24/12/2016

Leitura espiritual

Leitura espiritual




A Cidade de Deus 


Vol. 1

CAPÍTULO IX

Causa dos castigos que atingem tanto os bons como os maus.

Nessa catástrofe, que é que os cristãos padeceram que lhes não tenha servido de proveito, se a considerarmos com espírito de fé? Em primeiro lugar, ao pensarem com humildade nos pecados por causa dos quais Deus, indignado, encheu o mundo de tamanhas calamidades, embora estejam longe dos facínoras, dos dissolutos e dos ímpios, não se julgarão, todavia, tão isentos de faltas que se considerem a si próprios livres de sofrerem algum mal temporal por sua causa. Efectivamente, além do caso de que todo o homem, por mais louvável que seja a sua vida, por vezes cede à concupiscência da carne e, sem cair em crimes monstruosos, nem no abismo da devassidão, nem na abominação da impiedade, deixa-se todavia arrastar para certos pecados, quer raras vezes quer, quando são mais leves, com mais frequência, — além deste caso, encontrar-se-á, acaso com facilidade, alguém que, no final de contas, trate como deve a esses ímpios por cujo horrível orgulho, luxúria, cupidez, iniquidade e abomináveis sacrilégios, Deus esmagou a terra como já ameaçadoramente tinha predito? Quem é que vive com tais pessoas como deveria viver? A maior parte das vezes, quando devíamos adverti-las, instruí-las, e por vezes mesmo repreendê-las e corrigi-las, dissimulamos culposamente, quer porque nos custa o esforço, quer porque receamos ofendê-las, quer porque procuramos evitar inimizades que podem tornar-se um estorvo ou até um dano para os bens temporais que a nossa cobiça procura alcançar ou que a nossa fraqueza receia perder. E assim, embora a vida dos maus desagrade aos bons e por isso estes não cheguem a cair na condenação que os espera após esta vida, — todavia, porque são indulgentes para com os seus condenáveis pecados, porque os temem e caem nos seus próprios pecados, embora leves e veniais, — justamente são atingidos pelo mesmo flagelo temporal, sem, todavia, sofrerem as penas eternas. É justo, pois, que sintam a amargura desta vida quando a divindade justamente com aqueles os castiga — pois foi por amor das doçuras desta vida que eles não quiseram causar amargura aos que pecavam.

Se, por isso, alguém se abstém de repreender e de corrigir os malcomportados, quer porque espera ocasiões mais oportunas, quer porque receia que assim se tomem piores ou impeçam a formação moral e religiosa dos mais débeis com pressões para que se afastem da fé — não me parece que seja isso má inclinação, mas antes conselho de caridade.

Mas há culpa quando as pessoas, que vivem de maneira diferente dos maus e aborrecem a sua conduta, são, todavia, indulgentes para com os pecados dos outros quando os deviam corrigir e exprobar. Têm o cuidado de os não ofenderem com medo de por eles serem lesados nos bens de que usam os bons, sem dúvida legítima e honestamente, mas mais avidamente do que convinha aos que peregrinam neste mundo e mostram a esperança da pátria superna.

Não se trata apenas dos mais débeis — dos que estão comprometidos na vida conjugal, tendo ou procurando ter filhos, com casas, família numerosa (como aqueles aos quais se dirige o Apóstolo nas Igrejas, ensinando-lhes e recordando-lhes como devem viver as mulheres com os seus maridos, os maridos com as mulheres, os filhos com os pais e os pais com os filhos, os servos com os senhores e os senhores com os servos). Estes adquirem com prazer muitos bens terrenos e temporais e perdem-nos com pesar. Por isso não se atrevem a ofender aqueles homens cuja vida tão contaminada e tão depravada lhes desagrada.

