04/04/2018

Leitura espiritual

Tema 29. A graça e as virtudes

A graça é a fonte da santificação; cura e eleva a natureza tornando-nos capazes de agir como filhos de Deus.
  
1. A graça

Deus chamou o homem a participar na vida da Santíssima Trindade. «Esta vocação para a vida eterna é sobrenatural» (Catecismo, 1998)[1]. Para nos conduzir a este fim último sobrenatural, concede-nos já nesta terra um início dessa participação que será plena no céu. Este dom é a graça santificante, que consiste num «começo da glória»[2]. Portanto, a graça santificante: - «é dom gratuito que Deus nos faz da sua vida, infundida pelo Espírito Santo na nossa alma, para a curar do pecado e a santificar» (Catecismo, 1999); - «é uma participação na vida de Deus» (Catecismo, 1997; cf. 2 Pe 1, 4) que nos diviniza (cf. Catecismo, 1999); - é, portanto, uma nova vida, sobrenatural; como um novo nascimento pelo qual somos constituídos filhos de Deus por adopção, participantes da filiação natural do Filho: «filhos no Filho»[3]; - introduz-nos, assim, na intimidade da vida trinitária. Como filhos adoptivos, podemos chamar «Pai» a Deus, em união com o Filho único (cf. Catecismo, 1997); - É “graça de Cristo”, porque na situação presente – quer dizer, depois do pecado e da Redenção operada por Jesus Cristo – a graça chega-nos como participação da graça de Cristo (Catecismo, 1997): «Da sua plenitude todos recebemos graça sobre graça”»(Jo 1, 16). A graça configura-nos com Cristo (cf. Rm 8, 29): - é «graça do Espírito Santo», porque é infundida na alma pelo Espírito Santo[4]. - À graça santificante chama-se também graça habitual porque é uma disposição estável que aperfeiçoa a alma pela infusão das virtudes, para torná-la capaz de viver com Deus, de actuar por seu amor (cf. Catecismo, 2000)[5].
2. A justificação

A primeira obra da graça em nós é a justificação (cf. Catecismo, 1989). Chama-se justificação à passagem do estado de pecado ao estado da graça (ou “de justiça”, porque a graça nos faz “justos”)[6]. Esta tem lugar no Baptismo, e cada vez que Deus perdoa os pecados mortais e infunde a graça santificante (ordinariamente no sacramento da penitência)[7]. A justificação «é a obra mais excelente do amor de Deus» (Catecismo, 1994; cf. Ef 2, 4-5).
3. A santificação

Deus não nega a ninguém a sua graça, porque quer que todos os homens se salvem (1 Tm 2, 4); todos estão chamados à santidade (cf. Mt 5, 48)[8]. A graça «é, em nós, a nascente da obra de santificação» (Catecismo, 1999); sara e eleva a nossa natureza tornando-nos capazes de actuar como filhos de Deus[9], e de reproduzir à imagem de Cristo (cf. Rm 8, 29): quer dizer, de ser, cada um, alter Christus, outro Cristo. Esta semelhança com Cristo manifesta-se nas virtudes. A santificação é o progresso em santidade; consiste na união cada vez mais íntima com Deus (cf. Catecismo, 2014), até chegar a ser não só outro Cristo mas ipse Christus, o próprio Cristo[10]; quer dizer, uma só coisa com Cristo, como membro seu (cf. 1 Cor 12, 27). Para crescer em santidade é necessário cooperar livremente com a graça, e isto requer esforço, luta, por causa da desordem introduzida pelo pecado (o fomes peccati). «Não há santidade sem renúncia e combate espiritual» (Catecismo, 2015)[11]. 
Consequentemente, para vencer na luta ascética, antes de mais é preciso pedir a Deus a graça mediante a oração e a mortificação – «a oração dos sentidos»[12] – e recebê-la nos sacramentos[13]. A união com Cristo só será definitiva no Céu. É necessário pedir a Deus a graça da perseverança final: quer dizer, o dom de morrer na graça de Deus (cf. Catecismo, 2016 e 2849).
4. As virtudes teologais

Em geral, «a virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem» (Catecismo, 1803)[14]. «As virtudes teologais referem-se directamente a Deus e dispõem os cristãos para viverem em relação com a Santíssima Trindade» (Catecismo, 1812). «São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus» (Catecismo, 1813)[15]. As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade (cf. 1 Cor 13, 13). A fé «é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a santa Igreja nos propõe para acreditarmos» (Catecismo, 1814). Pela fé «o homem entrega-se completa e livremente a Deus»[16], e esforça-se por conhecer e fazer a vontade de Deus (cf. Rm 1, 17)[17]. - «O discípulo de Cristo, não somente deve guardar a fé e viver dela, como também professá-la, dar testemunho dela e propagá-la» (Catecismo, 1816; cf. Mt 10, 32-33). «A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiandonos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo» (Catecismo 1817)[18]. «A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas por Ele mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus (Catecismo, 1822). Este é o mandamento novo de Jesus Cristo: «que vos ameis com eu vos amei» (Jo 15, 12)[19].
5. As virtudes humanas

«As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade, que regulam os nossos actos, ordenam as nossas paixões e guiam o nosso procedimento segundo a razão e a fé. Conferem facilidade, domínio e alegria para se levar uma vida moralmente boa. O Homem virtuoso é aquele que livremente pratica o bem» (Catecismo, 1804). Estas adquirem-se mediante as forças humanas e são os frutos e germes de actos moralmente bons» (Catecismo, 1804)[20]. Entre as virtudes humanas há quatro chamadas cardeais, porque todas as outras se agrupam à volta delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança (cf. Catecismo, 1805). - «A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir» (Catecismo, 1806). É a «norma recta da acção»[21]. - «A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido» (Catecismo 1807)[22]. - «A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa» (Catecismo, 1808)[23]. - «A temperança a virtude moral que modera a atracção dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade»[…] A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada “moderação”, ou “sobriedade”» (Catecismo, 1809). A respeito das virtudes morais, afirma-se que in médio virtus. Isto significa que a virtude moral consiste no meio entre um defeito e um excesso[24]. In médio virtus não é uma chamada à mediocridade. A virtude não é o termo médio entre dois ou mais vícios, mas a rectidão da vontade que, como num cume, se opõe a todos os abismos que são os vícios[25].
6. As virtudes e a graça. As virtudes cristãs

