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21/11/2012

Poemas da minha vida: Os meus bens 3

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a




Isto
são também
as minhas coisas sem importância.

Os meus nadas,
os meus vãos
que não manifesto
com alardes.

É nelas que me detenho
e me encontro
pelas tardes.

Lisboa,  61

19/11/2012

Poemas da minha vida: Os meus bens 2

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Também sou eu
este manifesto
puro
e insensato.

Sou eu
esta espada
fulgurante
e incapaz
de ferir,
de me ferir.

Sou eu
este anuncio
terrível,
terrível
de pobreza.

Sou eu
e esta tristeza
e esta solidão
com que me encontro
e digo:

Sou eu!.

Lisboa,  61

17/11/2012

Poemas da minha vida: à noite em casa da Amélia

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Eles riem
e cantam
e brincam
e são felizes
e eu,
fico só,
eu,
sem mais
que eu.

Só,
só eu
sem mais nada
que recordações
de coisas
que não queria
mas
que tenho pena
de ter perdido.

Eu
e também
um pouco desiludido.

Lisboa,  61

15/11/2012

Poemas da minha vida: Egoísmo

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a



Também
por mim,
que fazer,
se nada de mim presta
e se ser egoísta
é o que me resta!?

Lisboa,  61

13/11/2012

Poemas da minha vida: Os meus bens

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a



Isto são também
as minhas pobres palavras,
vãs e ocas
tentativas
de serem o que eu não quero
ser,
ou vir a ser:
sério, reconfortante, auxiliar.

São também
os meus pobres desejos,
dúbios recados
que nunca chegam lá
onde procuro ser.

São também
o meu medo,
a minha inacção,
o meu torpor,
a pobreza declarada
de quem quer
mas não sabe
fazer mais nada.

Lisboa   61

11/11/2012

Poemas da minha vida: Sacrificado

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a





Eu sou assim,
cheio de pequenas renuncias
de coisas que não quero
e que me não servem
senão para julgar
que sou bom
e sacrificado.


Lisboa,   61

09/11/2012

Poemas da minha vida: Impuro

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a



Pobre
e nu
fui.

Rico
de pobreza
continuo
impuro
e só.

Lisboa,   61

07/11/2012

Poemas da minha vida: Carregar a vida

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


É tarde
e a noite
cai lá fora.

Penso em ti,
lembro-me de ti
e do que é teu
e sorrio
ao pensar
que é também meu.

Segundo dizes,
em cada momento,
tudo,
tudo inteiramente,
é dos dois.

Assim vivendo,
comummente,
crês que acertamos
e nos ajudamos
a carregar a vida
ainda melhor
que uma junta de bois
carrega um carro cheio.

(Este quadro dos bois
é pobre
e talvez mal empregado,
mas, quem nada tem
a mais não é obrigado)

 

Lisboa,   61

05/11/2012

Poemas da minha vida: Tens razão

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Não há dúvida amor,
que tens razão.

Realmente,
as palavras
ternas,
cheias de calor
que te disse baixinho,
o que são?

Coisas fáceis de esquecer
e rapidamente
se desvanecem,
ou porque se ouvem outras,
ou porque elas adormecem
e a gente se esquece
de as despertar.

Lisboa,   61

02/11/2012

Poemas da minha vida: Rejeição

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Recebi hoje,
pelo correio, claro,
não te arriscavas
a dar-mos pessoalmente,
os objectos que te dei:

Uma pulseira,
um colar, baratos,
banais.

Mas nessa
remessa
eu vi mais.

Vi que me era devolvido
o amor,
essa tal chama
que arde
e não se sente,
mas que,
por mais brando
que se mantenha,
sempre vai queimando a gente.

 

Lisboa,   61

30/10/2012

Poemas da minha vida: Condição 5

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a

E eu
só faço
os mesmos versos
cansado
e só,
esquecido
e abandonado,
como eu quero
ser:

Esquecido
e só.

Lisboa,  61

27/10/2012

Devaneio

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


A chuva cai lá fora.

Nós aqui sentados,
em redor da mesa
somos simpáticos.

Estamos sós os três.

De repente,
à minha volta,
de roldão,
uma multidão.

E vós... os dois,
estais apáticos
à minha reunião
particular.

Lousã,  61

24/10/2012

Condição 4

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Há uma garra que me aperta o peito
fazendo-me doer, doer...

De quem è ela?

Quem a perdeu?

Não me queiram fazer dono
do que nunca foi meu.

Coimbra,  61

23/10/2012

Condição 3

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Simples,
desconcentrado
do fim
de mim.

A esmo
sem força
ou querer
ser eu mesmo.

Só,
sem outros
que eu,
que a minha multidão
se torna sempre
uma solidão.

Coimbra,  61

21/10/2012

Condição 2

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Como se eu pudesse esquecer

olham para mim
doces e compassivos.

Têm dó.

E eu,
sem poder esquecer,
fico só,
com pensamentos lascivos
de orgias que não tive,
na agonia calma
de quem já não vive.

Coimbra,  61

18/10/2012

O fim

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a


Condição 1


As mãos lassas
não sabem pedir esmola.

Os ombros curvados
não suportam a canga
que me serve de estola.

Que queres?

A vida para mim
começou já no fim.

Coimbra, 61

14/10/2012

Reunião

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a

Devaneio


A chuva cai lá fora.

Nós aqui sentados,
em redor da mesa
somos simpáticos.

Estamos sós os três.

De repente,
à minha volta,
de roldão,
uma multidão.

E vós... os dois,
estais apáticos
à minha reunião
particular.

Lousã, 61

12/10/2012

Garra

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a

Há uma garra que me aperta o peito
fazendo-me doer, doer...

De quem é ela?

Quem a perdeu?

Não me queiram fazer dono
do que nunca foi meu.

Coimbra, 61

10/10/2012

Solidão

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a

Condição 3


Simples,
desconcentrado
do fim
de mim.

A esmo
sem força
ou querer
ser eu mesmo.

Só,
sem outros
que eu,
que a minha multidão
se torna sempre
uma solidão.

Coimbra, 61

08/10/2012

P o e m a s  d a  m i n h a  v i d a

Condição 2



Como se eu pudesse esquecer
olham para mim
doces e compassivos.

Têm dó.

E eu,
sem poder esquecer,
fico só,
com pensamentos lascivos
de orgias que não tive,
na agonia calma
de quem já não vive.

Coimbra, 61