Mostrar mensagens com a etiqueta AMA - Comentários ao Evangelho Mt 22 1-14. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta AMA - Comentários ao Evangelho Mt 22 1-14. Mostrar todas as mensagens

18/08/2016

Evangelho e comentário


Tempo Comum

Evangelho: Mt 22, 1-14

1 Jesus, tomando a palavra, voltou a falar-lhes em parábolas, 2 dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que preparou o banquete de bodas para seu filho. 3 Mandou os seus servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram ir. 4 Enviou de novo outros servos, dizendo: “Dizei aos convidados: Eis que preparei o meu banquete, os meus touros e animais cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às núpcias”. 5 Mas eles desprezaram o convite e foram-se, um para a sua casa de campo e outro para o seu negócio. 6 Outros lançaram mão dos servos que ele enviara, ultrajaram-nos e mataram-nos. 7 «O rei, tendo ouvido isto, irou-se e, enviando os seus exércitos, exterminou aqueles homicidas, e incendiou-lhes a cidade. 8 Então disse aos servos: “As bodas, com efeito, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. 9 Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e a quantos encontrardes convidai-os para as núpcias”. 10 Tendo saído os seus servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala das bodas ficou cheia de convidados. 11 «Entrando depois o rei para ver os que estavam à mesa, viu lá um homem que não estava vestido com o traje nupcial. 12 E disse-lhe: “Amigo, como entraste aqui, não tendo o traje nupcial?”. Ele, porém, emudeceu. 13 Então o rei disse aos seus servos: “Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas lá de fora, aí haverá choro e ranger de dentes. 14 Porque são muitos os chamados mas poucos os escolhidos”».

Comentário:

Quem são os convidados para o banquete?

Todos, sem excepção alguma!

Não se trata de um banquete qualquer mas de uma festa preparada com esmero e todo o cuidado:

«Eis que preparei o meu banquete, os meus touros e animais cevados já estão mortos, e tudo está pronto».

Como pode recusar-se um convite destes?

(ama, comentário sobre Mt 22 1-14, 2015.08.20)








20/08/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual


Tempo comum XX Semana

São Bernardo – Doutor da Igreja

Evangelho: Mt 22, 1-14

1 Jesus, tomando a palavra, voltou a falar-lhes em parábolas,2 dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que preparou o banquete de bodas para seu filho. 3 Mandou os seus servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram ir. 4 Enviou de novo outros servos, dizendo: “Dizei aos convidados: Eis que preparei o meu banquete, os meus touros e animais cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às núpcias”. 5 Mas eles desprezaram o convite e foram-se, um para a sua casa de campo e outro para o seu negócio. 6 Outros lançaram mão dos servos que ele enviara, ultrajaram-nos e mataram-nos. 7 «O rei, tendo ouvido isto, irou-se e, enviando os seus exércitos, exterminou aqueles homicidas, e incendiou-lhes a cidade. 8 Então disse aos servos: “As bodas, com efeito, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. 9 Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e a quantos encontrardes convidai-os para as núpcias”. 10 Tendo saído os seus servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala das bodas ficou cheia de convidados. 11 «Entrando depois o rei para ver os que estavam à mesa, viu lá um homem que não estava vestido com o traje nupcial. 12 E disse-lhe: “Amigo, como entraste aqui, não tendo o traje nupcial?”. Ele, porém, emudeceu. 13 Então o rei disse aos seus servos: “Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas lá de fora, aí haverá choro e ranger de dentes. 14 Porque são muitos os chamados mas poucos os escolhidos”».

Comentário:

O convite que o Senhor faz a participar nas bodas é universal.

Ninguém é excluído todos têm lugar.

À disposição de qualquer um estão abundantes meios para uma preparação condigna com a honra, a magnitude da festa eucarística.

(ama, comentário sobre Mt 22 1-14, Cascais, 2014.10.12)



Leitura espiritual



CRISTO QUE PASSA

18
           
Quando chega o Natal, gosto de contemplar as imagens do Menino Jesus.
Essas figuras que nos mostram o Senhor tão apoucado, recordam-me que Deus nos chama, que o Omnipotente Se quis apresentar desvalido, quis necessitar dos homens.
Do berço de Belém, Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós; reclama de nós uma vida cristã sem hesitações, uma vida de entrega, de trabalho, de alegria.

Não conseguiremos jamais o verdadeiro bom humor se não emitarmos deveras Jesus, se não formos humildes como Ele. Insistirei de novo: vedes onde se oculta a grandeza de Deus?
Num presépio, nuns paninhos, numa gruta.
A eficácia redentora das nossas vidas só se pode dar com humildade, deixando de pensar em nós mesmos e sentindo a responsabilidade de ajudar os outros.

É corrente, às vezes até entre almas boas, criar conflitos íntimos, que chegam a produzir sérias preocupações, mas que carecem de qualquer base objectiva.
A sua origem está na falta de conhecimento próprio, que conduz à soberba: o desejo de se tornarem o centro da atenção e da estima de todos, a preocupação de não ficarem mal, de não se resignarem a fazer o bem e desaparecerem, a ânsia da segurança pessoal...
E assim, muitas almas que poderiam gozar de uma paz extraordinária, que poderiam saborear um imenso júbilo, por orgulho e presunção tornam-se desgraçadas e infecundas!

Cristo foi humilde de coração.
Ao longo da sua vida, não quis para Si nenhuma coisa especial, nenhum privilégio.
Começa por estar nove meses no seio de sua Mãe, como qualquer outro homem, com extrema naturalidade.
Sabia o Senhor de sobra que a Humanidade padecia de uma urgente necessidade d'Ele.
Tinha, portanto, fome de vir à terra para salvar todas as almas; mas não precipita o tempo; vem na Sua hora, como chegam ao mundo os outros homens.
Desde a concepção ao nascimento, ninguém, salvo S. José e Santa Isabel, adverte esta maravilha: Deus veio habitar entre os homens!