As feridas deixadas pelo pecado original na natureza humana dificultam a aquisição e o exercício das virtudes humanas (cf. Catecismo, 1811)[26]. Para adquiri-las e praticá-las, o cristão conta com a graça de Deus que sara a natureza humana.
Além disso, a graça, ao elevar a natureza humana a participar da natureza divina, eleva essas virtudes ao plano sobrenatural (cf. Catecismo, 1810), levando a pessoa humana a actuar segundo a recta razão iluminada pela fé: numa palavra, a imitar Cristo. Deste modo, as virtudes humanas tornam-se virtudes cristãs[27]
7. Os dons e os frutos do Espírito

«A vida moral dos cristãos é sustentada pelos dons do Espírito Santo. Estes são disposições permanentes que tornam o homem dócil aos impulsos do Espírito Santo» (Catecismo, 1830)[28]. Os sete dons do Espírito Santo são (cf. Catecismo, 1831): 1º - Sabedoria: para compreender e julgar com acerto acerca dos desígnios divinos. 2º - Entendimento: para penetrar na verdade sobre Deus. 3º - Conselho: para julgar e secundar nas acções singulares os desígnios divinos. 4º - Fortaleza: para acometer as dificuldades na vida cristã. 5º - Ciência: para conhecer a ordenação das coisas criadas por Deus. 6º - Piedade: para nos comportarmos como filhos de Deus e como irmãos dos nossos irmãos os homens, sendo outros Cristos. 7º - Temor de Deus: para repudiar tudo o que possa ofender a Deus, como um filho repudia, por amor, o que possa ofender o seu pai. «Os frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna» (Catecismo, 1832). São actos que a acção do Espírito Santo produz habitualmente na alma. A tradição da Igreja enumera doze: «caridade, gozo, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade» (Gl 5, 22-23).
8. Influência das paixões na vida moral

Pela união substancial da alma e do corpo, a nossa vida espiritual – o conhecimento intelectual e o livre querer da vontade – encontra-se sob o influxo (para o bem ou para o mal) da sensibilidade. Este influxo manifesta-se nas paixões que são «emoções ou movimentos da sensibilidade, que inclinam a agir, ou a não agir, em vista do que se sentiu ou imaginou como bom ou como mau» (Catecismo 1763). As paixões são movimentos do apetite sensível (irascível e concupiscível). Podem chamar-se também, em sentido amplo, “sentimentos” ou “emoções”[29
Por exemplo, são paixões o amor, a ira, o temor, etc. «A mais fundamental é o amor, provocado pela atracção do bem. O amor causa o desejo do bem ausente e a esperança de o alcançar. Este movimento tem o seu termo no prazer e na alegria do bem possuído. A apreensão pelo mal causa o ódio, a aversão e o receio do mal futuro; este movimento termina na tristeza pelo mal presente ou na cólera que a ele se opõe» (Catecismo, 1765). As paixões influem muito na vida moral «Em si mesmas, as paixões não são nem boas nem más» (Catecismo, 1767). «São moralmente boas quando contribuem para uma acção boa, e más, no caso contrário» (Catecismo 1768)[30]. Pertence à perfeição humana que as paixões estejam reguladas pela razão e dominadas pela vontade[31]. Depois do pecado original, as paixões não se encontram submetidas ao império da razão, e com frequência inclinam a levar a cabo o que não é bom[32]. Para as encaminhar habitualmente para o bem necessita-se da ajuda da graça, que sara as feridas do pecado, e da luta ascética. A vontade, se é boa, utiliza as paixões ordinariamente para o bem[33]. Pelo contrário, a má vontade que segue o egoísmo, sucumbe às paixões desordenadas ou usa-as para o mal (cf. Catecismo, 1768).

PAUL O’CALLAGHAN
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 1762-1770, 1803-1832 e 1987-2005.
Leituras recomendadas
- São Josemaria, Homilia «Virtudes humanas», em Amigos de Deus, 73-92.
Notas

