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24/04/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual


Páscoa

Evangelho: Jo 13, 31-33. 34-35

21 Tendo Jesus dito estas coisas, perturbou-Se em Seu espírito e declarou abertamente: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós Me há-de entregar». 22 Olhavam, pois, os discípulos uns para os outros, não sabendo de quem falava. 23 Ora um dos Seus discípulos, aquele que Jesus amava, estava recostado sobre o peito de Jesus. 24 A este, Simão Pedro fez sinal, para lhe dizer: «De quem fala Ele?». 25 Aquele discípulo, pois, tendo-se reclinado sobre o peito de Jesus, disse-Lhe: «Quem é, Senhor?». 26 Jesus respondeu: «É aquele a quem Eu der o bocado que vou molhar». Molhando, pois, o bocado, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão. 27 Atrás do bocado, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe então: «O que tens a fazer, fá-lo depressa». 28 Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu por que lhe dizia isto. 29 Alguns, como Judas era o que tinha a bolsa, julgavam que Jesus lhe dissera: «Compra as coisas que nos são precisas para o dia da festa», ou: «Dá alguma coisa aos pobres». 30 Ele, pois, tendo recebido o bocado, saiu imediatamente; era noite. 31 Depois que ele saiu, Jesus disse: «Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n'Ele. 32 Se Deus foi glorificado n'Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo; e glorificá-l'O-á sem demora. 33 Filhinhos, já pouco tempo estou convosco. Buscar-Me-eis, mas, assim como disse aos judeus: Para onde Eu vou, vós não podeis vir, também vos digo agora.».

Comentário:

Na economia da Salvação humana há um tempo para tudo, mesmo para seguir Jesus Cristo.

Mas não devemos segui-lo sempre?

Claro que sim mas seguir o Senhor implica muito mais que um simples acto da vontade; requer todo um verdadeiro empenho e perseverança mesmo quando as circunstâncias parecem ser absolutamente adversas.

Assim, seguir Jesus, obriga realmente a ter absoluta confiança nele e que tudo, absolutamente, que Ele possa pedir-nos é para bem.

(ama, Comentário a Jo 13, 21-33; 36-38, 2015.04.01)


Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO – CONFISSÕES

LIVRO DÉCIMO-SEGUNDO

CAPÍTULO I

Prece

Inquieto está o meu coração, Senhor, quando, na miséria da minha vida é atingido pelas palavras da tua Escritura Sagrada. Por isso, geralmente, a abundância de palavras é testemunho da pobreza da inteligência humana. A busca usa mais palavras que a descoberta; é maior o pedir que o obter; a mão que bate cansa-se mais do que a mão que recebe. Mas nós temos a tua promessa: quem a destruirá? Se Deus está connosco, quem será contra nós? Pedi, e recebereis; procurai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo o que pede recebe, todo o que procura encontra, e a todo o que bate se lhe abrirá.

São promessas tuas. E quem temerá ser enganado, quando a promessa vem da Verdade?

CAPÍTULO II

O céu do céu

Que a humildade da minha língua confesse à tua grandeza que criaste o céu e a terra; este céu que vejo, esta terra que piso, e de onde tiraste a terra que trago em mim. Sim, criaste tudo isto.

Mas, Senhor, onde está o céu de que nos falou a voz do salmista: “O céu do céu pertence ao Senhor, mas ele deu a terra aos filhos dos homens?” – Onde está esse céu que não vemos, e diante do qual tudo o que vemos é apenas terra?

De facto, todo este mundo material, cuja base é a terra, embora não seja inteiramente belo em toda parte, recebeu até nos seus últimos elementos, uma aparência atraente. Mas, comparado com esse céu do céu, o céu da nossa terra também não passa de terra. Por isso, não é absurdo chamar terra esses dois grandes corpos visíveis, se os compararmos a esse céu misterioso que pertence ao Senhor, e não aos filhos dos homens.

