09/02/2018

Temas para meditar e reflectir

Sensações e outras experiências


Como não sou nem psicólogo nem "vidente", só posso abordar esta questão sob ponto de vista de homem de fé cristã.

Aquilo que algumas vezes sentimos - por vezes de forma tão real - são, para mim, manifestações Espírito Santo.

Ocorrem, quase sempre, em situações de grande "pressão" interior que os sentimentos, como por exemplo as saudades ou a solidão se tornam, por assim dizer, mais prementes, condicionam o espírito e, até, o comportamento.

E vêm as lágrimas, o sentimento de perda, alguma angústia.

Pode e deve resolver-se o assunto pedindo ajuda ao Espírito Santo.
A experiência própria diz-me que Ele não deixa de corresponder da forma que Ele achar mais conveniente.

Um sentimento, uma sensação de carícia, - algo espiritual ou físico - e tudo fica resolvido com um resultado que se traduz em paz e tranquilidade.

Repito, tenho experiência pessoal e nem me assusto, nem tenho dúvidas, nem me interrogo sob se são fenómenos metafísicos ou "paranormais"

Acredito no Espírito Santo e, sobretudo, agradeço.



(ama, reflexões, Carvide, 2016.10.28)

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 7, 31-37

31 Tornando a sair da região de Tiro, veio por Sídon para o mar da Galileia, atravessando o território da Decápole. 32 Trouxeram-lhe um surdo tartamudo e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. 33 Afastando-se com ele da multidão, Jesus meteu-lhe os dedos nos ouvidos e fez saliva com que lhe tocou a língua. 34 Erguendo depois os olhos ao céu, suspirou dizendo: «Effathá», que quer dizer «abre-te.» 35 Logo os ouvidos se lhe abriram, soltou-se a prisão da língua e falava correctamente. 36 Jesus mandou-lhes que a ninguém revelassem o sucedido; mas quanto mais lho recomendava, mais eles o apregoavam. 37 No auge do assombro, diziam: «Faz tudo bem feito: faz ouvir os surdos e falar os mudos.»

Comentários:

«Effathá», abre-te! E, a estas palavras, abriram-se os ouvidos do surdo!

Muitas vezes esperamos por algo semelhante, a exclamação que nos desperte da nossa modorra, um gesto que nos urja a levantarmo-nos do nosso torpor e a seguir o caminho, enfim, algo que nos entusiasme, nos anime e faça decidir a continuar o caminho traçado.
E, algumas vezes, nada disto acontece, ou melhor, não nos damos conta que aconteça, de tal forma estamos absorvidos com os nossos próprios problemas e as soluções que procuramos para os mesmos. Entregamo-nos com ardor e pertinácia na busca dessas soluções, desses remédios e descuramos o que está mesmo à nossa frente, ao nosso alcance.

Ele que nos diz, «Effathá», não nos deixa nunca, não se afasta e, quando nos afastamos – porque somos nós que nos afastamos – espera pacientemente que retrocedamos sobre os nossos passos e nos deixemos curar pela Sua ciência de Médico Divino.


(ama, comentário sobre Mc 7, 31-37, V. Moura, 19.09.2012)

Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ

TEMA 5 A Santíssima Trindade

É o mistério central da fé e da vida cristã. Os cristãos são baptizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.  

1. A revelação de Deus uno e trino

«O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade.
Os cristãos são baptizados no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» [i].

Toda a vida de Jesus é revelação do Deus Uno e Trino: na anunciação, no nascimento, no episódio da Sua perda e encontro no Templo quando tinha doze anos e na Sua morte e ressurreição, Jesus revela-Se como Filho de Deus de uma forma nova relativamente à filiação conhecida por Israel.

Além disso, no momento do Seu baptismo, ao iniciar a Sua vida pública, o próprio Pai testemunha ao mundo que Cristo é o Filho Amado [ii] descendo sobre Ele o Espírito em forma de pomba.
A esta primeira revelação explícita da Trindade corresponde a manifestação paralela na Transfiguração, que introduz o mistério Pascal [iii].

Finalmente, ao despedir-Se dos Seus discípulos, Jesus envia-os a baptizar em nome das três Pessoas divinas, para que seja comunicada a todo o mundo a vida eterna do Pai, do Filho e do Espírito Santo [iv].

