10/02/2018

Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ

TEMA 5 A Santíssima Trindade

É o mistério central da fé e da vida cristã. Os cristãos são baptizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.  

2. Deus na Sua vida íntima

…/2

As duas processões são o fundamento das diversas relações que em Deus se identificam com as Pessoas divinas: o ser Pai, o ser Filho e o ser espirado por Eles.

De facto, como não é possível ser pai e ser filho da mesma pessoa, no mesmo sentido assim não é possível ser ao mesmo tempo a Pessoa que procede pela espiração e as duas Pessoas das quais procede.

Convém esclarecer que no mundo criado as relações são acidentes, no sentido de que as suas relações não se identificam com o seu ser, embora o caracterizem no que é mais profundo como no caso da filiação.
Em Deus, como nas processões é doada toda a substância divina, as relações são eternas e identificam-se com a própria substância.
Estas três relações eternas não só caracterizam, mas identificam-se com as três Pessoas divinas, visto que ao Pai pensar quer dizer pensar no Filho; e pensar no Espírito Santo quer dizer pensar naqueles a respeito dos quais Ele é Espírito.

Assim as Pessoas divinas são três Alguém, mas um único Deus.
Não como se dá entre três homens, que participam da mesma natureza humana sem a esgotar. As três Pessoas são cada uma toda a Divindade, identificando-se com a única Natureza de Deus [i]:

as Pessoas são Uma na Outra. Por isso, Jesus diz a Filipe que quem o viu a Ele viu o Pai [ii], enquanto Ele e o Pai são uma só coisa [iii].

Esta dinâmica, que tecnicamente se chama pericorese ou circumincesio – dois termos que fazem referência a um movimento dinâmico em que um se intercambia com o outro como numa dança em círculo – ajuda a apercebermo-nos de que o mistério do Deus Uno e Trino é o mistério do Amor:

«Ele próprio é eternamente permuta de amor: Pai, Filho e Espírito Santo, e destinou-nos a tomar parte nessa comunhão» [iv].


3. A nossa vida em Deus

Sendo Deus eterna comunicação de Amor, é compreensível que esse Amor transborde para fora d’Ele na Sua actuação.

Toda a actuação de Deus na história é obra conjunta das três Pessoas, dado que se distinguem apenas no interior de Deus.
Não obstante, cada uma imprime nas acções divinas “ad extra” a sua característica pessoal [v].

Com uma imagem, poder-se-ia dizer que a acção divina é sempre única, como o dom que nós poderíamos receber da parte de uma família amiga, que é fruto de um só acto; mas, para quem conhece as pessoas que formam essa família, é possível reconhecer a mão ou a intervenção de cada uma, pela marca pessoal deixada por elas na prenda única.

Este reconhecimento é possível, porque conhecemos as Pessoas divinas na Sua distinção pessoal mediante as missões, quando Deus Pai enviou juntamente o Filho e o Espírito Santo na história [vi], para que se fizessem presentes entre os homens:

«São sobretudo as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo que manifestam as propriedades das pessoas divinas» [vii].

Eles são como que as duas mãos do Pai [viii] que abraçam os homens de todos os tempos, para os levar ao seio do Pai.


Se Deus está presente em todos os seres enquanto princípio do que existe, com as missões do Filho e do Espírito fazem-se presentes de uma forma nova [ix].

A própria Cruz de Cristo manifesta ao homem de todos os tempos o eterno Dom que Deus faz de Si mesmo, revelando na Sua morte a íntima dinâmica do Amor que une as três Pessoas.

Isto significa que o sentido último da realidade, o que todo o homem deseja, o que foi procurado pelos filósofos e pelas religiões de todos os tempos é o mistério do Pai que eternamente gera o Filho no Amor que é o Espírito Santo.

Assim, na Trindade encontra-se o modelo original da família humana [x] e a Sua vida íntima é a aspiração verdadeira de todo o amor humano.

Deus quer que todos os homens sejam uma só família, ou seja, uma só coisa com Ele próprio, sendo filhos no Filho.

Cada pessoa foi criada à imagem e semelhança da Trindade [xi] e está feita para viver em comunhão com os outros homens e, sobretudo, com o Pai Celestial.

Aqui se encontra o fundamento último do valor da vida de cada pessoa humana, independentemente das suas capacidades ou das suas riquezas.

