23/05/2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRO XIV

CAPITULO IX

Perturbações da alma cujos rectos movimentos se encontram na alma dos justos.

…/2

Mão experimentar a dor enquanto estamos neste lugar de miséria, obtém-se, como sentiu e disse um escritor deste século:

Obtém-se muito caro pelo preço da crueldade da alma e da insensibilidade do corpo.

Por isso o que os gregos lhe chamam (que, se pudesse ser, em latim se chamaria impossibilitas = impassibilidade) _ com a condição de termos de a considerar (na alma e não no corpo) como uma vida livre de todo o sentimento oposto à razão e perturbador do espírito — é, com certeza, um coisa boa e desejável, mas não é desta vida. É a voz, não de quaisquer homens, mas dos mais eminentes em piedade, em justiça e em santidade que diz:

Se dissermos que estamos sem pecado, iludimo-nos a nós próprios e a verdade não está em nós.[i]

Essa impassibilidade só deixará de existir, portanto, quando no homem deixar de haver pecado. Porém, agora já se vive bastante bem, vivendo sem pecado — e quem julgar que está sem pecado consegue, não viver sem pecado, mas viver sem perdão.

Mas se é ao estado de alma sem afecto algum que se chama impassibilidade quem não terá esta insensibilidade pelo pior dos vícios? Pode dizer-se com razão que a perfeita beatitude não conhecerá o aguilhão do temor nem o da tristeza. Mas quem ousaria afirmar, sem de todo se afastar da verdade, que o amor e a alegria serão dela banidos? E se a impassibilidade é o estado em que nenhum medo apavora e nenhum a dor nos oprime, com certeza que é preciso excluí-los desta vida se quisermos viver rectamente, isto é com o a Deus apraz; mas temos simplesmente que esperar pela vida eterna e bem -aventurada que nos foi prometida.

Esse temor de que fala o apóstolo João:

Não há temor na caridade a caridade afasta o temor porque o temor supõe um castigo e o que teme não é perfeito na caridade,[ii]

— esse temor não é do género daquele que fazia com que o apóstolo Paulo temesse que os Coríntios se deixassem seduzir pela astúcia da serpente. Este temor é próprio da caridade; mais ainda: só a caridade é que o tem. Mas aquele é um temor que não existe na caridade, do qual é o próprio apóstolo Paulo a dizer:

Não recebeste um espirito de escravidão para estardes ainda no temor.[iii]

Mas aquele temor casto que permanece no «século do século», se permanece mesmo no século futuro (realmente, com o é que se pode de outra m aneira «permanecer no século do século?»), não é o que treme perante o mal que pode surgir, mas o que se firma (tenens) num bem que se não pode perder. Quando o amor do bem obtido é imutável, sem sombra de dúvida que o receio de evitar o mal exclui, se assim se pode dizer, toda a inquietação. Com o nome de «temor casto» designa-se a vontade de que temos necessidade para repudiarmos o pecado, de maneira que o evitarem os, não com a inquietação da fraqueza exposta ao pecado, mas com a tranquilidade da caridade. Ou então, nenhum género de temor é possível na certíssima segurança das alegrias eternas e bem-aventuradas, o que se disse:

O casto temor do Senhor ficará para sempre (in saeculum saeculi), [iv]

equivale a isto que também foi dito:

A paciência do pobre jamais (in aeternum) perecerá.[v]

Não é que a própria paciência tenha de ser eterna, ela que não é necessária a não ser onde há males a suportar — mas será eterna a meta onde se chega pela paciência. Assim talvez se diga que o «amor casto» permanece no «século do século» porque permanecerá aquilo a que o próprio temor conduz.

Sendo assim, com o há que levar um a vida recta para se chegar à vida bem-aventurada, todos estes afectos são rectos numa vida recta e perversos numa vida perversa. Mas a vida bem-aventurada e eterna possuirá um amor e uma alegria, não apenas rectos, mas também certos: sem temor e sem dor. Assim já de certo modo aparece o que devem ser, nesta peregrinação, os cidadãos da Cidade de Deus, vivendo como ao espírito apraz, não como apraz à carne, isto é, com o apraz a Deus e não com o apraz ao homem — e o que serão um dia na imortalidade para que caminham.

