09/11/2018

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 
Vida de São Francisco de Assis

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 13

Os sagrados estigmas

7. Nas terras em volta do monte Alverne, antes que o santo viesse morar aí temporariamente, as colheitas todos os anos eram destruídas por violentas tempestades de granizo, provocadas por uma nuvem que se elevava sobre o monte.
Mas depois daquela grandiosa e santa aparição, para espanto dos moradores, não mais ocorreu chuva de granizo.
Evidentemente o próprio aspecto do céu sereno reflectia também a grandeza daquela visão e a virtude taumatúrgica dos estigmas, que Francisco aí recebera.
Sucedeu que, indo Francisco montado num jumentinho de propriedade de um homem pobre, por causa da sua fraqueza física e da aspereza do caminho, em tempo de inverno, teve que pernoitar sob um rochedo mais saliente para fugir de algum modo à inclemência da noite e da neve que caía, e em razão das quais não lhe fora possível chegar ao convento.
O santo ouvia aquele homem queixar-se em voz baixa, movendo-se continuamente de um lado para outro tolhido de frio, desagasalhado e sem poder descansar um só momento, e, cheio de santa caridade, estendeu a mão ao pobre homem e tocou-o.
Prodígio inaudito!
Ao contacto daquela mão, inflamada no fogo do amor divino, desapareceu completamente o frio daquele homem, que sentiu dentro e fora de si um calor tão intenso, como se viesse sobre ele a chama de um fogo ardente.
Confortado, pois, no corpo e na alma, dormiu tão tranquilamente até de manhã entre aqueles penhascos cobertos de neve, como jamais conseguiria num leito macio conforme ele mesmo afirmou mais tarde.
São esses indícios certos que provam que os estigmas tiveram sua origem no poder daquele que, por intermédio dos serafins, purifica, ilumina e inflama, pois deram ao santo o poder de curar livrando da peste, de dar claridade ao céu e aos corpos calor.
Outros prodígios realizados após a sua morte e referidos mais adiante vêm reforçar esta convicção com toda evidência.

8. Os estigmas eram para ele o “tesouro descoberto num campo(cf. Mt 13,44) e que ele tinha o sumo cuidado de ocultar.
Mas não conseguiu escondê-los por muito tempo, apesar de trazer as mãos sempre cobertas e os pés continuamente calçados.
De facto muitos irmãos os viram durante a vida do santo. E embora tais irmãos fossem dignos de toda fé por sua extraordinária santidade, assim mesmo, para se descartar qualquer dúvida, juraram sobre os santos Evangelhos, afirmando ser certo que os tinham visto.
Viram-nos igualmente, por ocasião da íntima familiaridade que tinham com o santo, alguns cardeais, que deixaram, em prosa, hinos e antífonas em honra de Francisco, louvores às chagas do santo, dando fiel testemunho delas por escrito e pela palavra.
O Sumo, Pontífice Alexandre IV, enfim, num sermão feito na presença de inúmeros irmãos e de mim mesmo, afirmou ter visto com seus próprios olhos os sagrados estigmas no tempo em que o santo ainda vivia.
Após sua morte, mais de cinquenta irmãos puderam contemplá-los, como Clara, a virgem devotíssima, suas Irmãs e inúmeros fiéis, dentre os quais muitos os beijaram devotamente, como veremos mais adiante, e os tocaram com suas mãos a fim de se convencer da verdade.
A chaga do lado, porém, ocultava-a ele com tanto cuidado, que aqueles que a viram só o conseguiram furtivamente. Um dos irmãos que o servia habitualmente e com muita delicadeza, usando um piedoso estratagema, conseguiu que ele tirasse a túnica sob pretexto de a sacudir, o que lhe permitiu observar a chaga com atenção e rapidamente aplicar três dedos tomando assim a medida daquela ferida pela vista e pelo tacto.
Graças a um artifício semelhante, o irmão que era então seu vigário também conseguiu observá-la.
Um irmão de uma simplicidade admirável lhe esfregava certo dia as espáduas doentes; a sua mão por descuido atingiu-o no local da chaga, causando-lhe uma dor bastante forte.
Por isso desde então usava, para proteger o ferimento, roupas íntimas que lhe chegavam até as axilas.
Os irmãos encarregados de lavá-las e sacudir a sua túnica periodicamente viam-nas manchadas de sangue.
Por tais indícios lhes foi revelada a sagrada chaga que a seguir puderam contemplar às claras e venerar com todos os outros depois da morte de Francisco.

