13/06/2010

Memória Pessoal

Memória Pessoal

São duas da manhã e acabei de regressar de Fátima.

Assisti à procissão das velas e participei na Santa Missa e... senti o coração tão pequenino que me cabia na palma da mão.

Disse muitas coisas a Nossa Senhora, pedi por tantos e tantas mas, principalmente disse-lhe repetidamente: OBRIGADO!

Esta doce intimidade que tenho com Ela é, de facto, algo que, desde pequeno sinto de uma maneira tão forte que me parece que estou ali sozinho com Ela e falamos os dois, digo-lhe piropos: que está mais bonita que nunca, que o seu sorriso é mais doce... Enfim, conversas de ''tolinho'' que eu sei que Ela gosta muito de ouvir.

Depois vêm as recordações da meninice, dos meses de Setembro ali passados com os meus irmãos e começam a chegar-se ao meu lado o meu Pai, a minha Mãe vestida de servita, a bênção dos doentes, a que sempre assistia de cartão ao peito, uma quantidade de pessoas que passava por nossa casa e, no meio desta catadupa de memórias que incluem, os lanches no poço no quintal da casa da Senhora Olimpia e do Ti Marto, pais da Jacinta, (da cachopita, como ele lhe chamava), eu atrevo-me a pensar que ninguém daqueles muitos milhares de pessoas que ali estão, conhece Fátima como eu e fala com a Virgem como eu falo.

Sei que Ela sabe que estou ali só para a ver e dizer-lhe umas coisas que trago guardadas no fundo do coração e que só, ali em Fátima, lhe digo.

Já acabaram as cerimónias, a sua imagem recolheu à Capelinha, mas não me apetece vir-me embora.

Rompendo o silêncio recolhido da multidão a voz grave do Reitor assegura pelos altifalantes:

''O meu Imaculado Coração triunfará!''

Então tranquilo e seguro que assim será, digo-lhe adeus e venho-me embora.

Ao chegar à saída por baixo da colunata, ainda me volto para trás e dou-lhe as boas noites.

(ama, Carvide, 2010.06.12





Textos de Reflexão para 13 de Junho

Evangelho: Lc 7, 36-50

36 Um dos fariseus pediu-Lhe que fosse comer com ele. Tendo entrado em casa do fariseu, pôs-Se à mesa. 37 Uma mulher, que era pecadora na cidade, quando soube que Ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um frasco de alabastro cheio de perfume. 38 Colocando-se a Seus pés, por detrás d'Ele, começou a banhar-Lhe os pés com as lágrimas, e enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, beijava-os, e ungia-os com o perfume. 39 Vendo isto, o fariseu que O tinha convidado, disse consigo: «Se este fosse profeta, com certeza saberia de que espécie é a mulher que O toca: uma pecadora». 40 Jesus então tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele disse: «Mestre, fala».41 «Um credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários, o outro cinquenta. 42 Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles, pois, o amará mais?». 43 Simão respondeu: «Creio que aquele a quem perdoou mais». Jesus disse-lhe: «Julgaste bem». 44 Em seguida, voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; ela com as suas lágrimas banhou os Meus pés, e enxugou-os com os seus cabelos. 45 Não Me deste o ósculo; porém ela, desde que entrou, não cessou de beijar os Meus pés. 46 Não ungiste a Minha cabeça com óleo, porém esta ungiu com perfume os Meus pés. 47 Pelo que te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados porque muito amou. Mas, aquele a quem menos se perdoa, menos ama».48 Depois disse à mulher: «São-te perdoados os pecados». 49 Os convidados começaram a dizer entre si: «Quem é Este que até perdoa pecados?». 50 Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou; vai em paz!».
Meditação:

Permite-me, Senhor, que inverta as Tuas palavras e pergunte: Porque me perdoaste tanto? Porque tanto Te amei?
Não, felizmente para mim. A Tua Misericórdia Infinita não esperou pelo meu amor para o retribuir em perdão. Mal fora para mim! Amo-te tão pouco! Tenho tão pouco tempo para Ti!
Choro, Senhor, contritamente as minhas faltas e, Tu, sabes que este choro é sentido, é o reflexo da dor de Te ter ofendido a Ti, meu Deus, minha vida, meu Senhor! 

