09/12/2016

Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


PRIMEIRA PARTE


A PESSOA DE JESUS CRISTO


Capítulo II


A VINDA DO FILHO DE DEUS NA ECONOMIA DIVINA DA SALVAÇÃO


6. O nome de «Cristo»

O nome de «Messias» provem do hebreu mashia, que significa «ungido». Este título foi traduzido do grego por christós, e latinizado em Christus.


Originalmente aplicava-se ao rei de Israel, em alusão à cerimónia de investidura em que era ungido com azeite [i]. O título de «ungido» aplicou-se especialmente a David e à sua dinastia, e passou a converter-se no nome do Messias, do Cristo, que será o rei descendente de David, o ungido por excelência e instrumento de Deus para estender o seu reino a todas as nações.


Depois este nome aplicou-se também a outros «ungidos» de Deus: aos sacerdotes, filhos de Aarão [ii], e mais raramente aos profetas [iii].


O nome de Cristo, Messias, passa a ser nome próprio de Jesus porque Ele cumpre de modo eminente e perfeito a missão divina que essa palavra significa. Com efeito, o Messias que Deus enviaria para instaurar definitivamente o seu Reino «devia ser ungido pelo Espírito do Senhor [iv] ao mesmo tempo como rei e sacerdote [v] mas também como profeta [vi]. Jesus cumpriu a esperança messiânica de Israel na sua triple função de sacerdote, profeta, e rei» [vii] Jesus reúne em si os diferentes aspectos do Messias anunciado, que os judeus muitas vezes não sabiam compaginar; e n’Ele se mostra o sentido autêntico de todos eles.

Jesus é o Messias anunciado, o ungido rei salvador, de uma ordem diferente e superior à que os judeus esperavam. Ungido não com unguento terreno mas com óleo espiritual [viii], com a plenitude da graça e dons do espírito divino: Ele é desde o início da sua existência humana o «Cristo», quer dizer, o ungido pelo Espírito Santo [ix].


7. Cristo é o centro da história humana


a) As genealogias de Cristo e a história humana


O Evangelho segundo São Mateus começa, conforme o costume hebreu, com a genealogia de José e faz uma lista partindo de Abraão [x]. A Mateus, interessa-lhe pôr em relevo, mediante a paternidade legal de José, que Jesus descende de Abraão e de David; mais em concreto, que era o Messias anunciado pelos profetas, a esperança de Israel e o que dá sentido a toda a história do povo de Deus.


São Lucas, ao contrário, escreveu para os cristãos procedentes dos gentios, e quer destacar a universalidade da redenção de Cristo. Segundo o Evangelho de Lucas, a genealogia de Jesus è ascendente [xi]: desde Jesus através dos seus antepassados, passando por Abraão, remonta até Adão, pai de todos os homens, tanto judeus como gentios. O Evangelho quis mostrar o vínculo de Jesus com todo o género humano: Cristo é o Novo Adão, o novo princípio da linhagem humana e o salvador de todos os homens.


b) A Encarnação dá sentido a toda a história

«Quando chegou a plenitude dos tempos enviou Deus o seu Filho, nascido de mulher» [xii]. A Encarnação teve lugar na plenitude dos tempos, isto é no tempo oportuno segundo os planos de Deus.


O monge Dionísio o Exíguo (século VI) propôs-se colocar o nascimento de Cristo como centro da história d humanidade e, com os dados históricos de que dispunha, situou-o no ano 753 da fundação de Roma: esta data é o começo da era cristã. Hoje admite-se que se equivocou no seu cômputo, e pensa-se que Jesus deve ter nascido aproximadamente no ano 748 da fundação de Roma, equivalente ao 6 antes da era cristã. Este foi o momento mais importante da história: Deus e a eternidade entram na história humana para nos salvar.


A postura de Dionísio o Exíguo, que de algum modo reflecte o que nos sugerem as genealogias de Cristo, tem um grande sentido teológico. Com efeito, Cristo é o fundamento de toda a história anterior, que tem valor salvífico só por meio d’Ele e a Ele se ordena. Assim como também Cristo é o fundamento de toda a história posterior, que vive da graça proveniente da sua obra redentora.


