22/05/2015

Evangelho, comentário L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VII da Páscoa

Evangelho: Jo 21 15-19

15 Depois de comerem, disse Jesus a Simão Pedro: «Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Jesus disse-lhe: «Apascenta os Meus cordeiros». 16 Voltou a perguntar pela segunda vez: «Simão, filho de João, amas-Me?». Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Jesus disse-lhe: «Apascenta as Minhas ovelhas». 17 Pela terceira vez disse-lhe: «Simão, filho de João, amas-Me?». Pedro ficou triste porque, pela terceira vez, lhe disse: «Amas-Me?», e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo». Jesus disse-lhe: «Apascenta as Minhas ovelhas». 18 «Em verdade, em verdade te digo: Quando tu eras mais novo, cingias-te e ias onde desejavas; mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde tu não queres». 19 Disse isto, indicando com que género de morte havia Pedro de dar glória a Deus. Depois de assim ter falado, disse: «Segue-Me».

Comentário:

Tu que sabes tudo porque me perguntas três vezes se Te amo?

O que pretendes com tal insistência?

Percebo, finalmente quando me perguntas se Te amo mais que os outros.

Desejaria responder-te com absoluta segurança: amo-te mais que qualquer um!

(ama, comentário sobre Jo 21, 15-19 2014.06.06)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

I A VIDA CRISTÃ PESSOAL

        Até agora consideramos as relações que Deus quis estabelecer com os homens: a Criação, doação de Deus Pai; a Encarnação, doação de Deus Filho; Pentecostes a doação de Deus Espírito Santo.
Cada uma destas relações, destas doações contem um compromisso que Deus que Deus assume com respeito ao homens.

        Deus Pai pela Criação compromete-se a ser nosso Pai e convida o homem a ser e a viver como filho; Deus Filho pela encarnação assume o encargo de ser nosso Redentor e convida o homem a leibertar-se do pecado e a refazer a sua liberdade na «liberdade dos filhos de Deus»; pela Sua vinda no Pentecostes, Deus Espírito Santo toma sobre si a tarefa de ser nosso Santificador e convida o homem a ser santo «como e porque Deus é santo».

        Com estas três relações Deus Pai, Filho e Espírito Santo criam o homem e oferecem-lhe – convidam – participar na sua própria vida divina que Deus apresenta ao homem para que a torne sua-

        Isto é o que considerámos na Primeira Parte tratando de descobrir o que é ser cristão.

        Resumindo podemos dizer que «ser cristão» é ser «filho de Deus em Cristo Jesus» por obra da Graça, «certa participação na natureza divina», que o cristão recebe nos sacramentos.

        O cristão está «enxertado» em Cristo e de «filho de Deus» manifesta a sua vida por meio da Fé, acredita que Cristo é Filho de Deus feito homem».
Por meio da Esperança sabe-se em caminho para a vida eterna.
A Graça enxerta o tempo do homem na eternidade de Deus.
Por meio da Caridade o homem descobre-se vivendo movido pelo Espírito Santo e sendo semeador de paz e de alegria nas suas actividades quotidianas: sociais, profissionais, familiares.

        Para conseguir «viver sendo cristão» o crente necessita de cooperar com as acções de Deus, responder, por assim dizer, aos seus convites em plena liberdade.
Não pode coperar na acção de Deus Pai no momento da criação porque a vida humana é a única imposição de Deus ao homem.
Ainda que sendo uma dádiva, um dom é ao mesmo tempo um dom imposto.

        Ao mesmo tempo Deus espera a manifestação livre, clara e afirmativa da aceitação pelo homem da oferta para que se «enxerte» em Cristo e seja assim «filho de Deus em Cristo Jesus» e comece a sua vida cristã.
E de forma semelhante também espera do homem uma aceitação manifesta de adesão à Redenção e à Santificação: deixar que o Espírito Santo actue nele.

        Deus respeita a liberdade humana não impõe ao homem a realização dos sonhos divinos sobre a «única criatura terrestre que Deus amou por si mesma» [1].