Mas a cidade, isto é, a sociedade dos ímpios que vivem como aos homens apraz e não com o apraz a Deus, que professam doutrinas humanas e demoníacas no próprio culto das falsas divindades com desprezo da verdadeira divindade — essa cidade é atormentada por aqueles afectos como outras tantas doenças e paixões. E se alguns desses cidadãos parecem dominar e regrar, por assim dizer, tais afectos da alma, tornam-se tão soberbos e tão arrogantes na sua impiedade que se incham tanto mais quanto menos sofrem. E se outros na sua vaidade, tanto mais monstruosa quanto mais rara, se tomam de amores pela sua própria impassibilidade ao ponto de se não deixarem como ver nem excitar nem inclinar pelo menor sentimento, perdem toda a humanidade sem atingirem a verdadeira tranquilidade. Efectivamente, porque é duro, nem por isso é correcto, nem, porque é insensível, é por isso sadio.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Jo. I, 8.
[ii] I Jo., IV, 18.
[iii] Rom., VIII, 15.
[iv] Salmo X V III, 10.
[v] Salmo IX, 19.

Epístolas de São Paulo – 84

2ª Carta a Timóteo - cap 2

Dedicação e sofrimento no ministério

- 1Tu, pois, meu filho, sê forte na graça de Cristo Jesus. 2Quanto de mim ouviste, na presença de muitas testemunhas, transmite-o a pessoas de confiança, que sejam capazes de o ensinar também a outros. 3Compartilha as dificuldades, como bom soldado de Cristo Jesus. 4Nenhum soldado em campanha se deixa enredar pelos afazeres da vida, se quer agradar àquele que o alistou. 5E também aquele que participa numa competição não recebe o prémio, se não competir segundo as regras. 6O lavrador que se afadiga é o primeiro a receber os frutos. 7Reflecte sobre o que te digo, pois, o Senhor te dará a compreensão de tudo. 8Tem sempre bem presente Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos e nascido da linhagem de David, segundo o meu evangelho, 9pelo qual sofro mesmo estas cadeias, como se fosse um malfeitor. Mas a palavra de Deus não pode ser acorrentada. 10Por isso, tudo suporto pelos eleitos, para que também eles alcancem a salvação em Cristo Jesus e a glória eterna. 11É digna de fé esta palavra: Se com Ele morrermos, também com Ele viveremos. 12Se nos mantivermos firmes, reinaremos com Ele. Se o negarmos, também Ele nos negará. 13Se formos infiéis, Ele permanecerá fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.

Verdadeiro e falso ensinamento (1 Tm 1,3-7; Tt 1,10-16)


- 14Lembra-lhes estas coisas, advertindo seriamente em nome de Deus que não se envolvam em litígios de palavras. Isso não serve para nada e leva à ruína dos ouvintes. 15Esforça-te por te apresentares diante de Deus como trabalhador digno e irrepreensível, interpretando rectamente a palavra da verdade. 16Evita as vãs conversas profanas, pois só fazem prosperar a impiedade; 17e as palavras dessa gente proliferam como gangrena. Entre esses encontram-se Himeneu e Fileto, 18os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição já se deu e perverteram a fé de alguns. 19Apesar de tudo, o sólido fundamento posto por Deus permanece firme e tem esta marca: O Senhor conhece os que são seus; e afaste-se da maldade todo o que invoca o nome do Senhor. 20Numa casa grande não existem somente vasos de ouro e prata, mas também há os que são de madeira e de barro. Uns servem para usos nobres e outros para uso ordinário. 21Se alguém, pois, se purifica destas coisas, será um vaso de nobre préstimo, consagrado, útil ao seu dono e apropriado para toda a obra boa. 22Foge das paixões juvenis. Procura a justiça, a fé, o amor e a paz com todos os que invocam o Senhor de coração puro. 23Abstém-te de discussões estúpidas e néscias, pois sabes que só levam a conflitos 24e aquele que está ao serviço do Senhor não deve ser conflituoso, mas tem de ser amável para com todos, ter uma boa pedagogia, ser tolerante, 25saber corrigir os adversários com suavidade, na esperança que Deus lhes conceda o arrependimento em ordem ao reconhecimento da verdade 26e escapem ao laço do diabo, que os mantém cativos e sujeitos à sua vontade.