CAPÍTULO III

As trevas sobre o abismo

Mas esta terra era invisível e informe, era um profundo abismo acima do qual não pairava nenhuma luz, pois não tinha nenhuma forma. Por isso inspiraste estas palavras: “As trevas cobriam o abismo”. – Mas que são trevas, senão ausência da luz? De facto, se então existisse, onde estaria a luz senão sobre a terra, para iluminá-la? Mas como a luz ainda não existia, o que era a presença das trevas, senão a ausência da luz? As trevas reinavam sobre o abismo porque a luz não existia, do mesmo modo que onde não há ruído reina o silêncio. E que significa reinar o silêncio, senão falta de som?

Não ensinaste, Senhor, à alma que a ti se confessa? Não me ensinaste, Senhor, que antes de receber de ti forma e figura esta matéria informe, não existia nada, nem cor, nem figura, nem corpo, nem espírito? Não era um nada absoluto, mas massa informe, sem figura alguma.

CAPÍTULO IV

A matéria informe

Que nome darei a esta matéria, como sugerir a sua ideia às inteligências mais curtas, senão usando um termo de uso corrente? O que se pode encontrar no mundo que seja mais parecido com essa ausência total de forma, que a terra e o abismo? Colocados no mais baixo grau da criação, não têm a beleza dos corpos que no alto brilham de luz fulgurante.

Por que, então, não aceitar que essa matéria informe, que criaste sem beleza para com ela moldar um mundo cheio de beleza, fosse comodamente designada aos homens pelos termos de terra invisível e informe?

CAPÍTULO V

A sua natureza

Assim, quando o pensamento indaga o que nossos sentidos podem colher a respeito dessa matéria, responde a si mesmo: “Não é nem forma inteligível, como a vida, como a justiça, porque é a matéria corpórea, nem uma forma sensível, porque nada há que se possa ver ou perceber no que é invisível e sem forma”. – Quando o pensamento humano fala desse modo, procura conhecê-la ignorando-a, ou ignorá-la conhecendo-a?

CAPÍTULO VI

Em que consiste

Senhor, se pela boca e pela pena devo confessar-te o que me ensinaste sobre essa matéria, eu direi que outrora ouvi falar, sem nada compreender, a respeito desse nome por pessoas que também não entendiam. Tentei imaginá-la sob as formas mais diversas, e não o consegui. O meu espírito revolvia confusamente formas feias e horríveis, mas enfim sempre formas.

Chamava informe essa matéria, não porque a imaginasse sem forma, mas por tê-las tão estranhas e bizarras que, se a visse, afastaria os meus sentidos e confundiria a minha fraqueza de homem.

Por isso, o que eu concebia era informe, não por ausência de qualquer forma, mas por comparação com formas mais belas. A recta razão persuadia-me; se eu quisesse conceber algo absolutamente informe, a suprimir nele todo resquício de forma, mas eu não conseguia; parecia-me bem mais fácil negar a existência do que estava privado de toda forma, do que conceber um ser a meio termo entre a forma e o nada, e que não fosse nem forma, nem nada, um ser informe, um quase nada.

Então, a minha inteligência deixou de inquirir a minha imaginação, cheia de imagens de formas corpóreas, que ela variava e mudava a seu talante. Fixei a atenção nos próprios corpos, analisei mais profundamente essa mutabilidade pela qual eles cessam de ser o que eram e começam a ser o que não eram. Suspeitei que essa transição de uma forma para outra se fazia por meio de algo informe, e não do nada absoluto.

Mas o meu interesse era saber, e não apenas supor; e se a minha voz e minha pena que te confessassem em detalhes as soluções deste problema que me inspiraste, qual dos meus leitores teria paciência para me entender? Contudo, o meu coração não deixará de te honrar com cânticos de louvor por essas inspirações, por aquilo que não tem palavras capazes de exprimir.

É a própria mutabilidade das coisas que é susceptível de assumir todas as formas em que se transfiguram as coisas mutáveis. E o que é essa mutabilidade? É espírito? Será talvez corpo?

