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27/05/2022

Publicações em Maio 27

 


 

Mês de Maio

Abandono em Jesus

 

«Por isso vos digo: Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou beber, nem quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Porventura não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestido?» (Cfr Mt VI, 23…)

A escutar estas palavras de Jesus senti como que um "baque" dentro de mim... o que são, verdadeiramente, as inquietações da minha vida? Coisas materiais ou do espírito? Algo que passa, que morre, ou um valor pelo qual vale a pena inquietar-me para o conseguir?

Chego á triste conclusão que tenho vivido de tal forma absorto em conseguir aquelas que me esqueço... ah tantas vezes... que o que importa é acreditar firmemente que o Senhor nunca permitirá que me falte algo que seja absolutamente necessário para atingir o fim para o qual me criou: A Vida Eterna!

Ele sabe muito bem o que preciso e mesmo que tenha fome, esteja despido, não tenha abrigo, confio que se Ele o permite é porque desses males aparentes tirará sempre, incomensuráveis bens concrectos.

Não o fará, contudo, se eu não aceitar... verdadeiramente aceitar... que quanto me acontece é porque Ele o permite e, sendo assim, estimula o meu desejo de aceitar a Sua Justíssima Vontade sobre todas as coisas.

- Senhor... eu não valho nada, eu não posso nada mas... Tu vales tudo, podes absolutamente tudo, entrego-me total e confiadamente nas Tuas Mãos Amorosas, certo que Tu És é o Caminho, a Verdade, a Vida.

 

26.05.2022

 

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10/11/2020

Reflexão

 


Abandono

 

A "maior", para mim, e mais excelente exclamação de Jesus é:

 

«Meu Deus... porque Me abandonasTe»

 

E sou como que sou obrigado a considerar:

 

Ele... nunca me abandona, eu é que O abandono por tantas coisas que não valem  nada...

 

(AMA, 2020)

18/05/2020

Temas para reflectir e meditar

ABANDONO


Um método excelente para aprender como rezar, é reconhecermo-nos a nós próprios como não merecedores de tal benefício, e pormo-nos inteiramente nas mãos do Senhor.



São Filipe de Neri, Máximas, F.W.Faber, Cromwell Press SN12 8PH, nr. 25-20



10/04/2018

Leitura espiritual

Confiar em Deus

Sem Cristo, não fazemos nada. É o ensinamento que o Mestre deu aos seus discípulos no episódio da pesca milagrosa e que se repete nas nossas vidas.
São Lucas conta que numa ocasião o Senhor pregava junto ao mar da Galileia e eram tantos os que O queriam ouvir que teve que pedir ajuda. Uns pescadores lavavam as redes na margem. Tinham terminado a parte fundamental da faina e estavam ocupados noutras actividades acessórias, seguramente com a ideia de ir quanto antes para casa e descansar. Jesus Cristo meteu-se numa das barcas, a de Simão e de lá continuou a falar à multidão.

O evangelista não se detém a contar-nos o conteúdo dos ensinamentos do Senhor. Nesta ocasião há outros factos para os quais quer atrair a nossa atenção, porque contêm lições muito importantes para a vida cristã.

LUTA E CONFIANÇA

Pedro e os seus companheiros talvez pensassem que, ao acabar de falar, Jesus regressaria à margem e seguiria o Seu caminho. Mas assim não aconteceu: dirigiu-Se a eles e pediu-lhes que recomeçassem a faina de pesca, que estava quase a terminar. Ficaram surpreendidos, mas Simão teve a grandeza de ânimo de ultrapassar o cansaço e responder: Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhámos nada; porém, sobre a Tua palavra lançarei as redes [1].

Tinham trabalhado toda uma noite. E tinha sido em vão. Sabiam fazê-lo, era a sua profissão, tinham experiência. Mas tudo isso não tinha sido suficiente; tinham regressado cansados e sem nada. Não parece arriscado supor que estariam desanimados. Inclusivamente, talvez tivesse ocorrido a algum que com aquele ofício não se poderia ir longe e teria experimentado o desejo – mais ou menos contido – de deixar tudo, porque o invadia uma sensação de inutilidade.

