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30/07/2022

Publicações em Julho 30

 


Dentro do Evangelho –  (cfr: São Josemaria, Sulco 253)

 

(Re Mt XI…)

 

Tinham-se aproximado de Jesus alguns discípulos de João Baptista que este encarregara de perguntar a Jesus: «És Tu O que há-de vir, ou devemos esperar outro?».

Estranhei este “encargo” do Baptista, então ele não sabia muito bem Quem Era Jesus?

Depois, pela resposta do Mestre, compreendi que o Baptista não desejava ver esclarecida uma dúvida que não tinha mas, sim, que os seus discípulos constatassem com os seus próprios olhos e ouvidos a verdade acerca de Jesus Cristo.

A partir de então, estes discípulos teriam razões pessoais para anunciar a Pessoa de Cristo; viram confirmados os ensinamentos do Baptista e fortalecidos com a própria experiência haveriam de ser mais activos no apostolado pessoal.

Não devo ficar-me pelo que penso saber mas, sim, em contínua procura, esclarecer e aprofundar o que me interessa sobremaneira: Quem É Jesus Cristo! Deste modo as minhas convicções, a minha Fé, ficam também alicerçadas no conhecimento próprio reforçando a minha capacidade de fazer o que devo fazer: Apostolado com todos quantos se cruzem comigo nos caminhos da vida.

 

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24/06/2016

Martírio de São João Baptista



Por graça de Deus, tive duas oportunidades de contemplar esta pintura de Caravaggio que está patente na sala com o seu nome, no antigo Palácio da Ordem de Malta onde também se encontra a Saint Paul Co-Cathedral.

Da segunda vez, em Maio deste ano, detive-me mais de três quartos de hora na sua contemplação.

É uma pintura extraordinária, de um realismo dramático e solene ao mesmo tempo, com pormenores que nos levam sem qualquer esforço a esse episódio que o Evangelho nos relata.

Hoje, 24 de Junho, a Liturgia faz memória justamente do "Maior dos Profetas do AT", o Proto-Mártir, que o povo anónimo um pouco por todo o mundo celebra e festeja.

(AMA, Porto, 2016)

12/09/2014

Jesus Cristo e a Igreja (54 perguntas) - 33

Jesus foi discípulo de São João Baptista?

Dado que a relação entre João Baptista e Jesus foi tão directa e intensa, seria conveniente perguntar se houve entre eles uma relação mestre-discípulo. Para uma resposta adequada a esta questão, é necessário explicar os três elementos que foram debatidos sobre este tema entre os estudiosos, que são os seguintes: os discípulos de João, a importância do seu baptismo no Jordão e os elogios de Jesus ao Baptista.

1. Os discípulos de João. Os evangelhos assinalam com frequência que João tinha discípulos, entre os quais alguns seguiram depois Jesus (Jo 1, 35-37).
Não eram, portanto simples seguidores eventuais, mas acompanhavam-no, seguiam-no e, seguramente, compartilhavam a sua própria vida (Mc 2, 18) e as suas próprias ideias (Jo 3, 22). Flávio Josefo distinguia dois tipos de partidários, uns que o escutavam com atenção ao falar de virtude, de justiça e de piedade, e se baptizavam; e outros, que “se reuniam em volta dele, porque se entusiasmavam muito ao ouvi-lo falar” (Antiguidades Judaicas, 18, 116-117). Entre os seguidores de João houve alguns que chegaram a perguntar ao seu mestre se Jesus, com a Sua conduta, se estava a mostrar como um rival (Jo 3, 25-27), portanto não O consideravam como um dos seus.

Os especialistas não duvidam da historicidade do facto, entre outras coisas porque a sua inclusão nos evangelhos apresentava certas dificuldades. Uma era a possível interpretação de que o Baptista era superior ao baptizado, Jesus. E outra, porque tratando-se de um baptismo de penitência, poderia pensar-se que Jesus se considerava pecador. Os sinópticos deixam claro nos seus relatos que João se reconhece inferior: recusa baptizar Jesus (Mt 3, 13-17); a voz do céu revela a dignidade divina de Jesus (Mc 1, 9-11); e o quarto evangelho, que não relata o baptismo, assinala que o Baptista dá testemunho de ter visto pousar a pomba sobre Jesus (Jo 1, 29-34) e da sua própria inferioridade (Jo 3, 28).
Contudo, não se deduz necessariamente daí que Jesus fosse discípulo de João Baptista. Se os evangelistas não especificam que Jesus tenha sido discípulo de João, é porque não o foi.

3. Os elogios de Jesus. Há duas frases de Jesus que demonstram a sua estima pelo Baptista. Uma é recolhida por Mateus (Mt 11, 11) e Lucas (7, 28): “entre os nascidos de mulher não veio ao mundo ninguém maior que João Baptista”. Outra está em Marcos (9, 13) e aplica ao Baptista a profecia de Mt 3, 23-24: “Elias virá primeiro e restabelecerá todas as coisas (…). Todavia, Eu vos digo – afirma Jesus – que Elias já veio, e fizeram dele quanto quiseram, como está escrito dele”.