O Natal também está rodeado de uma simplicidade admirável: o Senhor vem sem aparato, desconhecido de todos.
Na Terra, só Maria e José participam na divina aventura.
Depois, os pastores, avisados pelos Anjos.
E mais tarde os sábios do Oriente.
Assim acontece o facto transcendente que une o Céu à Terra, Deus ao homem!

Como é possível tanta dureza de coração que cheguemos a acostumar-nos a estes episódios?
Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d'Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor, para que a nossa liberdade se renda, não só ante o espectáculo do seu poder, como também ante a maravilha da sua humildade.

Grandeza de um Menino que é Deus!
O Seu Pai é o Deus que fez os Céus e a Terra, e Ele ali está, num presépio, quia non erat eis locus in diversorio, porque não havia outro sítio na Terra para o dono de toda a Criação!

19           

Cumpriu a vontade de Seu Pai Deus

Não me afasto da mais rigorosa verdade se vos digo que Jesus continua agora a buscar pousada no nosso coração.
Temos de Lhe pedir perdão pela nossa cegueira pessoal, pela nossa ingratidão.
Temos de Lhe pedir a graça de nunca mais Lhe fechar a porta das nossas almas.

O Senhor não nos oculta que a obediência rendida à vontade de Deus exige renúncia e entrega porque o amor não pede direitos: quer servir.
Ele percorreu primeiro o caminho.
Jesus, como obedecestes Tu?
Usque ad mortem, mortem autem crucis, até à morte e morte de Cruz.
É preciso sair de nós mesmos, complicar a vida, perdê-la por amor de Deus e das almas...
Tu querias viver e que nada te acontecesse; mas Deus quis outra coisa...
Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a vontade de Deus, e não torcida a de Deus para se acomodar à tua.

Com alegria, tenho visto muitas almas que jogaram a vida - como Tu, Senhor, "usque ad mortem"! - para cumprir o que a vontade de Deus lhes pedia, dedicando os seus esforços e o seu trabalho profissional ao serviço da Igreja, pelo bem de todos os homens.

Aprendamos a obedecer, aprendamos a servir.
Não há maior fidalguia do que entregar-se voluntariamente ao serviço dos outros.
Quando sentimos o orgulho que referve dentro de nós, a soberba que nos leva a pensar que somos super-homens, é o momento de dizer que não, de dizer que o nosso único triunfo há-de ser o da humildade.
Assim nos identificaremos com Cristo na Cruz, não aborrecidos ou inquietos, nem com mau humor, mas alegres, porque essa alegria, o esquecimento de nós mesmos, é a melhor prova de amor.

20
           
Permiti-me que volte de novo à naturalidade, à simplicidade da vida de Jesus, que já vos tenho feito considerar tantas vezes.
Esses anos ocultos do Senhor não são coisa sem significado, nem uma simples preparação dos anos que viriam depois, os da sua vida púbica.
Desde 1928 compreendi claramente que Deus deseja que os cristãos tomem exemplo de toda a vida do Senhor.
Entendi especialmente a sua vida escondida, a sua vida de trabalho corrente no meio dos homens: o Senhor quer que muitas almas encontrem o seu caminho nos anos de vida calada e sem brilho. Obedecer à vontade de Deus, portanto, é sempre sair do nosso egoísmo; mas não tem por que se traduzir no afastamento das circunstâncias ordinárias da vida dos homens, iguais a nós pelo seu estado, pela sua profissão, pela sua situação na sociedade.
Sonho - e o sonho já se tornou realidade - com multidões de filhos de Deus santificando-se na sua vida de cidadãos correntes, compartilhando ideais, anseios e esforços com as outras pessoas. Preciso de lhes gritar esta verdade divina: se permaneceis no meio do mundo, não é porque Deus se tenha esquecido de vós; não é porque o Senhor vos não tenha chamado; convidou-vos a permanecer nas actividades e nas ansiedades da Terra, porque vos fez saber que a vossa vocação humana, a vossa profissão, as vossas qualidades não só não são alheias aos seus desígnios divinos, mas que Ele as santificou como oferenda gratíssima ao Pai!

21 
          
Recordar a um cristão que a sua vida não tem outro sentido senão o de obedecer à vontade de Deus não é separá-lo dos outros homens. Pelo contrário: em muitos casos, o mandamento recebido do Senhor de que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou cumpre-se vivendo junto dos outros e tal como os outros, entregando-nos ao serviço do Senhor no mundo, para dar a conhecer melhor a todas as almas o amor de Deus; para lhes dizer que se abriram os caminhos divinos da terra.

O Senhor não se limitou a dizer que nos amava, mas demonstrou-o com obras.
Não nos esqueçamos de que Jesus Cristo encarnou para nos ensinar, para aprendermos a viver a vida dos filhos de Deus.
Recordai o preâmbulo do evangelista S. Lucas nos Actos dos Apóstolos: Primum quidem sermonem feci de omnibus, o Theophile, quae coepit Jesus facere et docere, falei de tudo o que mais notável fez e pregou Jesus.
Veio ensinar, mas fazendo; veio ensinar, mas sendo modelo, sendo o Mestre e o exemplo, com a sua conduta.
Agora, diante de Jesus Menino, podemos continuar o nosso exame pessoal: estamos decididos a procurar que a nossa vida sirva de modelo e de ensinamento aos nossos irmãos, aos nossos iguais, os homens?
Estamos decididos a ser outros Cristos?
Não basta dizê-lo com a boca. Tu - pergunto-o a cada um de vós e pergunto-o a mim mesmo - tu, que por seres cristão estás chamado a ser outro Cristo, mereces que se repita de ti que vieste facere et docere, fazer tudo como um filho de Deus, atento à vontade de seu Pai, para que deste modo possas levar todas as almas a participar das coisas boas, nobres, divinas e humanas, da Redenção?
Estás a viver a vida de Cristo na tua vida de cada dia no meio do mundo?

