27/02/2016

In memoriam


Faz hoje sete anos partiu para o Céu o Manuel Franco Dias - o Senhor Engenheiro - como respeitosamente era chamado.


Tive a honra e o privilégio de cuidar dele nos últimos meses da sua vida, recebendo incontáveis bens e graças.


Tenho saudades dele mas, sei, que não se esquece de mim e continuará repetindo ao Senhor cuja Face contempla, a piedosa mentira que constantemente me dirigia:


 - O António é uma jóia!!!

Universidades da Igreja

Igreja e Ciência

Harmonia entre a Ciência e a Igreja

…/4

Outro aspecto prático destas boas relações entre a Igreja e a Ciência são famosas Universidades criadas e/ou mantidas pela Igreja, onde a ciência é livre para ser desenvolvida.

Além das Universidades, a Igreja ainda mantém institutos de pesquisa, como o Observatório Astronómico do Vaticano, do qual falei um pouco no último artigo.
A Specola Vaticana, como é conhecido o Observatório, é mantido pela Santa Sé e por doações e gerido por padres jesuítas que também são astrónomos.
Além do Observatório Astronómico a Santa Sé mantém uma das mais antigas academias de ciência do mundo.
A Pontifícia Academia de Ciências é constituída por cientistas de renome mundial, muitos deles ganhadores do prémio Nobel.
Juntos discutem temas importantes referentes às grandes questões científicas mundiais, especialmente as que dizem respeito ao ser humano e ao futuro do planeta.
Grande parte do trabalho desenvolvido pela Academia pode ser encontrado no site do Vaticano e lido gratuitamente.

(cont)

alexandre zabot 


(revisão da versão portuguesa por ama)

Evangelho, comentário, L. espiritual


Quaresma
Semana II

Evangelho: Lc 15, 1-3. 11-32

1 Aproximavam-se d'Ele os publicanos e os pecadores para O ouvir. 2 Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: «Este recebe os pecadores e come com eles». 3 Então propôs-lhes esta parábola: 11 «Um homem tinha dois filhos. 12 O mais novo disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. O pai repartiu entre eles os bens. 13 Passados poucos dias, juntando tudo o que era seu, o filho mais novo partiu para uma terra distante e lá dissipou os seus bens vivendo dissolutamente. 14 Depois de ter consumido tudo, houve naquele país uma grande fome e ele começou a passar necessidade. 15 Foi pôr-se ao serviço de um habitante daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. 16 «Desejava encher o seu ventre das alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. 17 Tendo entrado em si, disse: Quantos jornaleiros há em casa de meu pai que têm pão em abundância e eu aqui morro de fome! 18 Levantar-me-ei, irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e contra ti, 19 já não sou digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus jornaleiros. 20 «Levantou-se e foi ter com o pai. Quando ele estava ainda longe, o pai viu-o, ficou movido de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e beijou-o. 21 O filho disse-lhe: Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22 Porém, o pai disse aos servos: Trazei depressa o vestido mais precioso, vesti-lho, metei-lhe um anel no dedo e os sapatos nos pés. 23 Trazei também um vitelo gordo e matai-o. Comamos e façamos festa, 24 porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi encontrado. E começaram a festa. 25 «Ora o filho mais velho estava no campo. Quando voltou, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e os coros. 26 Chamou um dos servos, e perguntou-lhe que era aquilo. 27 Este disse-lhe: Teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque o recuperou com saúde. 28 Ele indignou-se, e não queria entrar. Mas o pai, saindo, começou a pedir-lhe. 29 Ele, porém, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, nunca transgredi nenhuma ordem tua e nunca me deste um cabrito para eu me banquetear com os meus amigos, 30 mas logo que veio esse teu filho, que devorou os seus bens com meretrizes, mandaste-lhe matar o vitelo gordo. 31 Seu pai disse-lhe: Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32 Era, porém, justo que houvesse banquete e festa, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi encontrado».

Comentário:

O filho mais velho da parábola revela-se, talvez, como a personagem “chave” da mesma.
Parece evidente que Jesus contasse esta parábola para ilustrar aos Seus ouvintes, a grandeza da misericórdia do pai, da bondade divina.
Um pai que, não só perdoa como se alegra profundamente com o arrependimento do filho.