[1] Esta vocação «depende inteiramente da iniciativa gratuita de Deus, porque só Ele pode revelar-Se e dar-Se a si mesmo. E ultrapassa as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana, como de qualquer criatura (cf. 1 Cor 2, 7-9” (Catecismo, 1998). [2]S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-II, q. 24, a. 3, ad 2. [3]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 22. Cf. Rm 8, 14-17; Gl 4, 5-6, 1 Jo 3, 1. [4]Qualquer dom criado procede do Dom incriado, que é o Espírito Santo. «O amor de Deus derramou-se nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5; cf. Gl 4, 6). [5]Deve-se distinguir entre graça habitual e graças Actuais, «que designam intervenções divinas que estão na origem da conversão ou no decorrer da obra da santificação» (cf. Ibidem). [6]«A justificação envolve o perdão dos pecados, a santificação e a renovação interior» (Concílio de Trento: DS 1528). [7]Nos adultos, esta passagem é fruto da moção de Deus (graça actual) e da liberdade do homem, «Sob a moção da graça, o homem volta-se para Deus e desvia-se do pecado, acolhendo assim o perdão e a justiça do Alto» (Catecismo, 1989). [8]Deus quis recordar esta verdade com especial força e novidade, por meio dos ensinamentos de São Josemaria a partir do dia 2 de Outubro de 1928. A Igreja proclamou no Concílio Vaticano II (1962-65): «Todos os fiéis, de qualquer estado ou regime de vida, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» (Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 40). [9]Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, III, q. 2, a. 12, c. [10]Cf. São Josemaria, Cristo que Passa, n. 104 [11]Mas a graça «não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade, quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem» (Catecismo, 1742). Pelo contrário, «a graça corresponde às aspirações profundas da liberdade humana» (Catecismo, 2022). [12]São Josemaria, Cristo que Passa, 9 [13]Para alcançar a graça de Deus contamos com a intercessão da nossa Mãe Maria Santíssima, Medianeira de todas as graças, e também com a de S. José, dos Anjos e dos Santos. [14]Pelo contrário, os vícios são hábitos morais que se seguem às obras más e inclinam a repeti-las e a piorar. [15]Tal como a alma humana opera através das suas potências (entendimento e vontade), o cristão em graça de Deus opera através das virtudes teologais, que são como as potências da “nova natureza” elevada pela graça. [16]Concílio Vaticano II, Const. Dei Verbum, 5. [17]A fé manifesta-se pelas obras: a fé viva «actua pela caridade» (Gl 5, 6), enquanto que «a fé sem obras está morta» (Tg 2, 26), mesmo que o dom da fé permaneça em quem não pecou directamente contra ela (cf. Concílio de Trento: DS 1545). [18]Cf. Heb 10, 23; Tt 3, 6-7. «A virtude da esperança corresponde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem» (Catecismo, 1818), purificao e eleva-o; protege-o do desalento; dilata-lhe o coração na espera da bem-aventurança eterna; preserva-o do egoísmo e condu-lo à alegria (cf. Ibidem). [19]A caridade é superior a todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13). «Se não tivesse caridade nada seria nada» (1 Cor 13, 3). - «O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade» (Catecismo, 1827). É a forma de todas as virtudes: “informa-as” ou vivifica-as”, porque as orienta o amor de Deus; sem caridade, as outras virtudes estão mortas. - A caridade purifica a nossa faculdade humana de amar e eleva-a à perfeição sobrenatural do amor divino (cf. Catecismo, 1827). Há uma ordem na caridade. A caridade manifesta-se também na correcção fraterna (cf. Catecismo 1829). [20]O cristão desenvolve as virtudes com a ajuda da graça de Deus que, ao sarar a natureza humana, dá força para as praticar e ordena-as a um fim mais elevado. [21]Conduz a julgar rectamente sobre o modo de agir: sem retrair da acção (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 47, a. 2). «Não se confunde, nem com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. É chamada “auriga virtutum – condutor das virtudes, ” porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena a sua conduta segundo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem a fazer e o mal a evitar» (Catecismo, 1806). [22]O homem não pode dar a Deus o que Lhe deve ou o justo em sentido estrito. Por isso, a justiça para com Deus chama-se mais propriamente “virtude da religião”, «dado que a Deus Lhe basta que cumpramos à medida das nossas possibilidades» (S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, II-II, q. 57, a. 1, ad 3). [23]«No mundo tereis tribulação. Mas confiai: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33). [24]Por exemplo, a laboriosidade consiste em trabalhar tudo o que se deve, que é um meio entre um menos e um mais. Opõe-se à laboriosidade trabalhar menos devido, perder o tempo, etc. E também se opõe trabalhar sem medida, sem respeitar outras coisas que também se devem fazer (deveres de piedade, de caridade, etc.). [25]O princípio in médio virtus é válido somente para as virtudes morais, as quais têm por objecto os meios para alcançar o fim, e nesses meios há sempre uma medida. Pelo contrário, não é válido no caso das virtudes teologais, porque estas virtudes (fé, esperança e caridade) têm directamente a Deus por objecto. Por isso, não é possível um excesso: “crer demasiado”, “esperar demasiado” em Deus” ou “amá-Lo em excesso”. [26]A natureza humana está ferida pelo pecado. Por isso, tem inclinações que não são naturais como consequência do pecado. Do mesmo modo que não é natural coxear, devido à consequência de alguma doença, como não seria natural mesmo que toda a gente coxeasse, nem sequer são naturais as feridas que deixou o pecado original e os pecados pessoais na alma: a tendência para a soberba, a preguiça, a sensualidade, etc. Com a ajuda da graça e com esforço pessoal, estas feridas podem-se ir curando, de modo que o homem seja e se comporte como corresponde à sua natureza e condição de filho de Deus. Esta saúde consegue-se por meio das virtudes. De modo semelhante, a doença agrava-se com os vícios. [27]Assim, há uma prudência que é virtude humana, bem como uma prudência que é sobrenatural, infundida por Deus na alma, juntamente com a graça. Para que uma virtude sobrenatural possa produzir fruto – actos bons – precisa da correspondente virtude humana. Por exemplo e no caso das outras virtudes cardeais: a virtude sobrenatural da justiça, exige a virtude humana da justiça; e o mesmo acontece com a fortaleza e a temperança. Dito doutra maneira, a perfeição cristã – a santidade – exige e compreende a perfeição humana. [28]Para compreender melhor a função dos Dons do Espírito Santo na vida moral, pode-se acrescentar a seguinte explicação clássica: assim como a natureza humana tem algumas potências (inteligência e vontade) que permitem realizar as operações de entender e querer, assim a natureza elevada pela graça tem potências que lhe permitem realizar actos sobrenaturais. Estas potências são as virtudes teologais (fé, esperança e caridade). São como os remos de um barco, que permitem avançar em direcção ao fim sobrenatural. No entanto, este fim supera-nos de tal modo, que não bastam as virtudes teologais para o alcançar. Deus concede, juntamente com a graça, os dons do Espírito Santo, que são novas perfeições da alma que permitem que seja movida pelo mesmo Espírito Santo. São como a vela de um barco, que lhe permite avançar com o sopro do vento. Os dons aperfeiçoam-nos em ordem a tornarmo-nos mais dóceis à acção do Espírito Santo, que se converte assim em motor da nossa actuação. [29]É preciso ter em conta que também se fala de “sentimentos” ou “emoções” supersensíveis ou espirituais que não são propriamente “paixões” porque não estão sujeitos aos movimentos do apetite sensível. [30]Por exemplo, há uma ira boa, que se indigna perante o mal, e também há uma ira má descontrolada ou que move ao mal (como acontece na vingança); há temor bom e há temor mau, que paralisa para fazer o bem; etc. [31]Cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologica, I-II, q. 24, aa. 1 e 3. [32]Em certas ocasiões podem dominar de tal modo a pessoa, que a responsabilidade moral se reduz ao mínimo. [33]«A perfeição moral consiste em que o homem não seja movido para o bem só pela vontade, mas também pelo seu apetite sensível, segundo esta palavra do Salmo: “O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo” (Sl 84, 3)» (Catecismo, 1770). «As paixões são más se o amor for mau, boas se for bom» (Santo Agostinho, De Civitate Dei, 14, 7)

Reto del amor





VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







03/04/2018

La pértiga del cristiano



Temas para meditar e reflectir

Contrariedades


As contrariedades que vão surgindo na nossa vida corrente podem - e é muito conveniente - ser óptimas ocasiões para ganhar méritos já que, de certo modo, são mortificações.

Claro que esses méritos não têm a ver tanto com a mortificação em si, pequena ou grande, importante ou de escasso valor, mas com a atitude pessoal como a encaramos e aceitamos.