Sabemos que esta história termina com uma pesca abundantíssima. Se nos questionamos sobre a diferença entre essa eficácia e o fracasso nocturno, a resposta é imediata: a presença de Jesus Cristo. Todas as outras circunstâncias desta segunda tentativa parecem menos favoráveis do que as da primeira: as redes sem terem sido acabadas de lavar, a hora pouco apropriada, a deteriorada condição física e anímica dos pescadores...

O Senhor serve-Se de tudo isso para lhes dar – e para nos dar – um ensinamento espiritual muito importante: sem Cristo não fazemos nada. Sem Cristo, o fruto da luta será cansaço, tensão, desânimo, vontade de o deixar; sem Cristo procuramos enganar-nos atirando para as circunstâncias a culpa da nossa ineficácia; sem Cristo invadir-nos-á a sensação de inutilidade. Pelo contrário, com Ele a pesca é abundante.

A santidade não consiste no cumprimento de um conjunto de normas. É a vida de Cristo em nós. Por isso, mais do que em fazer, está em deixar fazer, em deixar-se levar; mas correspondendo. Tu, cristão, e por seres cristão filho de Deus, deves sentir a grave responsabilidade de corresponder às misericórdias que recebeste do Senhor com uma atitude de vigilante e amorosa firmeza, para que nada nem ninguém possa esbater os traços peculiares do Amor, que Ele imprimiu na tua alma [2].

Quando lutamos por ser santos, o fio da nossa vontade encontra-se com o fio da Vontade de Deus e entrelaça-se com ele para formar um único tecido, uma só peça que é a nossa vida. Essa trama há-de ir-se tornando cada vez mais densa, até que chegue um momento em que a nossa vontade se identifique com a de Deus, de tal modo que não sejamos capazes de distinguir uma da outra, porque querem o mesmo.

Quase no final da Sua vida na terra, Jesus confia a São Pedro: em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, cingias-te e ias onde desejavas; mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e levará para onde tu não queres [3]. Antes apoiavas-te em ti próprio, na tua vontade, na tua fortaleza; antes pensavas que a tua palavra era mais segura do que a minha [4] ... e já vês os resultados. A partir de agora apoiar-te-ás em Mim e quererás o que Eu queira... e as coisas correrão muito melhor.

A vida interior é uma tarefa da graça que requer a nossa cooperação. O Espírito Santo sopra e impulsiona a nossa barca. Para a nossa correspondência dispomos dos remos, por assim dizer: por um lado, o nosso esforço pessoal; por outro, a confiança em Deus, a segurança de que Ele não nos deixa. Os dois remos são necessários e temos de desenvolver os dois braços se queremos que a vida interior avance. Se falha um, a barca gira sobre si própria, é muito difícil de governar; a alma caminha então como que a pé coxinho, não avança, esgota-se, acaba por desfalecer e cai facilmente.

Se falta a decisão eficaz de lutar, a piedade é sentimental, as virtudes escasseiam; a alma parece encher-se de bons desejos, que se tornam, no entanto, ineficazes quando chega o momento do esforço. Se, pelo contrário, se confia tudo a uma vontade forte, à decisão de luta sem contar com o Senhor, o fruto é aridez, tensão, cansaço, fastio de uma luta que não traz peixes às redes da vida interior e do apostolado; a alma encontra-se, como Pedro e os seus companheiros, na noite infrutífera.

Se nos apercebemos de que algo deste tipo nos acontece, se por vezes caímos em desânimos por nos apoiarmos demasiado nos nossos conhecimentos ou experiência, na nossa vontade decidida e forte... e pouco em Jesus Cristo, peçamos ao Senhor que suba para a nossa barca. É muito importante a Sua presença; muito mais do que os resultados do nosso esforço. É de notar que o Senhor não promete uma grande pesca, e Simão não a espera. Mas adverte que de qualquer modo vale a pena trabalhar pelo Senhor: in verbo autem tuo laxabo retia [5].

ABANDONO

Voltemos agora um pouco atrás e dirijamos o nosso olhar à petição de Jesus. Faz-te ao largo, e lançai as redes para pescar [6].

Duc in altum. Leva a barca para o largo. Para se meter na vida interior há que renunciar a ter os pés num terreno firme, totalmente dominado; é preciso avançar até lugares onde facilmente haverá ondas, onde a barca se move e a alma se apercebe que não controla tudo, onde se caíssemos à água poderíamos afogar-nos.