Trata-se também dos que mantêm um teor de vida superior, livres dos laços conjugais, que se servem de alimentação frugal e de vestuário simples, mas se abstêm de repreender os maus, com receio de que as insídias ou ataques deles ponham em perigo a sua fama ou segurança. E, embora não os temam tanto que cheguem a praticar acções idênticas, cedendo a qualquer das suas ameaças ou perversidades — , evitam porém censurar os desmandos que não cometem como eles, quando a sua censura poderia talvez corrigir alguns. Receiam pôr em perigo e perder a sua integridade e reputação no caso de falharem no seu intento — e isto, não porque as considerem indispensáveis para o serviço de ensinar os demais, mas sim em consequência daquela doentia fraqueza em que caem a língua e os juízos humanos quando se comprazem nas adulações e temem a opinião pública, os tormentos da carne ou da morte, isto é, por causa dos grilhões de certas paixões e não por causa do dever de caridade.

Parece-me, pois, que não é pequena a razão por que são castigados os bons juntam ente com os maus quando apraz a Deus castigar, mesmo com penas temporais, os maus hábitos. Juntos são castigados, não porque juntos levem má vida, mas porque juntos amam a vida temporal, não igualmente, mas juntamente. Os bons deviam desprezá-la para que os outros, repreendidos e corrigidos, alcançassem a vida eterna. E, se eles se recusam a acompanhá-los para a conseguirem, deveriam suportá-los, como inimigos, e amá-los porque, enquanto vivem, nunca se sabe se não se decidirão a mudar para melhor. Neste caso, têm responsabilidade não já igual, mas muito mais grave aqueles de que fala o profeta:
Perecerá por sua culpa, mas do seu sangue pedirei contas à sentinela [i].

Para isso há sentinelas, isto é, responsáveis pelos povos, colocadas como chefes das Igrejas, para que se não poupem a repreender o pecado [ii]. Mas também não está totalmente isento de culpa quem, embora não constituído chefe de igreja, conhece, naqueles a que está ligado pelas necessidades desta vida, muitas coisas que deve admoestar ou condenar, mas é negligente e evita indispor-se com eles, para tratar dos interesses de que nesta vida pode fazer um uso legítimo mas com que se deleita mais do que convém.

Os bons têm ainda outra razão para sofrerem os males temporais. E a mesma de Job: que o homem submeta o seu próprio espírito à prova e comprove e conheça com que grau de piedade e com que desinteresse ama a Deus.

CAPÍTULO X

Os santos nada perdem quando perdem as coisas temporais.

Depois de teres pensado nestas coisas e as teres examinado maduramente, repara se aos homens crentes e piedosos algum mal acontece que se lhes não converta em bem — a não ser que se julgue falha de sentido esta afirmação do Apóstolo:
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem dos   que amam a Deus [iii].
Perderam tudo o que tinham. Perderam porém a fé? Perderam a sua religião? Perderam os bens do homem interior que, perante Deus, é rico? São estas as riquezas de Cristo com as quais o Apóstolo se considerava opulento.

É um grande lucro a religião, desde que nos baste.
Nada de facto trazemos para este mundo, assim como dele nada poderemos levar. Devemos estar contentes, desde que tenhamos que comer e que vestir. Os que pretendem ser ricos caem em tentações, em armadilhas e em muitos e loucos desejos, que afundam os homens na ruína e na perdição. A avareza é de facto a raiz de todos os males. Os que se lhe prendem desviaram-se da fé e envolveram-se em múltiplas dores [iv].

Portanto aqueles que na dita devastação perderam as riquezas terrenas, se as possuíssem como o ouviram àquele que fora pobre por fora e rico por dentro, isto é, se fizessem uso do mundo como se dele não fossem utentes, bem poderiam dizer o mesmo que ele, tão gravemente tentado mas nunca vencido:

Nu saí do ventre de minha mãe, nu voltarei à terra. O Senhor mo deu, o Senhor mo tirou. Aconteceu como ao Senhor aprouve. Seja bendito o nome do Senhor [v].
Como bom servo tinha por grande riqueza a vontade do Senhor; seguindo-O passo a passo, tomava-se rico em espírito e não se contristava ao abandonar em vida o que depressa deixaria ao morrer.

