24/04/2015

Evangelho, comentário L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana III da Páscoa

Evangelho: Jo 6 52-59

52 Disputavam, então, entre si os judeus: «Como pode Este dar-nos a comer a Sua carne?». 53 Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue não tereis a vida em vós. 54 Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. 55 Porque a Minha carne é verdadeiramente comida e o Meu sangue verdadeiramente bebida. 56 Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele. 57 Assim como Me enviou o Pai que vive e Eu vivo pelo Pai, assim quem Me comer a Mim, esse mesmo também viverá por Mim. 58 Este é o pão que desceu do céu. Não é como o pão que comeram os vossos pais, e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente». 59 Jesus disse estas coisas ensinando em Cafarnaum, na sinagoga.

Comentário:

Fica bem claro que todos entenderam muito bem o discurso de Jesus sobre o Seu Corpo e o Seu Sangue que não se tratava de uma “imagem” mas de uma realidade. Claro que, não entendiam como tal seria possível e, aqui, incluem-se também os próximos de Jesus.

Só mais tarde, depois da instituição da Eucaristia na Última Ceia e, sobretudo, com as luzes do Espírito Santo, se tornará claro o que então parecia duvidoso.
A Comunhão Eucarística é um acto solene e de extraordinário valor. Que o tenham presente quantos se aproximam a comungar!

È muito claro: Participar indevidamente num acto salvador pode ser causa de morte!

(ama, comentário sobre Jo 6, 52-59 2013.04.19)

Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE

O QUE É SER CRISTÃO?

I.            Relações que Deus estabelece com o homem.

…/

        Um esclarecimento prévio. Já assinalámos que Deus estabeleceu com o homem o primeiro vínculo-relação com Ele: a criação.

Na sua liberdade, o homem interrompeu a obra de Deus; e, em seguida, Deus oferecerá os seus planos ao homem, para que, em liberdade e amor, o aceite ou o rejeite.
Este é, também, o caso da Redenção que Cristo nos ganhou e que nos oferece na esperança de que a acolhamos com liberdade.
Vejamos já os motivos da vinda do Senhor, que o Catecismo colhe nos nn. 456-460, ainda que sigamos outra ordem que a que ali se expõe.
        Em resumo, e para o propósito que nos move, podemos enunciar os quatro motivos da Encarnação de Cristo desta forma:

1)                  O Verbo encarnou-se para nos salvar reconciliando-nos com Deus: «Deus amou-nos e enviou-nos o seu Filho como propiciação dos nossos pecados”.[i] «O Pai enviou o seu Filho para ser salvador do mundo”.[ii] «Ele manifestou-se para tirar os pecados”“.[iii]

A vinda de Jesus Cristo relaciona-se directamente com o primeiro plano da criação instaurado por Deus e obstaculizado pelo pecado do homem.
O Filho de Deus fazendo-se homem introduz-se na própria criação para a devolver ao Criador e, ao mesmo tempo, recriar a criatura e indicar-lhe de novo o caminho para o Pai, caminho que tinha perdido ao pecar e deixar o Paraíso.

Para que o homem possa descobrir-se de novo como uma criatura de Deus, necessita de se libertar desse véu que o impede de ver os seus dias, as suas circunstâncias, as suas relações com a perspectiva com contemple Deus; necessita, numa palavra, deixar o pecado e arrepender-se.

O único caminho para o abandono do pecado é a conversão do coração humano e o seu voltar de novo para Deus. «Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo”.[iv]

Arrependendo-se, o homem está em condições de descobrir o coração misericordioso de Deus, que se goza em perdoar, porque torna possível que a sua Fé, a sua Esperança, a sua Caridade enraízem profundamente em Deus”.

O acto de arrependimento ajuda o homem a recompor-se no núcleo mais central de si próprio; não se trata, simplesmente, de uma ligeira reconstrução psicológica, de carácter ou algo do mesmo estilo.
Não.
O arrependimento permite ao ser humano a capacidade de ver as coisas com a clareza divina; e é o fundamento de toda a esperança: ao mesmo tempo que uma renovação íntegra da caridade, da vontade.

Cristo vem trazer o perdão de Deus sobre toda a humanidade. Um perdão que estabelece as premissas para que o homem supere o «medo” a Deus, que só o diabo pode instalar com tanta firmeza no coração humano, e seja, portanto, «capaz” de se arrepender.