Fazer as obras de Deus não é um bonito jogo de palavras, mas um convite a gastar-se por Amor.
Temos de morrer para nós mesmos a fim de renascermos para uma vida nova.
Porque assim obedeceu Jesus, até à morte de Cruz, mortem autem crucis. Propter quod et Deus exaltavit illum.
Por isso Deus O exaltou.
Se obedecermos à vontade de Deus, a Cruz será também Ressurreição, exaltação. Cumprir-se-á em nós, passo a passo, a vida de Cristo; poder-se-á afirmar que vivemos procurando ser bons filhos de Deus, que passamos fazendo o bem, apesar da nossa fraqueza e dos nossos erros pessoais, por mais numerosos que sejam.

E quando vier a morte, que virá inexoravelmente, esperá-la-emos com júbilo, como tenho visto que o souberam fazer tantas pessoas santas no meio da sua existência diária.
Com alegria, porque, se imitámos Cristo em fazer o bem, - em obedecer e levar a Cruz, apesar das nossas misérias - ressuscitaremos como Cristo; surrexit Dominus vere!, que ressuscitou realmente.

Jesus, que se fez menino - meditai nisto - venceu a morte.
Com o aniquilamento, com a simplicidade, com a obediência, com a divinização da vida corrente e vulgar das criaturas, o Filho de Deus foi vencedor!

Este foi o triunfo de Jesus Cristo.
Assim nos elevou ao seu nível, ao nível dos filhos de Deus, descendo ao nosso terreno, ao terreno dos filhos dos homens.

22
           
Estamos no Natal.
Acodem-nos à memória os diversos factos e circunstâncias que rodearam o nascimento do Filho de Deus e o olhar detém-se na gruta de Belém, no lar de Nazaré. Maria, José, Jesus Menino ocupam de modo muito especial o centro do nosso coração.
Que diz, que nos ensina a vida, simples e admirável ao mesmo tempo, dessa Sagrada Família?

Entre as muitas considerações que poderíamos fazer, agora quero escolher sobretudo uma.
Como refere a Escritura, o nascimento de Jesus significa o início da plenitude dos tempos, o momento escolhido por Deus para manifestar plenamente o seu amor aos homens, entregando-nos o seu próprio Filho.
Essa vontade divina realiza-se no meio das circunstâncias mais normais e correntes: uma mulher que dá à luz, uma família, uma casa.
A omnipotência divina, o esplendor de Deus passam através das coisas humanas, unem-se às coisas humanas.
Desde esse momento, nós, os cristãos, sabemos que, com a graça do Senhor, podemos e devemos santificar todas as realidades sãs da nossa vida.
Não há situação terrena, por mais pequena e vulgar que pareça, que não possa ser a ocasião de um encontro com Cristo e uma etapa da nossa caminhada para o Reino dos Céus.

Por isso, não é de estranhar que a Igreja se alegre, que rejubile, contemplando a modesta morada de Jesus, Maria e José.
É grato - reza-se no Hino de matinas desta festa - recordar a pequena casa de Nazaré e a existência simples que ali se vive, celebrar com cânticos a singeleza que rodeia Jesus, a sua vida escondida.
Foi ali que, ainda criança, aprendeu o ofício de José; foi ali que cresceu em idade e partilhou o trabalho de artesão.
Junto d'Ele, sentava-se a sua doce Mãe; junto a José, vivia a sua Esposa bem-amada, feliz por poder ajudá-lo e prestar-lhe os seus cuidados.

Ao pensar nos lares cristãos, gosto de imaginá-los luminosos e alegres, como foi o da Sagrada Família.
A mensagem de Natal ressoa com toda a força: Glória a Deus no mais alto dos Céus e paz na terra aos homens de boa vontade.
Que a Paz de Cristo triunfe nos vossos corações, escreve o Apóstolo. Paz por nos sabermos amados pelo nosso Pai, Deus, incorporados em Cristo, protegidos pela Virgem Santa Maria, amparados por S. José. Esta é a grande luz que ilumina as nossas vidas e que, perante as dificuldades e misérias pessoais, nos impele a seguir animosamente para diante.
Cada lar cristão deveria ser um remanso de serenidade, em que se notassem, por cima das pequenas contrariedades diárias, um carinho e uma tranquilidade, profundos e sinceros, fruto de uma fé real e vivida.

(cont)


12/10/2014

Evangelho diário, coment. e leit espiritual (Enc. Octobri mense Leão XIII)

Tempo comum XXIII Semana

Evangelho: Mt 22 1-14

1 Jesus, tomando a palavra, voltou a falar-lhes em parábolas ,2 dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que preparou o banquete de bodas para seu filho. 3 Mandou os seus servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram ir. 4 Enviou de novo outros servos, dizendo: “Dizei aos convidados: Eis que preparei o meu banquete, os meus touros e animais cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às núpcias”. 5 Mas eles desprezaram o convite e foram-se, um para a sua casa de campo e outro para o seu negócio. 6 Outros lançaram mão dos servos que ele enviara, ultrajaram-nos e mataram-nos. 7 «O rei, tendo ouvido isto, irou-se e, enviando os seus exércitos, exterminou aqueles homicidas, e incendiou-lhes a cidade. 8 Então disse aos servos: “As bodas, com efeito, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. 9 Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e a quantos encontrardes convidai-os para as núpcias”. 10 Tendo saído os seus servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala das bodas ficou cheia de convidados. 11 «Entrando depois o rei para ver os que estavam à mesa, viu lá um homem que não estava vestido com o traje nupcial. 12 E disse-lhe: “Amigo, como entraste aqui, não tendo o traje nupcial?”. Ele, porém, emudeceu. 13 Então o rei disse aos seus servos: “Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas lá de fora, aí haverá choro e ranger de dentes. 14 Porque são muitos os chamados mas poucos os escolhidos”».

