14/08/2010

Evangelho para 14 de Agosto

Evangelho: Mt 19, 13-15

13 Então, foram-Lhe apresentadas várias crianças para que Lhes impusesse as mãos e orasse por elas. Mas os discípulos repreendiam-nas. 14 Jesus, porém, disse-lhes: «Deixai as crianças, e não as impeçais de vir a Mim, porque delas é o Reino dos Céus». 15 E, tendo-lhes imposto as mãos, partiu dali.

Meditação:

Senhor, se eu for como uma criança… impões-me as Tuas mãos?
E abençoas-me?
E tens-me junto a Ti?
Mas, Senhor, como posso eu ser como uma criança!
Eu, cheio de preconceitos, calculismos, critérios desajustados da realidade!
Preciso, antes de ser criança, ser simples, concreto, verdadeiro, sem dissimulações.
Por isso, Te digo, meu Jesus, aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser. Não sei para que me queres, mas confio que encontrarás em mim algo que possa – que Tu possas – aproveitar. 
(AMA, Meditação, Mt 19, 13-15, 2006)

Desprendimento responsável


Possui, mas como se nada possuísse, o que reúne tudo o necessário para seu uso, mas prevê cautamente que depressa o há-de deixar. Usa este mundo como se não o usasse, o que dispõe do necessário para viver, mas não deixando que domine o seu coração, para que todo ele sirva e nunca desvie, a boa marcha da alma, que tende a coisas mais altas.

(S. Gregório Magno, Homílias sobre o Evangelho de S. Lucas, 40, 2, trad castelhano por ama

13/08/2010

Fátima, 13 de Agosto

Fátima 1

As aparições de Fátima, comprovadas por sinais extraordinários e 1917, formam como que um ponto de referência e de irradiação para o nosso século. Maria, Nossa Mãe celestial, veio para sacudir as consciências, para iluminar o autêntico significado da vida, para estimular a conversão do pecado e o fervor espiritual, para inflamar as almas de amor a Deus e de caridade para com o próximo. Maria veio socorrer-nos, porque muitos, por desgraça, não querem acolher o convite do Filho de Deus para voltar à casa do Pai.
Desde o seu Santuário de Fátima, Maria renova todavia hoje a sua materna a premente petição: a conversão à Verdade e à Graça, A vida dos sacramentos, especialmente a Penitência e a Eucaristia, e a devoção ao seu Coração Imaculado, acompanhado pelo espírito de penitência.

(joão Paulo II, Angelus, 1987.07.23)

O CANSAÇO E A VIDA QUOTIDIANA NA FAMÍLIA




Chega-se cansado a casa. O cansaço é legítimo. O mau humor, não. Convém lembrar que o homem cansado é propenso ao mau génio, já que tem as defesas baixas e os nervos destemperados.

O cansado tende ao hermetismo. Não é comunicativo.

É preciso dar ao cansado um tempo para decantar as fadigas e preocupações de um dia de trabalho. Deve-se permitir ao guerreiro deixar suas armas, desmontar e recompor-se.

Procura desfazer-se quanto antes de sua mercadoria. Interrompe quando não deve, tem mais pressa quanto mais deve esperar. É a hora heróica dos pais.

O carinho dos filhos vale mais que o esgotamento.

Ao chegar a casa, nenhum pai pode abrir a porta e dizer: “Missão cumprida”.

Se ele acha que a casa é o lugar das compensações egoístas, um pai de família perdeu-se. A recompensa verdadeira é a de ver-se rodeado por afecto.

O carinho dos filhos não é um carinho abstracto, teórico. É tangível. Percebe-se. Toca-se.

Os olhos das crianças estão a dizer: “Seja meu pai. Tu és forte, mais forte que o cansaço”.

