05/04/2019

Leitura espiritual


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL
AMORIS LÆTITIA
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
AOS BISPOS AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS AOS ESPOSOS CRISTÃOS E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS SOBRE O AMOR NA FAMÍLIA 

CAPÍTULO VI

ALGUMAS PERSPECTIVAS PASTORAIS.

Quando a morte crava o seu aguilhão.

Às vezes, a vida familiar vê-se desafiada pela morte de um ente querido. Não podemos deixar de oferecer a luz da fé para acompanhar as famílias que sofrem em tais momentos.[i]

Abandonar uma família atribulada por uma morte seria uma falta de misericórdia, seria perder uma oportunidade pastoral, e tal atitude pode fechar-nos as portas para qualquer eventual acção evangelizadora.
Compreendo a angústia de quem perdeu uma pessoa muito amada, um cônjuge com quem se partilhou tantas coisas. O próprio Jesus Se comoveu e chorou no velório dum amigo[ii].
E como não compreender o lamento de quem perdeu um filho? Com efeito, «é como se o tempo parasse: abre-se um abismo que engole o passado e também o futuro. (...) E às vezes chega-se até a dar a culpa a Deus! Quantas pessoas – compreendo-as – se chateiam com Deus».
«A viuvez é uma experiência particularmente difícil (...). Alguns, quando têm de viver esta experiência, mostram que sabem fazer convergir as suas energias para uma dedicação ainda maior aos filhos e netos, encontrando nesta experiência de amor uma nova missão educativa. (...) Aqueles que já não podem contar com a presença de familiares a quem se dedicar e de quem receber carinho e proximidade, a comunidade cristã deve sustentá-los com particular atenção e disponibilidade, sobretudo se vivem em condições de indigência».

Em geral, o luto pelos falecidos pode durar bastante tempo e, quando um pastor quer acompanhar este percurso, deve adaptar-se às necessidades de cada uma das suas fases. Todo o percurso é atravessado por interrogativos sobre as causas da morte, o que poderia ter sido feito, o que uma pessoa vive nos momentos anteriores à morte... Com um caminho sincero e paciente de oração e libertação interior, volta a paz. No luto, há momentos em que é preciso ajudar a descobrir que, embora tenhamos perdido um ente querido, existe ainda uma missão a cumprir e não nos faz bem querer prolongar a tristeza, como se isto fosse uma homenagem.
A pessoa amada não precisa da nossa tristeza, nem retém lisonjeiro que arruinemos a nossa vida. E também não é a melhor expressão de amor lembrá-la e nomeá-la a cada momento, porque significa estar preso a um passado que já não existe, em vez de amar a pessoa real que agora se encontra no Além.
A sua presença física já não é possível; é verdade que a morte é algo de poderoso, mas «forte como a morte é o amor»[iii].
O amor possui uma intuição que lhe permite escutar sem sons e ver no invisível. Isto não é imaginar o ente querido como era, mas poder aceitá-lo transformado, como é agora. Jesus ressuscitado, quando a sua amiga Maria Madalena quis abraçá-Lo intensamente, pediu-lhe que não O tocasse[iv] para a levar a um encontro diferente.
Consola-nos saber que não se verifica a destruição total dos que morrem, e a fé assegura-nos que o Ressuscitado nunca nos abandonará. Podemos, assim, impedir que a morte «envenene a nossa vida, torne vãos os nossos afectos e nos faça cair no vazio mais escuro».

A Bíblia fala de um Deus que nos criou por amor, e fez-nos de uma maneira tal que a nossa vida não termina com a morte[v]. São Paulo fala-nos dum encontro com Cristo imediatamente depois da morte: «tenho o desejo de partir e estar com Cristo»[vi]. Com Ele, espera-nos depois da morte aquilo que Deus preparou para aqueles que O amam[vii].