Mas… onde estamos nós, de facto retratados?

No Filho que se afasta e depois de se perder reencontra o caminho de casa?
Ter prescindido do convívio com o pai regressa humilhado e contrito?
Mas… realmente, o Pai nunca cessou de o amar e, o reencontro, é a prova disso mesmo.

Mas o filho mais velho deseja ser o mais importante no amor do Pai e, mais, não quer que esse amor seja repartido com o irmão mais novo.

Não percebe que o Pai ama os dois igualmente, não por aquilo que fazem mas pelo que são:

Seus filhos!

(ama, comentário sobre, Lc 15, 1-3.11-32, 2013.03.03)


Leitura espiritual



COMPÊNDIO
DA DOUTRINA SOCIAL
DA IGREJA


PRIMEIRA PARTE



CAPÍTULO I

O DESÍGNIO DE AMOR DE DEUS
A TODA A HUMANIDADE



III. A PESSOA HUMANA NO DESÍGNIO DE AMOR DE DEUS


b) A salvação cristã: para todos os homens e do homem todo


38 A salvação que, por iniciativa de Deus Pai, é oferecida em Jesus Cristo e é actualizada e difundida por obra do Espírito Santo, é salvação para todos os homens e do homem todo: é salvação universal e integral.
Diz respeito à pessoa humana em todas as suas dimensões: pessoal e social, espiritual e corpórea, histórica e transcendente.
Começa a realizar-se já na história, porque tudo o que é criado é bom e querido por Deus e porque o Filho de Deus se fez um de nós [i].

O seu cumprimento, porém, encontra-se no futuro que Deus nos reserva, quando formos chamados, com toda a criação [ii], a participar da ressurreição de Cristo e da comunhão eterna de vida com o Pai, na alegria do Espírito Santo.
Esta perspectiva indica precisamente o erro e o engano das visões puramente imanentistas do sentido da história e das pretensões de auto-salvação do homem.

39 A salvação que Deus oferece aos Seus filhos requer a sua livre resposta e adesão.
Nisso consiste a fé, «pela qual o homem se entrega livre e totalmente a Deus» [iii], respondendo ao Amor preveniente e sobre-abundante de Deus [iv] com o amor concreto aos irmãos e com firme esperança, «porque é fiel Aquele cuja promessa aguardamos» [v].
O plano divino de salvação, na verdade, não coloca a criatura humana num estado de mera passividade o de menoridade em relação ao seu Criador, porque a relação com Deus, que Jesus Cristo nos manifesta e no qual nos introduz gratuitamente por obra do Espírito Santo, é uma relação de filiação: a mesma que Jesus vive em relação ao Pai [vi].

40 A universalidade e a integralidade da salvação, doada em Jesus Cristo, tornam incindível o nexo entre a relação que a pessoa é chamada a ter com Deus e a responsabilidade ética para com o próximo, no concreto das situações históricas. Isto intui-se, ainda que confusamente e não sem erros, na universal procura humana de verdade e de sentido, mas torna-se estrutura fundamental da Aliança de Deus com Israel, como testemunham, por exemplo, as tábuas da Lei e a pregação profética.

Tal nexo é expresso com clareza e em perfeita síntese no ensinamento de Jesus Cristo e confirmado definitivamente pelo testemunho supremo do dom da Sua vida, em obediência à vontade do Pai e por amor aos irmãos.
Ao escriba que lhe pergunta:
«Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» [vii], Jesus responde: «O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe» [viii].

No coração da pessoa humana se entrelaçam indissoluvelmente a relação com Deus, reconhecido como Criador e Pai, fonte e termo da vida e da salvação, e a abertura ao amor concreto pelo homem, que deve ser tratado como um outro “eu”, ainda que seja um inimigo [ix]. Na dimensão interior e espiritual do homem radicam-se, no fim e ao cabo, o empenho pela justiça e pela solidariedade, pela edificação de uma vida social, económica e política conforme com o desígnio de Deus.


c) O discípulo de Cristo qual nova criatura


41 A vida pessoal e social assim como o agir humano no mundo são sempre insidiados pelo pecado, mas Jesus Cristo, «padecendo por nós, não nos deu simplesmente o exemplo para seguirmos os Seus passos, mas rasgou um caminho novo: se o seguirmos, a vida e a morte tornam-se santas e adquirem um sentido diferente» [x].

