRAL DE LA ESPERANZA, Outubro de 1994)
(Tradução do castelhano por AMA)



[i] «Aquele que á» cfr. Raimundo de Cápua, Legenda Maior, 1, 10,92)
[ii] 1 Cor  1,23)


Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





15/04/2019

Leitura espiritual


CONFISSÃO

1. Que efeitos produz o pecado?

Resumindo o que se diz no tema sobre o pecado, os efeitos do pecado são dois:
Inclinação da vontade para o mal cometido.
Afastamento de Deus. Esta separação do Senhor pode ser menor -pecados veniais ou leves- o chegar a perder a vida sobrenatural e a graça -pecados graves o mortais-.

2. Exemplos de pecados veniais ou leves?

Além do mais que os actos graves realizados inadvertidamente, há muitos exemplos de pecados veniais: uma mentira, algo de preguiça, uma falta de respeito ou de caridade, murmurações ou troças, desleixo nas orações, excessos na comida e na comodidade, gastos supérfluos, etc.

3. Exemplos de pecados mortais ou graves?

Comete-se pecado mortal quando conscientemente se realizam actos gravemente malvados.
Alguns exemplos: insultar a Deus, faltar à santa missa ao Domingo, cometer actos sexuais impuros, embriagar-se ou drogar-se, etc.

4. Que fazer para obter o perdão divino?

Para que o Senhor perdoe estas ofensas há que realizar o que o próprio Deus previu. Precisamente para isto Jesus Cristo instituiu o sacramento da confissão.

5. Basta confessar-se a sós com Deus?

É bom pedir perdão a Deus com frequência e o Senhor pode perdoar os pecados como deseje. Mas Ele disse que perdoará os pecados se o sacerdote os perdoar e não o fará em caso contrario: "A quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos"[i].

6. Que efeitos produz o sacramento da confissão?

Os efeitos da confissão são variados e relacionam-se directamente com os efeitos do pecado:
Corrige a inclinação desviada da vontade.
Repara o distanciamento com respeito a Deus obtendo o seu perdão.
Recupera a dignidade da alma diminuída pelo pecado.
Dá forças para vencer nas próximas tentações.
No caso de pecados mortais, a confissão devolve a graça e a vida sobrenatural que se tinham perdido, e abre de novo as portas do céu.
Ao aproximar-se de Deus, a alma goza. Por isso, depois da confissão costuma notar-se alegria.

7. Como confessar-se bem?

Para confessar-se procura-se um sacerdote e pede-se a sua ajuda para o fazer bem. Começa-se dizendo o tempo aproximado que passou desde a anterior confissão. Depois manifestam-se os pecados tendo em conta que devem dizer-se todos os pecados mortais distinguindo uns dos outros e expondo o número de vezes aproximado que se cometeram; por exemplo: se faltei cinco domingos à missa, se me embebedei duas vezes, etc. Dos pecados veniais não é necessário precisar o número; basta dizer por exemplo: fui preguiçoso, aborreci-me (com alguém).

8. Alguma outra condição mais?

Trata-se de pedir perdão a Deus e o requisito principal é estar arrependido; em consequência, haverá intenção firme de não voltar a cometer esses pecados.

9. Se se pensa que se voltará a cair?

Para confessar-se não se requer adivinhar o futuro, mas sim ter no presente a intenção firme de não pecar.

10. É possível confessar-se só de uns pecados, sem de arrepender de outros?

É preciso arrepender-se e manifestar todos os pecados mortais, pois um único impede a recepção da graça e a cura da alma. Se se trata de pecados veniais, não é necessário abarcar todos.

11. Que fazer depois de confessar-se?

Convém dar muitas graças a Deus por perdoar-nos uma vez mais. Sem o sacramento da confissão a vida seria triste e desesperada.



