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31/07/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual



Tempo comum XVII Semana


Evangelho: Mt 13, 54-58

54 E, indo para a Sua terra, ensinava nas sinagogas, de modo que se admiravam e diziam: «Donde Lhe vem esta sabedoria e estes milagres? 55 Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama Sua mãe Maria, e Seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde, pois, Lhe vêm todas estas coisas?». 57 E estavam perplexos a Seu respeito. Mas Jesus disse-lhes: «Não há profeta sem prestígio a não ser na sua terra e na sua casa». 58 

Comentário:

Quantas vezes este aforismo não é invocado por uns e outros para se eximirem ao apostolado?

Uns porque dizem para si mesmos: conhecem-me, ninguém acreditará em mim; outros aduzem: a este conheço-o, donde lhe vem a sabedoria?

Os primeiros cedem ao respeito humano, os outros deixam-se levar pelos preconceitos.

(ama, meditação sobre Mt 13, 54-58, 2010.07.30)



Leitura espiritual




São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus

213
        
Às vezes, quando tudo nos acontece ao contrário do que imaginávamos, vem-nos espontaneamente à boca: Senhor, olha que se afunda tudo, tudo, tudo...!
Chegou a hora de rectificar: contigo, avançarei seguro, porque Tu és a própria fortaleza: quia tu es, Deus, fortitudo mea.

Roguei-te que, no meio das ocupações, procures levantar os teus olhos ao Céu perseverantemente, porque a esperança nos impele a agarrar-nos a essa mão forte que Deus nos estende sem cessar, com o fim de não perdermos o ponto de mira sobrenatural; isto também quando as paixões se levantam e nos acometem para nos aferrolharem no reduto mesquinho do nosso eu, ou quando - com pueril vaidade - nos sentimos o centro do universo.
Eu vivo persuadido de que, sem olhar para o alto, sem Jesus, jamais conseguirei nada; e sei que a minha fortaleza, para me vencer e para vencer, nasce de repetir aquele brado: tudo posso n'Aquele que me conforta, que contém a segura promessa de Deus de não abandonar os seus filhos, se os seus filhos não o abandonarem.

214
        
A miséria e o perdão

Tanto se aproximou o senhor das criaturas, que todos guardamos no coração fome de altura, ânsias de subir muito alto, de fazer o bem.
Se agora renovo em ti essas aspirações, é porque quero que te convenças da segurança que Ele pôs na tua alma: se o deixares actuar, servirás - onde estás - como instrumento útil, com uma eficácia insuspeitada.
Para que não te afastes por cobardia da confiança que Deus deposita em ti, evita a presunção de menosprezar ingenuamente as dificuldades que aparecerão no teu caminho de cristão.

Não temos de estranhar.
Trazemos em nós mesmos - consequência da natureza decaída - um princípio de oposição, de resistência à graça: são as feridas do pecado original, agravadas pelos nossos pecados pessoais.
Portanto, temos de empreender as ascensões, as tarefas divinas e humanas - as de cada dia - que sempre desembocam no Amor de Deus, com humildade, com coração contrito, fiados na assistência divina e dedicando os nossos melhores esforços, como se tudo dependesse de nós mesmos.

Enquanto pelejamos - uma peleja que durará até à morte - não excluas a possibilidade de que se levantem, violentos, os inimigos de fora e de dentro.
E, como se fosse pequeno o lastro, às vezes, acumular-se-ão na tua mente os erros cometidos, talvez abundantes.
Em nome de Deus te digo: não desesperes.
Quando isso suceder - não tem necessariamente que suceder, nem será o habitual - converte essa ocasião num motivo para te unires mais com o Senhor; porque Ele, que te escolheu como filho, não te abandonará.
Permite a prova, para que ames mais e descubras com mais clareza a sua contínua protecção, o seu Amor.

Insisto, tem ânimo, porque Cristo, que nos perdoou na Cruz, continua a oferecer o seu perdão no Sacramento da Penitência e sempre temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo.
Ele mesmo é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos mas também pelos de todo o mundo, para que alcancemos a Vitória.