(AMA, meditação sobre Lc 7, 36-50, Setembro 2008)

Tema: Pequenas faltas

Devemos ter atenção às pequenas faltas; porque uma vez dado pouco valor a estas, advém uma espécie de embotamento na consciência, passando a haver inconsciência do mal. 

(S. Filipe de Néri, Máximas, F.W.Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 12 – 37, trad. AMA)

12/06/2010

Imaculado Coração de Maria

Neste dia, festa do teu Imaculado Coração, venho pedir-te que não esqueças, o que em Fátima prometeste aos Pastorinhos.

A devoção deste povo ao teu Imaculado Coração é bem expressa nas dezenas e centenas de milhares de portugueses que seguem o teu andor nas procissões em tua honra e não só em Fátima mas por tantos outros lugares e cidades de Portugal como ainda, há poucos dias, no Porto

Não deixes de atender às nossas súplicas de filhos desnorteados e confusos neste vendaval que o inimigo, cuja cabeça esmagada pelo teu calcanhar, parece ressurgir com furor redobrado atacando a sociedade no mais profundo dos seus alicerces: a família.

Com a promulgação de leis torpes e iníquas que, no fundo, mais não fazem que tornar públicos os pecados privados, por mais aberrantes que possam ser; o ataque ''cerrado'' aos jovens desde a mais tenra idade, pervertendo e destruindo a sacralidade do corpo humano, tudo isto, Senhora Minha, deve amargurar o teu Coração Imaculado de forma indizível.

Talvez seja chegada a hora de intervires novamente na história desta Nação milenar que soçobra.

E, se não for ainda o momento, peço-te que o abrevies e nos dês a força e o ânimo que tanto precisamos. Ámen.

(ama, Convento em Monte Real, 2010.06.12)





11/06/2010

Textos de Reflexão para 12 de Junho

EvangelhoLc 2, 41-51

41 Seus pais iam todos os anos a Jerusalém pela festa da Páscoa. 42 Quando chegou aos doze anos, indo eles a Jerusalém segundo o costume daquela festa, 43 acabados os dias que ela durava, quando voltaram, o Menino ficou em Jerusalém, sem que os Seus pais o advertissem. 44 Julgando que Ele fosse na comitiva, caminharam uma jornada, e depois procuraram-no entre os parentes e conhecidos. 45 Não O encontrando, voltaram a Jerusalém à procura d'Ele. 46 Aconteceu que, três dias depois, encontraram-no no templo sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 47 E todos os que O ouviam estavam maravilhados da Sua sabedoria e das Suas respostas. 48 Quando O viram, admiraram-se. E Sua mãe disse-lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Eis que Teu pai e eu Te procurávamos cheios de aflição». 49 Ele disse-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de Meu Pai?». 50 Eles, porém, não entenderam o que lhes disse. 51 Depois desceu com eles e foi para Nazaré; e era-lhes submisso. A Sua mãe conservava todas estas coisas no seu coração. 52 Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.

Meditação:

Este episódio do Evangelho, leva-me a pensar no que acontece muitas vezes na vida comum de todos os dias: os pais dão como garantido que os filhos vêm após eles, seguindo na caravana familiar pela grande viagem da vida. Às vezes perdem-nos de vista e isto acontece, justamente, quando atraídos por qualquer fulgor desconhecido, se detêm e se deixam e volver pela novidade.
Pobres pais, se não voltam imediatamente atrás à procura do filho perdido. Se o não fizerem poderão perdê-lo para sempre.
Pobre filho se não volta com os pais que vieram à sua procura. Poderá nunca mais encontrar refúgio seguro e desinteressado para se acolher, onde possa ser amado pelo que é e não pelo que possa ter. 

