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16/11/2012

ANO DA FÉ COM S. JOSEMARIA 8


O Ano da Fé quer contribuir para uma conversão renovada ao Senhor Jesus e à redescoberta da fé, para que todos os membros da Igreja sejam testemunhas, credíveis e alegres, do Senhor ressuscitado, no mundo de hoje, capazes de indicar a “porta da fé” a tantas pessoas que estão em busca. Esta “porta” escancara o olhar do homem para Jesus Cristo, presente no nosso meio “todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20). Ele mostra-nos como “a arte de viver” se aprende “numa relação profunda com Ele” [13]. “Com o seu amor, Jesus Cristo atrai a Si os homens de cada geração: em todo o tempo, Ele convoca a Igreja, confiando-lhe o anúncio do Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Por isso, também hoje é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor de uma nova evangelização, para descobrir, de novo, a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé”. (Nota da S. Congregação da Doutrina da Fé, 6 de Janeiro de 2012).

Homilia, Sé de Viseu, 26 de Junho de 2012

15/11/2012

ANO DA FÉ COM S. JOSEMARIA 7


Precisamente para dar um renovado impulso à missão de toda a Igreja, de conduzir os homens para fora do deserto em que muitas vezes se encontram, rumo ao lugar da vida, da amizade com Cristo que nos dá a vida em plenitude, gostaria de anunciar nesta Celebração eucarística que decidi proclamar um «Ano da Fé», que poderei explicar mediante uma especial Carta apostólica. Este «Ano da Fé» começará no dia 11 de Outubro de 2012, no 50° aniversário da inauguração do Concílio Vaticano II, e terminará a 24 de Novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei do Universo. Será um momento de graça e de compromisso para uma conversão a Deus cada vez mais completa, para fortalecer a nossa fé n’Ele e para O anunciar com alegria ao homem do nosso tempo. (Bento XVI, Homilia na Missa para a Nova Evangelização, 16 de Outubro de 2011)

Homilia, Sé de Viseu, 26 de Junho de 2012

14/11/2012

ANO DA FÉ COM S. JOSEMARIA 6


... e de Nossa Mãe, Santa Maria, neste Ano da fé

Quando algum desportista está a dar tudo por tudo, há normalmente um espectador muito especial, na bancada ou diante da TV: a sua mãe!

«Falta-nos fé. No dia em que vivamos esta virtude - confiando em Deus e na sua Mãe - , seremos valentes e leais. Deus, que é o Deus de sempre, fará milagres pelas nossas mãos.
- Dá-me, ó Jesus, essa fé que de verdade desejo! Minha Mãe e Senhora minha, Maria Santíssima, faz com que eu creia! (Forja, 235)»

Santo Agostinho afirma que não se deve pensar que a graça da evangelização se expandiu até aos Apóstolos e que, com eles, aquela fonte de graça esgotou, mas «esta nascente manifesta-se quando flui, não quando deixa de derramar. E foi desta forma que a graça através dos Apóstolos alcançou também outros, que foram enviados a anunciar o Evangelho... aliás, continuou a chamar até estes últimos dias todo o corpo do seu Filho Unigénito, ou seja, a sua Igreja difundida em toda a terra» (Sermo 239). A graça da missão precisa sempre de novos evangelizadores capazes de a acolher, para que o anúncio salvífico da Palavra de Deus nunca venha a faltar, nas condições mutáveis da história.
Por isso, a nova evangelização deverá procurar encontrar caminhos para tornar ainda mais eficaz o anúncio da salvação, sem o qual a existência pessoal permanece na sua contraditoriedade e desprovida do essencial. Também a quem permanece ligado às raízes cristãs, mas vive a difícil relação com a modernidade, é importante fazer compreender que o ser cristão não é uma espécie de hábito para vestir em privado ou em ocasiões particulares, mas algo vivo e global, capaz de assumir tudo o que existe de bom na modernidade. Faço votos por que no trabalho destes dias possais traçar um projecto capaz de ajudar toda a Igreja e as diferentes Igrejas particulares, no compromisso da nova evangelização; um projecto no qual a urgência por um renovado anúncio se torne cheio da formação, sobretudo para as novas gerações, e seja conjugado com a proposta de sinais concretos, capazes de tornar evidente a resposta que a Igreja pretende oferecer neste momento particular. Se, por um lado, toda a comunidade está chamada a fortalecer o espírito missionário para dar o anúncio novo que os homens do nosso tempo esperam, não se poderá esquecer que o estilo de vida dos crentes tem necessidade de uma credibilidade genuína, tanto mais convincente quanto mais dramática é a condição daqueles aos quais se dirige. É por isto que desejamos fazer nossas as palavras do Servo de Deus Papa Paulo vi, quando disse em relação à evangelização: «É através do seu comportamento, da sua vida, que a Igreja evangelizará antes de tudo o mundo, ou seja, através do seu testemunho vivo de fidelidade ao Senhor Jesus, de pobreza e de desapego, de liberdade perante os poderes deste mundo, numa palavra, de santidade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 41).
(Bento XVI, Discurso ao Conselho Pontificio para a Nova Evangelização, 31 de Maio de 2011)