(Diego Ibañez Langlois, trad ama)


Evangelho para 13 de Agosto

Evangelho: Mt 19, 3-12

3 Foram ter com Ele os fariseus para O tentar, e disseram-Lhe: «É lícito a um homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?». 4 Ele respondeu: «Não lestes que, no princípio, o Criador os fez homem e mulher, e disse:5 “Por isso, deixará o homem pai e mãe, e juntar-se-á com sua mulher, e os dois serão uma só carne”? 6 Portanto, não mais são dois, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus uniu». 7 «Porque mandou, então, Moisés», replicaram eles, «dar o homem à sua mulher libelo de repúdio, e separar-se?». 8 Respondeu-lhes: «Porque Moisés, por causa da dureza do vosso coração, permitiu-vos repudiar vossas mulheres; mas no princípio não foi assim. 9 Eu, porém, digo-vos que todo aquele que repudiar sua mulher, a não ser por causa de união ilegítima, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com uma repudiada, comete adultério». 10 Disseram-Lhe os discípulos: «Se tal é a condição do homem a respeito de sua mulher, não convém casar». 11 Ele respondeu-lhes: «Nem todos compreendem esta palavra, mas somente aqueles a quem foi concedido. 12 Porque há eunucos que nasceram assim do ventre de sua mãe; há eunucos a quem os homens fizeram tais; e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender isto, compreenda».

Comentário:

     Santidade do amor humano
Ao falar do matrimónio, da vida matrimonial, é necessário começar por referir-nos claramente ao amor dos cônjuges.
O amor puro e limpo dos esposos é uma realidade santa, que eu, como sacerdote, abençoo com ambas as mãos. (…)
O matrimónio é um sacramento que faz de dois corpos uma só carne: como diz com expressão forte a teologia, são os próprios corpos dos contraentes que constituem a sua matéria. O Senhor santifica e abençoa o amor do marido à mulher e o da mulher ao marido; e ordenou não só a fusão das suas almas, mas também a dos seus corpos. Nenhum cristão, esteja ou não chamado à vida matrimonial, pode deixar de a estimar.
O Criador deu-nos a inteligência, centelha do entendimento divino, que nos permite - com vontade livre, outro dom de Deus - conhecer e amar; e deu ao nosso corpo a possibilidade de gerar, que é como uma participação do seu poder criador. Deus quis servir-se do amor conjugal para trazer novas criaturas ao mundo e aumentar o corpo da Igreja. O sexo não é uma realidade vergonhosa; é uma dádiva divina que se orienta limpamente para a vida, para o amor, para a fecundidade.
Esse é o contexto, o pano de fundo, em que se situa a doutrina cristã sobre a sexualidade. A nossa fé não desconhece nada do que de belo, de generoso, de genuinamente humano há neste mundo. Ensina-nos que a regra do nosso viver não deve ser a procura egoísta do prazer, porque só a renúncia e o sacrifício levam ao verdadeiro amor; Deus amou-nos e convida-nos a amá-Lo e a amar os outros com a verdade e a autenticidade com que Ele nos ama. Quem conserva a sua vida, perdê-la-á; e quem perde a sua vida por meu amor voltará a encontrá-la, escreveu S. Mateus no seu Evangelho, com frase que parece paradoxal.
As pessoas que estão pendentes de si mesmas, que actuam procurando, antes de mais, a sua própria satisfação, põem em jogo a sua salvação eterna e, mesmo aqui na Terra, são inevitavelmente infelizes e desgraçadas. Só quem se esquece de si e se entrega a Deus e aos outros - no matrimónio também - pode ser ditoso na Terra, com uma felicidade que é preparação e antecipação do Céu.
Durante o nosso caminhar terreno, a dor é pedra de toque do amor. No estado matrimonial, considerando as coisas de maneira descritiva, poderíamos afirmar que há anverso e reverso: por um lado, a alegria de se saber amado, o entusiasmo por edificar e sustentar um lar, o amor conjugal, a consolação de ver crescer os filhos; por outro, dores e contrariedades, o decurso do tempo que consome os corpos e ameaça azedar os caracteres, a monotonia dos dias, aparentemente sempre iguais.
Formaria um pobre conceito do matrimónio e do amor humano quem pensasse que ao tropeçar com essas dificuldades, o carinho e o contentamento se acabam. É precisamente então que os sentimentos que animavam aquelas criaturas revelam a sua verdadeira natureza, que a doação e a ternura se enraízam e se manifestam com um afecto autêntico e profundo, mais poderoso que a morte. 

(S. josemaria, Cristo que Passa, 24)

JOSEPH RATZINGER «Deixar Deus actuar»


Sempre me chamou a atenção o sentido que Josemaria Escrivá dava ao nome Opus Dei; uma interpretação que poderíamos chamar biográfica e que permite entender o fundador na sua fisionomia espiritual. Escrivá sabia que devia fundar algo, e ao mesmo tempo estava convencido de que esse algo não era obra sua: ele não tinha inventado nada: simplesmente o Senhor tinha-se servido dele e, em consequência, aquilo não era obra sua, mas sim a Obra de Deus. Ele era somente um instrumento através do qual Deus tinha actuado.