Mas os outros, mais fracos, que, sem anteporem os bens terrenos a Cristo, a eles estavam ligados com um certo apego, quando os perdem é que se apercebem até que ponto, amando-os, pecaram. E doem-se tanto mais quanto mais se meteram nas dores, como acima recordei pela boca do Apóstolo. Era necessária uma lição da experiência para aqueles que, durante tanto tempo, desprezaram a lição das palavras — pois o Apóstolo ao dizer:
Caem em tentação os que pretendem ser ricos [vi]
o que sem dúvida reprova nas riquezas é a cupidez e não a posse. E noutro lugar ordena:
Aos ricos deste mundo aconselha a que não sejam soberbos, não ponham a sua confiança na riqueza incerta, mas sim no Deus vivo que tudo nos concede com abundância para que o disfrutemos. Que façam o bem, que sejam ricos em boas obras, generosos, dêem sem dificuldade, com espírito de comunhão, adquiram um tesouro bem alicerçado para o futuro para que consigam a vida eterna [vii].
Os que assim usavam das suas riquezas foram compensados das suas ligeiras perdas com grandes lucros. A alegria que experimentaram por terem colocado a bom recato os bens que gostosamente distribuíram foi maior do que o desgosto sofrido com a perda alegre dos bens que possuíam sem apego. Pode bem perder-se na Terra o que, com pesar, dela se não pode levar. De facto, os que ouviram esta recomendação do Senhor

Não queirais amontoar tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e onde os ladrões cavam e os furtam; mas entesourai tesouros no Céu, onde o ladrão não chega nem a traça os rói: é que onde está o teu tesouro ai estará também o teu coração [viii]
— esses puderam experimentar no tempo da tribulação quão rectamente procederam por não terem desprezado os ensinamentos do mais verdadeiro dos mestres e do mais leal e invencível guardião do tesouro. Se muitos se alegraram por terem colocado as suas riquezas onde de facto o inimigo não chegou — com quanta maior certeza e segurança poderão alegrar-se os que seguiram o aviso de Deus e as levaram para onde jamais o inimigo poderá ter acesso!

O nosso Paulino, bispo de Nola, que voluntariamente passou de muito rico para muito pobre e eminentemente santo, quando os bárbaros devastaram Nola e por eles foi aprisionado, rezava assim no seu coração como posteriormente dele soubemos:
Senhor, que eu não seja torturado por causa do ouro ou da prata. Tu sabes bem onde estão todas as minhas coisas [ix] .

Ele tinha de facto todas as suas coisas onde lho tinha indicado Aquele que predissera que haviam de vir ao mundo todos estes males. Por isso é que, quando da invasão dos bárbaros, nem sequer as suas riquezas terrenas perderam aqueles que obedeceram ao mandamento do Senhor acerca de como e onde deviam entesourar. Mas alguns tiveram que se arrepender por não terem seguido as suas indicações, e aprenderam a lição acerca do uso de tais bens, se não com a sabedoria que previne, pelo menos com experiência consequente.

Houve de facto homens de bem, mesmo cristãos, que foram torturados para que entregassem os seus bens ao inimigo.
Porém nunca puderam entregar nem perder os bens pelos quais se tornaram bons. E se alguns preferiram ser torturados a entregarem as suas riquezas iníquas, nesse caso já não eram bons. Estes, que tanto sofreram por causa do ouro, deviam ter sido advertidos de quanto tinham que padecer por Cristo. Aprenderiam assim a amar quem faz ricos de vida eterna todos os que por ele padeceram, em vez de amarem o ouro ou a prata. A desgraça foi terem padecido pelo ouro e pela prata, quer mentindo para os ocultarem, quer confessando para os entregarem. Ninguém perdeu a Cristo confessando-o nas torturas; ninguém conserva o ouro senão negando-o. Por isso talvez fossem mais úteis os tormentos que ensinavam a amar o bem incorruptível do que os outros bens por que os seus donos sofriam tormentos sem qualquer proveito.