Interessa o espírito não a forma.

Isto não quer dizer que não façamos o que esteja ao nosso alcance para solucionar a questão.

Evidentemente podemos - e é conveniente - pedir auxílio ao Senhor através da Santíssima Virgem, do Anjo da Guarda, etc., mas a nossa acção é indispensável, teremos de fazer a "nossa parte", O senhor completará o que faltar.

Confiança e Esperança!



(AMA, reflexões, 12.12.216)

Evangelho e comentário

Tempo de Páscoa

Evangelho: Jo 20, 11-18

11 Maria estava junto ao túmulo, da parte de fora, a chorar. Sem parar de chorar, debruçou-se para dentro do túmulo, 12 e contemplou dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira e o outro aos pés. 13 Perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?» E ela respondeu: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram.» 14 Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus, de pé, mas não se dava conta que era Ele. 15 E Jesus disse-lhe: «Mulher, porque choras? Quem procuras?» Ela, pensando que era o encarregado do horto, disse-lhe: «Senhor, se foste tu que o tiraste, diz-me onde o puseste, que eu vou buscá-lo.» 16 Disse-lhe Jesus: «Maria!» Ela, aproximando-se, exclamou em hebraico: «Rabbuni!» - que quer dizer: «Mestre!» 17 Jesus disse-lhe: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.’» 18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: «Vi o Senhor!» E contou o que Ele lhe tinha dito.

Comentário:

Nós reconhecemos Jesus como?

Esta pergunta vem na sequência do que aconteceu com a Madalena: reconheceu o Senhor pelo tom de voz!

Mas, isso não se passa connosco porque não ouvimos o Senhor falar!

Não é verdade! O Senhor não tem porque nos aparecer, assim como à Madalena, fisicamente e dizer oque for porque nós – em primeiro lugar não somos merecedores de tal honra e, depois porque a Sua Voz ecoa no nosso coração atento.

Sim… os ouvidos não ouvem mas, o coração, todo o nosso ser espiritual, escuta bem claramente o que Ele insinua na nossa alma, no nosso pensamento.
A oração – como todas as conversas - é um diálogo e não um monólogo, é falar e escutar e tudo se passa como uma realidade absoluta da qual não podemos duvidar.

Quanto maior for a nossa intimidade com o Senhor mais fácil e frequente será esse escutar inconfundível da Sua Palavra que nos sossega, anima, tranquiliza.

Se a nossa oração não for assim então não valerá a pena porque não passará de um ruído de palavras e, o Senhor, só pode ouvir-se no silêncio recolhido de todo o nosso ser.

(AMA, comentário sobre Jo 20, 11-18, 18.04.2017)

Leitura espiritual

TEMA 28. A moralidade dos actos humanos

Agir é moralmente bom, quando as escolhas livres estão de acordo com o verdadeiro bem do homem.
  
1. Moralidade dos actos humanos

«Os actos humanos, quer dizer, livremente escolhidos em consequência dum juízo de consciência, são moralmente qualificáveis. São bons ou maus.» (Catecismo, 1749). «A actuação é moralmente boa quando as escolhas da liberdade estejam em conformidade com o verdadeiro bem do homem e expressam assim a ordenação voluntária para o seu fim último, quer dizer, o próprio Deus”[1] «A moralidade dos actos humanos depende: - do objecto escolhido; - do fim que se tem em vista ou da intenção; - das circunstâncias da acção. O objecto, a intenção e as circunstâncias são as “fontes” ou elementos constitutivos da moralidade dos actos humanos» (Catecismo, 1750)
2. O objecto moral

O objecto moral «é o fim próximo de uma escolha deliberada que determina o acto de querer da pessoa que actua»[2]. O valor dos actos humanos (quer sejam bons ou maus) depende antes de mais da conformidade do objecto ou do acto querido com o bem da pessoa, conforme o juízo da recta razão[3]. O acto humano só é “ordenável” ao fim último, se é bom pelo seu objecto[4]. Há actos que são intrinsecamente maus, porque são maus «sempre e por si mesmos, isto é, pelo seu objecto, independentemente das ulteriores intenções de quem actua e das circunstâncias»[5]. O proporcionalismo e o consequencialismo são teorias erróneas sobre a noção e a formação do objecto moral de uma acção, segundo as quais é preciso determiná-lo na base da proporção entre os bens e os males que se perseguem, ou relativamente às consequências que podem advir[6].
3. A intenção

Na actuação humana «o fim em vista é o primeiro dado da intenção e designa a meta a atingir pela acção. A intenção é um movimento da vontade em direcção ao fim; diz respeito ao termo do agir» (Catecismo, 1752)[7]. Um acto que, pelo seu objecto é ordenável a Deus, «alcança, depois, a sua perfeição última e decisiva, quando a vontade o ordena efectivamente para Deus mediante a caridade»[8]. A intenção do sujeito que actua «é um elemento essencial na classificação moral da acção» (Catecismo, 1752). A intenção «não se limita à direcção das nossas acções singulares, mas pode ordenar para um mesmo fim acções múltiplas: pode orientar toda a vida para o fim último» (Catecismo, 1752)[9]. “Uma mesma acção pode também ser inspirada por várias intenções (Ibidem). «Uma intenção boa (por exemplo, ajudar o próximo) não torna bom nem justo um comportamento em si mesmo desordenado (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios» (Catecismo, 1753)[10]. «Pelo contrário, uma intenção má acrescentada (por exemplo, a vanglória) torna mau um acto que, em si, pode ser bom (como a esmola; cf. Mt 6, 2-4)» (Catecismo, 1753).
4. As circunstâncias

As circunstâncias «são elementos secundários de um acto moral. Contribuem para agravar ou atenuar a bondade ou a malícia moral dos actos humanos (por exemplo, o montante de um roubo). Podem também diminuir ou aumentar a responsabilidade do agente (por exemplo, agir por medo da morte)[…] As circunstâncias não podem[…] tornar boa nem justa uma acção má em si mesma» (Catecismo, 1754). «O acto moralmente bom pressupõe, em simultâneo, a bondade do objecto, da finalidade e das circunstâncias» (Catecismo, 1755)[11].
5. As acções indirectamente voluntárias

