30/03/2018

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





29/03/2018

Nunca amarás bastante

Os verdadeiros obstáculos que te separam de Cristo – a soberba, a sensualidade... – superam-se com oração e penitência. E rezar e mortificar-se é também ocupar-se dos outros e esquecer-se de si próprio. Se viveres assim, verás como a maior parte dos contratempos que tens, desaparecem. (Via Sacra, Estação X. n. 4).


Falas e não te escutam. E, se te escutam, não te entendem. És um incompreendido!... De acordo. De qualquer forma para que a tua cruz tenha todo o relevo da Cruz de Cristo, é preciso que trabalhes agora assim, sem te ligarem importância. Outros te entenderão. (Via Sacra, Estação III. n. 4).


Quantos, com a soberba e a imaginação, se metem nuns calvários que não são de Cristo!

A Cruz que deves levar é divina. Não queiras levar nenhuma cruz humana. Se alguma vez caíres nessa armadilha, rectifica imediatamente: bastar-se-á pensar que Ele sofreu infinitamente mais por nosso amor. (Via Sacra, Estação III. n. 5).

Por muito que ames, nunca amarás bastante.

O coração humano tem um coeficiente de dilatação enorme. Quando ama, dilata-se num crescendo de carinho que supera todas as barreiras.


Se amas o Senhor, não haverá criatura que não encontre lugar no teu coração. (Via Sacra, Estação VIII. n. 5).

Temas para reflectir e meditar

Santidade



Como a criatura humana se compõe de alma e corpo, toda a sua pessoa – na sua matéria e no seu espírito – há-de ser santificada.

Essa santidade brota como fruto da acção do Espírito Santo, que toma posse da pessoa inteira (...)



(JAVIER ECHEVARRÍA, Itinerários de Vida Cristiana, Planeta, 2001, pg. 147, trad ama)





Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma
Semana Santa

Missa vespertina da Ceia do Senhor


Evangelho: Jo 13, 1-15

1 Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao ex-tremo. 2 O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Si-mão Iscariotes, a decisão de o entregar. 3 Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, 4 levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. 5 Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. 6 Chegou, pois, a Si-mão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» 7 Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.» 8 Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» 9 Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» 10 Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não to-dos.» 11 Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. 12 Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: 13 «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. 14 Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. 15 Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.

Comentário:

Não podemos fazer uma pálida ideia do que seria o ambiente naquela que – só Jesus, por enquanto o sabe – seria última Ceia em que estaria reunido com os Doze.

Os futuros Apóstolos deverão ter-se apercebido do semblante grave e tenso do Mestre, começando por aquela cena algo insólita de lhes lavar os pés.

Virá, depois, a revelação a respeito de Judas e, depois, o longo dis-curso que é como que uma declaração testamentária de quem está prestes a partir.

Não alcançam – porque ainda não podem – toda a extensão e “peso” das palavras e das atitudes do seu Senhor e Mestre, mas jamais esquecerão essa última refeição comum nem os detalhes de cada palavra, de cada gesto.

De tal forma assim é que a mesma se repetirá diariamente, indefinidamente, ao longo dos tempos usando as mesmas palavras e acções que o Senhor usou e lhes ordenou que repetissem em Sua memória.

Atrevo-me a pensar se, de facto, o maior acto de amor de Jesus pelos homens terá sido a entrega da Sua Vida na Cruz ou a doação do Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade sempre que O comungamos.

(AMA, comentário sobre Jo 13, 1-15, 13.04.2017)


Leitura espiritual

TEMA 32. O Decálogo. O primeiro mandamento

Jesus Cristo ensinou que para se salvar é necessário cumprir os mandamentos, os quais expressam a substância da lei moral natural. O primeiro mandamento é duplo: o amor a Deus e o amor ao próximo por amor de Deus.

1. Os Dez Mandamentos ou Decálogo

Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou que para se salvar é necessário cumprir os mandamentos. Quanto um jovem Lhe pergunta: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida eterna?» (Mt 19, 16). Ele responde: «Se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos» (Mt 19, 17). A seguir, cita alguns preceitos relacionados com o amor ao próximo: «Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe» (Mt 19, 18-19). Estes preceitos, juntamente com os referentes ao amor a Deus que o Senhor menciona noutras ocasiões, formam os dez mandamentos da Lei divina (cf. Ex 20, 1-17; Catecismo, 2052). «Os três primeiros referem-se mais ao amor de Deus; os outros sete, ao amor do próximo» (Catecismo, 2067). Os dez mandamentos expressam a substância da lei moral natural (cf. Catecismo, 1955). É uma lei inscrita no coração dos homens, cujo conhecimento se obscureceu como consequência do pecado original e dos sucessivos pecados pessoais. Deus quis revelar algumas «verdades religiosas e morais que, de si, não são inacessíveis à razão» (Catecismo, 38) para que todos a possam conhecer de modo completo e certo (cf. Catecismo, 37-38). 
Revelou-se primeiro no Antigo Testamento e depois, plenamente, através de Jesus Cristo (cf. Catecismo, 2053-2054). A Igreja guarda a Revelação e ensina-a a todos os homens (cf. Catecismo, 2071). Alguns mandamentos estabelecem o que se deve fazer (p. ex., santificar os domingos e festas de guarda); outros assinalam o que nunca é lícito realizar (p. ex.; matar um inocente). Estes últimos indicam alguns actos que são intrinsecamente maus em função do seu próprio objecto moral, independentemente dos motivos ou intenções posteriores de quem os realiza e das circunstâncias que os acompanham[1]. «Jesus mostra que os mandamentos não devem ser entendidos como um limite mínimo a não ultrapassar, mas antes, como uma estrada aberta para um caminho moral e espiritual de perfeição, cuja alma é o amor (cf. Cl 3, 14)»[2]. Por exemplo, o mandamento «não matarás» contém em si não só a obrigação de respeitar a vida do próximo, mas também a de promover e fomentar o seu desenvolvimento e enriquecimento como pessoas. Não se trata de proibições que limitem a liberdade; mas de luzes que mostram o caminho do bem e da felicidade, libertando o homem do erro moral.
2. O primeiro mandamento