De forma muito bela, assim se exprime o prefácio da Missa dos Defuntos: «Se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a promessa da imortalidade. Para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma».
Com efeito, «os nossos entes queridos não desapareceram nas trevas do nada: a esperança assegura-nos que eles estão nas mãos bondosas e vigorosas de Deus».
Uma maneira de comunicarmos com os seres queridos que morreram é rezar por eles.
Diz a Bíblia que «rezar pelos mortos» é «santo e piedoso»[viii]. Rezar por eles «pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor».[ix]

O Apocalipse apresenta os mártires a interceder pelos que sofrem injustiça na terra[x], solidários com este mundo em caminho. Alguns Santos, antes de morrer, consolavam os seus entes queridos, prometendo-lhes que estariam perto ajudando-os.
Santa Teresa de Lisieux sentia vontade de continuar, do Céu, a fazer bem. E São Domingos afirmava que «seria mais útil, depois de morto (...), mais poderoso para obter graças».
São laços de amor, porque «de modo nenhum se interrompe a união dos que ainda caminham sobre a terra com os irmãos que adormeceram na paz de Cristo; mas (...) é reforçada pela comunicação dos bens espirituais».

Se aceitarmos a morte, podemos preparar-nos para ela.
O caminho é crescer no amor para com aqueles que caminham connosco, até ao dia em que «não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor»[xi].

Deste modo preparar-nos-emos também pera reencontrar os nossos entes queridos que morreram.

Assim, nesta linha[xii], é significativo o testemunho das carmelitas de que Santa Teresa prometera que a sua partida deste mundo havia de ser «como uma chuva de rosas»[xiii], [xiv] como Jesus entregou o filho que tinha morrido à sua mãe[xv], de forma semelhante procederá connosco.
Não gastemos energias, detendo-nos anos e anos no passado.
Quanto melhor vivermos nesta terra, tanto maior felicidade poderemos partilhar com os nossos entes queridos no céu.

Quanto mais conseguirmos amadurecer e crescer, tanto mais poderemos levar-lhes coisas belas para o banquete celeste.

(cont)

(revisão da versão portuguesa por AMA)


[i] Relatio Finalis 2015, 76; cf. Congr. para a Doutrina da Fé, Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais (3 de Junho de 2003), 4. 279 Relatio Finalis 2015, 80. 280 Cf. ibid., 20.
[ii] (cf. Jo 11, 33.35)
[iii] (Ct 8, 6)
[iv] (cf. Jo 20, 17)
[v] (cf. Sab 3, 2-3)
[vi] (Flp 1, 23)
[vii] (cf. 1 Cor 2, 9)
[viii] (2 Mac 12, 44.45)
[ix] Francisco, Catequese (17 de Junho de 2015): L’Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 18/VI/2015), 16. 284 Ibidem. 285 Cf. Catecismo da Igreja Católica, 958.
[x] (cf. 6, 9-11)
[xi] (Ap 21, 4)
[xii] Cf. «Últimos colóquios: “Caderno Amarelo” da Madre Inês» (17 de Julho de 1897): Opere complete (Cidade do Vaticano 1997), 1028.
[xiii] (Ibid., 9 de Junho de 1897: o. c., 991).
[xiv] Jordão de Saxónia, Libellus de principiis Ordinis predicatorum, 93: Monumenta Historica Sancti Patris Nostri Dominici, XVI, (Roma 1935), 69. 289 Cf. Catecismo da Igreja Católica, 957. 290 Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm sobre a Igreja Lumen gentium, 49
[xv] (cf. Lc 7, 15)