9. Empunha, portanto, valente soldado de Cristo, as armas desse chefe invencível, com as quais, fortalecido e assinalado, poderás vencer a todos os inimigos!
Levanta o estandarte do Rei altíssimo, a cuja vista recuperem força e valor todos os esquadrões do exército celeste. Exibe diante do mundo o selo do Sumo Pontífice, Cristo, e assim tenham todos com razão por autênticas e irrefutáveis tuas acções e palavras. Pois, sem dúvida alguma, por causa das chagas de Cristo Jesus que levas em teu corpo, ninguém te seja molesto, mas todos os servos de Cristo estão obrigados a ter para contigo particular devoção.
Por esses sinais indubitáveis, que não só receberam a comprovação necessária dos dois ou três testemunhos, mas que foram reconhecidos superabundantemente por um grande número de pessoas, se demonstra que os testemunhos de Deus tornaram-se tão dignos de crédito em ti e por ti, que aos incrédulos não há lugar para desculpas que justifiquem sua conduta, mas, ao contrário, se firma a fé dos crentes, aumentam os sólidos motivos de esperança e se acende mais e mais o fervor da caridade.

10. A tua primeira visão realizou-se, anunciando que serias um dos chefes do exército de Cristo, munido pelo céu com as armas da cruz.
A visão que tiveste de Jesus crucificado realizou-se e foi ai que traspassou tua alma; e também se realizou aquela visão em que ouviste a voz que vinha da cruz como do trono e do altar onde Cristo residia, como nós cremos sem hesitar.
Realizou-se a visão de Frei Silvestre: a cruz maravilhosa que saía de tua boca.
Como também a de Frei Pacífico: as duas espadas cruzadas que traspassavam teu corpo; e a do angélico Frei Monaldo, que te viu elevado no ar, braços em cruz, durante o sermão de Santo António sobre o título que encima a cruz: visões, essas, que não eram imaginações mas revelações do céu e às quais damos nossa fé mais irrestrita.
Realizou-se enfim essa visão simultânea de um sublime serafim e de um humilde crucificado que, abrasando a tua alma de amor e marcando o teu corpo com estigmas, transformou-te no segundo anjo que sobe do Oriente e leva o sinal do Deus vivo (Ap 7,2); ela confirma as anteriores e delas recebe um testemunho acrescido.
Sete vezes, portanto, a cruz de Cristo aparece a teus olhos ou é revelada em tua pessoa aos olhos dos teus companheiros.
As seis primeiras eram como degraus para chegares à sétima na qual enfim repousaste.
Essa cruz de Cristo, efectivamente, te foi proposta no início da tua conversão e a aceitaste.
Levaste-a continuamente em seguida durante tua vida de perfeição e deste dela um exemplo aos outros.
E agora ela nos mostra com tal evidência tua chegada ao cume da perfeição do Evangelho, que nenhum homem verdadeiramente religioso poderá rejeitar, nenhum homem realmente fiel poderá atacar, nenhum homem efectivamente humilde poderá desprezar essa prova da sabedoria cristã escrita em tua carne.