        Já conhecendo o que Deus deseja e sabendo também que o homem foi redimido do pecado dispomo-nos nesta Segunda Parte a apresentar os canais pelos quais o homem vai dando respostas afirmativas aos anseios e às dádivas de Deus tornado vida própria a vida que Cristo lhe oferece e chegando assim a configurar-se como verdadeiro «filhos de Deus».
Ratzinger comenta: «A filiação converte-se num conceito dinâmico todavia não somos plenamente filhos de Deus mas temos de chegar a sê-lo mais e mais mediante a nossa comunhão com Cristo cada vez mais profunda» [2].

        A acção da graça divina na plenitude do seu ser pessoal permite ao homem descobrir a dignidade, a grandeza, a beleza em que foi criado e redimido e a dignidade e a grandeza a que é chamado-
Podemos dizer que toda a vida cristã é o desenvolvimento dessa «filiação divina» que Deus enxerta no ser do homem.

        Nesta Segunda Parte, portanto, temos de procurar dar resposta à pergunta de Como ser cristão?
Em suma assinalar o canal que transporta o ser Cristão.

        O Catecismo expressa estas palavras de São Leão Magno que expressam a nova realidade do homem e a missão a que foi chamado depois da Redenção de Cristo e da recepção do Espírito Santo.

        A «nova realidade» é esta: «Cristão, reconhece a tua dignidade.
Uma vez que agora participas da natureza divina não degeneres voltando à baixeza da tua vida passada.
Recorda a que Cabeça pertences e de que Corpo és membro.
Recorda-te que foste arrancado do poder das trevas para seres trasladado à luz do Reino de Deus» [3].

        A «nova missão» expressa-se assim: O cristão consciente de ter sido criado «para conhecer, amar e servir a Deus nesta vida e gozá-lo para sempre na eterna» e reconhecendo na fé a sua nova dignidade sente-se chamado a levar por diante uma «vida digna do Evangelho de Cristo» [4].[5]

        E é a realidade desta «vida digna do Evangelho de Cristo» que trataremos de expressar e manifestar.


razões de um título

        O título do primeiro capítulo desta Segunda Parte, talvez possa chamar a atenção.
Ao fazer referência ao viver «com Cristo, em Cristo, por Cristo» no Espírito Santo, tradicionalmente é costume falar-se de «vida espiritual», de «vida interior», de «vida sobrenatural».
Optei por dizer Vida pessoal cristã, por várias razões; entre elas:

        - Para alcançar uma visão cabal do ser humano como «pessoa», vale a pena superar a contraposição entendida no sentido mais literal entre o «espírito» e a «carne», que por vezes se estabelece na literatura espiritual entendendo, talvez, de uma forma mais redutora, - como já assinalámos – as palavras de São Paulo no capítulo V da Carta aos Gálatas.
«Espírito» e «carne» antes expressam o contraste entre a redenção e o pecado, entre as obras do homem já baptizado e redimido e as do que todavia permanece em pecado.
Já Santo Agostinho assim o considerou: «Diz-se que alguém vive segundo a carne quando vive para si próprio. Neste caso por «carne» entende-se todo o homem já que tudo quanto provém do amor desordenado a si próprio se chama obra da carne» [6].

        Além do mais, na fé cristã e tendo em conta que é a «pessoa» o «eu» o centro de unidade do ser humano, vivemos s perspectiva da «ressurreição da carne» já realizada na Virgem Santíssima.

        - O viver cristão afecta a pessoa na sua integridade: corpo, alma, espírito.
Se já sublinhámos que também o homem no «corpo» - não só no corpo na sua simples corporeidade –também participa da imagem e semelhança de Deus, falar de «vida espiritual» poderia prestar-se a dar uma visão reduzida da realidade da vida cristã.

        - Diga-se a mesma coisa da «vida interior» porque a vida «com Cristo, em Cristo e por Cristo» vive-a o homem na plenitude do seu ser e do seu actuar, da sua pessoa, não só na interioridade das suas faculdades.