Para a frente, aconteça o que acontecer!
Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas.
Se, por qualquer motivo, te afastas d'Ele, reage com a humildade de começar e de recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, inclusive repetidamente nas vinte e quatro horas do dia; de reconciliar o teu coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus.
Neste Sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e inunda-te de alegria e de força para não desanimares na tua luta e para voltares de novo sem cansaço a Deus, mesmo quando tudo te pareça obscuro.
Além disso, a Mãe de Deus, que é também nossa Mãe, protege-te com a sua solicitude maternal e dá-te confiança no teu caminhar.

215
        
Deus não se cansa de perdoar

A sagrada Escritura adverte que até o justo cai sete vezes. Sempre que leio estas palavras, a minha alma estremece com um forte abalo de amor e de dor.
Uma vez mais, vem o Senhor ao nosso encontro, com essa advertência divina, para nos falar da sua misericórdia, da sua ternura, da sua clemência, que nunca acabam.
Estai seguros: Deus não quer as nossas misérias, mas não as desconhece e conta precisamente com essas debilidades para que nos façamos santos.

Um abalo de amor, dizia-vos.
Considero a minha vida e, com sinceridade, vejo que não sou nada, que não valho nada, que não tenho nada, que não posso nada; mais: que sou o nada!
Mas Ele é o tudo e, ao mesmo tempo, é meu, e eu sou d'Ele, porque não me repele, porque se entregou por mim.
Contemplastes amor maior?

E um abalo de dor, pois examino a minha conduta e assombro-me perante o conjunto das minhas negligências.
Basta-me examinar as poucas horas decorridas desde que me levantei hoje, para descobrir tanta falta de amor, de correspondência fiel. Penaliza-me deveras este meu comportamento, mas não me tira a paz.
Prostro-me diante de Deus e exponho-lhe claramente a minha situação.
Logo tenho a segurança da sua assistência e oiço no fundo do meu coração o que ele me repete devagar: meus es tu!
Sabia - e sei - como és; para a frente!

Não pode ser de outra maneira.
Se acorrermos continuamente a pôr-nos na presença do Senhor, aumentará a nossa confiança, ao comprovarmos que o seu Amor e o seu chamamento permanecem actuais: Deus não se cansa de nos amar.
A esperança demonstra-nos que, sem Ele, não conseguimos realizar nem o mais pequeno dever; e com ele, com a sua graça, cicatrizarão as nossas feridas; revestir-nos-emos da sua fortaleza para resistir aos ataques do inimigo e melhoraremos.
Em resumo: a consciência de que somos feitos de barro ordinário há-de servir-nos, sobretudo, para afirmarmos a nossa esperança em Cristo Jesus.

216
         
Misturai-vos com frequência entre os personagens do Novo Testamento.
Saboreai aquelas cenas comovedoras em que o Mestre actua com gestos divinos e humanos ou relata, com frases humanas e divinas, a história sublime do perdão e do seu contínuo Amor pelos seus filhos. Esses reflexos do Céu renovam-se também agora na perenidade actual do Evangelho: palpa-se, nota-se, pode-se afirmar que se toca com as mãos a protecção divina; um amparo que adquire vigor, quando prosseguimos apesar dos tropeções, quando começamos e recomeçamos, pois isto é a vida interior vivida com a esperança em Deus.

Sem este empenho em superar os obstáculos de dentro e de fora, não nos será concedido o prémio.
Nenhum atleta será premiado, se não lutar verdadeiramente, e não seria autêntico o combate se faltasse o adversário com quem pelejar. Portanto, se não houver adversário, não haverá coroa; pois não pode haver vencedor, onde não há vencido.

Longe de nos desalentarem, as contrariedades hão-de ser um acicate para crescermos como cristãos; nessa luta nos santificamos e o nosso trabalho apostólico adquire maior eficácia.
Ao meditar nos momentos em que Jesus Cristo - no Horto das Oliveiras e, mais tarde, no abandono e ludíbrio da Cruz - aceita e ama a Vontade do Pai, enquanto sente o peso gigantesco da Paixão, temos de nos persuadir de que para imitar Cristo, para ser bons discípulos d'Ele, é preciso que sigamos o seu conselho: se alguém quer vir atrás de mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Por isso, gosto de pedir a Jesus para mim: Senhor, nenhum dia sem cruz!
Assim, com a graça divina, se reforçará o nosso carácter e serviremos de apoio ao nosso Deus, superando as nossas misérias pessoais.