Mas o acesso ao Pai só se pode encontrar em Cristo, Caminho, Verdade e Vida [xii]: mediante a graça, os homens podem chegar a ser um só Corpo místico na comunhão da Igreja.

Através da contemplação da vida de Cristo e através dos sacramentos, temos acesso à própria vida íntima de Deus.

Pelo Baptismo somos enxertados na dinâmica de Amor da Família das três Pessoas divinas.

Por isso, na vida cristã, trata-se de descobrir que a partir da existência corrente, das múltiplas relações que estabelecemos e da nossa vida familiar, que teve o seu modelo perfeito na Sagrada Família de Nazaré podemos chegar a Deus:

«Intima com as três Pessoas: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. E para chegares à Santíssima Trindade, passa por Maria» [xiii].

Deste modo, pode descobrir-se o sentido da história como caminho da trindade à Trindade, aprendendo da “trindade da terra” – Jesus, Maria e José – a levantar o olhar para a Trindade do Céu.

Giulio Maspero

Bibliografia básica:
Catecismo da Igreja Católica, 232-267. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 44-49. Leituras recomendadas São Josemaria, Homilia «Humildade», em Amigos de Deus, 104-109. J. Ratzinger, El Dios de los cristianos. Meditaciones, Ed. Sígueme, Salamanca 2005.
Notas





[i] «A Igreja exprime a sua fé trinitária confessando um só Deus em três Pessoas: Pai e Filho e Espírito Santo. As três Pessoas divinas são um só Deus, porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. Elas são realmente distintas entre si, pelas relações que as referenciam umas às outras: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho» (Compêndio, 48).
[ii] cf. Jo 14, 6
[iii] cf. Jo 10, 30 e 17, 21
[iv] Catecismo, 221
[v] «Inseparáveis na sua única substância, as Pessoas divinas são também inseparáveis no seu operar: a Trindade tem uma só mesma operação. Mas no único agir divino, cada Pessoa está presente segundo o modo que lhe é próprio na Trindade» (Compêndio, 49).
[vi] cf. Jo 3, 16-17 e 14, 26
[vii] Catecismo, 258
[viii] Cf. Santo Ireneu, Adversus Haereses, IV, 20, 1.
[ix] Cf. São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I, q. 43, a. 1, c. e a. 2, ad. 3.
[x] «O “Nós” divino constitui o modelo eterno do “nós” humano; antes de tudo, daquele “nós” que está formado pelo homem e a mulher, criados à imagem e semelhança divina» (João Paulo II, Carta às Famílias, 2-II-1994, 6).
[xi] cf. Gn 1, 27
[xii] cf. Jo 14, 6
[xiii] São Josemaria, Forja, 543.

Devoción a la Virgen




La Virgen y su importancia en la        historia de Chile y Perú: el Papa le otorga a María un papel central en su visita

Hoy el reto del amor es que entres por la puerta de la persona que tienes al lado.

ATRAVESANDO EL CIELO



La sala del Novi es realmente muy grande. Allí estábamos Israel y yo trabajando en una mesa, sentadas una enfrente de la otra. Se había desatado una impresionante tormenta. Los truenos retumbaban por todo el monasterio cada poco tiempo. 

De pronto, las dos gritamos a la vez:
-¡¡Wow, menudo rayo!! 

Israel vio el resplandor a través de la ventana que había a mi espalda. Yo vi la luz que iluminaba el pasillo a través de la puerta, que quedaba detrás de Israel. 

-Pues sí que ha debido de ser enorme... -comentamos- para que lo hayamos visto las dos... 

Dándole vueltas, me daba cuenta de que nosotros somos como ese rayo. En los momentos de oración, Cristo mismo nos carga con la electricidad de su amor... ¡para que podamos atravesar todo el cielo! 

Sin embargo, no vale ser un rayo cualquiera. Cristo nos invita a ser como el enorme rayo de la tormenta. No por lo grande que fue... sino porque lo vimos todos. ¿Quién no ha oído la expresión "tienes que entrar por su puerta"? La luz del rayo entró por mi puerta... ¡y por la ventana de Israel! 

Efectivamente, cada persona es diferente, con gustos y aficiones distintas, a veces incluso contrarias: ¡cada uno miramos en una dirección! Bien lo sabía Jesús: a los pescadores los buscó en su barca; a Mateo, en su mesa de impuestos, y a los fariseos, amigos de banquetes, les acompañó en la mesa... ¡Y así sigue actuando hoy! Se hace uno con todos, para que cada uno nos sintamos amados en nuestra realidad. 