Na sua vida, Jesus Cristo leva plenamente à prática esta missão de perdoar, adiantando as consequências do perdão que nos vai conseguir na Cruz.
Perdoa a adúltera e a samaritana, perdoa o centurião e Zaqueu; perdoa aos gerasenos e os que o crucificam; perdoa a falta de fé dos Apóstolos e as dúvidas de Tomé; perdoa as negações de Pedro e os pecados da Madalena; perdoa ao paralítico, ao endemoninhado e inclusivamente oferece o seu perdão a Judas.
E tudo, sem se preocupar com o escândalo suscitado entre os fariseus nem as consequências que vão cair sobre a sua pessoa, pela destruição da ordem estabelecida que o seu actuar supõe.

E mais, esse escândalo é uma confirmação indirecta, se se quiser, de que os que ouviam Cristo estavam conscientes que o perdão tinha chegado e que o perdão abria as portas da eternidade, fechadas até então, do amor de Deus aos homens.

Este amor de Deus leva-o a reparar não só com juros, mas de forma superabundante, e mais para além das faltas recebidas.
Deus quer que desapareça para sempre o abismo que separa as suas criaturas dele, tornando-se uma delas.

Perdoado o pecado e acolhendo o coração arrependido do homem, Cristo afasta o obstáculo que separa o homem de Deus, lhe devolve a confiança em Deus e tornam possível que esteja em condições de receber a «segunda criação” que Deus quer levar a cabo nele.

Daí a importância que tem consigo ver a realidade existencial de Cristo como verdadeiro Filho de Deus feito homem.

Com efeito, como poderia ter-nos reconciliado com Deus Pai, se a sua realidade de ser Filho de Deus não passará a ser a de um homem que consegue de forma inefável «tomar de alguma forma consciência da profundidade do amor de Deus que o queira como um filho”? Esse «tomar consciência”, que os que pretendem «reduzir existencialmente a vida de Cristo” afirmam, não chega a constituir uma pessoa que possa dizer com plena verdade que «O Pai e eu somos uma mesma coisa”.[v]

Daí, o segundo motivo da Encarnação de Cristo:

2)                  O Verbo encarnou-se para tornar-nos partícipes da natureza divina: «fez-nos mercê dos preciosos” e maiores bens prometidos, para que – por estes - cheguemos a ser partícipes da natureza divina”.[vi] “Porque tal é a razão pela qual o Verbo se fez homem e o Filho de Deus, Filho do homem: para que o homem, ao entrar em comunhão com o Verbo e ao receber assim a filiação divina, se convertesse em filho de Deus” [vii]. «Porque o Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus” [viii].

Este segundo motivo da Encarnação é o que mais profundamente expressa os planos de Deus com os homens, esses mistérios insondáveis do coração de Deus que São Paulo anseia descobrir.

À Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito, não lhe pareceu suficiente perdoar a ofensa do homem e apagá-la da sua presença. Cristo, Filho de Deus feito homem, consubstancial ao Pai, que diz de si próprio: «O Pai e eu somos uma só coisa” [ix] e (Tudo quanto tem o Pai é meu”,[x] faz-nos partícipes da natureza divina – enxerta-nos em Deus – e leva-o a cabo através dos Sacramentos que Ele mesmo institui.

Fazendo-nos partícipes da sua natureza e vivendo connosco pessoalmente na Eucaristia, podemos dizer com João Paulo II: «Em Cristo e por Cristo, Deus revelou-se plenamente a ela; e, ao mesmo tempo, em Cristo e por Cristo, Deus revelou-se plenamente à humanidade e aproximou-se definitivamente dela; e, ao mesmo tempo, em Cristo e por Cristo, o homem conseguiu plena consciência da sua dignidade, da sua elevação, do valor transcendental da própria humanidade, do sentido da sua existência”.[xi]

São Josemaria Escrivá expressa assim o mistério da nova criatura em Cristo: «Deus Pai, chegada a plenitude dos tempos, enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que restabelecesse a paz; para que, redimindo o homem do pecado, adoptionem filiorum reciperemus,[xii] fossemos constituídos filhos de Deus, libertados do jugo do pecado, tornados capazes de participar na intimidade divina da Trindade. E assim se tornou possível a este homem novo, a este novo enxerto dos filhos de Deus,[xiii] libertar a criação inteira da desordem, restaurando todas as coisas em Cristo,[xiv] que os reconciliou com Deus”[xv].[xvi]

Na Encarnação da Segunda Pessoa da Trindade, Deus deixa reduzida a nada a tentação de Satanás ao homem. «Sereis como deuses” é o oferecimento do diabo a Adão e a Eva.
Deus vai mais além e, o Filho de Deus ao fazer-se homem, convida-nos a participar da sua própria vida divina, a entrar nele, na Trindade.