Ela é digna de nosso respeito e de nossa fé, pois é obra do próprio Deus.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

El Reto del amor





por El Reto Del Amor

Evangelho e comentário


Tempo comum
Evangelho 


Dedicação da Basílica de Latrão

Evangelho: Jo 2, 13-22

13 Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 14 Encontrou no templo os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas nos seus postos. 15 Então, fazendo um chicote de cordas, expulsou-os a todos do templo com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas dos cambistas pelo chão e derrubou-lhes as mesas; 16 e aos que vendiam pombas, disse-lhes: «Tirai isso daqui. Não façais da Casa de meu Pai uma feira.» 17 Os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devora. 18 Então os judeus intervieram e perguntaram-lhe: «Que sinal nos dás de poderes fazer isto?» 19 Declarou-lhes Jesus, em resposta: «Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!» 20 Replicaram então os judeus: «Quarenta e seis anos levou este templo a construir, e Tu vais levantá-lo em três dias?» 21 Ele, porém, falava do templo que é o seu corpo. 22 Por isso, quando Jesus ressuscitou dos mortos, os seus discípulos recordaram-se de que Ele o tinha dito e creram na Escritura e nas palavras que tinha proferido.

Comentário:

Poucas vezes Jesus Cristo Se mostra como uma pessoa intransigente ou, incapaz de aceitar comportamentos humanos que de alguma forma O magoam sobremaneira.

Mas, quando a situação se impõe, não deixa de o fazer como se demonstra neste trecho de São João.

Por exemplo, Jesus nunca consentirá que dos insultos e acusações mais soezes seja “atacado” na Sua pureza.

Admiramo-nos que a “paciência” de Jesus tenha limites?

Não, pelo contrário, espanta-nos a Sua paciência, esmaga-nos a Sua humildade, assombra-nos o Seu perdão.

(AMA, comentário sobre Jo 2, 13-22, 04.03.2018)




Não basta seres bom; tens de parecê-lo


Não basta seres bom; tens de parecê-lo. Que dirias tu de uma roseira que não produzisse senão espinhos? (Sulco, 735)

Compreendeste o sentido da amizade quando te sentiste como pastor de um pequeno rebanho, que tinhas abandonado, e que procuras agora reunir novamente, disposto a servir cada um. (Sulco, 730)

Não podes ser um elemento passivo. Tens de converter-te em verdadeiro amigo dos teus amigos: ajudá-los! Primeiro, com o exemplo da tua conduta. E, depois, com o teu conselho e com o ascendente que a intimidade dá. (Sulco, 731)

Pensa bem nisto, e age em conformidade: essas pessoas, que te acham antipático, deixarão de pensar assim quando repararem que as amas deveras. Depende de ti. (Sulco, 734)

Consideras-te amigo porque não dizes uma palavra má. É verdade; mas também não vejo em ti uma obra boa de exemplo, de serviço...
– Estes são os piores amigos. (Sulco, 740)

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 103



Estamos a falar de Crucifixo e convém ter presente que, ao contrário do que hoje parece ser "moda", o Crucifixo não é um objecto de adorno ou decoração.

É, repito, um símbolo da Fé Cristã que merece todo o respeito e veneração.

É nossa obrigação e dever chamar a atenção das pessoas que parecem não se dar conta desta realidade.

Tal com costumamos trazer connosco fotografias de pessoas que nos são intimamente queridas, trazer connosco o Crucifixo é trazer como que a Imagem de Alguém muito íntimo e objecto do nosso amor mais verdadeiro.
Sem aparato, com recatada discrição, beijemo-lo muitas vezes ao dia numa manifestação da ternura e carinho que O nosso Salvador nos merece.

Em cada beijo depositamos a nossa confiança na Sua protecção e guia seguro pelos caminhos que devemos trilhar.