        - Podemos desenvolver um raciocínio semelhante em torno das palavras «vida sobrenatural».
O ser humano vive a vida cristã na plenitude da sua natureza humana, a vida da Graça não situa o homem fora do contexto do seu viver natural e estrictamente humano e, por outro lado, nenhuma acção humana deixa de ser «acção pessoal», também contida na sua realidade biológico-natural.

        Por acção da Graça, o cristão acaba vivendo de uma forma que – podíamos dizer – é «toda divina sem deixar de ser humana e toda humana sem deixar de ser divina», ou melhor, «toda divina sendo profundamente humana, toda humana sendo profundamente divina».

        Por outro lado, falar apenas de «vida sobrenatural» poderia centrar a atenção no que de extraordinário, de extranatural há em ser filhos de Deus em Cristo e poderia originar uma visão desfocada, desencarnada, da vida de Cristo no homem, da vida do homem em Cristo.


o ser «nova criatura»


        Esclarecido o título parece-me que também é necessário um breve resumo para nos situarmos perante alguns detalhes desta vida cristã pessoal que nos convém ter presente ao longo destas áginas.

        A vida pessoal cristã leva consigo:

1.   A necessidade de ser «nova criatura».
Já referimos que a graça e os Dons do Espírito Santo tornam possível este viver do cristão como «nova criatura».
São Paulo abre os horizontes desta transformação do homem em «nova criatura» consciente que é uma tarefa que jamais se conclui na terra porque não se tata de conseguir umas metas determinadas na maturidade humana nem no conhecimento dos mistérios da terra e do céu.
O convite que o Apóstolo faz aos de Éfeso é claro: «Deixando a vossa antiga conduta, despojados do homem velho que se corrompe seguindo a sedução das concupiscências, renovai o espírito da vossa mente e vesti-vos do homem novo criado segundo Deus na justiça e santidade da verdade»[7] .

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Gaudium et spes, n. 24
[2] Joseph Ratzinger, Bento XVI, Jesus de Nazaret, La Esfera de los livros, Madrid 2007, p. 172
[3] São Leão Magno, Ser. 21, 2-3, n. 1691.
[4] Flp 1, 27
[5] Catecismo n. 1692
[6] Santo Agostinho, La ciudad de Dios, 14, 2
[7] Ef 4, 22-24

Meditações de Maio 22



O Escapulário que uso há-de proteger-me na hora da minha morte.

Certo que me assistirás nessa derradeira hora, fico tranquilo.

Que melhor companhia poderia desejar para me conduzir ao Pai?



(ama, meditações de Maio, 2015)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Cristo e a Igreja - 68

A novidade em Cristo


…/3

E todavia, na pregação do Senhor há, sem dúvida, um ar novo, libertador.
Por um lado, a doutrina de Jesus desenvolve elementos já presentes no Antigo Testamento, como são a rectidão de intenção, o perdão, ou a necessidade de amar todos os homens sem restrição, em particular os pobres e os pecadores.

(cont)

(p. o'callaghan, CRISTO, 5 de Diciembre de 2008, trad. ama)


21/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 21 de Maio

São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 17 20-26, Ernesto Juliá Diaz


Publicações NUNC COEPI

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Vazio de todo o meu eu, enche-o de Ti

Pede ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e à tua Mãe, que te façam conhecer-te e chorar por esse montão de coisas sujas que passaram por ti, deixando – ai! – tanto depósito... E ao mesmo tempo, sem quereres afastar-te dessa consideração, diz-lhe: – Dá-me, Jesus, um Amor como fogueira de purificação, onde a minha pobre carne, o meu pobre coração, a minha pobre alma, o meu pobre corpo se consumam, limpando-se de todas as misérias terrenas... E, já vazio de todo o meu eu, enche-o de Ti: que não...
...e apegue a nada daqui de baixo; que sempre me sustente o Amor. (Forja, 41)

É a hora de clamar: lembra-Te das promessas que me fizeste, para me encher de esperança; isto consola-me no meu nada e enche o meu viver de fortaleza. Nosso Senhor quer que contemos com Ele para tudo: vemos com evidência que sem Ele nada podemos e que com Ele podemos tudo. E confirma-se a nossa decisão de andar sempre na Sua presença.