Como poderia ter-nos feito partícipes da natureza divina, se não fosse verdade, sem reduções de nenhum tipo, as suas afirmações que: «O Pai e eu somos uma só coisa” [xvii] e de que «(Tudo quanto tem o Pai é meu”?[xviii]

Fazendo-nos partícipes, em Cristo e por Cristo, da sua própria «natureza divina”, Deus enxerta no nosso ser um princípio de vida divina no nosso actuar, no nosso ser e no nosso actuar que só pode ser «conhecido pela fé” e, ao mesmo tempo, «nos incita a uma fé cada vez maior”.[xix]

Como pode o homem viver e desenvolver essa «participação na natureza divina”?

Essas duas questões encontram uma resposta adequada nos outros dois motivos da Encarnação do Filho de Deus:

3)                  O Verbo encarnou para ser nosso modelo de santidade: (Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.[xx] «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”.[xxi] E o Pai, no monte da Transfiguração, ordena: «Escutai-o”.[xxii] Ele é, com efeito, o modelo das bem-aventuranças e a norma da nova lei: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.[xxiii]
(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[i] 1 Jo 4, 101
[ii] 1 Jo 4, 14
[iii] 1 Jo 3, 5
[iv] Mt 4, 17
[v] Jo 10, 30
[vi] 2 P 1, 4
[vii] san ireneo, Adversus haereses, 3, 19.
[viii] san atanasio, De incarnatione, 54, 3.
[ix] Jo 10, 30
[x] Jo 16, 14
[xi] juan pablo ii, Redemptor hominis, n. 11.
[xii] Ga 4, 5
[xiii] cfr. Rm 6, 4-5
[xiv] cfr. Ef 1, 5-10
[xv] cfr. Col 1, 20
[xvi] são josemaria escrivá, Es Cristo que passa, n. 63.
[xvii] Jo 10, 30
[xviii] Jo 16, 414
[xix] cfr. Catecismo, n. 2005
[xx] Jo 14, 6
[xxi] Mt 11, 29
[xxii] Mc 9, 7
[xxiii] Jo 15, 12

Mortificação, Penitência

O espírito de mortificação, mais do que manifestação de Amor, brota como uma das suas consequências. Se falhas nessas pequenas provas, reconhece-o, fraqueja o teu amor ao Amor. (Sulco, 981)

Penitência, para os pais e, em geral, para os que têm uma missão de dirigir ou de educar é corrigir quando é necessário fazê-lo, de acordo com a natureza do erro e com as condições de quem necessita dessa ajuda, superando subjectivismos néscios e sentimentais.


O espírito de penitência leva a não nos apegarmos desordenadamente a esse esboço monumental dos projectos futuros, no qual já previmos quais serão os nossos traços e pinceladas mestras. Que alegria damos a Deus quando sabemos renunciar aos nossos gatafunhos e pinceladas, e permitimos que seja Ele a acrescentar os traços e cores que mais lhe agradam! (Amigos de Deus, 138)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Temas para meditar - 427


Omnia in bonum 



Deus orienta todas as coisas para proveito dos seus filhos, de modo que mesmo os que se desviam e ultrapassam os limites podem progredir na virtude, porque regressam mais humildes e experimentado.


(santo agostinhoSobre a conversão e a graça, 30)

Jesus Cristo e a Igreja – 64


Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos [i]

A Legislação do II Concílio Trullano.

…/2

Toda a disciplina atualizada no que respeita ao celibato foi fixada de forma vinculativa e com sanções adjuntas em sete cânones (3, 6, 12, 13, 26, 30, 48). Este Concilio II “em Trullo”, também chamado Quinisexto, foi um Concílio da Igreja Bizantina, convocado e frequentado somente por seus bispos e mantido pela sua autoridade, que se apoiava de modo decisivo na autoridade do imperador. A Igreja Ocidental não enviou delegados (embora Apocrisário, o legado de Roma em Constantinopla, assistiu a esse Concílio) e nunca reconheceu este Concílio como Ecuménico, apesar das repetidas tentativas e pressões, especialmente por parte do imperador. O Papa Sérgio (687-701), que procedia da Síria, negou o reconhecimento. João VIII (872-882) só reconheceu as disposições que não eram contrários à prática de Roma em vigor até aquele momento. Qualquer outra referência por parte dos Romanos Pontífices aos cânones “trullanos” não deve ser considerada como outra coisa além de uma consideração, com um reconhecimento mais ou menos explícito do direito particular da Igreja Oriental.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Card. alfons m. stickler, Cardeal Diácono de São Giorgio in Velabro


Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

23/04/2015

2015.04.23








O que pode ver hoje em NUNC COEPI




Os frutos saborosos da alma mortificada - São Josemaria - Textos

Reflectindo - 74 - AMA - Reflectindo - Modéstia

Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão) - A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 6 41-45, Ernesto Juliá Diaz

Temas para meditar - 426 - Temas para meditar - Humildade


Pequena agenda do cristão - Agenda Quinta-Feira

Os frutos saborosos da alma mortificada

Estes são os saborosos frutos da alma mortificada: compreensão e transigência para as misérias alheias; intransigência para as próprias. (Caminho 198)

Penitência é tratar sempre os outros com a maior caridade, começando pelos teus. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes e os que padecem. É responder com paciência aos maçadores e inoportunos. É interromper ou modificar os nossos programas, quando as circunstâncias – sobretudo os interesses bons e justos dos outros – assim o requerem.


A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades do dia; em não abandonar o trabalho, mesmo que no momento te tenha passado o entusiasmo com que o começaste; em comer com agradecimento o que nos servem, sem caprichos importunos. (Amigos de Deus, 138)

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Temas para meditar - 426


Humildade (definição) 


Reconhece as suas próprias insuficiências, as suas qualidades e capacidades e aproveita-as para fazer o bem sem chamar a atenção nem requerer o aplauso alheio. 

Reflectindo - 74

Modéstia
 
Uma das virtudes associadas à humildade, a modéstia é ao contrário do que possa pensar-se, muito difícil de conseguir.
Alguns consideram a modéstia como algo parecido com apoucamento ou medo de dar mas vistas talvez até de vergonha.
Na realidade não tem nada a ver com isto já que o modesto não tem qualquer receio de se expor em caso de necessidade mas, sim, não procura a notoriedade por si mesma, quer dizer, para sua autossatisfação ou engreijamento.

A modéstia é uma atitude, uma forma de estar na vida sabendo o que se é e o papel que lhe cabe desempenhar na sociedade fazendo-o o melhor que pode e sabe sem pretender ir além dos seus próprios limites.

(ama, reflexões, 2013.01.2014)


Evangelho, comentário L. Esp. (A beleza de ser cristão)


Semana III da Páscoa


Evangelho: Jo 6 41-51

41 Murmuravam então d'Ele os judeus, porque dissera: «Eu sou o pão que desceu do céu».42 Diziam: «Porventura não é este aquele Jesus, filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz Ele: Desci do céu?». 43 Jesus, replicando, disse-lhes: «Não murmureis entre vós. 44 Ninguém pode vir a Mim se o Pai que Me enviou não o atrair; e Eu o ressuscitarei no último dia. 45 Está escrito nos profetas: “E serão todos ensinados por Deus”. Portanto, todo aquele que ouve e aprende do Pai, vem a Mim. 46 Não porque alguém tenha visto o Pai, excepto Aquele que vem de Deus; Esse viu o Pai. 47 Em verdade, em verdade vos digo: O que crê em Mim tem a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. 50 Este é o pão que desceu do céu para que aquele que dele comer não morra. 51 Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; e o pão que Eu darei é a Minha carne para a salvação do mundo».

Comentário:

Compreende-se a insistência da liturgia na Eucaristia, na sua instituição por Jesus Cristo e as repetidas vezes que fala do “Pão do Céu”.
O Sacramento Eucarístico é o maior e mais valioso legado de Cristo: ficar presente de forma real na nossa vida, sempre à nossa disposição para servir-nos de alimento, conforto e coragem no caminho para a vida eterna

(ama, comentário sobre Jo 6, 44-51, 2014.05.08)

Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE

O QUE É SER CRISTÃO?

I.            Relações que Deus estabelece com o homem.

…/9

VI . a redenção

        Depois de ter visto os planos de Deus na criação e na oposição d homem ao querer de Deus manifestada no pecado, é agora a altura de considerar a reacção de Deus ante o pecado do homem. Esta resposta de Deus ao pecado do homem constitui o que denominámos segunda relação de Deus com os homens: a Redenção.