Hoy el reto del amor es que entres por la puerta de la persona que tienes al lado. Te invito a que, en tu oración, le preguntes a Cristo quién necesita sentir su amor. ¡Y a ello! Pero hoy no uses las palabras, sino tu tiempo. Piensa en algo que le guste, ¡y compártelo! Puedes ver con él el partido de fútbol, o acompañar a tu esposa a ver escaparates, o dedicar un rato a jugar con tus hijos... ¡entra por su puerta llevando la luz del Señor! ¡Preparemos juntos una auténtica "tormenta"! ¡Feliz día! 


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





09/02/2018

O mandamento novo do amor

Jesus Nosso Senhor amou tanto os homens, que encarnou, tomou a nossa natureza e viveu em contacto diário com pobres e ricos, com justos e pecadores, com novos e velhos, com gentios e judeus. Dialogou constantemente com todos: com os que gostavam dele e com os que só procuravam a maneira de retorcer as suas palavras, para o condenar. – Procura comportar-te como Nosso Senhor. (Forja, 558)

Compreende-se muito bem a impaciência, a angústia, os inquietos anseios daqueles que, com uma alma naturalmente cristã, não se resignam perante a injustiça individual e social que o coração humano é capaz de criar. Tantos séculos de convivência dos homens entre si, e ainda tanto ódio, tanta destruição, tanto fanatismo acumulado em olhos que não querem ver e em corações que não querem amar!

Os bens da Terra, repartidos entre muito poucos; os bens da cultura, encerrados em cenáculos... E, lá fora, fome de pão e de sabedoria; vidas humanas – que são santas, porque vêm de Deus – tratadas como simples coisas, como números de uma estatística! Compreendo e compartilho dessa impaciência, levantando os olhos para Cristo, que continua a convidar-nos a pormos em prática o mandamento novo do amor.


É preciso reconhecer Cristo que nos sai ao encontro nos nossos irmãos, os homens. Nenhuma vida humana é uma vida isolada; entrelaça-se com as demais. Nenhuma pessoa é um verso solto; todos fazemos parte de um mesmo poema divino, que Deus escreve com o concurso da nossa liberdade. (Cristo que passa, 111)

Temas para meditar e reflectir

Sensações e outras experiências


Como não sou nem psicólogo nem "vidente", só posso abordar esta questão sob ponto de vista de homem de fé cristã.

Aquilo que algumas vezes sentimos - por vezes de forma tão real - são, para mim, manifestações Espírito Santo.

Ocorrem, quase sempre, em situações de grande "pressão" interior que os sentimentos, como por exemplo as saudades ou a solidão se tornam, por assim dizer, mais prementes, condicionam o espírito e, até, o comportamento.

E vêm as lágrimas, o sentimento de perda, alguma angústia.

Pode e deve resolver-se o assunto pedindo ajuda ao Espírito Santo.
A experiência própria diz-me que Ele não deixa de corresponder da forma que Ele achar mais conveniente.

Um sentimento, uma sensação de carícia, - algo espiritual ou físico - e tudo fica resolvido com um resultado que se traduz em paz e tranquilidade.

Repito, tenho experiência pessoal e nem me assusto, nem tenho dúvidas, nem me interrogo sob se são fenómenos metafísicos ou "paranormais"

Acredito no Espírito Santo e, sobretudo, agradeço.



(ama, reflexões, Carvide, 2016.10.28)

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 7, 31-37

31 Tornando a sair da região de Tiro, veio por Sídon para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. 32 Trouxeram-lhe um surdo tartamudo e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. 33 Afastando-se com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos e fez saliva com que lhe tocou a língua. 34 Erguendo depois os olhos ao céu, suspirou dizendo: «Effathá», que quer dizer «abre-te.» 35 Logo os ouvidos se lhe abriram, soltou-se a prisão da língua e falava correctamente. 36 Jesus mandou-lhes que a ninguém revelassem o sucedido; mas quanto mais lho recomendava, mais eles o apregoavam. 37 No auge do assombro, diziam: «Faz tudo bem feito: faz ouvir os surdos e falar os mudos.»

Comentários:

«Effathá», abre-te! E, a estas palavras, abriram-se os ouvidos do surdo!