O primeiro mandamento é duplo: o amor a Deus e o amor ao próximo por amor de Deus. «”Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Jesus disse-lhe: “Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”» (Mt 22, 36-40). Este amor chama-se caridade. Com este termo também se designa a virtude teologal cujo acto é o amor a Deus e aos outros por Deus. A caridade é um dom que o Espírito Santo infunde naqueles que são filhos adoptivos de Deus (cf. Rm 5, 5). A caridade há-de crescer ao longo da vida nesta terra por acção do Espírito Santo e com a nossa cooperação: crescer em santidade é crescer na caridade. A santidade não é outra coisa senão a plenitude da filiação divina e da caridade. Esta pode diminuir pelo pecado venial e mesmo perder-se pelo pecado mortal. A caridade tem uma ordem: Deus, os outros (por amor de Deus) e nós mesmos (por amor de Deus). O amor de Deus Amar a Deus como filhos significa: 
a) Escolhê-Lo como o fim último de tudo o que fazemos. Actuar em tudo por amor e para a sua glória: «Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus» (1 Cor 10, 31). «Deo omnis gloria. - Para Deus toda a glória»[3]. Não deve haver um fim mais elevado do que este. Nenhum amor se pode colocar acima do amor de Deus: «Quem amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim» (Mt 10, 37). «Não há amor, senão o Amor!»[4]. Não pode existir um verdadeiro amor que exclua ou postergue o amor de Deus. b) Cumprir a vontade de Deus com obras: «Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu» (Mt 7, 21). A vontade de Deus é que sejamos santos (cf. 1 Ts 4, 3), que sigamos Cristo (cf. Mt 17, 5), cumprindo os seus mandamentos (cf. Jo 14, 21). «Queres deveras ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento faz o que deves e está no que fazes»[5]. Cumprila também quando exige sacrifício: «Não se faça a minha vontade, mas a tua» (Lc 22, 42). c) Corresponder ao seu amor por nós. Ele amou-nos primeiro, criou-nos livres e fez-nos seus filhos (cf. 1 Jo 4, 19). O pecado é rejeitar o amor de Deus (cf. Catecismo, 2094); todavia Ele perdoa sempre, entrega-se continuamente a cada um de nós.«É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10; cf. Jo 3, 16). Ele «amou-me e a si mesmo entregou-se por mim» (Gl 2, 20). «Para corresponder a tanto amor, é preciso que haja da nossa parte uma entrega total do corpo e da alma»[6]. Não se trata de um sentimento, mas de uma determinação da vontade que pode estar ou não acompanhada de afectos. O amor a Deus leva-nos a procurar o diálogo pessoal com Ele. Esse diálogo é oração que por sua vez é amor. Pode revestir diversas formas[7]: a) «A adoração é a primeira atitude do homem que se reconhece criatura diante do seu Criador (Catecismo, 2628). É a atitude mais fundamental da religião (cf. Catecismo, 2095). «Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele prestarás culto» (Mt 4, 10). A adoração a Deus liberta-nos das diversas formas de idolatria que conduzem à escravidão. «Que a tua oração seja sempre um sincero e real acto de adoração a Deus»[8]. b) A acção de graças (cf. Catecismo, 2638), porque tudo o que temos e somos, d’Ele o recebemos para Lhe dar glória: «Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias, como se não o tivesses recebido?» (1 Cor 4, 7).

c) A petição, a qual tem dois modos: o pedido de perdão pelo que nos separa de Deus (o pecado) e o pedido de ajuda para nós mesmos e para os outros, bem como para toda a Igreja e a humanidade inteira. Estas duas formas de petição manifestam-se no Pai Nosso: «…o pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas…». A petição do cristão está cheia de segurança, porque «foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24) e porque é um rogo filial, por meio de Cristo: «se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, Ele vo-la dará» (Jo 16, 23; cf. 1 Jo 5, 14-15). O amor manifesta-se também com o sacrifício, inseparável da oração: «a oração valoriza-se com o sacrifício»[9]. O sacrifício é o oferecimento a Deus de um bem sensível, em sua homenagem, como expressão da entrega interior da própria vontade, quer dizer, da obediência a Cristo. Cristo redimiu-nos pelo Sacrifício da Cruz, que manifesta a sua perfeita obediência até à morte (cf. Fl 2, 8). Os cristãos como membros de Cristo, podem co-redimir com Ele, unindo os nossos sacrifícios aos seus na Santa Missa (cf. Catecismo, 2100). A oração e o sacrifício constituem o culto a Deus. Chama-se culto de latria ou adoração, para o distinguir do culto aos anjos e aos santos, que é de dulia ou veneração, e do culto com que se honra Nossa Senhora, chamado hiperdulia (cf. Catecismo, 971). O acto de culto por excelência é a Santa Missa, prenúncio da liturgia celeste. O amor de Deus deve manifestarse na dignidade do culto: observância das prescrições da Igreja, «urbanidade da piedade»[10], cuidado e limpeza dos objectos. «Aquela mulher que, em casa de Simão o leproso, em Betânia, unge com rico perfume a cabeça do Mestre, recorda-nos o dever de sermos magnânimos no culto de Deus. – Todo o luxo, majestade e beleza me parecem pouco»[11].
3. A fé e a esperança em Deus