Não há dúvida de que a pessoa de João, o seu baptismo (cf. Mt 21, 13-27) e a sua mensagem estiveram muito presentes na vida de Jesus. Contudo, seguiu um caminho totalmente diferente: na sua conduta, uma vez que percorreu todo o país, a capital, Jerusalém, e o âmbito do templo; na sua mensagem, uma vez que pregou o reino de salvação universal; nos seus discípulos, a quem ensinou no mandamento do amor, por cima das normas legais e até das práticas ascéticas. Mas o mais chamativo é o facto de Jesus abrir o horizonte da salvação a todos os homens, de todas as raças e de todos os tempos.
Em resumo, tendo em conta a suposição pouco provável e nada comprovada de que Jesus tivesse passado algum tempo junto dos seguidores do Baptista, não se pode dizer que tenha recebido uma influência decisiva. Jesus, mais que discípulo, foi o Messias e Salvador anunciado pelo último e maior dos profetas, João, o Baptista.

© www.opusdei.org - Textos elaborados por uma equipa de professores de Teologia da Universidade de Navarra, dirigida por Francisco Varo.


05/09/2014

Jesus Cristo e a Igreja (54 perguntas) - 32

Que influência teve São João Baptista em Jesus?

A figura de São João Baptista ocupa um lugar importante no Novo Testamento e, concretamente, nos evangelhos. Foi comentada na tradição cristã mais antiga, e entranhou-se profundamente na piedade popular, que celebra a festa do seu nascimento com especial solenidade desde tempos muito antigos. Nos últimos anos, tem atraído a
atenção de estudiosos do Novo Testamento e das origens do cristianismo, que procuram descobrir que coisas se podem conhecer acerca da relação entre João Baptista e Jesus de Nazaré, do ponto de vista da crítica histórica.
Dois tipos de fontes falam de João Baptista, umas cristãs e outras profanas. As cristãs são os quatro evangelhos canónicos e o evangelho gnóstico de Tomé. A fonte profana mais relevante é Flávio Josefo, que dedicou uma longa separata do seu livro Antiguidades Judaicas (18, 116-119) a glosar omartírio do Baptista às mãos de Herodes na fortaleza de Maqueronte (Pereia). Para avaliar as eventuais influências, pode ser uma ajuda olhar para o que se sabe acerca da vida, da conduta e da mensagem de ambos.

Nos últimos anos tem atraído a atenção dos estudiosos, que procuram descobrir que coisas se podem conhecer acerca da relação entre João Baptista e Jesus de Nazaré, do ponto de vista da crítica histórica.

1. Nascimento e morte de João Baptista seguramente coincidiu no tempo com Jesus, nasceu algum tempo antes e começou a sua vida pública também antes.
Era de origem sacerdotal (Lc 1), embora nunca tenha exercido as suas funções, e supõe-se que mostrou oposição ao comportamento do sacerdócio oficial, quer pela sua conduta e quer pela sua permanência longe do Templo. Passou algum tempo no deserto da Judeia (Lc 1, 80), mas não parece que tenha tido uma relação com o grupo de Qumran, uma vez que não se mostra tão radical no cumprimento das normas legais (halakhot). Morreu condenado por Herodes Antipas (Flávio Josefo, Ant. Jud. 18, 118). Jesus, por seu lado, passou a sua primeira infância na Galileia e foi baptizado por ele no Jordão. Soube da morte do Baptista e sempre louvou a sua figura, a sua mensagem e a sua missão profética.

2. Comportamento. Da sua vida e conduta, Josefo assinala que era “boa pessoa” e que muitos “acorriam a ele e se entusiasmavam ao ouvi-lo“. Os evangelistas são mais explícitos e mencionam o lugar onde ele desenvolveu a sua vida pública (a Judeia e a margem do Jordão); a sua conduta austera no vestir e no comer; a sua liderança perante os seus discípulos e a sua função de percursor, ao revelar Jesus de Nazaré como verdadeiro Messias. Jesus, pelo contrário, não
se distinguiu dos seus concidadãos, no que é externo: não se limitou a pregar num lugar determinado; participou em refeições de família; vestia com naturalidade e, embora condenando a interpretação literal
da lei que faziam os fariseus, cumpriu todas as normas legais e frequentou o templo com assiduidade.

Entre João e Jesus houve muitos pontos de contacto, mas todos os dados conhecidos até ao presente põem em evidência que Jesus de Nazaré superou o esquema vetero-testamentário do Baptista e apresentou o horizonte infinito da salvação.

João Baptista, segundo Flávio Josefo, “exortava os judeus a praticar a virtude, a justiça uns com os outros e a piedade com Deus, e depois a receber o baptismo”. Os evangelhos acrescentam que a sua mensagem era de penitência, escatológica e messiânica: exortava à conversão e ensinava que o juízo de Deus está iminente: virá quem é “mais forte que eu” que baptizará no Espírito Santo e no fogo. O Seu baptismo era para Flávio Josefo “um banho do corpo” e sinal da limpeza da alma pela justiça. Para os evangelistas era “um baptismo de conversão para o perdão dos pecados” (Mc 1, 5). Jesus não rejeita a mensagem do Baptista, antes parte dela (Mc 1, 15) para anunciar o reino e a salvação universal, e identifica-se com o Messias que João anunciava, abrindo o horizonte escatológico.
Sobretudo faz do seu baptismo fonte de salvação (Mc 16, 16) e porta para participar dos dons, outorgados aos discípulos.
Resumindo, entre João e Jesus houve muitos pontos de contacto, mas todos os dados conhecidos até ao presente, põem em evidência que Jesus de Nazaré superou o esquema vetero-testamentario do Baptista (conversão, atitude ética, esperança messiânica), e apresentou o horizonte infinito da salvação (reino de Deus, redenção universal, revelação definitiva).

© www.opusdei.org - Textos elaborados por uma equipa de professores de Teologia da Universidade de Navarra, dirigida por Francisco Varo.