Ao considerar esta atitude vêm-me à mente as palavras do Senhor recolhidas no evangelho de São João 5, 17: «O Meu Pai trabalha sempre». São palavras pronunciadas por Jesus no curso de uma discussão com alguns especialistas da religião que não queriam reconhecer que Deus pode trabalhar no dia de Sábado. Um debate todavia aberto e actual, de certo modo, entre os homens – incluindo os cristãos – do nosso tempo. Alguns pensam que Deus, depois da criação, se «retirou» e já não mostra nenhum interesse pelos nossos assuntos diários. Segundo este modo de pensar, Deus não poderia intervir no tecido da nossa vida quotidiana; todavia, as palavras de Jesus Cristo indicam-nos antes o contrário. Um homem aberto à presença de Deus dá-se conta que Deus trabalha sempre e de que também actua hoje; por isso devemos deixa-lo entrar e facilitar-lhe que actue em nós. É assim que nascem tantas coisas que abrem o futuro e renovam a humanidade.

Tudo isto ajuda-nos a compreender porque Josemaria Escrivá não se considerava «fundador» de nada, e porque se via somente como um homem que quer cumprir uma vontade de Deus, secundar essa acção, a obra - com efeito – de Deus. Neste sentido, constitui para mim uma mensagem de grande importância o teocentrismo de Escrivã de Balaguer: está em coerência com essas palavras de Jesus essa confiança em que Deus não se retirou do mundo, porque está actuando constantemente; e que a nós apenas nos corresponde pormo-nos à sua disposição, estar disponíveis, sendo capazes de responder à sua chamada. É uma mensagem que também ajuda a superar o que pode considerar-se como a grande tentação do nosso tempo: a pretensão de pensar que depois do big bang, Deus se retirou da história. A acção de Deus «não se deteve» no momento do big bang, antes continua no curso do tempo, tanto no mundo da natureza como no dos homens.

O fundador da Obra dizia: eu não inventei nada; é outro que fez tudo; eu procurei estar disponível e servi-lo como instrumento. a palavra e toda a realidade que chamamos Opus Dei está profundamente enxertada com a vida do Fundador, que ainda que procurando ser muito discreto neste ponto, dá a entender que permanecia em diálogo constante, em contacto real com Aquele que nos criou e actua por nós e connosco.
De Moisés diz-se no livro de Êxodo (33,11) que Deus falava face a face com ele, como um amigo fala com um amigo». Parece-me que, se bem que o véu da discrição esconde alguns pequenos sinais, há fundamento suficiente para muito bem por aplicar a Josemaria Escrivá isso de «falar como um amigo fala com um amigo», que abre as portas do mundo para que Deus possa tornar-se presente, fazer e transformar tudo.
Nesta perspectiva compreende-se melhor o que significa santidade e vocação universal à santidade. Conhecendo um pouco da história dos santos, e sabendo que nos processos de canonização se procura a virtude «heróica» podemos ter, quase inevitavelmente, um conceito errado da santidade porque tendemos a pensar: «isto não é para mim»; «eu não me sinto capaz de praticar virtudes heróicas»; «é um ideal demasiado alto para mim». Nesse caso a santidade estaria reservada para alguns «grandes» dos quais vemos as imagens nos altares e que são muito diferentes de nós, normais pecadores. Essa seria uma ideia totalmente errada da santidade, uma concepção errónea que foi corrigida – e isto parece-me um ponto central – precisamente por Josemaria Escrivá.

Virtude heróica não quer dizer que o santo seja uma espécie de «ginasta» da santidade, que realiza uns exercícios inexequíveis para as pessoas normais. Quer dizer, pelo contrário, que na vida de um homem se revela a presença de Deus, e fica mais patente tudo quanto o homem não é capaz de fazer por si mesmo. Talvez, no fundo, se trate de uma questão terminológica, porque o adjectivo «heróico» foi com frequência mal interpretado. Virtude heróica não significa exactamente que alguém faz coisas grandes por si mesmo, mas que na sua vida aparecem realidades que ele não fez, porque ele só esteve disponível para deixar que Deus actuasse. Por outras palavras, ser santo não é outra coisa que falara com Deus como um amigo fala com o amigo. Isto é a santidade.