Seria uma espécie de espírito ou de corpo? Se pudéssemos dizer: um nada que é algo, ou o que é e não é, eu a chamaria assim. No entanto, era necessário que ela existisse de alguma maneira, para tomar essas formas visíveis e complexas.

CAPÍTULO VII

A criação do nada

Mas de onde essa matéria tirava o seu ser, senão de ti, por quem existe toda e qualquer coisa? Quanto mais difere de ti uma coisa, mais longe de ti está – e não se trata de distância espacial.

Portanto, és tu, Senhor que não mudas ao sabor das circunstâncias, mas que és sempre o mesmo, o mesmo e o mesmo, santo e santo e santo, Senhor, Deus Todo-Poderoso, és tu, Senhor, que no princípio, que vem de ti, na tua Sabedoria, nascida da tua substância, fizeste algo do nada. Criaste o céu e a terra, e isso não com a tua substância, pois nesse caso, a tua criação seria igual ao teu Filho unigénito e, por isso, iguais a ti mesmo. E não seria justo que o que não é da tua substância, fosse igual a ti.

Mas fora de ti nada existia com que pudesses fazer o céu e a terra, ó Trindade una, Unidade trina. Por isso criaste do nada o céu e a terra; duas realidades, uma imensa e outra pequena. Porque és Todo-Poderoso e bom, e só podes criar coisas boas: o grande céu e a pequena terra.

Fora de ti nada havia, e desse nada fizeste o céu e a terra, as tuas duas obras: uma próxima de ti, a outra próxima do nada. Uma que tem acima de si apenas Tu próprio, e outra que nada tem inferior a ela.

(Revisão de versão portuguesa por ama)


22/03/2016

Evangelho, comentário, L. espiritual


Quaresma

Semana Santa

Evangelho: Jo 13, 21-33. 36-38

21 Tendo Jesus dito estas coisas, perturbou-Se em Seu espírito e declarou abertamente: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós Me há-de entregar». 22 Olhavam, pois, os discípulos uns para os outros, não sabendo de quem falava. 23 Ora um dos Seus discípulos, aquele que Jesus amava, estava recostado sobre o peito de Jesus. 24 A este, Simão Pedro fez sinal, para lhe dizer: «De quem fala Ele?». 25 Aquele discípulo, pois, tendo-se reclinado sobre o peito de Jesus, disse-Lhe: «Quem é, Senhor?». 26 Jesus respondeu: «É aquele a quem Eu der o bocado que vou molhar». Molhando, pois, o bocado, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão. 27 Atrás do bocado, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe então: «O que tens a fazer, fá-lo depressa». 28 Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu por que lhe dizia isto. 29 Alguns, como Judas era o que tinha a bolsa, julgavam que Jesus lhe dissera: «Compra as coisas que nos são precisas para o dia da festa», ou: «Dá alguma coisa aos pobres». 30 Ele, pois, tendo recebido o bocado, saiu imediatamente; era noite. 31 Depois que ele saiu, Jesus disse: «Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n'Ele. 32 Se Deus foi glorificado n'Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo; e glorificá-l'O-á sem demora. 33 Filhinhos, já pouco tempo estou convosco. Buscar-Me-eis, mas, assim como disse aos judeus: Para onde Eu vou, vós não podeis vir, também vos digo agora.».

Comentário:

A solenidade da última reunião íntima com os Doze torna-se de repente em drama indizível.

A angústia e perturbação do Mestre é evidente e todos têm de se dar conta que algo muito grave O perturba.

O anúncio da traição eminente cai como um raio no meio deles.

Não duvidam nem um momento das palavras do Senhor mas duvidam deles próprios porque, no fundo, não têm a certeza da sua fidelidade.

Coitados dos Apóstolos!

Homens tão bons, generosos, disponíveis, que largaram tudo para seguir o Senhor, ficam como que esmagados pelo reconhecimento do pouco que são.