Doutrina – 308


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

87. De que modo Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem?

Jesus é, inseparavelmente, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade da sua Pessoa divina.

Ele, o Filho de Deus, que é «gerado, não criado, consubstancial ao Pai», fez-se verdadeiramente homem, nosso irmão, sem com isto deixar de ser Deus, nosso Senhor.

Pequena agenda do cristão




TeRÇa-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





22/05/2017

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Placido Domingo - Michael Bolton




Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.













Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Enchei de amor esta terra - vídeo




Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa


Evangelho: Jo 15, 26, 16, 4

26«Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai, Ele dará testemunho a meu favor. 27E vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo desde o princípio.»
4Deixo-vos ditas estas coisas, para que, quando chegar a hora, vos lembreis de que Eu vo-las tinha dito. Não vo-las disse, porém, desde o princípio, porque Eu estava convosco.»

Comentário:

O Senhor confirma aos Seus Apóstolos, para que não lhes restem quaisquer dúvidas, que a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade dará testemunho, confirmará por assim dizer, quanto Ele lhes disse e ensinou.

E o mesmo Espírito Santo lhes dará as luzes que possam necessitar para compreender o que ouviram.

Só agora, o Senhor lhes diz isto porque, como disse e é absolutamente lógico, tudo ouviram directamente da Sua boca enquanto esteve com eles.

(AMA, comentário sobre Jo 15, 26, 16, 4, 10.01.2017)





Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRQ XIV

CAPITULO IX

Perturbações da alma cujos rectos movimentos se encontram na alma dos justos.

No nono livro desta obra já respondemos a esses filósofos acerca desta questão das perturbações da alma, mostrando que eles, apegando-se mais às palavras do que aos factos, preferem a discussão à verdade. Entre nós, porém, segundo as Sagradas Escrituras e a sã doutrina, os cidadãos da Cidade de Deus, que vivem como a Deus apraz na peregrinação desta vida, tem em e desejam, entristecem-se e regozijam-se — e, como é recto o seu amor, rectos são também estes afectos. Temem o eterno castigo, desejam a vida eterna; entristecem -se com o presente porque gemem ainda em si próprios, esperando a adopção divina e a redenção de seus corpos; regozijam-se na esperança porque há-de cumprir-se

a palavra que foi escrita: a morte foi absorvida pela
vitória.
[i]

De igual modo — receiam pecar, desejam perseverar; entristecem-se dos seus pecados, regozijam-se das suas boas obras. Receiam pecar porque ouvem:

Porque abundará a iniquidade, arrefecerá a caridade de
muitos;
[ii]

desejam perseverar ao ouvirem o que está escrito:

0 que perseverar até ao fim será salvo;[iii]


entristecem-se dos seus pecados ao ouvirem:

Se dissermos que estamos sem pecado, iludimo-nos a nós próprios e a verdade não está em nós;[iv]

regozijam-se das suas obras quando ouvem:

Deus ama o que dá com alegria.[v]

Da mesma maneira, conforme são débeis ou fortes __ assim eles receiam ser tentados ou desejam ser provados, entristecem-se nas tentações ou nas tentações se regozijam; receiam ser tentados ao ouvirem:

Se alguém for encontrado em falta, vós, que sois espirituais, instrui-o em espírito e doçura, mas acautela-te não sejas tu tentado;[vi]

desejam ser tentados ao ouvirem aquele varão forte da Cidade de Deus dizer:

Prova-me, Senhor, tenta-me; queima os meus rins} o meu coração;[vii]

entristecem -se nas tentações ao verem Pedro chorar; regozijam-se nas tentações ao ouvirem Tiago dizer:

Considerai tudo com alegria, meus irmãos, quando assediados pelas tentações.[viii]

Mas eles não se com ovem comestes sentimentos olhando apenas para si próprios, mas olhando também para aqueles cuja salvação desejam e cuja perdição receiam — entristecendo-se se eles perecem, regozijando-se se eles são libertados. Lembremos aquele varão, o melhor e o mais forte, que se glorifica nas suas enfermidades; lembremos, principalmente nós que viemos dos gentios para a Igreja de Cristo, esse doutor das «gentes», mestre na fé e na verdade; ele trabalhou mais que todos os outros apóstolos e por meio de múltiplas epístolas, instrui os povos de Deus, tanto aqueles que via no seu tempo como também aqueles que previu que haviam de vir; este varão, digo eu, atleta de Cristo, por Ele instruído, ungido por Ele, com ele crucificado, n’Ele glorioso, foi, no teatro deste mundo, um espectáculo para os anjos e para os homens, com batendo lealmente o grande com bate, lançando-se para a meta para recolher a palma da vocação celeste.

Com os olhos da fé maravilhados vêem-no regozijar-se com os que se regozijam, chorar com os que choram, com lutas por fora e tem ores por dentro, desejando dissolver-se para estar com Cristo, aspirando ver os Romanos para, junto deles, ter algum fruto como entre os outros povos;

estimulando os Coríntios e receando esse estímulo, não vá acontecer que o seu espírito se afaste do desejo casto de Cristo;

sentindo uma grande tristeza e uma dor contínua do coração a propósito dos Israelitas porque estes, ignorando a justiça de Deus e querendo estabelecer a sua, não se submetem à justiça de Deus;

e não é só dor, mas também pranto que manifesta aos que antes tinham pecado e não fizeram penitência da sua impureza e das suas fornicações
.
Se estes movimentos, estes afectos, que procedem do amor do bem e da santa caridade, se devem chamar «vícios », teremos que admitir que os verdadeiros vícios se amem virtudes. Mas, se esses afectos seguem a recta razão quando tendem para o seu fim conveniente, quem se atreverá então a chamar-lhes enfermidades ou paixões viciosas? Foi por isso que o Senhor, Ele próprio, que se dignou levar a vida humana na forma de escravo, mas sem ter absolutamente nenhum pecado, usou delas quando julgou que convinha tazê-lo. Realmente, não era falso o afecto humano de quem tinha verdadeiro corpo e verdadeiro espírito de homem. E quando o Evangelho conta a seu respeito que Ele sentiu tristeza e ira devido à dureza do coração dos Judeus;

que Ele disse:

Por vossa causa estou alegre ao pensar que tendes fé;[ix]

que Ele chora antes de ressuscitar Lázaro;

que desejou comer a Páscoa com os seus próprios discípulos;

que a sua alma mergulhou na tristeza ao aproximar-se a paixão — com certeza nada disto que se conta é falso. Mas, em conformidade com um determinado desígnio, quis experimentar estas emoções na sua alma humana tal qual como se quis tornar homem.

De resto, devemos confessá-lo, os nossos afectos, mesmo quando são rectos e como a Deus apraz, pertencem a esta vida, não à vida futura que esperamos, e muitas vezes cedemos-lhe contra vontade. Às vezes um a emoção, apesar de não devida a um culpável desejo, mas a louvável caridade, faz-nos chorar mesmo que não queiramos. Temo-los, devido à debilidade da condição humana. Mas não é assim o Senhor Jesus; a sua própria fraqueza resultou da sua potestade. Mas enquanto somos portadores da debilidade desta vida, se não tivéssemos nenhum deles seria caso para dizermos que a nossa vida era defeituosa. Por isso o Apóstolo vituperava e detestava certos homens que dizia serem desprovidos de afectos. Também o salmo sagrado incrimina aqueles de quem diz:

Esperei por alguém que partilhasse a minha tristeza e ninguém apareceu.[x]


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] 1 Corínt., XV, 54.
[ii] Mt., X X IV, 12.
[iii] Mt., X, 22.
[iv] I Jo, I, 8.
[v] II Corínt., IX, 7.
[vi] Galat, VI, 4.
[vii] Salmo X X V, 2.
[viii] Tiago, I, 2.
[ix] Jo, X I, 15.
[x] Salmo XLVIII. 21.