Fé, esperança e caridade são as três virtudes “teologais” (virtudes que se dirigem a Deus). A maior é a caridade (cf. 1 Cor 13, 13), que dá “forma” e “vida” sobrenatural à fé e à esperança (de modo semelhante como a alma dá vida ao corpo). Mas a caridade pressupõe nesta vida a fé, porque só pode amar a Deus quem O conhece; e pressupõe também a esperança, porque só pode amar a Deus quem coloca o seu desejo de felicidade na união com Ele. A fé é um dom de Deus, luz na inteligência que nos permite conhecer a verdade que Deus nos revelou e anuir com ela. Implica duas coisas: crer no que Deus revelou (o mistério da Santíssima Trindade e todos os artigos do Credo) e crer no próprio Deus que se revelou (confiar n’Ele). Não há nem pode haver oposição entre fé e razão. A formação doutrinal é importante para alcançar uma fé firme e para fortalecer o amor a Deus e aos outros por Deus: para a santidade e o apostolado. A vida de fé é uma vida apoiada na fé e coerente com ela. A esperança é também um dom de Deus que impulsiona a desejar a união com Ele, na qual se encontra a nossa felicidade, confiando que Ele nos dará a capacidade e os meios para a alcançar (cf. Catecismo, 2090). Nós, os cristãos, devemos estar sempre «alegres na esperança» (Rm 12, 12), porque se somos fiéis aguarda-nos a felicidade do Céu: a visão de Deus face a face (1 Cor 13, 12), a visão beatífica. «Se somos filhos de Deus, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, pressupondo que com Ele sofremos, para também com Ele sermos glorificados» (Rm 8, 17). A vida cristã nesta terra é um caminho de felicidade, porque, pela graça, já aqui possuímos uma antecipação dessa união com a Santíssima Trindade, todavia é uma felicidade com dor, com cruz. A esperança torna-nos conscientes de que vale a pena! «Vale a pena arriscar a vida inteira! Trabalhar e sofrer, por Amor, para levar avante os desígnios de Deus, para co-redimir»[12]. Os pecados contra o primeiro mandamento são pecados contra as virtudes teologais: a) Contra a fé: o ateísmo, o agnosticismo, o indiferentismo religioso, a heresia, a apostasia, o cisma, etc. (cf. Catecismo, 2089). É também contrário ao primeiro mandamento pôr em perigo a própria fé, quer seja pela leitura de livros contrários à fé ou à moral, sem motivo proporcionado e sem a preparação suficiente; ou devido à omissão dos meios que a defendam. b) Contra a esperança: o desespero da própria salvação (cf. Catecismo, 2091) e, no extremo oposto, a presunção de que a misericórdia divina perdoará os pecados sem conversão nem contrição, ou sem necessidade do sacramento da Penitência (cf. Catecismo, 2092). É igualmente contrário a esta virtude colocar a esperança de felicidade em alguma coisa fora de Deus. c) Contra a caridade: qualquer pecado é contrário à caridade. No entanto, opõem-se directamente à caridade a rejeição de Deus bem como a tibieza: não O querer amar com todo o coração. Contrários ao culto a Deus são o sacrilégio, a simonia, certas práticas de superstição, a feitiçaria, etc., e o satanismo (cf. Catecismo, 2111-2128). 
4. Amor aos outros por amor a Deus

O amor a Deus deve compreender o amor àqueles que Deus ama. «Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E nós recebemos dele este mandamento: quem ama a Deus, ame também o seu irmão» (1 Jo 4, 19-21). Não se pode amar a Deus sem amar todos os homens, criados por Ele à sua imagem e semelhança, e chamados para serem seus filhos pela graça sobrenatural (cf. Catecismo, 2069). «Com os filhos de Deus, temos de comportar-nos como filhos de Deus»[13]: Comportar-se como filho de Deus, como outro Cristo: «Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 34-35). O Espírito Santo foi enviado aos nossos corações para que possamos amar como filhos de Deus, com o amor de Cristo (cf. Rm 5, 5). «Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele»[14]. Ver nos outros filhos de Deus, o próprio Cristo: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Querer para eles o seu verdadeiro bem, o que Deus quer: que sejam santos e, por conseguinte, felizes. A primeira manifestação de caridade é o apostolado, bem como a preocupação pelas suas necessidades materiais. Compreender – sentir como próprias – as dificuldades espirituais e materiais dos outros. Saber perdoar. Ter misericórdia (cf. Mt 5, 7). «O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça» (1 Co 13, 4-5). A correcção fraterna (cf. Mt 18, 15).
5. O amor a si mesmo por amor de Deus

O preceito da caridade menciona também o amor a si próprio: «Amarás a teu próximo como a ti mesmo» (Mt 22, 39). Há um amor recto de si mesmo: o amor de si por amor a Deus. Este amor conduz-nos a procurar para si próprio o que Deus quer: a santidade, logo a felicidade (com sacrifício nesta terra, com a cruz). Há também um desordenado amor de si próprio, o egoísmo, que é o amor de si próprio em si mesmo, não por amor de Deus
Significa colocar a própria vontade em lugar da de Deus e o próprio interesse acima do serviço aos outros. O amor recto a si próprio não tem lugar sem luta contra o egoísmo. Comporta abnegação, entrega de si próprio a Deus e aos outros. «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida, perde-la-á; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la» (Mt 16, 24-25). O homem «não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo»[15].

JAVIER LÓPEZ
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 2064-2132.
Leituras recomendadas
- Bento XVI, Enc. Deus Caritas est, 1-18, 25-XII-2005.  - Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 30-XI-2007. - S. Josemaria, Homilias «Vida de Fé», «A Esperança do cristão», «Com a força do amor», em Amigos de Deus, 190-237.