«A Igreja crê que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre» [xiii] Cristo é certamente o centro da história humana, não no sentido cronológico, mas qualitativo: Ele é «o alfa e o ómega, o primeiro e o último, o princípio e o fim» [xiv]. N’Ele os homens encontram a fonte da vida sobrenatural, e também o seu sentido e meta última, que é a salvação.


Capítulo III


A REALIDADE DA ENCARNAÇÂO DO FILHO DE DEUS


1. A vinda do Filho de Deus ao mundo, concebido de santa Maria Virgem


a) A anunciação a Maria e a concepção de Jesus


No admirável plano da doação que Deus faz de si mesmo à criatura, a Encarnação é o acontecimento central e culminante, e Maria foi a colaboradora com a sua fé e com o seu amor para união de Jesus com a humanidade.


São Lucas descreve esse momento transcendental: O anjo Gabriel enviado por parte de Deus comunica o plano divino a Maria: «Conceberás no teu seio e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo (…) O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, e por isso o filho engendrado será santo, será chamado Filho de Deus» [xv]. A Virgem, cheia de fé e de confiança em Deus, dá o seu rendido consentimento à disposição divina: «Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» [xvi].


«E o Verbo fez-se carne e habitou entre nós» [xvii]. O mistério da união – dos esponsais – entre o Filho de Deus e a humanidade, realiza-se no instante em que Maria pronunciou o seu sim «em nome de toda a natureza humana» [xviii]. E ela concebeu como homem o Filho eterno do Pai, que se fez realmente seu filho.


b) A Encarnação é obra do Espírito Santo


A Sagrada Escritura deixa muito claro que Jesus Cristo não foi concebido por obra de varão, como os ouros homens, mas sim unicamente pelo poder e obra do Espírito Santo, permanecendo a sua Mãe sempre virgem (cf. Mt 1,18-25; Lc 1,34-38). E assim o confessou a Igreja desde os primeiros testemunhos e a Tradição e as primeiras formulações da fé.

A «virtude do Altíssimo» (Lc 1,35), pela qual se levou a cabo a Encarnação, é o poder infinito do único Deus. Assim, pois, a Encarnação do Filho de Deus é obra da Trindade. Todavia, a concepção milagrosa de Cristo só costuma atribuir-se ao Espírito Santo, que ali interveio juntamente com o Pai e o Filho: «O concebido nela vem do Espírito Santo» (Mt 1,20). É que a revelação atribui ao Espírito Santo as obras que manifestam especialmente o amor e o poder divinos, e em particular atribui-se-Lhe o mistério da Encarnação do Filho de Deus em Maria Santíssima.


Todavia, como a filiação é a relação de uma pessoa com respeito ao que a engendrou, Cristo – que é Filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade – não é, nem se pode chamar, filho do Espírito Santo, nem da Trindade, mas somente de Deus Pai.


c) Maria é a Mãe de Deus


Maria, escolhida por Deus Pai desde toda a eternidade para será Mãe do seu Filho, pelo seu consentimento e aceitação da vontade divina, foi realmente feita a Mãe de Deus. «Com efeito, aquele que ela concebeu como homem, por obra o Espírito Santo, e que se fez verdadeiramente seu filho segundo a carne, não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (‘Theotokos’) (cf. DS, 215)»[1].


Por isso, sob o impulso do Espírito Santo, é chamada «a mãe do meu Senhor» desde a concepção de Jesus, ainda antes do nascimento do seu Filho (cf. Lc 1,43).


d) «O Verbo se fez carne»: a Encarnação

 «O Verbo se fez carne» (J 1,14), diz São João no prólogo do seu Evangelho, significando por «carne» o homem inteiro, conotando o mais visível e o mais humilde do ser humano, em contraste coma excelência do Verbo[2]

Tomando essa frase do evangelista, a Igreja chama «Encarnação» ao facto de que o Filho de Deus tenha assumido uma natureza humana para levar a cabo, mediante ela, a nossa salvação. O acontecimento único e totalmente singular da Encarnação consiste em que o Filho de Deus se fez verdadeiramente homem sem deixar de ser Deus.

