24/03/2021

Leitura Espiritual Mar 24

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XII, 1-21

 

Advertência aos discípulos

XII 1 Entretanto, a multidão tinha-se reunido; eram milhares, a ponto de se pisarem uns aos outros. Jesus começou a dizer primeiramente aos seus discípulos: «Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2 Nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nem oculto que não venha a conhecer-se. 3 Porque tudo quanto tiverdes dito nas trevas há-de ouvir-se em plena luz, e o que tiverdes dito ao ouvido, em lugares retirados, será proclamado sobre os terraços. 4 Digo-vos a vós, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e, depois, nada mais podem fazer. 5 Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem o poder de lançar na Geena. Sim, Eu vo-lo digo, a esse é que deveis temer. 6 Não se vendem cinco pássaros por duas pequeninas moedas? Contudo, nenhum deles passa despercebido diante de Deus. 7 Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não temais: valeis mais do que muitos pássaros. 8 Digo-vos ainda: Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens, também o Filho do Homem se declarará por ele diante dos anjos de Deus. 9 Aquele, porém, que me tiver negado diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus.

 

Pecado contra o Espírito Santo

10 E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem, há-de perdoar-se; mas, a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, jamais se perdoará. 11 Quando vos levarem às sinagogas, aos magistrados e às autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de dizer em vossa defesa, 12 pois o Espírito Santo vos ensinará, no momento próprio, o que deveis dizer.» 

 

Cuidado com a avareza

13 Dentre a multidão, alguém lhe disse: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo.» 14 Ele respondeu-lhe: «Homem, quem me nomeou juiz ou encarregado das vossas partilhas?» 15 E prosseguiu: «Olhai, guardai-vos de toda a ganância, porque, mesmo que um homem viva na abundância, a sua vida não depende dos seus bens.» 16 Disse-lhes, então, esta parábola: «Havia um homem rico, a quem as terras deram uma grande colheita. 17 E pôs-se a discorrer, dizendo consigo: ‘Que hei-de fazer, uma vez que não tenho onde guardar a minha colheita?’ 18 Depois continuou: ‘Já sei o que vou fazer: deito abaixo os meus celeiros, construo uns maiores e guardarei lá o meu trigo e todos os meus bens. 19 Depois, direi a mim mesmo: Tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.’ 20 Deus, porém, disse-lhe: ‘Insensato! Nesta mesma noite, vai ser reclamada a tua vida; e o que acumulaste para quem será?’ 21 Assim acontecerá ao que amontoa para si, e não é rico em relação a Deus.»

 

Texto


MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1989

 

«O pão nosso de cada dia nos dai hoje» (Mt 6, 11). É com esta petição que principia a segunda parte da oração que o próprio Jesus ensinou aos seus discípulos e que nós, cristãos, cada dia repetimos fervorosamente.

 

Dos lábios de todos os homens e mulheres das várias raças humanas que formam a grande comunidade cristã, eleva-se harmoniosamente esta súplica ao Pai que está nos Céus, com entoações diferentes, pois são muitos os povos que, mais do que uma súplica serena e confiante, quando a proferem lançam um grito de angústia e de dor por não terem podido saciar a fome física, porque carecem realmente dos alimentos necessários.

 

Amados filhos e filhas, é com o maior empenho e esperança que vos proponho este problema da «fome no mundo», como tema de reflexão e como objectivo para a vossa actividade apostólica, caritativa e solidária durante a Quaresma de 1989. O jejum generoso e voluntário, da parte daqueles de entre vós que tendes sempre que comer, permitir-vos-á compartilhar a privação de tantos outros que carecem de pão. Os vossos jejuns durante a Quaresma, que são uma parte da rica tradição cristã, abrir-vos-ão mais o espírito e o coração para repartirdes solidariamente os vossos bens com aqueles que os não têm.

 

A fome no mundo fustiga milhões de seres humanos, em muitos povos; mas concentra-se de maneira mais cruel nalguns continentes e nações, onde dizima a população e compromete o seu desenvolvimento. A falta de alimentos verifica-se ciclicamente nalgumas regiões, por causas muito complexas, que é necessário extirpar com a ajuda solidária de todos os povos.

 

Gloriamo-nos no nosso século, com razão, dos progressos da ciência e da tecnologia; mas há que progredir também em humanismo; não podemos ficar passivos e indiferentes diante do drama trágico de tantos povos, a quem falta o alimento suficiente ou que se vêem obrigados a viver em regime de mera subsistência, encontrando por isso mesmo obstáculos quase insuperáveis para o seu devido progresso.

 

Uno a minha voz suplicante à de todos os que crêem em Deus, pedindo ao nosso Pai comum: «o pão nosso de cada dia nos dai hoje». É certo que «nem só de pão vive o homem» (Mt 4, 4); o pão material, porém, é uma necessidade premente e o próprio Senhor Jesus Cristo agiu eficazmente para dar de comer às multidões famintas.

 

A fé deve andar acompanhada de obras concretas. Convido, pois, todos, a tomarem consciência do grave flagelo da fome no mundo, para que sejam empreendidas novas actividades e sejam consolidadas as obras já existentes em benefício dos que sofrem a fome, para que se repartam os bens com aqueles que os não têm e para que se tornem consistentes os programas que visam a auto-suficiência alimentar dos povos.

 

Quero, ainda, dirigir uma palavra de encorajamento a todas as Organizações católicas que lutam contra a fome, assim como aos Organismos governamentais e não governamentais que diligenciam por encontrar soluções, no sentido de que se continue, sem interrupção, a dar assistência aos necessitados.

 

«Pai nosso que estais nos Céus... o pão nosso de cada dia nos dai hoje». Que nenhum dos vossos filhos se veja privado dos frutos da terra; que nenhum sofra doravante a angústia de não ter o pão quotidiano, para si e para os seus; que todos, impregnados do imenso amor que tendes por nós, saibamos distribuir com solidariedade o pão que tão generosamente nos dispensais; que saibamos alargar a nossa mesa para acolher os mais pequenos e os mais fracos; e assim mereçamos todos, um dia, participar no vosso banquete celestial.

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

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