No Antigo Testamento, Deus tinha revelado a Sua unicidade e o Seu amor para com o povo eleito: Yahwé era como um Pai.
Mas, depois de ter falado muitas vezes pelos profetas, Deus falou por meio de Seu Filho [v], revelando que Yahvé não só é como um Pai, mas que é Pai [vi].

Jesus dirige-se a Ele na Sua oração com o termo aramaico Abba, usado pelas crianças israelitas para se dirigirem ao seu próprio pai [vii] e distingue sempre a Sua filiação da dos discípulos.

Isto é tão chocante, que se pode dizer que a verdadeira razão da crucifixão é justamente o facto de Se chamar a si mesmo Filho de Deus em sentido único.

Trata-se de uma revelação definitiva e imediata [viii], porque Deus se revela com a Sua Palavra:
não podemos esperar outra revelação, enquanto Cristo é Deus [ix] que se nos dá, enxertando-nos na vida que emana do regaço de Seu Pai.
Em Cristo, Deus abre e entrega a Sua intimidade, que de per si seria inacessível ao homem apenas por meio das suas forças [x].

Esta mesma revelação é um acto de amor, porque o Deus pessoal do Antigo Testamento abre livremente o Seu coração e o Unigénito do Pai sai ao nosso encontro, para Se fazer uma só coisa connosco e levar-nos de regresso ao Pai [xi].

Trata-se de algo que a filosofia não podia adivinhar, porque radicalmente apenas pode ser conhecido mediante a fé.

2. Deus na Sua vida íntima

Deus não só possui uma vida íntima, mas Deus é – identifica-se com – a Sua vida íntima, uma vida caracterizada por eternas relações vitais de conhecimento e de amor, que nos levam a expressar o mistério da divindade em termos de processões.

De facto, os nomes revelados das três Pessoas divinas exigem que se pense em Deus como o proceder eterno do Filho do Pai e na mútua relação – também eterna – do Amor que «procede do Pai» [xii] e «toma do Filho» [xiii], que é o Espírito Santo.

A Revelação fala-nos, assim, de duas processões em Deus: a geração do Verbo [xiv] e a processão do Espírito Santo.

Com a característica peculiar de que ambas são relações imanentes, porque estão em Deus: mais ainda, são o próprio Deus, enquanto Deus é Pessoal; quando falamos de processão, pensamos habitualmente em algo que sai de outro e implica mudança e movimento.

Visto que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus Uno e Trino [xv], a melhor analogia com as processões divinas podemos encontrá-la no espírito humano, onde o conhecimento que temos de nós próprios não sai para o exterior: o conceito que fazemos de nós é distinto de nós mesmos, mas não está fora de nós.
O mesmo se pode dizer do amor que temos para connosco.
De forma parecida, em Deus o Filho procede do Pai e é Imagem Sua, da mesma forma como o conceito é imagem da realidade conhecida.
Só que esta Imagem em Deus é tão perfeita que é Deus mesmo, com toda a Sua infinitude, a Sua eternidade, a Sua omnipotência: o Filho é uma só coisa com o Pai, o próprio Algo, essa é a única e indivisa natureza divina, embora seja outro Alguém.

O Símbolo de Niceia-Constantinopla exprime-o com a fórmula «Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro».

O facto é que o Pai gera o Filho dando-Se a Ele, entregando-Lhe a Sua substância e a Sua natureza, não em parte, como acontece na geração humana, mas perfeita e infinitamente.

O mesmo se pode dizer do Espírito Santo, que procede como o Amor do Pai e do Filho.
Procede de ambos, porque é o Dom eterno e incriado que o Pai entrega ao Filho gerando-O e que o Filho devolve ao Pai como resposta ao Seu Amor.

Este Dom é Dom de si, porque o Pai gera o Filho comunicando-Lhe total e perfeitamente o Seu próprio Ser mediante o Seu Espírito. A terceira Pessoa é, portanto, o Amor mútuo entre o Pai e o Filho [xvi].

O nome técnico desta segunda processão é espiração.

Seguindo a analogia do conhecimento e do amor, pode dizer-se que o Espírito procede como a vontade que se move para o Bem conhecido.
 Estas duas processões chamam-se imanentes e diferenciam-se radicalmente da criação, que é transeunte, no sentido de que é algo que Deus faz para fora de Si.
Tratando-se de processões dão conta da distinção em Deus, enquanto que ao serem imanentes dão razão da unidade.