Notas

[1] Cf. S. João Paulo II, Enc. Veritatis Splendor, 80, 6-VIII-1993. [2]Ibidem, 15. [3]S. Josemaria, Caminho, 780. [4]Ibidem, 417. [5]Ibidem, 815; cf. Ibidem 933. [6]S. Josemaria, Cristo que Passa, 87. [7]Cf. S. Josemaria, Caminho, 91. [8]S. Josemaria, Forja, 263. [9]S. Josemaria, Caminho, 81. [10]Ibidem, 541[11]Ibidem, 527; cf. Mt 26, 6-13. [12]S. Josemaria, Forja, 26. [13]S. Josemaria, Cristo que Passa, 36. [14]S. Josemaria, Via Sacra, XIV Estação. Cf. Bento XVI, Enc. Deus Caritas est, 25XII-2005, 12-15. [15]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 24.

Devoción a la Virgen



Una Virgen muy pequeñita pero con multitud de milagros: la Virgen de Suyapa mueve masas

Reto del amor




VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






28/03/2018

Supera-te todos os dias - vídeo


Ronald Regan e Portugal


Temas para reflectir e meditar

Concepção



A concepção é o ponto de arranque de nova vida humana e é também o termo de chegada de uma história precedente na qual fomos objecto privilegiado de pensamentos, desejos e promessas de outros.

 Na concepção fundem-se um passado e um futuro que, de alguma forma, se tornam chave indivisível do ser presente de cada indivíduo.



(JAVIER ECHEVARRÍA, Itinerários de Vida Cristiana, Planeta, 2001, pg. 177, trad ama)







Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma
Semana Santa

Evangelho: Mt 26, 14-25

14  Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 e disse-lhes: «Quanto me dareis, se eu vo-lo entregar?» Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. 16 E, a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. 17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 18 Ele respondeu: «Ide à cidade, a casa de um certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.’» 19 Os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa. 20 Ao cair da tarde, sentou-se à mesa com os Doze. 21 Enquanto comiam, disse: «Em verdade vos digo: Um de vós me há-de entregar.» 22 Profundamente entristeci-dos, começaram a perguntar-lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?» 23 Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará. 24 O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor para esse homem não ter nascido!» 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: «Porventura serei eu, Mestre?» «Tu o disseste» - respondeu Jesus.

Comentário:

Trinta moedas foi o preço da traição?

Não! 
A traição não tem não pode ser paga porque não tem preço.
Não importa o que está em causa, o traidor é alguém manifestamente desenraizado de todo o contexto e que não mede nem avalia o que está em causa com a sua traição.

Pode arrepender-se, mas, isso, servir-lhe-à de pouco se o traído não lhe perdoar e, tal não o pode fazer se não receber um pedido de perdão de quem o traiu.

O “caso” de Judas é paradigmático dos que não sabem nem o que é o arrependimento nem o perdão e, normalmente, acabam desgraçadamente sós e impenitentes porque, quando acabam por reconhecer a vileza que praticaram, não encontram nenhuma solução, nenhum remédio. 

No fim e ao cabo, o que faltava a Judas era Fé no Senhor, porque se a tivesse poderia ter-se salvo.

(AMA, comentário sobre Mt 26, 14-25, 12.04.2017)

Leitura espiritual

TEMA 30. A pessoa e a sociedade

Para a pessoa humana a vida social não é uma coisa acessória, mas deriva da sociabilidade: a pessoa cresce e realiza a sua vocação somente em união com os outros.
 
1. A sociabilidade humana

Deus não criou o homem como ser solitário, mas como “um ser social” (cf. Gn 1, 27; 2, 18. 20. 23). Para a pessoa humana, a vida social não é alguma coisa acessória, mas deriva duma importante dimensão inerente à sua natureza: a sociabilidade. O ser humano só pode crescer e realizar a sua vocação em união com os outros[1]. Esta natural sociabilidade torna-se patente à luz da fé, já que existe uma certa semelhança entre a vida íntima da Santíssima Trindade e a comunhão (comum união, participação) que se deve instaurar entre os homens; e todos foram igualmente redimidos por Cristo e estão chamados ao único e mesmo fim[2]. A Revelação mostra que o relacionamento humano deve estar aberto a toda a humanidade, sem excluir ninguém; e deve caracterizar-se por plena gratuidade, já que no próximo, mais do que um igual, se vê a imagem viva de Deus, por quem é necessário estar disposto a dar-se até ao extremo[3]. O homem «está chamado a existir “para” os outros, a converter-se num dom»[4], mesmo que não se limite a isto: está chamado a existir não só “com” os outros ou “junto” dos outros, mas “para” os outros, o que implica servir, amar. A liberdade humana «degrada se quando o homem, deixando-se arrastar para uma vida de demasiadas facilidades, se encerra como numa solidão doirada»[5]. No entanto, a dimensão natural e o fortalecimento sobrenatural da sociabilidade não significa que as relações sociais se possam deixar à pura espontaneidade: muitas qualidades naturais do ser humano (por exemplo, a linguagem) requerem formação e prática para a sua correcta execução. Assim sucede com a sociabilidade: é preciso um esforço pessoal e colectivo para a desenvolver[6]. A sociabilidade não se limita aos aspectos políticos e mercantis; ainda são mais importantes as relações baseadas nos aspectos profundamente humanos: também no que diz respeito ao âmbito social se deve pôr em primeiro plano o elemento espiritual[7]. Donde se conclui que a real possibilidade de edificar uma sociedade digna das pessoas se encontra no crescimento interior do homem. A história da humanidade não se move por um determinismo interpessoal, mas pela interacção de diferentes gerações de pessoas, cujos actos livres constroem a ordem social[8]. Tudo isto evidencia a necessidade de conferir um relevo particular à autodeterminação, etc. E tudo isto, tanto como regra de conduta pessoal como de esquema organizativo da sociedade. A sociedade está ligada a outra característica humana: a igualdade radical e as diferenças acidentais das pessoas. Todos os homens possuem a mesma natureza e a mesma origem, foram redimidos por Cristo e chamados a participar na mesma bem-aventurança divina: «Todos gozam, portanto, de igual dignidade» (Catecismo, 1934). Com esta igualdade existem também diferenças, que devem ser avaliadas positivamente se não são iníquas «Estas diferenças fazem parte do plano de Deus que quer que cada um receba de outrem aquilo de que precisa e que os que dispõem de “talentos” particulares comuniquem os seus benefícios aos que deles precisam» (Catecismo, 1937).
2. A sociedade