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





08/11/2018

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 13

Os sagrados estigmas

1. O angélico Francisco não tinha por hábito descansar enquanto estivesse à procura do bem, mas, como os espíritos angélicos na escada de Jacob, ou subia até Deus ou descia até ao próximo.
O tempo que lhe fora concedido para obter méritos aprendera, Francisco a dividi-lo prudentemente: uma parte destinava às fadigas apostólicas em beneficio do próximo e outra à tranquilidade e aos êxtases da contemplação.
Depois de trabalhar pela salvação dos outros, de modo variado segundo as exigências de tempo e lugar, afastava-se das multidões e de seu tumulto, procurava na solidão um lugar tranquilo para pensar no Senhor em plena liberdade de espírito e sacudir a poeira que pudesse aderir à alma durante sua passagem entre os homens.
Após múltiplos trabalhos, enfim, Francisco foi conduzido pela divina Providência, dois anos antes da morte, até ao eremitério muito alto chamado monte Alverne.
Tinha começado, segundo seu costume, o jejum quaresmal em honra de São Miguel, quando começou a sentir-se inundado de extraordinária suavidade na contemplação, aceso da mais viva chama de desejos celestes, cumulado das mais copiosas graças do céu.
Elevava-se àquelas alturas não como um importuno perscrutador da majestade excelsa, que deveria ser esmagado por sua glória (cf. Pr 25,27), mas como servo fiel e prudente que procurava indagar a vontade de seu Deus, à qual desejava conformar-se totalmente.

2. Por revelação divina, teve a sua alma conhecimento de que, abrindo o livro dos santos Evangelhos, Jesus Cristo lhe manifestaria de que modo deveria agir para ser mais agradável a Deus em si e em todas as coisas.
Com fervorosa oração, pois, se preveniu e depois mandou um dos seus companheiros, homem devoto e de grande santidade, tomar o livro dos Evangelhos e abri-lo três vezes em honra da Santíssima Trindade.
E como todas as vezes que se abriu o livro ocorreram as páginas em que se fala da paixão de Cristo, logo compreendeu Francisco que, da mesma forma como havia imitado a Cristo nos principais actos da sua vida, assim também devia conformar-se com ele nos sofrimentos e dores da paixão, antes de abandonar esta vida mortal.
Não se intimidou.
Muito pelo contrário, embora esgotado pelas austeridades e pela cruz do Senhor que ele levara até aí, sentiu-se animado de um novo vigor para submeter-se a esse martírio.
O incêndio do amor triunfava em belas chamas de fogo: rios d’água não poderiam extinguir uma caridade tão intensa (cf. Ct 8;6-7).

3. Assim transportado em Deus pelo desejo de seráfico ardor e transformado, por compaixão, naquele que, em seu excesso de amor, quis ser crucificado, rezava um dia num lado do monte, estando próxima a festa da Exaltação da Santa Cruz; e eis que ele viu descer do alto do céu um serafim de seis asas brilhantes como fogo.
Num rápido voo chegou ele ao lugar onde estava o homem de Deus, e apareceu então um personagem entre as asas: era um homem crucificado, com as mãos e os pés estendidos e presos a uma cruz.
Duas asas se erguiam por cima da sua cabeça, duas outras desdobradas para o voo e as duas outras cobriam-lhe o corpo.
Essa aparição fez Francisco mergulhar num profundo êxtase, enquanto em seu coração sentia um gozo extraordinário mesclado com certa dor.
Porque, em primeiro lugar, via-se inundado de alegria com aquele admirável espectáculo, no qual se gloriava de contemplar a Cristo sob a forma de um serafim, mas ao mesmo tempo a vista da cruz atravessava sua alma com a espada de uma dor compassiva.
Era grande, a sua admiração diante de semelhante visão, pois não ignorava que os sofrimentos da paixão eram incompatíveis com a imortalidade dos espíritos celestes.
Veio então a conhecer por revelação divina que essa visão lhe havia sido providencialmente apresentada para que, como amante de Cristo, compreendesse que devia transformar-se totalmente nele, não tanto pelo martírio corporal quanto pelas chamas de amor de seu espírito.
Ao desaparecer aquela visão, deixou no coração de Francisco um ardor admirável e imprimiu em seu corpo uma imagem não menos maravilhosa, pois no mesmo instante começaram a aparecer nas suas mãos e pés os sinais dos cravos, iguais em tudo ao que antes havia visto na imagem do serafim crucificado.
E assim era na verdade, porque as suas mãos e pés estavam atravessados no meio por grossos cravos, cuja cabeça aparecia na parte interior das mãos e superior dos pés, ficando as pontas aparecendo do outro lado.
A cabeça dos cravos era redonda e negra; as pontas, bastante longas e afiadas e com evidentes sinais de haver sido retorcidas, resultando daí que os cravos sobressaíam do resto da carne.
De igual modo, no lado direito do corpo do santo aparecia, como formada por uma lança, uma cicatriz vermelha, da qual brotava às vezes tanto sangue que chegava a umedecer a túnica e as roupas internas.