Ser santo não implica ser superior aos outros; pelo contrário, o santo pode ser muito débil, e contar com numerosos erros na sua vida. A santidade é o contacto profundo com Deus: é fazer-se amigo de Deus, deixara o Outro operar, o Único que realmente pode fazer com que este mundo seja bom e feliz. Quando Josemaria Escrivá diz que todos os homens são chamados a ser santos, parece-me que, no fundo, está a referir-se à sua experiência pessoal, porque nunca fez, por si mesmo, coisas incríveis, antes se limitou a deixar Deus operar. E, por isso, nasceu uma grande renovação, uma força de bem no mundo, ainda que continuem presentes todas as debilidades humanas.

Verdadeiramente todos somos capazes, todos somos chamados a abrir-nos a essa amizade com Deus, a não nos desprender-mos das suas mãos, a não nos cansarmos de voltar e regressar ao Senhor falando com Ele como se fala com um amigo sabendo, com certeza, que o Senhor é o verdadeiro amigo de todos, também de todos os que não são capazes de fazer por si mesmos coisas grandes.

Por tudo isto compreendi melhor a fisionomia do Opus Dei: a forte ligação que existe entre uma fidelidade absoluta à grande tradição da Igreja, a sua fé, com simplicidade desarmante, e abertura incondicional a todos os desafios deste mundo, seja no âmbito académico, no do trabalho ordinário, na economia, etc. Quem tem este vínculo com Deus, quem mantém com Ele um colóquio ininterrupto, pode atrever-se a responder a novos desafios., e não tem medo; porque quem está nas mãos de Deus, cai sempre nas mãos de Deus. É assim que o medo desaparece e nasce a valentia de responder aos desafios do mundo de hoje.

(Transcrição de uma intervenção oral do cardeal Joseph Ratzinguer publicada no suplemento especial do «Osservatore Romano» (6 de Outubro de 2002) editado por ocasião da canonização de Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei.)

12/08/2010

Torrnar os outros felizes

Dois homens, ambos muito doentes, ocupavam a mesma enfermaria de um hospital.

A um deles era permitido sentar-se na sua cama cada tarde, durante uma hora, para ajudá-lo a drenar o líquido dos seus pulmões. A sua cama dava para a única janela da enfermaria.

O outro homem tinha que estar todo o tempo com a boca para cima.

Os dois conversavam durante horas. Falavam das suas mulheres e das suas famílias, os seus lares, os seus trabalhos, a sua estada no serviço militar, onde tinham estado de férias.

E cada tarde, quando o homem da cama junto à janela podia sentar-se, passava o tempo descrevendo ao seu vizinho todas as coisas que podia ver pela janela.

O homem da outra cama começou a desejar que chegassem essas horas, em que o seu mundo se enchia e tomava vida com todas as actividades, cores do mundo exterior.

A janela dava para um parque com um lago precioso.

Patos e cisnes brincavam na água, enquanto as crianças brincavam com os seus papagaios de papel.

Os jovens enamorados passeavam de mão dada, entre flores de todos as cores de arco-íris.

Grandes árvores adornavam a paisagem, e podia-se ver à distância uma bela vista da linha da cidade.

O homem da janela descrevia tudo isto com um detalhe muito meticuloso, o do outro lado da enfermaria fechava os olhos e imaginava a idílica cena.

Una tarde de muito calor, o homem da janela descreveu um desfile que passava.
Ainda que o outro homem não pudesse ouvir a banda, podia vê-lo, com os olhos da sua mente, exactamente como o descrevia o homem da janela com as suas palavras mágicas
.
Passaram-se dias e semanas. Uma manhã a enfermeira de dia entrou com água para lhes dar banho encontrando-se com o corpo sem vida do homem da janela, que tinha morrido placidamente enquanto dormia. Encheu-se de pena e chamou os ajudantes do hospital para levar o corpo.

Logo que o considerou apropriado, o outro homem pediu para ser trasladado para a cama ao lado da janela. A enfermeira mudou-o solícita e, depois de se assegurar que estava cómodo, saiu da enfermaria.

Lentamente, e com dificuldade, o homem se ergueu-se sobre o cotovelo, para lançar o seu primeiro olhar para o mundo exterior; por fim teria a alegria de o ver. Esforçou-se para se virar devagar e olhar pela janela ao lado da cama... e encontrou-se com uma parede branca.