O discípulo de Cristo adere, na fé e mediante os sacramentos, ao mistério pascal de Jesus, de sorte que o seu homem velho, com as suas más inclinações, é crucificado com Cristo.
Qual nova criatura fica então habilitado na graça a caminhar em «uma vida nova» [xi].
Tal caminho, porém, «vale não apenas para os que crêem em Cristo, mas para todos os homens de boa vontade, no coração dos quais, invisivelmente, opera a graça.
Na verdade, se Cristo morreu por todos e vocação última do homem é realmente uma só, a saber divina, nós devemos acreditar que o Espírito Santo oferece a todos, de um modo que só Deus conhece, a possibilidade de sermos associados ao mistério pascal» [xii].

42 A transformação interior da pessoa humana, na sua progressiva conformação a Cristo, é pressuposto essencial de uma real renovação das suas relações com as outras pessoas:

«É preciso, então, apelar às capacidades espirituais e morais da pessoa e à exigência permanente de sua conversão interior, a fim de obter mudanças sociais que estejam realmente a seu serviço. A prioridade reconhecida à conversão do coração não elimina absolutamente, antes impõe, a obrigação de trazer às instituições e às condições de vida, quando estas provocam o pecado, o saneamento conveniente, para que sejam conformes às normas da justiça e favoreçam o bem, em vez de lhe colocar obstáculos» [xiii].

43 Não é possível amar o próximo como a si mesmo e perseverar nesta atitude sem a firme e constante determinação de empenhar-se em prol do bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos [xiv].

Segundo o ensinamento conciliar, «também àqueles que pensam e agem de modo diferente do nosso em matéria social, política e, inclusivamente, religiosa, deve estender-se o respeito e a caridade; quanto nos esforçamos para penetrar intimamente com benevolência e amor, nos seus modos de ver, mais fácil se tornará um diálogo com eles» [xv].

Nesse caminho é necessária a graça, que Deus oferece ao homem para ajudá-lo a superar os falhanços, para arrancá-lo da voragem da mentira e da violência, para sustentá-lo e incentivá-lo a tecer de novo, com espírito sempre renovado e disponível, a rede das relações verdadeiras e sinceras com os seus semelhantes [xvi].

44 Também a relação com o universo criado e as diversas actividades que o homem dedica ao seu cuidado e transformação, quotidianamente ameaçadas pela soberba e amor desordenado de si, devem ser purificadas e levadas à perfeição pela cruz e ressurreição de Cristo:

«Resgatado por Cristo e tornado nova criatura no Espírito Santo, o homem pode e deve amar, com efeito, as coisas criadas por Deus. Pois de Deus as recebe: vê-as como brotando da Sua mão e como tais as respeita. Dando graças por elas ao Benfeitor, e usando e gozando das criaturas em espírito de pobreza e liberdade, é então que entra deveras na posse do mundo, como quem nada tem e é dono de tudo: com efeito “tudo é vosso: vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” [xvii]» [xviii].


d) Transcendência da salvação e autonomia das realidades terrestres


45 Jesus Cristo é o Filho de Deus humanado no qual e graças ao qual o mundo e o homem haurem a sua autêntica e plena verdade.
O mistério da infinita proximidade de Deus em relação ao homem – realizado na Encarnação de Jesus Cristo, levado até ao abandono na cruz e à morte – mostra que quanto mais o humano é visto à luz do desígnio de Deus e vivido em comunhão com Ele, tanto mais ele é potenciado e libertado na sua identidade e na mesma liberdade que lhe é própria. A participação na vida filial de Cristo, tornada possível pela Encarnação e pelo dom pascal do Espírito, longe de mortificar, tem o efeito de fazer desabrochar a autêntica e autónoma consistência e identidade dos seres humanos, em todas as suas expressões.