[i] (Jn 20, 23)

Temas para reflectir e meditar

Humor


Peço-te que me concedas uma alma que não conheça o aborrecimento, nem as murmurações, nem os suspiros, nem os lamentos e não permitas que gire, demasiado em torno desse algo que sempre quer impe­rar, que se chama «eu». 
Senhor, concede-me o dom do sentido de humor. 
Dá-me a graça de me conhecer por entre risos, para que saboreie nesta vida um pouco de felicidade e possa partilhá-la com os outros. Ámen

(Tadeus Dajczer, Meditações sobre a Fé, Paulus, 4ª Ed., pg. 114)

Considerações para a Semana Santa


Tenho ainda a propor-vos uma outra consideração: devemos lutar sem descanso por fazer o bem, precisamente por sabermos que nos é difícil, a nós, homens, decidirmo-nos a sério a exercer a justiça, e é muito o que falta para que a convivência terrena esteja inspirada pelo amor e não pelo ódio ou pela indiferença. Não esqueçamos também que, mesmo que consigamos atingir um estado razoável de distribuição dos bens e uma harmoniosa organização da sociedade, não há-de desaparecer a dor da doença, da incompreensão ou da solidão, a dor da experiência das nossas próprias limitações.

Em face dessas penas, o cristão só tem uma resposta autêntica, uma resposta definitiva: Cristo na Cruz, Deus que sofre e que morre, Deus que nos entrega o seu Coração, aberto por uma lança, por amor a todos. Nosso Senhor abomina as injustiças e condena quem as comete. Mas, como respeita a liberdade das pessoas, permite que existam. Deus Nosso Senhor não causa a dor das criaturas, mas tolera-a como parte que é - depois do pecado original - da condição humana. E, no entanto, o seu Coração, cheio de amor pelos homens, levou-O a tomar sobre os seus ombros, juntamente com a Cruz, todas essas torturas: o nosso sofrimento, a nossa tristeza, a nossa angústia, a nossa fome e sede de justiça.

A doutrina cristã sobre a dor não é um programa de fáceis consolações. Começa logo por ser uma doutrina de aceitação do sofrimento, inseparável de toda a vida humana. Não vos posso esconder - e com alegria pois sempre preguei e procurei viver a verdade de que, onde está a Cruz está Cristo, o Amor - que a dor apareceu muitas vezes na minha vida; e mais de uma vez tive vontade de chorar. Noutras ocasiões, senti crescer em mim o desgosto pela injustiça e pelo mal. E soube o que era a mágoa de ver que nada podia fazer, que, apesar dos meus desejos e dos meus esforços, não conseguia melhorar aquelas situações iníquas.

Quando vos falo de dor, não vos falo apenas de teorias. Nem me limito a recolher uma experiência de outros, quando vos confirmo que, se sentis, diante da realidade do sofrimento, que a vossa alma vacila algumas vezes, o remédio que tendes é olhar para Cristo. A cena do Calvário proclama a todos que as aflições hão-de ser santificadas, se vivermos unidos à Cruz.

Porque as nossas tribulações, cristãmente vividas, se convertem em reparação, em desagravo, em participação no destino e na vida de Jesus, que voluntariamente experimentou, por amor aos homens, toda a espécie de dores, todo o género de tormentos. Nasceu, viveu e morreu pobre; foi atacado, insultado, difamado, caluniado e condenado injustamente; conheceu a traição e o abandono dos discípulos; experimentou a solidão e as amarguras do suplício e da morte. Ainda agora, Cristo continua a sofrer nos seus membros, na Humanidade inteira que povoa a Terra e da qual Ele é Cabeça e Primogénito e Redentor.

A dor entra nos planos de Deus. Ainda que nos é difícil entendê-la, é esta a realidade. Também Jesus, como homem, teve dificuldade em admiti-la: Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice! Não se faça, porém, a minha vontade, mas a tua! Nesta tensão entre o sofrimento e a aceitação da vontade do Pai, Jesus vai serenamente para a morte, perdoando aos que O crucificaram.