Comentário:

A frase com que São Mateus termina este seu texto, dá-nos que pensar! Que queria Jesus dizer com tal?

De facto, muitos recebem a vocação para seguir Cristo mais de perto e, muitos, correspondem tentando santificar a sua vida que outra coisa não é que fazer, em tudo, a Justíssima e Amabilíssima Vontade de Deus.

Mas, desses, só uma ínfima parte é escolhida para O seguir de muito mais perto, colocando-se ao Seu serviço, entregando-lhe toda a sua vida.


Estes ‘escolhidos’ são as pedras onde Cristo assenta a Sua Igreja, os guias do Seu rebanho, os que têm o poder de «atar e desatar» os vínculos que unem os homens ao Criador, e, sobretudo, os que na Santa Missa perpetuam a Sua presença real e substancial em Corpo, Alma e Divindade ao consagrarem o pão e o vinho tal como Ele, pela primeira vez na Última Ceia, o fez.

(ama, comentário sobre Mt 22, 1-14, 2012.08.23)

Leitura espiritual


Documentos do Magistério
CARTA ENCÍCLICA
OCTOBRI MENSE
DE SUA SANTIDADE
PAPA LEÃO XIII
A TODOS OS NOSSOS VENERÁVEIS
IRMÃOS, OS PATRIARCAS,
PRIMAZES, ARCEBISPOS
E BISPOS DO ORBE CATÓLICO,
EM GRAÇA E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

SOBRE O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA

Veneráveis Irmãos,
Saúde e Bênção Apostólica.

Convite ao Rosário

1. Ao aproximar-se o mês de Outubro, já agora consagrado à beatíssima Virgem, é para Nós coisa sumamente grata relembrar as solícitas recomendações que, nos anos precedentes, vos dirigimos, ó Veneráveis Irmãos, a fim de que em toda parte os fiéis, impelidos pelo vosso zelo autorizado, se volvessem, com reavivada piedade, para a grande Mãe de Deus, para a poderosa auxiliadora do povo cristão, a ela recorrendo suplicantes, durante o mês inteiro, com o rito do santo Rosário: Rosário que a Igreja habitualmente usou e divulgou, sobretudo nos tempos mais tempestuosos, e sempre com o desejado êxito.

2. Temos a peito manifestar-vos, também este ano, o mesmo desejo, e renovar-vos a mesma exortação. Impele-nos a isto urgentemente, e a isso nos estimula, o Nosso amor à Igreja, cujas angústias, antes que se aligeirarem, crescem cada dia mais em número e em aspereza.

Males que afligem a Igreja

3. De todos são conhecidos os males que Nós deploramos: a luta desapiedada contra os sagrados e intangíveis dogmas, que a Igreja guarda e transmite, a zombaria da integridade da virtude cristã, que a Igreja defende, a trama de calúnias de mil modos urdidas, o ódio fomentado contra a sagrada ordem dos bispos, e principalmente contra o Romano Pontífice, os ataques dirigidos, com a mais impudente audácia e a criminosa impiedade, contra a própria divindade de Cristo, no intuito de extirpar pelas raízes e de destruir a obra divina da Redenção, que força alguma poderá jamais destruir nem cancelar.

4. Estes ataques não são, certamente, uma novidade para a Igreja militante. Porquanto, depois do aviso dado por Cristo aos Apóstolos, ela sabe que, para instruir os homens no caminho da verdade e guiá-los à salvação eterna, deve todo dia descer a campo e travar combate. E, na realidade, nos séculos sempre lutou intrepidamente até ao martírio, considerando como sua precípua alegria e glória o poder unir o seu sangue ao do seu Fundador: no qual está depositada a segura esperança da prometida vitória.

5. Por outra parte, entretanto, não podemos ocultar-vos o profundo senso de tristeza que penetra os melhores, ante esta contínua tensão de batalha. De facto, é motivo de imensa tristeza ver o grande número dos que, pela perversidade dos erros e por esta insolente atitude contra Deus, são arrastados para longe e impelidos para o abismo, o grande número dos que, pondo num mesmo plano todas as formas de religião, pode-se dizer que já estão na iminência de abandonar a fé divina, o número notável dos que são cristãos só de nome, e não cumprem os deveres da sua fé.

E ainda mais nos aflige e nos atormenta o ânimo, o considerarmos que a causa principal de tais ruinosos e deploráveis males está na exclusão completa da Igreja das ordenações sociais, enquanto de propósito se hostiliza a sua salutar influência. E nisto é de reconhecer um grande e merecido castigo de Deus, o qual cega miseravelmente as nações que se afastam d’Ele.

A necessidade da oração

6. Este estado de coisas mostra, com evidência sempre maior, o quanto é necessário que os católicos orem e supliquem a Deus com fervor e perseverança "sem nunca cessar" (1Tim 5, 17), e não somente em particular, porém ainda mais em público. Reunidos nos sagrados templos, conjurem Deus a dignar-Se, na sua infinita bondade, livrar a sua Igreja "dos homens insolentes e malvados" (2 Tim 3, 2), e a reconduzir os povos ao caminho da salvação e da razão, na luz e no amor de Cristo.

7. Espectáculo incrível e maravilhoso! Enquanto o mundo percorre o seu caminho tormentoso, fiado nas suas riquezas, na sua força, nas suas armas e no seu engenho, a Igreja, com passo veloz e seguro, atravessa os séculos, depositando a sua confiança somente em Deus, a quem, de dia e de noite, ergue o olhar e estende as mãos súplices. Porque, embora na sua prudência não desdenhe os socorros humanos que, pela bondade divina, os tempos lhe oferecem, todavia não é nestes meios que deposita a sua principal esperança, mas sim na oração, colectiva e insistente, elevada ao seu Deus. Nesta fonte ela alimenta e fortifica a sua vida, porque, elevando-se, mediante a oração assídua, acima das vicissitudes humanas, e mantendo-se constantemente unida a Deus, é-lhe dado viver, plácida e tranquila, da própria vida de Cristo. E nisto é fiel imagem de Cristo, a quem o horror dos tormentos, sofridos pelo nosso bem, nada diminuiu nem tirou da beatíssima luz e da felicidade que lhe são próprias.