(ama, meditação sobre Lc 2, 41-52, 2010.03,19)

FRACASSOS

Lidar com os fracassos 

É muito interessante a história de Bucéfalo, aquele cavalo que só Alexandre Magno era capaz de montar. 
Todos os que o tentavam eram incapazes de se manterem na sua garupa para além de poucos segundos. O animal caracoleava, encabritava-se, e depois atirava ao chão todos os seus ginetes.
Alexandre soube observá-lo com atenção e em seguida descobriu o segredo daquele indómito corcel. 
Então aproximou-se, agarrou as rédeas e pô-lo frente ao sol. Acariciou-o, soltou o seu manto, e de um salto montou sobre ele e esporeou-o com energia. Controlou as corcovas, sem deixar que se afastasse da direcção do Sol, até que o animal se calmou e seguiu a sua marcha com passo lento e tranquilo. Soaram os aplausos, e dizem os historiadores que ao vê-lo Filipe, seu pai, vaticinou que o reino da Macedónia que ele possuía seria pequeno para a glória a que o seu filho estava chamado.         
Qual era a aquele segredo que só Alexandre soube descobrir? 
Deu-se conta que aquele animal se assustava com a sua própria sombra. Bastava não deixar que a visse, aquele apontar os seus olhos para o sol, para que aquele atormentado cavalo se esquecesse dos seus medos.

O mundo está cheio de pessoas com as quais se passa algo parecido. Pessoas aparentemente normais e desenvoltas, mas que escondem no seu interior toda uma séria de medos e complexos que lhes encadeiam os fracassos e as mais experiências que sofreram. Muitas das suas energias estão paralisadas por essa valoração negativa que tem de si próprias. São reféns do seu próprio passado, homens e mulheres cujos temores os impedem olhar decididamente o futuro, os detêm para chegarem a ser o que estão chamados a ser.

Nunca me agradou a ingenuidade e a veemência com que alguns falam da auto-estima. Mas, sim, estou de acordo em que se trata de um problema crescente nos nossos dias. Educar-se a si mesmo é algo parecido com educar a outro. Para educar a outro há que exigir-lhe (se não, sairá um mimado insofrido), mas também há que tratá-lo com afecto, há que vê-lo com bons olhos. Da mesma forma que, para educar-se a si mesmo também há que exigir-se, mas ao mesmo tempo há que tratar-se a si mesmo com afecto, e ver-se com bons olhos. 
Todavia, há demasiada gente que se maltrata a si mesma, que recrimina áspera e reiteradamente os seus próprios erros, que se julga a si mesma com demasiada dureza e se considera incapaz da superar os seus erros e defeitos.
É verdade que, os que não recordam os seus fracassos do passado, estão predispostos a repeti-los. Mas há que saber fazê-lo com equilíbrio e sensatez. Porque o fracasso pode ter um valor frutífero, tal como pode haver êxitos estéreis. Um fracasso frutífero é o que conduz a novas percepções e ideias que aumentam a experiência e o saber.

É muito famosa aquela história de Thomas Watson, o legendário fundador da IBM, que chamou ao seu gabinete um executivo da empresa que acabava de perder dez milhões de dólares numa arriscada operação. O jovem estava muito assustado e pensava que ia ser despedido de modo fulminante. Todavia, Watson disse-lhe: "Acabamos de gastar dez milhões de dólares na sua formação, esperamos que saiba aproveitá-los".

Não se pode viver obcecado pelas sombras e assustando-se com elas. Fracassos todos temos, todos os dias. O mal é quando se considera que o potro da sua vida é impossível de dominar, quando arroja toalha em vez de se fixar em quais são as verdadeiras causas dos seus cansaços e inibições. Se examinamos as coisas com cuidado, talvez concluamos que, como Alexandre, temos de tomar as rédeas daquela decisão e manter o olhar de voltado para o ideal que ilumina a nossa vida.

 (Alfonso Alguilló in FLUVIUM, 23.10.2008)

10/06/2010

Textos de Reflexão para 10 de Junho

Evangelho: Lc 15, 3-7

3 Então propôs-lhes esta parábola: 4 «Qual de vós, tendo cem ovelhas, se perde uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, para ir procurar a que se tinha perdido, até que a encontre? 5 E, tendo-a encontrado, a põe sobre os ombros todo contente 6 e, indo para casa, chama os seus amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido. 7 Digo-vos que, do mesmo modo, haverá maior alegria no céu por um pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não têm necessidade de penitência».