4. Era impossível esconder por muito tempo aos irmãos com quem vivia os estigmas impressos de modo tão visível; o servo de Cristo compreendia essa realidade, mas temia que se divulgasse desse modo o segredo do Senhor, e a sua alma ficou numa angustiosa incerteza, não sabendo se devia manifestar ou ocultar a visão que tivera.
Chamou, então, a alguns de seus irmãos, e falando-lhes em termos gerais, propôs-lhes sua dúvida e pediu-lhes conselho.
Um deles, chamado Iluminado, compreendendo que algo extraordinário Francisco teria visto, pois se notava nele certa admiração e confusão, disse-lhe:
“Caríssimo irmão, deves saber que te são revelados algumas vezes certos segredos divinos não só para teu benefício como também para proveito dos outros. Deves temer, portanto, que, se ocultas as graças que recebeste para utilidade de teus semelhantes, sejas julgado digno de repreensão como defraudador dos talentos recebidos”.
Ao ouvir essas palavras, ficou o santo comovido, pois costumava dizer: “Meu segredo é para mim!”
Então julgou não sem temor que deveria referir detalhadamente a visão que tivera, acrescentando que aquele que lhe aparecera várias vezes lhe revelou algumas coisas que jamais daria a conhecer a mortal algum enquanto vivesse.
Devemos, pois, supor que essas palavras do serafim em cruz são tão profundas e misteriosas que fazem parte daquelas de que o Apóstolo afirma: “Não é permitido aos homens repeti-las”.

5. Dessa forma o verdadeiro amor de Cristo transformara o amante na própria imagem do amado.
Completaram-se então os quarenta dias que ele se propusera passar na solidão e chegou a solenidade do arcanjo São Miguel.
Por isso Francisco desceu do monte trazendo em si a imagem do Crucificado, não porém esculpida em tábuas de pedra ou de madeira por mão de algum artífice, mas marcada na sua carne pelo dedo de Deus vivo.
Sabendo que “é coisa boa esconder o segredo do rei” (Tb 12,7), ele, sabedor do real segredo, ocultava o mais possível aqueles sinais sagrados.
Cabe, porém, a Deus revelar para a própria glória os prodígios que ele realiza e por isso o próprio Deus que imprimira aqueles sinais ocultamente, os tornou conhecidos através dos milagres, a fim de que a força oculta e maravilhosa daqueles estigmas se revelasse claramente pelos sinais.

6. Na província de Rieti, grassava uma epidemia gravíssima que exterminava os bois e ovelhas, sem possibilidade de remédio.
Mas um homem temente a Deus certa noite teve uma visão, em que lhe exortavam a que se dirigisse às pressas ao eremitério dos irmãos, onde então morava o servo de Deus, pegasse a água com que Francisco se havia lavado e aspergisse com ela todos os animais. De manhã cedo foi aquele homem ao eremitério e às escondidas obteve dos irmãos a água, aspergiu com ela os animais doentes.
Que maravilha!.
Apenas a água chegava a tocá-los, estes, que pelo rigor da doença se achavam prostrados quase sem vida em terra, recobravam o antigo vigor, levantavam-se no mesmo instante e como se nenhum mal os afectasse, corriam rápidos a matar a fome nos campos.
A força extraordinária daquela água que tocara as chagas de Francisco fez com que cessasse a praga e desaparecesse do gado a epidemia.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

el Reto del amor






por El Reto Del Amor

Evangelho e comentário


Tempo comum



Evangelho: Lc 15, 1-10

1  Aproximavam-se dele todos os cobradores de impostos e pecadores para o ouvirem. 2  Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: «Este acolhe os pecadores e come com eles.» 3 Jesus propôs-lhes, então, esta parábola: 4 «Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? 5 Ao encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros 6e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.’ 7 Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.» 8 «Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? 9 E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.’ 10 Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.»