(ama, Comentário a Jo 13, 21-33; 36-38, 2014.04.15)


Leitura espiritual



SANTO AGOSTINHO - CONFISSÕES

LIVRO SÉTIMO

CAPÍTULO II

Objeção contra o maniqueísmo

Bastava-me, Senhor, para calar aqueles enganados enganadores e muitos charlatães – pois o que se ouvia da sua boca não era a tua palavra – bastava-me, certamente, o argumento que há muito tempo, estando ainda em Cartago, costumava propor-lhes Nebrídio, impressionando a todos os que então o ouvimos.

“Que poderia fazer contra ti – dizia aquela não sei que raça de trevas, que os maniqueus costumam opor-te como massa hostil – se não quisesses lutar contra ela?”

Se respondessem que te podia ser nociva em algo, então serias violável e corruptível. Se dissessem que não te podia prejudicar nada, não haveria razão para luta. Luta essa em que uma parte de ti mesmo, um dos teus membros, produto da tua própria substância, se misturava com as forças adversas, a naturezas não criadas por ti. Assim se corromperia, degradando-se a ponto de mudar a sua felicidade em miséria e de necessitar de auxílio para se libertar e purificar. E essa parte de ti seria a alma que o teu Verbo devia salvar da escravidão, ele que é livre de impurezas, ele que é imaculado da corrupção, ele que é intacto sem ser corruptível, sendo feito de uma só e mesma substância.

E assim, se declara incorruptível tudo o que és, isto é, a substância que te forma, todas essas proposições são erros execráveis; e se eles te consideram corruptível, essa mesma afirmação também é falsa, e abominável logo à primeira vista.

Bastava-me, pois, este argumento contra aqueles que eu queria expulsar de vez do meu peito angustiado. De facto, sentindo e dizendo tais coisas de ti, não tinham outra saída senão um horrível sacrilégio de coração e de língua.

CAPÍTULO III

Deus e o mal

Mas eu, mesmo quando afirmava e cria firmemente que és incorruptível, inalterável, absolutamente imutável, Senhor meu, Deus verdadeiro que não só criaste as nossas almas e os nossos corpos, e não somente as nossas almas e corpos, mas todas as criaturas e todas as coisas. Todavia, faltava-me ainda uma explicação, a solução do problema da causa do mal. Qualquer que ela fosse, estava certo de que deveria buscá-la onde não me visse obrigado, por sua causa, a julgar mutável a um Deus imutável, porque isso seria transformar-me no mal que procurava.

Por isso, buscava-a com segurança, certo de que era falsidade o que diziam os maniqueus; fugia deles com toda a alma, porque via as suas indagações sobre a origem do mal cheias de malícia, preferindo crer que a tua substância era passível de sofrer o mal do que a deles ser susceptível de o cometer.

Esforçava-me por compreender a tese que ouvira professar, de que o livre-arbítrio da vontade é a causa de praticarmos o mal, e do teu recto juízo é a causa do mal que padecemos.

Mas era incapaz de entendê-lo com clareza. E esforçando-me por afastar desse abismo os olhos do meu espírito, nele me precipitava de novo, e tentando reiteradamente fugir dele, sempre voltava a recair.

O facto de eu ter a consciência de possuir uma vontade, como tinha consciência da minha vida, era o que me erguia para a tua luz. Assim, quando queria ou não queria alguma coisa, estava certíssimo de que era eu, e não outro, o que queria ou não queria, e então convencia –me de que ali estava a causa do meu pecado. Quanto ao que fazia contra a vontade, notava que isso mais era padecer do mal do que praticá-lo; julgava que isso não era culpa, mas castigo, que me instava a confessar justamente ferido por ti, considerando tua justiça.

Mas de novo reflectia: “Quem me criou? Não foi o bom Deus, que não só é bom, mas a própria bondade? De onde, então, me vem essa vontade de querer o mal e de não querer o bem?

Seria talvez para que eu sofra as penas merecidas? Quem depositou em mim, e semeou minha alma esta semente de amargura, sendo eu totalmente obra de meu dulcíssimo Deus? Se foi o demónio que me criou, de onde procede ele? E se este, de anjo bom se fez demónio, por decisão da sua vontade perversa, de onde lhe veio essa vontade má que o transformou em diabo, tendo ele sido criado anjo por um Criador boníssimo?”