O homem perguntou à enfermeira o que poderia ter motivado o seu companheiro morto a descrever coisas tão maravilhosas através da janela.
A enfermeira disse-lhe que o homem era cego e que não teria podido ver nem a parede, e disse-lhe:

_ Talvez só quisesse animá-lo a si".

Epilogo: É uma enorme felicidade fazer felizes os outros, seja qual for situação própria. A dor partilhada é metade da pena, mas a felicidade, quando se partilha, é dupla.

Se quer sentir-se rico, conte só todas as cosas que tem e que o dinheiro não pode comprar.

"Hoje é uma oferta, por isso se lhe chama o presente" 

(FLUVIUM, 2006.04.04, trad. do castelhano por ama)

11/08/2010

Evangelho para 12 Ago

Evangelho: Mt 18, 21 – 19, 1

21 Então, aproximando-se d'Ele Pedro, disse: «Senhor, até quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?». 22 Jesus respondeu-lhe: «Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23 «Por isso, o Reino dos Céus é comparável a um rei que quis fazer as contas com os seus servos. 24 Tendo começado a fazer as contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos. 25 Como não tivesse com que pagar, o seu senhor mandou que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo o que tinha, e se saldasse a dívida. 26 Porém, o servo, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe: “Tem paciência comigo, eu te pagarei tudo”. 27 E o senhor, compadecido daquele servo, deixou-o ir livre e perdoou-lhe a dívida. 28 «Mas este servo, tendo saído, encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários e, lançando-lhe a mão, sufocava-o dizendo: “Paga o que me deves”. 29 O companheiro, lançando-se-lhe aos pés, suplicou-lhe: “Tem paciência comigo, eu te pagarei”. 30 Porém ele recusou e foi mandá-lo meter na prisão, até pagar a dívida. 31 «Os outros servos seus companheiros, vendo isto, ficaram muito contristados e foram referir ao seu senhor tudo o que tinha acontecido. 32 Então o senhor chamou-o e disse-lhe: “Servo mau, eu perdoei-te a dívida toda, porque me suplicaste. 33 Não devias tu também compadecer-te do teu companheiro, como eu me compadeci de ti?”. 34 E o seu senhor, irado, entregou-o aos guardas, até que pagasse toda a dívida. 35 «Assim também vos fará Meu Pai celestial, se cada um não perdoar do íntimo do seu coração ao seu irmão»
19 1 Tendo Jesus acabado estes discursos, partiu da Galileia e foi para o território da Judeia, além Jordão.

Meditação:

Há pouco, quando invocava a Tua ajuda para as dificuldades económicas, pensei se teria o direito de o fazer. Claro que, Tu, como Pai amantíssimo, ouves sempre as súplicas dos Teus filhos e vais, com justiça divina, concedendo o que, que, em cada momento, achas que é o que melhor convém. Mas, de igual modo, parece-me que o que peço não é bom, ou, por outras palavras, não sei pedir!
Assim, vou tentar seguir o conselho de S. Josemaria: pedir como pedem as crianças, quero isto... quero aquilo. Assim, tranquilamente, fico-me com a certeza que Tu me darás quando, como e o que melhor me convenha.
E, agora, atrevo-me a “refazer” a pergunta de Pedro:
Quantas vezes, Senhor, o meu irmão me deve perdoar, a mim, as minhas ofensas? Até sete vezes?
A resposta de Jesus seria, com certeza, mais ou menos esta: Não te preocupes com isso, preocupa-te, antes, em evitar, a todo o custo, não ofenderes, tu, o teu irmão.
Mas, Senhor - atrevo-me ainda -, eu sou fraco, e pusilânime…
Então, filho, - dir-me-á, seguramente - pede, tu, perdão ao teu irmão, dificilmente alguma ofensa te será perdoada se não te arrependeres e não manifestares ao ofendido o teu arrependimento. 

(ama, meditação sobre Mt 18, 21; 19, 1, 15.04.2009)

Confiança 1



A confiança é a virtude das virtudes: é a nata da caridade, o odor da humildade, o mérito da paciência e o fruto da esperança.