Meditação:

De facto o Senhor pôs sobre os Seus ombros todos os meus pecados quando carregou o madeiro da Cruz a caminho do Calvário. Não obstante eu, de vez em quando perco-me do rebanho e, depois, pela infinita misericórdia do Pastor, regresso uma e outra vez. E sinto uma alegria enorme com esta certeza absoluta, que o Senhor não descansa enquanto eu não estiver junto dele, no meio dos Seus. (ama, meditação sobre Lc 15, 3-7, 2010.04.25)

Tema: Alegria cristã

Alegria não porque o mundo possa preencher todas as nossas aspirações, mas sim ao contrário. Não estamos onde devemos permanecer: estamos em caminho. Tínhamos perdido a direcção e Alguém nos veio buscar e nos levou de volta ao lar paterno. É alegria não porque tudo o que nos sucede esteja bem - não é assim -, mas porque Alguém sabe aproveitá-lo para nosso bem. A alegria cristã é consequência de saber enfrentar-se com o único facto realmente triste da vida, que é o pecado: e de saber contrapô-lo com um facto gozoso ainda mais real e mais forte que o pecado: o amor e a misericórdia de Deus. 

(c. burke, Autoridad y Libertad en La Iglesia, nr. 223) (citação e trad. ama)

A CRUZ TRIUNFO DO AMOR SOBRE O MAL - 3

3 - Toda a desumanidade do homem nas relações com o homem se manifestaria de modos ainda mais horrendos, e não haveria fim para o círculo maléfico da violência. Apenas a cruz lhe impõe um fim. Enquanto nenhum poder terreno pode nos salvar das consequências de nosso pecado e nenhuma potência terrena é capaz de vencer a injustiça desde as suas origens, a intervenção salvadora de nosso Deus misericordioso transformou a realidade do pecado e da morte em seu oposto. É isto o que celebramos quando damos glória à cruz do Redentor.

(bento XVI, Missa em Nicósia, 2010.06.05) Fonte: zenit.org

09/06/2010

A CRUZ TRIUNFO DO AMOR SOBRE O MAL

2 - O mundo necessita da cruz: esta não é simplesmente um símbolo privado de devoção, não é um distintivo que indica pertencer a um grupo qualquer na sociedade, e seu significado mais profundo nada tem a ver com alguma imposição forçada de um credo ou de uma filosofia. 
Ela fala de esperança, fala de amor, fala da vitória da não-violência sobre a opressão, fala de Deus que eleva os humildes, dá força aos fracos, faz superar as divisões e vencer o ódio com o amor. Um mundo sem cruz seria um mundo sem esperança, um mundo em que a tortura e a brutalidade continuariam desenfreadas, o fraco seria explorado e a ganância teria a última palavra.

(bento XVI, Missa em Nicósia, 2010.06.05) Fonte: zenit.org

Textos de Reflexão para 10 de Junho

Evangelho: Lc 2, 8-14

8 Naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. 9 Apareceu-lhes um anjo do Senhor e a glória do Senhor os envolveu com a sua luz e tiveram grande temor. 10 Porém, o anjo disse-lhes: «Não temais, porque vos anuncio uma boa nova, que será de grande alegria para todo o povo: 11 Nasceu-vos hoje na cidade de David um Salvador, que é o Cristo, o Senhor. 12 Eis o que vos servirá de sinal: Encontrareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura». 13 E subitamente apareceu com o anjo uma multidão da milícia celeste louvando a Deus e dizendo: 14 «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens, objecto da boa vontade de Deus».

Meditação:

Como seria de esperar, o Salvador da humanidade teve como berço uma simples manjedoura, porque, o Rei dos Reis nasce num estábulo.
É portanto lógico que os primeiros a saber de tão extraordinário acontecimento sejam uns simples pastores. Porquê? Porque sendo pessoas simples recebem e aceitam uma notícia desta magnitude com naturalidade, ao passo que, outros, talvez mais cultos ou proeminentes na sociedade, começariam por duvidar e, logo, levantar toda a espécie de dúvidas e questões.
Esta singularidade continuará por toda a vida de Jesus: as pessoas simples seguem-no devotadamente, os outros…
Como eu desejo, Senhor, ter a simplicidade dos pastores de Belém para Te poder seguir sem duvidar um momento que seja que, Tu, és o Filho de Deus. 