Não estaremos mais seguros na margem, ou onde a água não ultrapasse os joelhos, ou a cintura, ou no máximo os ombros? Talvez, efectivamente, nos sentiríamos mais seguros. Mas na margem não se pesca nada que valha a pena. Se queremos deitar as redes para pescar, temos que levar a barca para mar profundo, temos que sacudir o medo de perder de vista a costa.

Quantas vezes, Jesus Cristo censura aos discípulos o seu medo! Por que temeis, homens de pouca fé? [7]. Não mereceremos nós também essa mesma censura? Porque não te fias? Porque queres dominar e controlar tudo? Porque te custa tanto caminhar quando o sol não brilha em todo o seu esplendor?

A alma tende instintivamente a procurar referências, sinais que lhe confirmem que vai bem. O Senhor concede-no-las em muitas ocasiões, mas não cresceremos na vida interior se nos deixamos obcecar pela necessidade de comprovar o nosso progresso.

Talvez tenhamos a experiência de que em momentos de inquietação, em que não possuímos um juízo claro sobre a nossa rectidão e nos deixamos arrastar pelo desejo de procurar, a todo o custo, uma resposta, acabamos por atribuir a uma circunstância trivial um valor de que objectivamente carece: um olhar sorridente ou sério, um elogio ou uma correcção, uma circunstância favorável ou um revés, bastam para colorir, com o seu tom brilhante ou escuro, factos com os quais não têm qualquer relação.

O crescimento na vida interior não depende de que estejamos seguros de qual é a Vontade de Deus. O afã desmesurado de segurança é o ponto onde o voluntarismo se encontra com o sentimentalismo. Por vezes, o Senhor permite uma insegurança que, bem orientada, nos ajuda a crescer em rectidão de intenção. O que importa é abandonar-se nas Suas mãos e neste confiar n’Ele encontra-se a paz.

Com a nossa luta não procuramos conseguir sentimentos agradáveis. Muitas vezes os teremos; outras, não. Um pouco de exame talvez nos faça descobrir que os procuramos com maior frequência do que imaginamos, se não em si mesmos, ao menos como sinal de que a nossa luta é eficaz.

Apercebemo-nos disso, por exemplo, ao experimentar desânimo perante uma tentação a que não cedemos, mas que persiste; ao sentir aborrecimento porque algo nos custa e – assim raciocinamos – não nos deveria custar; ao notar desconforto porque a entrega não nos atrai do modo sensivelmente impetuoso de que gostaríamos...

Temos que lutar no que podemos lutar, sem nos preocuparmos com o que não está na nossa mão dominar; os sentimentos não estão totalmente submetidos à nossa vontade e não podemos pretender que estejam.

Temos que aprender a abandonar-nos, deixando nas mãos de Deus o resultado da nossa luta, porque só a confiança n’Ele vence essas inquietações. Se queremos ser pescadores do águas profundas, temos que levar a barca in altum, onde não temos pé; temos que superar o desejo de procurar referências, de sentir que vamos para a frente. Mas para o conseguir é decisivo apoiar-se na contrição.

RECOMEÇAR

Simão e os seus companheiros seguiram o conselho do Senhor e apanharam tão grande quantidade de peixes, que as redes se rompiam [8]. Do fruto dessa audácia beneficiaram outros que os vieram ajudar e as duas barcas encheram-se tanto que quase se afundavam. Abundância tão extraordinária levou Pedro a aperceber-se da proximidade de Deus e a sentir-se indigno de tal familiaridade: Afasta-Te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador [9]. No entanto, poucos minutos depois, deixaram tudo e seguiram Jesus [10]. E foram fiéis até à morte.

Pedro descobriu o Senhor naquela pesca extraordinária. Teria reagido da mesma maneira se na noite anterior lhe tivesse corrido bem o seu trabalho? Talvez não. Talvez num fruto especialmente generoso tivesse reconhecido uma ajuda de Jesus Cristo, mas não se teria apercebido até que ponto Deus estava perto e tudo se devia a Ele. Para que o milagre movesse a alma de Simão, convinha que a noite anterior lhe tivesse corrido muito mal apesar do seu empenho sincero.

O Senhor serve-Se dos nossos defeitos para nos atrair para Ele, sempre que nos esforcemos sinceramente por vencê-los. Por isso, lutando, temos de gostar de nós como somos, com os nossos defeitos. Ao fazer-Se homem, o Verbo assumiu limitações, as próprias da condição humana, essas diante das quais nós por vezes nos revoltamos. No caminho de identificação com Cristo é decisivo aceitar os próprios limites.

