10/10/2020

Virtudes 22

 


Prudência 5

A medida justa

São Josemaria procurou sempre transmitir duas atitudes em relação à prudência: a flexibilidade para saber adaptar-se a cada situação, sem ficar preso à rigidez de uma "casuística estéril" (Amigos de Deus, 222), que basicamente procede da soberba ou de um exacerbado medo de se enganar, e a disposição de retificar: não é prudente quem nunca se engana, mas quem sabe retificar os seus erros (Amigos de Deus, 88). Há coisas que fazes bem e coisas que fazes mal. Enche-te de alegria e de esperança pelas primeiras, e enfrenta-te, sem desânimo, com as segundas, para retificares (Sulco, nº 68).

A prudência não existe apenas nas pessoas, mas também nas organizacções. Por exemplo, São Josemaria estabeleceu que a estrutura e organização do governo do Opus Dei, nos seus diferentes graus, devia ser colegial, baseada na responsabilidade de quem faz parte dessas organizações e na confiança mútua. Nesse sentido, diz ele em Sulco: As decisões de governo tomadas de ânimo leve por uma só pessoa nascem sempre, ou quase sempre, distorcidas por uma visão unilateral dos problemas. Por maiores que sejam a tua preparação e o teu talento, deves ouvir quem partilha contigo essa tarefa de direção (nº 392). Cada uma das pessoas que compõem os vários órgãos de governo deve assumir plenamente a sua própria responsabilidade, manifestar livremente o seu parecer, sem se refugiar no anonimato: Uma norma fundamental de bom governo: distribuir responsabilidades. Sem que isso signifique procurar a comodidade ou o anonimato. Insisto: repartir responsabilidades, pedindo a cada um contas do seu encargo, para podermos "prestar contas" a Deus, e às almas, se for preciso. (Sulco, 972).

 

Josep-Ignasi Saranyana

 

Bibliografia básica: Catecismo da Igreja Católica, 1762-1770, 1803-1832 e 1987-2005.

Leituras recomendadas:

(São Josemaria, Homilia Virtudes humanas, in Amigos de Deus, 73-92.

KÜCKING, Marlies, Dicionário de (São Josemaria (2013), ILLANES José Luis, Entrada: Prudência.

TRIGO, Tomás, Scripta Theologica 34 (2002/1) 273-307

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