Também houve aqueles que, não possuindo bens alguns para entregarem, sofreram torturas por neles se não acreditar. Também desejavam talvez possuir: eram pobres mas não por vontade santa. Neles se verificou que não foi a posse mas sim a paixão das riquezas o que lhes valeu tais torturas. Se alguns, resolvidos a levarem uma vida mais perfeita, não tinham escondidos nem ouro nem prata, — ignoro se lhes sucedeu algo de parecido, isto é, serem torturados até neles acreditarem. Ainda mesmo que tal tenha acontecido, o que confessava a santa pobreza no meio daqueles tormentos, evidentemente que estava a confessar Cristo. E portanto, mesmo que não tenha conseguido que os inimigos nele acreditassem, conseguiu sim, com os seus tormentos, uma celestial recompensa como confessor da santa pobreza.
(cont)
(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Ille quidem irt suo peccato morietur, sanguinem autem ejus de manu Speculatoris requiram.
Ezeq, XXXIII, 6.
[ii] É deste teor o texto latino de que este período é a tradução:
Ad hoc enim speculatores, hoc est populorum praepositi, constituti sunt in ecclesiis, ut non parcant objurgando peccata.
Traduzi speculatores por «sentinelas» tendo em mente a raiz spec (observar). Como em Grego a raiz é oxott-óç (com inversão da ordem das concoantes x =c e n =p. v. Michel Bréal et Anatole Bailly in Leçons de mots — Dict. Etym. Lat, p. 360) poderia ter traduzido porèrrÍC T X o rro ç (episcopus = bispo). Que é este o sentido que Santo Agostinho pretendia dar à palavra speculatores, resulta da frase populorum praepositi (responsáveis pelos povos) e constituti in ecclesiis (chefes das igrejas).
[iii] Scimus quia diligentibus Deum omnia cooperantur in bonum.Rom. VIII, 28.
[iv] Est enim quaestus magnus pietas cum sufficientia. Nihil enim intulimus in hune mundum sed nec auferre aliquid possumus: habentes autem victum et tegumentum, his contenti sumus. Nam que volunt divites fieri, incidunt in temptationem et laqueum et desideria multa stulta et noxia, quae mergunt homines in interitum et perditionem. Radix est enim omnium malomm avaritia, quam, quidam adpetentes, afide pererraverunt et inseruerunt se doloribus multis.
Tim., VI, 10.
[v] Nu dus exii de utero matris meae, nu dus revertar in terram. Dominus dédit, Dominus abstulit; sicut Domino placuit, ita factum est: sit nomen Domini benedictum.Job I, 21.
[vi] 4 Qui volunt divites fieri, incidunt in temptationem, etc.
Tim., VI, 6.
[vii] Praecipe divitibus hujus mundi, non superbe sapere, neque sperare in incerto divitiarum; sed in Deo vivo, qui praestat nobis omnia abundanter ad fruendum; bene faciant, divites sint in operibus bonis, facile tribuant, communicent, thesaurizent sibi fundamentum bonum in futurum, ut adprehendant veram vitam.
Tim., VI, 17-19.
[viii]  Nolite vobis condere thesauros in terra, ubi tinea et rubigo exterminant, et ubi fures effodiunt et furantur; sed thesaurizate vobis thesauros in Caelo, quo fur non accedit, nec tinea corrumpit: ubi est thesaurus tuus, ibi erit et cor tuum.
Mat., VI, 19-21.
[ix] Domine, non excrucier propter aurum et argentum; ubi enim sint omnia mea tu seis
(a) Em parte nenhuma da correspondência trocada entre Santo Agostinho e S. Paulino de Nola se encontra referido este caso, provavelmente porque essa correspondência se perdeu.

Nasceu Paulino em Bordéus no ano de 353 e morreu em Nola em 431, de família patrícia romana. Exerceu cargos públicos em Itália, onde viveu durante muito tempo.
Viveu depois em Espanha, donde era a mulher com quem casou e onde foi ordenado presbítero. Voltou a Itália, onde foi sagrado bispo de Nola.

Trocou correspondência com Santo Ambrósio, Santo Agostinho e S. Jerónimo. Embora nunca, que se saiba, se tenha encontrado com Agostinho, a correspondência entre ambos trocada revela que os unia uma profunda amizade.