Por isso, o mistério do Deus Uno e Trino não pode ser reduzido a uma unidade sem distinções, como se as três Pessoas fossem apenas três máscaras; ou a três seres sem unidade perfeita, como se se tratasse de três deuses distintos, embora juntos.

(cont)

Giulio Maspero

Notas:




[i] Compêndio, 44
[ii] cf. Mt 3, 1317 e par.
[iii] cf. Mt 17, 1-5 e par.
[iv] cf. Mt 28, 19
[v] cf. Hb 1, 1-2
[vi] cf. Compêndio, 46
[vii] cf. Mc 14, 36
[viii] Cf. SãoTomás de Aquino, In Epist. Ad Gal., c. 1, lect. 2.
[ix] cf., p. ex., Jo 20, 17
[x] «Deus deixou alguns traços do seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade do seu Ser como Trindade Santa constitui um mistério inacessível à razão humana sozinha e mesmo à fé de Israel, antes da Encarnação do Filho de Deus e do envio do Espírito Santo. Tal mistério foi revelado por Jesus Cristo e é a fonte de todos os outros mistérios» (Compêndio, 45).
[xi] cf. Jo 1, 18
[xii] Jo 15, 26
[xiii] Jo 16, 14
[xiv] Cf. Jo 17. 6
[xv] cf. Gn 1, 26-27
[xvi] O Espírito Santo «é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ele é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho; Ele “procede do Pai” (Jo 15, 26), o qual, princípio sem princípio, é origem de toda a vida trinitária. E procede também do Filho (Filioque), pelo dom eterno que o Pai faz de Si ao Filho. Enviado pelo Pai e pelo Filho encarnado, o Espírito Santo conduz a Igreja “ao conhecimento da verdade total” (Jo 16, 13)» (Compêndio, 47).

Devoción a la Virgen


El museo con más rosarios del mundo: los hay de presidentes, de la hermana Lucía, de clérigos famosos…

Doutrina – 400

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

Os fiéis: hierarquia, leigos, vida consagrada

178. Como é formado o povo de Deus?


Na Igreja, por instituição divina, existem os ministros sagrados que receberam o sacramento da Ordem e formam a hierarquia da Igreja. Os outros são chamados leigos.

De uns e de outros, provêm fiéis, que se consagram de modo especial a Deus com a profissão dos conselhos evangélicos: castidade no celibato, pobreza e obediência.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





08/02/2018

A caridade é o sal do apostolado

Ama e pratica a caridade, sem limites e sem discriminações, porque é a virtude que caracteriza os discípulos do Mestre. Contudo essa caridade não pode levar-te – deixaria de ser virtude – a amortecer a fé, a tirar as arestas que a definem, a dulcificá-la até convertê-la, como alguns pretendem, em algo amorfo, que não tem a força e o poder de Deus. (Forja, 456)


Pecaria por ingenuidade quem imaginasse que as exigências da caridade cristã se cumprem facilmente. É bem diferente o que nos diz a experiência, quer no âmbito das ocupações habituais dos homens, quer, por desgraça, no âmbito da Igreja. Se o amor não nos obrigasse a calar, cada um de nós teria muito que contar de divisões, de ataques, de injustiças, de murmurações e de insídias. Temos de o admitir com simplicidade, para tratar de aplicar, pela parte que nos corresponde, o remédio oportuno, que se há-de traduzir num esforço pessoal por não ferir, por não maltratar, por corrigir sem deixar ninguém esmagado.


(…) Sinto-me inclinado agora a pedir ao Senhor – se quiserdes unir-vos a esta minha oração – que não permita que na sua Igreja a falta de amor semeie joio nas almas. A caridade é o sal do apostolado dos cristãos; se perde o sabor, como poderemos apresentar-nos ao mundo e explicar, de cabeça erguida, que aqui está Cristo? (Amigos de Deus, 234)

Temas para meditar e reflectir

A força do silêncio


Longe do barulho e das distracções fáceis, na solidão e no silêncio, preocupados unicamente com a transmissão da vontade divina,, ser-nos-á dado ver com os olhos de Deus, e nomear a realidade tal como Ele a Vê e a pronuncia.