Comentário:

Esta alegria do pai que vê regressar o filho à casa paterna donde se afastou por vontade própria está bem espelhada nos exemplos da dracma perdida e da ovelha tresmalhada e, magistralmente, na parábola do filho pródigo.

Há, contudo, uma diferença entre as duas primeiras e esta última.

Naquelas é o pastor e a dona de casa que deixam tudo para recuperar o que estava perdido, nesta última é o próprio extraviado que regressa por decisão própria.

O que está presente. nos três exemplos que dou é a alegria do reencontro, da recuperação do perdido.

Alegria tão grande que não pode reservar-se, tem de se comunicar aos outros.

É esta mesma alegria que cada um de nós sente quando pela nossa oração e acção, alguém arrepia caminho e volta ao convívio da Igreja.

Valem, pois, a pena todos os nossos esforços nesse trabalho de apostolado.

(ama, comentário sobre Lc 15, 1-10, 2016.11.03)




O trabalho é caminho de santificação


A conversão é coisa de um instante. – A santificação é obra de toda a vida. (Caminho, 285)

O Opus Dei propõe-se promover, entre pessoas de todas as classes da sociedade, o desejo da plenitude de vida cristã no meio do mundo. Isto é, o Opus Dei pretende ajudar as pessoas que vivem no mundo – o homem vulgar, o homem da rua – a levar uma vida plenamente cristã, sem modificar o seu modo normal de vida, o seu trabalho habitual, nem os seus ideais e preocupações.
Por isto se pode dizer, como escrevi há muitos anos, que o Opus Dei é velho como o Evangelho e, como o Evangelho, novo. Trata-se de recordar aos cristãos as palavras maravilhosas que se lêem no Génesis: que Deus criou o homem para trabalhar. Pusemos os olhos no exemplo de Cristo, que passou quase toda a sua vida terrena trabalhando como artesão numa terra pequena. O trabalho não é apenas um dos mais altos valores humanos e um meio pelo qual os homens hão-de contribuir para o progresso da sociedade; é também um caminho de santificação. (...)
O Opus Dei é uma organização internacional de leigos, a que pertencem também sacerdotes diocesanos (minoria bem exígua em comparação com o total de membros). Os seus membros são pessoas que vivem no mundo e nele exercem uma profissão ou ofício. Não entram no Opus Dei para abandonar esse trabalho, mas, pelo contrário, para encontrar uma ajuda espiritual que os leve a santificar o seu trabalho quotidiano, convertendo-o também em meio de santificação, sua e dos outros. Não mudam de estado: continuam a ser solteiros, casados, viúvos, ou sacerdotes; procuram, sim, servir Deus e os outros homens, dentro do seu próprio estado. Ao Opus Dei, não interessam votos nem promessas; o que pede aos seus sócios é que, no meio das deficiências e erros, próprios de toda a vida humana, se esforcem por praticar as virtudes humanas e cristãs, sabendo-se filhos de Deus. (Temas Actuais do Cristianismo, 24).

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 102 



Para muitos continua a ser um sinal de derrota de Jesus Cristo. (como naquele conhecido filme em que o Chaka Zulu se admira quando um dos ingleses sobrevivente da terrível batalha lhe explica que o Crucifixo que traz ao peito é a imagem do seu Deus, perguntando como era possível alguém ter como Deus um crucificado!

Quem se lembra do filme tem presente o esforço do oficial inglês em explicar ao selvagem quem era Cristo e o Seu Reino.

Trabalho insano e sem grande resultado, mas que ilustra bem a preocupação apostólica que qualquer cristão deve ter sejam as circunstâncias o que forem.