Esta perspectiva orienta para uma visão mais correcta das realidades terrestres e da sua autonomia, que é bem sublinhada pelo ensinamento do Concílio Vaticano II:

«Se por autonomia das realidades terrestres se entende que as coisas criadas e as próprias sociedades têm as suas leis e os seus valores próprios, que o homem gradualmente deve descobrir, utilizar e organizar, tal exigência de autonomia é plenamente legítima... corresponde à vontade do Criador. Com efeito, é pela virtude da própria criação que todas as coisas estão dotadas de consistência, verdade, bondade, de leis próprias e de uma ordem que o homem deve respeitar, e reconhecer os métodos próprios de cada uma das ciências ou técnicas» [xix].

46 Não há conflituosidade entre Deus e o homem, mas uma relação de amor na qual o mundo e os frutos do agir do homem no mundo são objecto de dom recíproco entre o Pai e os filhos, e dos filhos entre si, em Cristo Jesus: n’Ele e graças a Ele, o mundo e o homem alcançam o seu significado autêntico e originário.
Em uma visão universal do amor de Deus que abraça tudo o que é, o próprio Deus se nos revelou em Cristo como Pai e Doador de vida, e o homem nos é revelado como aquele que, em Cristo, tudo recebe de Deus como dom, em humildade e liberdade, e tudo possui verdadeiramente como seu, quando conhece e vive tudo como coisa de Deus, por Deus originada e a Deus destinada.
A este propósito, o Concílio Vaticano II ensina:

«Se por autonomia do temporal se entende que as coisas criadas não dependem de Deus e que o homem pode usá-las de tal maneira que as não refira ao Criador, não há ninguém que acredite em Deus, que não perceba quão falsas são tais afirmações.
Na verdade, a criatura sem o Criador perde o sentido» [xx].

47 A pessoa humana, em si mesma e na sua vocação, transcende o horizonte do universo criado, da sociedade e da história: o seu fim último é o próprio Deus [xxi], que se revelou aos homens para convidá-los e recebê-los na comunhão com Ele [xxii].

«O homem não se pode doar a um projecto somente humano da realidade, nem a um ideal abstracto ou a falsas utopias. Enquanto pessoa, consegue doar-se a uma outra pessoa ou outras pessoas e, enfim, a Deus, que é o autor do seu ser e o único que pode acolher plenamente o seu dom» [xxiii].

Por isso «alienado é o homem que recusa transcender-se a si próprio e viver a experiência do dom de si e da formação de uma autêntica comunidade humana, orientada para o seu destino último, que é Deus. Alienada é a sociedade que, nas suas formas de organização social, de produção e de consumo, torna mais difícil a realização deste dom e a constituição dessa solidariedade inter-humana» [xxiv].

(cont)





[i] Cf. Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043
[ii] cf. Rm 8
[iii] Concílio Vaticano II, Const. dogm. Dei Verbum, 5: AAS 58 (1966) 819.
[iv] cf. 1 Jo 4, 10
[v] Hb 10, 23
[vi] cf. Jo 15-17; Gal 4, 6-7
[vii] Mc 12, 28
[viii] Mc 12, 29-31
[ix] cf. Mt 5, 43-44
[x] Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043.
[xi] Rom 6, 4
[xii] Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 22: AAS 58 (1966) 1043.
[xiii] Catecismo da Igreja Católica, 1888.
[xiv] Cf. João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 38: AAS 80 (1988) 565-566
[xv]Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 28: AAS 58 (1966) 1048.
[xvi] Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1889.
[xvii] 1 Cor 3, 22-23
[xviii] Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 37: AAS 58 (1966) 1055.
[xix] Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054; cf. Id., Decr. Apostolicam actuositatem, 7: AAS 58 (1966) 843-844.
[xx] Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 36: AAS 58 (1966) 1054.
[xxi] Cf. Catecismo da Igreja Católica, 2244.
[xxii] Cf. Concílio Vaticano II, Const. dogm. Dei verbum, 2: AAS 58 (1966) 818.
[xxiii] João Paulo II, Carta encicl. Centesimus annus, 41: AAS 83 (1991) 844.
[xxiv] João Paulo II, Carta encicl. Centesimus annus, 41: AAS 83 (1991) 844-845.