Card. Robert Sarah

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 7, 24-30

24 Partindo dali, Jesus foi para a região de Tiro e de Sídon. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse, mas não pôde passar despercebido, 25 porque logo uma mulher que tinha uma filha possessa de um espírito maligno, ouvindo falar dele, veio lançar-se a seus pés. 26 Era gentia, siro-fenícia de origem, e pedia-lhe que expulsasse da filha o demónio. 27 Ele respondeu: «Deixa que os filhos comam primeiro, pois não está bem tomar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos.» 28 Mas ela replicou: «Dizes bem, Senhor; mas até os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas dos filhos.» 29 Jesus disse: «Em atenção a essa palavra, vai; o demónio saiu de tua filha.» 30 Ela voltou para casa e encontrou a menina recostada na cama. O demónio tinha-a deixado.

Comentários:

Um não cristão pode dirigir-se a Jesus Cristo?

Fica bem claro que a questão nem se põe.

Cristo deu a vida por todos os homens, de todos os tempos, a Redenção é universal e definitiva.

Ele atende sempre as súplicas justas venham de quem vierem, mas gosta de ser instado, - perseverantemente instado - por crentes e não crentes.

Digamos que esta perseverança é o penhor e garantia da confiança de quem pede.



(AMA, comentário sobre MC 7, 24-30, 09.02.2017)

Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ

TEMA 4 A natureza de Deus e a Sua actuação

Diante da Palavra de Deus que se revela só pode haver lugar à adoração e ao agradecimento; o homem cai de joelhos diante de um Deus que sendo transcendente é meu íntimo.  

2. Como é Deus?

…/2

A unidade leva a reconhecer Deus como o único verdadeiro.
Mais ainda, Ele é a Verdade e a medida e fonte de tudo o que é verdadeiro [i]; e isto porque justamente Ele é o Ser.

Por vezes, tem-se medo desta identificação, porque parece que, dizendo que a verdade é una, se torna impossível todo o diálogo.
Por isso, é tão necessário considerar que Deus não é verdadeiro no sentido humano do termo, que é sempre parcial.
Mas que n’Ele a Verdade se identifica com o Ser, com o Bem e com a Beleza.
Não se trata de uma verdade meramente lógica e formal, mas de uma verdade que se identifica com o Amor que é Comunicação, em sentido pleno: efusão criativa, exclusivo e universal ao mesmo tempo, vida íntima divina partilhada e participada pelo homem.
Não estamos a falar da verdade das fórmulas ou das ideias, que são sempre insuficientes, mas da verdade do real que, no caso de Deus, coincide com o Amor.
Além disso, dizer que Deus é a Verdade quer dizer que a Verdade é o Amor.
Isto não mete nenhum medo e não limita a liberdade.
De modo que, a imutabilidade de Deus e a Sua unicidade coincidem com a sua Verdade, enquanto que é a verdade de um Amor que não pode passar.
Assim se vê que, para entender o sentido propriamente cristão dos atributos divinos, é necessário unir a afirmação de omnipotência com a de bondade e misericórdia.
Só quando se entendeu que Deus é omnipotente e eterno, a pessoa se pode abrir à esmagadora verdade de que este mesmo Deus é Amor, vontade de Bem, fonte de toda a Beleza e de todo o dom [ii].

Por isso os dados oferecidos pela reflexão filosófica são essenciais embora, de algum modo, insuficientes.
Seguindo este percurso a partir das características que se percebem como primeiras até às que se podem compreender apenas mediante o encontro pessoal com Deus que se revela, chega-se a entrever como estes atributos são expressos com termos distintos apenas na nossa linguagem, enquanto que na realidade de Deus coincidem e se identificam.

O Uno é o Verdadeiro e o Verdadeiro identifica-se com o Bem e com o Amor.

Com outra imagem, pode dizer-se que a nossa razão limitada actua um pouco como um prisma que decompõe a luz nas diferentes cores, cada uma das quais é um atributo de Deus; mas que em Deus coincidem com o Seu próprio Ser, que é Vida e fonte de toda vida.