Compreende bem isto: se ao cravar um prego na parede, não encontrasses resistência, que poderias pendurar dele?
Se não nos robustecermos, com o auxílio divino, por meio do sacrifício, não alcançaremos a condição de instrumentos do Senhor.
Pelo contrário, se nos decidirmos a aproveitar com alegria as contrariedades, por amor de Deus, ao enfrentar o que é difícil e desagradável, o que é duro e incómodo, não nos custará exclamar com os Apóstolos Tiago e João: Podemos!

(cont)


01/05/2015

Evangelho, comentário, L. espiritual (A beleza de ser cristão)


Semana IV da Páscoa


São José – Operário

Evangelho: Mt 13 54-58

54 E, indo para a Sua terra, ensinava nas sinagogas, de modo que se admiravam e diziam: «Donde Lhe vem esta sabedoria e estes milagres? 55 Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama Sua mãe Maria, e Seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde, pois, Lhe vêm todas estas coisas?». 57 E estavam perplexos a Seu respeito. Mas Jesus disse-lhes: «Não há profeta sem prestígio a não ser na sua terra e na sua casa». 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

Comentário:

Em tempos antigos, quando se procurava identificar alguém era costume dizer: é filho de fulano.

A referência ao progenitor era quase sempre como que um “aval” da pessoa em causa, por exemplo na atribuição de um emprego.

Se os conterrâneos de Jesus soubesse ser os “sinais” abundantes que a Sua vida mostrava identificariam a Sua Filiação Divina.


(ama, comentário sobre Mt 13, 54-58, 2015.04.20) 


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE

O QUE É SER CRISTÃO?

IX – Os Sacramentos.

…/17

A UNÇÃO DOS DOENTES

«Com a sagrada unção dos doentes e com a oração dos presbíteros, a Igreja inteira encomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado para que nos alivie e os salve. Inclusive anima-os a unir-se livremente à paixão e morte de Cristo e contribuir, assim, para o bem do Povo de Deus”.[i]
Já recordamos que os sacramentos, mais que serem «marcas” da passagem de Cristo sobre a terra, são a realidade da presença de Cristo na terra, hoje e agora. De Cristo «sofredor e glorificado”.
No seu viver na terra, Jesus Cristo quis aliviar a dor e curara a doença de muitos paralíticos, coxos, surdos, mudos, leprosos, cegos. Doentes físicos nos quais todos os homens se descobrem a si próprios como doentes espirituais.
Cristo prolonga e continua neste sacramento, o seu desejo de partilhar a fragilidade dos seres humanos que viveu na sua vida terrena e fortifica o homem para que também na dor e no sofrimento alcance viver como «nova criatura”.
Cristo relaciona-se sempre pessoalmente com a totalidade do ser humano.
Não existe na vida do homem nenhuma circunstância que possa afastá-lo necessariamente da graça de Deus, do amor de Deus.
São Paulo, expressa-o com muita clareza: «Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A Angústia? A perseguição? A Fome?..., nem a morte nem a vida nem os anjos nem os principados (…) poderão separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Nossa Senhor”.[ii]
O cristão está chamado a ser «outro Cristo”, o «próprio Cristo”, em qualquer idade e tempo, na saúde e na doença. Cristo nele e com Ele.
Na unção dos doentes, Cristo torna-se presente e acompanha o homem na doença, na dor, na morte.
E, ao acompanhá-lo, transmite-lhe já um adiantamento da glória da Ressurreição. São Tiago anuncia esta realidade eficaz do sacramento, ao falar-nos da sua prática nos tempos apostólicos: «Alguém entre vós adoece? Faça chamar os presbíteros da Igreja para que orem por ele, depois de tê-lo ungido com óleo em nome do Senhor. E a oração feita com fé salvará o doente e o Senhor o reanimará. E, se cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados”.[iii]