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






07/11/2018

Doutrina – 458

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
Compêndio


PRIMEIRA SECÇÃO
A ECONOMIA SACRAMENTAL


CAPÍTULO SEGUNDO

A CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MISTÉRIO PASCAL


CELEBRAR A LITURGIA DA IGREJA

Pergunta:

237. Donde provêm os sinais sacramentais?

Resposta:

Alguns provêm da criação (luz, água, fogo, pão, vinho, óleo); outros da vida social (lavar, ungir, partir o pão); outros da história da salvação na Antiga Aliança (os ritos da Páscoa, os sacrifícios, a imposição das mãos, as consagrações). Estes sinais, alguns dos quais são normativos e imutáveis, assumidos por Cristo tornam-se portadores da acção salvífica e de santificação.

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 
Vida de São Francisco de Assis)

SEGUNDA PARTE

CAPITULO 12

Eficácia de sua pregação e poder de curar

8. Aquilo que exigia dos outros por suas palavras já havia ele antes praticado por obras. Por isso não tinha medo de censores e pregava a verdade com suma coragem. Não costumava adular as culpas dos grandes, mas aplicava-lhes o ferro; nem dissimular a conduta dos pecadores, mas abatê-la com duras reprimendas.
Com a mesma firmeza de espírito falava aos pequenos e aos grandes e tinha a mesma alegria de falar a poucos e a muitos.
Pessoas de ambos os sexos e de todas as idades acorriam para ver e ouvir aquele homem novo que o céu deu ao mundo.
Peregrinava pelas várias regiões, anunciando com fervor o Evangelho; e “o Senhor cooperava, confirmando a Palavra com os milagres que a acompanhavam(Mc16,20).
De facto, em nome do Senhor, Francisco, pregador da verdade, expulsava os demónios, sarava os enfermos, e, prodígio ainda maior, com a eficácia da sua palavra, enternecia e movia à penitência os obstinados e ao mesmo tempo devolvia a saúde aos corpos e aos corações.
Provam-no alguns dos milagres realizados por ele, e que agora relataremos a título de exemplo.

9. Na cidade de Toscanella, foi ele acolhido devotamente como hóspede por um cavaleiro.
Atendendo à sua grande insistência, tomou o santo pela mão o seu filho único, raquítico desde o nascimento, e imediatamente lho restituiu completamente são: aos olhos de todos enrijaram-se no mesmo instante os membros daquele corpinho e a criança levantou-se sã e forte, “caminhando, saltando e louvando a Deus(At 3,8).
Em Narni havia um paralítico inteiramente privado do uso dos membros. A pedido do bispo, fez Francisco sobre o doente um grande sinal-da-cruz, desde a cabeça até aos pés... O enfermo levantou-se completamente curado.
Na diocese de Rieti, apresentou-se a ele uma mãe desolada: o filho tinha o ventre tão inchado por causa da hidropisia que, ao colocá-lo de pé, ele não conseguia ver os pés. Sofria assim desde os quatro anos de idade.
O santo tocou-o e o inchaço desapareceu.
Em Orte, havia uma criança tão engelhada, que a cabeça tocava os pés e tinha também alguns ossos quebrados; os infelizes pais rogaram ao santo que a curasse, e este, com um sinal-da-cruz, restituiu-lhe imediatamente, com a saúde do corpo, a posição natural, sem nenhum vestígio de deformidade.

10. Na cidade de Gúbio, vivia uma mulher que tinha as mãos secas e contorcidas, nada podendo fazer com elas.
Mas Francisco traçou sobre elas o sinal-da-cruz em nome do Senhor e elas, ficaram tão perfeitamente sãs, que ela de volta para casa pôde preparar sozinha, como outra sogra de São Pedro, sua própria comida e a dos pobres.
Em Bevagna, Francisco aplicou numa menina completamente cega por três vezes um pouco de saliva sobre os olhos em nome da Santíssima Trindade e a criança recuperou a visão tão desejada.
Em Narni, uma mulher, também cega, reviu a luz do dia, graças ao sinal-da-cruz que o santo traçou sobre ela.
Em Bolonha, uma criança tinha um dos olhos coberto por uma mancha e: não via absolutamente nada. Não havia remédio que a curasse. Mas depois que o servo de Deus lhe fez o sinal-da-cruz, desde a cabeça até aos pés, recuperou perfeitamente a vista.
Em seguida entrou para a Ordem dos Frades Menores e dizia que via melhor com o olho curado do que com aquele que sempre estivera são.
Em San Gemini, o servo de Deus recebeu hospitalidade em casa de um homem piedoso, cuja mulher era atormentada pelo demónio.
Depois de rezar, ordenou ao demónio, em virtude da obediência, que deixasse aquela mulher, e o pôs de tal modo em fuga, que ficou demonstrado claramente que a obstinação dos demónios não resiste à virtude da santa obediência.
Em Città di Castello, uma mulher estava possessa de um espírito mau e furioso.
Apenas o santo ordenou ao demónio em nome da obediência, e este saiu, cheio de raiva, deixando livre o corpo e o espírito da mulher até então dominada por ele.