Tantas vezes, é precisamente a consciência serena da nossa indignidade que nos faz descobrir Cristo ao nosso lado, porque vemos com clareza que os peixes que há nas nossas redes não foi a nossa perícia que os lá pôs, mas Deus. E essa experiência enche-nos de alegria e convence-nos uma vez mais que é a contrição que nos faz avançar na vida interior.

Então, como Pedro, lançamo-nos aos pés de Jesus Cristo; e, também como ele, acabamos por deixar tudo – inclusive essa pesca extraordinária! – para O seguir, porque só Ele nos interessa.

A prontidão para a contrição marca o caminho da alegria. Precisamente a tua vida interior deve ser isso: começar... e recomeçar [11] . Que profunda alegria experimenta a alma quando descobre, na prática, o significado destas palavras! Não se cansar de recomeçar, eis aqui um segredo para a eficácia e para a paz. Porque quem tem essa atitude deixa trabalhar o Espírito Santo na sua alma, colabora com Ele sem pretender substitui-l’O, luta com toda a energia e com plena confiança em Deus.

J. Diéguez

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Notas:
[1] Lc 5, 5.
[2] Forja, n. 416.
[3] Jo 21, 18.
[4] Cfr. Mt 26, 34-35.
[5] Lc 5, 5.
[6] Lc 5, 4.
[7] Mt 8, 26. Cfr. Mt 14, 31.
[8] Lc 5, 6.
[9] Lc 5, 8.
[10] Lc 5, 11.
[11] Caminho, 292.




04/11/2015

DIÁLOGOS COM O SENHOR DEUS (10)

Quantas vezes já experimentaste abandonares-te a Mim, sem ligares à tua vontade e aos teus interesses?

Algumas vezes, Senhor, algumas vezes.

E qual foi o resultado desse abandono a Mim?

Uma paz imensa e o encontrar caminho para as situações que vivia e que nem sempre era o caminho da minha vontade.

E depois?

Ah, Senhor, depois, logo a seguir, a certeza inabalável de que estás sempre comigo.

Então porque teimas tantas vezes em quereres estar sozinho, afastando a minha presença da tua vida?

Porque sou fraco, Senhor, porque sou pecador, porque tenho medo, nem eu sei bem de quê.

Então não temas, refugia-te mais na oração. Ela te levará ao abandono de ti, e nesse abandono encontrar-me-ás, porque Eu estou sempre contigo.

Obrigado, Senhor, nas Tuas mãos me entrego!

joaquim mexia alves, Monte Real, 28 de Outubro de 2015


27/10/2014

Abandono



Abandona-te cheio de confiança no seu seio materno, pede-Lhe que te alcance esta virtude (humildade) que Ela tanto apreciou; não tenhas medo de não ser atendido. Maria pedi-la-á para ti a esse Deus que eleva os humildes e reduz a nada os soberbos; e como Maria é omnipotente perto do seu Filho, será com toda a segurança ouvida.


(leão xiii Prática da humildade 56)

08/08/2012

A oração deve enraizar-se na alma

© Gabinete de Informação 
do Opus Dei na Internet
Textos de S. Josemaria

A verdadeira oração, a que absorve todo o indivíduo, não a favorece tanto a solidão do deserto como o recolhimento interior. (Sulco, 460)

O caminho que conduz à santidade é o caminho da oração; e a oração deve enraizar-se a pouco e pouco na alma, como a pequena semente que se tornará mais tarde árvore frondosa.

Começamos com orações vocais, que muitos de nós repetimos desde crianças: são frases ardentes e simples, dirigidas a Deus e à Sua Mãe, que é nossa Mãe. De manhã e à tarde, não um dia, mas habitualmente, ainda renovo aquele oferecimento que os meus pais me ensinaram: Ó Senhora minha, ó minha mãe, eu me ofereço todo a Vós. E, em prova da minha devoção para convosco, Vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração... Não será isto, de algum modo, um princípio de contemplação, uma demonstração evidente de confiante abandono? Que dizem aqueles que se querem, quando se encontram? Como se comportam? Sacrificam tudo o que são e tudo o que possuem pela pessoa que amam.

