Para rezar, não são precisos
nem gestos, nem gritos, nem silêncio, nem genuflexões. A nossa oração, ao mesmo
tempo sábia e fervorosa, deve ser espera de Deus, até que Deus venha e visite a
nossa alma por todas as suas vias de acesso, por todos os seus caminhos, por
todos os seus sentidos. Demos tréguas aos nossos silêncios, aos nossos gemidos,
aos nossos soluços: não procuremos na oração senão o abraço apertado de Deus.
Não é verdade que, no
trabalho, empregamos todo o nosso corpo num mesmo esforço? Não colaboram nisso
todos os nossos membros? Que também a nossa alma se consagre toda ela à oração
e ao amor do Senhor; que ela não se deixe distrair nem bloquear com pensamentos;
que toda ela seja espera de Cristo. Então Cristo iluminá-la-á, ensinar-lhe-á a
verdadeira oração, dar-lhe-á a súplica pura e espiritual de acordo com a
vontade de Deus, a adoração "em espírito e verdade" (Jo 4,24).
Aquele que exerce um
comércio não procura simplesmente realizar um lucro. Esforça-se também, por
todos os meios, por aumentá-lo e acrescentá-lo. Empreende novas viagens e
renuncia às que lhe parecem não trazer proveito; só parte com a esperança de um
negócio. Como ele, saibamos também conduzir a nossa alma pelos caminhos mais
diversos e mais oportunos e adquiriremos, oh ganho supremo e verdadeiro, esse
Deus que nos ensina a rezar na verdade.
O Senhor repousa numa alma
fervorosa, faz dela o seu trono de glória, ali se senta e permanece.
São Macário (? - 405) monge
no Egipto, Homilias espirituais nº 33
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.