Exemplos de oração na Sagrada Escritura

8. Este grande ensinamento do cristianismo sempre foi escrupulosamente praticado pelos cristãos dignos deste nome. Quando à Igreja ou a quem lhe regia os supremos destinos estava iminente algum perigo, mercê da perfídia e da violência de homens perversos, então com maior insistência e frequência elevavam os cristãos as suas preces a Deus.

9. De tal costume achamos luminoso exemplo nos fiéis da Igreja nascente, exemplo digno de ser proposto à imitação de todos os pósteros. Pedro, Vigário de Cristo, Pontífice supremo de toda a Igreja, por ordem do ímpio Herodes fora lançado no cárcere, e destinado a morte certa. Ninguém estava em condições de lhe levar auxílio para o subtrair àquele perigo. Mas não faltava esse auxílio único que a oração devota sabe obter de Deus. Como nos testemunha a Sagrada Escritura, a Igreja elevava a Deus fervorosíssimas preces por ele: "Mas a Igreja fazia a Deus contínuas preces por ele" (At 12, 5). E tanto mais ardente se tornava o empenho da sua oração, quanto mais grave era a angústia que eles experimentavam por aquela desventura. Todos sabem que essas preces foram atendidas. Antes, todos os anos o povo cristão celebra sempre com agradecida alegria a lembrança da miraculosa libertação de S. Pedro.

10. Outro exemplo, ainda mais luminoso, antes divino, dá-no-lo o próprio Cristo, que se propusera encaminhar e formar na perfeição a sua Igreja não só com os novos preceitos, mas também com a sua vida. Durante e curso de toda a sua vida dedicara-Se mui frequente e longamente à oração.

Mas, nas suas horas supremas, quando, no horto de Getsémani, a sua alma foi invadida por uma angústia imensa e oprimida por uma tristeza mortal, Ele não somente orava, porém "orava mais intensamente" (Lc 22, 43). E Ele fez isto não para Si mesmo, pois, como Deus, nada podia temer e de nada precisava, mas fê-lo para nossa vantagem, e para vantagem da sua Igreja, cujas orações futuras e futuras lágrimas desde então Ele generosamente fazia suas, tornando fecundas umas e outras com a sua graça.

Maria mediadora de todas as graças

11. Mas, depois que, por virtude do mistério da Cruz, foi realizar a salvação do género humano, e depois que, com o triunfo de Cristo, a Igreja foi plenamente constituída dispensadora da sua salvação, desde então a Providência preparou e estabeleceu para este novo povo uma ordem nova.

12. As disposições da divina Sabedoria devem ser olhadas com profunda veneração. O Filho eterno de Deus, querendo assumir a natureza humana para redimi-la e nobilitá-la, e portanto para contrair um místico consórcio com o género humano, não deu cumprimento a este seu desígnio senão depois de obter o livre consentimento daquela que fora designada para sua Mãe, e que, em certo sentido, representava todo o género humano, segundo a célebre e veracíssima sentença do Aquinate: "Por meio da Anunciação aguardava-se o consentimento da Virgem, em nome e em representação de toda a natureza humana" (S. Tomás, 3, q. 30, a. 1).

Por consequência, pode com toda verdade e rigor afirmar-se que, por divina disposição, nada nos pode ser comunicado, do imenso tesouro da graça de Cristo - sabe-se que "a glória e a verdade vieram de Jesus Cristo" (Jo 1, 17), - senão por meio de Maria. De modo que, assim como ninguém pode chegar-se ao Pai Supremo senão por meio do Filho, assim também, ordinariamente, ninguém pode chegar-se a Cristo senão por meio de sua Mãe.

13. Quanta sabedoria e misericórdia resplandece nesta disposição da Divina Providência! Que compreensão da debilidade e fragilidade humana! De facto, nós cremos na infinita bondade de Cristo, e por ela lhe rendemos louvor, mas também cremos na sua infinita justiça, e desta temos temor. Sentimos uma profunda gratidão pelo amor do Salvador, que por nós deu generosamente o seu Sangue e a sua vida, mas, ao mesmo tempo, tememo-lo no seu carácter de juiz inexorável. Apreensivos pela consciência dos nossos pecados, precisamos, por isto, de um intercessor e de um patrono que, de um lado, goze em alto grau do favor divino, e, de outro, seja de ânimo tão benévolo que a ninguém recuse o seu patrocínio, nem mesmo os mais desesperados, e ao mesmo tempo infunda confiança na divina clemência àqueles que, abatidos, jazem no desconforto.

Mãe de Deus e Mãe dos homens

14. Pois bem: essa eminentíssima criatura é justamente Maria: certamente Ela é poderosa, porque é Mãe de Deus onipotente, porém - o que é mais consolador - é amorosa, de uma extrema benevolência, de uma indulgência sem limites. Tal no-la deu o próprio Deus, que, havendo-a escolhido para Mãe de seu Unigénito, lhe infundiu, por isso mesmo, sentimentos requintadamente maternos, capazes somente de bondade e de perdão. Tal no-la mostrou Jesus, quer quando consentiu em ser sujeito e obedecer a Maria, como um filho a sua mãe, quer quando, do alto da Cruz, confiou às suas amorosas solicitudes todo o género humano, na pessoa do discípulo João. Tal, enfim, se mostrou ela própria quando, acolhendo generosamente a pesada herança que lhe deixava seu Filho moribundo, desde aquele momento começou a cumprir, para com todos, os seus deveres de Mãe.