3. Como conhecemos a Deus?

Pelo que foi dito, podemos conhecer como é Deus a partir das Suas obras: só o encontro com o Deus que cria e que salva o homem pode revelar-nos que o Único é simultaneamente o Amor e a origem de todo o Bem.
Assim Deus é reconhecido não só como intelecto – Logos segundo os gregos – que outorga racionalidade ao mundo – ao ponto de que alguns o terem confundido com o mundo, como acontecia na filosofia grega e como volta a suceder com algumas filosofias modernas – mas que também é reconhecido como vontade pessoal que cria e que ama.
Trata-se, assim, de um Deus vivo; mais ainda, de um Deus que é a própria Vida.
Assim, enquanto Ser vivo dotado de vontade, vida e liberdade, na Sua infinita perfeição, Deus permanece sempre incompreensível; ou seja, irreduzível a conceitos humanos.
A partir do que existe, do movimento, das perfeições, etc. pode-se chegar a demonstrar a existência de um Ser supremo fonte desse movimento, das perfeições, etc.

Mas, para conhecer o Deus pessoal que é Amor, é preciso procurá-Lo na Sua actuação na história a favor dos homens e, por isso, faz falta a Revelação.
Olhando para o Seu actuar salvífico descobre-se o Seu Ser, do mesmo modo que, pouco a pouco, se conhece uma pessoa através do convívio com ela.
Neste sentido, conhecer Deus consiste sempre e só em reconhecê-Lo, porque Ele é infinitamente superior a nós.
Todo o conhecimento sobre Ele procede d’Ele e é um dom Seu, fruto do Seu abrir-Se, da Sua iniciativa.
Então, a atitude para nos aproximarmos deste conhecimento deve ser de profunda humildade.
Nenhuma inteligência finita pode abarcar Aquele que é Infinito, nenhuma potência pode sujeitar o Omnipotente.
Só podemos conhecê-Lo através do que Ele nos dá, quer dizer, através da participação que temos nos Seus bens, fundamentada nos Seus actos de amor com cada um.
Por isso, o nosso conhecimento d’Ele é sempre analógico: quando afirmamos algo d’Ele, simultaneamente temos que negar que essa perfeição se dê n’Ele de acordo com as limitações que vemos no criado.
A tradição fala de uma tripla via: de afirmação, de negação e de eminência, em que o último movimento da razão consiste em afirmar a perfeição de Deus muito para além do que o homem pode pensar e que é origem de todas as realizações dessa perfeição que se vêm no mundo.
Por exemplo, é fácil reconhecer que Deus é grande, mas mais difícil é aperceber-se de que Ele é também pequeno, porque na criação o grande e o pequeno contrapõem-se.
No entanto, se pensarmos que ser pequeno pode ser uma perfeição, como se vê no fenómeno da nanotecnologia, então Deus tem que ser também fonte dessa perfeição e, n’Ele, essa perfeição deve identificar-se com a grandeza.
Por isso, temos que negar que é pequeno (ou grande) no sentido limitado que se lhes dá no mundo criado, para purificar essa atribuição passando à eminência.

Um aspecto especialmente relevante é a virtude da humildade, que os gregos não consideravam virtude.
Por ser uma perfeição, a virtude da humildade não só é possuída por Deus, mas Deus identifica-Se com ela.
Chegamos assim à surpreendente conclusão de que Deus é a Humildade; de tal modo que, só se pode conhecê-Lo numa atitude de humildade, que não é outra coisa senão a participação no dom de Si mesmo. Tudo isso implica que se pode conhecer o Deus cristão mediante os sacramentos e através da oração na Igreja, que torna presente a Sua acção salvífica para os homens de todos os tempos.

Giulio Maspero

Bibliografia básica 

Catecismo da Igreja Católica, 199-231; 268-274. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 36-43; 50. Leituras recomendadas São Josemaria, Homilia «Humildade», em Amigos de Deus, 104-109. J. Ratzinger, El Dios de los cristianos. Meditaciones, Ed. Sígueme, Salamanca 2005.

Notas




[i] cf. Compêndio, 41
[ii] «Deus revela-Se a Israel como Aquele que tem um amor mais forte do que o pai ou a mãe pelos seus filhos ou o esposo pela sua esposa. Ele, em Si mesmo, “é amor” (1 Jo 4, 8.16), que se dá completa e gratuitamente, “que tanto amou o mundo que lhe deu o seu próprio Filho unigénito, para que o mundo seja salvo por seu intermédio” (Jo 3, 16-17). Enviando o seu Filho e o Espírito Santo, Deus revela que Ele próprio é eterna permuta de amor» (Compêndio, 42).

Devoción a la Virgen


Su apostolado juvenil no despegaba hasta que los chicos empezaron a organizarse para rezar el Rosario juntos

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?