Este mistério é tão essencial que «a fé na verdadeira encarnação do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã»[3]; mistério que a Igreja defendeu e aclarou especialmente durante os primeiros séculos face às heresias que a falseavam.


2. Jesus Cristo é perfeito homem


a) A realidade do corpo de Cristo.


    A heresia do docetismo gnóstico.


O gnosticismo é uma amálgama de doutrinas místicas orientais, de tipo filosófico (sobretudo platónicas) e cosmogónico, que teve uma rápida propagação nos primeiros séculos da nossa era. Uma das suas variantes cristãs, o docetismo, é uma doutrina aparecida já no século I que considera que a matéria é má e, por consequência, nega que Cristo tivesse um verdadeiro corpo material, de carne humana: o corpo de Cristo seria só aparente. Portanto, o seu nascimento ou a sua paixão e morte não foram reais mas só fictícias e irreais.

Todavia, a Sagrada Escritura testemunha claramente que Cristo foi homem verdadeiro, com um corpo real: é descendente de David, foi concebido pela Virgem Maria, nasceu, cresceu, cansou-se, teve fome e sede, dormiu, sofreu, derramou o seu sangue, morreu, foi sepultado, etc. O seu corpo não era fantasmagórico, mas material de carne e osso, era real e tangível, inclusive depois da Ressurreição (cf. Lc 24,39; 1Jo 1,1-3).

Já desde a própria época apostólica a fé cristã insistiu na verdadeira Encarnação do Filho de Deus face a estas heresias (cf. 1 Jo 4,2-3; 2Jo 7), que foram refutadas pelos Padres e escritores clássicos dos primeiros séculos, como Santo Inácio de Antioquia, Santo Ireneu e outros. Estes escritores não só mostraram a verdade do corpo de Cristo com a Sagrada escritura na mão, como argumentaram também que negar a realidade do corpo de Cristo é negar a realidade da redenção obrada pelo Senhor.


b) A realidade da alma de Cristo. A heresia do apolinarismo


Apolinar de Laodiceia (século IV) sustentou que o Verbo não teria assumido uma humanidade completa, pois dois seres íntegros não poderiam fazer-se realmente um. A humanidade de Cristo estaria somente composta de carne e alma sensitiva. Nesta natureza o Verbo assumiria a função de alma intelectiva e racional.

Todavia, a Sagrada Escritura testemunha claramente que Cristo foi perfeito homem com uma alma humana racional verdadeira: alegrou-se, entristeceu-se, comoveu-se, teve afectos, era totalmente livre, obedeceu, era humilde, veraz, generoso e misericordioso, etc. Enfim, Jesus tinha todas as virtudes e qualidades da alma humana.


O erro de Apolinar foi refutado por São Gregório de Nisa e outros Padres da Igreja que insistiram na perfeita humanidade de Cristo: Jesus não seria perfeito homem se carecesse de alma humana, se não tivesse uma inteligência e vontade humanas. Doutra forma não teria redimido a linhagem humana, pois «não foi curado o que não foi assumido), e Cristo curou todo o homem: corpo e alma.

O apolinarismo foi condenado pelo Papa São Dâmaso e posteriormente pelo concílio I de Constantinopla (ano de 3181)[4]. Desde então o Magistério da Igreja tem ensinado sempre que Nosso Senhor é «perfeito Deus e perfeito homem: que subsiste com alma racional e carne humana»[5].

c) Cristo teve uma verdadeira natureza humana, composta de alma e corpo

    Muitas vezes Jesus designa-se a si mesmo como «homem» (cf. Jo 8,40), e igualmente no Novo Testamento se o nomeia desta forma (cf. 1 Cor 15,21; i Tim 2,5), quer dizer, como alguém que tem propriamente a natureza humana. E a Tradição e o magistério da Igreja insistiram em que Ele era verdadeiro homem, consubstancial connosco; «semelhante a nós em tudo, excepto no pecado». (Heb 4,15).