Com a claridade de Deus no entendimento, que parece inactivo, torna-se-nos indubitável que, se o Criador cuida de todos – mesmo dos inimigos –, quanto mais cuidará dos amigos! Convencemo-nos que não há mal nem contradição que não venham por bem: assim assentam com mais firmeza, no nosso espírito, a alegria e a paz que nenhum motivo humano poderá arrancar-nos, porque estas visitas deixam sempre em nós algo de Seu, algo divino. Louvaremos o Senhor Nosso Deus que efectuou em nós coisas admiráveis e compreenderemos que fomos criados com capacidade de possuir um tesouro infinito.


Tínhamos começado com orações vocais, simples, encantadoras, que aprendemos na nossa meninice e que gostaríamos de não perder jamais. A oração, que começou com essa ingenuidade pueril, desenvolve-se agora em caudal largo, manso e seguro, porque acompanha a nossa amizade com Aquele que afirmou: Eu sou o caminho. Se amarmos Cristo assim, se com divino atrevimento nos refugiarmos na abertura que a lança deixou no Seu peito, cumprir-se-á a promessa do Mestre: qualquer que me ame observará a minha doutrina e meu Pai o amará e viremos a ele e nele faremos morada. (Amigos de Deus, nn. 305–306)

Evangelho, comentário L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VII da Páscoa

Evangelho: Jo 17 20-26

20 «Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que hão-de acreditar em Mim por meio da sua palavra, 21 para que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles sejam um em Nós, a fim de que o mundo acredite que Me enviaste. 22 Dei-lhes a glória que Me deste, para que sejam um, como também Nós somos um: 23 Eu neles e Tu em Mim, para que a sua unidade seja perfeita e para que o mundo conheça que Me enviaste e que os amaste como Me amaste. 24 Pai, quero que, onde Eu estou, estejam também comigo aqueles que Me deste, para que contemplem a Minha glória, a glória que Me deste, porque Me amaste antes da criação do mundo. 25 Pai justo, o mundo não Te conheceu, mas Eu conheci-Te e estes conheceram que Me enviaste. 26 Dei-lhes e dar-lhes-ei a conhecer o Teu nome, a fim de que o amor com que Me amaste, esteja neles e Eu neles».

Comentário:

Só a união faz a força!

E que união será esta?

A que Jesus quer e deseja e, de tal maneira considera importante, que deu a sua vida por ela.

E de que força ser trata?

A força da filiação divina, da família de Deus Nosso Senhor que nos leva a todos os homens a lutar por uma só coisa:  a salvação eterna.
Juntos, unidos, será muito mais fácil porque o irmão que ajuda o irmão e como uma cidade amuralhada e as forças do mal nada poderão contra ela.

(ama comentário sobre Jo 17, 20-26, 2013.05.16)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



xiv -o espírito das bem-aventuranças

…/7

xv os frutos do espírito santo

       
breve exposição sobre os frutos

       
        Outro dos Frutos do Espírito Santo na alma relacionados directamente com a Esperança é a Mansidão que, por sua vez, só pode viver-se na Caridade.

        Jesus Cristo convida-nos e urge-nos a que aprendamos dele: «que sou manso e humilde de coração» ([1]), num contexto que nos ajuda a compreender o significado deste Fruto na missão que Cristo vem realizar na terra de «fazer novas todas as coisas».

        São Mateus recolhe este convite do Senhor imediatamente depois da sugestão de Cristo: «Vinde a Mim todos os que andais oprimidos e com cargas e Eu vos aliviarei» ([2]).       
E é o próprio Evangelista que transcreve palavras de Zacarias e  Isaías para nos recordar a disposição de mansidão com que Cristo entra em Jerusalém na última etapa da Sua vida redentora na terra: «Dizei à filha de Sião: Olha que vem a ti o teu Rei cheio de mansidão sentado sobre uma burra e o seu burrinho filho da que está acostumada ao jugo» [3].