Tais pensamentos de novo me deprimiam e sufocavam, mas não me arrastavam até aquele abismo de erro, onde ninguém te confessa, e onde se antepõe a tese que tu és sujeito ao mal a considerar o homem capaz de o cometer.

CAPÍTULO IV

A substância de Deus

Empenhava-me então por descobrir as outras verdades, como havia descoberto que o incorruptível é melhor que o corruptível, e por isso confessava que tu, qualquer que fosse a tua natureza, devias ser incorruptível. Porque ninguém pôde nem poderá jamais conceber algo melhor do que tu, que és o sumo bem por excelência. Por isso, sendo certíssimo e inegável que o incorruptível é superior ao corruptível, o que eu já fazia, o meu pensamento já poderia conceber algo melhor do que o meu Deus, se não fosses incorruptível.

Portanto, logo que vi que o incorruptível deve ser preferido ao corruptível, imediatamente deveria buscar-te no incorruptível, para depois indagar a causa do mal, isto é, a origem da corrupção, que de nenhum modo pode afectar a tua substância. É certo que, nem por vontade, nem por necessidade, nem por qualquer acontecimento imprevisto, pode a corrupção afectar o nosso Deus, porque ele é Deus, e não pode querer senão o que é bom, e ele próprio é o sumo bem; e estar sujeito à corrupção não é nenhum bem.

Tampouco poder ser obrigado, contra a tua vontade, seja ao que for, porque a tua vontade não é maior do que teu poder. Seria maior caso se pudesses ser maior do que és, pois a vontade e o poder de Deus são o mesmo Deus. E que pode haver de imprevisto para ti, se conheces todas as coisas, e se todas elas existem porque as conheces?

Mas, porque tantas palavras para demonstrar que a substância de Deus não é corruptível, já que se o fosse não seria Deus?

(Revisão de versão portuguesa por ama)


31/03/2015

Evangelho, coment. Leitura esp. (Matrimónio)


Terça-Feira Santa


Evangelho: Jo 13 21-33 36-38

21 Tendo Jesus dito estas coisas, perturbou-Se em Seu espírito e declarou abertamente: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós Me há-de entregar». 22 Olhavam, pois, os discípulos uns para os outros, não sabendo de quem falava. 23 Ora um dos Seus discípulos, aquele que Jesus amava, estava recostado sobre o peito de Jesus. 24 A este, Simão Pedro fez sinal, para lhe dizer: «De quem fala Ele?». 25 Aquele discípulo, pois, tendo-se reclinado sobre o peito de Jesus, disse-Lhe: «Quem é, Senhor?». 26 Jesus respondeu: «É aquele a quem Eu der o bocado que vou molhar». Molhando, pois, o bocado, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão. 27 Atrás do bocado, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe então: «O que tens a fazer, fá-lo depressa». 28 Nenhum, porém, dos que estavam à mesa percebeu por que lhe dizia isto. 29 Alguns, como Judas era o que tinha a bolsa, julgavam que Jesus lhe dissera: «Compra as coisas que nos são precisas para o dia da festa», ou: «Dá alguma coisa aos pobres». 30 Ele, pois, tendo recebido o bocado, saiu imediatamente; era noite. 31 Depois que ele saiu, Jesus disse: «Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n'Ele. 32 Se Deus foi glorificado n'Ele, também Deus O glorificará em Si mesmo; e glorificá-l'O-á sem demora. 33 Filhinhos, já pouco tempo estou convosco. Buscar-Me-eis, mas, assim como disse aos judeus: Para onde Eu vou, vós não podeis vir, também vos digo agora.».
36 Simão Pedro disse-Lhe: «Senhor, para onde vais?». Jesus respondeu-lhe: «Para onde Eu vou, não podes tu agora seguir-Me, mas seguir-Me-ás mais tarde». 37 Pedro disse-lhe: «Porque não posso eu seguir-Te agora? Darei a minha vida por Ti». 38 Jesus respondeu-lhe: «Darás a tua vida por Mim? Em verdade, em verdade te digo: Não cantará o galo sem que Me tenhas negado três vezes.