Temos de ter presente que a natureza humana está composta pela união substancial de corpo e alma; de modo que, se não se desse esta composição, Cristo não seria verdadeiramente homem; nem o corpo de Cristo seria vivo, nem seria humano, pois a alma é o princípio que dá a vida e a espécie à matéria. Assim pois, Jesus teve uma verdadeira natureza humana, composta pela união da alma e do corpo[6]

Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)



[1] CCE, 495.
[2] Este modo de expressar o todo pela parte (o homem pela carne) é habitual na Escritura: cf. Is 40,5; Jb 19,26; 1 Cor 1,29; 2 Cor 7,5; 1 Pd 1,24; etc.
[3] CCE, 463.
[4] CF. CONC. DE CONSTANTINOPLA, DS, 149.
[5] Símbolo Quicumque, DS, 76.
[6] Cf. CONC. VIENNENSE, DS, 900; 902; S. Th. III, 2,5.



[i] Cf. 1 Sam 9,16; 10,1; 16,1.12-13; 1 Re 1,39.
[ii] (cf. Ex 29,7; Lv 8,12)
[iii] (cf. 1 Re 19,16)
[iv] (cf. Is 11,2)
[v] (cf. Za 4,14; 6,13)
[vi] (cf. Is 61,1)
[vii] CCE, 436.
[viii] (cf. Sal 45/44,8)
[ix] (cf. Lc 1,35)
[x] (cf. Mt 1,2-17)
[xi] (cf. Lc 3,23-28)
[xii] (Gal 4,4)
[xiii] GS, 10.
[xiv] (Ap 22,13)
[xv] (Lc 1,30-35)
[xvi] (Lc 1,38)
[xvii] (Jo 1,14)
[xviii] S. Th. II,30,1.

Los Puritanos

Puritanos

Toda la ignominia que ha rodeado la muerte de Rita Barberá [1], empezando por ese grotesco minuto de silencio que le dedicaron (o se negaron a dedicarle) quienes antes la habían empujado a la muerte se explica porque España es una cáscara vacía que se ha quedado sin Dios.
                
Afirmaba Foxá que los minutos de silencio son “la cáscara vacía de la oración”; o sea, una oración que se ha quedado sin su meollo, sin su dulce amado centro, que es Dios. Toda la ignominia que ha rodeado la muerte de Rita Barberá, empezando por ese grotesco minuto de silencio que le dedicaron (o se negaron a dedicarle) quienes antes la habían empujado a la muerte se explica porque España es una cáscara vacía que se ha quedado sin Dios. Decía ingenuamente el Kirilov de Dostoievski que “si Dios no existe, todo está permitido”; pero lo que en realidad ocurre es que, si Dios no existe, nada puede ser perdonado. En las sociedades que se han quedado sin Dios hay muchas cosas que no están admitidas (en general, todas las cosas nobles y buenas), pero nadie puede perdonarnos, porque el Dios misericordioso ha sido suplantado por unos diosecillos puritanos que, como el doctor Pedro Recio de Tirteafuera hacía con Sancho, nos apuntan con su varilla cada vez que cometemos un pecado, negándonos el perdón. Sólo en un mundo lleno de Dios fluye la vida de tal modo que haya pecado y perdón; pero allí donde falta Dios los pecados nunca se perdonan y la vida se coagula en la acusación y el reproche, porque los diosecillos puritanos nunca dejan de señalar nuestras culpas. Y como en un mundo sin Dios tampoco hay vida de ultratumba, los diosecillos puritanos que señalan los pecados del prójimo extienden su jurisdicción incluso más allá de la muerte. Por eso Pablo Iglesias, cual Pedro Recio de Tirteafuera que administra una severa dieta moral al prójimo, considera que nada puede ser perdonado, ni siquiera en esa otra vida donde antaño Dios era único juez, y se niega a guardar un minuto de silencio en homenaje a la difunta Rita Barberá.