Os cinco sacramentos que até agora consideramos incidem em cada cristão pessoalmente, no processo da sua conversão em «nova criatura”.
O homem, o cristão, todavia, nunca está sozinho.
Pode chegar a viver uma certa solidão física, cultural e até espiritual; que o levem a sentir-se e saber-se separado dos outros seres humanos.
Em caso algum, todavia, a presença na terra «deste” homem se explica por si mesma.
O seu existir exige a existência de outros seres humanos que lhe tenham transmitido a vida ou aos quais ele próprio a transmitiu, e com quem partilha o seu viver.
No primeiro relato da criação fica sublinhada esta unidade do género humano a partir do primeiro instante da sua origem e não somente com Deus, o Criador, mas também entre o homem e a mulher: «Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança… Deus criou, pois, o homem à sua imagem, conforme a imagem de Deus o criou; varão e fêmea os criou”.[iv]
Esta unidade do ser humano – homem e mulher; varão e fêmea – e a sua cooperação com Deus na criação, na redenção, na santificação, fica definitivamente estabelecida e manifestada por Cristo no sacramento do Matrimónio.

O MATRIMÓNIO

Para abrir a nossa inteligência a uma adequada compreensão da riqueza sacramental do matrimónio, é necessário superar uma concepção muito difundida estre os fiéis cristãos, que reduz muito o verdadeiro significado do matrimónio.
Essa ideia generalizada leva a considerar que o ser «sacramento” apenas acrescenta uma simples bênção sobrenatural à «instituição natural” do matrimónio.
Como se a importância fundamental do matrimónio estivesse no «contrato natural” de um homem com uma mulher, no qual se trocam promessas de fidelidade e de vida.
O ser «sacramento” limitar-se-ia à realização de umas cerimónias, para «legalizar” essa união diante de Deus.
Podemos tranquilamente afirmar que esta visão do matrimónio é falsa: esquece o facto fundamental da acção da Graça: enxertar o cristão em Cristo; e também desconhece a própria noção de sacramento, e o seu efeito de «originar a Graça”.
Ou seja, de tornar efectiva, no momento de o receber, a «participação na natureza divina” necessária para quem a recebem em cada sacramento possam chegar a converter-se em «nova criatura” e a desenvolver essa vida que se lhes concede segundo o pensar e o querer de Deus.
Limitamo-nos, simplesmente, a assinalar a nova realidade sobrenatural da aliança matrimonial, ao ter sido elevada por Cristo a sacramento, permanecendo idêntica a realidade natural original.
Esta conversão comporta curar as feridas causadas pelo pecado na ordem da criação e converte o matrimónio-sacramento em princípio de redenção e de santificação.
E torna possível que o amor exista sempre no mundo.
A importância do matrimónio nos planos da criação não será nunca suficientemente sublinhada, não obstante as palavras claras do Génesis, que manifestam a confiança e a alegria de Deus no matrimónio: «Deus abençoou-os dizendo-lhes: Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu e sobre todos os animais que serpenteiam sobre a terra (…). E viu Deus tudo quanto tinha feito, e heis que estava muito bem”.[v]
Para alcançar a perspectiva da «nova criatura em Cristo”, que é todo o cristão, é muito oportuno ter presente a grandeza do sacramento do matrimónio e a importante acção redentora e santificadora da Graça, que nele tem lugar, dois aspectos que ficaram reflectidos nestes dois textos do Catecismo:
«A Sagrada Escritura principia com o relato da criação do homem e da mulher á imagem e semelhança de Deus [vi] e acaba com a visão das “bodas do cordeiro”.[vii]
De um extremo ao outro, a Escritura fala do matrimónio e do seu «mistério”, da sua instituição e do sentido que Deus lhe deu, da sua origem e do seu fim, das suas diversas realizações ao olongo da história da salvação, das suas dificuldades nascidas do pecado e da sua renovação «no Senhor”,[viii] tudo na perspectiva da Nova Aliança de Cristo e da Igreja”[ix].[x]
E mais à frente: «A ordem da Criação subsiste, ainda que gravemente perturbada.
Para curar as feridas do pecado, o homem e a mulher necessitam da ajuda da graça que Deus, na sua misericórdia infinita, jamais lhes negou.[xi]
Sem esta ajuda, o homem e a mulher não podem chegara realizar a união das suas vidas em ordem da qual Deus os criou «no princípio).[xii]
No sacramento do matrimónio, Cristo dá uma graça própria que «está destinada a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortalecer a sua unidade indissolúvel.
Por meio desta graça ajudam-se mutuamente a santificar-se com a vida matrimonial conjugal e no acolhimento e na educação dos filhos”.[xiii]
Com este pressupostos, podemos dizer que, no matrimónio, na família que se origina, a criação primigénia fica entroncada com a nova criação, e torna possível que os filhos dos homens da primeira criação se convertam em filhos de Deus em Cristo, da segunda criação.
Não sem um sentido cheio de «mistério”, a vinda de Cristo à terra tem lugar no seio de uma família; e o primeiro milagre da sua vida pública na terra acontece na celebração de umas bodas.
O cristão descobre que o matrimónio e a família e no matrimónio se origina e fundamenta, não pode ser tratado simplesmente como uma cédula da sociedade, como uma parte que o homem estrutura e organiza de acordo com uma série de necessidades naturais. Ou seja, qualquer visão meramente sociológica da família não descobre a verdadeira, variada e rica realidade humana e sobrenatural que a família é.
A família é o âmbito pessoal do desenvolvimento humano e espiritual do homem, O sacramento do Matrimónio confere aos cônjuges a graça de acompanhar os seus filhos também no seu desenvolvimento como «filhos de Deus em Cristo”.
(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] Catecismo n. 1499
[ii] Rm 8, 35-39
[iii] St 5, 14-15
[iv] Gn 1, 26-27
[v] Gn 1, 28-31
[vi] Gn 1, 26-27
[vii] Ap 19, 7-9
[viii] 1 Co 7, 39
[ix] cfr. Ef 5, 31-32
[x] Catecismo n. 1602
[xi] cfr. Gn 3, 21
[xii] Catecismo n. 1608
[xiii] Catecismo, n. 1641