Sé de Viseu, 26 de Junho de 2012

13/11/2012

ANO DA FÉ COM S. JOSEMARIA 5


As ajudas da Graça de Deus...

“Tive oportunidade de observar, em algumas ocasiões, como reluziam os olhos de um desportista, perante os obstáculos que tinha de saltar. Que vitória! Observai como domina as dificuldades! Assim nos contempla Deus, que ama a nossa luta: seremos sempre vencedores, porque nunca nos nega a omnipotência da sua graça. E não importa então que haja luta, porque Ele não nos abandona (Amigos de Deus, 182).
«Começou a edificar e não pôde terminar!» (Lc 14, 28). Triste comentário, que, se quiseres, não se fará de ti, porque tens todos os meios para coroar o edifício da tua santificação: a graça de Deus e a tua vontade (Caminho, 324).
Nos momentos dedicados expressamente a esse colóquio com o Senhor, o coração expande-se, a vontade fortalece-se, a inteligência - ajudada pela graça - enche a realidade humana com a realidade sobrenatural. E, como fruto, sairão sempre propósitos claros, práticos, de melhorares a tua conduta, de tratares delicadamente, com caridade, todos os homens, de te empenhares a fundo - com o empenho dos bons desportistas - nesta luta de amor e de paz (Cristo que Passa, 8).
Homilia, Sé de Viseu, 26 de Junho de 2012

12/11/2012

ANO DA FÉ COM S. JOSEMARIA 4


A vida e o apostolado cristãos são um desporto sobrenatural

E S. Josemaria veio a veio ensinar-nos através da comparação com o desporto, e que é um desporto para todos e que se pode “pegar” a todos.
«Para ti, que és desportista, que boa razão a do Apóstolo (1 Cor 9, 24-25): - Não sabeis que, dos que correm no estádio, embora todos corram, um só obtém o prémio? Correi de tal maneira que o ganheis (Caminho, 318).
Dá muito bom resultado empreender as coisas sérias com espírito desportivo... Perdi várias jogadas? - Bem, mas - se perseverar - no fim ganho (Sulco, 169).
O bom desportista não luta para alcançar uma só vitória e à primeira tentativa. Prepara-se, treina-se durante muito tempo, com confiança e serenidade: tenta uma e outra vez e, mesmo que no princípio não triunfe, insiste tenazmente, até superar o obstáculo (Forja, 169).

Acelera o passo na piedade e no trabalho: fica-te ainda tanto por andar! Convive amavelmente com todos, também com os que te incomodam; e esforça-te por amar - por servir! - aqueles que antes desprezavas (Sulco, 167).
Para amar de verdade é preciso ser forte, leal, com o coração firmemente engastado na fé, na esperança e na caridade. Só a ligeireza insubstancial muda caprichosamente o objecto dos seus amores, que não são amores mas compensações egoístas. Quando há amor, há integridade: capacidade de entrega, de sacrifício, de renúncia. E, no meio da entrega, do sacrifício e da renúncia, juntamente com o suplício da contradição, a felicidade e a alegria. Uma alegria que nada nem ninguém nos poderá tirar (Cristo que Passa, 75)».