A sociabilidade humana exerce-se através do estabelecimento de diversas associações dirigidas a alcançar diferentes finalidades: uma «sociedade é um conjunto de pessoas ligadas de modo orgânico por um princípio de unidade que ultrapassa cada uma delas» (Catecismo, 1880). Os objectivos humanos são múltiplos, bem como os tipos de nexos: amor, etnia, idioma, território, cultura, etc. Por isso, existe um amplo mosaico de instituições ou associações, podem ser constituídas por poucas pessoas como a família, ou por um número sempre maior à medida que passa das diversas associações às cidades, estados e à comunidade internacional. Algumas sociedades, como a família e a sociedade civil, correspondem mais imediatamente à natureza do homem e são-lhe necessárias, embora também possuam elementos culturais que desenvolvem a natureza humana. Outras são de livre iniciativa e correspondem ao que se poderia qualificar de “socialização” da tendência natural da pessoa que, como tal, se há-de favorecer (cf. Catecismo, 1882; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 151). O estreito nexo que existe entre as pessoas e a vida social explica o enorme influxo da sociedade no desenvolvimento da pessoa e a deterioração humana que acontece quando uma sociedade é defeituosamente organizada: o comportamento das pessoas depende, de algum modo, da organização social, que é um produto cultural acerca da pessoa. Sem reduzir o ser humano a um elemento anónimo da sociedade[9], convém recordar que o desenvolvimento pleno da pessoa e o progresso social se influenciam mutuamente[10]: entre a dimensão pessoal e a dimensão social do homem não existe oposição mas complementaridade, mais ainda, são duas dimensões em íntima conexão que se reforçam reciprocamente. Neste sentido, por causa dos pecados dos homens, geram-se na sociedade estruturas injustas ou estruturas de pecado[11]. Estas estruturas opõem-se à recta ordem da sociedade, tornam mais difícil a prática da virtude e mais fáceis os pecados pessoais contra a justiça, a caridade, a castidade, etc. Podem ser costumes imorais generalizados (como a corrupção política e económica) ou leis injustas (como as que permitem o aborto), etc.[12]. As estruturas de pecado devem ser eliminadas e substituídas por estruturas justas. Um meio de capital importância para desmontar as estruturas injustas e cristianizar as relações profissionais e toda a sociedade, é o empenho por viver com coerência as normas de moral profissional; tal empenho é além disso condição necessária para santificar o trabalho profissional.
3. A autoridade[13]

«Toda a comunidade humana necessita de uma autoridade que a governe. Esta tem o seu fundamento na natureza humana. Ela é necessária para a unidade da comunidade civil.

O seu papel consiste em assegurar, quanto possível, o bem comum da sociedade» (Catecismo, 1898). Como a sociedade é uma qualidade própria da natureza humana, deve-se concluir que toda e qualquer autoridade legítima emanam de Deus, como Autor da natureza (cf. Rm 13, 1; Catecismo, 1899). Mas «a determinação do regime e a designação dos governantes hão-de deixar-se à livre vontade dos cidadãos»[14]. A legitimidade moral da autoridade não procede de si mesma: é instrumento de Deus (Rm 13, 4) em ordem ao bem comum[15]. «Se a autoridade pública pode, às vezes, renunciar a reprimir algo que, se proibido, provocaria um dano maior [cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I-II. q. 96, a. 2], ela não poderá nunca aceitar como direito dos indivíduos - ainda que estes sejam a maioria dos membros da sociedade -, a ofensa infligida a outras pessoas através do menosprezo de um direito tão fundamental como o da vida»[16]. Quanto aos sistemas políticos, «a Igreja encara com simpatia o sistema da democracia, enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade de escolher e controlar os próprios governantes[17]. A ordenação democrática do Estado é parte do bem comum. Mas «o valor da democracia vive ou morre nos valores que ela encarna e promove: fundamentais e imprescindíveis são certamente a dignidade de toda a pessoa humana, o respeito dos seus direitos intangíveis e inalienáveis»[18]. «Uma democracia sem valores converte-se facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado»[19].
4. O bem comum

Por bem comum entende-se «o conjunto das condições sociais que permitem, tanto aos grupos como a cada um dos seus membros, atingir sua própria perfeição»[20]. O bem comum não só é de ordem natural mas também espiritual (ambas interrelacionadas), e compreende “três elementos essenciais” (Catecismo, 1906): - respeitar a pessoa e a sua liberdade[21]; - procurar o bem estar social e o desenvolvimento integral[22]; - promover «a paz, quer dizer, a permanência e a segurança duma ordem justa» (Catecismo 1909)[23].