«Uma acção pode ser indirectamente voluntária quando resulta duma negligência relativa ao que se deveria ter conhecido ou feito» (Catecismo, 1736)[12]. «Um efeito pode ser tolerado, sem ter sido querido pelo agente, por exemplo, o esgotamento duma mãe à cabeceira do seu filho doente. O efeito mau não é imputável se não tiver sido querido nem como fim nem como meio do acto, como a morte sofrida quando se levava socorro a uma pessoa em perigo. Para que o efeito mau seja imputável, é necessário que seja previsível e que aquele que age tenha a possibilidade de o evitar como, por exemplo, no caso dum homicídio cometido por um condutor em estado de embriaguez» (Catecismo, 1737). Também se diz que um efeito foi realizado com vontade indirecta quando não se desejava nem como fim nem como meio para outra coisa, mas se sabe que acompanha de modo necessário àquilo que se quer levar a cabo[13]. Isto tem importância na vida moral, porque acontece por vezes haver acções que têm dois efeitos, um bom e outro mau, e pode ser lícito levá-las a cabo para obter o efeito bom (querido directamente), ainda que não se possa evitar o mau (que, portanto, só se quer indirectamente). Por vezes trata-se de situações muito delicadas, nas quais é prudente pedir conselho a quem possa dá-lo. Um acto é voluntário (e, portanto, imputável) in causa quando, apesar de não se escolher por si mesmo, é resultado frequentemente (in multis) de uma conduta directamente querida. Por exemplo, quem não guarda convenientemente a vista diante de imagens obscenas é responsável (porque o quis in causa) pela desordem (não directamente escolhida) da sua imaginação e quem luta por viver a presença de Deus quer in causa os actos de amor que leva a cabo, sem aparentemente propor-se a tal.
6. A responsabilidade

«A liberdade torna o homem responsável pelos seus actos na medida em que estes são voluntários» (Catecismo, 1734). O exercício da liberdade envolve sempre uma responsabilidade diante de Deus: em qualquer acto livre de alguma maneira aceitamos ou rejeitamos a vontade de Deus. «O progresso na virtude, o conhecimento do bem, e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre os próprios actos» (Catecismo, 1734) «A imputabilidade e responsabilidade dum acto podem ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as afeições desordenadas e outros factores psíquicos ou sociais» (Catecismo, 1735).
7. O mérito

«A palavra “mérito” designa, em geral, a retribuição devida por uma comunidade ou sociedade à acção de um dos seus membros, experimentada como um benefício ou um malefício, digna de recompensa ou de castigo. O mérito diz respeito à virtude da justiça, em conformidade com o princípio da igualdade que a rege» (Catecismo, 2006)[14]. O homem não tem, por si mesmo, mérito diante de Deus, pelas suas boas obras (cf. Catecismo, 2007). No entanto, «a adopção filial, tornando-nos, pela graça, participantes da natureza divina, pode conferir-nos, segundo a justiça gratuita de Deus, um verdadeiro mérito. Trata-se de um direito derivante da graça, o direito pleno do amor que nos faz «coherdeiros» de Cristo e dignos de obter a «herança prometida da vida eterna» (Catecismo, 2009)[15]. «O mérito do homem perante Deus, na vida cristã, provém do facto de que Deus dispôs livremente associar o homem à obra da sua graça» (Catecismo, 2008)[16].

FRANCISCO DÍAZ
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 1749-1761 - S. João Paulo II, Enc. Veritatis Splendor, 6-VIII-1993, 71-83
Leituras recomendadas
- S. Josemaria, Homilia «O respeito cristão pela pessoa e à liberdade», em Cristo que Passa, 67-72