        Deus não permite que a obra da criação que Ele iniciou no Amor fique destroçada pelo pecado do homem.
Depois da queda no paraíso, Deus não rejeita o homem nem o abandona à sua sorte, como aconteceu com os anjos rebeldes.
A natureza do homem é mais frágil que a do anjo, e a visão da grandeza e da majestade de Deus de que o ser humano goza, é mais débil e imprecisa.

        A liberdade do anjo, pela clareza da sua visão de Deus, levava consigo uma responsabilidade maior na sua decisão.

De facto, o mal realizado pelos anjos é irreparável.

        Não é assim no caso do homem.
Deus, depois de o por ante o seu pecado, não o amaldiçoa.
Amaldiçoa, ao invés, Satanás e prepara a recuperação do homem. Podemos dizer que o plano original da criação do ser humano e a sua finalidade na criação - «que o homem conhecesse, amasse e servisse a Deus nesta terra e o gozasse para sempre no céu” - não sofrem nenhuma mutação pelo pecado. Muda, todavia, o modo de ser levada a cabo, e mudam e enriquecem-se os caminhos de que o homem vai dispor para a sua realização.[i]

        Uma vez mais, Deus toma a iniciativa e recria o homem - «nova criatura” - introduzindo nele uma perspectiva que não se esgota no gozo do paraíso e o seu cuidado.
Parece como se o Criador quisesse «corrigir” o que poderíamos chamar um erro de cálculo na primeira criação.

Houve realmente um erro de cálculo que tenha propiciado o pecado do homem?

Deus sonhou demasiado com o homem?

A criatura humana era demasiado frágil para a grandeza que Deus depositou nela?

O coração do homem podia realmente suportar e gozar na imensidade do amor de Deus?

        Sou consciente de que estas perguntas são uma ousadia diante de Deus e que as repostas elaboradas somente com a inteligência humana seriam Sim, excepto a última, que exigiria um Não, se as outras são, efectivamente, Sim.

        Mas talvez seja necessário fazê-las se queremos alguma vez descobrir, ou pelo menos vislumbrar, o amor com o qual Deus criou o mundo, o homem; amor que fica tão escondido e tão difícil de apreciar, ante as misérias, as dores, as penas que afloram à superfície de qualquer vida humana, também, as dos santos.

        Deus introduziu uma determinada correcção na segunda criação.
Viu que não era suficiente dotar Adão de uma série de dons e com eles conceder-lhe uma certa plenitude natural.
Já desde o princípio decidiu levar a cabo o plano inicial de adoptar o homem como seu filho.
Agora melhora a adopção, fazendo-o filho no seu próprio Filho Unigénito.
        Desta forma, o homem não só se aproxima mais intimamente de Deus, como recebe, de certo modo, uma participação na própria natureza divina.
E isto comportou a Encarnação do Filho de Deus.

Esta participação é o que nós cristãos chamamos Graça, e
que estudaremos mais adiante.

        O ser humano, na sua condição de criatura, goza, sim, de uma pré-disposição natural para receber a luz de Deus, fruto do seu ser «imagem e semelhança” de Deus e seu filho.
Essa recepção da luz, todavia, nem sempre tem consigo o fazer germinar imediatamente, nem por si, nenhum fruto no seu espírito.
O homem há-de aprender, e ser ajudado na sua aprendizagem, a exercitar a sua liberdade, a ser livre, para livremente procurar Deus e amá-lo livremente.

        A experiência criatural de Adão foi muito significativa e permite-nos melhor a nossa situação, consequência não só da fragilidade própria da natureza humana, mas também da acção do pecado na nossa alma.

        Adão, antes do pecado e na plenitude e na integridade da sua condição de criatura, desconfia da palavra de Deus, não obstante ter passeado com Ele, ao entardecer, no paraíso.
Usou mal a sua liberdade e amou pouco, porque ninguém desconfia da pessoa amada nem desobedece às suas indicações.
Depois do pecado, pretende ocultar-se do olhar de Deus, como se procurasse na sombra, no anonimato, na obscuridade, o estar seguro face a Deus e a salvo de um possível castigo.

        Porque temeu Adão que Deus o castigasse?