01/08/2014

Evangelho, comentário, Leit. Espirit. ((Cong para a Doutrina da Fé - Aspectos da doutrina sobre a Igreja)

Tempo comum XVII Semana

Evangelho: Mt 13, 54-58

54 E, indo para a Sua terra, ensinava nas sinagogas, de modo que se admiravam e diziam: «Donde Lhe vem esta sabedoria e estes milagres? 55 Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama Sua mãe Maria, e Seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde, pois, Lhe vêm todas estas coisas?». 57 E estavam perplexos a Seu respeito. Mas Jesus disse-lhes: «Não há profeta sem prestígio a não ser na sua terra e na sua casa». 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

Comentário:

Evidentemente que o Senhor sabia muito bem o que o esperava na Sua terra mas como nunca desiste dos homens, não quis deixar de ir.

Podemos até concluir que não desejou dar razão aos que porventura estranhassem que não fosse. Não podemos concluir que as atitudes que o Evangelista relata fossem as de todos, bem pelo contrário, haveria alguns – talvez até numerosos – que “mereceram” a Sua visita já que se deduz que o Senhor também ali fez milagres.

(ama, comentário sobre Mt 13, 54-58, 2014.05.23) 

Leitura espiritual



Documentos do Magistério

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
RESPOSTAS A QUESTÕES RELATIVAS A ALGUNS ASPECTOS DA DOUTRINA SOBRE A IGREJA

INTRODUÇÃO

É de todos conhecida a importância que teve o Concílio Vaticano II para um conhecimento mais profundo da eclesiologia católica, quer com a Constituição dogmática Lumen gentium quer com os Decretos sobre o Ecumenismo (Unitatis redintegratio) e sobre as Igrejas Orientais (Orientalium Ecclesiarum). Muito oportunamente, também os Sumos Pontífices acharam por bem aprofundar a questão, atendendo sobretudo à sua aplicação concreta: assim, Paulo VI com a Carta encíclica Ecclesiam sua (1964) e João Paulo II com a Carta encíclica Ut unum sint (1995).