La impiedad de Pablo Iglesias resulta, sin embargo, irreprochablemente lógica en un mundo sin Dios, en el que no puede haber perdón. En una sociedad religiosa, ante un cadáver se detiene el ansia justiciera, se aplaca la cólera, enmudecen los reproches; porque “la muerte todo lo calla”. Pero esta lección elemental de antropología no vale para las sociedades sin Dios, donde el puritanismo no deja de acusar ni siquiera en presencia de la muerte, donde el furor censorio de los que se creen irreprochables no se detiene ante el sufrimiento del prójimo. Pero más patético aún que este puritanismo rigorista de Iglesias es el puritanismo con freno y marcha atrás de los correligionarios de Rita Barberá, que ahora se muestran muy lloricas ante su cadáver, después de haberla abandonado a su suerte cuando aún estaba viva, mientras los medios de comunicación carroñeros le lanzaban dentelladas sin descanso, hasta conseguir que la depresión y la ansiedad la convirtieron en una sombra de lo que fue, hasta conseguir que su corazón reventara. Y estos correligionarios puritanos, después de abandonarla en vida, pretenden que su muerte tenga un efecto lustral o amnésico sobre su vileza, como si fuese la sangre del Cordero, lavando sus faltas de ayer mismo, cuando la expulsaron de su partido, cuando la dejaron sola ante las dentelladas de los carroñeros, cuando la evitaban en los pasillos, cuando no le cogían el teléfono, cuando la trataban con displicencia y hasta con desdeñosa crueldad, como siempre hacen los puritanos con el pecador (aunque sepan que no ha pecado, aunque sepan que ha pecado menos que ellos). Pero la muerte de Barberá, lejos de lavar la culpa de sus correligionarios, la hace resplandecer como una llama.

¿Y cómo piensan estos puritanos alcanzar el perdón de sus culpas? No será, desde luego, celebrando minutos de silencio, cáscaras vacías de donde ha desertado Dios, el único que –muerta Rita Barberá– podría perdonarlos.

juan manuel de prada
Artículo publicado en ABC el 26 de noviembre de 2016.




[1] María Rita Barberá Nolla foi uma política espanhola do Partido Popular. Foi a prefeita da cidade de Valência entre 1991 e 2015. Nascimento: 16 de julho de 1948, Valência, Espanha
Falecimento: 23 de novembro de 2016, Madri, Espanha

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





08/12/2016

Canta diante de Maria Imaculada

Deus Omnipotente, Todo-Poderoso, Sapientíssimo tinha que escolher a sua Mãe. – Tu, que terias feito, se tivesses tido de escolhê-la? Penso que tu e eu teríamos escolhido a que temos, enchendo-a de todas as graças. Isso fez Deus. Portanto, depois da Santíssima Trindade, está Maria. Os teólogos estabelecem um raciocínio lógico desse cúmulo de graças, desse não poder estar sujeita a satanás: convinha, Deus podia fazê-lo, logo fê-lo. É a grande prova. A prova mais clara de que Deus rodeou a sua Mãe de todos os privilégios, desde o primeiro instante. E assim é: formosa e pura e limpa, em alma e corpo! (Forja, 482)

És toda formosa e não há mancha em ti. – És horto cerrado, minha irmã, Esposa, horto cerrado, fonte selada. – Veni: coronaberis. – Vem: serás coroada (Cant. IV, 7, 12 e 8).

Se tu e eu tivéssemos tido poder, tê-la-íamos feito também Rainha e Senhora de toda a criação.

Um grande sinal apareceu no céu uma mulher com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. – O vestido de sol. – A lua a seus pés (Apoc. XII, 1). Maria, Virgem sem mancha, reparou a queda de Eva; e esmagou, com o seu pé imaculado, a cabeça do dragão infernal. Filha de Deus, Mãe de Deus, Esposa de Deus.

O Pai, o Filho e o Espírito Santo coroaram-na como Imperatriz que é do Universo.


