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06/11/2015

Assunção Cristas, testemunho cristão

Resultado de imagem para assunção cristas“Faz parte de ser católica aceitar outros caminhos” e, por isso, quando se colocou a Assunção Cristas a proposta de seguir o caminho da política, a agora ministra fez o que costuma fazer na vida: procurar em Jesus Cristo o exemplo e a fonte de discernimento. E não teve medo das más companhias. “Inspirei-me em Jesus que nunca teve medo de se meter com gente pouco recomendável”, afirmou a ministra da Agricultura na segunda sessão das Conversa sobre Deus, na Capela do Rato, em Lisboa.


A conversa, moderada por Maria João Avillez, começou pela infância da dirigente do CDS, quando “a fé foi transmitida na ternura dos afectos familiares”. Um tempo em que a avó assumiu um papel de transmissora de fé e de tradição, em que o que valia era o Menino Jesus e o Pai Natal só foi aceite como “ajudante”, e a mãe teve sempre como que um papel de alerta de consciência, com o “hábito de chamar a atenção para a responsabilidade na aplicação dos talentos” e para a prática da caridade.

Depois, no Colégio do Bom Sucesso, Assunção Cristas foi evoluindo para a imagem de “um Deus amigo, acolhedor, que perdoa todos os nossos pecados”.

“Ao longo do tempo e da vida, fui tendo uma relação diferente com as três pessoas da Santíssima Trindade”, afirmou a ministra, assumindo que “foi o Espírito Santo o que chegou mais tarde”, já na adolescência e muito por influência de um professora de Físico-química.

Para Assunção Cristas, Jesus é “um companheiro de vida, um exemplo e um filtro de acção” e o Espírito Santo é “um companheiro mais íntimo” a quem pede “muita sabedoria, iluminação e discernimento”, a quem recorre sempre que fala em público para que lhe dê as palavras que cheguem ao coração de quem a ouve. “Deus é o Pai, aquele que desejo, aquele que está à nossa espera e um dia vou poder aninhar-me no colo d’Ele. Deus alimenta-nos num desejo de chegar a Ele”, continuou a ministra, que não se imagina sem fé.

Fé como “caminho de felicidade e alegria"

Claro que tem dúvidas, assumiu Assunção Cristas perante o auditório, que claro se questiona se tudo isto não passa de uma ilusão. Não importa, responde: “Se nada disto for verdade, eu sou muito feliz assim.”

Por isso, e porque acredita e experimenta que “a fé é, de facto, um caminho de felicidade e de alegria”, o que mais pede para a sua família é a fé.

Uma fé assim entendida e vivida interfere nas opções do dia-a-dia e nos dias de grandes opções. Foi assim quando se colocou a hipótese de entrar para a política, os convites para integrar o CDS, ser deputada e ser ministra.

“Nós trilhamos uns caminhos, a vida traz outros e faz parte de ser católica aceitar outros caminhos”, afirmou Assunção Cristas, que, antes de entrar para a política, apostava na sua carreira académica e no exercício de advocacia. Tem saudades do silêncio e do tempo para estudar, investigar, aprofundar conhecimentos, mas também assume que se sente “muito feliz” na política (e “pode acontecer fazer política a vida toda”).

Não se assustou com os riscos de mau nome e más companhias de quem se mete na política porque Jesus também sempre fez questão de se misturar com todos. E também não se condiciona com os efeitos que a dedicação à política podem ter no tempo para o marido e os quatro filhos.


“Sinto que estas horas gastas em prol de todos são mais facilmente justificáveis do que se estivesse a trabalhar só para mim ou para a minha família”, afirmou Assunção Cristas, a mulher, mãe e ministra para quem “o que é indesligável é a nossa relação com Deus”.

29/06/2011

Anunciam-se bons deputados, assim o espero. Neste caso deputada...


Observando
Ser católica na política.


Soa-me sempre um pouco estranho quando me perguntam como é ser católico na política. Fico a pensar em que particularidade haverá quando comparado com ser católico no trabalho em geral ou em casa ou com os amigos ou com as pessoas com quem casualmente nos cruzamos na vida. É diferente?“ Ser católico” contém a resposta em si mesmo: é-se católico, não se está católico num momento ou numa condição, é-se ou procura-se ser em todos os momentos e em todas as circunstâncias. E por isso só sei responder o que é para mim ser católica ou, dito de outro modo, como me sinto católica. E aqui, na política, como na Faculdade ou na advocacia ou em qualquer lado, para mim ser católica é procurar sempre pôr a render ao serviço dos outros os talentos que Deus me deu e através desse serviço, desse acolhimento, dessa atenção e preocupação, sentir o Seu perfume e viver o Seu amor. Não me sinto especificamente “católica na política”, procuro ser católica, da mesma maneira, em todo o lado, mas sei que estou na política porque sou católica.
 
assunção cristas, Deputada, In Observatório da Cultura, n.º 14 (Novembro 2010), agrad DSP