04/04/2019

El Reto del Amor










por El Reto del amor

Evangelho e comentário



TEMPO DA QUARESMA


  
Evangelho: Jo 5, 31-47

31 «Se Eu testemunhasse a favor de mim próprio, o meu testemunho não teria valor; 32 há outro que testemunha em favor de mim, e Eu sei que o seu testemunho, favorável a mim, é verdadeiro. 33 Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. 34 Não é, porém, de um homem que Eu recebo testemunho, mas digo-vos isto para vos salvardes. 35 João era uma lâmpada ardente e luminosa, e vós, por um instante, quisestes alegrar-vos com a sua luz. 36 Mas tenho a meu favor um testemunho maior que o de João, pois as obras que o Pai me confiou para levar a cabo, essas mesmas obras que Eu faço, dão testemunho de que o Pai me enviou. 37 E o Pai que me enviou mantém o seu testemunho a meu favor. Nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu rosto, 38 nem a sua palavra permanece em vós, visto não crerdes neste que Ele enviou. 39 Investigai as Escrituras, dado que julgais ter nelas a vida eterna: são elas que dão testemunho a meu favor. 40 Vós, porém, não quereis vir a mim, para terdes a vida! 41 Eu não ando à procura de receber glória dos homens; 42 a vós já vos conheço, e sei que não há em vós o amor de Deus. 43 Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me recebeis; se outro viesse em seu próprio nome, a esse já o receberíeis. 44 Como vos é possível acreditar, se andais à procura da glória uns dos outros, e não procurais a glória que vem do Deus único? 45 Não penseis que Eu vos vou acusar diante do Pai; há quem vos acuse: é Moisés, em quem continuais a pôr a vossa esperança. 46 De facto, se acreditásseis em Moisés, talvez acreditásseis em mim, porque ele escreveu a meu respeito. 47 Mas, se vós não acreditais nos seus escritos, como haveis de acreditar nas minhas palavras?»

Comentário:

Jesus não deixa sem resposta as questões levantadas pelos Seus opositores e, naturalmente que o faz para esclarecer os muitos que O ouvem.

Sabe de sobejo que para os fariseus e escribas não lhes interessam para nada as Suas respostas, estão de tal forma aferrados aos seus próprios conceitos que nem sequer as ouvem.

Aliás, talvez, até, preferissem que o Senhor não respondesse.

Mas O senhor não pode perder o ensejo para esclarecer e doutrinar com segurança e radicalidade absolutas expondo a verdade tal qual é.

(AMA, comentário sobre Jo 5, 31-47, 08.01.2019)

Temas para reflectir e meditar

Sofrimento 


Acredito que o sofrimento é uma componente importante da vida humana, e que sem ele nunca faríamos nada. 
Procuramos sempre fugir ao sofrimento. Fazemo-lo de milhões de manei­ras diferentes, mas tal nunca funciona plenamente. 

Assim cheguei à conclusão que, se as circunstâncias o permitirem, devemos, pelo menos, tentar encontrar um caminho que per­mita ao ser humano suportar o sofrimento inevitável, que é o destino de qualquer existência humana. 
Quando alguém consegue, pelo menos, suportar o sofrimento, realizou já uma tarefa quase sobre-humana. Tal pode proporcionar-lhe um de­terminado grau de sorte ou satisfação.


(Carl G. JungCartas I, Olten, 1972, Petrópolis, Vozes, 2003, p. 299)

Reflexão - O que posso fazer?


O que posso fazer?

Por vezes debato-me com esta pergunta que me surge a propósito de algo que, à primeira vista, será algo estranho, insólito ou, pelo menos, fora do âmbito onde me movo.

Sim… o que posso fazer?

Que conhecimentos, habilitações, ou autoridade, tenho, para me “meter num assunto” que parece não me dizer respeito directamente?
E porque sinto que tenho de fazer alguma coisa, intervir seja de que modo for, para sossegar o meu espírito e a minha vontade de ser útil, solidário, interessado?

Será que a minha missão neste mundo passa por aí, quer dizer, intervir sem mais, sem esperar convite ou desafio, mas apenas porque entendo que é minha obrigação fazê-lo?

Será que os outros, nomeadamente a quem o assunto diz respeito, esperam isso de mim?
Terão alguma expectativa sobre o que penso ou faço para resolver – ou pelo menos ajudar a resolver – essa questão?
Mereço essa confiança?
Existe da parte dos outros essa expectativa?

Na verdade penso que tenho de responder positivamente a todas essas questões mesmo sem me preocupar se tenho ou não aptidões para tal.
Talvez espere por um convite que poderá surgir de forma “muda”, sem formalidade nem uma solicitação expressa.
Mas, tal, não tem de acontecer dessa forma tão clara e evidente.
Se alguém me conta algo, um problema, me revela uma dificuldade, me expõe uma dúvida, seguramente que o faz não para me informar mas, para que eu possa dar o meu contributo – seja conselho ou opinião – sobre o que me revela.
Se não porque o faria?
Se alguém me diz simplesmente: ‘Estou triste’ sem acrescentar o que for, não esperará de mim uma pergunta simples: ‘Porquê?’
É evidente que sim, ninguém anuncia a outro um estado de alma sem ser para tentar obter uma resposta que revele interesse e, possivelmente, ajuda.