E rendem-lhe preito de vassalagem os Anjos..., e os patriarcas e os profetas e os Apóstolos..., e os mártires e os confessores e as virgens e todos os santos..., e todos os pecadores e tu e eu. (Santo Rosário, 5º mistério glorioso)

Temas para meditar - 674

Santíssima Virgem

Deus tinha-a despojado dos seus sonhos, tinha-a feito conhecer a pobreza mais absoluta, ver-se privada até das coisas indispensáveis que a mais pobre das mães tem; tinha-a feito passar pela humilhação de mendigar um tecto, para se ver cortês e superficialmente despedida, provavelmente com boas palavras. 

Ninguém a tinha escutado, ninguém se tinha interessado pelo seu problema pessoal. 

(federico suarez,  A Virgem Nossa Senhora Éfeso 4ª Ed. Nr. 190)

Evangelho e comentário

Tempo do Advento

Imaculada Conceição da Virgem Maria

Evangelho: Lc 1, 26-38

26 Estando Isabel no sexto mês, foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Gali­leia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de David; o nome da virgem era Maria. 28 Entrando o anjo onde ela estava, disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça; o Senhor é contigo». 29 Ela, ao ouvir estas palavras, perturbou-se e discorria pensativa que saudação seria esta. 30 O anjo disse-lhe: «Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; 31 eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a Quem porás o nome de Jesus. 32 Será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai David; 33 reinará sobre a casa de Jacob eternamente e o Seu reino não terá fim».34 Maria disse ao anjo: «Como se fará isso, pois eu não conheço homem?» .35 O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra; por isso mesmo o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Eis que também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e este é o sexto mês da que se dizia estéril; 37 porque a Deus nada é impossivel». 38 Então Maria disse: «Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo afastou-se dela.

Comentário:

Páginas e páginas foram escritas ao longo dos séculos sobre os acon­tecimentos aqui relatados. Algumas de grande beleza e elevação, outras de profunda meditação.

Nunca serão, no entanto, bastantes e suficientes, trata-se nada mais que o princípio do cumprimento das promessas divinas para a salva­ção da humanidade.

Tudo depende de uma simples e humilde jovem de Nazaré que embora escolhida por Deus desde ou principio dos tempos tem de dar o seu consentimento pessoal para aceitar cumprir esses menos desígnios divinos.

Deus respeita sumamente a liberdade humana como aqui fica comprovado e nem por conhecer o passado, o presente e o futuro passará por cima dessa liberdade individual que Ele próprio concedeu ao homem.

(ama, comentário sobre Lc 1, 26-38, 2016.04.04)






Leitura espiritual



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia


PRIMEIRA PARTE


A PESSOA DE JESUS CRISTO


Capítulo II


A VINDA DO FILHO DE DEUS NA ECONOMIA DIVINA DA SALVAÇÃO

4. Anúncio da vinda do salvador, o Messias esperado


Como ninguém podia salvar-se depois do pecado original Senão Jesus Cristo, Deus anunciou a sua vinda repetidas vezes e preparou-a de muitas formas desde o princípio do mundo. O próprio Deus se encarregou de manter e reforçar essa esperança do salvador através da história d humanidade, ao mesmo tempo que ia revelando e precisando diferentes aspectos da figura e da vida do Messias prometido.


a) Promessas do Redentor


O proto-evangelho.


Depois do pecado dos nossos primeiros pais, Deus não abandonou os homens, antes imediatamente os levou à esperança da salvação. Com efeito Deus dirigiu à serpente estas palavras: «Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua linhagem e a sua linhagem; ele te pisará a cabeça, enquanto tu mordes o seu calcanhar» [i]. A este versículo do Génesis chama-se «proto-evangelho», precisamente porque constitui o primeiro anúncio e promessa da salvação.

O descendente da mulher que vencerá o demónio é o Redentor, Jesus Cristo. A mulher de que se fala é Eva no seu sentido imediato, e Maria em sentido pleno.


A promessa a Abraão.