Antigo testamento / Salmos

Salmo 117








1 Louvem o Senhor, todas as nações; exaltem-no, todos os povos!

2 Porque imenso é o seu amor leal por nós, e a fidelidade do Senhor dura para sempre. Aleluia!

Tratado da vida de Cristo 80

Questão 42: Da doutrina de Cristo

Em seguida devemos tratar da doutrina de Cristo. E nesta questão discutem-se quatro artigos:


Art. 1 — Se Cristo devia pregar não só aos Judeus, mas também aos gentios.
Art. 2 — Se Cristo devia pregar aos judeus sem os chocar.
Art. 3 — Se Cristo devia ensinar tudo publicamente.
Art. 4 — Se Cristo devia ensinar a sua doutrina por escrito.

Art. 1 — Se Cristo devia pregar não só aos Judeus, mas também aos gentios.

 O primeiro discute-se assim. — Parece que Cristo devia pregar, não somente aos judeus, mas também aos gentios.


1. — Pois, diz a Escritura: Pouco é que tu sejas meu servo para suscitar as tribos de Israel e converter as fezes de Jacob. Eis aqui estou eu que te estabeleci para luz das gentes a fim de seres tu a salvação que eu envio até a última extremidade da terra. Ora Cristo trouxe-nos com a sua doutrina a luz e a salvação. Logo, parece que não devia ter pregado só, aos judeus, com exclusão dos gentios.

2. Demais. — Como diz o Evangelho, Ele os ensinava como quem tinha autoridade. Ora, maior necessidade havia de ensinar doutrina para a instrução daqueles que nunca o ouviram pregar, como eram os gentios; donde o dizer o Apóstolo - Assim tenho anunciado este Evangelho, não onde se havia feito já menção de Cristo, por não edificar sobre fundamento de outro. Logo, com muito maior razão, Cristo devia pregar, antes, aos gentios que aos judeus.

3. Demais. — É mais útil a instrução de muitos que a de um só. Ora Cristo instruiu alguns gentios, como a mulher Samaritana e a Cananeia. Logo, parece que Cristo devia com muito maior razão pregar à multidão dos gentios.

Mas, em contrário, o Senhor diz, no Evangelho: Eu não fui enviado senão às ovelhas que pereceram da casa de Israel. E o Apóstolo: Como pregarão eles se não forem enviados? Logo, Cristo não devia pregar aos gentios.

Tanto Cristo como os Apóstolos deviam ter começado por pregar só aos Judeus. — Primeiro, para mostrar que, pelo seu advento, se cumpriram as promessas anteriormente feitas aos judeus e não aos gentios. Donde o dizer o Apóstolo: Digo que Jesus Cristo foi ministro da circunscrição, isto é, Apóstolo e pregador dos judeus, pela verdade de Deus, para confirmar as promessas dos pais. — Segundo, para provar que o seu advento procedia de Deus; pois, as coisas de Deus são ordenadas, como diz o Apóstolo. Ora, a ordem devida exigia que a doutrina de Cristo fosse proposta primeiro aos Judeus, mais próximos de Deus pela fé e pelo culto monoteísta, para ser depois, por meio deles, transmitida aos gentios; assim como também, na hierarquia celeste as iluminações divinas são transmitidas aos anjos inferiores pelos superiores. Por isso, comentando o Evangelho — Eu não fui enviado senão às ovelhas que pereceram da casa de Israel — diz Jerónimo: Não quer isso significar que não foi mandado aos gentios, mas que o foi primeiro a Israel. Donde o dizer a Escritura: E os que dentre eles forem salvos, isto é, dos judeus, eu os enviarei às gentes de além-mar e eles anunciarão a minha glória as gentes. — Terceiro, para tirar aos judeus a ocasião de caluniá-lo. Por isso, comentando o Evangelho — Não ireis caminho de gentios, diz Jerónimo: O advento de Cristo devia ser anunciado primeiro aos judeus, para não terem justa desculpa de dizer, que rejeitaram o Senhor, porque mandou os seus apóstolos aos gentios e aos samaritanos. — Quarto, porque Cristo, pela vitória da cruz, mereceu o poder e o domínio sobre as gentes. Por isso diz a Escritura: Aquele que vencer eu lhe darei poder sobre as nações, assim como também eu a recebi de meu Pai. E o Apóstolo diz que porque foi feito obediente até a morte da cruz, Deus o exaltou para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho e toda língua e confesse. E eis porque antes da paixão não quis pregar a sua doutrina aos gentios; mas depois dela disse aos discípulos: Ide e ensinai a todas as gentes. Por isso, como se lê no Evangelho, quando, na iminência da paixão, alguns gentios queriam ver a Jesus, respondeu: Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, fica ele só; mas se ele morrer produz muito fruto. E, como explica Agostinho, dizia de si que era um grão à ser morto, pela infidelidade dos judeus; e multiplicado, pela fé de todos os povos.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Cristo foi a luz e a salvação das gentes por meio dos seus discípulos, que mandou a pregar aos gentios.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Agir antes por meio de outrem que por si mesmo é sinal, não de um poder inferior, mas de um poder maior. Por isso o poder divino de Cristo manifestou-se sobretudo por ter conferido aos seus discípulos um tão grande poder de ensinar, que converteram para Cristo os gentios, que nunca tinham ouvido falar dele. — Ora, o poder de ensinar, que Cristo tinha, pode ser considerado quanto aos milagres, pelos quais confirmava a sua doutrina; quanto à eficácia de persuadir; e quanto à autoridade da sua palavra, porque falava como quem tinha o domínio sobre a lei, quando afirmava — Eu porém digo-vos; e também quanto à virtude da rectidão, que mostrava na sua vida isenta de pecados.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Assim como Cristo não devia comunicar indiferentemente, desde o princípio, a sua doutrina aos gentios, a fim de mostrar que fora dado aos Judeus, como ao povo primogénito, assim também não devia repelir de todo os gentios, para não serem privados da esperança da salvação. E por isso alguns gentios foram particularmente admitidos por causa da excelência da sua fé e devoção.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