O ter comido do fruto proibido da árvore da ciência do bem e do mal era motivo suficiente para o homem enfrentar Deus?

Acaso não se tinha enfrentado já antes de o comer, com o simples desejo de o desejar?

O pecado de Adão é anterior a comer o fruto; e isso quer dizer que já tinha nele a ciência do bem e do mal.
        Talvez não seja demasiada ousadia pensar que o primeiro pecado do homem, com a desconfiança para com Deus seguida da desobediência, tenha consistido na rebelião de não aceitar os limites da sua condução de criatura.
O pensar «ser como deuses” é uma tentação que parece estar fora do alcance da compreensão de Adão.
Não está, todavia, o anseio de se libertar dos seus limites e o sonho de poder consegui-lo, com as suas forças e com a ajuda da «serpente”.

        «Yavé Deus fez para o homem e a sua mulher túnicas de pele e vestiu-os. E disse: Heis aqui que o homem veio a ser como um de nós, no que respeita a conhecer o bem e o mal! Agora, pois, não estenda a sua mão e tome também da árvore da vida e comendo dela viva para sempre”.[ii]

        Estas palavras de Deus ao preparar a expulsão de Adão e Eva do paraíso aparecem na Escritura depois do anúncio do Redentor e, mais que cheias de um sentido irónico que alguns querem ver, podemos considerá-las como a descoberta do mal que o homem fez a si próprio que Deus nos descobre; mal que Deus vai pretender sanar e curar, restaurando no homem na sua verdadeira condição com o novo vínculo oculto nas palavra da promessa já anunciada: a Redenção.

        Se o homem «veio a ser como um de nós», e o Senhor consciente que o homem não está em condições d suportar essa «nova condição», porque nunca se poderá converter em juiz último do bem e do mal,  Deus decide fazer-se «uma das suas criaturas», para na verdade abrir ao homem o sentido da árvore da vida.
Jesus Cristo manifestou-no-lo sem peias ao afirmara de sei próprio: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”[iii].

        E com essas palavras descobre-nos o pleno sentido do desígnio original de Deus ao criara o homem.
Desígnio que, insistimos, Deus não suprimiu nem rebaixou por causa do pecado original, mas que, mantendo-o intacto, o elevou ao modo, ao caminho, para o levar a cabo; o homem contará com a própria vida de Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem.

        “Fomos constituídos filhos de Deus. Com esta livre decisão divina, a dignidade natural do homem elevou-se incomparavelmente e, se o pecado destrui-o este prodígio, a Redenção reconstrui-o de modo ainda mais admirável; levando-nos todavia a participar mais estreitamente da filiação divina”.[iv]

        Deus tinha criado o ser humano “à sua imagem e semelhança” para o adoptar como filho. Depois do pecado quer redimi-lo, convertendo-o em «seu filho” em seu Filho, Jesus Cristo.

        E no mesmo instante da sua queda, anuncia a chegada de um redentor. «Ponho inimizade perpétua entre ti e a mulher e entre a tua linhagem e a sua; esta te esmagará a cabeça e tu mordê-la-ás no calcanhar.[v]
        O Redentor é Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim podemos dizer, sem deixar de sempre considerar que Deus é Uno e Trino e que o homem se relaciona sempre coma Santíssima Trindade, que, se a criação é o vínculo do homem com Deus Pai, a Redenção é o vínculo do homem com Deus Filho. O ser «imagem e semelhança e filho adoptivo” converte-se em “ser filho de Deus na Graça de Cristo”, na riqueza definitiva da criatura: a «filiação divina”, pela Graça, sem por isso deixar de ser ”filho adoptivo”.

        Para melhor entender o verdadeiro alcance desta relação da Redenção e chegar a vislumbrar os planos de Deus com os homens, parece oportuno pararmos a reflectir sobre os motivos que acompanharam o amor da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que, na sua vinda à terra, se «diminui-o a si mesmo tomando condição de servo, tornando-se semelhante aos homens».[vi] Assim poderemos compreender um pouco melhor o alcance do amor que Deus Pai, Filho e Espírito Santo tem ao ser humano.

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[i] cfr. Catecismo n. 412
[ii] Gn 3, 22
[iii] Jo 10, 10
[iv] são josemaria escrivá, 1967. Citado por f. ocácriz-i. celaya, Vivir como hijos de dios, Eunsa, Pamplona 1993, cap. 1, nota 14.
[v] Gn 3, 15
[vi] Flp 2, 7

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?