Deus fez uma aliança com Abraão e fez-lhe a promessa de lhe dar não só uma terra, como fazê-lo pai de um grande povo, e que pela sua descendência seriam benditas todas as nações da terra [ii].


Deus renovou várias vezes a Abraão estas promessas [iii], que representam um anúncio da salvação universal por meio de um descendente seu, que será Jesus.


Confirmação e renovação da promessa.


Deus renovou a Aliança e a promessa com diferentes eleitos e foi concretizando a ascendência do Messias: não só será descendente de Abraão, como mais concretamente um descendente de Jacob [iv], e mais especificamente da tribo de Judá [v], e mais concretamente ainda da família de David [vi].


b) Profecias sobre o Messias rei


O filho de David.


O profeta Natán, em nome de Deus, promete a David que o Messias esperado desde os tempos mais antigos será seu descendente. E reinará para sempre, não só sobre Israel, mas sobre todos os povos [vii].


Na Bíblia aplica-se frequentemente a David o título de «ungido do senhor»; ele será o tipo por excelência de rei ungido no qual se cumprirá plenamente a promessa divina: o Messias, que será filho de David e rei de Israel, cujo reino não terá fim.


São muitas as profecias do Antigo Testamento sobre o Messias-rei, filho de David. Destaquemos só dois pelos aspectos particulares que assinalam:


Especial Filiação Divina do Messias: Salmo 2.


Este salmo messiânico descreve a rebelião das nações contra Deus e contra o seu Messias. Deus, pelo contrário, ri-se dos seus inimigos e anuncia que constituiu o Messias rei sobre Sião. Este Messias-rei promulga o decreto de Yahwé que encerra uma declaração de uma especial Filiação Divina: «Tu és o meu filho, eu hoje te gerei. Pede-me e dar-te-ei as gentes por herança, e as tuas possessões até aos confins da terra».


O Emanuel nascido de uma virgem.

Isaías transmite-nos uma série de profecias entre os capítulos 7 e 11 do seu livro, que se conhecem como o livro do Emanuel.


Ali se diz que o Messias-rei nascerá de uma virgem e se chamará Emanuel [viii], que significa «Deus connosco». Será grande e terá de modo eminente as virtudes de todas as grandes personagens da sua linhagem. Chamar-se-á também Deus Forte e Príncipe da paz [ix]. Este descendente de David estará cheio do espírito de Deus e fará com que reine entre os homens a justiça [x]. No Novo testamento é manifesto que se trata de Jesus que nascerá de Maria Virgem [xi].


5. Outras profecias acerca de Jesus


Há muitas outras profecias que se referem à pessoa e à obra de Cristo. Tendo só em conta ao Antigo Testamento tornar-se-ia difícil interpretar só algumas delas como referidas claramente ao Messias, mas à luz do Novo Testamento é transparente o seu significado messiânico. Vejamos só algumas delas.


a) Profecias sobre o Messias rei e profeta


Moisés sempre foi como que tipo e a figura de todos os profetas: ele falava com deus «face a face» [xii] e transmitia ao seu povo as palavras e os mandamentos de Yahwé. Pois bem, já desde antigamente se anunciou que Deus enviaria «outro profeta» como Moisés que ensinará e guiará o seu povo com as palavras de Deus [xiii].


Assim em algumas ocasiões anuncia-se um Messias que será rei e profeta simultaneamente, à semelhança de David, que teve ambas prerrogativas: o Messias será rei descendente de David e será ungido por Deus com o espírito dos profetas para anunciar a salvação aos homens [xiv]. Este é Jesus [xv], [xvi]

b) Profecias sobre o Messias rei e sacerdote

     Salmo 110/109,1-4). Neste salmo anuncia-se um Messias superior ao próprio David; o salvador será rei que dominará todos os inimigos e, ao mesmo tempo, será sacerdote do Altíssimo. Esta unidade de rei e sacerdote tem como que um protótipo em Melquisedec, rei de Salem, misterioso contemporâneo de Abraão (cf. Gen 14,18-19). O Messias será rei e sacerdote, mas o seu sacerdócio não é levítico, antes se trata de um diferente, misterioso e superior (cf. Heb 6,20-7,28).