Notas
[1] S. João Paulo II, Enc. Veritatis Splendor, 6-VIII-1993, 72. «A pergunta inicial do diálogo do jovem com Jesus: “Que hei-de fazer de bom para alcançar a vida eterna?” (Mt 19, 16) evidencia imediatamente o vínculo essencial entre o valor de um acto e o fim último do homem (…). A resposta de Jesus remetendo para os Mandamentos manifesta também que o caminho está marcado pelo respeito das leis divinas, as quais tutelam o bem humano. Só o acto conforme com o bem pode ser caminho que conduz à vida” (ibidem) [2]ibidem, 78. Cf. Catecismo, 1751. Para saber qual é o objecto moral de um acto, “há que situar-se na perspectiva que actua. Com efeito, o objecto do acto do querer é um comportamento escolhido livremente. E enquanto está conforme com a ordem da razão, é causa da bondade da vontade (…). Assim, pois, não se pode tomar como objecto de determinado acto moral, um processo ou um evento de ordem física somente, que se avalia enquanto origina determinado estado de coisas no mundo externo”. Não se deve confundir o “objecto físico” com o “objecto moral”da acção (uma mesma acção física pode ser objecto de actos morais diversos; por exemplo, cortar com um bisturi pode ser uma operação cirúrgica, ou pode ser um homicídio). [3]«A moralidade do acto humano depende primária e fundamentalmente do objecto razoavelmente escolhido pela vontade». Ibidem, 78. [4]Cf. Ibidem78 e 79 [5]Ibidem, 80; cf. Catecismo 1756. O Concílio Vaticano II assinala vários exemplos; atentados à vida humana, como os “homicídios de qualquer género, os genocídios, o aborto, a eutanásia e o próprio suicídio voluntários”; atentados à integridade da pessoa humana, como as “mutilações, as torturas corporais e mentais, incluídas as tentativas de coação psicológica”; ofensas à diGnidade humana como “as condições infra humanas de vida, os encarceramentos arbitrários, as deportações, a escravidão, a prostituição, o tráfico de mulheres e de jovens; também as condições ignominiosas de trabalho nas quais os trabalhadores são tratados como meros instrumentos de lucro, não como pessoas livres e responsáveis”. “Todas estas coisas e outras semelhantes são certamente opróbrios que, ao corromper a civilização humana, desonram mais aos que os praticam do que os que padecem a injustiça e são totalmente contrários à honra devida ao Criador” (Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 27). Paulo VI, referindo-se às práticas contraceptivas, ensinou que nunca é lícito “fazer objecto de um acto positivo da vontade o que é intrinsecamente desordenado e por isso mesmo indigno da pessoas humana, mesmo que com isso se quisesse salvaguardar ou promover o bem individual familiar ou social” (Paulo VI, Enc. Humanae Vitae, 25-VII1968, 14). [6]Estas teorias não afirmam que “se pode fazer um mal para obter um bem”, mas afirmam que não se pode dizer que haja comportamentos que são sempre maus, porque isso depende em cada caso da “proporção” entre bens e males, ou das “consequências” (cf. S. João Paulo II, Enc. Veritatis Splendor, 75). Por exemplo, um proporcionalista não sustentaria que “se pode cometer um fraude por um fim bom”, senão que examinaria se o que se faz é ou não um fraude (se o “objectivamente escolhido” é um fraude ou não) tendo em conta toas as circunstâncias, e a intenção. No fim poderia dizer que não é fraude o que na realidade é, e poderia justificar essa acção (ou qualquer outra). [7]O objecto moral refere-se ao que a vontade quer a respeito do acto concreto (por exemplo: matar uma pessoa, dar uma esmola), enquanto que a intenção se refere ao por que é que o quer (por exemplo: para receber uma herança, para ficar bem diante doutros ou para ajudar um pobre). [8]S. João Paulo II, Enc. Veritatis Splendor, 78 [9]Por exemplo, um serviço que se presta a alguém tem por fim ajudar o próximo, mas ao mesmo tempo pode estar inspirado pelo amor de Deus, como fim último de todas as nossas acções, ou pode fazer-se por interesse próprio ou para satisfazer a vaidade (cf. Catecismo, 1752). [10]«Acontece frequentemente que o homem actua com boa intenção, mas sem proveito espiritual porque lhe falta a boa vontade. Por exemplo, alguém, rouba para ajudar os pobres: neste caso, ainda que seja boa a intenção, falta rectidão da vontade por que as obras são más. Concluindo, a boa intenção não autoriza a fazer nenhuma obra má. “alguns dizem: façamos o mal para que venha o bem. Tais bens merecem a própria condenação” (Rm 3, 8)» (S. Tomás de Aquino, In duo Praecepta Caritatis; Opuscula theologica II, n. 1168) [11]Quer dizer, para que um acto livre se ordene ao verdadeiro fim último, requer-se que a) seja, em si mesmo, ordenado ao fim: é a bondade objectiva, ou pelo objecto, do acto moral; b) seja ordenável ao fim nas circunstâncias de lugar, etc., em que se realiza. c) a vontade do sujeito efectivamente o ordene ao verdadeiro último fim: é a bondade subjectiva, ou pela intenção [12]«Por exemplo, um acidente de trânsito, provocado por ignorância do código da estrada» (Catecismo, 1736). Ao ignorar – entende-se que voluntariamente, culpavelmente – normas elementares do código da estrada, pode-se dizer que de modo indirecto se aceitam as consequências de tal ignorância. [13]Por exemplo, o que toma um comprimido para tratar uma constipação, sabendo que provocará sonolência, o que quer directamente é curar a constipação, e indirectamente o sono. Rigorosamente falando, os efeitos indirectos duma acção não se “querem”, mas toleram-se ou permitem-se, enquanto inevitavelmente unidos ao que se necessita fazer. [14]A culpa é, em consequência, a responsabilidade que contraímos diante de Deus ao pecar, tornando-nos merecedores de castigo. [15]Cf. Concílio de Trento: DS 1546 [16]Quando o cristão age bem «a acção paterna de Deus é primeira, pelo seu impulso, e o livre agir do homem é segundo, na sua colaboração; de modo que os méritos das obras devem ser atribuídos primeiro à graça de Deus e depois ao fiel» (Ibidem).



Doutrina – 413

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

Os fiéis: hierarquia, leigos, vida consagrada

191. Como participam na sua função real?


Os leigos participam na função real de Cristo, tendo recebido d’Ele o poder de vencer o pecado em si mesmos e no mundo, mediante a abnegação de si e a santidade de vida. Exercem vários ministérios ao serviço da comunidade e impregnam de valor moral as actividades temporais do homem e as instituições da sociedade.

Reto del amor




Pequena agenda do cristão


TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





02/04/2018

Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade

Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)


Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)

Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.
Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)

Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.

Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)

Temas para reflectir e meditar

Amar a Deus



Que sou eu para Ti, oh Senhor, para que mandes que Te ame, e se não o faço te enojes de mim e me ameaces com grandes misérias?

Acaso é pequena a miséria de não Te amar?



(SANTO AGOSTINHO, Confissões, 1, 5, 5)



Evangelho e comentário

Tempo de Páscoa

Evangelho: Mt 28, 8-15

8 afastando-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e de grande alegria, as mulheres correram a dar a notícia aos discípulos. 9 Jesus saiu ao seu encontro e disse-lhes: «Salve!» Elas aproximaram-se, estreitaram-lhe os pés e prostraram-se diante dele. 10 Jesus disse-lhes: «Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão.» 11 Enquanto elas iam a caminho, alguns dos guardas foram à cidade participar aos sumos sacerdotes tudo o que tinha acontecido! 12 Eles reuniram-se com os anciãos; e, depois de terem deliberado, deram muito dinheiro aos soldados, 13 recomendando-lhes: «Dizei isto: ‘De noite, enquanto dormíamos, os seus discípulos vieram e roubaram-no.’ 14 E, se o caso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e faremos com que vos deixe tranquilos.» 15 Recebendo o dinheiro, eles fizeram como lhes tinham ensinado. E esta mentira divulgou-se entre os judeus até ao dia de hoje.

Comentário:

Astúcia miserável - clama Santo Agostinho – quem pode acreditar no relato de alguém que está a dormir!

Olhos  que não veem, ouvidos eu não ouvem, mentes que não se interessam pela verdade! 

Pobre gente!

Merecem, sem dúvida, que nós cristãos rezemos por eles porque também – como nós – são filhos de Deus.



Leitura espirtual

TEMA 34. O quarto mandamento do Decálogo: honrar pai e mãe

O quarto mandamento dirige-se expressamente aos filhos nas suas relações com os seus pais. No entanto, refere-se também a outras relações de parentesco, educativas, de trabalho, etc.