O sucessivo trabalho dos teólogos, tendente a ilustrar com maior profundidade os múltiplos aspectos da eclesiologia, levou à produção de uma vasta literatura na matéria. Mas, se o tema se revelou deveras fecundo, foi também necessário proceder a algumas chamadas de atenção e esclarecimentos, como aconteceu com a Declaração Mysterium Ecclesiae (1973), a Carta aos Bispos da Igreja Católica Communionis notio (1992) e a Declaração Dominus Iesus (2000), todas elas promulgadas pela Congregação para a Doutrina da Fé.

A complexidade estrutural do tema, bem como a novidade de muitas afirmações, continuam a alimentar a reflexão teológica, nem sempre imune de desvios geradores de dúvidas, a que esta Congregação tem prestado solícita atenção. Daí que, tendo presente a doutrina íntegra e global sobre a Igreja, entendeu ela dar com clareza a genuína interpretação de algumas afirmações eclesiológicas do Magistério, por forma que o correcto debate teológico não seja induzido em erro, por motivos de ambiguidade.



RESPOSTAS ÀS QUESTÕES

Primeira questão: Terá o Concílio Ecuménico Vaticano II modificado a precedente doutrina sobre a Igreja?

Resposta: O Concílio Ecuménico Vaticano II não quis modificar essa doutrina nem se deve afirmar que a tenha mudado; apenas quis desenvolvê-la, aprofundá-la e expô-la com maior fecundidade.

Foi quanto João XXIII claramente afirmou no início do Concílio 1. Paulo VI repetiu-o 2 e assim se exprimiu no acto de promulgação da Constituição Lumen gentium: "Não pode haver melhor comentário para esta promulgação do que afirmar que, com ela, a doutrina transmitida não se modifica minimamente. O que Cristo quer, também nós o queremos. O que era, manteve-se. O que a Igreja ensinou durante séculos, também nós o ensinamos. Só que o que antes era perceptível apenas a nível de vida, agora também se exprime claramente a nível de doutrina; o que até agora era objecto de reflexão, de debate e, em parte, até de controvérsia, agora tem uma formulação doutrinal segura" 3. Também os Bispos repetidamente manifestaram e seguiram essa mesma intenção 4.

Segunda questão: Como deve entender-se a afirmação de que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica?

Resposta: Cristo "constituiu sobre a terra" uma única Igreja e instituiu-a como "grupo visível e comunidade espiritual" 5, que desde a sua origem e no curso da história sempre existe e existirá, e na qual só permaneceram e permanecerão todos os elementos por Ele instituídos 6. "Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos como sendo una, santa, católica e apostólica […]. Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele" 7.

Na Constituição dogmática Lumen gentium 8, subsistência é esta perene continuidade histórica e a permanência de todos os elementos instituídos por Cristo na Igreja católica 8, na qual concretamente se encontra a Igreja de Cristo sobre esta terra.

Enquanto, segundo a doutrina católica, é correcto afirmar que, nas Igrejas e nas comunidades eclesiais ainda não em plena comunhão com a Igreja católica, a Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e de verdade nelas existentes[9], já a palavra "subsiste" só pode ser atribuída exclusivamente à única Igreja católica, uma vez que precisamente se refere à nota da unidade professada nos símbolos da fé (Creio… na Igreja "una"), subsistindo esta Igreja "una" na Igreja católica 10.

Terceira questão: Porque se usa a expressão "subsiste na", e não simplesmente a forma verbal "é"?

Resposta: O uso desta expressão, que indica a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja católica, não altera a doutrina sobre Igreja; encontra, todavia, a sua razão de verdade no facto de exprimir mais claramente como, fora do seu corpo, se encontram "diversos elementos de santificação e de verdade", "que, sendo dons próprios da Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica" 11.

"Por isso, as próprias Igrejas e Comunidades separadas, embora pensemos que têm faltas, não pode dizer-se que não tenham peso ou sejam vazias de significado no mistério da salvação, já que o Espírito se não recusa a servir-se delas como de instrumentos de salvação, cujo valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja católica" 12.