O recurso a Maria na tradição cristã

15. Este plano de terna misericórdia executado por Deus em Maria e ractificado por Cristo com a sua última vontade, foi desde o início compreendido com imensa alegria pelos santos Apóstolos e pelos primeiros fiéis, foi compreendido e ensinado pelos venerandos Padres da Igreja, foi concordemente compreendido, em todos os tempos, pelo povo cristão. E mesmo quando a tradição e a literatura se calassem, esta verdade seria igualmente atestada com grandíssima eloquência pela voz que irrompe do coração de cada cristão.

Sem uma fé divina não se explicaria o imperioso impulso que nos impele e docemente nos arrasta para Maria, o vivo desejo, ou, melhor, a necessidade que sentimos de procurar refúgio na protecção e no auxílio daquela a quem podemos confiar plenamente os nossos projectos e as nossas acções, a nossa inocência e o nosso pensamento, os nossos tormentos e as nossas alegrias, as nossas preces e os nossos votos, em suma todas as nossas coisas, a doce esperança e a confiança, por nós nutridas, de que aquilo que seria menos aceite por Deus, porque apresentado por nós, indignos pecadores, poderá tornar-se-lhe agradabilíssimo se o confiarmos a sua Mãe Santíssima.

Quanto mais a alma se alegra com a verdade e suavidade destes pensamentos, outro tanto se entristece por causa daqueles que, privados da fé divina, não honram Maria: antes, não a consideram nem mesmo como Mãe. E ainda mais se contrista o Nosso coração por causa daqueles que, embora participantes da santa fé, ousam acusar os bons de excessivo e exagerado culto para com Maria, ofendendo com isto grandemente a piedade filial.

16. Portanto, no meio da tempestade de males que tão duramente atormentam a Igreja, todos os devotos filhos desta mesma Igreja veem claramente que urgente dever têm de orar insistentemente a Deus onipotente, e, sobretudo, de que modo devem aplicar-se a isso para que as suas preces tenham máxima eficácia. Seguindo o exemplo de nossos piedosíssimos pais e antepassados, recorramos a Maria, nossa santa Rainha, e, concordemente, supliquemos a Maria, Mãe de Jesus Cristo e Mãe nossa: "Mostra-te nossa Mãe, e por meio de ti acolha nossas preces Aquele que, nascido para nós, quis ser teu Filho" (Da sagrada liturgia).

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





21/08/2014

Evang.; Coment.; Leit. Esp. (Magistério - Ratzinguer)

Tempo comum XX Semana

Evangelho: Mt 22, 1-14

1 Jesus, tomando a palavra, voltou a falar-lhes em parábolas ,2 dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que preparou o banquete de bodas para seu filho. 3 Mandou os seus servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram ir. 4 Enviou de novo outros servos, dizendo: “Dizei aos convidados: Eis que preparei o meu banquete, os meus touros e animais cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às núpcias”. 5 Mas eles desprezaram o convite e foram-se, um para a sua casa de campo e outro para o seu negócio. 6 Outros lançaram mão dos servos que ele enviara, ultrajaram-nos e mataram-nos. 7 «O rei, tendo ouvido isto, irou-se e, enviando os seus exércitos, exterminou aqueles homicidas, e incendiou-lhes a cidade. 8 Então disse aos servos: “As bodas, com efeito, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. 9 Ide, pois, às encruzilhadas dos caminhos e a quantos encontrardes convidai-os para as núpcias”. 10 Tendo saído os seus servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala das bodas ficou cheia de convidados. 11 «Entrando depois o rei para ver os que estavam à mesa, viu lá um homem que não estava vestido com o traje nupcial. 12 E disse-lhe: “Amigo, como entraste aqui, não tendo o traje nupcial?”. Ele, porém, emudeceu. 13 Então o rei disse aos seus servos: “Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas lá de fora, aí haverá choro e ranger de dentes. 14 Porque são muitos os chamados mas poucos os escolhidos”».

Comentário:

Talvez que estes sejam os pecados que mais magoam o Coração de Jesus, Ele que se deixou ficar humildissimamente sob as espécies do pão tratado de forma tão soez e desprezível.

Tenhamos consciência destas gravíssimas faltas e desagravemos o Senhor na Eucaristia e, simultaneamente, peçamos por todos esses que não sabem - ou não querem saber - da reverência, amor e profundo respeito devidos à Santíssima Eucaristia.

(ama, Meditação, Mt 22, 1-14, 2011.10.09)

Leitura espiritual



Magistério

cardeal joseph ratzinger

Algumas perguntas pessoais

…/13

Comunismo.

Os sistemas comunistas fracassaram por causa do seu falso dogmatismo económico. Mas passa-se por alto com demasiada complacência o facto de que naufragaram principalmente pelo seu desprezo dos direitos humanos, pela sua subordinação da moral às exigências do sistema e às suas promessas de futuro.

A verdadeira catástrofe que provocaram não é de natureza económica; consiste no ressecamento das almas, na destruição da consciência moral. Vejo isto como um problema essencial do momento presente [...]: ninguém põe em dúvida o naufrágio económico [do comunismo], e por isso os ex-comunistas, sem duvidar um só momento, fizeram-se liberais em economia. Mas a problemática moral e religiosa, o problema de fundo, permanece quase que totalmente posto de lado.

A problemática deixada atrás de si pelo marxismo continua a existir hoje: a dissolução das certezas primordiais do homem sobre Deus, sobre si mesmo e sobre o universo. Esta dissolução da consciência dos valores morais intangíveis é o nosso problema neste exacto momento [i].

Teologia da libertação e teologia da reconciliação.

Em anos passados, a Congregação para a Doutrina da Fé [...] teve de ocupar-se longamente dos problemas suscitados pela chamada teologia da libertação. Em resposta a ela, falou-se de uma teologia da reconciliação.