Comentário:

É fácil, relativamente, dizer que queremos seguir Jesus. Movidos pelo amor à figura inconfundível do Mestre, somos levados a ter desejos, sinceros, de o fazer.
Mas, muitas vezes, para não dizer quase sempre, ficamos por aí, pelos desejos, ou, então, temos algumas condições: quando for mais velho, se fosse mais novo, quando a minha vida se estabilizar, quando…
Considerando o pouco que somos chegaremos à conclusão óbvia que esses nossos desejos só se transformarão em realidade concreta se o nosso amor for sincero, sem condições. Um amor assim é capaz de tudo porque, embora por nós não possamos nada, o Senhor, movido por esse amor, Ele próprio que é O AMOR, não deixará de nos dar o que nos falta para O seguirmos.

(ama, Comentário sobre Jo 13, 21-33; 36-38, 2013.03.23)

Leitura espiritual


O que é o pecado?

O que é o pecado? 1

Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?

O conceito de pecado é bastante simples: basicamente, o pecado é um ato de egoísmo exagerado.
É preferir-se a si mesmo e antepor-se a Deus e aos outros, cedendo às paixões desordenadas que nos colocam no centro da nossa própria existência e negando a nossa natureza, que só se completa quando se abre ao próximo e a Deus.
O pecado é a recusa a instaurar com Deus e com os outros uma relação de amor.
O pecado é um "converter-se às criaturas" e "rejeitar o Criador".
Em geral, o pecador só deseja os prazeres proporcionados pelas criaturas, e não necessariamente quer rejeitar o Criador.
No entanto, ao se deixar seduzir por satisfações fugazes proporcionadas pelas criaturas, o pecador sabe, implicitamente, que está agindo contra o amor do Criador, pois sente que o prazer terreno não o preenche e, mesmo assim, não resiste a ele.

É por isso que o pecado fere o próprio pecador, afastando-o da plenitude oferecida por Deus.
E é por isso que o pecado ofende a Deus: não porque Deus, como Deus, seja diminuído, mas porque nós próprios, ao pecar, nos diminuímos diante da grandeza que Deus nos oferece.

Para Jesus, o pecado nasce no interior do homem[i].
É por isso que é necessária a transformação interior, do coração. Para Jesus, o pecado é uma escravidão: o homem se deixa ficar em poder do maligno, valorizando falsamente as coisas deste mundo, deixando-se arrastar pelo imediato, por satisfações sensíveis que não saciam a nossa sede de amor e de plenitude.

(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)


O que é o pecado? 2
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?


Quais são os tipos de pecado?

1 - O pecado original é a herança que todos recebemos dos nossos primeiros pais, Adão e Eva: eles desconfiaram do amor de Deus Pai e cederam à tentação de deixá-lo de fora das suas escolhas pessoais.

Como filhos de uma humanidade que perdeu a inocência, todos nós nascemos com a natureza caída de pecadores e precisamos da graça de Deus, mediante o sacramento do batismo, para purificar a nossa alma.

2 - O pecado actual ou pessoal é aquele que cometemos como indivíduos, voluntária e conscientemente.
Pode ser cometido de quatro maneiras: com o pensamento, com as palavras, com as obras ou com as omissões.
E pode ser contra Deus, contra o próximo ou contra nós mesmos.
O pecado pessoal pode ser mortal ou venial:

2.1. O pecado venial ou leve é aquele que cometemos sem plena consciência ou sem pleno consentimento, ou então com plena consciência e consentimento, mas em matéria leve.
 
2.2. O pecado mortal ou grave é aquele que envolve três factores simultâneos: plena consciência, pleno consentimento e matéria grave.

O que é matéria grave e matéria leve?