(ama, meditação sobre Lc 2, 8-14, 2010.04.22)

Tema: Simplicidade no apostolado

Não permitas Senhor, que me envaideça com os talentos que me deste. São Teus. Eu, "não tenho nada, não valho nada, não sei nada, sou nada!" Dá-me antes, dom de línguas, desperta a minha inteligência e capacidade de comunicar, para que aqueles que foram postos por Ti para que eu seja seu guia, ajudante ou simples comunicador da Tua Doutrina, possam santificar-se. Não para minha satisfação ou crédito, mas para Tua única e exclusiva glória. 

(ama, Diário, 2003.02.27)

A CRUZ TRIUNFO DO AMOR SOBRE O MAL


1 - Muitos poderiam sentir-se tentados a perguntar por que nós, cristãos, celebramos um instrumento de tortura, um símbolo de sofrimento, de derrota e de fracasso. É verdade que a cruz exprime todos estes significados. E, todavia, por causa daquele que foi suspenso na cruz pela nossa salvação, representa também o definitivo triunfo do amor de Deus sobre todos os males do mundo.

(bento XVI, Missa em Nicósia, 2010.06.05) Fonte: zenit.org

Textos de Reflexão 09 de Junho

Evangelho: Mt 5, 17-19

17 «Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim para os abolir, mas sim para cumprir.18 Porque em verdade vos digo: antes passarão o céu e a terra, que passe uma só letra ou um só traço da Lei, sem que tudo seja cumprido.19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos mesmo dos mais pequenos, e ensinar assim aos homens, será considerado o mais pequeno no Reino dos Céus. Mas o que os guardar e ensinar, esse será considerado grande no Reino dos Céus.

Comentário:

A responsabilidade dos que têm por missão educar ou conduzir outros é enorme. E isto envolve todos os que, pelo munus ou trabalho que desenvolvem podem, de qualquer modo, influir na educação, conceito ou opinião de outros.
Penso, neste momento, nos que desenvolvem o seu trabalho nos meios de comunicação e nas “contas” que inevitavelmente lhes serão pedidas quando se apresentarem perante o Juiz Supremo. (ama, comentário sobre Mt 5, 17-19, 2010.04.24)

Tema: Educar: A televisão

Os controlos estão baixando. A média de tempo que uma criança passa diante da televisão é de 4 a 6 horas por dia. Essa mesma criança passa só, em média, um quarto de hora com seu pai.
Actualmente, um rapaz antes de chegar à universidade passou mais tempo diante da televisão que diante do professor. O que significa isso? Que a televisão é «o grande educador» da sociedade.
É importante que os pais controlem a televisão pelos baixos valores que ensina aos seus filhos.



(Brent Bozell[i], 2006.03.17) (citação ama)


[i] Brent Bozell, 49 anos, é professor, colunista, comentarista de televisão, empresário, publicitário, pai de cinco filhos, fundador e presidente do Conselho de Pais para a Televisão dos Estados Unidos, uma organização radicada em Hollywood que promove a responsabilidade na indústria do entretenimento.

O CAJADO

QUARTA-FEIRA, JUNHO 09, 2010

QUE CAJADO É ESTE, SENHOR?

.
.



Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Ampara-me quando caio,
e ajuda-me a levantar.
Mas não torna o caminho mais fácil,
não endireita as curvas,
não afasta as pedras,
não remove os obstáculos,
nem aplana as subidas,
mas torna muito mais fácil,
seguir a direito e curvar,
caminhar sobre as pedras,
sem sequer me magoar,
ultrapassar os obstáculos,
sem neles ficar retido,
escalar o monte mais íngreme,
com vontade de continuar.
E mesmo que esteja ferido,
porque alguém me quis ferir,
o Teu cajado conforta,
cura e faz sarar,
dá ânimo e nova força,
para que a alegria retorne,
e eu volte de novo a sorrir.
Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Coloca-lo na minha mão,
mas dizes muito baixinho,
cheio de ternura e carinho:
«olha que este cajado,
que te dou para toda a vida,
pode estar na tua mão,
mas é extensão do coração.»
Agarro-me a ele com força,
sem ele já não sei viver,
faz parte de mim,
do meu todo,
só com ele eu posso ser.
É ele que me dá sentido,
ao caminho a percorrer,
é ele que faz em mim,
tudo o que eu não sei fazer,
é ele que me transforma,
numa vontade que é Tua,
é ele que me faz falar,
de Ti,
aos outros,
a todos,
na rua.
Que cajado é este,
Senhor
que Tu me dás para caminhar?
Um cajado que não tem fim,
que não se esgota no uso,
e não se esgota no tempo,
que pode ser frio e calor,
quer de noite, quer de dia,
a dormir ou acordado,
que transmite confiança,
e faz viver a esperança,
de saber que o tenho comigo,
sempre que eu quiser.
Que cajado é este,
Senhor,
que Tu me dás para caminhar?
Este cajado tão forte,
tão eterno e tão presente,
sei-o agora,
Senhor
porque Tu mo queres mostrar.
Vem do Teu Coração,
como fonte a jorrar!
Este cajado,
Senhor,
que a mim e a todos dás,
é a vida,
é a paz,
é o Teu eterno Amor.


Monte Real, 9 de Junho de 2010 (Joaquim Mexia Alves)

08/06/2010

Textos de Reflexão para 08 de Junho

Evangelho: Mt 5, 13-16

13 «Vós sois o sal da terra. Porém, se o sal perder a sua força, com que será ele salgado? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e ser calcado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não pode esconder-se uma cidade situada sobre um monte; 15 nem se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas no candelabro, a fim de que dê luz a todos os que estão em casa. 16 Assim brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.
Meditação:

Como posso, Senhor, ser sal da terra se tão mal consigo ‘temperar’ a minha própria vida? Olho para mim, nas minhas misérias e pouca coisa, e pasmo com a Tua confiança ao entregar-me almas para guiar! Não quero Senhor, ser guia cego que conduza outros ao precipício. Quero cumprir cabalmente a minha missão, seja ela qual for e quando for. Como é a Tua Vontade, quero, desejo ardentemente cumprir esse papel de guia. Ajuda-me, Senhor, que, eu, por mim, como muito bem sabes, nada posso. Que eu nunca me envaideça com os poucos ou muitos “êxitos” que a minha actuação possa alcançar, bem pelo contrário, que me convença – sempre – que é uma demonstração de que Tu te serves dos instrumentos mais débeis e estranhos. É a Tua Vontade. Serviam!

(ama, meditação sobre Mt 5, 13-16, Porto, 2008)

Tema: Ser sal da terra

Devemos ter uma iniciativa especial para promover esses pontos vitais de uma sociedade verdadeiramente humana: a família, o ensino, o respeito pela vida, a preocupação com obras com os mais débeis e necessitados... (…) Os católicos prestam um grande serviço à sociedade quando promovem, com uma iniciativa multiforme, uma cultura de raiz cristã que informe desde as leis até ao último costume popular.

(D. álvaro del portillo, carta, 1990) (citação ama)