1. Diferença entre os três primeiros mandamentos do Decálogo e os sete seguintes

Os três primeiros mandamentos falam do amor de Deus, Sumo Bem e Fim Último da pessoa criada e de todas as criaturas do universo, infinitamente digno de ser amado. Os sete restantes têm como objecto o bem do próximo (e o bem pessoal), que deve ser amado por amor de Deus, que é o seu Criador. No Novo testamento, o preceito supremo de amar a Deus e o segundo, semelhante ao primeiro, de amar o próximo por amor de Deus, compendiam todos os mandamentos do Decálogo (cf. Mt 22, 36-40; Catecismo, 2196).
2. Significado e extensão do quarto mandamento

O quarto mandamento dirige-se expressamente aos filhos nas suas relações com os seus pais. Refere-se também às relações de parentesco com outros membros do agregado familiar. Finalmente, estende-se aos deveres dos alunos relativamente aos professores, dos subordinados em relação com os seus chefes, dos cidadãos para com a sua pátria, etc. Este mandamento implica e subentende também os deveres dos pais e de todos os que exercem autoridade sobre outros (cf. Catecismo, 2199). a) A família. O quarto mandamento refere-se em primeiro lugar às relações entre pais e filhos no seio da família. «Ao criar o homem e a mulher, Deus instituiu a família humana e dotou-a da sua constituição fundamental» (Catecismo, 2203). «Um homem e uma mulher, unidos em matrimónio, formam com os seus filhos uma família» (Catecismo, 2202). «A família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai e do Filho, no Espírito Santo» (Catecismo, 2205). b) Família e sociedade. «A família é a célula originária da vida social. É ela a sociedade natural em que o homem e a mulher são chamados ao dom de si no amor e no dom da vida. A autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade. (…) A vida da família é iniciação à vida em sociedade» (Catecismo, 2207). «A família deve viver de modo que os seus membros aprendam a preocupar-se e a encarregar-se dos jovens e dos velhos, das pessoas doentes ou incapacitadas e dos pobres» (Catecismo, 2208). «O quarto mandamento esclarece as outras relações na sociedade» (Catecismo, 2212)[1]. A sociedade tem o grave dever de apoiar e fortalecer o matrimónio e a família, reconhecendo a sua autêntica natureza, favorecendo a sua prosperidade e assegurando a moralidade pública (cf. Catecismo, 2210)[2]. No ambiente familiar, a Sagrada Família é modelo para qualquer família: modelo de amor e de serviço, de obediência e de autoridade.
3. Deveres dos filhos para com os pais

Os filhos hão-de respeitar e honrar os pais, procurar dar-lhes alegrias, rezar por eles e corresponder lealmente ao seu sacrifício: para um bom cristão, estes deveres são um dulcíssimo preceito. A paternidade divina é a fonte da paternidade humana cf. Ef 3, 14); é o fundamento da honra devida aos pais (cf. Catecismo, 2214). «O respeito pelos pais (piedade filial) é feito de reconhecimento àqueles que, pelo dom da vida, pelo seu amor e seu trabalho, puseram os filhos no mundo e lhes permitiram crescer em estatura, sabedoria e graça. “Honra o teu pai de todo o teu coração e não esqueças as dores da tua mãe. Lembra-te de que foram eles que te geraram. Como lhes retribuirás o que por ti fizeram?” (Sir 7, 27-28)» (Catecismo, 2215
O respeito filial manifesta-se na docilidade e obediência. «Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isto é agradável ao Senhor» (Cl 3, 20). Enquanto estão sujeitos aos seus pais, os filhos devem obedecer-lhes no que disponham para o seu bem e o da família. Esta obrigação cessa com a emancipação dos filhos, mas não cessa nunca o respeito que devem aos seus pais (cf. Catecismo, 2216-2217). «O quarto mandamento lembra aos filhos adultos as suas responsabilidades para com os pais. Tanto quanto lhes for possível, devem prestar-lhes ajuda material e moral, nos anos da velhice e no tempo da doença, da solidão ou do desânimo» (Catecismo, 2218). Se os pais mandarem alguma coisa oposta à Lei de Deus, os filhos estão obrigados a antepor a vontade de Deus aos desejos dos pais, tendo presente que «é necessário obedecer antes a Deus que aos homens» (Act 5, 29). Deus é mais Pai do que os nossos pais: d’Ele procede toda a paternidade (cf. Ef 3, 15).
4. Deveres dos pais

Os pais hão-de receber com agradecimento, como uma grande bênção e manifestação de confiança, os filhos que Deus lhes enviar. Além de cuidarem das suas necessidades materiais, têm a grave responsabilidade de lhes dar uma recta educação humana e cristã. O papel dos pais na formação dos filhos tem tanto peso que, quando falta, dificilmente se poderá suprir[3]. O direito e o dever da educação são, para os pais, primordiais e inalienáveis[4]. Os pais têm a responsabilidade de criar um lar, onde se viva o amor, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. O lar é o lugar apropriado para a educação nas virtudes. Hão-de ensiná-los – com o exemplo e com a palavra – e viver uma simples, sincera e alegre vida de piedade; transmitir-lhes, inalterada e completa, a doutrina católica; formálos na luta generosa por acomodar a sua conduta às exigências da Lei de Deus e da vocação pessoal à santidade. «Pais, não exaspereis os vossos filhos, mas criai-os com a educação e correcção que vêm do Senhor» (Ef 6, 4). Desta responsabilidade não se devem desentender, deixando a educação dos seus filhos nas mãos de outras pessoas ou instituições, mesmo que possam – e em certas ocasiões devem – contar coma ajuda de quem lhes mereça confiança (cf. Catecismo, 2222-2226).
Os pais hão-de saber corrigir, porque «qual é o filho a quem o pai não corrige?» (Heb 12, 7), mas tendo presente o conselho do Apóstolo: «Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não caiam em desânimo» (Cl 3, 21). a) Os pais hão-de ter um grande respeito e amor à liberdade dos filhos, ensinando-os a usá-la bem, com responsabilidade[5]. É fundamental o exemplo da própria conduta. b) Na relação com os filhos devem saber unir o carinho e a fortaleza, a vigilância e a paciência. É importante que os pais se tornem “amigos” dos seus filhos, ganhando e assegurando a sua confiança. c) Para levar a bom termo a tarefa da educação dos filhos, à frente dos meios humanos – por importantes e imprescindíveis que sejam – hão-de empregar os meios sobrenaturais. «Como primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos, os pais têm o direito de escolher para eles uma escola que corresponda às suas próprias convicções. É um direito fundamental. Tanto quanto possível, os pais têm o dever de escolher as escolas que melhor os apoiem na sua tarefa de educadores cristãos (cf. Concílio Vaticano II, Decl. Gravissimum Educationis, 6). Os poderes públicos têm o dever de garantir este direito dos pais e de assegurar as condições reais do seu exercício» (Catecismo, 2229). «São importantes, mas não absolutos, os laços familiares. Quanto mais a criança cresce para a maturidade e autonomia humanas e espirituais, tanto mais a sua vocação individual, que vem de Deus, se afirma com nitidez e força. Os pais devem respeitar este chamamento e apoiar a resposta dos filhos para o seguir. Hão-de convencer-se de que a primeira vocação do cristão é seguir Jesus (cf. Mt 16, 25): “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim” (Mt 10, 37)» (Catecismo, 2232)[6]. A vocação divina de um filho para realizar uma peculiar missão apostólica, supõe uma dávida de Deus para a família. Os pais hão-de aprender a respeitar o mistério do chamamento, embora possa acontecer que não o entendam. A abertura às possibilidades que abre a transcendência e o respeito pela liberdade fortalecem-se na oração. Assim, evita-se a excessiva protecção ou o controlo indevido dos filhos: um modo possessivo de actuar que não ajuda o crescimento humano e espiritual.
5. Deveres com os que governam a Igreja