O que posso fazer?

Muito! Posso – e devo – fazer muito.

(AMA, reflexão, 20.10.2018)

Se vês claramente o teu caminho, segue-o


Porque não te entregas a Deus de uma vez..., de verdade..., agora?! (Caminho, 902)

Se vês claramente o teu caminho, segue-o. – Por que não repeles a cobardia que te detém? (Caminho, 903)

"Ide, pregai o Evangelho... Eu estarei convosco...". – Isto disse Jesus... e disse-to a ti. (Caminho, 904)

"Et regni ejus non erit finis". – O seu Reino não terá fim!

Não te dá alegria trabalhar por um reinado assim? (Caminho, 906)

"Nesciebatis quia his quae Patris mei sunt oportet me esse?". – Não sabíeis que Eu devo ocupar-Me das coisas que dizem respeito ao serviço de meu Pai?

Resposta de Jesus adolescente. E resposta a uma mãe com a sua Mãe, que há três dias anda à sua procura julgando-O perdido. – Resposta que tem por complemento aquelas palavras de Cristo que São Mateus transcreve: "Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim". (Caminho, 907)

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






03/04/2019

El Reto del amor









por El Reto del amor

Evangelho e comentário



TEMPO DA QUARESMA





Evangelho: Jo 5, 17-30

17 Naquela altura Jesus replicou-lhes: «O meu Pai continua a realizar obras até agora, e Eu também continuo!» 18 Perante isto, mais vontade tinham os judeus de o matar, pois não só anulava o Sábado, mas até chamava a Deus seu próprio Pai, fazendo-se assim igual a Deus. 19 Jesus tomou, pois, a palavra e começou a dizer-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: o Filho, por si mesmo, não pode fazer nada, senão o que vir fazer ao Pai, pois aquilo que este faz também o faz igualmente o Filho. 20 De facto, o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que Ele mesmo faz; e há-de mostrar-lhe obras maiores do que estas, de modo que ficareis assombrados. 21 Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, também o Filho faz viver aqueles que quer. 22 O Pai, aliás, não julga ninguém, mas entregou ao Filho todo o julgamento, 23 para que todos honrem - o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou. 24 Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não é sujeito a julgamento, mas passou da morte para a vida. 25 Em verdade, em verdade vos digo: chega a hora - e é já - em que os mortos hão-de ouvir a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão, 26 pois, assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também deu ao Filho o poder de ter a vida em si mesmo; 27 e deu-lhe o poder de fazer o julgamento, porque Ele é Filho do Homem. 28 Não vos assombreis com isto: é chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão-de ouvir a sua voz, 29e sairão: os que tiverem praticado o bem, para uma ressurreição de vida; e os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de condenação. 30 Por mim mesmo, Eu não posso fazer nada: conforme ouço, assim é que julgo; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a daquele que me enviou.»

Comentário:

Nós, cristãos de hoje, compreendemos perfeitamente estas palavras de Jesus que, talvez, aos que O ouviam naquela altura, não fossem muito esclarecedoras.

Compreendemos por que sabemos que Jesus Cristo é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade e que, esta, tem um só querer, uma só vontade, um só desígnio ou seja, o que é do pai é do Filho e do Espírito Santo.

Então porquê estas palavras de Jesus?

Pois, para que os circunstantes compreendessem e acreditassem que Ele, o Messias Salvador, era Deus Verdadeiro.

(AMA, comentário sobre Jo 5, 17-30, 14.03.2018)

Temas para reflectir e meditar

Frutos do sofrimento

Na narrativa de Job, Deus alterou o seu destino, precisamente quando ele «rezava pelos seus inimigos» (Jb 42,10).

Quando alguém, no seu sofrimento, renuncia à miséria própria e utiliza a sua debilidade para rezar pelos outros, é o seu destino que se altera. Confere um significado ao sofrimento. E, desse modo, a sua vida torna-se, de repente, diferente.
Torna-se útil para os outros.

(Anselm Grun, A incompreensível existência de Deus, Paulinas, p. 82)