        O Fruto da Mansidão dispõe o espírito humano para que com Cristo possa levar a carga do pecado do mundo e assim converter em redenção toda a sua vida, alegrias e tristezas, sofrimentos, dores, gozos, triunfos e fracassos.

        Como Cristo o cristão manso suporta com suavidade e serenidade – nalgumas ocasiões não isentas de momentos de reacções violentas como a de Cristo ao expulsar os vendilhões do Templo -  as contrariedades que se apresentem no seu caminho de união com Cristo, com a missão apostólica de Cristo, nas circunstâncias e situações que Deus permite que se cruzem e se encontrem na sua vida.

        Nos Actos dos Apóstolos recolhe-se um claro testemunho de mansidão entre os primeiros cristãos.
Depois de serem açoitados por pregarem Cristo, de serem encarcerados e maltratados ao recuperar a liberdade «foram-se embora contentes com a presença do Sinédrio porque tinham sido dignos de padecer ultrajes pelo nome de Jesus» ([4]).

        «A Caridade não se irrita…, tudo espera e tudo suporta» ([5]).
A Mansidão torna possível que a Caridade se converta em Esperança e que a Esperança seja a manifestação viva da Caridade.
E com a Mansidão a Paciência que permite ao cristão suportar com equanimidade e por amor a Cristo e em união com Ele qualquer tipo de contradições e sofrimentos físicos e morais que possa encontrar na sua vida.

        A Mansidão cheia de Esperança leva o cristão a «não romper a cana rachada nem apagar a mecha que ainda fumega».
E torna possível que a sua vida seja uma verdadeira «sementeira concreta de paz e alegria» no seguimento de Cristo.

        «E a paz de Deus quen supera todo o entendimento custodiará em Cristo Jesus os vossos corações e os vossos pensamentos» ([6]).

         Paz aparece como o Fruto de uma Esperança já firmemente arreigada na alma.
Depois da Ressurreição nos seus encontros com os Apóstolos o Senhor oferece-lhes sempre a Paz.
E São Paulo recomenda aos de Colossos: «Que a Paz de Cristo exulte nos vossos corações» ([7]).

        Uma Paz que faz descansar o crente no amor à Vontade de Deus e o torna firme em sustentar todas as contrariedades que a sua condição de cristão, de nova criatura, lhe possa trazer nos ambientes em que tenha de viver e que deseja encher da luz de Cristo.

        São Paulo expressou as consequências do Fruto da Paz com estas palavras inefáveis dirigidas aos fiéis de Roma: «Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? Os perigos? A espada? como diz a Escritura: Por tua causa todos os dias fomos levados à morte, tratados como ovelhas destinadas ao matadouro. Mas em tudo saímos vencedores graças Aquele que nos amou. Pois estou seguro que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura nem a profundidade, nem nenhuma outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus nosso Senhor» ([8]).

        É a paz na alma em que a esperança fortemente arreigada no amor e na fé que permite ao homem gozar no seu espírito da «tranquilidade da ordem» porque se sabe movido por Deus Espírito Santo na companhia de Deus Filho e o coração assente no amor a Deus Pai.

        É a paz de quem, já na terra, chegou a vislumbrar e de certo modo também a saborear a felicidade eterna.
Daqui que este Fruto do Espírito Santo, em quem o possui, suponha a capacidade de não se deixar levar por qualquer agitação do espírito ante qualquer tipo de acontecimentos temporais e ao mesmo tempo de um descanso confiado porque já goza de uma posse estável do bem desejado: Deus.

        «Todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa Fé» ([9]).

        O nascimento do homem a ser «nova criatura» começa pela Fé em Jesus Cristo Filho de Deus feito homem e a transformação em «nova criatura» é o cumprimento do desenvolvimento da vida de Fé.

        Quem no começo do seu caminho em Cristo Lhe disse como São Pedro: «Tu tens palavras de vida eterna» ([10]), e reafirmou o seu seguimento, pode agora dizer que essa Fé venceu o mundo e triunfou sobre ele nas consequências do pecado.