A "matéria" é o "facto" pecaminoso em si.
É grave quando fere seriamente qualquer um dos dez mandamentos.

Alguns exemplos: negar a existência de Deus, ofender a Deus, ofender os pais, matar ou ferir gravemente qualquer pessoa, colocar a si próprio em grave risco de morte sem justa razão, cometer actos impuros, roubar objectos de valor, caluniar, cometer graves omissões no cumprimento do dever, causar escândalo ao próximo.

Já a matéria leve é aquela que não fere seriamente nenhum dos dez mandamentos, ainda que consista num acto contrário a algum deles.

Por exemplo: roubar é pecado, mas a gravidade desse pecado tem graus diversos.
Furtar dez centavos não costuma prejudicar consideravelmente a vítima do furto; já o furto ou roubo de uma quantia cuja perda prejudica a vítima de modo considerável passa a ser matéria grave.


(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)




O que é o pecado? 3
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?


Quais são os efeitos do pecado?

O pecado mortal mata a vida da graça na alma, rompendo a relação vital com Deus; separa Deus da alma; faz com que percamos todos os méritos das coisas boas que fazemos; impede que a alma participe da eternidade com Deus.

Como é perdoado o pecado mortal?
Com uma boa confissão ou com um acto de contrição perfeito, unido ao propósito de confessar-se assim que for possível.

Quanto ao pecado venial, ele enfraquece o amor a Deus, vai esfriando a relação com Ele, priva a alma de muitas graças que ela receberia de Deus se não pecasse, facilita o pecado grave.

Como se apaga o pecado venial?
Com o arrependimento e boas obras, como orações, missas, comunhão e obras de misericórdia.


(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)


O que é o pecado? 4
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?

E os pecados capitais, onde é que entram?

Os pecados capitais requerem especial atenção porque são causa de outros pecados.
Podem ser veniais ou mortais, dependendo das condições explicadas acima. Sempre, porém, são "cabeças" de novos pecados e é daí que vem o termo "capital". São sete:

- Soberba: a estima exagerada de si mesmo e o desprezo pelos outros.
- Avareza: o desejo desmesurado de dinheiro e de posses.
- Luxúria: o apetite e uso desordenado do prazer sexual.
- Ira: o impulso desordenado a reagir com raiva contra alguém ou algo.
- Preguiça: a falta de vontade no cumprimento do dever e no uso do ócio.
- Inveja: a tristeza pelo bem do próximo, considerado como mal próprio.
- Gula: a busca excessiva do prazer pelos alimentos e pela bebida.


(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)



O que é o pecado? 5
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?


Há algum pecado que não pode ser perdoado?

Sim: o pecado contra o Espírito Santo[ii].

Em que consiste?
Na atitude permanente de desafiar a graça divina; em fechar-se a Deus, em recusar a sua mensagem.
Essa atitude impossibilita o arrependimento.
E, como Deus respeita a nossa liberdade e o nosso livre arbítrio, Ele próprio se deixa obrigar por nós a não dar-nos o seu perdão, que depende da nossa aceitação voluntária.
O pecado contra o Espírito Santo pode se manifestar, por exemplo, no desespero da salvação, na presunção de se salvar sem mérito, na luta contra a verdade conhecida, na obstinação em permanecer no pecado, na impenitência final na hora da morte.


(cont)

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)



O que é o pecado? 6
Pecado original, pessoal, venial, mortal, capital... O que é que tudo isso quer dizer?


Então qualquer outro pecado, bastando querermos sinceramente, pode ser perdoado?

É claro!

Deus quer tanto a nossa plena realização junto dele que não hesitou em morrer na cruz para nos redimir!

Deus nos espera sempre de braços abertos como um Pai que se esquece de todas as nossas ingratidões, como Ele mesmo deixa claro na belíssima parábola do filho pródigo[iii].

Basta querermos de verdade o Seu abraço!

Fonte: ALETEIA

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] cf. Mt 15, 10-20
[ii] cf. Mt 12, 30-32
[iii] cf. Lc 15,11ss