Quarta questão: Porque é que o Concílio Ecuménico Vaticano II dá o nome de "Igrejas" às Igrejas orientais separadas da plena comunhão com a Igreja católica?

Resposta: O Concílio quis aceitar o uso tradicional do nome. "Como estas Igrejas, embora separadas, têm verdadeiros sacramentos e sobretudo, em virtude da sucessão apostólica, o Sacerdócio e a Eucaristia, por meio dos quais continuam ainda unidas a nós por estreitíssimos vínculos" 13, merecem o título de "Igrejas particulares ou locais" 14, e são chamadas Igrejas irmãs das Igrejas particulares católicas 15.

"Por isso, pela celebração da Eucaristia do Senhor em cada uma destas Igrejas, a Igreja de Deus é edificada e cresce" 16. Como porém a comunhão com a Igreja católica, cuja Cabeça visível é o Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, não é um complemento extrínseco qualquer da Igreja particular, mas um dos seus princípios constitutivos internos, a condição de Igreja particular, de que gozam essas venerandas Comunidades cristãs, é de certo modo lacunosa 17.

Por outro lado, a plenitude da catolicidade própria da Igreja, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, encontra na divisão dos cristãos um obstáculo à sua realização plena na história 18.

Quinta questão: Por que razão os textos do Concílio e do subsequente Magistério não atribuem o título de "Igreja" às comunidades cristãs nascidas da Reforma do século XVI?

Resposta: Porque, segundo a doutrina católica, tais comunidades não têm a sucessão apostólica no sacramento da Ordem e, por isso, estão privadas de um elemento essencial constitutivo da Igreja. Ditas comunidades eclesiais que, sobretudo pela falta do sacerdócio sacramental, não conservam a genuína e íntegra substância do Mistério eucarístico 19, não podem, segundo a doutrina católica, ser chamadas "Igrejas" em sentido próprio 20.

O Santo Padre Bento XVI, na Audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ratificou e confirmou estas Respostas, decididas na Sessão ordinária desta Congregação, mandando que sejam publicadas.

Roma, Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 29 de Junho de 2007, Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.

william cardeal levada
Prefeito

angelo amato, SDB,
Arcebispo tit. de Sila
Secretário

________________________________
Notas:

[1] JOÃO XXIII, Alocução de 11 de Outubro de 1962: "… o Concílio … quer transmitir uma doutrina católica íntegra e imutável, não distorcida…Impõe-se todavia que, nos dias de hoje, a doutrina cristã, na sua inteireza e sem mutilações, seja por todos acolhida com novo entusiasmo e com serena e pacífica adesão …É necessário que, como todos os sinceros promotores da realidade cristã, católica e apostólica veementemente desejam, a mesma doutrina seja conhecida de forma cada vez mais ampla e profunda… É necessário que essa doutrina, certa e imutável, a que é devido fiel obséquio, seja estudada e exposta em sintonia com as exigências do nosso tempo. Uma coisa é o próprio depositum fidei, ou seja, as verdades contidas na nossa veneranda tradição, e uma outra é o modo como são enunciadas, sempre porém com os mesmos significado e sentido": AAS 54 [1962] 791.792.
[2] Cf. PAULO VI, Alocução de 29 de Setembro de 1963: AAS 55 [1963] 847-852.
[3] PAULO VI, Alocução de 21 de Novembro de 1964: AAS 55 [1964] 1009-1010.
[4] O Concílio quis exprimir a identidade da Igreja de Cristo com a Igreja Católica. É o que se encontra nos debates sobre o Decreto Unitatis redintegratio. O Esquema do Decreto foi apresentado em Aula a 23 de Setembro de 1964 com uma Relatio (Act Syn III/II 296-344). O Secretariado para a Unidade dos Cristãos respondia a 10 de Novembro de 1964 aos modos que os Bispos entretanto haviam enviado (Act Syn III/VII 11-49). Desta Expensio modorum reproduzem-se quatro textos relativos à primeira resposta.