Primeiro uma jaculatória, e depois outra e outra... Até que parece insuficiente esse fervor, porque as palavras se tornam pobres...: e abrem-se as portas à intimidade divina, com os olhos postos em Deus sem descanso e sem cansaço. Vivemos então como cativos, como prisioneiros. Enquanto realizamos com a maior perfeição possível, dentro dos nossos erros e limitações, as tarefas próprias da nossa condição e do nosso ofício, a alma anseia escapar-se. Vai até Deus como o ferro atraído pela força do íman. Começa-se a amar Jesus de forma mais eficaz, com um doce sobressalto.. (Amigos de Deus, nn. 295–296)

23/07/2012

Serenidade. – Por que te zangas?

© Gabinete de Informação 
do Opus Dei na Internet
Textos de S. Josemaria Escrivá

Serenidade. – Por que te zangas, se zangando-te ofendes a Deus, incomodas os outros, passas tu mesmo um mau bocado... e por fim tens de te acalmar? (Caminho, 8)

Isso mesmo que disseste, di-lo noutro tom, sem ira, e ganhará força o teu raciocínio e, sobretudo não ofenderás a Deus. (Caminho, 9)

Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afectuosa, do que ralhando três horas. – Modera o teu génio. (Caminho, 10)

Quando realmente te abandonares no Senhor, aprenderás a contentar-te com o que suceder, e a não perder a serenidade, se as tarefas – apesar de teres posto todo o teu empenho e empregado os meios convenientes – não saem a teu gosto... Porque terão "saído" como convém a Deus que saiam. (Sulco, 860)

Sendo para bem do próximo, não te cales, mas fala de modo amável, sem destemperança nem aborrecimento. (Forja, 960)

28/06/2012

Fazei o que Ele vos disser

Textos de S. Josemaria

No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a falta de vinho... Até aos mais pequenos pormenores de serviço chega a alma quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)

Entre tantos convidados de uma ruidosa boda rural a que vêm pessoas de muitos lugares, Maria dá pela falta de vinho. Repara nisso imediatamente – e só Ela. Que familiares se nos apresentam as cenas da vida de Cristo! Porque a grandeza de Deus convive com o humano – com o normal e corrente. Realmente, é próprio de uma mulher, de uma atenta dona de casa, reparar num descuido, estar presente nesses pequenos pormenores que tornam agradável a existência humana; e assim aconteceu com Maria.

– Fazei o que Ele vos disser (Jo 2, 5).

Implete hydrias (Jo 2, 7), – enchei as vasilhas! –, e dá-se o milagre. Assim mesmo, com toda a simplicidade. Tudo normal: eles cumpriam o seu ofício, e a água estava ao seu alcance… E foi esta a primeira manifestação da divindade do Senhor! O que há de mais vulgar converte-se em extraordinário, em sobrenatural, quando temos a boa vontade de fazer o que Deus nos pede.

Quero, Senhor, abandonar todos os meus cuidados nas Tuas mãos generosas. A nossa Mãe – a Tua Mãe! – a estas horas, como em Caná, já fez soar aos Teus ouvidos: não têm!…

Se a nossa fé é débil, recorramos a Maria. Devido ao milagre das bodas de Caná que Cristo realizou a pedido de sua Mãe, acreditaram n´Ele os discípulos (Jo 2, 11). A nossa Mãe intercede sempre diante de seu Filho para que nos atenda e se nos mostre de tal modo que possamos confessar: – Tu és o Filho de Deus.

– Dá-me, ó Jesus, essa fé que de verdade desejo! Minha Mãe e Senhora minha, Maria Santíssima, faz com que eu creia! (Santo Rosário, 2º mistério luminoso).


© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

20/04/2011

Confidências de alguém - 5


Nota de AMA: 
Estas “confidências” têm, obviamente, um autor, que não se revela; foram feitas em tempo indeterminado, por isso não se lhes atribui a data. O estilo discursivo revela, obviamente, que se tratam de meditações escritas ao correr da pena. A sua publicação deve-se a ter considerado que, nelas se encontram muitas situações e ocorrências que fazem parte do quotidiano que, qualquer um, pode viver.



Quarta Feira Santa

Simão de Cirene é compelido pelos soldados a levar o madeiro, a Cruz que Jesus não pode, manifestamente, carregar.