Tendo presente a natureza do homem, o bem de cada um está necessariamente relacionado com o bem comum e este, por sua vez, deve estar orientado para o progresso das pessoas (cf. Catecismo, 1905 e 1912)[24]. O âmbito do bem comum não abrange só a cidade e o país, existe também um «bem comum universal. E este requer uma organização da comunidade das nações» (Catecismo, 1911).
5. Sociedade e dimensão transcendente da pessoa

A sociabilidade concerne todas as características da pessoa e, portanto, a sua dimensão transcendente. A profunda verdade sobre o homem, donde deriva a sua dignidade, consiste em ser imagem e semelhança de Deus e estar chamado à comunhão com Ele[25]; por isso «a dimensão teológica torna-se necessária para interpretar e resolver os problemas actuais da convivência humana»[26]. - Isto explica a fatuidade das propostas sociais que esquecem a dimensão transcendente. De facto, o ateísmo, nas suas diferentes manifestações, é um dos fenómenos mais graves do nosso tempo e as suas consequências são deletérias para a vida social[27]. Isto é particularmente evidente no momento actual: à medida que se perdem as raízes religiosas de uma comunidade, as relações entre os seus componentes tornam-se mais tensas e violentas, porque se debilita e inclusive se perde a força moral para actuar bem[28]. Se se quer que a ordem social tenha uma base estável, é necessário um fundamento absoluto que não esteja à mercê das opiniões versáteis ou dos jogos do poder, e só Deus é fundamento absoluto[29]. Deve-se, portanto, evitar a separação, mais ainda, a contraposição entre as dimensões religiosa e social da pessoa humana[30]. É necessário harmonizar estes dois âmbitos da verdade do homem, que se implicam e promovem mutuamente: a busca incondicional de Deus (cf. Catecismo, 358 e 1721; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 109) e a solicitação pelo próximo e pelo mundo, que sai reforçada pela dimensão teocêntrica[31]. Como consequência, é indispensável o crescimento espiritual para favorecer o desenvolvimento da sociedade: a renovação social nutre-se na contemplação. Efectivamente, o encontro com Deus na oração introduz na história uma força misteriosa que modifica os corações, move-os à conversão e é a energia necessária para transformar as estruturas sociais.
Empenhar-se na mudança social, sem um empenho sério na mudança pessoal, é uma miragem para a humanidade que acaba em desilusão e, muitas vezes, numa forte degradação vital, Uma «nova ordem social» realista e, portanto, sempre aperfeiçoável requer, actualmente, acrescentar às competências técnicas e científicas necessárias[32], a formação moral e a vida espiritual; daqui virá a renovação das instituições e das estruturas[33]. Além disso, sem esquecer que o empenho por edificar uma ordem social justa enobrece a pessoa que o realiza.
6. Participação dos católicos na vida pública

Participar na promoção do bem comum, cada um conforme o lugar que ocupa e o papel que desempenha, «é um dever inerente à dignidade da pessoa humana» (Catecismo, 1913). «Ninguém se deve conformar com uma ética individualista»[34]. Por isso, «os cidadãos devem, tanto quando possível, tomar parte activa na vida pública» (Catecismo, 1915)[35]. O direito e o dever de participar na vida social deriva do princípio de subsidiariedade: «Uma sociedade de ordem superior não deve interferir na vida interna de uma sociedade de ordem inferior, privando-a das suas competências, mas deve antes apoiá-la em caso de necessidade e ajudá-la a coordenar a sua acção com a das outras componentes sociais, tendo em vista o bem comum»[36]. Esta participação realiza-se, antes de mais, por meio do cumprimento responsável dos próprios deveres familiares e profissionais (cf. Catecismo, 1914) e das obrigações de justiça legal (como, por exemplo, o pagamento de impostos)[37]. Também se realiza mediante a prática das virtudes, especialmente da solidariedade. Tendo em conta a independência das pessoas e dos grupos humanos, a participação na vida pública deve fazer-se com espírito de solidariedade, entendido como empenho em prol dos outros[38]. A solidariedade deve ser o critério para organizar a sociedade, não como simples desej0o moralizante, mas também como explícita e legítima exigência do ser humano; em boa medida, a paz do mundo depende dela (cf. Catecismo, 1939 e 1941)[39]. Embora a solidariedade diga respeito a todos os homens, motivos de urgência tornam a solidariedade mais necessária quanto mais difíceis forem as situações das pessoas: trata-se do amor preferencial pelos necessitados (cf. Catecismo, 1932, 2443-2449); Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 183-184). 
Enquanto cidadãos, os fiéis têm os mesmos deveres e direitos dos que se encontram em idêntica situação; como católicos, têm responsabilidade crescida (cf. Tit 3, 1-2; Pe 2, 1315)[40]. Por isso, «os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política»[41]. Esta participação é particularmente necessária para lograr «que as exigências da doutrina e da vida cristã impregnem as realidades sociais, políticas e económicas» (Catecismo, 899). Como frequentemente as leis civis não se ajustam ao ensino da Igreja, os católicos devem fazer o possível, colaborando com outros cidadãos de boa vontade, para rectificar essas leis, sempre no âmbito dos meios legítimos e com caridade[42]. Seja como for, devem ajustar a sua conduta à doutrina católica, mesmo que tal lhes possa acarretar inconvenientes, tendo em conta que se deve obedecer antes a Deus do que aos homens (cf. Act 5, 29). Em conclusão, os católicos devem exercer os seus direitos civis e cumprir os seus deveres; isto diz respeito especialmente aos fiéis leigos, que estão chamados a santificar o mundo a partir do interior deste, com iniciativa e responsabilidade, sem esperar que a Hierarquia resolva os problemas com as autoridades civis ou lhes proponha as soluções que devem adoptar[43].