Ora, esta aceitação sobrenatural da dor pressupõe, por outro lado, a maior conquista. Jesus, morrendo na Cruz, venceu a morte. Deus tira da morte a vida. A atitude de um filho de Deus não é a de quem se resigna à sua trágica desventura; é, sim, a satisfação de quem já antegoza a vitória. Em nome desse amor vitorioso de Cristo, nós, os cristãos, devemos lançar-nos por todos os caminhos da Terra, para sermos semeadores de paz e de alegria, com a nossa palavra e nossas obras. Temos de lutar - é uma luta de paz - contra o mal, contra a injustiça, contra o pecado, para proclamarmos assim que a actual condição humana não é a definitiva; o amor de Deus, manifestado no Coração de Cristo, conseguirá o glorioso triunfo espiritual dos homens.

São JOSEMARIA, (Cristo que passa, 168)

Progresso



Temas para reflectir e meditar

Vontade de Deus


Deus não manda impossíveis, mas ao mandar avisa para que faças o que podes e ajuda para que possas.




(Stº. agostinhoSobre a natureza e a graça, 43)

Evangelho e comentário



TEMPO DA QUARESMA
Semana Santa


Evangelho: Jo 12, 1-11

1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. 2 Ofereceram-lhe lá um jantar. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam com Ele à mesa. 3 Então, Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume. 4Nessa altura disse um dos discípulos, Judas Iscariotes, aquele que havia de o entregar: 5«Porque é que não se vendeu este perfume por trezentos denários, para os dar aos pobres?» 6 Ele, porém, disse isto, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão e, como tinha a bolsa do dinheiro, tirava o que nela se deitava. 7 Então, Jesus disse: «Deixa que ela o tenha guardado para o dia da minha sepultura! 8 De facto, os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim não me tendes sempre.» 9 Um grande número de judeus, ao saber que Ele estava ali, vieram, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Ele tinha ressuscitado dos mortos. 10 Os sumos-sacerdotes decidiram dar a morte também a Lázaro, 11 porque muitos judeus, por causa dele, os abandonavam e passavam a crer em Jesus.

Comentário:

A ressurreição de Lázaro é um marco importante na história das relações de Jesus com os fariseus e os chefes do povo.
A posição que Lázaro ocuparia na sociedade de então torna ainda mais notável o acontecimento.
Porque, tal como o Evangelista refere, muitos acreditaram em Jesus por causa deste milagre.

A “cegueira” dos chefes do povo é tal que nem percebem que não será por liquidar a “prova”, o “testemunho” dos poderes de Jesus que esta deixa de ser pública, notória, comentada.

Talvez pudessem ter aproveitado a ocasião para reflectir um pouco e considerar que se o Senhor ressuscita igualmente os simples - como o filho da viúva de Naim - e os notáveis como Lázaro, então estariam na presença de Alguém que realmente É quem diz Ser: O Filho de Deus.

Mas, repete-se, a cegueira e desonestidade intelectual impede o raciocínio e a visão clara do que se constata por mais evidente que seja.

(ama, comentário sobre Jo 12, 1-11, 10.04.2017)

Penitência é atender os que sofrem


Esta é a receita para o teu caminho de cristão: oração, penitência, trabalho sem descanso, com um cumprimento amoroso do dever. (Forja, 65)


E se agora não te ocorre como responder concretamente aos apelos divinos que se fazem ouvir no teu coração, ouve-me bem.
Penitência é o cumprimento exacto do horário que te fixaste, mesmo que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se com sonhos quiméricos. Penitência é levantares-te pontualmente. E também, não deixar para mais tarde, sem motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou custosa.
A penitência está em saber compaginar as tuas obrigações relativas a Deus, aos outros e a ti próprio, exigindo-te, de modo que consigas encontrar o tempo necessário para cada coisa. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares cansado, sem vontade ou frio. (Amigos de Deus, 138)

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?