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06/05/2016

Ano Jubilar da misericórdia - Reflexão

Solidão Interior ~ Variedades.comSolidão

Estamos de facto atentos aos que vivem nesta premente situação?

Numa bela casa, confortável e acolhedora não viverá alguém que conhecemos e que não tem ninguém com quem conversar uns minutos que seja?

Que tenha de vencer uma natural atitude de abandono e - não poucas vezes - de desleixo com a sua própria pessoa?

Qualquer um pode ajudar!
É absolutamente verdade.
Por exemplo pedindo a esse que se encarregue de um pequeno serviço, uma tarefa simples e, talvez até, irrelevante, mas que além de lhe dar uma ocupação também e sobretudo o fará sentir-se útil.

Mas o quê? Que posso pedir?

Tanta coisa! Escrever ou copiar um texto, e enviar umas mensagens, procurar umas informações, avaliar uma ideia, um projecto... de acordo, claro está, com as capacidades de cada um. Se não nos ocorre nada inventamos sempre com o cuidado de deixar transparecer que o que pedimos é importante para nós, mesmo que não o seja assim tanto.

As pessoas de mais idade têm algo de inestimável valor: a experiência de vida, o conhecimento empírico e ajustado das realidades da vida e, também, uma apurada noção que lhes permite distinguir o sonho da realidade.

No fim e ao cabo talvez tenhamos muito a ganhar!

Nada do que façamos com espírito de misericórdia ficará sem retorno.
Em primeiro lugar - talvez - a satisfação íntima de ter feito algo bom e meritório; depois o agradecimento - mesmo que não expresso por grandes palavras - daquele que foi objecto da nossa acção; e, sem dúvida alguma, a alegria do Senhor.

Talvez que esta "alegria do Senhor" se traduza numa autêntica ajuda para conseguirmos uma melhoria pessoal na nossa vida.
Pequenos actos, como os grandes, nunca ficam sem retorno.
Não disse Ele que o dar um simples copo de água ficaria esquecido pelo nosso Pai, Deus?
Pois consideremos que esse "copo de água" poderá ser "decisivo" na sentença que lavrará quando nos julgar.

Algumas vezes deixamo-nos embalar no quimérico sonho de deparar com uma circunstância ou ocasião ideais para - então sim! - fazer-mos algo grande, de suma importância e mérito.
Essa atitude coloca-nos numa situação delicada e muito perigosa: podemos deixar passar, sem dar por isso, a oportunidade de manifestar apoio, auxílio, solidariedade, numa palavra, misericórdia, a alguém que se cruza connosco nos caminhos da vida.
Pode muito bem acontecer que tal situação não volte a repetir-se e termos falhado definitivamente no que era nossa obrigação dever fazer. [1]




[1] (ama, Reflexão, Ano Jubilar da Misericórdia, 2016.01.31)

11/12/2015

Temas para meditar - 547

Infidelidade



A infidelidade golpeia e frustra a personalidade de muitas vidas próximas.

Faz da pessoa um ser estranho a si mesmo e aos outros.

As graças que Deus lhe destinara para lhe facilitar o cumprimento de uma missão, e que desperdiça uma após outra, arrastam-nos para uma triste solidão.


(JAVIER ABAD GÓMEZ, Fidelidade, Quadrante 1989, pg. 91)

05/07/2011

INDIVIDUALISMO E SOLIDÃO

Mais do que procurarem compreender-se um ao outro, punham-se de acordo. Era tão simples. Bastava deixar que os problemas se resolvessem por si. Desde o dia do casamento — já lá iam cinco anos — um princípio fundamental tinha ficado assente: não discutiriam nunca. Assim — pensavam eles — a paz no lar estaria garantida. E com a paz viria a alegria e o êxito matrimonial. Além disso, a ausência de qualquer tipo de controvérsias evitaria pela raiz a difícil tarefa de perdoar e de pedir perdão.

Com esta filosofia de vida, pouco a pouco e sem darem por isso, foram-se distanciando um do outro. Habituaram-se a uma desunião que não reconheciam como tal. Consideravam que nunca “incomodar” o outro era um sinal de verdadeiro amor. Pensavam que, pelo simples facto de viverem debaixo do mesmo tecto, existiria sempre uma intensa união entre eles.

No entanto, de um dia para o outro e sem se saber porquê, ela começou a ter manifestações de tristeza. Eram desânimos impregnados de uma sensação difusa de solidão. Não conseguia perceber a causa. “Não era a sua vida um mar de rosas?” — perguntava-se. “Não estava ela isenta de discussões? Então, porquê esta sensação tão estranha?”. Não ficou surpreendida com que o seu marido — sempre tão ocupado com as suas coisas — ficasse imperturbado diante desta situação. Há muito tempo que ela se acostumara a que ele não se metesse nos seus domínios privados. Era esse um dos segredos da “felicidade” do casal.

Este relato ajuda-nos a pensar sobre a atitude individualista, tão presente na nossa sociedade. Esta atitude é muitas vezes apresentada como a grande panaceia para evitar todo o tipo de conflitos. “Vive e deixa viver”. “Não te rales com nada”. “Sê tolerante com tudo, desde que não te incomodem”.

O problema é que o individualismo — verdadeiro cancro do relacionamento humano — termina sempre por isolar as pessoas umas das outras. É verdade que não é ideal que um casal esteja constantemente a discutir. E menos ainda que o faça de um modo veemente e diante dos filhos. No entanto, também é verdade que a ausência completa de pequenos desentendimentos não manifesta saúde matrimonial. Muito pelo contrário. Manifesta, isso sim, uma certa atitude de indiferença. E a indiferença — “prima” do individualismo — acaba por gelar o amor humano.

É ingénuo pensar que marido e mulher nunca terão de pedir desculpas um ao outro. Isso é impossível. Cada um de nós, por muito que se esforce, acaba sempre por ofender de algum modo aqueles que são mais próximos. E não existem pessoas mais próximas uma da outra do que aquelas que estão casadas. Por isso, a capacidade de perdoar e de pedir perdão — unida, evidentemente, ao esforço real por não ofender o outro — é de capital importância para a união de um casal. Perdoar é uma demonstração de verdadeiro amor.

Como dizia Paul Johnson:  «Os casamentos que duram constroem-se sobre estratos arqueológicos de discussões esquecidas. Os segredos de um casamento bem edificado são a paciência, a tolerância, o domínio de si, a disposição para perdoar e — quando tudo isto falta — uma boa “má memória”. Também ajuda, obviamente, que o marido esteja disposto a carregar com a culpa, como deve ser».

p. rodrigo lynce de faria
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