11. Um irmão encontrava-se atormentado por uma grave e estranha enfermidade.
Na opinião de muitos, tratava-se de possessão diabólica e não de doença natural.
Muitas vezes caía de cabeça no chão e se revirava espumando, enquanto os membros ora se contraíam, ora se dilatavam com violência, ora disformemente dobrados, ora retorcidos e por fim rígidos e duros como uma pedra.
Em outras ocasiões assumia tal postura, que os pés se juntavam com a cabeça e nesta situação era alçado e lançado horrivelmente ao chão.
Compadecido o servo de Deus em ver esse infeliz vítima de tão grave e irremediável enfermidade, e cheio de misericórdia com ele, fez que lhe dessem um pedacinho de pão do mesmo que ele estava comendo. Tanta foi a força daquele pão sobre o enfermo, que daí em diante nunca mais foi atormentado por essa enfermidade.
No condado de Arezzo, uma mulher sofria, havia muitos dias, de dores de parto e se encontrava às portas da morte. Nessa situação desesperadora, não tinha mais remédio senão recorrer a Deus.
Em tal conjuntura, sucedeu que o servo de Cristo, montado num cavalo, por causa da sua enfermidade, chegou àquele lugar, coincidindo de passar exactamente pelo local onde se encontrava a doente.
Ao verem os moradores daquele povoado o cavalo sobre o qual ia montado Francisco, apressaram-se a tirar-lhe o freio que aplicaram logo à enferma com êxito tão estupendo, que a mulher deu à luz imediatamente, sem nenhum perigo nem dor.
Em Città della Pieve, certo homem piedoso e temente a Deus possuía um cordão que o santo havia usado à cintura.
Como muitos homens e mulheres nessa cidade viviam sofrendo de diversas doenças, este homem ia visitá-los e dava-lhes a beber da água em que mergulhava o cíngulo, e muitos assim ficaram curados.
Também os doentes que comiam do pão que o homem de Deus tocava ficavam logo curados por intervenção divina.

12. Tais milagres, e muitos outros ainda, davam à pregação de Francisco um efeito extraordinário, fazendo que as palavras do arauto de Deus fossem ouvidas como se pronunciadas por um anjo do céu. E assim era efectivamente, pois a prerrogativa de excelsas virtudes com que Deus o ornara, seu espírito de profecia, a eficácia de seus milagres, a ordem de pregar recebida do céu, a obediência que lhe prestavam os seres, irracionais, as transformações maravilhosas operadas por sua pregação apostólica, sua ciência não adquirida por estudos humanos mas infundida pelo Espírito Santo, a autorização para pregar que por revelação divina lhe concedeu o Romano Pontífice, além disso, a Regra por ele mesmo escrita, que define a forma da pregação, confirmada pelo mesmo Vigário de Cristo, e, por fim, as chagas do Rei celestial, impressas como sinal em seu corpo, são outros tantos testemunhos que provam a todos os séculos de modo indubitável que o arauto de Cristo,
Francisco, foi respeitável por seu oficio, autorizado por sua doutrina, admirável por sua santidade e assim pregou o Evangelho de Cristo como um verdadeiro enviado de Deus.

(cont

São Boaventura
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