Estai alegres, sempre alegres

Ninguém é feliz na Terra enquanto não se decidir a não o ser. Este é o caminho: dor, que em cristão se diz Cruz, Vontade de Deus, Amor; felicidade agora e depois – eternamente! (Sulco, 52)

«Servite Domino in laetitia!» Hei-de servir a Deus com alegria! Uma alegria que há-de ser consequência da minha Fé, da minha Esperança e do meu Amor...; que há-de durar sempre, porque, como nos assegura o Apóstolo, "Dominus prope est!", o Senhor segue-me de perto. Hei-de caminhar com Ele, portanto, bem seguro, já que o Senhor é meu Pai...; e com a sua ajuda hei-de cumprir a sua amável Vontade, ainda que me custe. (Sulco, 53)


Um conselho, que vos tenho repetido teimosamente: estai alegres, sempre alegres! Que estejam tristes os que não se consideram filhos de Deus! (Sulco, 54)

Doutrina - 68

O demónio realmente existe?

…/4

No entanto, a crença cristã é muito diferente da de outras religiões: não existe um “deus do mal”, oposto ao Deus do bem.
Ao contrário, segundo a teologia católica de São Tomás de Aquino, o mal não existe em si mesmo, mas como ausência de bem, como rejeição do amor de Deus.
Segundo a doutrina cristã, o demónio pode incitar o homem ao mal, mas não pode tirar a sua liberdade; não tem poder sobre a sua alma se o homem não lho conceder.

O demónio é um anjo criado por Deus – na tradição cristã, recebe os nomes de Satanás ou Lúcifer – que usou a sua liberdade para se opor ao amor divino.
Deus permite a sua existência e a sua rebeldia, mas o demónio está submetido ao seu Criador, como as demais potências angélicas.
Esta é uma das razões pelas quais a teologia cristã não se preocupou muito com o demónio em si, mas com como Cristo conseguiu a vitória sobre ele e como combater o seu poder na vida cristã.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)

Bento XVI – Pensamentos espirituais 82

Teologia e contemplação

O trabalho do teólogo exige, evidentemente, competência científica, mas também, tanto ou mais, o espírito de fé e de humildade de quem sabe que o Deus vivo e verdadeiro, objecto das suas reflexões, ultrapassa infinitamente as capacidades do Homem. 

Só pela oração e pela contemplação podemos adquirir o sentido de Deus e tornar-nos permeáveis à acção do Espírito Santo.

Discurso aos membros da Comissão Teológica Internacional, (1.Dez.05)
 (in “Bento XVI, Pensamentos Espirituais”, Lucerna 2006)