FREI ANTÓNIO DAS CHAGAS

Frei António das Chagas ao encontro da alma russa

Poemas traduzidos em russo e editados na revista literária e artística

Acabam de ser editados em São Petersburgo, no volume XXI da revista literária e artística “Sfinx” (Esfinge), 13 poemas de Frei António das Chagas, poeta português do século XVII, traduzidos em Russo.
As traduções foram realizadas por Andrei Rodosski, poeta, filólogo e tradutor, professor da Faculdade de História e da Faculdade de Filologia da Universidade Estatal de São Petersburgo. Foi académico correspondente estrangeiro da extinta Academia Internacional da Cultura Portuguesa. Andrei Rodosski é especialista em poesia portuguesa do século XIX, tendo traduzido figuras tão essenciais da nossa cultura como Almeida Garrett e João de Deus. O seu interesse não se limita no entanto a essa época. Traduziu poesia de trovadores medievais galaico-portugueses, e autores do século XX e contemporâneos como Mário de Sá-Carneiro, Egito Gonçalves, Alexandre O´Neill, Fernando Guimarães, Pedro Tamen, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura e Joaquim Pessoa, entre outros.
Frei António das Chagas, cujo nome secular era António da Fonseca Soares, foi uma figura extremamente contraditória, a um tempo militar, poeta e eclesiástico. Nascido na Vidigueira, no Alentejo, em 1631, no seio de uma família fidalga, não concluiu os estudos devido à morte do pai e ingressou no exército aos 18 anos, tendo combatido na Guerra da Restauração. Sabe-se que foi neste período que despertou para a poesia. Existe informação que permite descrever o soldado-poeta como homem dado a excessos de vária ordem, levando uma vida desregrada, sendo que, aos 22 anos, foi obrigado a fugir para o  Brasil para escapar à justiça, em virtude de, num duelo, ter causado a morte de um rival. Regressou a Portugal três anos depois e retomou a carreira das armas, tendo sido promovido a capitão em Setúbal, sinal de reconhecimento do seu valor. Contudo, aos 31 anos, abandonou a vida militar e tornou-se monge da Ordem de São Francisco em Évora, e dedicou o resto da sua vida à pregação da Fé e à penitência pelas faltas cometidas enquanto homem mundano. Foi um pregador ardente, apaixonado e empenhado, tendo viajado em pregação por todo o país e também à corte. Em 1680 passou a viver no Convento do Varatojo (Torres Vedras) que, por sua iniciativa, passou a Seminário Apostólico das Missões da Ordem dos Franciscanos. Em 1682, Frei António das Chagas fundou o Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes, em Setúbal, vindo a falecer nesse mesmo ano, no Varatojo.
Frei António das Chagas escreveu nos mais diversos estilos: romances, sonetos, glosas, madrigais, décimas e poemas heróicos, e também, na segunda fase da sua vida, sermões, elegias, cartas e cânticos espirituais, entre outros. Existe indicação de que, nesta segunda fase, desejava destruir os sonetos, romances e outra poesia da sua juventude. Podendo ser entendida como paradigma da sua época - século XVII, época do Barroco, período de ambiguidade entre fé e razão – a vida de Frei António das Chagas reflecte-se nas várias formas de que se reveste e nos temas de que é composta a sua obra. Os poemas escolhidos por Andrei Rodosski permitem aos leitores russos apreciar esta variedade formal e temática. Encontramos assim nesta selecção, por exemplo, a temática do desencanto com as coisas do mundo (soneto “À vaidade do mundo”), a dúvida e a devoção e exaltação religiosas (sonetos “Se sois riqueza, como estais despido?...”, “A Santa Maria Madalena”), a exortação à bondade (soneto “Et petrae scissae sunt”), assuntos de circunstância tratados de forma estilisticamente requintada (soneto “Ao cavalo do Conde do Sabugal, que fazia grandes curvetas”, em que os movimentos do cavalo são descritos recorrendo a referências musicais e sonoras, exemplo precursor da sinestesia interseccionista de Pessoa e Sá-Carneiro), a incessante procura (“Ao loureiro de João de Saldanha de Sousa, que está com as raízes fora da terra, sobre uma fonte”), a exaltação sensual da beleza feminina (“Romance de uma freira indo às Caldas”) e o conflito entre o espírito e os prazeres sensuais a que o poeta renunciara (romance “Ah, Francisca, vida minha!...”).
Famoso como poeta e também como pregador, Frei António das Chagas fascinou os homens do seu tempo e é capaz de fascinar hoje também – basta (re)descobri-lo. (A. L. Simões Gamboa, em São Petersburgo) (fonte: ECCLESIA)

 "Deus pede estrita conta de meu tempo.
 E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
 Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
 Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?
 Para dar minha conta feita a tempo,
 O tempo me foi dado, e não fiz conta.
 Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
 Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
 Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
 Não gasteis vosso tempo em passatempo.
 Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!
 Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
 Quando o tempo chegar, de prestar conta
 Chorarão, como eu, o não ter tempo..."
 
 "Frei António das Chagas" (Pelo século XVII (?!?)