Homilia, Sé de Viseu, 26 de Junho de 2012

11/11/2012

ANO DA FÉ COM S. JOSEMARIA 3


O que significa vocação universal à santidade e ao apostolado
 
«Conhecendo um pouco a história dos santos, sabendo que nos processos de canonização se procura a virtude «heróica», temos quase inevitavelmente um conceito errado da santidade: «Não é para mim», somos tentados a pensar, «porque eu não me sinto capaz de realizar virtudes heróicas: é um ideal demasiado elevado para mim». Então a santidade torna-se uma coisa reservada a alguns «grandes», dos quais vemos as imagens nos altares, e que são muito diferentes de nós, que somos normais pecadores. Mas este é um conceito errado de santidade, uma percepção errónea que foi corrigida - e isto parece-me o ponto central - precisamente por Josemaria Escrivá.
Virtude heróica não significa que o santo faz uma espécie de «ginástica», de santidade, algo que as pessoas normais não conseguem fazer. Ao contrário, significa que na vida de um homem se revela a presença de Deus, isto é, se revela o que o homem por si só e para si não podia fazer. Virtude heróica propriamente não significa que alguém fez grandes coisas sozinho, mas que na sua vida aparecem realidades que ele não fez, porque foi transparente e disponível para a obra de Deus». (Card. Joseph Ratzinger, L’Osservatore Romano, 6-X-2002)

A luta por ser santos não é, portanto, algo negativo, mas afirmação alegre que se transforma necessariamente em testemunho apostólico, como ensinava S. Josemaria:
«A universalidade da caridade significa, por isso, universalidade do apostolado: tradução pela nossa parte, em obras e em verdade, do grande empenho de Deus, que quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (Amigos de Deus, 230).
«O apostolado, essa ânsia que vibra no íntimo do cristão, não é coisa separada da vida de todos os dias; confunde-se com o próprio trabalho, convertido em ocasião de encontro pessoal com Cristo. Nesse trabalho, ombro a ombro com os nossos colegas, com os nossos amigos, com os nossos parentes, lutando pelos mesmos interesses, podemos ajudá-los a chegar a Cristo, que nos espera (ibid 264)».

 

Homilia, Sé de Viseu, 26 de Junho de 2012

10/11/2012

ANO DA FÉ COM S. JOSEMARIA 2


O Ano da Fé para uma nova evangelização

«Precisamente para dar um renovado impulso à missão de toda a Igreja, de conduzir os homens para fora do deserto em que muitas vezes se encontram, rumo ao lugar da vida, da amizade com Cristo que nos dá a vida em plenitude, gostaria de anunciar que decidi proclamar um Ano da Fé» (Bento XVI, Homilia na Missa para a Nova Evangelização, 16 de Outubro de 2011)
“A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou... (A Igreja “prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus”, anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1 Cor 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz...)
Nesta perspectiva, o Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo... Em virtude da fé, esta vida nova plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afectos, a mentalidade e o comportamento do homem vão sendo pouco a pouco purificados e transformados, ao longo de um itinerário jamais completamente terminado nesta vida” (Bento XVI, Carta Apostólica Porta fidei, n.6).

Homilia, Sé de Viseu, 26 de Junho de 2012

09/11/2012

ANO DA FÉ COM S. JOSEMARIA 1


Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo, e lançai as redes para pescar». Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhámos nada; porém, sobre a Tua palavra, lançarei as redes». Tendo feito isto, apanharam tão grande quantidade de peixes, que as redes se rompiam (Lc 5, 4-6).

Duc in altum

«Elevar o mundo a Deus e transformá-lo a partir de dentro:  eis o ideal que o Santo Fundador vos indica, queridos Irmãos e Irmãs (dizia João Paulo II na Homilia da Canonização de S. Josemaria, 6 de Outubro de 2002). Ele continua a recordar-vos a necessidade de não vos deixar amedrontar por uma cultura materialista, que ameaça dissolver a identidade mais genuína dos discípulos de Cristo. Ele gostava de repetir, com determinação, que a fé cristã se opõe ao  conformismo e  à  inércia interior.
Seguindo os seus passos difundi na sociedade, sem distinção de raça, de classe, de cultura ou de idade, a consciência de que todos nós somos chamados à santidade. Esforçai-vos por ser santos, em primeiro lugar vós mesmos, cultivando um estilo evangélico de humildade, de serviço, de abandono na Providência e de escuta constante da voz do Espírito. Desta forma, sereis o "sal da terra" (cf. Mt 5, 13) e "a vossa luz brilhará diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que fazeis e louvem o vosso Pai que está nos céus" (Ibid., v. 16).
Assim, foi sem hesitação que acolheu o convite dirigido por Jesus ao Apóstolo Pedro, e que acaba de ressoar nesta Praça: "Duc in altum!"... No dia de hoje, este convite alarga-se a todos nós: "Avança para águas mais profundas, diz-nos o Mestre divino e lança as redes para a pesca" (Lc 5, 4)».

Homilia, Sé de Viseu, 26 de Junho de 2012