Muitas vezes esperamos por algo semelhante, a exclamação que nos desperte da nossa modorra, um gesto que nos urja a levantarmo-nos do nosso torpor e a seguir o caminho, enfim, algo que nos entusiasme, nos anime e faça decidir a continuar o caminho traçado.
E, algumas vezes, nada disto acontece, ou melhor, não nos damos conta que aconteça, de tal forma estamos absorvidos com os nossos próprios problemas e as soluções que procuramos para os mesmos. Entregamo-nos com ardor e pertinácia na busca dessas soluções, desses remédios e descuramos o que está mesmo à nossa frente, ao nosso alcance.

Ele que nos diz, «Effathá», não nos deixa nunca, não se afasta e, quando nos afastamos – porque somos nós que nos afastamos – espera pacientemente que retrocedamos sobre os nossos passos e nos deixemos curar pela Sua ciência de Médico Divino.


(ama, comentário sobre Mc 7, 31-37, V. Moura, 19.09.2012)

Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ

TEMA 5 A Santíssima Trindade

É o mistério central da fé e da vida cristã. Os cristãos são baptizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.  

1. A revelação de Deus uno e trino

«O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade.
Os cristãos são baptizados no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» [i].

Toda a vida de Jesus é revelação do Deus Uno e Trino: na anunciação, no nascimento, no episódio da Sua perda e encontro no Templo quando tinha doze anos e na Sua morte e ressurreição, Jesus revela-Se como Filho de Deus de uma forma nova relativamente à filiação conhecida por Israel.

Além disso, no momento do Seu baptismo, ao iniciar a Sua vida pública, o próprio Pai testemunha ao mundo que Cristo é o Filho Amado [ii] descendo sobre Ele o Espírito em forma de pomba.
A esta primeira revelação explícita da Trindade corresponde a manifestação paralela na Transfiguração, que introduz o mistério Pascal [iii].

Finalmente, ao despedir-Se dos Seus discípulos, Jesus envia-os a baptizar em nome das três Pessoas divinas, para que seja comunicada a todo o mundo a vida eterna do Pai, do Filho e do Espírito Santo [iv].

No Antigo Testamento, Deus tinha revelado a Sua unicidade e o Seu amor para com o povo eleito: Yahwé era como um Pai.
Mas, depois de ter falado muitas vezes pelos profetas, Deus falou por meio de Seu Filho [v], revelando que Yahvé não só é como um Pai, mas que é Pai [vi].

Jesus dirige-se a Ele na Sua oração com o termo aramaico Abba, usado pelas crianças israelitas para se dirigirem ao seu próprio pai [vii] e distingue sempre a Sua filiação da dos discípulos.

Isto é tão chocante, que se pode dizer que a verdadeira razão da crucifixão é justamente o facto de Se chamar a si mesmo Filho de Deus em sentido único.

Trata-se de uma revelação definitiva e imediata [viii], porque Deus se revela com a Sua Palavra:
não podemos esperar outra revelação, enquanto Cristo é Deus [ix] que se nos dá, enxertando-nos na vida que emana do regaço de Seu Pai.
Em Cristo, Deus abre e entrega a Sua intimidade, que de per si seria inacessível ao homem apenas por meio das suas forças [x].

Esta mesma revelação é um acto de amor, porque o Deus pessoal do Antigo Testamento abre livremente o Seu coração e o Unigénito do Pai sai ao nosso encontro, para Se fazer uma só coisa connosco e levar-nos de regresso ao Pai [xi].

Trata-se de algo que a filosofia não podia adivinhar, porque radicalmente apenas pode ser conhecido mediante a fé.

2. Deus na Sua vida íntima

Deus não só possui uma vida íntima, mas Deus é – identifica-se com – a Sua vida íntima, uma vida caracterizada por eternas relações vitais de conhecimento e de amor, que nos levam a expressar o mistério da divindade em termos de processões.

De facto, os nomes revelados das três Pessoas divinas exigem que se pense em Deus como o proceder eterno do Filho do Pai e na mútua relação – também eterna – do Amor que «procede do Pai» [xii] e «toma do Filho» [xiii], que é o Espírito Santo.

A Revelação fala-nos, assim, de duas processões em Deus: a geração do Verbo [xiv] e a processão do Espírito Santo.

Com a característica peculiar de que ambas são relações imanentes, porque estão em Deus: mais ainda, são o próprio Deus, enquanto Deus é Pessoal; quando falamos de processão, pensamos habitualmente em algo que sai de outro e implica mudança e movimento.