c) Profecias sobre o sacrifício de Cristo

    Cantos sobre o Servo de Yahwé. No livro do profeta Isaías encontram-se quatro cantos sobre a missão redentora do Messias, que é chamado «Servo de Yahwé»[1]


O Servo é um eleito de Deus e objecto da sua complacência. Ele vai ser rei de justiça, e o seu reinado será universal. Será luz dos gentios e reconciliador dos povos. Deus elegeu-o desde o seio materno para fazer voltar os filhos de Israel e para levar a salvação até aos confins da terra. O Servo de Yahwé sofrerá a oposição e perseguição por parte do seu próprio povo, ainda que sendo inocente. Isaías narra o sofrimento e a morte do Servo, oferecido como sacrifício pela redenção de todos, de tal forma que reflecte de modo exacto e impressionante a Paixão e Morte de Jesus [xvii].


Salmo 22/21.

Começa com: «Deus meu, Deus meu, porque me abandonas-te?» que o Senhor recitou na cruz. E narra como o justo, perseguido por muitos inimigos e no meio de um grande sofrimento, recorre cheio de confiança a Deus. Não se trata do grito de angústia de um desesperado, mas da oração confiada do que se abandona nas mãos de Deus, e é escutado. Termina com a vinda do reino de Deus ao mundo, a salvação universal, como fruto dos sofrimentos do justo que pede que voltem a Yahwé todas as famílias das nações. Este salmo messiânico narra por antecipação muitos episódios concretos da Paixão de Cristo.


d) A figura do Filho do homem


O título «Filho do homem» procede do Antigo Testamento, em concreto do livro do profeta Daniel. Designa uma pessoa misteriosa e gloriosa que supera a condição humana e restaura definitivamente o reino messiânico [xviii].

Todavia. Convém notar que a expressão «filho de homem» (ben-adam) na época de Jesus indicava simplesmente «homem». Por isso Jesus, ao referir-se a si mesmo como Filho do homem, tentava esconder por detrás do véu do significado comum a acepção messiânica que essa locução tinha na profecia de Daniel. E ao mesmo tempo, quis corrigir uma concepção exclusivamente gloriosa do Messias, muito arreigada no pensamento hebreu, ao uni-la à sua condição humana e passível, pois anunciava que esse «Filho do homem» tem de padecer e dar a sua vida como resgate por todos [xix].


Vicente Ferrer Barriendos

(Tradução do castelhano por ama)



[1][1] Son: Is 42,1-9; 49,1-7; 50,4-9; 52,13-53,12.



[i] (Gen 3,15)
[ii] (cf. Gen 12,3)
[iii] Cf. Gen 13,14-17; 17,1-9; 18,17-19; 22,13-18.
[iv] (cf. Gen 28,12-14)
[v] (cf. Gen 49,9-11)
[vi] (cf. Sam 7,8-16); Sal 89/88,20-38)
[vii] (cf. 2 Sam 7,12-16)
[viii] (Is 7,14)
[ix] (cf. Is 9,5-6)
[x] (cf. Is 11,1 ss.)
[xi] (cf. Mt 1,23)
[xii] (Ex 33,11)
[xiii] (cf. Dt 18,15-19)
[xiv] (cf. Is 61,1-2)
[xv] (cf. Lc 4,18-21)
[xvi] Todavia, muitos judeus não entenderam a união rei-profeta e esperavam esse «profeta» excepcional e o Messias, como duas pessoas diferentes (cf. Jo 1,20-21; 7,40-41).
[xvii] (cf. Act 8,32-33)
[xviii] (cf. Dan 7,13-14)
[xix] (cf. Mt 17,12;20,28)

Los «cristeros» cubanos

Los «cristeros» cubanos, «una historia de héroes y mártires» bajo la larga dictadura de Fidel Castro


Pequena agenda do cristão



Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?