19/02/2017

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

IV. PAULO PRISIONEIRO DE CRISTO [i]

Capítulo 24

Paulo acusado perante o governador

1Cinco dias depois, o Sumo Sacerdote Ananias desceu com alguns anciãos e um advogado, um certo Tértulo, e apresentaram ao governador queixa contra Paulo. 2Este foi chamado e Tértulo iniciou a acusação nestes termos:
«A grande paz de que beneficiamos pela tua acção e as reformas que este povo deve à tua providência 3são recebidas por nós, excelentíssimo Félix, em tudo e por toda a parte com profunda gratidão. 4Mas, para não te importunar, além do necessário, rogo-te que nos escutes por uns instantes, com a benevolência que te é peculiar. 5Nós verificámos que este homem é uma peste: fomenta discórdias entre todos os judeus do mundo inteiro e é cabecilha da seita dos Nazarenos. 6Até tentou profanar o templo, e então, prendêmo-lo. 7Mas o tribuno Lísias interveio com muita violência e arrancou-o das nossas mãos, 8ordenando aos seus acusadores que se apresentassem diante de ti. Interrogando-o pessoalmente, poderás verificar a autenticidade das nossas acusações contra ele.»
9E os judeus apoiaram o advogado, afirmando que tudo era assim.

Discurso de Paulo

10Como o governador lhe acenasse para falar, Paulo respondeu:
«Eu sei que, desde há muitos anos, este povo se encontra sob a tua jurisdição; por isso, confiadamente tomo a palavra para defender a minha causa. 11Podes verificar que não há mais de doze dias que subi a Jerusalém, para fazer a minha adoração. 12Nunca me viram a discutir no templo com qualquer pessoa, nem a incitar o povo à revolta, quer nas sinagogas, quer pela cidade. 13São incapazes de provar as acusações que agora fazem contra mim. 14No entanto, confesso-te: sirvo o Deus dos nossos pais como ensina a «Via», a que eles chamam seita. Acredito em tudo quanto há na Lei e em tudo o que está escrito nos Profetas, 15e tenho a esperança em Deus, que eles também aceitam, de que há-de haver a ressurreição dos justos e dos pecadores. 16Por isso, eu me esforço por manter sempre uma consciência irrepreensível, diante de Deus e dos homens.
17Ora, decorridos vários anos, vim trazer esmolas ao meu povo e fazer oblações. 18Foi nessa altura que me encontraram no templo, já purificado, sem ajuntamento nem tumulto. 19Certos judeus da Ásia é que deviam estar aqui para me acusarem, se tivessem alguma coisa contra mim. 20Que estes, aqui presentes, digam ao menos de que delito me reconheceram culpado, quando me apresentei diante do Sinédrio. 21A não ser que se trate desta frase que proferi em voz alta, quando estava no meio deles: ‘É por causa da ressurreição dos mortos que estou hoje a ser julgado na vossa presença.’»

Cativeiro de Paulo em Cesareia

22Félix, acertadamente informado sobre tudo quanto se relacionava com a «Via», adiou a audiência, dizendo: «Quando o tribuno Lísias vier cá abaixo, examinarei o vosso caso.» 23E ordenou ao centurião que retivesse Paulo preso, mas que lhe concedesse alguma liberdade e não impedisse nenhum dos seus de lhe prestar assistência.
24Uns dias depois, Félix apareceu acompanhado de Drusila, sua mulher, que era judia. Mandou chamar Paulo e ouviu-o falar acerca da fé em Cristo Jesus. 25E como estava a discorrer sobre a justiça, a continência e o julgamento futuro, Félix, dominado pela inquietação, respondeu: «Por agora, podes ir. Chamar-te-ei na primeira oportunidade.»
26Ao mesmo tempo, também esperava que Paulo lhe desse dinheiro. Por isso, mandava-o chamar frequentemente, para conversar com ele. 27Entretanto, decorreram dois anos e Félix teve como sucessor Pórcio Festo. Desejando cair nas boas graças dos judeus, Félix deixou Paulo na prisão.




[i] (21,27-28,31)

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