Visto que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus Uno e Trino [xv], a melhor analogia com as processões divinas podemos encontrá-la no espírito humano, onde o conhecimento que temos de nós próprios não sai para o exterior: o conceito que fazemos de nós é distinto de nós mesmos, mas não está fora de nós.
O mesmo se pode dizer do amor que temos para connosco.
De forma parecida, em Deus o Filho procede do Pai e é Imagem Sua, da mesma forma como o conceito é imagem da realidade conhecida.
Só que esta Imagem em Deus é tão perfeita que é Deus mesmo, com toda a Sua infinitude, a Sua eternidade, a Sua omnipotência: o Filho é uma só coisa com o Pai, o próprio Algo, essa é a única e indivisa natureza divina, embora seja outro Alguém.

O Símbolo de Niceia-Constantinopla exprime-o com a fórmula «Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro».

O facto é que o Pai gera o Filho dando-Se a Ele, entregando-Lhe a Sua substância e a Sua natureza, não em parte, como acontece na geração humana, mas perfeita e infinitamente.

O mesmo se pode dizer do Espírito Santo, que procede como o Amor do Pai e do Filho.
Procede de ambos, porque é o Dom eterno e incriado que o Pai entrega ao Filho gerando-O e que o Filho devolve ao Pai como resposta ao Seu Amor.

Este Dom é Dom de si, porque o Pai gera o Filho comunicando-Lhe total e perfeitamente o Seu próprio Ser mediante o Seu Espírito. A terceira Pessoa é, portanto, o Amor mútuo entre o Pai e o Filho [xvi].

O nome técnico desta segunda processão é espiração.

Seguindo a analogia do conhecimento e do amor, pode dizer-se que o Espírito procede como a vontade que se move para o Bem conhecido.
 Estas duas processões chamam-se imanentes e diferenciam-se radicalmente da criação, que é transeunte, no sentido de que é algo que Deus faz para fora de Si.
Tratando-se de processões dão conta da distinção em Deus, enquanto que ao serem imanentes dão razão da unidade.

Por isso, o mistério do Deus Uno e Trino não pode ser reduzido a uma unidade sem distinções, como se as três Pessoas fossem apenas três máscaras; ou a três seres sem unidade perfeita, como se se tratasse de três deuses distintos, embora juntos.

(cont)

Giulio Maspero

Notas:




[i] Compêndio, 44
[ii] cf. Mt 3, 1317 e par.
[iii] cf. Mt 17, 1-5 e par.
[iv] cf. Mt 28, 19
[v] cf. Hb 1, 1-2
[vi] cf. Compêndio, 46
[vii] cf. Mc 14, 36
[viii] Cf. SãoTomás de Aquino, In Epist. Ad Gal., c. 1, lect. 2.
[ix] cf., p. ex., Jo 20, 17
[x] «Deus deixou alguns traços do seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade do seu Ser como Trindade Santa constitui um mistério inacessível à razão humana sozinha e mesmo à fé de Israel, antes da Encarnação do Filho de Deus e do envio do Espírito Santo. Tal mistério foi revelado por Jesus Cristo e é a fonte de todos os outros mistérios» (Compêndio, 45).
[xi] cf. Jo 1, 18
[xii] Jo 15, 26
[xiii] Jo 16, 14
[xiv] Cf. Jo 17. 6
[xv] cf. Gn 1, 26-27
[xvi] O Espírito Santo «é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ele é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho; Ele “procede do Pai” (Jo 15, 26), o qual, princípio sem princípio, é origem de toda a vida trinitária. E procede também do Filho (Filioque), pelo dom eterno que o Pai faz de Si ao Filho. Enviado pelo Pai e pelo Filho encarnado, o Espírito Santo conduz a Igreja “ao conhecimento da verdade total” (Jo 16, 13)» (Compêndio, 47).

Devoción a la Virgen


El museo con más rosarios del mundo: los hay de presidentes, de la hermana Lucía, de clérigos famosos…

Doutrina – 400

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

Os fiéis: hierarquia, leigos, vida consagrada

178. Como é formado o povo de Deus?


Na Igreja, por instituição divina, existem os ministros sagrados que receberam o sacramento da Ordem e formam a hierarquia da Igreja. Os outros são chamados leigos.

De uns e de outros, provêm fiéis, que se consagram de modo especial a Deus com a profissão dos conselhos evangélicos: castidade no celibato, pobreza e obediência.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?