Os cristãos devem possuir «um verdadeiro espírito filial em relação à Igreja» (Catecismo, 2040). Este espírito há-de manifestar-se com quem governa a Igreja. 
Os fiéis «devem abraçar prontamente, com obediência cristã, todas as coisas que os sagrados pastores, representantes de Cristo, determinarem na sua qualidade de mestres e guias na Igreja, a exemplo de Cristo, o qual com a Sua obediência, levada até à morte, abriu para todos o feliz caminho da liberdade dos filhos de Deus. Nem deixem de encomendar ao Senhor nas suas orações os seus prelados, já que eles olham pelas nossas almas, como devendo dar contas delas, a fim de que o façam com alegria e não gemendo (cf. Heb 13, 17)»[7]. Antes de mais, este espírito filial mostra-se na adesão fiel e união ao Papa, cabeça visível da Igreja e Vigário de Cristo na Terra, e aos bispos em comunhão com a Santa Sé. «O teu maior amor, a tua maior estima, a tua mais profunda veneração, a tua obediência mais rendida, o teu maior afecto há-de ser também para o Vice-Cristo na terra, para o Papa. Os católicos têm de pensar que, depois de Deus e da nossa Mãe a Virgem Santíssima, na hierarquia do amor e da autoridade, vem o Santo Padre»[8].
6. Deveres para com a autoridade civil

«O quarto mandamento da Lei de Deus manda que honremos também todos aqueles que, para nosso bem, receberam de Deus alguma autoridade na sociedade. E esclarece os deveres dos que exercem essa autoridade, bem como os daqueles que dela beneficiam» (Catecismo, 2234)[9]. Entre estes últimos destacam-se: a) respeitar as leis justas e cumprir os legítimos mandatos da autoridade (cf. 1 Pe 2, 13); b) exercer os direitos e cumprir os deveres de cidadania; c) intervir responsavelmente na vida social e política. «A determinação dos regimes políticos, tal como a designação dos seus dirigentes, devem ser deixados à livre vontade dos cidadãos»[10]. A responsabilidade pelo bem comum exige moralmente o exercício do direito ao voto (cf. Catecismo, 2240). Não é lícito apoiar quem propõe programas de organização social contrários à doutrina cristã, logo, contrários ao bem comum e à verdadeira dignidade do homem. «O cidadão é obrigado, em consciência, a não seguir as prescrições das autoridades civis, quando tais prescrições forem contrárias às exigências de ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas ou aos ensinamentos do Evangelho. A recusa de obediência às autoridades civis, quando as suas exigências forem contrárias às da recta consciência, tem a sua justificação na distinção entre o serviço de Deus e o serviço da comunidade política  “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21). “Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens” (Act 5, 29)» (Catecismo, 2242).
7. Deveres das autoridades civis

O exercício da autoridade há-de facilitar o exercício da liberdade e da responsabilidade de todos. Os governantes devem velar para que não se favoreça o interesse individual de alguns em detrimento do bem comum[11]. «Os poderes políticos são obrigados a respeitar os direitos fundamentais da pessoa humana. Administrarão a justiça como humanidade, respeitando o direito de cada qual, nomeadamente das famílias e dos deserdados. Os direitos políticos inerentes à cidadania (…) não podem ser suspensos pelos poderes públicos sem motivo legítimo e proporcionado» (Catecismo, 2237).

ANTONIO PORRAS
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 2196-2257. - Conselho Pontifício Justiça e Paz, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Ed. Principia, Lisboa 2005, n. 209-214; 221-254; 377-383; 393-411.

Notas

[1] Cf. Conselho Pontifício Justiça e Paz, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Ed. Principia, Lisboa 2005, nn. 209-214; 221-251. [2]Cf . Ibidem, 252-254. [3]Cf. Concílio Vaticano II, Decl. Gravissimum Educationis, 3. [4]Cf. S. João Paulo II, Ex. ap. Familiaris Consortio, 22-XI-81, 36; Catecismo, 2221 e Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 239. [5]E, «ao tornarem-se adultos, os filhos têm o dever e o direito de escolher a sua profissão e o seu estado de vida» (Catecismo, 2230). [6]«E, ao consolar-nos com a alegria de encontrar Jesus - três dias de ausência! - disputando com os Mestres de Israel (Lc II, 46), ficará bem gravada, na tua alma e na minha, a obrigação de deixarmos os de nossa casa, para servir o Pai Celestial» (S. Josemaria, Santo Rosário, 5º mistério gozoso). [7]Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 37. [8]S. Josemaria, Forja, 135. [9]Cf. Conselho Pontifício Justiça e Paz, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Ed. Principia, Lisboa 2005, nn.377-383; 393-398; 410-411. [10]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 74. Cf. Catecismo, 1901. [11]Cf. S. João Paulo II, Enc. Centesimus annus, 1-V-91, 25. Cf. Catecismo, 2236.

Reto del amor



Diálogos apostólicos

O DIVÓRCIO

AS LEIS FAVORÁVEIS AO DIVÓRCIO

Pergunto:

É curioso.

Respondo:


Sim. É curioso que nalguns países as leis protejam com cuidado o cumprimento de acordos económicos e deixem inseguro o compromisso de entrega mútua de corpos e pessoas. É curioso que a família esteja ali desamparada pela lei.

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?