Epístolas de São Paulo – 83

2ª Carta a Timóteo - cap 1

Saudação e acção de graças

- 1Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, por desígnio de Deus, segundo a promessa de vida que há em Cristo Jesus, 2a Timóteo, meu filho querido: graça, misericórdia e paz de Deus Pai e de Cristo Jesus, Nosso Senhor. 3Dou graças a Deus, a quem sirvo em consciência pura, como já o fizeram os meus antepassados, ao recordar-te constantemente nas minhas orações, noite e dia. 4Ao lembrar-me das tuas lágrimas, anseio ver-te, para completar a minha alegria, 5pois trago à memória a tua fé sem fingimento, que se encontrava já na tua avó Loide e na tua mãe Eunice e que, estou seguro, se encontra também em ti.

Apelo à renovação da graça recebida


- 6Por isso recomendo-te que reacendas o dom de Deus que se encontra em ti, pela imposição das minhas mãos, 7pois Deus não nos concedeu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de bom senso. 8Portanto, não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas compartilha o meu sofrimento pelo Evangelho, apoiado na força de Deus. 9Ele salvou-nos e chamou-nos, por santo chamamento, não em atenção às nossas obras, mas segundo o seu próprio desígnio e a graça a nós concedida em Cristo Jesus, antes dos séculos eternos, 10e agora revelada na manifestação do nosso Salvador, Cristo Jesus, que destruiu a morte e irradiou vida e imortalidade, por meio do Evangelho, 11do qual eu próprio fui constituído arauto, apóstolo e mestre. 12Por este motivo é que suporto também esta situação. Mas não me envergonho, pois sei em quem acreditei e estou persuadido de que Ele tem poder para guardar, até àquele dia, o bem que me foi confiado. 13Toma como modelo as sãs palavras que ouviste de mim, na fé e no amor de Cristo Jesus. 14Guarda, pelo Espírito Santo que habita em nós, o precioso bem que te foi confiado. 15Como sabes, todos os da Ásia me abandonaram, inclusivamente Figelo e Hermógenes. 16Que Deus mostre a sua misericórdia para com a família de Onesíforo, que tantas vezes me confortou e não se envergonhou das minhas cadeias. 17Pelo contrário, quando chegou a Roma, procurou-me afanosamente até me encontrar. 18Que o Senhor o faça encontrar misericórdia diante de si, naquele dia. Além disso, conheces melhor do que ninguém os serviços que ele prestou em Éfeso.

Doutrina – 307


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

86. Que significa a palavra «Encarnação»?

A Igreja chama «Encarnação» ao mistério da admirável união da natureza divina e da natureza humana na única Pessoa divina do Verbo. Para realizar a nossa salvação, o Filho de Deus fez-se «carne» [i] tornando-se verdadeiramente homem. A fé na Encarnação é o sinal distintivo da fé cristã.




[i] Jo 1,14

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte

Pergunto:

Não é estranho que Deus permaneça ofendido?

Respondo:


Deus não permanece ofendido. Os pecados são ofensas a Deus mas não O afectam e não fica ofendido. (Para que haja ofensa não é necessário que o ofendido sofra). De qualquer forma, pode dizer-se que os pecados também afetam a Deus, pois pesam sobre a Cruz de Cristo, verdadeiro Deus.

Bento XVI – Pensamentos espirituais 146

O espírito da Quaresma


O tempo da Quaresma não deve ser encarado com espírito «velho», como se se tratasse de uma incumbência pesada e maçadora, mas com o espírito novo de quem encontrou em Jesus e no seu mistério pascal o sentido da vida e sabe que a partir de agora tudo deve referir-se a Ele.

Angelus, (26.Fev.06)

(in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)

Pequena agenda do cristão



SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




21/05/2017

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Corona Vocallis



 


Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.













Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.