(S. Francisco de Sales, Pensamentos consoladores, Livro I, Cap. XV, I)

A PERGUNTA CRUCIAL

Vale a pena ler... e meditar...


http://queeaverdade.blogspot.com/2010/08/pergunta-crucial.html



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10/08/2010

Evangelho para 11 de Ago

Evangelho: Mt 18, 15-20

15 «Se teu irmão pecar contra ti, vai e corrige-o entre ti e ele só. Se te ouvir, ganhaste o teu irmão. 16 Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que pela palavra de duas ou três testemunhas se decida toda a questão. 17 Se não as ouvir, di-lo à Igreja. Se não ouvir a Igreja considera-o como um gentio e um publicano. 18 «Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes sobre a terra, será ligado no céu; e tudo o que desligardes sobre a terra, será desligado no céu. 19 «Ainda vos digo que, se dois de vós se unirem entre si sobre a terra a pedir qualquer coisa, esta lhes será concedida por Meu Pai que está nos céus. 20 Porque onde se acham dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles».

Meditação:

A obrigação e a delicadeza da correcção fraterna são aqui bem evidenciadas pelo texto de S. Mateus. Corrigir é uma obrigação e um dever em primeiro lugar para bem do próprio que é corrigido e, em segundo lugar, para evitar que persista no erro e, persistindo, não o propague fazendo mal a outros tornando-se, assim, mais gravoso o facto.
Mas delicadeza também, porque é muito possível que o outro não se dê conta ou aperceba do erro. Quantas coisas más alguns fazem pensando que estão agindo bem? Não agiu assim S. Paulo quando perseguia os cristãos com denodado empenho?
Não esquecer, no entanto, algo sumamente importante: Ninguém pode dar o que não tem e, para fazer a correcção é fundamental estar seguro do que se deve e como se deve corrigir. E, como normalmente, somos péssimos em causas próprias, o aconselhamento prévio é sempre uma excelente medida a tomar. 

(ama, comentário sobre Mt 18, 15-20, 2010.07.07)

Filiação Divina 5


Vocação do homem, vocação suprema, é realmente a filiação divina: a adopção como filhos em Cristo, Filho Eterno, consubstancial ao Pai.

(joão Paulo II, Homília, 1991.01.01, trad do castelhano por ama

09/08/2010

Evangelho para 10 de Ago

Evangelho: Jo 12, 24-26

24 Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra não morrer, 25 fica infecundo; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á e quem aborrece a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém Me quer servir, siga-Me e, onde Eu estou, estará ali também o que Me serve. Se alguém Me servir, Meu Pai o honrará.
Comentário:

Não se pode servir a Deus sem seguir Cristo. Para seguir Cristo, o caminho é Maria Santíssima. E como fazer? Pedir-lhe com devoção filial: Ensina-me um caminho seguro (iter para tuto).
Isto porque, evidentemente, por nós mesmos não conseguiremos, realmente, seguir Jesus, isto é, segui-lo de muito perto, sem O perder, nunca, de vista. Porque, se O seguimos de longe não O encontraremos. A Santíssima Virgem está, sempre junto do seu Filho, portanto, parece lógico que nos “sirvamos” dela para conseguir o que queremos. 

(ama, comentário sobre Jo 12, 24-26, 2010.07.09)

Filiação Divina 4



Se quero viver uma verdadeira vida espiritual não posso esquecer a filiação divina.

(AMA, Diário, Julho 2002) 

Evangelho para 09 Ago

Evangelho: Mt 25, 1-13

1 «Então, o Reino dos Céus será semelhante a dez virgens, que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. 2 Cinco delas eram néscias, e cinco prudentes. 3 As cinco néscias, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo; 4 as prudentes, porém, levaram azeite nas vasilhas juntamente com as lâmpadas.5 Tardando o esposo, começaram todas a cabecear e adormeceram. 6 À meia-noite, ouviu-se um grito: “Eis que vem o esposo! Saí ao seu encontro”. 7 Então levantaram-se todas aquelas virgens, e prepararam as suas lâmpadas. 8 As néscias disseram às prudentes: “Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas apagam-se”. 9 As prudentes responderam: “Para que não suceda que nos falte a nós e a vós, ide antes aos vendedores, e comprai para vós”. 10 Mas, enquanto elas foram comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele a celebrar as bodas, e foi fechada a porta. 11 Mais tarde, chegaram também as outras virgens, dizendo: “Senhor, Senhor, abre-nos”. 12 Ele, porém, respondeu: “Em verdade vos digo que não vos conheço”. 13 Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora.