ENRIQUE COLOM
Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica : 1877-1917; 1939-1942: 2234-2249. - Compêndio da Doutrina Social da Igreja: 34-43; 149-151; 164-170; 541-574.
Leituras recomendadas:
- São Josemaria, homilia «Cristo Rei», em Cristo que Passa: 179-187. - Congregação para a Doutrina da Fé: Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso dos católicos na vida pública, 24-XI-2002.

Notas


[1] Cf. Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, 24-25; Congregação para a Doutrina da Fé, Instr. Libertatis Conscientia, 32; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 110. [2]«Estarmos em comunhão com Jesus Cristo envolve-nos no seu ser “para todos”, fazendo disso o nosso modo de ser. Ele compromete-nos a ser para os outros, mas só na comunhão com Ele é que se torna possível sermos verdadeiramente para os outros, para a comunidade» (Bento X VI, Enc. Spe Salvi, 28, 30-XI-2007). [3]Cf. S. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 40, 30-XII-1987. [4]S. João Paulo II, Carta Ap. Mulieris DiGnitatem, 7, 15-VIII-1988. [5]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 31. [6]«A sociabilidade humana não desemboca automaticamente na comunhão das pessoas, no dom de si. Por causa da soberba e do egoísmo, o homem descobre em si gérmenes de insociabilidade, de fechamento individualista e de opressão do outro (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 150). [7]Cf. Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 24 a). [8]«A sociedade historicamente existente promana do entrelace das liberdades de todas as pessoas que nela interagem, contribuindo, mediante as suas opções, para edificá-la ou para empobrecê-la» (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 163). [9]«O princípio, e sujeito e o fim de todas as instituições sociais é e deve ser a pessoa humana» (Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 25). Cf. PIO XII, Radiomensagem de Natal, 24-XII-1942: AAS 35 (1943) 12: João XXIII, Enc. Mater et magistra: AAS (1961) 453; Catecismo, 1881; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 106). [10]Cf. S. João Paulo II, Enc. Sollicitudo Rei Socialis, 38; Catecismo, 1888; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 62, 82 e 124. [11]Cf. S. João Paulo II, Enc. Sollicitudo Rei Socilais, 36. [12]«A Igreja, quando fala de situações de pecado ou denuncia como pecados sociais certas situações ou certos comportamentos colectivos (…), sabe e proclama que tais casos de pecado socia são o fruto, a acumulação e a concentração de muitos pecados pessoais. Trata-se dos pecados pessoalíssimos de quem gera ou favorece a iniquidade ou a desfruta; de quem, podendo fazer alguma coisa para evitar, ou eliminar, ou pelo menos limitar certos males sociais, deixa de o fazer por preguiça, por medo e temerosa conivência, por cumplicidade disfarçada ou por indiferença; de quem procura escusas na pretensa impossibilidade de mudar o mundo; e, ainda, de quem pretende esquivar-se ao cansaço e ao sacrifício» (S. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et poenitentia, 16, 2-XII-1984). [13]Cf. Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 36; S. João Paulo II, Enc. Centesimus Annus, 38, 1-V-1881; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 570. Tratase, geralmente, de um processo, não de uma mudança instantânea, a qual envolve que os fiéis muitas vezes terão que conviver com essas estruturas e sofrer as suas consequências, sem deixar-se corromper e sem perder o empenho por mudá-las. Convém meditar as palavras de Nosso Senhor: «Não te peço que os tires do mundo mas que os preserves do mal» (Jo 17, 15). [14]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 74, Cf. Catecismo, 1901. [15]«A autoridade só é exercida legitimamente na medida em que procurar o bem comum do respectivo grupo e em que, para o atingir, empregar meios moralmente lícitos. No caso de os dirigentes promulgarem leis injustas ou tomarem medidas contrárias à ordem moral, tais disposições não podem obrigar as consciências» (Catecismo, 1903). [16]S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 71, 25-III-1995. [17]S. João Paulo II, Enc. Centesimus Annus, 46. [18]S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 70. O Papa refere-se em particular ao direito de cada ser humano inocente à vida, ao que se opõem as leis do aborto. [19]S. João Paulo II. Enc. Centesimus Annus, 46. [20]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 26. Cf. Catecismo, 1906 [21]«Em nome do bem comum, os poderes públicos são obrigados a respeitar os direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana. A sociedade humana deve empenhar-se em permitir, a cada um dos seus membros, realizar a própria vocação. De modo particular, o bem comum reside nas condições do exercício das liberdades naturais, indispensáveis à realização da vocação humana» (Catecismo, 1907). [22]A autoridade, respeitando o princípio de subsidiariedade e provendo a iniciativa privada, deve procurar que cada um disponha do necessário para levar uma vida digna: alimento, vestuário, saúde, trabalho, educação e cultura, informação adequada, etc. (cf. Catecismo, 1908 e 2211). [23]A paz não é só ausência de guerra. A paz não pode alcançar-se sem a salvaguarda da dignidade das pessoas e dos povos: cf. Catecismo, 2304. A paz é a «tranquilidade da ordem» (Santo Agostinho, De Civitate Dei, 19, 13). É obra da justiça (cf. Is 32, 17). A autonomia deve procurar, por meios lícitos, «a segurança da sociedade e dos seus membros. O bem comum está na base do direito à legítima defesa, pessoal e colectiva» (Catecismo, 1909). [24]«A ordem social e o seu progresso devem subordinar-se ao bem das pessoas (…) e não ao contrário» (Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 26). [25]Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 19. [26]S. João Paulo II, Enc. Centesimus Annus, 55. Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 11 e 41. [27]Cf. S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 21. 