Uma noite sem dormir, tensa e estranha, semeada de contradições e sofrimentos indizíveis, de troças e insultos, de humilhações e desenganos, que terminara pelo abandono mais completo, total, dos Seus discípulos queridos. Jesus olha em volta e não vê nenhum rosto conhecido, nem o meu rosto Ele consegue ver, de tal forma estou escondido no meio da multidão.
Também eu O abandono, não sei quem é, não O conheço. Estive com Pedro, há poucas horas, chorando amargamente tê-lo negado, ter jurado que não O conhecia, que não sabia quem era. Depois de O Senhor ter deixado que o Seu olhar triste repousasse em mim por breves instantes, tudo dentro de mim se desmoronou e vi, sim….vi o pouco que sou, o fraco e incrívelmente pusilânime comportamento de que sou capaz. Esmagado ainda pela minha dor, pelo meu arrependimento, mantenho-me todavia à margem, vou vendo as coisas de longe, tenho pena de Jesus, sofro com os Seus sofrimentos, mas tenho ainda receio de me aproximar dele, de O ajudar, de aliviar um pouco que seja o Seu sofrimento.

Nem sequer faço um pequeno movimento de ajuda, quando compelem o Cireneu, não digo: Não… eu…. Eu é que levarei a Cruz de Cristo. 

E, mais uma vez, perdida uma oportunidade de mudar a minha vida, o meu comportamento, fico-me na inveja do lugar que é do Cireneu e poderia ter sido o meu.
Secretamente pergunto-me como é possível este meu comportamento, sim, eu que tantas vezes tenho dito ao Senhor: Amo-te! Que todos os dias O recebo na Hóstia puríssima, eu que me digo e me tenho entre os Seus amigos mais íntimos, não passo de um cobarde e um fraco.

Triste amigo tens, Senhor, que mal servido Te encontras. Se todos os Teus amigos fossem como eu não precisarias de inimigos, nem de Príncipes de Sacerdotes, nem de Fariseus, nem de ninguém mais, para cumprir a Tua sublime tarefa de Redenção do mundo: eu bastaria!

Leva-me Senhor, contigo, bem junto de Ti, até ao cimo desse Monte Calvário para onde caminhas. Arrasta-me juntamente sem me deixar um instante sequer – basta um pequeno instante para eu ser capaz das piores torpezas, como abandonar-te, por exemplo – leva-me como criança pequena que quero ser.

Senhor, eu nem sei o que quero verdadeiramente, tenho estes (…) anos de vida e sinto-me como uma criança que regressa a cada instante ao colo amigo e seguro do Seu Pai, do Seu irmão mais velho. Aqui me sinto bem, protegido de mim mesmo ao abrigo das minhas próprias loucuras, sem necessidade de tomar decisões, que são sempre as piores e mais inadequadas, as mais cobardes e manhosas, aqui me sinto tranquilo porque nada acontece que tenha de interferir directamente, limito-me a seguir-te, fielmente como o mais humilde cachorrinho, contente e feliz por me deixares ir contigo.
Nada sou, nada valho, nada sei. Senhor…. Senhor, deixa-me que desfrute destes momentos de indizível ternura que sinto invadir-me a alma e sentir o Teu abraço a moroso e amigo, confiante e terno; ouvir a Tua voz serena e amorosa:

Tu…. Vem comigo!


As contrariedades, os sofrimentos físicos e morais, as angústias, as incertezas no futuro, enfim, tudo nisto que sinto e me pesa na alma está agora a atapetar o duro caminho para o Gólgota, tornado mais fácil o Teu doloroso caminhar, suavizando um pouco a agressividade do caminho da salvação que queres, por mim, levar a cabo. Com as minhas lágrimas vou empapando os Teus vestidos, suavizando um pouco a dor e incómodo das feridas secas, mal cicatrizadas e “não suavizadas com azeite e vinho”. [1]

Chega de traições e troças, abandonos e falsas promessas, chega de ser mau filho. Faço o propósito firme de Te merecer, de tudo fazer para não me afastar um milímetro de Ti, de me manter agarrado à orla do Teu manto par assim não me desviar no caminho.
Não mais Senhor chamarás por mim sem que Te responda com prontidão, porque eu estarei ao Teu lado, disponível e solícito para o que de mim necessitares.


[1] S. josemaría, Via-sacra