Comentário:

Jesus, mais uma vez, deseja que os que O ouvem compreendam bem o que é o Reino dos Céus. Não se cansa de dar exemplos concretos, da vida corrente, que todos podem entender. E, dando exemplos, acrescenta sempre o conselho, solene: Estai preparados, vigiai, não sabeis nem o dia nem a hora.
É tão importante o Reino dos Céus que, Ele, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, veio à terra assumindo um corpo humano, como qualquer de nós, para o anunciar.
Compara-o a um tesouro, a uma pérola rara, a um banquete de bodas, enfim, a algo tão bom e importante que nenhum homem deve deixar de procurar, custe o que custe, conquistá-lo.
Se o esforço for vender tudo o que se tem para comprar a pérola rara, ou comprar, com sacrifício o campo onde se achou o tesouro, ou prevenir-se com azeite suficiente para aguentar a vigília, seja o esforço que for, vale a pena, pois, tudo o resto é passageiro e secundário. O Reino dos Céus é para sempre e pertence-nos a todos os homens por direito próprio já que, a tornar-nos Filhos de Deus, com a Sua Morte e Ressurreição, nos fez igualmente legítimos herdeiros de Deus. Quem pode desprezar tal herança? 

(ama, comentário sobre Mt 25, 1-13, 2010.07.08)

Filiação Divina 3


Se o cristão perde a consciência da filiação divina e deixa de viver na profundidade deste mistério consolador, deixa de considerar os acontecimentos à luz da Fé e torna-se-lhe vulnerável.

(António Cardigos, Filiação Divina, Rei dos Livros, nr. 42) 

08/08/2010

Evangelho para 08 Ago

Evangelho: Lc 12, 32-48

32 Não temais ó pequenino rebanho, porque foi do agrado do vosso Pai dar-vos o reino. 33 Vendei o que possuís e dai esmola; fazei para vós bolsas que não envelhecem, um tesouro inesgotável no céu, onde não chega o ladrão, nem a traça corrói. 34 Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 35 «Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas.36 Fazei como os homens que esperam o seu senhor quando volta das núpcias, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. 37 Bem-aventurados aqueles servos, a quem o senhor quando vier achar vigiando. Na verdade vos digo que se cingirá, os fará pôr à sua mesa e, passando por entre eles, os servirá. 38 Se vier na segunda vigília, ou na terceira, e assim os encontrar, bem-aventurados são aqueles servos. 39 Sabei que, se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria arrombar a sua casa. 40 Vós, pois, estai preparados porque, na hora que menos pensais, virá o Filho do Homem».
Comentário:

Quantas vezes o Senhor repete este aviso solene: Estai preparados, vigiai e orai, não sabeis nem o dia nem a hora!
Ao contrário do que possa inferir-se, não é uma ameaça velada mas antes um aviso, um conselho amigo e preocupado com a felicidade dos homens – todos os homens -.
A tal “teoria” que se houve: “quando chegar a altura, arrependo-me e, já está, Deus é misericordioso e não deixará de salvar-me”, é uma estranha e perigosa decisão.
Estranha porque se alguém pensa assim é porque realmente, bem no fundo, se preocupa com o seu futuro eterno; perigosa, porque ninguém pode garantir que terá tempo – um milésimo de segundo que seja – para o arrependimento.
Lembro-me sempre do que se terá passado com Voltaire na hora da morte:
Tendo pedido um padre disseram-lhe, estranhando: Um padre?! Mas tu passaste toda a tua vida a afirmar que para lá da morte não há mais nada! O moribundo, com voz apagada, terá respondido: Pois… mas… e se há?!
Parece inteligente e aceitável que nos preocupemos, hoje, agora, com o futuro que não sabemos quando será. De certa forma, poder-se-ia dizer: mais vale prevenir…
Se não nos arrependemos e confessamos as nossas faltas movidos pelo amor a Deus e a dor de O ter ofendido, façamo-lo, ao menos, por nós porque, sim, é verdade, Deus quer que todos os homens se salvem! 

(ama, comentário sobre Lc 12, 32-48, 2010.07.07)

Filiação Divina 2


Ele primeiro escolhe o homem, no Filho eterno e consubstancial, para participar na filiação divina, e só depois quer a criação do mundo.