24. S. João Paulo II, depois de falar do erro das ideologias, acrescentava: «Se se questiona ulteriormente onde nasce aquela errada concepção da natureza da pessoa e da subjectividade da sociedade, é necessário responder que a sua causa primeira é o ateísmo. É na resposta ao apelo de Deus, contido no ser das coisas, que o homem toma consciência da sua dignidade (…). A negação de Deus priva a pessoa do seu fundamento e consequentemente induz a reorganizar a ordem social, prescindido da dignidade e responsabilidade da pessoa» (S. João Paulo II, Enc. Centesimus Annus, 13). [28]O homem pode construir a sociedade e «organizar a terra sem Deus, mas, ao fim e ao cabo, sem Deus não pode organizá-la senão contra o homem. O humanismo exclusivo é um humanismo inumano» (Paulo VI, Enc. Populorum Progressio, 42, 26III-1967). Cf. João XXII, Enc. Mater et Magistra: AAS 53 (1961) 452-453; Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 21; Bento XVI, Enc. Deus Caritas est, 42, 25-XII2005. [29]Cf. Leão XIII, Enc. Diuturnum illud: acta Leonis XIII, 2 (1882), 227 e 278; Pio XII Caritate Christi: AAS 24 (1932) 183-184. [30]Alguns «vêem o cristianismo como um conjunto de práticas ou actos de piedade, sem perceberem a sua relação com as situações da vida corrente, com a urgência de atender as necessidades dos outros e de se esforçar por remediar as injustiças. (…). Outros, pelo contrário, têm tendência para imaginar que, para poderem ser humanos, precisam de pôr em surdina alguns aspectos centrais do dogma cristão e actuam como se a vida de oração, a intimidade habitual com Deus, constituísse uma fuga das suas responsabilidades e um abandono do mundo. Esquecem-se de que Jesus, precisamente, nos deu a conhecer até que extremos se deve ir no caminho do amor e do serviço. Só se procurarmos compreender o arcano do amor de Deus, deste amor que chega até à morte, seremos capazes de nos entregar totalmente aos outros, sem nos deixarmos vencer pelas dificuldades ou pela indiferença» São Josemaria, Cristo que Passa, 98). [31]Existe uma profunda «interacção entre o amor a Deus e o amor ao próximo (…). Se na minha vida falta totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser “piedoso” e cumprir os meus “deveres religiosos”, então definha também a relação com Deus» (Bento XVI, Enc. Deus Caritas est, 18. Cf. S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 35-36, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 40). [32]«Todo o trabalho profissional exige uma formação prévia, e depois um esforço constante para melhorar esta preparação e adaptá-la às novas circunstâncias que surjam. Esta exigência constitui um dever particularíssimo para os que aspiram a ocupar postos directivos na sociedade, visto que são chamados a um serviço também muito importante, do qual depende o bem-estar de todos» (São Josemaria, Temas Actuais do Cristianismo, 90). [33]«Só se contribui para um mundo melhor, fazendo o bem agora e pessoalmente, com paixão e em todo o lado onde for possível» (Bento XVI, Enc. Deus Caritas est, 31 b). [34]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 30. [35]«Um homem ou uma sociedade que não reaja diante das tribulações ou das injustiças e se não esforce por as aliviar, não é um homem ou uma sociedade à medida do amor do Coração de Cristo. Os cristãos – conservando sempre a mais ampla liberdade quando se trata de estudar e de pôr em prática as diversas soluções, segundo um pluralismo bem natural – terão de convergir no mesmo anseio de servir a humanidade. Se não, o seu cristianismo não será a Palavra e a Vida de Jesus: será um disfarce, um embuste feito a Deus e aos homens» (São Josemaria, Cristo que Passa, 167). [36]S. João Paulo II, Enc. Centesimus Annus, 48. Cf. Catecismo, 1883; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 186 e 187. [37]A justiça legal é a virtude que indica à pessoa dar o que o cidadão deve equitativamente à comunidade (cf. Catecismo, 2411). [38]«Trata-se antes de tudo da interdependência apreendida como sistema determinante de relações no mundo contemporâneo, com as suas componentes – económica, cultural, política e religiosa – e assumida como categoria moral. Quando a interdependência é reconhecida assim, a resposta correlativa, como atitude moral e social e como “virtude”, é a solidariedade» (S. João Paulo II, Enc. Sollicitudo Rei Socialis, 38). [39]Cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 193-195. [40]Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 75. [41]S. João Paulo II, Ex. Ap. Christifideles Laici, 42, 30-XII-1988. [42]Por exemplo: «Quando não fosse possível esconjurar ou abrogar completamente uma lei abortista, um deputado, cuja absoluta oposição pessoal ao aborto fosse clara e conhecida de todos, poderia licitamente oferecer o próprio apoio a propostas que visassem limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos negativos no âmbito da cultura e da moralidade pública» (S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 73). [43]Corresponde aos leigos, «pelas suas livres iniciativas e sem esperar passivamente ordens e directrizes, imbuir de espírito cristão a mentalidade e os costumes, as leis e as estruturas da sua comunidade de vida» (Paulo VI, Enc. Populorum Progressio, 81); cf. Concílio Vaticano II: Const. Lumen Gentium, 31; Const. Gaudium et Spes, 43; S. João Paulo II, Ex. Ap. Christifideles Laici, 15; Catecismo, 2442).

Doutrina – 412

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

Os fiéis: hierarquia, leigos, vida consagrada

190. Como participam na sua função profética?



Participam nela acolhendo cada vez mais na fé a Palavra de Cristo e anunciando-a ao mundo com o testemunho da vida e da palavra, a acção evangelizadora e a catequese. Esta acção evangelizadora adquire uma particular eficácia pelo facto de ser realizada nas condições ordinárias da vida secular.

Reto del amor




VIVE DE CRISTO®Dominicas de Lerma

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?