Vejo o fundamento [dessa teologia da reconciliação] no texto, tão importante, da segunda Epistola aos Coríntios, de São Paulo, no capítulo quinto, em que se faz um resumo da mensagem cristã; de acordo com esse texto, "nós, os Apóstolos, somos mensageiros de Deus e em nome de Deus pedimos para ser reconciliados com Deus, em Cristo" (cfr. 2 Cor 5, 11-21).

Por conseguinte, a Redenção, o Evangelho, é reconciliação com Deus. E temos que dizer que a alienação do homem consiste na sua carência de conciliação consigo mesmo, na sua divisão interior; e que é impossível a sua conciliação consigo mesmo se não estiver em paz com Deus, já que Deus é mais íntimo ao homem do que ele próprio.

É por isso que apenas o ser humano reconciliado consigo mesmo pode estar em paz com os outros. Isto depende em todo o momento de uma paz fundamental, proveniente de se estar reconciliado com Deus. Só quem está em conciliação consigo mesmo supera a alienação e, como consequência, atinge a libertação.

Neste sentido, a reconciliação profunda com o ser e, por conseguinte, com Deus e consigo mesmo, é o fundamento de toda a liberdade e de toda a capacidade de reconciliação, de que se possa viver em paz e encontrar uma justa ordem de relações [...].
Penso, na realidade, que as ideias equivocadas de liberdade e toda a tendência a auto-gerar um novo tipo de ser é produto de uma profunda falta de conciliação do homem consigo próprio, com o ser em si mesmo, e por isso leva à identificação com um ser contrário à realidade de Deus, que é negada porque não se encontra a paz com Ele.

Parece-me, por outro lado, que aqui se descobre o fundamento de um novo conceito positivo de liberdade e de paz, a partir do qual poderia elaborar-se toda uma teologia da liberdade e da paz, embebida na riqueza da Cristologia e da autêntica Eclesiologia [ii].

New Age.

A reedição de religiões e cultos pré-cristãos, que hoje se procura fazer com frequência, tem muitas explicações. Se não existe a verdade comum, vigente precisamente porque é verdadeira, o cristianismo passa a ser somente algo importado de fora, um imperialismo espiritual que se deve sacudir com não menos força que o político. Se os sacramentos não proporcionam o contacto com o Deus vivo de todos os homens, então não são mais que rituais vazios que não nos dizem nada nem nos dão nada, e, quando muito, nos permitiriam perceber o mistério que reina em todas as religiões. [...]

Mas, sobretudo, se a "sóbria embriaguez" do mistério cristão não consegue embriagar-nos de Deus, então é preciso recorrer à embriaguez real de êxtases forçados, cuja paixão nos arrebata e nos converte - ao menos por uns instantes - em "deuses", e nos permite perceber por alguns momentos o prazer do infinito e esquecer a miséria do finito [iii].

Ecologia e cristianismo.

Parece-me claro que, de facto, é o homem que ameaça retirar o sopro vital à natureza. E que a poluição do ambiente exterior que observamos é o espelho e o resultado da poluição do ambiente interior, à qual não prestamos suficiente atenção. Julgo que é também o que falta aos movimentos ecológicos.

Combatem com uma paixão compreensível e justificada a poluição do ambiente; mas a poluição espiritual que o homem provoca em si mesmo continua a ser tratada como um dos direitos da liberdade. Há aqui uma incoerência. Queremos afastar a poluição mensurável, mas não tomamos em consideração a poluição espiritual do homem e a figura da Criação que nele se encontra [...]; muito pelo contrário, defendemos tudo o que a arbitrariedade humana produz, com base num conceito completamente falso de liberdade.

Enquanto sustentarmos essa caricatura de liberdade, quer dizer, a liberdade de uma destruição espiritual interior, continuarão inexoravelmente os seus efeitos exteriores.

Julgo que devemos refletir sobre isto. Não é apenas a natureza, que tem as suas regras e as suas formas de vida, que temos de respeitar, se quisermos viver dela e nela, mas também o homem, que é interiormente uma criatura e está sujeito à ordem da Criação: não pode fazer de si mesmo tudo o que quiser, como lhe apetecer. Para que o homem possa viver a partir do interior, tem de aprender a reconhecer-se como criatura e tem de tomar consciência de que nele deve existir, por assim dizer, a pureza interior devida ao facto de ser criatura: a ecologia espiritual. Se este elemento fundamental da ecologia não for compreendido, tudo o mais se desenvolverá num sentido negativo.

A Epístola aos Romanos diz isso muito claramente no capítulo oitavo. Diz que Adão, ou seja, o homem interiormente poluído, trata a criação como um escravo, a espezinha; a criação geme sob ele, por causa dele, através dele. E hoje ouvimos o gemido da criação como nunca antes o tínhamos ouvido. São Paulo acrescenta que a criação espera a manifestação dos filhos de Deus e que respirará aliviada quando surgirem pessoas nas quais transpareça a luz de Deus. Só então a criação poderá voltar a respirar [iv].


Questões morais em discussão


Matrimónio e família.

O matrimónio monogâmico constituiu o princípio ordenador fundamental das relações entre homem e mulher, bem como a célula da formação comunitária do Estado a partir da fé bíblica. Tanto a Europa Ocidental como a Oriental moldaram a sua História e a sua concepção do homem a partir de noções de fidelidade e comunhão muito bem definidas. [...]
A Declaração dos Direitos Fundamentais fala do direito ao matrimónio, mas não prevê nenhuma proteção jurídica e moral específica para ele nem o define com mais precisão. No entanto, todos sabemos quão ameaçados estão o matrimónio e a família. Por um lado, pela corrosão da sua indissolubilidade através de formas cada vez mais fáceis de divórcio; por outro, pela nova prática, cada vez mais comum, da convivência entre homem e mulher sem a forma jurídica do matrimónio.

