19/08/2016

Reflectindo - 189

Perguntas à espera de resposta

Porquê?

Quando algo inesperado e traumatizante nos acontece esta é uma palavra que nos surge constantemente.

Não compreendemos, não percebemos, custa-nos muito aceitar.

No nosso íntimo há sentimentos contraditórios. 
Queremos esquecer mas desejamos recordar. 
Talvez haja uma pequena janela que possamos abrir, um ângulo para analisar, uma nesga de luz que ilumine a nossa escuridão interior, uma forma mágica de desatar o nó que persiste em apertar-nos a garganta, o peso que nos esmaga o peito, o sentimento de perda, a desilusão de planos não concretizados, o traumatismo - até físico - que alterou a nossa vida.

Porquê? Porquê? Porquê?

Sem querer colocamo-nos no centro do mundo, somos a pessoa mais importante, mais necessitada de carinho, de afecto, de atenção. Esperamos que toque o telefone e que do outro lado alguém nos pergunte pela enésima vez: como estás? Precisas de alguma coisa? Penso em ti!

Tudo isto acontece porque somos pessoas, temos um coração que ama e deseja ser amado, sentimentos à flor-da-pele que queremos partilhar, desejos que esperamos satisfazer. 

Tudo isto é natural, humano, sério.

Não tenho uma "receita", remédio ou solução e, claro, não tenho resposta.

Num esforço procuro pensar em tantas outras pessoas em igual situação mas que não questionam porque não têm ninguém a quem perguntar, não escrevem porque ninguém lê, não choram porque ninguém lhes seca as lágrimas, não esperam que o telefone toque porque ninguém lhes liga e, então, sou "forçado" a concluir que sou... tenho obrigação de ser feliz!


Esta constatação obriga a outra pergunta imediata e, a meu ver, lógica: tenho de ser feliz porque tenho o que muitos outros não têm?

E, a resposta é, cautelosa: sim mas não será tudo.

Pois não mas talvez seja o principal. A felicidade a maior parte das vezes não surge depois de uma busca desenfreada mas de um simples acto de reconhecimento de algo que não nos tínhamos dado conta.

Como se estivéssemos a deitar contas aos recursos de que dispomos e não percebemos que temos disponível uma quantia substancial.

As contas fazem-se na mesma mas com um espírito bem diferente.

Pois no caso da felicidade dá-se o mesmo. Serei feliz se reconhecer que tenho o que preciso, que nada me falta.

Nunca poderei compreender totalmente como é possível esta espécie de bipolarismo - estar tranquilo na aflição, confiante na incerteza, rir e chorar ao mesmo tempo - porque na verdade é o que me acontece.

Olho para a minha vida e misturado com enormes disparates e comportamentos reprováveis encontro acções de grande beleza e coisas estupendas que levei a cabo.

Eu... a mesma pessoa!

Nunca fui mau nem bom durante muito tempo considerando que ser mau ou bom é agir correcta ou incorrectamente.

Talvez que o "calcanhar de Aquiles " seja essa inconstância, esse divagar um pouco errático e disperso.

Tenho de ser feliz!

Porquê?
Porque sou capaz de me examinar e, mais, preocupo-me e esforço-me em examinar a minha conduta a minha atitude o meu pensamento o meu desejo.

Isto evidentemente porque sei que não é - absolutamente - mérito meu mas o Espírito Santo que me inspira e sugere a necessidade, a importância desse exame sério, detalhado e, sobretudo, corajoso.

(ama, Reflexões, Enxomil 2015.10.19


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