        É uma Fé convertida em Fidelidade.
Disposição enraizada na alma que inclina a vontade a desenvolver as energias do homem para manter com constância e perseverança osa compromissos de amor com Deus e com o próximo.
Uma Fé que clama «Abba, Pater» e que goza com o triunfo de Deus em todas as criaturas, em que Deus seja glorificado porque o Seu amor «derramado sobre nós pelo Espírito Santo» leva a cabo a sua missão santificadora.

        Noutros termos é a justiça perfeita, a justiça na sua perfeição consumada, na realização da obra de Deus com os homens.
A Justiça de Deus é a plenitude da Sua Misericórdia.

        O Fruto da Fidelidade, da Lealdade, permite ao cristão viver «os olhos fixos em Jesus o que inicia e consuma a Fé o qual em lugar do gozo que se propunha, suportou a cruz sem medo da ignomínia e está sentado à direita do trono de Deus» ([11]).

        «O varão fiel será muito louvado» ([12]).
É a alegria de Deus manifestada na glória reservada ao homem fiel, ao homem leal.
O gozo de Deus é que recebamos tudo quanto Ele nos quer dar.

        No capítulo 11 da Carta aos Hebreus lemos o canto de louvor aos homens e às mulheres de Fé que fiéis aos desígnios de Deus foram abrindo na terra caminho ao povo escolhido por Deus, a toda a humanidade: «Pela fé Abraão ofereceu Isaac quando foi posto à prova».
«pela Fé, Moisés abandonou o Egipto sem medo das iras do rei, como se visse o Invisível, perseverou no seu propósito» ([13]).

        São Paulo abre os horizontes da esperança fiel do cristão, enche de amor a Deus, ao afirmar que «nem olho viu nem ouvido ouviu nem passou pelo pensamento do homem, que coisas Deus tem preparadas para aqueles que O amam» ([14]).


***


        No começo do estudo sobre os Frutos, assinalámos que era doutrina comum considerá-los como perfeições que o Espírito Santo vai formando em nós.

        Talvez seja oportuno sublinhar outro aspecto da mesma realidade: a acção do Espírito Santo presente e activo na alma do homem de Fé.
Estas perfeições, que tornam possível a conversão do cristão na nova criatura, «filho de Deus em Cristo» são ao mesmo tempo manifestações da transformação já em processo.
São uma prova da presença real de Deus entre os homens.

        Um Reino que é o triunfo da liberdade do Espírito que vence a escravidão do pecado e se apresenta na pessoa de cada crente como «Reino da Verdade e da Vida, Reino da Santidade e da Graça, Reino da Justiça, do Amor e da Paz» ([15]).

        «Viver segundo o Espírito Santo é viver de fé, deesperança, de caridade, deixar que Deus tome posse de nós e mude radicalmente os nossos corações para os fazer à Sua medida» ([16]).
       


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)







[1] Mt 11, 29
[2] Mt 11, 28
[3] Mt 21, 5
[4] Act 5, 41
[5] 1 Cor 13, 5-7
[6] Fl 4, 7
[7] Col 3, 15
[8] Rm 8, 35-39
[9] 1 Jo 5, 4
[10] Jo 6, 68
[11] Hb 12, 2
[12] Pr 28, 30
[13] Hb 17, 27
[14] 1 Cor 2, 9
[15] Prefácio da Missa de Cristo Rei
[16] São Josemaria Escrivá, Es Cristo que passa, n. 134

Meditações de Maio 21

Monstra te esse matrem!

Sim, mostra que és Mãe, minha Mãe.

Como, apesar de tudo quanto não sou e deveria ser, tu és minha Mãe e me queres, e me proteges, e desejas a minha felicidade aqui na terra e, depois, no Céu.

Monstra te esse matrem!

Ajuda-me também a mostrar-me como teu filho, a comportar-me, a conduzir a minha vida como teu filho, e, sobretudo: Recordare Virgo Mater Dei, dum steteris in conspectu Domini et loquaris pro me bona. Ámen



(ama, meditações de Maio, 2015)