Há ainda, em clara contraposição a isso, as exigências dos casais homossexuais, que, paradoxalmente, reivindicam uma forma jurídica mais ou menos igual à do matrimónio.

Tal tendência representa o abandono de toda a história moral da humanidade, que sempre soube que o matrimónio, apesar das suas variadas formas jurídicas, é a convivência entre homem e mulher, aberta aos filhos e, portanto, à família. Não se trata de discriminação, mas daquilo que o ser humano é como homem e como mulher, e de como se configura juridicamente a relação mútua entre um homem e uma mulher. Se por um lado essa relação se afasta cada vez mais da sua forma jurídica, e se por outro a união homossexual é vista cada vez mais como igual ao matrimónio, encontramo-nos diante de uma dissolução da imagem do ser humano cujas consequências podem ser extremamente graves [v].

Aborto.

Nem todas as matérias morais têm o mesmo peso que o aborto e a eutanásia.

Por exemplo, se um católico discordasse do Santo Padre quanto à pena de morte ou à guerra, não seria considerado indigno de apresentar-se para receber a Sagrada Comunhão.
Embora a Igreja exorte as autoridades civis a buscar a paz, e não a guerra, e a exercer a prudência e misericórdia ao castigar os criminosos, ainda seria lícito recorrer à pena capital ou pegar em armas para repelir um agressor. Pode haver uma legítima diversidade de opinião entre os católicos a respeito da guerra e da pena de morte, mas não a respeito do aborto e da eutanásia.

Quando é manifesta a cooperação formal de uma pessoa com o grave pecado do aborto ou da eutanásia (por exemplo, no caso de um político católico, fazer campanha e votar sistematicamente a favor de leis que os legalizem), o pároco deve procurar essa pessoa, explicar-lhe os ensinamentos da Igreja a esse respeito e informá-la de que não deve apresentar-se para receber a Sagrada Comunhão enquanto não sair dessa situação objectiva de pecado, advertindo-a de que, caso contrário, a Eucaristia lhe será negada [vi].

Medo da maternidade.

Há um medo da maternidade que se apodera de grande parte dos nossos contemporâneos.
Esse medo sinaliza algo mais profundo: o outro [o filho] converte-se num adversário que se apossa de uma parte da minha vida, numa ameaça para o meu ser, para o meu livre desenvolvimento. Hoje não há uma filosofia do amor, mas apenas uma filosofia do egoísmo. [...] A possibilidade de enriquecer-me na entrega, de reencontrar-me a partir do outro e através do meu ser para o outro, é rejeitada como uma visão idealista.
É exatamente aqui que o homem se engana.

Desaconselha-se o amor. Em última análise, desaconselha-se ser homem [vii].

Controle da natalidade.

Há um estranho desinteresse pelo futuro. As crianças, que são o futuro, são vistas como uma ameaça para o presente; pensa-se que elas tiram algo da nossa vida. Não são mais consideradas uma esperança, mas um limite ao presente. É inevitável a comparação com o Império Romano decadente, que, embora ainda funcionasse como uma grande moldura histórica, já vivia, na prática, pelas acções daqueles que o iam liquidar, pois já não tinha energia vital em si mesmo [viii].

Homossexuais.

A homossexualidade é um tema relacionado com o amor entre duas pessoas e não apenas com a sexualidade. O que a Igreja pode fazer para compreender esse fenómeno?

Eu diria que duas coisas.
Em primeiro lugar, devemos ter um grande respeito por essas pessoas, que também sofrem e querem viver de um modo digno.
Por outro lado, compreender que a criação de uma forma jurídica mais ou menos semelhante ao matrimónio na verdade não as ajudaria.

Portanto, o senhor considera negativa a medida adotada pelo governo da Espanha? [a equiparação das uniões homossexuais com o matrimónio].

Sim, porque destrói a família e a sociedade.
O Direito cria a moral ou uma forma de moral, já que a população habitualmente julga que o que o Direito afirma é moralmente lícito. E se considerarmos essa união mais ou menos equivalente ao matrimónio, construiremos uma sociedade que já não reconhece o que é particular à família nem o seu caráter fundamental, isto é, o seu caráter de algo próprio do homem e da mulher, que tem o objetivo de dar continuidade - e não apenas no sentido biológico – à humanidade. Por isso, a medida adotada na Espanha não traz verdadeiro benefício aos homossexuais, uma vez que destrói os elementos fundamentais de uma ordem de direito.

A Igreja já se viu derrotada algumas vezes pelo facto de dizer "não" [,..]. Não seria possível, pelo menos, um pacto de solidariedade, reconhecido e protegido pela lei, entre dois homossexuais?

Institucionalizar um acordo desse tipo - quer o legislador queira, quer não - pareceria, aos olhos da opinião pública, como que uma nova forma de matrimónio, que passaria inevitavelmente a assumir um valor relativo. Em contrapartida, não se pode esquecer que as decisões para as quais tende hoje uma Europa por assim dizer decadente, separam-nos de todas as grandes culturas da humanidade, que sempre reconheceram o significado específico da sexualidade: que o homem e a mulher foram criados para serem, unidos, a garantia do futuro da humanidade. Garantia não apenas física, mas também moral [ix].

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





Notas:
[i] Fundamentos espirituales de Europa
[ii] Entrevista a Jaime Antúnez Aldunate
[iii] Conferência no encontro de presidentes de comissões episcopais da América Latina para a doutrina da fé, Guadalajara (México), nov 1996
[iv] O sal da terra, págs. 183-184
[v] Europa, Politik unâ Religion, conferência em Berlim a 28.11.2000, publ.em Neue Revue, Jan-Fev 2001
[vi] Carta aos bispos dos Estados Unidos, Julho de 2004
[vii] Avvennire, set 2000
[viii] Europa, Politik und Religion
[ix] El laicismo está poniendo eu peligro la libertad religiosa