A) [In Nr. 1 (Prooemium) Schema Decreti: Act Syn III/II 296, 3-6]
"Pag. 5, lin. 3-6: Videtur etiam Ecclesiam catholicam inter illas Communiones comprehendi, quod falsum esset.
R(espondetur): Hic tantum factum, prout ab omnibus conspicitur, describendum est. Postea clare affirmatur solam Ecclesiam catholicam esse veram Ecclesiam Christi" (Act Syn III/VII 12).

B) [In Caput I in genere: Act Syn III/II 297-301]
"4 – Expressius dicatur unam solam esse veram Ecclesiam Christi; hanc esse Catholicam Apostolicam Romanam; omnes debere inquirere, ut eam cognoscant et ingrediantur ad salutem obtinendam…
R(espondetur): In toto textu sufficienter effertur, quod postulatur. Ex altera parte non est tacendum etiam in aliis communitatibus christianis inveniri veritates revelatas et elementa ecclesialia" (Act Syn III/VII 15). Cf. também ibidem n. 5.

C) [In Caput I in genere: Act Syn III/II 296s]
"5 – Clarius dicendum esset veram Ecclesiam esse solam Ecclesiam catholicam romanam…
R(espondetur): Textus supponit doctrinam in constitutione ‘De Ecclesia’ expositam, ut pag. 5, lin. 24-25 affirmatur (Act Syn III/VII 15). Portanto, a comissão que deveria pronunciar-se sobre as emendas ao Decreto Unitatis redintegratio exprime claramente a identidade da Igreja de Cristo e da Igreja católica e a sua unicidade, considerando ter essa doutrina fundamento na Constituição dogmática Lumen gentium.

D) [In Nr 2 Schema Decreti: Act Syn III/II 297s]
"Pag 6, lin. I-24: Clarius exprimatur unicitas Ecclesiae. Non sufficit inculcare, ut in textu fit, unitatem Ecclesiae.
R(espondetur): a) Ex toto textu clare apparet identificatio Ecclesiae Christi cum Ecclesia Catholica, quamvis, ut opportet, efferantur elementa ecclesialia aliarum communitatum".

"Pag. 7, lin. 5: Ecclesia a successoribus Apostolorum cum Petri successore capite gubernata (cf. novum textum ad pag. 6, lin. 33-34) explicite dicitur ‘unicus Dei grex’ et lin. 13 ‘una et unica Dei Ecclesia’" (Act Syn III/VII).
Estas duas expressões encontram-se na Unitatis redintegratio 2.5 e 3.1.

[5] Cf. CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Const. dogm. Lumen gentium, 8.1.
[6] Cf. CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Decr. Unitatis redintegratio, 3.2, 3.4, 3.5, 4.6.
[7] CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Const. dogm. Lumen gentium, 8.2.
[8] Cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Mysterium Ecclesiae, 1.1: AAS 65 [1973] 397; Decl. Dominus Iesus, 16.3: AAS 92 [2000-II] 757-758; Notificação sobre o livro do P. Leonardo Boff, OFM, "Igreja: carisma e poder": AAS 77 [1985] 758-759.
[9] Cf. JOÃO PAULO II, Carta enc. Ut unum sint, 11.3: AAS 87 [1995-II] 928.
[10] Cf. CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Const. dogm. Lumen gentium, 8.2.
[11] CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Const. dogm. Lumen gentium, 8.2.
[12] CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Decr. Unitatis redintegratio, 3.4.
[13] Cf. CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Decr. Unitatis redintegratio, 15.3; cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Carta Communionis notio, 17.2: AAS 85 [1993-II] 848.
[14] Cf. CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Decr. Unitatis redintegratio, 14.1.
[15] Cf. CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Decr. Unitatis redintegratio, 14.1; JOÃO PAULO II, Carta enc. Ut unum sint, 56s: AAS 87 [1995-II] 954s.
[16] CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Decr. Unitatis redintegratio, 15.1.
[17] Cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Carta Communionis notio, 17.3: AAS 85 [1993-II] 849.
[18] Cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Carta Communionis notio, 17.3: AAS 85 [1993-II] 849.
[19] Cf. CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II, Decr. Unitatis redintegratio, 22.3.
[20] Cf. CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Decl. Dominus Iesus, 17.2: AAS 92 [2000-II] 758.