(joão Paulo II, Discurso, 1986.05.28, nr. 4, trad do castelhano por ama)

A ECONOMIA DOS DEVERES


No número 43 da encíclica «Caritas in Veritate», Bento XVI sublinha uma ideia muito importante: «Os direitos pressupõem deveres, sem os quais o seu exercício se transforma em arbítrio». Talvez nos baste recordar a definição clássica de justiça, que é: «dar o seu a seu dono»; e não «reivindicar o que é meu». Muitas vezes posso renunciar ao que é meu sem faltar à justiça; mas falto sempre à justiça quando não dou aos outros o que é deles. Logo, a justiça é primariamente um dever para com os outros; só secundariamente um direito meu: tenho direito ao trabalho, porque devo trabalhar; o direito à vida, porque devo conservá-la para pagar o que recebi de Deus, da família, da sociedade; o direito a educar os filhos, por serem os pais os primeiros responsáveis pela sua vinda ao mundo; o direito aos livros, para quem deve estudar; etc.
Se reconheço o meu dever para com os outros, logo sei quais os meus direitos. Mas quando parto de mim, dos meus interesses, a lista dos direitos torna-se tão longa e confusa como a dos meus apetites. Como diz o Santo Padre, «os direitos individuais, desvinculados de um quadro de deveres, (…) enlouquecem e alimentam uma espiral de exigências praticamente ilimitada e sem critério» (ibid.). Os deveres aparecem-nos então apenas como simples compensação social dos tais direitos, e levam-nos, naturalmente, a regatear essa «paga» o mais possível, convertendo a moralidade em habilidade legalista. A sociedade começa a «funcionar» ao contrário: em vez da solidariedade, um clima de egoísmo, agressividade e até de corrupção, que conhecemos bem, infelizmente.
Se os direitos individuais procedem dos deveres, os direitos da família, do Estado, das autarquias, das empresas – de todos os «corpos intermédios», afinal - procedem e medem-se por critério idêntico. Muitas das nossas crises se explicam por vivermos para os direitos e não para os deveres. Já me dizia o velho porteiro: - «Éramos catorze filhos, de pais pobres, e nunca passámos fome. É o que eu digo a esta gente: olhem para os passarinhos; cada um a picar para comer… Cada um de nós procurava um serviço qualquer, e havia para todos! Mas esta gente nova fica para aí parada, à espera de subsídios!» Porque a verdade é que, se me dedico a servir as necessidades dos outros, não me falta trabalho; se me dedico a «realizar-me», nunca mais me aparece o trabalho ideal, por mais que o reclame do governo.
Ao esperarmos tudo do Estado, estamos a cavar a nossa própria sepultura. E, de facto, o Estado a que nos habituámos - e que supera muitos absolutismos passados – manda em tudo e muda a seu bel-prazer as próprias regras que estabeleceu, mas continuamos a esperar dele o que os servos da gleba esperavam dos velhos barões, encostando as casas às muralhas protectoras do seu senhor. Um encosto maior por cada crise… e temos a nação subjugada, e o Estado tornado presa de todos os problemas do país.


Pe. Hugo de Azevedo

07/08/2010

Evangelho para 07 Agosto

Evangelho: Mt 17, 14-20

14 Tendo ido para junto do povo, aproximou-se um homem que se lançou de joelhos diante d'Ele, dizendo: 15 «Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas na água. 16 Apresentei-o a Teus discípulos, e não o puderam curar». 17 Jesus respondeu: «Ó geração incrédula e perversa, até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo cá». 18 Jesus ameaçou o demónio, e este saiu do jovem, o qual, desde aquele momento, ficou curado. 19 Então os discípulos aproximaram-se de Jesus, em particular, e disseram-Lhe: «Porque não pudemos nós lançá-lo fora?». 20 Jesus disse-lhes: «Por causa da vossa falta de fé. Porque na verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: “Passa daqui para acolá”, e ele passará, e nada vos será impossível.

Meditação:

Senhor, aumenta a minha fé que eu, por mim, não sei nada de nada. Como eu desejo uma fé forte, inteira, maciça como uma rocha, onde se desfaçam todas as dúvidas e questões. Uma fé que arda em fogo vivo que se comunique aos que me rodeiam. Uma fé assim, como a de Tua Mãe, Maria Santíssima, de São José meu Pai e Senhor e de São Josemaria. 
(ama, meditação sobre 2002.10.24)