Por volta de 395, servindo Alípio de intermediário, Santo Agostinho enviou-lhe algumas das suas obras que Paulino, ainda por intermédio de Santo Alípio, agradeceu vivamente (Ep. 4 — Agost. Ep. 25— P.L. XXXIII, 101, 103). Por não ter obtido resposta imediata a esta carta e receando que ela se tivesse extraviado, Paulino voltou a escrever a Agostinho (Ep. 6 de Ag., ep. 30— P.L. XXXIII, 120-122). Agostinho, que já tinha respondido à primeira (Ep. 27— P.L. XXXIII, 107-111), respondeu igualmente à segunda (Ep. 3í — P.L. XXXIII, 121-125) pouco depois de ter recebido das mãos de Valério a sagração episcopal.

Da maior parte da correspondência trocada entre os dois, só nos restam fragmentos.
As últimas referências que lhe são feitas constam do «De cura pro tnortuis gerenda», escrita em 421 para responder a uma questão posta por Paulino. Nessa obra, Agostinho diz:
«Soubemos, não por vários rumores mas sérios testemunhos, que, durante o cerco de Nola pelos bárbaros, o confessor da fé Félix, cujo túmulo rodeias de religiosa afeição, não só se tinha mostrado aos habitantes por insignes benefícios, mas até tinha aparecido a seus olhos».
Segundo Filostérgio (Hist, eccl. XII, 3; ed. Bidez p. 142), os bárbaros pouco tempo se mantiveram em Nola.
Depois de a terem destruído, abandonaram-na e retiraram-se, com grande alegria do seu povo, como se vê duma inscrição na sua basílica (b).

De Paulino a Agostinho, temos as cartas com os números 25, 30, 94, 121 e oito de Agostinho a Paulino com os números 27, 31, 42, 45, 80, 95, 154 e 186 na Col. Migne.

Deixou-nos ainda Paulino 36 composições poéticas entre as quais duas, em forma de epístola, a Ausónio (c).
A este respeito, v., além da cit. Col. Migne e da obra de Santo Agostinho De cura pro mortuis gerenda, P. Fabre, Saint Paulin de Nole et Vamitié chrétienne; P. Courcelle, Hist. litter. des grandes invasions germaniques, Paris, 1948; id., Les lacunes de la corresp. entre Saint Augustin et Saint Paulin de Nole, in Reme des Études anciennes, t. LIII, 1951; P. Mouceaux, Hist. litt. lat. chret., Paris, 1924; Cayré, Précis de Patrol, Paris , 1927-30. Sobre Ausónio v. G. Boissier: La Fin du Paganisme.
(b) Filostérgio, historiador cristão leigo de Capadócia no século IV-V, ariano, discípulo de Eunómio, escreveu, em continuação de Eusébio de Cesareia, uma célebre História da Igreja em doze volumes, abrangendo o período de 300 a 425. Desta obra só restam alguns fragmentos e um Epítome. O que resta da História da Igreja está publicado em Migne in Patrologia Greca, t. LXV. Sobre Filostérgio v. P. Batiffol, Quaestiones Philostergianae. Paris, 1891.
(c) Ausónio, (Decimus Magnus Ausonius), conhecido poeta, nascido em Burdigala, actual Bordéus, em 309 e lá falecido em 395, foi mestre e amigo de S. Paulino de Nola, leccionou gramática e retórica em Bordéus durante trinta anos, ingressou depois na carreira administrativa, foi nomeado por Valentiniano I preceptor de seu filho Graciano, foi cônsul no reinado deste, tendo voltado, depois do assassinato de Graciano, a Bordéus onde morreu cristão.
Escreveu o poema Mosella, nome do rio que atravessa Treveris, a capital imperial de então. Além deste poema escreveu Commemoratio Professorum Burdigalensium (Memoriais dos professores Bordaleses); Parentalia (Parentálias, recordando parentes e amigos falecidos) e Ordo Nobilium Urbium (Importância de cidades ilustres) em que descreveu vinte cidades notáveis da época.

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